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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Conheça o buzkashi, esporte da Ásia Central considerado o mais violento do mundo

Buzkashi (Foto: Getty Images)




Buzkashi (ou Kokpar) é o esporte mais barra pesada do mundo. É muito parecido com o polo, no qual os jogadores, de cima de seus cavalos, batem em uma bola com tacos e tentam marcar gols na área adversária. Um elitismo só. Buzkashi é praticamente igual. As únicas diferenças são que, em vez de uma bola, é usada a carcaça de uma cabra sem cabeça. E no lugar dos ricaços, temos jogadores, digamos, rústicos.

As regras variam, mas, em geral, os jogadores têm de agarrar a cabra decapitada, arrastá-la pelo campo e atirá-la em um determinado local, o "gol" adversário. Os outros atletas, chamados "chapandaz", tentam pegar o bicho de volta. No Afeganistão, onde é considerado o esporte nacional (o esporte é , a federação local determinou que é contra as regras atacar ou derrubar os outros de seus cavalos deliberadamente, mas é claro que, para um esporte que é disputado com chicotes e paus em punho, fica difícil fazer um "gol" sem apanhar no trajeto. Bater nos cavalos dos adversários com os chicotes, tudo bem, é liberado pelas regras.


Não raramente morrem "chapandaz", cavalos e espectadores que assistem a uma certa distância, mas, sem querer, acabam atropelados durante os confrontos.
O Afeganistão é o "país do buzkashi". Se um jogador de futebol com 40 anos já não serve para partidas profissionais de alto nível, aqui é o contrário: os "chapandaz" mais habilidosos costumam ser quarentões. Os prêmios são imensas quantias de dinheiro, terrenos ou lotes de AK-47.

O que é muito curioso é que, no Afeganistão, o buzkashi foi banido quase totalmente em 2002. Foi quando o grupo político extremista Talibã assumiu o poder e decretou que o esporte era imoral. Mas, tão logo o regime caiu, para o azar das cabras, o buzkashi voltou.

Esta versão sangrenta do polo começou a ser jogada 800 anos atrás, quando o exército de mongóis de Gengis Khan dominou boa parte da Ásia. De lá para cá, o buzkashi ficou bem mais profissional. Há times de várias regiões que se reúnem em locais dotados de arquibancadas, onde o público pode torcer. Os cavalos normalmente pertencem a militares ou governantes poderosos.

"Buzkashi Boys"

Este foi o esporte que inspirou o cinegrafista americano Sam French a produzir, em 2012, o documentário Buzkashi Boys. O trabalho foi indicado ao Oscar naquele ano. 

French contou que foi para o Afeganistão atrás de uma garota em 2008 e acabou se apaixonando pelo país, e não por ela. "Eu imediatamente vi que havia uma desconexão entre o que nós víamos nas notícias e o que eu via todos os dias. Não são apenas bombas, balas e burcas", disse o cinegrafista em uma entrevista concedida em 2012.



O documentário foi gravado em Cabul, capital do Afeganistão, e mostrou as histórias de dois garotos: um mendigo que sonhava com uma vida melhor e um que queria seguir os passos do pai, um ferreiro. French se disse inspirado pelos dois meninos porque, nos Estados Unidos, eles sonhariam em ser estrelas do basquete ou do futebol americano. Ali, o sonho deles era jogar buzkashi e conseguir uma vida melhor.

Leia sobre o esporte na Wikipédia: 


sábado, 9 de agosto de 2014

Carne de cavalo, alimento típico na Ásia Central



A carne de cavalo, que causou polêmica no Ocidente há algum tempo, devido ao escândalo envolvendo empresas europeias que comercializavam produtos que continham o alimento, é uma iguaria muito cara e apreciada na Ásia Central e nas regiões muçulmanas da Rússia.
"A cor e o sabor são parecidos com os da carne bovina, mas é preciso cozinhá-la pelo dobro do tempo. O bom é que quase não tem gordura, e por isso é considerada mais saudável", disse à Agência Efe a chef Gulnar Aldéshova, do restaurante Aiser, que fica em Astana, capital do Cazaquistão.
Etnias orientais como os cazaques, uzbeques, tártaros e bashkirios apreciam o alimento consumido com frequência, seja cozido ou em embutidos.
"Nos bazares no Cazaquistão, a carne de cavalo jovem é muito mais cara que a bovina. Além disso, é considerada mais natural que o cordeiro, que tem muito osso e pouco que comer", acrescentou Gulnar.
O quilo da carne de cavalo custa cerca de US$ 18 (R$ 35), preço muito elevado para um habitante dessa república centro-asiática, onde o cavalo ocupa posição de honra, já que os Cazaques, assim como os lendários mongóis, eram um povo nômade.
"Não há nenhum cazaque que não goste de carne de cavalo. Cada um tem, pelo menos, um cavalo, e os ricos têm fazendas com dezenas de cabeças. É uma questão de prestígio", contou a chef.
Quanto mais jovens forem os cavalos, maior será a qualidade da carne (principalmente entre 1 e 3 anos de idade), que acumula menos gordura e é mais macia.
Os pratos mais populares com carne equina são o "beshbarmak", prato típico do Cazaquistão, e o "kazi", embutido feito com carne magra e com a gordura do animal, e cujo preço por quilo é de cerca de 25 euros (R$ 64) nos mercados.
Beshbarmak significa "cinco dedos" (tradução livre), e indica como deve se comer o prato: com as mãos, e não com os tradicionais talheres.
Segundo os especialistas, a carne de cavalo é a que tem maior porcentagem de proteínas (25%). Além disso, contribui para reduzir o nível de colesterol no sangue, e possui grande quantidade de vitaminas, potássio, sódio, ferro e fósforo.
Por isso, o seu consumo é indicado para os atletas, devido à baixa concentração de gordura e ao seu nível calorórico; e também para as grávidas, os anêmicos e as crianças, por ser rica em ferro.
Mesmo assim, é preciso tomar alguns cuidados ao consumí-la, pois se estiver mal passada existe um grande risco de contrair doenças como a triquinose, verminose que pode causar até insuficiência cardíaca, e salmonelose, infecção alimentar causada por uma bactéria.
As "más línguas" dizem que a "lenda" da carne de cavalo tem origem nos soldados de Napoleão, que quando retornaram à França, após a fracassada invasão da Rússia, tiveram que comer seus próprios cavalos, e utilizaram pólvora para temperá-los.

Nota: dos países da Ásia Central (Cazaquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão), os turcomenos não consomem carne de cavalo, por darem muito valor a este animal.
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