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sábado, 18 de agosto de 2018

Você sabe o que é estresse hídrico?


https://www.oeco.org.br
Mesmo repleto de rios, mares e oceanos, nosso planeta tem disponível apenas cerca de 2,5% a 3% de água doce, isto é, água propícia para o consumo de cerca de 7 bilhões de seres humanos. Estes percentuais seriam suficientes para abastecer toda a população global, mas há um problema: água doce é um recurso natural que não se distribui igualmente e boa parte é de difícil acesso (localizada em rios, lagos, geleiras e aquíferos). Abundante em alguns países, escasso em outros, é usado intensamente pela agricultura, indústria e em atividades domésticas – só que de forma cada vez mais insustentável.
Além das razões acima, ainda se pode acrescentar os desequilíbrios ambientais (poluição dos rios, seca, enfraquecimento dos lençóis freáticos, etc.), o desperdício e a má distribuição da água por parte dos órgãos gestores.
Quando a demanda por água de um número de habitantes e o consumo médio por habitante supera a oferta, ou seja, a quantidade e a capacidade de distribuição de água existente, uma determinada cidade ou região, está caracterizada uma situação de estresse hídrico.
A falta de acesso à água potável deixa os países mais pobres ou marcados por histórico de conflitos militares, instabilidades políticas e sociais, como é caso dos países do Oriente Médio e África, em grave estado de vulnerabilidade: o estresse hídrico pode limitar (e limita) o crescimento econômico, restringindo atividades empresariais e agrícolas. E também afeta a capacidade de produzir alimentos suficientes para alimentar as populações.
Em breve o mundo atingirá a marca de 9 bilhões de pessoas, 2 bilhões a mais que temos hoje. Se apenas um terço deste total adotar padrões de consumo de uma pessoa da classe média, será necessário produzir 50% a mais de alimentos, a oferta de energia terá de crescer 45% e o consumo de água aumentará 30%: a pressão sobre os recursos naturais do planeta se tornará insustentável. E, nada sendo feito para mudar padrões de consumo, dois terços da população global poderão sofrer com escassez de água doce até 2025, de acordo com a ONU (que, aliás, declarou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água).
O Brasil, rico neste recurso natural - detém cerca de12% do total das reservas de águas doces do planeta -, já sente os reflexos da escassez. Aqui as condições de acesso não são equânimes: a região hidrográfica Amazônica (Norte e Centro-Oeste) equivale a 45% do território nacional e detém 81% da disponibilidade hídrica. As regiões litorâneas (Sul, Sudeste e Nordeste), que respondem por apenas 3% da oferta nacional, abrigam 45% da população do país. Em outras palavras, onde se concentram cada vez mais brasileiros, há cada vez menos água. A fórmula para o estresse hídrico.
De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), dos 29 maiores aglomerados urbanos do país, 16 precisam buscar de novas fontes de água para garantir o abastecimento até 2015.
O problema também tem um aspecto social. O consumo entre regiões, e até entre municípios, é extremamente desigual. Enquanto um cidadão do Rio de Janeiro usa 236 litros de água por dia, o consumo em Alagoas é de 91 litros. Outro exemplo: o consumo de água na Região Metropolitana de São Paulo é 4,3 vezes maior do que a água que há disponível para todo o estado.
O estresse hídrico não se limita à escassez de água. Saneamento também é uma causa. O consumo humano exige que a água seja limpa e tratada, mas o crescimento das cidades destrói fontes de água (mananciais). As águas superficiais -- água que não penetra no subsolo, correndo ao longo da superfície do terreno, e acabando por entrar nos lagos, rios ou ribeiros -- são poluídas pelo lançamento de esgoto, efluentes industriais e até mesmo venenos usados em larga escala na agricultura. No Brasil, 73% dos municípios são abastecidos com águas superficiais, sujeitas a todo tipo de poluentes.
A concentração urbana tem sido sinônimo de degradação ambiental. Até mesmo as águas profundas são atingidas pela degradação e da exploração em excesso: a falta de saneamento adequado na região Nordeste, por exemplo, fez com que o esgoto alcançasse poços. Um grave problema, se considerarmos que nos últimos anos, ocorreu um aumento significativo no consumo de água subterrânea no país. Agrava a situação, uma política pública de saneamento básico que tem se mostrado irregular e deficiente, em todas as esferas da administração pública (federal, estadual e municipal).
O estresse hídrico é, portanto, maior nas regiões que concentram maior população, não necessariamente nas mais secas. Hoje, as áreas urbanas consomem 60% da água doce do planeta e, se confirmadas as projeções da ONU, até 2050, 70% da população mundial estará concentrada em grandes cidades, causando maior pressão a um sistema agora já está à beira da insustentabilidade.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Conheça a falsa banana ensete, alimento típico na Etiópia

Um tukul, a cabana tradicional etíope, com uma plantação de ensete na estrada para Boricha, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)
Um tukul, a cabana tradicional etíope, com uma plantação de ensete na estrada para Boricha, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)

http://epoca.globo.com
Quem olha para essa planta de aparência tropical, com caule suculento e folhas largas verdes e brilhantes, pensa que se trata de uma bananeira comum, apenas sem os cachos da fruta paradisíaca. Ainda que pertença à mesma família musácea de nossa banana comestível, a ensete (Ensete ventricosum) é muito mais que uma simples herbácea. Nativa da Etiópia, a falsa banana ou banana-da-abissínia oferece uma fibra muito usada pela população do sul do país – até mesmo para construir casas –, possui propriedades medicinais e é a base da alimentação de quase 10 milhões de pessoas que vivem na região.
Em 1640, o padre português Jerônimo Lobo viajava pela antiga Abissínia e descreveu a ensete como “uma árvore peculiar do país” que, quando preparada para comer, “lembrava o nabo.” A planta passou a ser chamada “árvore dos pobres”, embora fosse consumida também pelos ricos. Seu outro nome é “árvore contra a fome”, já que todos aqueles que plantavam a espécie não corriam o risco de não ter o que comer. Com uma ensete no quintal, sempre há alimento.
Vimos plantações de ensete pela primeira vez em uma comunidade Dorze, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (RNNPS) que, como o nome sugere, abriga mais de 50 diferentes etnias concentradas no vale do Rio Omo, perto das fronteiras do Quênia e do Sudão do Sul. Essas tribos, como Mursi, Hammer, Karo, Tsemay ou Arbore, representam alguns dos últimos exemplos de povos nativos africanos que ainda vivem com pouca influência ocidental e mantém seus costumes e tradições.
A etnia Dorze vive nas montanhas, a 3.000 metros de altitude, a algumas dezenas de quilômetros de Arba Minch. A principal característica da comunidade são suas casas construídas a partir de bambu e “folhas de bananeira”, ou o que pensávamos ser uma bananeira. Chegando a atingir 10 metros de altura, apesar da aparência frágil, as cabanas podem durar até meio século.
A etnia Dorze habita as montanhas e usa as folhas secas de ensete para construir suas casas (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)
As cabanas do povo Dorze podem atingir 10 metros de altura e são sempre rodeadas com plantas de ensete (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)






































Além de abrigar a (extensa) família etíope, a casa feita com folhas de banana tem espaço suficiente para acolher animais domésticos da família, como bezerros, cabras e bodes. Não há problema em conviver com os animais, pois, segundo o povo Dorze, estes ajudam a manter o calor no interior das casas. Vistas à distância, as cabaninhas parecem uma família de elefantes, tanto pela cor acinzentada como pela forma ondulada.
Mas foi apenas um ano mais tarde, durante uma pesquisa de campo com o povo Sidama, também na RNNPS, que fomos compreender a importância dessa planta para a segurança alimentar e nutricional da Etiópia. Embora pareça paradoxal, a Etiópia é um país rico em biodiversidade com grande diversidade genética de culturas como cevada, milhete, sorgo, gergelim, moringa ou linhaça, além de possuir espécies nativas como o tef e a ensete. Relatos de exploradores do século 16 dão detalhes da riqueza do país e da beleza das montanhas cobertas por uma, então, vegetação exuberante. 
No entanto, de acordo com o World Resource Institute, atualmente apenas 4% da vegetação nativa restou no país. Um dos motivos desse verdadeiro colapso foram os séculos de governos autoritários e exploratórios que obrigaram os agricultores a entregarem parte de suas produções e a pagar taxas abusivas à aristocracia da época. Essas medidas forçaram a população a viver em situação de pobreza extrema na qual as únicas alternativas eram avançar com a agricultura sobre as terras virgens e cortar a madeira das florestas para serem processadas e vendidas como carvão.
O livro publicado pelas universidades da Flórida e de Hawassa Ensete: The tree against hunger mostra que, no passado, a falsa banana espalhava-se por todo o território etíope, mas hoje é encontrada apenas na RNNPS e em alguns lugares ao redor do Lago Tana, nas montanhas Simien e no sul da Eritreia.
Cena típica rural etíope, com a sempre presente plantação de ensete ao fundo  (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)



















Variedades selvagens da ensete também podem ser encontradas na Ásia, em alguns países da África Subsaariana e em Madagascar. No entanto, apenas na Etiópia a planta foi domesticada em uma escala maior. Alguns historiadores e antropólogos acreditam que esse processo pode ter começado há cerca de 10 mil anos.
Durante a fome que atingiu o país em 1983 e 1984, as comunidades que cultivavam ensete em suas roças conseguiram superar com menos dificuldades os terríveis meses de seca. A planta é capaz de resistir a períodos de estiagem. Ao mesmo tempo, quando a chuva cai com violência, sua vasta folhagem ajuda a proteger o solo das enxurradas, evitando a perda de nutrientes e a consequente erosão.
Nos arredores de Hawassa, a capital da RNNPS, o cenário rural é composto pelos tradicionais tukuls, cabanas circulares de palha, nas quais a eletricidade ainda não chegou. Na região, todo tukul está sempre rodeado por uma plantação de falsa banana. Foi lá que aprendi a importância do kocho, alimento parecido a um pão produzido a partir da ensete e principal componente da dieta da região. “Comemos kocho de manhã, na hora do almoço e no jantar. Não podemos viver sem ensete”, diz Mikael Babe, agricultor de Boricha.
Mikael Babe em sua plantação de ensete. Ele come kocho três vezes ao dia e todos os dias ao ano  (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)


Para preparar o kocho é preciso extrair a polpa do pseudocaule não lenhoso da falsa banana e enterrar a massa por cerca de 12 a 15 dias para que um processo de fermentação aconteça. Após esse período, o produto é retirado do buraco cavado no solo, hidratado, amassado e assado dentro de uma folha da própria ensete. O ritual vem se repetindo por muitas gerações.
Jovem retira a polpa da falsa-banana de seu pseudocaule com ajuda de um pente artesanal que separa o futuro alimento da fibra (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)
Depois de fermentada por 12 a 15 dias, a massa do kocho é hidratada e amassada como um pão (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)
Depois do kocho tomar a forma de um pão achatado, ele é assado sobre uma placa quente, dentro de uma folha de ensete (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)



























































Toda a produção de ensete é destinada ao consumo próprio local. Quando uma família está sem a planta, basta recorrer ao vizinho e pedir emprestado alguns caules ou até mesmo encontrá-la na feira local. Nessas regiões onde os agricultores vivem exclusivamente do que produzem, plantar os alimentos básicos é uma prioridade, principalmente quando se trata de áreas vulneráveis a períodos de seca e riscos de situações de fome, como é o caso da Etiópia e de outros países da África Subsaariana.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a ensete produz mais alimento do que a maioria dos cereais. Estima-se que uma plantação com 50 pés de falsa banana, ocupando apenas cerca de 300 metros quadrados, possa alimentar diariamente uma família de cinco a seis pessoas. Um simples pé de ensete rende, durante seu ciclo, cerca de 40 quilos de kocho.
Outro benefício da planta é que os campos de ensete são adubados por compostos orgânicos feitos a partir dos excrementos de animais domésticos. Esse procedimento contribui com a fertilidade do solo e ajuda a aumentar a capacidade da terra em absorver a água da chuva. Como o cultivo de ensete acaba melhorando a qualidade do solo, sua produção tem sido contínua por séculos a fio.
Para nós ocidentais, não acostumados com comidas fermentadas, o kocho pode parecer pesado e de gosto estranho. Mas na zona rural de Hawassa, a polpa da ensete está presente todos os dias nos pratos dos camponeses.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Conheça o Teff, o cereal que é a base da alimentação na Etiópia

Direito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA colheita do teff na Etiópia: grão comumente consumido no país virou moda em países ocidentais
http://www.bbc.com/portuguese
Em uma fazenda no interior da Etiópia, sob o céu azul, um jovem agricultor encoraja bois a pisotear palha de cereais no chão, para ajudar a separar as sementes.
Essa cena se repete em toda a zona rural do país. Dessas plantas sai a semente de um grão chamado teff, consumido no país africano há centenas de anos, mas agora exaltado na Europa e na América do Norte como um "supergrão" - assim como a quinoa.
Rico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente.
No entanto, como o grão é parte fundamental da dieta etíope - comumente transformado em um pão achatado acinzentado chamado injera -, o país proíbe a exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha.
Direito de imagemBBC WORLD SERVICE
Image captionRico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente
Por isso, empresas etíopes só podem, por enquanto, exportar o pão injera e outros derivados do teff, como bolos e biscoitos.
A expectativa dos empresários, porém, é de que a Etiópia consiga aumentar significativamente sua colheita de teff, para que o grão possa ser exportado em um futuro não muito distante.
"Começamos do zero e agora estamos levando nossa comida tradicional a todo o mundo", diz Hailu Tessema, fundador da Mama Fresh, primeiro produtor de injera em grande escala na Etiópia.

Demanda crescente

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Image captionA farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias
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Image captionGrão é transformado em pão achatado acinzentado chamado 'injera'
Seis dias por semana, a Mama Fresh usa voos da Ethiopian Airlines para levar 3 mil pães da capital, Adis Abeba, a Washington, nos EUA, onde vivem vários imigrantes etíopes.
O injera também é transportado à Suécia três vezes por semana, à Noruega duas vezes por semana, e à Alemanha três vezes ao mês.
"A demanda tem aumentado cerca de 10% por mês", diz Tessema, 60, que não se incomoda com o veto à exportação de sementes de teff.
"É melhor exportar produtos com valor agregado, porque isso cria mais empregos."
A Mama Fresh emprega mais de cem pessoas e pretende contratar mais 50 neste ano. Sua matéria-prima vem de 300 produtores.
Tessema começou seu negócio em 2003, com 100 mil birrs etíopes (cerca de R$ 15 mil) e um barraco.
Hoje, sua receita anual é de cerca de 17 milhões de birrs (R$ 2,5 milhões), e no ano passado a empresa inaugurou uma nova fábrica.
Ali dentro, a farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias, para depois serem usados na produção do injera.
No exterior, o pão já tem consumidores cativos, muitos deles expatriados etíopes.
Pequeno grão do tamanho de uma semente de papoula, o teff também pode ser processado na forma de farinha e usado para produzir pães no estilo ocidental ou mesmo massas. Em Londres, a empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau.
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Image captionEm Londres, empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau
O negócio foi fundado pela etíope-britânica Sophie Sirak-Kebede, 58, que comandava também um restaurante na capital britânica, mas decidiu dedicar-se apenas ao teff.
"As pessoas têm sonhado com teff ultimamente", diz ela. "Depois de milhares de anos (de existência), ele virou moda por aqui."
Suas vendas aumentaram 40% nos últimos 14 meses.
Até mesmo o Serviço de Saúde Britânico (NHS na sigla ingesa, equivalente ao SUS no Brasil) passou a servir o teff para pacientes com intolerância a glúten.

Produtividade

No entanto, apesar de suas elogiadas propriedades nutricionais, o teff tem um problema produtivo: "Ele não dá muito rendimento. Houve pouco investimento e pesquisa nas colheitas", diz Zerihun Tadele, pesquisador etíope da Universidade de Berna, na Suíça.
A produtividade média de teff na Etiópia é de 1,4 tonelada por hectare, menos da metade da média global de 3,2 toneladas para variedades modernas de trigo.
Tadele espera que, por meio de pesquisas e métodos agrícolas mais eficientes, seja possível elevar a plantação para 5 toneladas por hectare.
Esse avanço já virá tarde: as recentes colheitas de teff não têm conseguido acompanhar a população crescente da Etiópia, fazendo com que os preços subam acima do que muitos conseguem pagar, sobretudo os que moram longe de Adis Abeba.
Sirak-Kebede, da Tobia Teff, diz que a situação cria um dilema porque "o teff é a espinha dorsal (da dieta) da Etiópia".
Direito de imagemBBC WORLD SERVICE
Image captionEtiópia proíbe exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha
"A escassez do teff seria como pedir aos etíopes que parassem de respirar", diz ela.
Ao mesmo tempo, porém, a empresária nota que o governo da Etiópia não deveria desperdiçar a oportunidade de exportar o produto, o que beneficiaria mais de 6 milhões de agricultores no país e gerar divisas.
A Agência de Transformação Agrícola, órgão governamental, está focada em aumentar a produção do grão para ao menos atender a demanda interna. Depois disso, talvez seja possível exportar sementes e farinha.
"A oportunidade para o país é significativa e o benefício de longo prazo supera os riscos", diz Matthew Davis, sócio do fundo de investimentos americano Renew Strategies, que investe na Mama Fresh.
"O governo provavelmente vai proceder com cautela, concedendo licenças apenas para exportadores selecionados."
Certamente o governo etíope acompanha com nervosismo o exemplo da quinoa, que se tornou tão popular globalmente que se tornou caro demais para muitas pessoas na Bolívia e no Peru - origem do grão.
Se a exportação de teff da Etiópia acabar sendo autorizada, Sirak-Kebede diz que comprará terras no país para produzir o grão e suprir com ele sua empresa britânica.
"Sendo de origem etíope, preferiria comprar o teff da Etiópia", diz ela. "A qualidade é incomparável."

sábado, 25 de junho de 2016

Como um Biodigestor pode mudar a vida do Sertanejo?


As perturbações ambientais provocadas pelas mudanças climáticas globais vêm tornando-se mais frequentes e afetam o cultivo de alimentos e a criação animal no mundo inteiro. Incêndios florestais, secas e inundações são os efeitos mais evidentes destas mudanças, as quais são objeto de preocupação da Diaconia, organização formada por igrejas evangélicas, cujos valores são baseados em princípios do reino de Deus, a exemplo da promoção da paz, da justiça e do respeito à igualdade de direitos. Firmada nestes princípios cristãos, a Diaconia defende a construção de uma sociedade justa, pelo serviço ao próximo, entre eles o cuidado com a criação.
A Diaconia contribui para restaurar a relação de homens e mulheres com a natureza, garantindo o direito das pessoas de conviver num mundo equilibrado, com boas práticas ambientais e qualidade de vida.
O salmista diz em seus poemas que “ao Senhor pertencem a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24.1). A Diaconia assume esta afirmativa como parte da “prática de sua fé” ajudando e empoderando politicamente famílias do Semiárido brasileiro no cuidado com a criação. Desenvolve projetos de boas práticas ambientais, com igrejas evangélicas e redes locais de articulação da sociedade civil, sensibilizando, mobilizando e capacitando famílias agricultoras para a transformação de suas vidas.
Uma das grandes iniciativas da instituição é o Biodigestor Sertanejo, que produz gás de cozinha, adubo orgânico, contribui para a diminuição do aquecimento global, melhora a saúde das pessoas e aumenta a renda das famílias. Um bom exemplo de transformação socioambiental é a experiência inspiradora do casal de agricultores Deda e Genedite. Eles melhoraram sua qualidade de vida por meio de práticas de convivência respeitosa com o meio ambiente. Possuem uma área de cultivo de produção de alimentos em bases agroecológicas, sistemas de captação de água da chuva e um biodigestor. (Para entender melhor esta experiência inspiradora que mudou a vida de Deda e Genedite, leia a história completa nowww.diaconia.org.br.)
DOWNLOAD GRATUITO

Para mudar a vida das famílias, é importante fortalecer o diálogo e o engajamento de igrejas cristãs, organizações da sociedade civil e redes locais de articulação – todos assumindo o princípio de luta por justiça de Deus. A Diaconia participa de articulações como a Rede Miqueias, Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e Fórum Ecumênico ACT Brasil. Acreditamos que nosso papel é o de contribuir para a restauração das relações entre a humanidade e a natureza, por meio de articulações sociais que lutam por direitos, implementação de tecnologias sociais e influência em políticas públicas necessárias para se ter um meio ambiente saudável e sustentável.
Nota: Texto publicado originalmente na seção Meio Ambiente e Fé Cristã da revista Ultimato, edição 360.

  • Marcelino de Souza Lima foi coordenador político-pedagógico da Diaconia e do Programa de Apoio à Agricultura Familiar (PAAF).
  • Ita Porto de Oliveira é assessora político-pedagógica da Diaconia.

VÍDEO
Vídeo da prática “Disseminando o Biodigestor”, vencedora do 9º Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local Edição 2015/2016:


sábado, 26 de março de 2016

ESCASSEZ DE ÁGUA PODE LIMITAR CRESCIMENTO ECONÔMICO NAS PRÓXIMAS DÉCADAS, DIZ ONU


A América Latina está particularmente vulnerável, uma vez que a maior parte de suas economias é dependente de matérias-primas; setores como mineração e agricultura são intensivos no uso de água. Três em cada quatro empregos do mundo são forte ou moderadamente dependentes de água, segundo estimativa de relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado ontem (22/03/16), na ocasião do Dia Mundial da Água.

Consequentemente, a escassez e os problemas de acesso à água e ao saneamento podem limitar o crescimento econômico e a criação de empregos no mundo nas próximas décadas, de acordo com o documento, que citou a falta de investimentos em infraestrutura e os altos índices de vazamentos nos sistemas hídricos das cidades globais, inclusive de países desenvolvidos.
Segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, Água e Emprego, metade dos trabalhadores do mundo – 1,5 bilhão de pessoas – está empregada em oito indústrias dependentes de recursos hídricos e naturais: agricultura, silvicultura, pesca, energia, manufatura intensiva de recursos, reciclagem, construção e transporte.
“A água e o emprego estão indissociavelmente ligados em vários níveis, quer seja na perspectiva econômica, na ambiental ou na social”, disse a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova.
A América Latina e o Caribe estão particularmente dependentes da água na criação de empregos, porque a maior parte de suas economias é ligada à exploração de recursos naturais, como mineração e agricultura (incluindo biocombustíveis). Em países como Brasil, Argentina, Chile, México e Peru, a irrigação também é responsável por uma parte importante da produção agrícola, particularmente para exportação.
“Apesar de a região (América Latina e Caribe) ter cerca de um terço da provisão de água no mundo, o uso intenso desse recurso em suas economias e sua dependência dos recursos naturais e dos preços internacionais das matérias-primas impõem importantes desafios para o crescimento econômico e a criação de empregos”, disse o relatório.
“As secas são frequentes na região. Secas severas podem levar a um aumento do desemprego, particularmente entre a população rural”, completou.
Segundo o relatório, os efeitos da escassez de água já puderam ser verificados em casos como o da cidade de São Paulo, cuja economia foi prejudicada em 2014 e 2015 pelas frequentes enchentes e secas severas.
Pressão crescente
O relatório citou o problema da crescente pressão sobre os recursos de água potável no mundo, exacerbado pelos efeitos das mudanças climáticas.
Enquanto a taxa de extração de águas subterrâneas cresce a 1% ao ano no mundo desde 1980, a população global deverá crescer 33% (de 7 bilhões para 9 bilhões de pessoas) entre 2011 e 2050, junto com um aumento de 60% da demanda por alimentos.
A expectativa é que, para cada grau de aquecimento global, aproximadamente 7% da população mundial enfrente uma diminuição de quase 20% dos recursos hídricos renováveis, segundo avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
O relatório da ONU apontou também forte ineficiência da infraestrutura de gestão de recursos hídricos dos países. A estimativa é que, globalmente, 30% da extração de água seja perdida em vazamentos. Em Londres, a taxa é de 25%, e na Noruega, de 32%.
“Essa projeção de escassez de água exigirá recursos hídricos não convencionais, como aproveitamento de águas pluviais, águas residuais recicladas e drenagem urbana”, disse o relatório. “O uso desses recursos hídricos alternativos criará novos empregos no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias e na implementação de seus resultados.”
A expectativa é que outra fonte crescente de empregos sejam as energias renováveis. Segundo o relatório, em 2014, em torno de 7,7 milhões de pessoas no mundo foram empregadas (direta ou indiretamente) pelo setor, sendo que o segmento de energia solar foi o que mais empregou, com 2,5 milhões, seguido pelos biocombustíveis, com 1,8 milhão.
“A crescente criação de empregos foi notada em todos os tipos de energias renováveis”, disse o relatório, afirmando que os países que mais empregaram nesse setor foram China e Brasil, seguidos por Estados Unidos, Índia, Alemanha, Indonésia, Japão, França, Bangladesh e Colômbia.
A reciclagem também é citada como uma nova fonte de ocupação e uma contribuição importante para reduzir a demanda global por produtos manufaturados. Contudo, o documento lembrou que, em alguns países, os empregos relacionados à reciclagem são insalubres e perigosos.
Segundo o documento, o Brasil emprega cerca de 500 mil pessoas no setor de reciclagem, enquanto nos EUA esse número é de 1,1 a 1,3 milhão, e na China, de 10 milhões.
FONTE: ONU Brasil

segunda-feira, 14 de março de 2016

Anac quer acabar com franquia de bagagem em avião


Pela proposta, as duas malas de 32 kg que o passageiro tem direito de levar nos voos internacionais cairiam para duas de 23 Kg em 2017 | Gabriela Di Bella/Metro
Pela proposta, as duas malas de 32 kg que o passageiro tem direito de levar nos voos internacionais cairiam para duas de 23 Kg em 2017 | Gabriela Di Bella/Metro
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) divulgou nesta quinta-feira proposta de medidas para alterar direitos dos passageiros de avião e estimular a entrada de empresas de serviços de baixo custo no Brasil. Entre as mudanças está prevista a redução da franquia de bagagem de forma gradual até acabar a regulamentação em 2018, quando as empresas poderão fixar os limites de peso.
Pela proposta, as duas malas de 32 kg que o passageiro tem direito de levar nos voos internacionais cairiam para duas de 23 Kg em 2017. No caso no voo doméstico, continuaria em 23 Kg. Já em 2018, não haveria mais franquia de bagagem. Por outro lado, a bagagem de mão aumentaria de 5 Kg para 10 Kg.
As mudanças propostas pela Anac incluem ainda o direito de desistência da compra de passagens em até 24 horas, redução do prazo de reembolso no caso de cancelamento, compensação imediata por extravio de bagagem, limite de multa em caso de cancelamento de passagens, entre outras.
“Não entendemos que há nenhuma redução de direitos. O que estamos fazendo é balanceando isso de uma forma melhor, tentando traduzir isso em ganho para os passageiros e aumentando a concorrência”, disse o diretor-presidente da Anac, Marcelo Guaranys.
As sugestões, que devem ser publicadas entre esta sexta-feira e segunda-feira (14) no “Diário Oficial” da União, ficarão em consulta pública por 30 dias. Os consumidores poderão opinar sobre o assunto por meio de um formulário eletrônico no site da Anac (www.anac.gov.br )
Para o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP, Marco Antônio Araújo Júnior, a maior parte das propostas de mudanças apresentadas pela Anac não é positiva ao passageiro. Em entrevista à BandNews FM, ele afirmou que ao propor que as empresas sejam obrigadas a informar o valor total da passagem com taxas, a Anac acaba “recriando” uma regra que já existe no Código de Defesa do Consumidor.
Araújo cita, no entanto, uma das propostas que parecem ser favoráveis aos clientes. É o caso da sugestão feita pela Anac de que os bilhetes possam ser transferíveis desde que o valor pago para a alteração seja razoável e muito inferior ao valor total da passagem.
Em nota, a Proteste disse estar “preocupada com o retrocesso aos direitos dos passageiros” e que “não se pode penalizar os passageiros” para incentivar a concorrência no setor. Um dos pontos criticados pela entidade é possibilidade de suspensão do direito de assistência material (alimentação e acomodação) em casos de força maior imprevisível (como mau tempo que leve ao fechamento do aeroporto).  

quarta-feira, 29 de abril de 2015

África, o continente pioneiro

Smartphones podem custar até US$ 25 no continente
http://economia.estadao.com.br/

Smartphones podem custar até US$ 25 no continente
Será que os pequenos drones de carga são a resposta para alguns dos problemas mais prementes da África? Um grupo de engenheiros europeus, financiado pela IBM, acha que sim. Batizados com o apelido de "mulas voadoras", e atualmente em desenvolvimento, cada um desses drones será capaz de transportar 10 kg de carga e percorrer distâncias de até 120 km para levar medicamentos a comunidades isoladas ou alimentos a refugiados. Eles foram projetados para que tenham baixo custo e sejam robustos o bastante para serem ser usados em diversas áreas do continente africano.
Além disso, talvez sirvam como modelo experimental para varejistas como a Amazon, que, por conta de normas rígidas, não têm como testar com tanta liberdade esse tipo de aeronave em países ricos. Planeja-se a realização de voos experimentais na África ainda este ano. Como seu espaço aéreo não é congestionado, o continente é considerado uma arena de testes ideal. E suas estradas precárias significam que a demanda por um sistema de transporte aéreo de cargas de baixo custo é imensa.
Experiências como essa apontam para uma notável mudança em curso na África. Um continente que por muito tempo aceitou do Ocidente soluções tecnológicas de segunda mão, cada vez mais cria suas próprias inovações. É claro que boa parte disso é viabilizado por avanços tecnológicos realizados em outros lugares. Atualmente, até nos vilarejos africanos mais isolados são comuns os telefones celulares. A Ericsson calcula que até 2013 o número de linhas móveis chegará a 930 milhões, quase uma para cada africano. A disseminação dos smartphones, alguns dos quais chegam a custar não mais que US$ 25, deve expandir o acesso à internet para 50% da população do continente num período de dez anos.
Isso permite que hoje os africanos possam ir além de simplesmente copiar tecnologias usadas em outros lugares e adaptá-las às suas circunstâncias. Em alguns casos, criam-se inovações que também podem ser usadas em países ricos. O dinheiro móvel é o melhor exemplo. Uma tecnologia que há muito tempo tenta se consolidar no Ocidente (embora os pagamentos online agora pareçam estar ganhando mais solidez, depois do surgimento do Apple Pay) transformou a realidade econômica em lugares como o Quênia, onde milhões de pessoas sem acesso a instituições bancárias foram incorporadas ao sistema financeiro. Isso, por sua vez, estimulou mais uma onda de inovação.
As empresas estão usando o dinheiro móvel para vender seguros de vida - alguns deles para pessoas portadoras de infecções como a Aids. Os celulares não só reduzirão os custos com o recolhimento de prêmios de pequeno valor, como também permitirão que as seguradoras lembrem os clientes de tomar seus remédios. Outra companhia inovadora é a Olam, do setor de agronegócio e com ações listadas na bolsa de Cingapura. A empresa firmou contratos com 30 mil fazendeiros da Tanzânia para o fornecimento de café, algodão e cacau por meio de um sistema de telefonia móvel, impulsionando a lucratividade de todos.
Novas tecnologias também podem fazer uma grande diferença na educação. Embora em todo o mundo existam empresas desenvolvendo apps para smartphones e iPad que ensinem as crianças a ler, escrever e fazer contas, essas inovações prometem ter um impacto muito maior na África, onde os sistemas educacionais são fracos e as crianças com frequência têm de percorrer longas distâncias a pé ou pagar valores proibitivos para frequentar a escola.
Os aplicativos e as escolas de ensino à distância não têm como oferecer um ensino tão bom quanto o das melhores instituições educacionais públicas ou privadas, mas só uma elite muito pequena tem acesso a elas. Comparados com as escolas em que a grande maioria dos africanos estuda, esses novos recursos parecem impressionantes. A principal vantagem do uso da tecnologia no ensino é a redução do impacto de dois defeitos presentes em muitas escolas que atendem o grosso da população na África: absenteísmo docente e aderência mínima aos conteúdos curriculares. Entre as empresas que fazem uso intensivo dessas inovações está a Bridge International Academies, que é parcialmente financiada pela Pearson, coproprietária da revista The Economist. A instituição conta com mais de 100 mil alunos de educação infantil e ensino fundamental no Quênia, pagando cerca de US$ 5 por mês para frequentar escolas de baixo custo que recorrem à tecnologia para seguir currículos padronizados.
O impacto das empresas de tecnologia na sociedade africana também advém de mudanças nos meios de comunicação. A cidade queniana de Nakuru nunca teve um jornal próprio. Seus 300 mil habitantes sempre tiveram de recorrer ao boca a boca para se informar sobre acontecimentos locais. Isso mudou no ano passado, quando o site de notícias HiviSasa (algo como "Agora Mesmo"), começou a publicar trinta reportagens diárias sobre incêndios, homicídios, formaturas escolares, melhorias hospitalares e diversas outras coisas que pouco interesse têm para quem não é de Nakuru. Em 13 de março, a manchete do site era: "Professora é resgatada depois de cair em vaso sanitário com 15 metros de profundidade".
A inovação na África é auxiliada por uma singular confluência de circunstâncias econômicas e políticas. A débil presença estatal implica, de modo geral, baixos níveis de regulamentação, permitindo que os engenheiros testem coisas que em outros lugares são proibidas ou que teriam de passar por processos de aprovação altamente burocráticos. Além disso, a precariedade da infraestrutura tradicional, seja sob a forma de rodovias ou de cabos de telecomunicação, significa que as novas tecnologias e os novos modelos de negócio enfrentam poucos concorrentes já estabelecidos.
Esse ambiente de negócios atrai um número crescente de companhias ocidentais. A Microsoft financia uma pequena empresa que vem desenvolvendo sistemas de Wi-Fi para áreas extensas, capazes de cobrir regiões inteiras a menos de um centésimo do custo da telefonia móvel existente. Esses sistemas usam frequências não alocadas, incluindo algumas anteriormente reservadas para as redes de televisão, já que as emissoras vêm adotando cada vez mais as transmissões digitais, que precisam de menos largura de banda. A intenção é levar o mesmo modelo para comunidades rurais no Ocidente.
A tecnologia vem abrindo mercados africanos que havia muito permaneciam fechados ou que simplesmente não existiam, diz Jim Forster, um dos primeiros engenheiros da Cisco, que atualmente atua na área de capital de risco. O Facebook se associou a operadoras de telefonia para oferecer conexão de internet de graça por meio de uma iniciativa conhecida como internet.org. A expectativa da empresa é conquistar os africanos antes que eles se tornem usuários de mídias sociais locais. Lançado na África no ano passado, o programa já se expandiu para países pobres de outros continentes. De todas as empresas de tecnologia ocidentais, a IBM talvez seja a mais entusiasmada com a África. Sua presidente, Virginia Rometty, faz visitas regulares ao continente e fala de "inovações fantásticas" que estão sendo criadas pelos africanos.
A revolução das inovações ainda está em sua infância na África. Mas é provável que ganhe ritmo, sobretudo porque novos modelos e formas de oferecer financiamento a startups também estão sendo desenvolvidos. Um exemplo é a empresa de crowdfunding EmergingCrowd, que começou a operar em Londres na semana passada. Seu objetivo é ligar investidores e empresas em mercados emergentes, em especial na África. Um dos primeiros a levantar recursos com seu auxílio foi o Bozza, um mercado para produtores africanos de música e cinema que têm dificuldade para comercializar suas obras. "Os problemas que a África enfrenta não são necessariamente problemas americanos ou europeus", diz a fundadora da EmergingCrowd Emma Kaye. "E o mais provável é que as soluções venham da própria África."
© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.
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