Durante o concurso de Slam Poetry, onde Leandro Morgado venceu de forma largamente merecida o 1º Prémio, pensou-se entre risos e disparates o que é Slam Poetry e o que é só a Poetry. A poesia pode dizer-se. Aqui não cedo. Toda a poesia pode ser dita mas de forma diferente, pensada e sentida de forma diferente. Eu sempre disse poesia, em caves de bares na Bica, no meu sótão em festas de anos, em galerias de arte em comemorações de dias especiais. E sempre disse mal, e nunca passaria nem à primeira fase de um concurso deste género. Mas "aquilo" funcionava. Porque as pessoas estavam ali para receber aquela poesia directamente da nossa voz. É uma questão de poesia.
Com o Leandro e o Slam Poetry do Festival Silêncio foi diferente. Ali tínhamos a poesia mais a forma como é dita. Tínhamos o texto e a performance. E foi imperdoável quem disse poemas sem a performance. E vice-versa. E se o Leandro não é o melhor dos poetas é o melhor dos escritores de comédia porque atinge, na mouche, todos os seus objectivos. Os textos do Leandro funcionam. E é isso a Slam Poetry - bons textos ditos de forma funcional (mesmo que a palavra seja feia). Quem passou no Music Box (ou quem viu o Status) sabe quem é a Alice em todas as suas variações, significados e intenções. Não deixou de ouvir, não se distraiu, não se esqueceu de que o Leandro estava ali a dizer um poema. E quis ouvir mais. Foi delicioso e como alguém disse, "faz lembrar o Mário Viegas, na sua melhor fase". Para mim que vivo com e para o texto escrito fico feliz que alguém o consiga fazer chegar tão rápido à nossa cabeça. Com deleite e sem esforço. Como o Mário Viegas fazia. Só de escrever isto oiço logo a voz dele em frases, tons, expressões que se tornaram inesquecíveis.
É preciso não deixar de dizer. E o Leandro diz, sempre, e nós ouvimos, sempre. É impossível sair do espetáculo Status sem comichão no estômago com a sensação maravilhosa de "é mesmo isto". Para não deixarmos de pensar nem nos deixarmos encadear em comboios monótonos. Ficamos à espera de mais.
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
É bom bom bom...
... o Miguel Guilherme no Cabaret Maxime com o espetáculo "Que vergonha rapazes...".
Com textos de Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria, O'Neill, O Meu Pipi, Miguel Esteves Cardoso, Alberto Pimenta, Adília Lopes. É incrível que os textos são bons e ele lê-os muito bem, com a arte de quem percebe mesmo o que está a ler. A ver, imperdível.
A maior parte dos textos foi escolhida a partir deste maravilhoso e muito bem conseguido livro da Texto Editora:
que na verdade dá pelo fantástico título de ANTOLOGIA DO HUMOR PORTUGUÊS MAS SÓ O QUE SAIU EM LIVRO E MESMO ASSIM HÁ UNS QUE, SE CALHAR, NÃO DEVIAM AQUI ESTAR E OUTROS QUE NÃO ESTÃO E DEVIAM ESTAR, É COMO EM TUDO. 1969-2009 MAIS OU MENOS, ENFIM, 18 DE ABRIL DE 2008, ATÉ À HORA DE ALMOÇO O MAIS TARDAR, um livro que comprei uns dias antes de ver o espetáculo (há coincidências felizes) naquela trapalhada que dá pelo nome de Hora H da Feira do Livro de Lisboa.
Confesso-vos que há surpresas que me enchem a alma e as medidas e a descoberta com o espaço de dois dias deste livro e deste espetáculo foi sem dúvida uma delas. Fiquei algumas horas em estado de euforia (sou tão esquisita às vezes...)
Com textos de Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria, O'Neill, O Meu Pipi, Miguel Esteves Cardoso, Alberto Pimenta, Adília Lopes. É incrível que os textos são bons e ele lê-os muito bem, com a arte de quem percebe mesmo o que está a ler. A ver, imperdível.
A maior parte dos textos foi escolhida a partir deste maravilhoso e muito bem conseguido livro da Texto Editora:
Confesso-vos que há surpresas que me enchem a alma e as medidas e a descoberta com o espaço de dois dias deste livro e deste espetáculo foi sem dúvida uma delas. Fiquei algumas horas em estado de euforia (sou tão esquisita às vezes...)
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