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14 janeiro 2015


Prometias-me poesia

Castelos de ameias erguidas
Contra dores escondidas
Em sorrisos soluçantes

Prometias-me poesia

Universos em expansão
Nas noites de S. João
Com artifícios troantes

Prometias-me poesia

Do auge do abandono
Aos destroços do Outono
Por truques de meliantes

Prometias-me poesia

Entre gaffes e entrelinhas
No sopro das ventoinhas
Sob olhares insinuantes

Prometias-me poesia

Rituais mais que profanos
Em ritmos norte-africanos
No retorno dos viajantes



Prometias-me poesia

E por ti me fiz ao mar
Com redes de capturar
Peixes-verso navegantes

22 novembro 2013

Todas as noites


Todas as noites te escrevo poemas que não lês.
Contêm promessas de amor eterno, utopia verídica dos poetas.
São poemas que moram em mim, não conhecem gavetas.
Todas as noites os escrevo e tu não os lês.

Todas as noites te dedico poemas de amor
Ditados pelas estrelas, senhoras de poder universal.
São elas que nos traçam sina doce e imortal.
Todas as noites são noites de poemas de amor.

Todas as noites
Os meus lábios te sussurram, sem que os ouças: és o meu poema.
Todas as noites nos amamos e adormecemos juntos, distantes.

Todas as noites.

03 novembro 2013

Distracção divina

Conheci-te na rota do meio-dia
A tua tarde, uma ilha sem sereia.
Onde búzios trazidos p’la maresia
Propagavam hinos doces sobre a areia.
 
 Acordámos despidos no rochedo
Abraçados na praia clandestina
Personagens dum misterioso enredo
Engendrado p´la distracção divina
 
Renascemos no linho dum areal
Debruado a medo dentro do peito
Descobrimos fogo com sabor a sal
Nas marés vivas dum amor perfeito.

29 setembro 2013

Talvez...

 
Talvez o amor se canse de esperar
Talvez o medo impeça de tentar
Talvez a Lua nos veja dançar
Talvez os versos não devam rimar.
 
Talvez eu fique em casa se chover
Talvez as dores tenham de doer
Talvez o ventre inche de prazer
Talvez os lutos ensinem a viver.
 
Talvez um mimo te faça sorrir
Talvez os filhos não queiram dormir
Talvez um dia tenha de partir
Talvez ainda possas sugerir.
 
Talvez a obra exceda o criador
Talvez a sorte nos traga o melhor
Talvez perder seja um mal menor
Talvez ainda me dês uma flor.
 
Talvez no Inverno eu te procure
Talvez um abraço tudo cure
Talvez te roube um beijo e jure
Que seja eterno enquanto dure.

30 julho 2013

Sete luas




Uma semana voou

Sobre o nosso pôr-do-Sol.

Sete pétalas, sete luas

Sobre essa escala pautada

Por claves de girassol.

 

Desenhámos areais

Por entre dez mil sorrisos.

Erguemos altares de estrelas,

Venerámos os sentidos

Em secretos paraísos.

 

Sonhámos o mesmo sonho,

Mezcal sóbrio de azul.

Sorvemos a pele salgada,

Despertámos para o voo

Do vento morno do Sul.

 

E num toque toque licoroso

Brindámos em cada beijo.

E, ao longo das sete noites,

Fomos vagas inflamadas

Na preia-mar do desejo.

27 maio 2013

Vertigem Galopante


Sob as coxas com que te cinjo e ensino,
És sela quente onde o meu querer se agita;
Alazão bravo sobre o qual me inclino,
Boca entreaberta em gula infinita.
 
Traças com a língua um trilho que desperta
Em mim o cio bêbado de fêmea acesa.
Monto-te livre, vibrante, aberta,
Enquanto me domas, nas tuas mãos presa.
 
Somos corcéis trotando contra o vento,
Esporeando-se em loucura repentina,
Cavalgamos, rédeas soltas, ao relento,
No peito o fogo, nas tuas mãos a crina.
 
Investimos todo o fôlegoa na corrida,
Vertigem galopante, desenfreada
E serenamos da derradeira investida
Na mansa plenitude da madrugada.
 
 

21 março 2013

Aventureiros



Que desenhemos um mapa de expedição
À descoberta duma secreta geografia.
Que eu te envolva, num jogo de sedução,
Despindo acordes em íntima coreografia.
 
Que se conjuguem todos os verbos do prazer
Numa janela  onde exibimos fantasias,
Que as tuas mãos me algemem este querer
E a tua língua me torture maresias.
 
Que eu te deite, então, quieto, submisso,
E te devore com ambas as minhas bocas.
Que reconheça no teu aroma o feitiço
Voluptuoso das formas como me  tocas.
 
E explore teu território no desvario
Líquido desta seiva orientadora,
Te descubra a montanha, o vale e o rio,
E os consuma no fogo que me devora.
 
Seremos aventureiros brincando aos amantes
Em ousada campanha de prospecção,
Nos nossos trilhos, descobriremos diamantes,
Gemidos cúmplices antecedendo nova explosão.

24 fevereiro 2013

Declaração



Quero-te tanto que nem me sei declarar.
Quero-te tanto e sempre, a cada instante,
Quero a tua voz, o teu cheiro e o teu olhar,
Que me aprisionam num desejo distante.
 
Quero-te no verbo de curto e longo alcance,
Quero-te em sonhos, amor não correspondido.
Quero viver na tua pele o meu romance,
Na tua boca, o meu poema proibido.
 
Quero-te na cadência lenta e voluptuosa
Duma dança entre lençóis e fantasia.
Quero fazer do teu calor a minha prosa,
Dos teus murmúrios, a nossa poesia.
 
Confino-me à paixão platónica, secreta,
Prisão feliz de grades invisíveis,
E sonho-me num cárcere de poeta:
Os teus braços, carcereiros apetecíveis.

29 janeiro 2013

A cadeira



No estúdio,  soçobra  uma melodia.
Os espelhos retribuem a pele suada.
A bailarina, só, na sala vazia
Limpa o suor à toalha lavada.

Após o plié e os passos de dança
Firma a barra, fita o espelho.
Desenha um cambré, fica, descansa
Na réstia de acordes dum ritmo velho.

Abraça com as pernas uma cadeira
Despida de cor, calada, triste,
E recorda, da manhã, a brincadeira
Que a despertou para o sexo em riste.

Quebra-se o remanso
No abrir da porta,
Vai-se o descanso
Fica a sala torta.
 
Quando o amante,
Veloz e selvagem,
Entra de rompante
Buscando a miragem
 
Das coxas de seda
Rodeando a cadeira
Numa labareda
Envolvendo-a, inteira.

Estende-lhe a mão,
Puxa-a para si
E já a outra mão
Lança o frenesi.
 
Ateado o fogo,
Procuram-se as bocas.
Começa o jogo
Das línguas loucas.
 
O membro ereto
Voraz, sedento,
Num ângulo reto,
Lambe-a por dentro.

Um pas-de-deux nunca ensaiado
Esboça-se na luxúria dos sentidos,
Faz da cadeira leito improvisado
Ao som de beijos, gritos e gemidos.

Reflete-se no espelho o desejo urgente,
Ergue-se o punhal para o festim guloso
Dança, sobe, desce, num prazer crescente
Que leva ao orgasmo doce e langoroso

Termina empatada a luta de titãs
Caem saciados os beligerantes
Jaz encolhida a espada que,  pelas manhãs,
Saúda o dia com ímpetos escaldantes.

22 janeiro 2013

Volúpia

 

É o convite que te lanço, muda súplica
E a voz que me responde, excitante.
É a urgência de um querer inebriante,
A intenção duma brincadeira lúbrica.

São as tuas mãos que, lentas, me percorrem,
Sou eu, exposta ao sabor do teu desejo,
É o meu sangue que pulsa quando vejo
A espada que as tuas vestes não escondem.

São os beijos nos mamilos a causar
A nascente que se forma no meu centro.
São os teus dedos moldando por dentro
A rosa que se abre para te saudar.

É a língua com que me provas, buscando
A polpa do meu fruto permitido.
São as coxas que libertas do vestido
E a volúpia com que segues explorando.

É o teu sexo roçando a minha pele,
O erotismo com que me brindas a boca.
A pujança forte e doce que me toca
Quando na minha taça derramas o teu mel.

É o grito de guerra que deflagra
Num assalto à roupa desarmada.
É o instante da minha ânsia penetrada
É a onda de prazer que se propaga.

É o fogo promissor de um orgasmo
A sede com que sorvo a tua seiva
O calor da labareda quente e meiga
O teu archote comungando o meu espasmo.

13 janeiro 2013

Nostalgia



Quando me procurares,
Guia-te pela estrela da fantasia,
Sem Norte, seguindo todos os luares
Onde nos encontrámos, um dia.

Se me procurares,
Segue o trilho de dor que me guia,
Sem réstia daqueles mares
Revoltos da nossa orgia.

Se me encontrares,
Será somente numa via:
De múltiplos sentires e pesares
Que hoje eu chamo “nostalgia”.

26 novembro 2012

Faz-de-conta



Faço rendas com o tempo se não estás,

Crio histórias que não se contam a crianças.

Faço de tudo para vencer as horas más

E inauguro a era das boas esperanças.

 

Faço as pazes com as não ouvidas preces,

Dispo a angústia que a toda a hora me esmaga.

Não faço caso da nudez em que me esqueces

E visto-me de luar, sob um céu que me afaga.

 

Faço amor com palavras e com estrelas,

Brinco aos contos, protagonizo cada história

Do faz-de-conta de aventuras e novelas

E, no fim, deito-me contigo na memória.

20 outubro 2012

Delírio em três quadras

 
 

Chego desfeita, de alma vazia.
Ofereces-me um abraço onde me aninhar.
Aconchegas-me o corpo, até ser dia,
És a minha casa, deixas-me ficar.
 

Destapas-me a pele, destravas-me a boca,
Deslizas a língua que me faz vibrar
Num delírio sôfrego, que me deixa louca,
És a minha casa, onde vim morar.

 

Já o Sol afasta o sono fugaz
 E eu reaprendo contigo a jogar
Um jogo sensual, de guerra e de paz.
És a minha casa e eu, o teu lar.

16 agosto 2012

O meu poema



O meu poema

Esconde rios de lágrimas vertidas

Nas searas nocturnas da desilusão,

Regando antigas mágoas, renascidas

Em madrugadas prenhes de solidão.



O meu poema

São as dores duma nova sepultura,

Cavada com braços firmes, feitos pranto,

Onde enterro os despojos da ternura

E acolho nova era de desencanto.



Mas…



O meu poema

Espelha todas as estrelas que no céu brilham,

A luz que permite um novo dia,

As brincadeiras infantis que se partilham,

Os arco-íris que dão ouro à alquimia.



O meu poema

Guarda as sementes de todas as esperanças,

A chuva batendo, de mansinho,

As cantilenas sorridentes das crianças

Em campos de alfazema e rosmaninho.



O meu poema

Revela um corpo aberto às sementeiras,

Dunas agrestes onde aportam gaivotas,

Estrelas cadentes e terras sem fronteiras,

Mapas velhos, contendo novas rotas.



O meu poema

É o cabo das tormentas já dobrado,

É a arte, o sonho, a força e a glória,

A boa esperança de te ter sempre a meu lado,

O brinde à conquista da nossa história.

26 julho 2012

Galeão




Vela estendendo-se sobre a cama,
És Sol deitando-se sobre o vasto mar.
Arrepio na pele que se inflama
Num fogo ateado pelo teu olhar.
Faço-me marinheira do teu galeão
Levantando ferro ao mínimo sinal.
Sou tua contramestre nesta expedição
Num oceano de amor com sabor a sal.
Sulcamos juntos este mar infinito,
Sem bússola, navegamos ao sabor do vento,
Rota de murmúrios que rumam ao grito
De tanto prazer que ecoa, em espasmo,
Por todas as estrelas do firmamento
E lançamos âncora no doce orgasmo.

22 abril 2012

Soneto para o meu pai





Seis anos de orfandade
Ensinaram-me a viver
Numa infinita saudade
Qu' ainda estou a aprender.


Sinto-te em cada leitura,
E na emoção que se tece,
Na memória que perdura,
Em cada dia que amanhece.


Sei-te distante no tempo,
Constante no pensamento
Emoção que me completa


Sei-te no livro publicado,
No meu poema cantado,
Nesta alma de poeta.

31 março 2012

Tela sem fim



Desenho o teu rosto em todos os horizontes,
Acrescento um retoque a uma tela sem fim.
E há um Sol que espreita por detrás dos montes,
Como tu espreitaste a alegria em mim.

Crio árvores e céu, um rio solto na corrente,
Apago todas as aves que abafam a tua voz,
Esboço um voo livre que a memória ainda sente,
De quando o silêncios falavam por nós.

29 fevereiro 2012

Saudade



Saudade da tua pele na minha pele,
Bailado sedento de corpos inebriados
Esgotados de tanto saborear esse mel,
Licor de amantes embriagados.



Saudade do teu calor no meu calor,
Mãos dadas num brinde de harmonia,
Das tantas vezes em que, mais que amor,
O que fizemos foi pura poesia.



Saudade da tua vida na minha vida,
Do reencontro ansiado e intenso,
Quando me aninhavas nos braços, despida
E o tempo parava, por nós suspenso.

22 fevereiro 2012

De tanto estarmos sós


Deixo-me conduzir pelos teus passos,
Sombra que me persegue, vadia,
Rastro silencioso dum trilho de abraços,
Percepção vaga de presença em cada dia.
E sei que, se és vento, eu sou ventania.

Deixo-me ir, na direcção do teu olhar,
No embalo dos beijos que ainda ressoam em mim,
Memória duma época que não sei apagar;
Segredo doce que conservo, assim,
Como se fosses princípio, e eu fim.

Deixo-me ficar em nós,
Fantasia ousada de um amor louco,
Feito no tempo que desvendou a voz
Escondida num recanto meu, rouco,
De tanto nos querermos. De tanto estarmos sós…

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