gravação áudio do Projeto de Resolução 1187/XII /
Preservação do serviço de ISBN (pelo Bloco de Esquerda) a partir partir
do minuto 36.
já nos estamos a mexer! é importante que esta
discussão saia do espaço da Assembleia e parta para a esfera pública.
questões para rosa.b.azev@gmail.com.
ouvir aqui.
consultar aqui a documentação da Assembleia.
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
Mostrar mensagens com a etiqueta editoras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta editoras. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 19 de março de 2015
terça-feira, 29 de abril de 2014
as pequenas editoras e a alteração do mercado editorial português
nos últimos vinte anos assistimos a uma profunda e marcante alteração do panorama editorial português. não só no meio editorial em si mas na nossa forma de nos posicionarmos perante a edição de um livro. há vinte anos atrás publicar era considerado um passo fundamental no caminho da escrita mas a escrita antecedia a publicação muitas vezes (arrisco mesmo a afirmar que na maioria) durante largos anos. o escritor amadurecia, aprendia, lia e escrevia muito antes de poder publicar.
com a difusão da Internet, no final do século passado, democratizou-se a escrita passando a ser possível dar a ler. esta facilidade com que se dava a ler não só a nossa obra como aquilo que pensávamos e queríamos que fosse ouvido transformou-nos em leitores mais ricos e com mais incentivos literários de sítios nem sempre prováveis. com as redes sociais nomeadamente com o facebook essa democratização expandiu-se.
a esta expansão democrática da escrita podemos associar uma guetização da publicação, da edição de livros. pondo de lado um mundo paralelo e apenas comercial, de que me vou escusar a falar por agora, vou centrar-me nas edições de autores reais, aqueles que não escrevem fora do intuito da própria escrita. esta democratização da escrita acabou por tornar o livro um objecto mais raro, uma vez que não era necessário para que a obra fosse lida, ainda que este fenómeno não fosse óbvio. podíamos aliás pensar que se passaria algo oposto, como um crescente desinteresse pelo livro impresso. no entanto o livro sacralizou-se, tornou-se uma assinatura do autor por fora e a cima de todas as outras publicações em rede.
a falta de poder de compra trazida pela crise poderia ser também vista como um entrave a esse crescimento do livro impresso, mas é aqui que, a meu ver, se opera o mais incrível movimento literário associado ao mundo editorial destes nossos últimos vinte anos. começaram a surgir editoras pequenas, sem fins lucrativos, que têm no seu centro apenas a publicação do autor enquanto autor e do seu texto enquanto texto. acompanhando esta mesma sacralização as editoras formaram-se sabendo que estavam a acompanhar uma vontade de publicação para além de outro interesse que não fosse o assinar por fora e acima das publicações em rede de um autor. a publicação tornou-se um ritual de vida literária e as editoras a sua ponte. um ritual acarinhado e fundamental, mas ao contrário do que se passava antes, já não necessário à vida pública de um texto.
falo-vos deste fenómeno porque acho este movimento um grande salto da nossa forma de viver a literatura e que me parece que, aparentemente, ainda não é reconhecida por muitos leitores. é um fenómeno, infelizmente, mais ligado à poesia. digo infelizmente não por desprimor à poesia, claro, mas porque creio que seria interessante ver o mesmo acontecer com a prosa, a filosofia e outras áreas literárias ou científicas. mas termos isto a acontecer na poesia é uma forma de termos maior e mais bela poesia. porque é uma poesia que tem vontade de ser lida e de existir dentro do livro impresso como uma marca de eternização. e são editores que percebem que o que recebem de volta dessa mesma leitura da poesia que dão a ler valoriza, justifica e credibiliza todo o trabalho editorial que sobrevive longe de uma lógica de lucro.
foram vinte anos de grandes mudanças no panorama editorial. muito continua igual, claro, a leitura também se democratizou, muita gente bastante improvável passou a publicar, multiplicaram-se as razões para se publicar um livro. mas num mercado pequeno, paralelo e alternativo, há editoras sem distribuição, dinheiro para promoção e com pouca tiragem que fazem pela poesia neste pequeno país muito mais do que tantas outras editoras com tantos outros recursos conseguiram fazer.
com a difusão da Internet, no final do século passado, democratizou-se a escrita passando a ser possível dar a ler. esta facilidade com que se dava a ler não só a nossa obra como aquilo que pensávamos e queríamos que fosse ouvido transformou-nos em leitores mais ricos e com mais incentivos literários de sítios nem sempre prováveis. com as redes sociais nomeadamente com o facebook essa democratização expandiu-se.
a esta expansão democrática da escrita podemos associar uma guetização da publicação, da edição de livros. pondo de lado um mundo paralelo e apenas comercial, de que me vou escusar a falar por agora, vou centrar-me nas edições de autores reais, aqueles que não escrevem fora do intuito da própria escrita. esta democratização da escrita acabou por tornar o livro um objecto mais raro, uma vez que não era necessário para que a obra fosse lida, ainda que este fenómeno não fosse óbvio. podíamos aliás pensar que se passaria algo oposto, como um crescente desinteresse pelo livro impresso. no entanto o livro sacralizou-se, tornou-se uma assinatura do autor por fora e a cima de todas as outras publicações em rede.
a falta de poder de compra trazida pela crise poderia ser também vista como um entrave a esse crescimento do livro impresso, mas é aqui que, a meu ver, se opera o mais incrível movimento literário associado ao mundo editorial destes nossos últimos vinte anos. começaram a surgir editoras pequenas, sem fins lucrativos, que têm no seu centro apenas a publicação do autor enquanto autor e do seu texto enquanto texto. acompanhando esta mesma sacralização as editoras formaram-se sabendo que estavam a acompanhar uma vontade de publicação para além de outro interesse que não fosse o assinar por fora e acima das publicações em rede de um autor. a publicação tornou-se um ritual de vida literária e as editoras a sua ponte. um ritual acarinhado e fundamental, mas ao contrário do que se passava antes, já não necessário à vida pública de um texto.
falo-vos deste fenómeno porque acho este movimento um grande salto da nossa forma de viver a literatura e que me parece que, aparentemente, ainda não é reconhecida por muitos leitores. é um fenómeno, infelizmente, mais ligado à poesia. digo infelizmente não por desprimor à poesia, claro, mas porque creio que seria interessante ver o mesmo acontecer com a prosa, a filosofia e outras áreas literárias ou científicas. mas termos isto a acontecer na poesia é uma forma de termos maior e mais bela poesia. porque é uma poesia que tem vontade de ser lida e de existir dentro do livro impresso como uma marca de eternização. e são editores que percebem que o que recebem de volta dessa mesma leitura da poesia que dão a ler valoriza, justifica e credibiliza todo o trabalho editorial que sobrevive longe de uma lógica de lucro.
foram vinte anos de grandes mudanças no panorama editorial. muito continua igual, claro, a leitura também se democratizou, muita gente bastante improvável passou a publicar, multiplicaram-se as razões para se publicar um livro. mas num mercado pequeno, paralelo e alternativo, há editoras sem distribuição, dinheiro para promoção e com pouca tiragem que fazem pela poesia neste pequeno país muito mais do que tantas outras editoras com tantos outros recursos conseguiram fazer.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Vitor Silva Tavares na LER de Dezembro
há várias coisas boas no vítor silva tavares. provoca sem dó nem piedade por ninguém e de alguma maneira faz com que muitos digam que é provocação gratuita. e ele não podia querer saber menos dessas opiniões. nesta entrevista mostra o que é ser editor sem preconceitos, nem mesmo o outro lado do preconceito que é a própria marginalidade. mostra que assumir que ter preconceitos é natural e deve ser vivido com naturalidade acaba por contrariar a própria noção de preconceito. não aceita todos, edita amigos e pessoas de quem gosta, acha possível não editar alguém ou não gostar de alguém pela cara e aspecto. quando o carlos vaz marques lhe tira o tapete de baixo dos pés mostrando as aparentes incoerências do que diz ele dá-lhe sempre uma segunda volta e justifica sempre as incoerências e com lógica. é uma bela entrevista que mostra que ainda andam pachecos e césar monteiros, que há gerações mal comportadas que ainda não desapareceram e que há mal comportados que o são no mais intrínseco e natural e não por opção apenas, ou escolha.
vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.
"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.
uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados.
vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.
"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.
uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
novos sistema solar e documenta
ler é uma tarefa árdua. entre tantos giros à volta dos livros os livros falam-nos muitas vezes como distantes paraísos. passo o dia com eles de um lado para o outro e questiono-me o que farão os que não andam quando têm de esperar por alguém ou apanhar um autocarro.
isto tudo para dizer que sim, tenho livros que não leio e ando sempre à procura de mais. há coisas piores. os da sistema solar e documenta nunca mas nunca desiludem. quem anda ali por trás é esperto como um alho. e a sistema solar e documenta acabam por, pelo menos a mim, saber dar alento. é que estas coisas dos livros (acho que não preciso de dizer o que são "estas coisas") entristecem uma alma fraquinha. é bom existir editoras assim, que nascem de algo que considerámos trágico. e nascem em força e bem.
estes são os títulos fresquinhos a sair:
(clicar para aumentar)
isto tudo para dizer que sim, tenho livros que não leio e ando sempre à procura de mais. há coisas piores. os da sistema solar e documenta nunca mas nunca desiludem. quem anda ali por trás é esperto como um alho. e a sistema solar e documenta acabam por, pelo menos a mim, saber dar alento. é que estas coisas dos livros (acho que não preciso de dizer o que são "estas coisas") entristecem uma alma fraquinha. é bom existir editoras assim, que nascem de algo que considerámos trágico. e nascem em força e bem.
estes são os títulos fresquinhos a sair:
(clicar para aumentar)
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
eles insistem em ser muito bons...
e é tão bom que eles existam. das poucas boas notícias que vamos tendo. tempos negros mas sempre com bons livros no final do dia.
http://blogue-documenta.blogspot.pt/search/label/Sistema%20Solar
terça-feira, 10 de julho de 2012
ausência dos meus livros
estive uns tempos fora daqui. por ter o coração bloqueado e por ter a vida em caixotes sinto que a minha cabeça também esteve dentro dos caixotes. e os meus livros também.
entretanto o mundo continuou a acontecer. perdemos o nosso jorge figueira de sousa, livreiro que homenageámos em fevereiro no encontro livreiro. deixa-nos um legado tão gigante e único como a sua livraria na madeira. apareceu a documenta e com ela livros de mão cheia. o afonso cruz lançou dois novos livros que estou agora a ler e dos quais darei conta aqui do tão belos que estão a ser.
entretanto mudei de casa. rearrumei os livros por ordem alfabética, por temas, passei os olhos um por um. voltei a gostar deles. voltei a querer lê-los todos. voltei a eles devagarinho. estou a voltar a eles devagarinho e assim também estou a voltar a este blog. ao mesmo tempo que junto as minhas peças junto as peças dos meus livros. e encaixo novamente a minha cabeça dentro dos meus livros. e volto à escrita.
entretanto o mundo continuou a acontecer. perdemos o nosso jorge figueira de sousa, livreiro que homenageámos em fevereiro no encontro livreiro. deixa-nos um legado tão gigante e único como a sua livraria na madeira. apareceu a documenta e com ela livros de mão cheia. o afonso cruz lançou dois novos livros que estou agora a ler e dos quais darei conta aqui do tão belos que estão a ser.
entretanto mudei de casa. rearrumei os livros por ordem alfabética, por temas, passei os olhos um por um. voltei a gostar deles. voltei a querer lê-los todos. voltei a eles devagarinho. estou a voltar a eles devagarinho e assim também estou a voltar a este blog. ao mesmo tempo que junto as minhas peças junto as peças dos meus livros. e encaixo novamente a minha cabeça dentro dos meus livros. e volto à escrita.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Gato na Lua
Nasceu uma nova editora bonita, a Gato na Lua. Gosto de ver novas editoras para crianças a nascer, e esta começa com uma aposta em grande: O meu Balão Vermelho de Kazuaki Yamada. No entanto confesso que um livro pelo qual me perdi de amores é o outro livro da editora, O Lobo Culto. Muitas vezes, enquanto trabalhei na livraria, li este livro para me deliciar com o lobo que aprende a gostar de livros para ganhar um grupo de amigos. Mais informações sobre este novo projecto em www.gatonalua.pt.
Subscrever:
Mensagens (Atom)