19.5.26

IMAGENS DE «PARASCEVE» 

A artista brasileira Debora Censi concluiu recentemente um projecto que designou de «ensaio visual» concebido a partir do livro de Maria Gabriela Llansol Parasceve. Puzzles e ironias. O projecto foi desenvolvido no âmbito da 4ª Residência Artística Taguspark (em Oeiras), entre Janeiro e Abril de 2026, e dele resultaram duas séries de obras, de que aqui apresentamos uma breve selecção (com os respectivos textos de apresentação pela artista): uma série de dezasseis pinturas a óleo («Tudo o que resta de uma vida quando ela passa aqui») e outra de oito desenhos de árvores, em grafite e «aguadas» («Recordar é quase, de certeza, um ainda-mais-morrer»).


                    I - TUDO O QUE RESTA DE UMA VIDA QUANDO ELA PASSA AQUI

«O ensaio visual foi realizado a partir do texto de Maria Gabriela Llansol Parasceve. Puzzles e ironias, produzindo imagens que perpassem olhares sobre a escrita de Llansol.

Inverte o processo da autora, que parte de uma imagem-objeto e segue para a palavra. Aqui, a palavra é o ponto de partida, produzindo uma outra imagem, não a original, nem uma ilustração ou representação, mas sim um procedimento interpretativo, um novo acontecimento. Existe, no entanto, a intenção de manter os deslocamentos característicos de Llansol. Os tempos são deslocados e realizados, sobrepostos como camadas de pintura, transparências, resultando em uma única imagem: onde a cronologia perde importância e sentido, há então a simultaneidade».

«O CORVO AMARELO» e «O PIANO»


«A MULHER» e «SPINOZA»


                   II - RECORDAR É QUASE, DE CERTEZA, UM AINDA-MAIS-MORRER

«A partir da leitura do livro Parasceve. Puzzles e ironias, de Maria Gabriela Llansol, produzi uma sequência de desenhos. São árvores que imaginei estarem relacionadas com a escrita e o percurso de Llansol.

Para Llansol, a árvore se apresenta como acontecimento, como presença. É a existência plena e, principalmente, livre de autobiografia.

Os desenhos são basicamente troncos e galhos, árvores invernais, estação predominante no livro. É a estrutura que se sustenta no torpor até o início do florescer.

É Parasceve».


17.5.26

MUSIL E(M) LLANSOL

Dois místicos sem misticismo

O essencial de uma convergência singular entre dois escritores «inactuais» e necessários à actualidade, na introdução ao caderno que acompanhou – com uma Cronologia ilustrada da vida e Obra de Robert Musil – a sessão de sábado no Espaço Llansol:





6.5.26

 MUSIL E(M) LLANSOL

«O MISTICISMO DO DIA CLARO» 

No próximo dia 16 de Maio, pelas 16 horas, trataremos, em mais uma sessão pública, da relação de convergência e afinidade entre Llansol e uma das suas «figuras» até agora pouco tratadas, o autor de O Homem sem Qualidades, Robert Musil, que ela traz para a sua escrita e considera ser da sua «linhagem». O ponto de convergência poderá ser o de um «misticismo do dia claro», objecto de busca do romance de Musil. Trata-se de um «estado de alma» que que se alimenta, não do mistério das religiões, mas do enigma das coisas, a «luz do dia claro» em Musil, uma «estética do fulgor» em Llansol.

João Barrento comentará as ligações entre os dois «escreventes», e teremos o habitual caderno, com textos de ambos.

29.4.26

 MICROLEITURAS LLANSOLIANAS: APRESENTAÇÃO

No dia 7 de Maio, pelas 18h, apresentamos na Livraria Tigre de Papel o último volume da colecção «Rio da Escrita», a colectânea de textos/ensaios de João Barrento Fragmentos (quase) completos-Microleituras llansolianas. A Profª Paula Mendes Coelho (Universidade Aberta) apresentará o livro, com a presença do autor, da editora Helena Vieira e de Farnando Ramalho, da Tigre de Papel (ver, no post anterior, a capa e o Índice deste livro).

15.4.26

PAISAGENS DO UNIVERSO LLANSOL

Novo livro de João Barrento



Acaba de sair. O índice permite perceber quais os terrenos percorridos:




7.4.26

 LLANSOL LIDA NO BRASIL

Hoje terá lugar uma leitura de textos de Maria Gabriela Llansol na Livraria da Tarde, em São Paulo. Os «cantores de leitura» serão os legentes de Llansol Déa Paulino, Marcelo Ariel e Micheliny Verunschk. Também a voz de Llansol estará presente, através da gravação cedida pelo Espaço Llansol, em que a autora lê passagens de O Senhor de Herbais.

9.3.26

 O «POBRE» NA ESCRITA DE LLANSOL


Da sessão de sábado, 7 de Março, deixamos aqui uma dupla síntese do tema tratado (em textos de Llansol lidos e no video projectado): a figura do «Pobre», no sentido muito particular em que surge na escrita de Llansol desde os primeiros contos juvenis, e sobretudo nas duas trilogias – «Geografia de Rebeldes» e «O Litoral do Mundo» –, onde o pobre é visto como «arquétipo» possível do humano e como «sobrevivente» da História.



VIDEO:
«O POBRE: COMO UM DESTINO DOURADO NA POEIRA...»


3.3.26

A ÚLTIMA VIAGEM 

(1931-2008)

Foi há dezoito anos a partida para a grande viagem da Maria Gabriela. Mas ainda e sempre, como ela escreve, «o Texto invade a morte, e tira-lhe os bordos escuros do silêncio cinzento» (Caderno 1.59, p. 59).


24.2.26

OS «POBRES» DE LLANSOL : 

«UM FULGOR QUE VEM DE DENTRO»


No próximo dia 7 de Março, pelas 16 horas, teremos mais uma das nossas sessões públicas, desta vez sobre um tema central em Llansol desde os primeiros contos juvenis, e com um perfil muito particular nas primeiras trilogias: o «Pobre» não é entendido aqui meramente de uma perspectiva sociopolítica, não tem necessariamente conotações negativas, é uma possibilidade em aberto para uma «restante vida» oposta ao mundo.
João Barrento comentará o tema em Llansol (e outros autores), haverá projecção de um video com textos de Maria Gabriela Llansol, e leituras de fragmentos dos seus livros e cadernos pelo público.


3.2.26

CANTILENO INSPIRA EXPOSIÇÃO

 No próximo sábado, dia 2 de Fevereiro, pelas 18h, é inaugurada uma instalação do artista Sebastião Castelo Lopes na Galeria Lumina (Rua Actor Vale, 53-A, em Lisboa-Penha de França),  concebida a partir do texto de Maria Gabriela Llansol Cantileno (editado pela Relógio d'Água em 2000). A exposição conta com a colaboração das fotógrafas Inês Gonçalves e Ana Paganini.