"Urgente é construir serenamente
seja o que for, choupana ou catedral,
é trabalhar a pedra, o barro, a cal
é regressar às fontes, à nascente"
in Urgente
Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro, poetisa, romancista e dramaturga portuguesa, nasceu em Lisboa a 8 de Dezembro de 1900, e faleceu na mesma cidade a 19 de Dezembro de 1994. Filha de um oficial da Marinha, estudou em Portimão, Figueira da Foz e Lisboa.
Do casamento com António J. Tavares Ferro, Secretário da Propaganda Nacional, nasceu o filósofo e ensaísta António Gabriel de Quadros Ferro, e Fernando Manuel Teles de Castro e Quadros Tavares Ferro. A sua neta, Rita Ferro é também escritora.
Fundou com o marido e outros autores a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, actual Sociedade Portuguesa de Autores. Foi também a fundadora da Associação Nacional Parques Infantis, à qual presidiu. Traduziu peças de teatro, escreveu Poesia, Romance, Teatro e Literatura Infantil.
Foi autora do argumento do bailado Lenda das Amendoeiras , levado à cena pela Verde Gaio em 1940, companhia fundada como uma afirmação da portugalidade, e do argumento do filme Rapsódia Portuguesa, primeiro filme português em cinemascope.
Recebeu o Prémio Teatro Nacional D. Maria II, pela peça "Náufragos", o Prémio Ricardo Malheiros, e o Prémio Nacional de Poesia em 1969.
Algumas obras : "Antemanhã"(1919), "Náufragos"(1920), "O Veneno do Sol e Sorte" e "Jardim"(1928), "Nova Escola de Maridos"(1930), "A Pedra no Lago"(1943), "Maria da Lua"(1945), "Exílio"(1952), "Asa no Espaço"(1955), "África Raiz"(1966), "Poesia I e II"(1969), "Fontebela"(1973), "Ao fim da Memória" (Memórias entre 1906 e 1939, 1986), "Urgente"(1989), "Os Cães não Mordem"(obra editada postumamente). Traduziu também autores como Rainer M.Rilke, Katherine Mansfield, Pirandello e Ionesco.
Alguns exemplos da sua escrita:
Bruno (rindo) - Quantos anos tens?
Teresa - Cem. (Rectificando) Dezoito.
Bruno - Estudas?
Teresa - Mais ou menos. Filosofia.
Bruno - Não digas mais nada, só suporto as pessoas enquanto posso imaginá-las como quero: vagas, fluídas, susceptíveis de desaparecer dum momento para o outro, como fantasmas ou miragens.
in Os Cães não Mordem
MAIS UM DIA PERDIDO
Há dias em que tudo é sem remédio,
em que tudo começa e acaba torto.
Uma folha caiu :
era um pássaro morto.
Neblina. Fim de tarde. Fim de Outono.
Nada nos fala, nos atrai, nos chama.
Choveu, parou a chuva,
ficou porém, a lama.
Um banco no jardim. Árvores nuas,
um cisne velho, um tanque, água limosa,
nem a relva ficou,
quanto mais uma rosa.
Há barcos, há gaivotas sobre o rio,
e nas ruas há gente, há muitas casas.
Mais um dia perdido:
arrancaram-lhe as asas.
in "Urgente"
"Um Grande Amor", poema de Fernanda de Castro com música de Miguel Ramos, na voz de Tereza Silva Carvalho
"Um grande amor não cabe em nenhum verso"