Razão de Viver



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Muitas pessoas erguem-se pela manhã acreditando não existir qualquer sentido para despertarem.

Dormem sem nenhum objetivo e acordam do mesmo modo, transformando o dia-a-dia, em uma experiência insossa ou vazia.


Vagam pelas ruas, sem destino certo, à mercê do que lhes aconteça no curso do dia.


Levam uma vida sem direção, desvalorizando o tempo e a oportunidade de estarem reencarnados.

Deixam-se levar pelos “ventos do acaso”.


Não vêem significado em família, em amigos, nem em trabalho.


Quando se estabelece este estado d’alma, a pessoa corre o risco de ser tragada pelo aguaceiro das circunstâncias, sem quaisquer resistências morais para enfrentar as dificuldades.

Com certeza, não é o melhor modo de se viver.


É urgente que nos possamos sentir como peças importantes nas engrenagens da vida.


É necessário que tomemos gradual consciência quanto ao nosso exato papel frente às leis de Deus.


Seria muito belo se cada pessoa – principalmente as que não vêem sentido para a própria vida – resolvessem perguntar-se:


“O que posso fazer em prol do mundo onde estou? Para que, afinal, é que eu vivo? Para quem é que eu vivo?”


Dificilmente não achará respostas valiosas, caso esteja, de fato, imbuída da vontade de conferir um sentido para sua existência.


Cada um de nós, quando se encontra nas pelejas do mundo terreno, pode viver para atender, para cuidar de alguém ou de alguma coisa, dando valor às suas horas.


É importante dar sentido à vida.


É importante viver por algo ou por alguém.


Dedique-se a um ser que lhe seja querido, que lhe sensibilize a alma, e passe a viver em homenagem a ele, ou a eles, se forem vários.


Dedique-se a uma causa que lhe pareça significativa para o bem geral, e passe a viver em cooperação com ela.


Dedique-se a cuidar de plantas, de animais, do ambiente.


Apóie-se em algum projeto justo, desde que voltado para as fontes do bem, pois isso alimentará o seu íntimo.


Assim seus passos na terra não serão a esmo, ao azar.


Quando se encontram razões para viver, passa-se a respeitar e a honrar as bênçãos da existência terrestre.


Cada momento se converte em oportunidade valiosa para crescer e progredir.


A vida na terra não precisa ser um “campo de concentração” a impor-lhe tormentos a cada hora.


Se você quiser, ela será um jardim de flores ou um pomar de saborosos frutos, após a sementeira responsável e cuidadosa que você fizer.


Dedique-se a isso.


Empreste sentido e beleza a cada um dos seus dias terrenos.


Liberte-se desse amortecimento da alma que produz indiferença.


Sinta que, apesar de todos os problemas e dificuldades que se abatem sobre a humanidade, a chuva continua a beijar a face do mundo e um sol magnífico segue iluminando e garantindo a vida em todo lugar.


Isso porque, todos nós somos alvos da dedicação de Deus.


* * *

O tempo é uma dádiva que Deus nos oferece sem que o possamos reter.

Utilizá-lo de forma responsável e útil é dever que nos cabe a todos.

Dê sentido às suas horas, aos seus dias, e assim, por consequência, a toda a sua vida.



(Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Para uso diário, capítulo 25, de J. Raul Teixeira, ditado pelo Espírito Joanes.)



Uma oração...




Ao despertar, enquanto você abre os olhos e se espreguiça na cama, seja para o Senhor da vida o seu primeiro pensamento.


Meditando em tantas coisas que logo mais lhe tomarão todas as horas do dia, sem lhe deixar tempo para telefonar para o amigo que há muito não vê, ou almoçar com a família, eleve a Deus o seu pensamento e lhe diga:


Senhor, acalma meu passo. Desacelera as batidas do meu coração, acalmando minha mente.


Diminui meu ritmo apressado com a visão da eternidade do tempo. Em meio às confusões do dia-a-dia, dá-me a tranquilidade das montanhas.


Retira a tensão dos meus músculos e nervos com a música suave dos rios de águas constantes que vivem em minhas lembranças.


Ajuda-me a conhecer o poder mágico e reparador do sono. Ajuda-me a me preparar bem para o repouso de todas as noites, lembrando-me sempre que enquanto dorme meu corpo, eu, Espírito, adentrarei o verdadeiro mundo e irei aos lugares que a minha mente elegeu como meu tesouro.


Ensina-me a arte de tirar pequenas férias: reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor, papear com um amigo, afagar uma criança, ler um poema, ouvir uma música preferida.


Ensina-me a ter olhos de ver a beleza do céu azul, um raio de sol, a chuva da tarde, o cair da noite, com seu manto aveludado bordado de estrelas.


Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa perceber no meio do incessante labor cotidiano dos ruídos, lutas, alegrias, cansaços ou desalentos, a Tua presença constante no meu coração.


Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa entoar o cântico da esperança, sorrir para o meu próximo e calar–me para escutar a Tua voz.


Acalma meu passo, Senhor, e inspira-me a enterrar minhas raízes no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer até às estrelas do meu destino maior.


Obrigado, Senhor, pelo dia de hoje, pela família que me deste, pelo meu trabalho e, sobretudo, pela Tua presença em minha vida.


Tudo isto Te peço, Senhor, pois se estás comigo, em nenhum lugar me sentirei triste, porque, apesar da tragédia diária, Tu enches de alegria o Universo.


Se estás comigo, não tenho medo de nada, nem de ninguém, porque nada posso perder e todas as forças do Cosmos são impotentes para tirar-me o que me pertence, na qualidade de filho de Deus: o Teu amor.


Se estás comigo, tudo executarei em Teu nome. Enfim, em nenhum lugar me sentirei estranho, deslocado, porque estás em todas as regiões, na mais suave de todas as paisagens, no limite indeciso de todos os horizontes.


* * *


A brisa refrescante que arrefece o calor dos dias de verão somente nos beneficiará se a respirarmos compassadamente.


Somente poderemos sentir a chuva benfazeja que se derrama sobre larga faixa terrestre, trazendo a fertilidade ao chão e alimentando as fontes, se alongarmos as mãos para recolher o líquido precioso.


Também as bênçãos de Deus se espelham sobre todas as criaturas, porém, para que as possamos sentir, dulcificando-nos as vidas, é preciso que nos unamos, em sintonia feliz, a essas faixas de luz.


E esta sintonia se chama oração.


(Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 do livro “Rosângela”, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e no texto “Se amas a Deus”, de Amado Nervo, do livro “Um presente especial”, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana.)




Na bênção da vida

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Mal você acorda pela manhã e muitas preocupações passam a ocupar a sua mente. São tantas as providências que tem a tomar que, muitas vezes, fica atordoado e nem vê o dia acabar.

As coisas mais comezinhas e as mais graves são alvos de sua atenção, ocupando-lhe as horas.

A noite chega e, quando você se dá conta está exausto, extremamente exausto.

Mastiga o jantar enquanto tenta digerir os problemas que ficaram pendentes. Bem, mas agora é só amanhã...

Um banho rápido e cama. Isto é tudo o que conseguirá fazer. Algumas horas de sono e novamente o dia o convida a agir... E lá vai você outra vez.

As horas se sucedem, os dias se vão, os meses se transformam em anos e você passa pela vida sem se dar conta das muitas bênçãos que ela lhe oferece, bem como a todas as criaturas que dividem com você o planeta.

Mas, apesar da indiferença, um novo dia se apresenta para ser vivido. E este dia talvez seja oportuno para você lançar um olhar mais atento ao mundo a sua volta, buscando interagir, de maneira consciente, com essas forças inteligentes.

Descubra o valor das concessões que o Senhor lhe faz pelas mãos da vida e distenda alegria e reconhecimento por toda a parte.

Observe a natureza, abençoando sem cessar, através das próprias forças em movimentos.

Nascem frutas saborosas em árvores cujas raízes se prendem à lama...

Correm brisas leves, entoando melodias suaves, em apertados vales onde cadáveres se decompõem.

Cai o orvalho da noite sobre o solo ressequido e misérrimo, crestado pelo sol.

Voejam borboletas delicadas nos rios de ar ligeiro qual festival de cor flutuante sobre campina pontilhada de flores miúdas.

Desabrocham, além, espécies variadas da flora que o pólen feliz fecunda em todo lugar.

Rutilam constelações no manto da noite salpicando a terra de diamantes preciosos.

Em cada madrugada renasce o sol dourado, purificando o charco, vitalizando o homem, atendendo à flor, sem indagar da aplicação que lhe façam dos raios beneficentes.

Não se detenha e recorde os tesouros com que o bem lhe enriquece o coração, através dos valiosos patrimônios da saúde e da fé, da alegria e da paciência e vá em frente.

Indiferença é enfermidade. Medo é veneno que mata lentamente.

Acenda a luz da coragem na alma, a fim de que você não se embarace nas dificuldades muito naturais que seguem ao lado dos seus compromissos em relação à vida.

Confiança em nossos atos é fortalecimento para a coragem alheia.

Otimismo nas realizações também é aliança de identificação com as esferas superiores.


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Você não está no mundo em vão. Aproveite a oportunidade, valorize as bênçãos da vida, difunda gratidão e alegria por onde passar, com quem estiver, com as concessões que possuir, justificando em atos edificantes a sua passagem pela Terra.

Você não é figurante nos palcos da vida terrestre: é protagonista, é lição viva, é peça importante, nessa imensa engrenagem chamada sociedade.

Pense nisso e movimente-se em harmonia com essas forças poderosas e inteligentes que agem por toda parte.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 'Na bênção da vida', do livro 'Ementário Espírita', pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Escravos da Palavra



Você já percebeu o quanto nos tornamos escravos das palavras que falamos? De como nos conduzimos por situações difíceis pela nossa própria fala?


Os pensamentos, enquanto guardados na intimidade da casa mental, são propriedade única e exclusivamente de quem os idealiza.


Porém, o pensamento que se converte em verbo falado, passa a ser de domínio público e deveremos responder pelos reflexos dos mesmos.


A palavra que edifica, enobrece, auxilia, é tesouro que dispensamos ao caminhar.


Porém, o verbo ácido da crítica destrutiva, do comentário maledicente buscando a desmoralização alheia, ou a acusação injusta do julgamento insensato, são dificuldades que amealhamos e das quais teremos que dar conta, uma a uma.


Assim, é atitude de sabedoria vigiarmos as palavras que saem de nossa boca. Pensar antes do falar é atitude sensata que nos poupa de muitos dissabores.


Para tanto, é imperioso cultivarmos a reflexão e autoanálise do que se passa em nosso mundo íntimo, pois que a boca fala daquilo que está cheio o coração, conforme nos alerta Jesus.


Alguns pesquisadores chegam a afirmar que circulam em nossa casa mental cerca de 95.000 ideias ao dia, das quais 85.000 são repetitivas, doentias, monotemáticas.


Para que o verbo se faça construtivo, é necessário o exercício da faxina mental, para que da mente possamos exteriorizar aquilo que não nos escravize negativamente.


O exercício do silêncio interior, do isolar-se alguns instantes diariamente do mundo para se encontrar consigo mesmo é fundamental.


Ao mergulharmos no silêncio de nossa casa mental, vamos conhecendo e entendendo qual o mundo íntimo que carregamos e que, muitas das vezes, ainda se mostra totalmente desconhecido para nós mesmos.


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Vigiemos nossas palavras, para que elas sejam úteis, proveitosas e edificantes. Evitemos o comentário maldoso, o julgamento precipitado ou a acusação indevida.


Ainda, preservemos o nosso falar das expressões chulas, das comparações grotescas ou das piadas vulgares. O clima emocional e psíquico, com o qual nos envolvemos, é fruto do que pensamos e do que falamos.


Se a mente ainda traz dificuldades, se os pensamentos infelizes ainda tomam nossa casa mental, muitas vezes nos perturbando, façamos o silêncio interior, deixando que lentamente aqueles pensamentos cedam espaço para outros, mais nobres e enriquecedores.


Cultivemos o verbo elegante, a palavra de consolo, os temas edificantes para que nossa boca não seja quem nos condene, fazendo-nos escravos daquilo que, de forma invigilante, expressamos com a palavra não refletida.


Redação do Momento Espírita, a partir de seminário ministrado por Divaldo Pereira Franco, no 'Encontro fraterno', na praia de Guarajuba, Bahia, em 05.09.09.


Ser feliz ou estar feliz



Será possível sermos felizes, em um mundo tão infeliz?


Um mundo onde mais da metade da população vive abaixo do nível da pobreza?


Um mundo onde há terremotos, tsunamis, furacões, inundações e seca?


Um mundo injusto, onde pouco mais de mil pessoas possuem riqueza, igual ou superior, à riqueza do conjunto de países onde vive 59% da Humanidade?


É possível ser feliz num mundo assim? É possível ser feliz em um país como o Brasil, onde 46% da riqueza nacional está nas mãos de apenas cinco mil famílias?


Uma privilegiada cabeça brasileira, ao analisar a questão, separou a felicidade em dois tempos: o tempo vertical e o tempo horizontal.


O tempo vertical é o momento intenso, vibrante, de uma realização.


Pode ser a conquista de um título num campeonato, o ter passado no vestibular, o primeiro encontro amoroso, o nascimento de um filho.


Nesse tempo vertical, a pessoa está feliz. É um momento especial, mas passageiro.


Assim, pode-se estar atravessando intensas dores, graves problemas e estar feliz em alguns momentos: pelo diploma conquistado pelo filho, pelo emprego tão aguardado que se anuncia, pela viagem sonhada que se concretiza.


O tempo horizontal é o do dia a dia. Assim, a paixão, o ideal do amor eterno que faz a pessoa desejar estar com o outro é o tempo vertical, de estar feliz.


No relacionamento a dois, na rotina em que, por vezes, se transforma o casamento, há um desgaste natural.


Nesse momento, é que entra o diálogo, a tolerância, a renúncia,o cultivo da ternura, sem o que o amor esfria, até virar indiferença.


Nesse momento a pessoa pode ser feliz. Feliz se tiver a capacidade de romper a rotina: inventar um programa, sair com amigos, ir ao teatro.


Inventar e reinventar cada dia.


Feliz se tiver a sabedoria para descomplicar as questões, acolher os limites, compreender e superar dificuldades.


Dessa forma, podemos estar felizes no dia que ganhamos uma promoção, um aumento de salário compensador.


Podemos estar felizes quando nosso filho volta ao lar, depois de longa viagem ou alguém muito querido nos visita.


São momentos intensos, vibrantes.


O ser feliz é o estado prolongado, sempre recriado e alimentado.


É a sabedoria de viver.


A felicidade, pois, é uma conquista. Podemos sorvê-la, em grande dose em um momento, em um dia e estarmos felizes.


Podemos sorvê-la em gotas homeopáticas, a cada dia, e sermos felizes.


Podemos, pois, escolher, como desejamos a nossa felicidade: em tempo vertical ou em tempo horizontal.


Desejamos estar felizes ou ser felizes?


* * *


Vives momentos de felicidade dos quais não te apercebes.


Diante dos teus olhos estão paisagens ricas de beleza e cor.


Seguem contigo as bênçãos de Deus, que ainda não sabes valorizar.


As ocasiões de amar e ser amado se multiplicam.


Rompe a carapaça que te impede o claro discernimento e aprende a ser feliz.


(Redação do Momento Espírita, com base em texto extraído do livro Dialética da Felicidade (3 tomos), de Pedro Demo, 2001, e na apresentação do livro 'Momentos de Felicidade', pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.)


OS ANIMAIS, NOSSOS IRMÃOS

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Amigos, com esta mensagem encerramos o mês de postagens dedicadas aos animais. Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar! Bom final de semana a todos! =)



Quando nascem, despertam a atenção e o carinho dos humanos. São engraçadinhos, frágeis, tão pequenos.

Cãezinhos de raças diversas são requisitados pelas crianças que desejam fazer deles seu brinquedo.

E assim, eles são levados para casa. Por vezes, adquiridos a alto preço, pelo pedigree, pela pureza da raça.

Enquanto pequenos, tudo é levado à conta de peraltices próprias de quem está descobrindo o mundo ao seu redor.

A criança o leva para todo lugar, e o cãozinho a segue, sempre fiel.

Não é raro que durmam juntos e, à mesa, o animalzinho fica ao lado, aguardando os bocados que o pequerrucho lhe passa à boca.

Brincam juntos no jardim, no interior da casa, nas piscinas.

A criança nem sempre é suficientemente cuidadosa e por vezes, pisa na cauda do cão, puxa-lhe as orelhas, aperta-o em demasia.

O animal solta um latido meio sufocado, dizendo da dor que sentiu, mas continua fiel, nem pensando em revidar a agressão, mesmo involuntária.

Pulam, saltam, correm um atrás do outro, enquanto as horas vão somando os dias...

Cresce o animal. Agora, já não é tão engraçadinho assim.

Ele solta pêlo por todo lugar e, porque ninguém lhe ensinou o que ele podia e o que não podia fazer, é castigado porque arranhou o sofá da sala.

Porque mordeu o chinelo recém comprado.

Porque rasgou a bola, com os dentes.

E, até mesmo, porque as suas necessidades fisiológicas foram feitas em lugares inapropriados.

A criança também cresce. Os interesses mudam. E, um dia, o animal que vivia em uma família, rodeado por todos, dentro de casa, gozando da confiança doméstica, se vê colocado no quintal.

Mas, como faz buracos, traz terra para o piso da garagem, ele é preso a uma coleira e uma corda.

Ao menos fosse em lugar confortável. Contudo, por vezes, fica exposto ao sol, à chuva, ao vento. Preso.

Suas pernas desejam correr, pular. Sua cauda abana a cada barulho significativo, seu bem conhecido, que os ouvidos registram: o carro chegando; a algazarra das crianças vindo da escola; o barulho da bola quicando no muro, no chão, na mão, no muro...

Quando as luzes se acendem na casa, ele olha e fica aguardando que alguém se lembre dele, outra vez.

Finalmente, chega um dia em que ele é colocado no carro da família. Vai alegre.

A viagem é longa, por estradas que não acabam nunca. Então, o veículo estaciona.

Ele corre para fora, esperando que alguém o chame, que corra atrás dele.

Mas, logo percebe que o carro fecha as portas de novo e arranca, perdendo-se na poeira da estrada.

Ele corre, tenta alcançar. Por que eles não param? Por que o esqueceram?

Indesejável, foi abandonado.

A partir daí, sua vida será um peregrinar pelas estradas, pelas ruas, à cata de comida, água, um lugar para morar.

Cachorro sem dono.

Não chegue perto. Ele pode morder.

Não toque nele. Deve estar doente. Veja como está magro.

Cachorro de ninguém.

Seus dias acabarão logo mais, sob as rodas de um automóvel, ou por enfermidade ou tristeza...

* * *

Pensemos, olhando nossos animais de estimação, como os estamos tratando.

São seres vivos: têm fome, sede. Sentem cansaço, calor, frio. Sobretudo precisam de afeto, de atenção.

Os animais estão sob a guarda e proteção dos homens.

Assim dispôs a Lei Divina: que servissem ao homem e o homem, de sua vez, os protegesse e amparasse.

Não percamos de vista este dever para com nossos irmãos inferiores, os animais.


Redação do Momento Espírita.
Em 20.05.2008.


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Denuncie maus-tratos contra animais!

Saiba como clicando na imagem abaixo:


A Resposta de Deus




É como mergulhar em um mar de águas geladas.


Por toda parte o frio, o abandono.


Ninguém à vista, nada de sorrisos calorosos, mãos amigas, solidariedade.


É assim quando o mundo nos vira as costas, os amigos fogem, e nada parece dar certo.


Nesses momentos temos vontade de perguntar:
Onde estão as pessoas gentis, os bons sentimentos? Onde se escondeu o amor, que todos louvamos?


Nos escaninhos da alma então cresce um sentimento infeliz: O de que não somos dignos de ser amados. E queremos tanto ser amados!


Queremos alegrias, carícias, gentilezas e sorrisos. Se isso nos falta, resta uma sombra cinzenta, um coração partido.


E é assim que da garganta parte um pedido de socorro, um grito que corta os céus e chega a Deus. E que diz, entre soluços:
Meu Pai, será que podes me ouvir? Estás aí? Deixa-me sentir Tua mão por um só instante.


E se a alma está atenta, o coração aberto, a luz abre caminho entre as sombras.


É como o sol surgindo após a chuva, seus raios dissipando nuvens pesadas, seu calor se espalhando pela Terra.


É a resposta de Deus.


Sua voz soa nos nossos ouvidos, sussurrando: Sim, Meu filho, estou aqui. Confia, espera, supera, aguarda. Estou aqui.


Somente essa voz divina tem o poder de restaurar nossa alma, de tornar cálida a água gelada que nos cerca.


Deus é alegria.


Estar unido a Ele é alcançar o permanente contentamento, Sua voz ecoando no coração, consolando, explicando. É como música feliz que leva para longe as mágoas, restaura a paz e devolve o sorriso.


Por isso, nas horas árduas, quando a solidão se instalar e as lágrimas chegarem, apenas silencie a voz na garganta.


Deixe apenas a alma falar.


E em vez de queixas, permita que a voz secreta busque Aquele que criou todas as coisas.


Dirija ao Pai Divino uma oração de reconhecimento e amor. Algo mais ou menos assim:

Na caminhada dos dias, nos caminhos do Mundo, na humildade de minha alma, eis-me aqui, meu Amigo, meu Amado.

Faz da minha vida o que for melhor para mim. Mesmo que meus pés sangrem, mesmo que meus lábios só emitam gemidos, confio em Ti.

Ouvir Tua voz na natureza é como recordar uma canção de infância. Violões em notas claras traduzindo brisas e risadas de criança. À Tua sombra existe serenidade e paz. A paz que sempre busquei.

És minha água, meu sol, o ar mais puro. Por isso meu único pedido é que me deixes apenas Te amar.


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Deus está em toda parte, e, obviamente, em ti e contigo também.


Procura encontrá-Lo, não somente nas ocorrências ditosas, senão em todos os fatos e lugares.


Reserva-te a satisfação de ser cada dia melhor do que no anterior, de forma que Ele em ti habite e, sentindo-O, conscientemente, facultes que outros também O encontrem.


Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 33 do livro 'Episódios diários', do Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.



Mensagem de Páscoa




Amigos, intitulei a postagem de hoje como “Mensagem de Páscoa” apenas pelo seu conteúdo, mas creio ser importante esclarecer, para aqueles que desconhecem, que os espíritas não comemoram a páscoa, embora respeitem e reconheçam a sua importância para aqueles que a celebram.

Para a Doutrina Espírita, não há a “Semana Santa”, o “Sábado de aleluia”, o “Domingo de Páscoa”, ou ainda o “Senhor Morto”. Aliás, a prática da “malhação do Judas”, comum nesta época, é absolutamente incoerente com a prática espírita, pois destoa do perdão recomendado pelo próprio Jesus, princípio este que, entre outros tantos recomendados pelo Mestre, norteiam a Doutrina Espírita.

O principal objetivo da Doutrina Espírita é a melhora moral do homem. E acreditamos que isso se faz no dia-a-dia, independentemente de feriados ou ocasiões especiais.

Para saber mais sobre a visão espírita da Páscoa – CLIQUE AQUI.

Vamos, então, à mensagem (desejando muita paz a todos)...


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Oportunidades desprezadas


Era a semana da Páscoa. Nunca mais haveria dias de tal significado.

O Pastor estava entre os homens e os homens não O identificaram.

Naquele primeiro dia dos quatro últimos de Sua jornada na Terra, Jesus estava no Templo de Jerusalém. Como muitas vezes anteriores, passara o dia a ensinar às gentes que O desejassem ouvir.

E como das vezes anteriores, sofreu os ataques dos sacerdotes, daqueles mesmos que eram os líderes religiosos de um povo ávido de justiça e consolo.

Então, no entardecer, quando o dia começava a morrer, deixando-se abraçar lentamente pela noite, o Mestre demonstrou Seu cansaço.

Não era o cansaço do povo, das gentes sofridas, das dores multiplicadas que Lhe chegavam, em ondas constantes.

Era o cansaço por verificar o desprezo à religiosidade justamente dos que deveriam ser os mais interessados na preservação do patrimônio religioso.

E eles desprezavam a mensagem de que era portador o Messias.

Num lamento, falou Jesus e o Evangelista Mateus anotou:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que são enviados a ti. Quantas vezes eu quis reunir os teus filhos do mesmo modo que a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintinhos! E tu não o quiseste. Eis que a tua casa ficará deserta.

Jesus se encontrava na capital religiosa do mundo de então, em plena semana da festa religiosa mais importante do ano.

Ele era o Rei, o Enviado, o Pastor das almas e eles não se davam conta disso.

Todos se preparavam para a comemoração da Páscoa e não aproveitavam a presença celeste entre eles, o Mensageiro mais excelso que a Terra conheceu.

Era um momento especial e os homens o deixaram escorrer por entre os dedos.


* * *


Hoje, ainda, existem oportunidades desprezadas por muitas criaturas.

Deixamos de atender o convite do Pastor para correr em busca de valores efêmeros. Coisas que hoje são valorizadas e amanhã não mais farão parte do rol de itens importantes.

Somente os valores reais são imperecíveis, inalteráveis no tempo.

A serenidade com que Sócrates recebeu a pena de morte que lhe foi imposta é a mesma serenidade que desfrutam todos os que compreendem que a vida é uma passagem rápida por um mundo de formas e inconsistências.

A paz de espírito que movia Gandhi é a mesma hoje, para todos os que abraçam a proposta da não-violência.

O amor ao próximo que motivou Albert Schweitzer a se embrenhar na África Equatorial Francesa para atender aos seus irmãos é o mesmo que moveu Madre Teresa de Calcutá, nas estradas da Índia e nas ruelas do mundo.

É tempo de pensar!

É tempo de reformular ações.

Tudo para que não venhamos a nos transformar em uma casa vazia, um lugar deserto.

Tudo para que nos voltemos para as coisas do Espírito, atemporais, imperecíveis.

O que equivale a dizer: sem apegos materiais. Conscientes de que os bens da Terra são para serem usados, para nos servirem, não para nos dominarem.

Conscientes de que as chances de crescimento devem ser aproveitadas, porque nunca se reprisarão da mesma forma, na mesma intensidade...

Pensemos nisso!


(Redação do Momento Espírita)




A mão de Deus



Conta-se que o conquistador mongol Genghis-Khan tinha como animal de estimação um falcão. Com ele saía a caçar. Era seu amigo inseparável.


Certo dia, em uma das suas jornadas, com o falcão como companhia, sentiu muita sede. Aproximou-se de um rochedo de onde um filete de água límpida brotava.


Tomou da sua taça, encheu até a borda e levou aos lábios. No mesmo instante, o falcão se jogou contra a taça e o líquido precioso caiu ao chão.


Genghis-Khan ficou muito irritado. Levou a taça novamente até o filete de água e tornou a encher. De novo, antes que ele pudesse beber uma gota sequer, o falcão investiu contra sua mão, fazendo com que caísse ao chão a taça e se perdesse a água.


Desta vez o impiedoso conquistador olhou para a ave e falou:


Vou tornar a encher a taça. Se você a derrubar outra vez, impedindo que eu beba, você perderá a vida.


Na mão direita segurando a espada mongol, com a esquerda ele tornou a colocar a taça debaixo do filete de água e a encheu.


No exato momento que a levava aos lábios, o falcão voou rápido e a derrubou.


Ágil como ele só, Genghis-Khan utilizou a espada e, em pleno ar, decepou a cabeça do falcão, que lhe caiu morto aos pés.


Ainda com raiva, ele chutou longe o corpo do animal.


E porque a taça se tivesse quebrado na terceira queda, ele subiu pelas pedras para beber do ponto mais alto do rochedo, no que imaginou fosse a nascente da fonte.


Para sua surpresa, descobriu presa entre as pedras, bem no meio da nascente, uma enorme cobra venenosa. O animal estava morto há tempo, com certeza, porque mostrava sinais de decomposição. O cheiro era insuportável.


Nesse instante, e somente então, o grande conquistador se deu conta de que o que o falcão fizera, por três vezes, fora lhe salvar a vida, pois se bebesse daquela água contaminada, poderia adoecer e morrer.


Tardiamente, lamentou o gesto impensado que o levara a matar o animal, seu amigo.


* * *


Assim muitas vezes somos nós. A Providência Divina estabelece formas de auxílio para nós e não as entendemos. Pelo contrário, nos rebelamos.


Por vezes, a presença de Deus em nossas vidas se faz através dos sábios conselhos de amigos. Contudo, quando eles vêm nos falar de como seria mais prudente agirmos nessa ou naquela circunstância, nos irritamos. E podemos chegar a romper velhas amizades.


De outras vezes, Deus estabelece que algo que desejamos intensamente, não se concretize. Algo que almejamos: um concurso, uma viagem, um prêmio, uma festa, um determinado emprego. É o suficiente para que gritemos contra o Pai, nos dizendo abandonados, esquecidos do Seu apoio.


Raras vezes paramos para pensar e analisar sobre o que nos está acontecendo. Quase nunca paramos para nos perguntar: Não será a mão de Deus agindo, para me dizer que este não é o melhor caminho para mim?


Nada ocorre ao acaso. Tudo tem uma razão de ser. Você nunca se deu conta que um engarrafamento que o detém no trânsito por alguns preciosos minutos, pode lhe impedir de ser participante de um acidente mais adiante?


Um contratempo à saída de casa, que lhe retarde a tomada do ônibus no momento que você planejava, pode ser a mão de Deus interferindo para que você não se sirva daquela condução, para não estar presente no acidente que logo acontece.


Providência Divina. Esteja atento. Busque entender as pequenas mensagens que Deus lhe envia todas as horas.


E não se irrite. Não se altere. Agradeça. A mão de Deus está agindo em seu favor, em todos os momentos, todos os dias.


(Redação do Momento Espírita)