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sábado, 6 de janeiro de 2018

ANAJURE, AMTB e CONPLEI lançam Cartilha dos direitos indígenas

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                             Painel de “Agências Enviadoras” no Congresso Brasileiro de Missões 2017
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[Dr. Edmilson Almeida, Coordenador do GT Missões, Indígenas e Povos Minoritários; Paulo Feniman, Presidente eleito da AMTB; e Rodrigo Gomes, Executivo da AMTB]
Aconteceu durante esta semana (23 a 27 de outubro) o Congresso Brasileiro de Missões (CBM) 2017, principal evento nacional sobre o tema, com um público de aproximadamente duas mil pessoas e a presença das principais agências e associações missionárias que atuam no Brasil. 
A ANAJURE contribuiu diretamente com o evento, sendo a responsável pela ministração de dois seminários, cujo tema foi “Direitos Humanos e a missão: aspectos legais, morais e religiosos”, dando ênfase ao direito humano e fundamental à liberdade religiosa.
Sobre isto, o Dr. Edmilson Almeida, Coordenador do GT Missões, Indígenas e Povos Minoritários e ministrante do seminário, destacou suas impressões: “O CBM é um evento religioso, onde havia diversos outros seminários importantes voltados à teologia, mas dezenas de pessoas pararam para nos ouvir falar sobre Direitos Humanos. Isso é um reflexo de dias difíceis, quando é necessário reafirmar o óbvio respeito a um direito básico. Entretanto, é muito acalentador saber que existe tantas pessoas comprometidas em exercer essa liberdade em todo o seu potencial.”
Na quarta-feira (25), a ANAJURE esteve presente e assessorando a assembleia ordinária da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB), quando foi eleita a diretoria para o novo mandato, a quem parabenizamos na figura do seu novo presidente, e reafirmamos o compromisso de manutenção desta parceria frutífera.
Neste mesmo momento, foi lançado e dado conhecimento aos associados da AMTB acerca do Programa de Apoio a Agências Missionárias (PAAM), que visa apresentar soluções aos problemas jurídicos por meio de um suporte integral – confecção de pareceres jurídicos, capacitações dos profissionais locais e representação litigiosa em processos administrativos e judiciais – nas mais diversas áreas de atuação.
O Rev. Ronaldo Lidorio, palestrante da abertura do CBM e um dos maiores missionários brasileiros, disse: “O Congresso Brasileiro de Missões foi um momento de edificação na Palavra, despertamento vocacional e muita comunhão. A presença e participação da ANAJURE foi de fundamental importância na assessoria jurídica, orientação institucional e parceria com o movimento missionário evangélico brasileiro.”
eb4d039f-b26c-440a-8608-5cd5d1e04239Na quinta-feira (26), foi lançada em primeira mão e extra-oficialmente a cartilha dos “Direitos Indígenas”, em uma parceria histórica entre a ANAJURE, AMTB e o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI). Ainda este ano haverá o lançamento oficial e disponibilização deste material, MAS AQUI já pode ser feito o download do material.
Sobre todos estes acontecimentos, o Presidente da ANAJURE, Dr. Uziel Santana, destacou: “Somos uma associação preocupada com as liberdades civis fundamentais e este compromisso nos impele a ajudar as igrejas, associações e missões em suas necessidades jurídicas, para que possam, livre e plenamente, exercer o direito à liberdade religiosa, sem qualquer espécie de embaraço. Neste sentido, a AMTB e as demais associadas tem nos dado a oportunidade de exercer nosso múnus. Esperamos que tais parcerias só cresçam. A nossa oração é para que em todas essas coisas o nome do Senhor Jesus seja glorificado e sua Igreja Edificada, especialmente, no contexto atual de perseguição real e simbólica contra os cristãos de todo o mundo.”


sábado, 2 de setembro de 2017

Mapa Guarani Digital traz informações sobre 278 aldeias


Foi lançado em São Paulo o "Mapa Guarani Digital", construído por mais de 200 colaboradores, entre comunidades guarani, indigenistas e acadêmicos.

Acesse o mapa: http://guarani.map.as/

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tradução da Bíblia - Uma missão possível


Quais são os conhecimentos necessários para trabalhar com a tradução das Sagradas Escrituras? É comum pensar que tradução se trata de uma tarefa a ser realizada entre dois idiomas, por quem tem o domínio de ambos. No entanto, ela é mais do que a construção de uma ponte entre duas diferentes línguas para se transitar o sentido. As competências necessárias são ainda maiores quando falamos de um trabalho de tradução para línguas que possuem pouco ou nenhum estudo prévio, gerando desafios que transcendem os limites da linguagem, como no caso das traduções feitas pelos missionários para os povos com que trabalham.
    Importante se dizer, logo de início, que todo trabalho de tradução, mesmo os mais bem realizados, poderão atingir um alto grau de fidelidade e precisão, mas nunca alcançarão a perfeição. Cabe lembrar aqui o famoso ditado italiano, que descreve o tradutor: “traduttore, traditore”, isto é, “tradutor, traidor”. Com isso, quero lhe assegurar que não há tradução perfeita. Independentemente do número de edições, revisões, membros do comitê editorial ou qualquer outro controle de qualidade, a comunicação do sentido entre diferentes universos linguísticos e culturais nunca será exato, esta é uma tarefa que não está ao alcance das mãos humanas. Mas isso não significa que devemos desistir de traduzir ou diminuir o valor desse trabalho.
    Mesmo diante das limitações ressaltadas, cremos que pessoas podem ser alcançadas ao terem contato com o Evangelho por meio de uma tradução, mesmo que esta seja imperfeita. Aliás, foi assim comigo e, provavelmente, com você também, por meio de uma das traduções que temos para a nossa língua. Isso acontece porque, mesmo que as traduções disponíveis não tenham capturado as minúcias do significado dos primeiros textos bíblicos, ainda assim, a mensagem central é comunicada de forma clara e satisfatória para cumprir o seu propósito. A tradução da Bíblia ainda é a palavra de Deus, expressando a mensagem das Sagradas Escrituras, tendo o cerne do seu conteúdo preservado pelo próprio Senhor e sendo ela o instrumento do Senhor para transformar os corações daqueles que a leem.
    Olhando para a história da tradução da Bíblia vemos que ela começou com a Septuaginta, sendo seguida por uma longa lista de traduções, tendo, hoje, disponível ao menos um versículo para milhares de línguas. Mas também é uma história ainda não concluída, aguardando ser escrita para quase 2 mil povos etnolinguísticos. Tradução tem um passado marcado por muitas lutas, perseguições e sangue derramado, justamente por causa do debate das dificuldades e consequências envolvidas no processo. Por diversos momentos a Igreja se deparou com a seguinte pergunta: proteger e preservar o texto sagrado ou traduzir e arriscar incorrer em possíveis erros? Me permita um parêntese aqui: essa pergunta, ainda hoje, ecoa de forma aguda no peito de muitos tradutores da Bíblia.
    Mas foi em momentos em que a Igreja tentou proteger a Bíblia, evitando que ela estivesse disponível a todos, blindando-a para evitar que se incorresse em erros de interpretação e resguardando o seu acesso apenas aos líderes da igreja é que Deus levantou homens como John Wycliffe, William Tyndale, Lutero e muitos outros. Estes foram tradutores que, para colocar a palavra de Deus na mão de pessoas que não tinham acesso a ela, pagaram com suas próprias vidas. Wycliffe, por traduzir para o Inglês, foi condenado como herege e, após morto, foi exumado e teve seus ossos queimados e as cinzas lançadas no rio Swift, na Inglaterra. Tyndale viveu uma vida de perseguição e fuga até que, ao final, foi estrangulado e em seguida teve o seu o corpo queimado.
    Retornando à nossa pergunta inicial, o que um tradutor precisa saber para realizar sua missão? Em nosso primeiro texto, mostramos que verter a Palavra de Deus para uma outra língua requer conhecimento em tradução, linguística, antropologia, tecnologia e outras áreas, sem mencionar uma sólida formação em teologia bíblica e conhecimento do grego e hebraico bíblico.
     Como você já notou, desde o início deste texto estamos abordando a natureza da ciência da tradução propriamente. Como toda ciência, ela possui teorias e métodos que vem se desenvolvendo com o avanço dos estudos. Historicamente, a discussão girou em torno da busca por um resultado que se aproximasse de uma tradução com uma equivalência mais formal, preservando as estruturas e formas do texto, resultando em uma tradução mais literal, ou, a produção de um trabalho em se que apresentasse um texto mais dinâmico, priorizando a comunicação do sentido do texto fonte.
    De maneira geral, toda boa tradução bíblica tem por alvo a incansável produção de um texto claro, preciso, natural e aceitável. A presença desses quatro elementos é essencial. Por se tratar da Palavra do nosso Deus, é sine qua non que ilimitados esforços sejam aplicados na proteção da fidelidade do sentido do texto. Também uma produção textual que respeite as regras da língua alvo, possibilitando uma leitura que possa ser feita com clareza e fluidez é de suma importância. Não há razão para a existência de um texto artificial e com poucas condições de leitura. Não foi por acaso que o Novo Testamento foi escrito em Grego Koine, que era um grego mais popular e acessível a todos.
    Espero que você tenha compreendido um pouco dos desafios da tradução da Bíblia. Este é uma história ainda não concluída, pois muito ainda há por se fazer. Perseguições, lutas e sangue a ser derramado ainda precisam ser superados para que a boa mensagem do Evangelho chegue às mãos dos que ainda não a conhecem, e Cristo, nosso mestre, seja anunciado entre todos os povos. Também a história nos ensina que a palavra do nosso Deus permanece para sempre. Ela já atravessou milênios, é o livro mais traduzido, lido e distribuído na humanidade e tem se provado indestrutível na sua vulnerabilidade. E não apenas a história nos ensina isso, pois o nosso próprio Senhor nos diz que “Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu.” (Sl 119.89).
jesseJessé Fogaça - Pastor presbiteriano, linguista e tradutor da Bíblia. Membro da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT), Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), Australian Society for Indigenous Languages (AuSIL) e Summer Institute of Linguistics (SIL Internacional).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Brasil: Número de povos indígenas em cada família linguística

Número de povos indígenas em cada família linguística

(Passe o cursor sobre os quadrados para visualizar os números. Clique nos círculos para visualizar mais partes do gráfico)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fotógrafo faz registro raro de tribo isolada em floresta no Acre; veja imagens

O céu escureceu e uma forte chuva obrigou o helicóptero que sobrevoava uma floresta no Acre a pousar. O temporal demorou para passar e a tripulação decidiu voltar ao ponto de partida antes de escurecer.
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Foto: Ricardo Stuckert
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Foto: Ricardo Stuckert
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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert
A chuva frustrou a viagem, mas proporcionou um registro raro e histórico de uma tribo indígena isolada, próximo à fronteira com o Peru. "É como achar uma agulha no palheiro. Pura sorte", definiu o fotógrafo Ricardo Stuckert.

A BBC Brasil teve acesso a parte dos registros feitos por Stuckert no último domingo. Ele viajava para a aldeia Caxinauá (também no Acre), onde faria uma sessão de fotos para o livro Índios Brasileiros . A obra vai documentar a rotina de 12 tribos brasileiras e será lançada no dia 19 de abril de 2017 - Dia do Índio.
Mas ele estava acompanhado do experiente sertanista José Carlos Meirelles, que trabalhou para a Fundação Nacional do Índio (Funai) durante 40 anos, e a dupla resolveu investigar uma área da mata com mais calma.
"Depois da chuva, a gente voltou e viu umas malocas feitas de palha. A gente estava voando muito rápido, mas vimos plantações e decidimos voltar. Encontramos a tribo e eu comecei a fotografar", relata o fotógrafo.
Ao identificar uma possível ameaça, os índios reagiram. Os olhares de surpresa e raiva contra o helicóptero foram registrados pelas poderosas lentes de longo alcance de Stuckert. A tribo atirou dezenas de flechas na tentativa de afastar a aeronave, que sobrevoou a região durante sete minutos.
O próprio Meirelles avalia o voo como algo invasivo à comunidade isolada. "É um registro importante, mas é uma certa agressão. Por isso, a gente toma o cuidado de não voar baixo para não assustar tanto. Por outro lado, o mundo precisa saber que eles existem e que precisamos de políticas para conservá-los", disse Meirelles, que demarcou áreas de tribos isoladas durante os 20 anos que trabalhou na região.
Ele estima que a tribo, identificada apenas como "Índios do Maitá", por estar próxima ao rio de mesmo nome, é composta por cerca de 300 pessoas. O número, segundo ele, é bem grande para uma aldeia isolada.

Algodão

Segundo o sertanista, não há nenhum relato ou documento de aproximação dessa tribo com povos civilizados e até mesmo outros grupos.
Após o sobrevoo e uma primeira análise das fotos de Stuckert, José Carlos Meirelles identificou detalhes que revelam alguns costumes dos índios isolados.
"As mulheres usam uma saiota e eles têm plantações de algodão. São sinais de um povo que tece e fia. Parte deles também possui um cabelo incomum: careca até a metade da cabeça e comprido da metade para trás", relatou.
O sertanista afirmou que os índios são mais altos que a média e os homens amarram o pênis a uma espécie de cinta. O especialista também identificou que a tribo planta milho, banana, mandioca e batata.
O grupo fotografado vive numa área de 630 mil hectares onde estão três reservas indígenas: Kampa Isolados do Envira, Alto Tarauacá e Riozinho do Alto Envira. O sertanista disse que, apesar do completo isolamento, a localização aproximada da tribo já era conhecida.
Nas fotos, não foram identificados objetos ou características que possam ter sido influenciadas ou levadas a eles por outros povos.
Um dos fatores apontados pelos especialistas para a sobrevivência da tribo é o fato dela estar localizada numa região de difícil acesso de madeireiros, garimpeiros e seringueiros.

Emocionante

Stuckert, que trabalhou como fotógrafo da Presidência da República durante oito anos e tem 28 anos de experiência na profissão, disse que o registro dos índios está entre "os mais emocionantes" de sua carreira.
"Eu gostaria de voltar lá, mas acho que a gente não pode ter contato. Precisamos preservar isso e quero que as minhas fotos mostrem que a gente tem que mapear tudo o que está perto e protegê-los para que não tenham problemas externos", afirmou.
O fotógrafo disse ter ficado "maravilhado" por registrar pela primeira vez na sua carreira uma população que nunca teve contato com uma população isolada.
O sertanista José Carlos Meirelles também demonstra felicidade por ter visto os índios isolados, mas se disse preocupado com o possível avanço do desmatamento e de seringueiros.
"Fiquei muito feliz em saber que estão bem. Foi muito bom ver que eles têm um roçado e estão no seu espaço. O problema é que ninguém sabe até quando."

domingo, 24 de julho de 2016

Suicídio indígena: entenda como povos e antropólogos da Amazônia avaliam o ato

Foto: Divulgação/Gcom-MT

MANAUS – O suicídio indígena vai além das estatísticas divulgadas pelos órgãos de Segurança Pública na Amazônia. A atitude é complexa e envolve questões sociais, culturais e cosmologias que vão além do conhecimento da sociedade. Segundo antropólogos, para alguns povos indígenas, a morte não encerra a existência humana. Entre as causas para o suicídio indígena estão paixões, encantamentos e rupturas culturais sob um contexto de perda de território e direitos.
“Temos debates para mostrar a complexidade e a dimensão profunda de todo o aspecto que envolve [o suicídio indígena] e que está situada em cosmologias indígenas pouco conhecidas, por isso a tendência é projetar o nosso drama do suicídio para estas sociedades”, explica o antropólogo Gilton Mendes, coordenador da mesa-redonda sobre “Suicídio entre os Povos Indígenas” promovida pelo Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (Neai) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), nesta quarta-feira (29).
Mesa-redonda promovida pelo Neai. Foto: Izabel Santos/Portal Amazônia

Na opinião de Mendes, trata-se de um fenômeno complexo que preocupa, de modo geral, pelas concepções da sociedade não-indígena. “Mas outras sociedades também têm esse fenômeno de forma bastante diversa”, acrescenta.
Ataque de espíritos e paixões
A tese de doutorado da antropóloga da Universidade Federal do Pará (UFPA), Beatriz Matos, abordou o suicídio por ataques de espíritos entre os matsés. O povo vive na terra indígena do Vale do Javari, a maior do Brasil e com maior concentração de povos isolados.
Entre as razões apontadas pela pesquisa, está a impossibilidade de realização de um importante ritual de iniciação masculina. “Nesse ritual, que começava na aldeia, os espíritos levavam os jovens para a floresta onde ele era completado. Com a chegada dos missionários, a prática foi interrompida”, conta. Homens e mulheres participavam do ritual, mas o protagonismo era masculino. De acordo com relatos dos matsés, a tradição foi interrompida na década de 1970. “Com isso, os espíritos começaram a atacar os jovens e a provocar o que nossa sociedade chama de suicídio”, explica.
Os jovens ‘atacados’ relatam que tinham a visão do espírito de um parente já falecido, que aparecia quando eles estavam sozinhos e os levava para a floresta. “Quem viu, relata que no momento desses ataques os jovens corriam mata a dentro”. Alguns eram resgatados, mas outros não tinham o mesmo destino.
Na avaliação da antropóloga do Museu Nacional, Luisa Belaúnde, os suicídios também são homicídios provocados por espíritos, mas também um problema de saúde pública. Luisa cita o aspecto das paixões ou encantamentos que levam os indígenas à atitude. “As causas podem ser o alcoolismo, a presença de missionários e a desintegração familiar, mas isso tudo acontece em um pano de fundo de perda de território e direitos”, diz.
“É realmente um problema de saúde pública, mas talvez a aproximação a partir da saúde pública, que procura as causas, e que tenta formular políticas de prevenção, não esteja suficientemente aberta para compreender as razões histórias e políticas do sofrimento ao qual muitos povos indígenas estão atualmente submetidos”, opina.
Como exemplo sobre os encantamentos, a antropóloga cita os kaxinauá, que habitam a fronteira entre o Peru e o Brasil, no Acre. Segundo relatos, os caçadores desse povo estão sujeitos a um encantamento pelo olfato. “Quando eles estão na floresta eles sentem um cheiro semelhante ao de um animal, então eles se encantam, ficam apaixonados por esse cheiro. Voltam para a aldeia e ficam com o olhar perdido, deixam de reconhecer os seus parentes e passam a comer terra. Por fim, acabam se matando”.
Luisa também cita as meninas tikuna, que vivem na fronteira entre Peru, Equador e Colômbia. E compara a situação a dos matsés no Javari, onde a prática tem a ver com a quebra da tradição do ritual da menina nova, que marca a transição da infância para a vida adulta. “Nesse ritual a menina fica sentada por várias horas, tem os cabelos arrancados e fica ouvindo os conselhos dos mais velhos, mas ele não é só isso. Durante o ritual ela aprende a ter paciência, a resistir a dor e a não se deixar enganar pelos espíritos, que também participam do ritual e tentam enganá-la”, explica a antropóloga. Sem o ritual, a menina tikuna não aprende a se defender e se deixa enganar pelas pessoas erradas.
“Ele [o suicídio] é mais comum entre as meninas que frequentam a escola, conhecem rapazes por quem não deveriam se apaixonar e acabam se desiludindo”, explica. “Por isso é um homicídio espiritual. É como se os espíritos ficassem com raiva e levassem a essa atitude”, explica. A maioria dos suicídios acontecem por enforcamento. As meninas que sobrevivem, alegam que não estavam atentando contra a própria vida, dizem que foram induzidas, que viram parentes já mortos e que pediam que elas cometessem o ato.
Os suruwaha e o timbó
Os suruwaha vivem na calha do rio Juruá, no Amazonas. São um grupo único com cerca de 150 pessoas praticamente isoladas. O único contato que têm é com funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). No entanto, a maioria das mortes entre este povo decorre de suicídio por envenenamento com timbó, uma raiz usada para envenenar a água e matar peixes. “Existem mortes por doenças e incidentes com animais, mas são poucas”, explica o antropólogo Miguel Aparicio, autor da obra ‘Presas del Veneno. Cosmopolítica y Transformaciones Suruwaha’.
O antropólogo descreve os indígenas como um povo coeso e de boa memória. “Se você perguntar, eles são capazes de descrever o tataravô da terceira geração e com quem era casado e tudo mais”, revela. Entre estas memórias, está o primeiro suicídio, ocorrido em 1930.
As razões para a atitude não são claras. Os primeiros contatos com os suruwaha datam de 1920. “Eles sofreram com as expedições de seringalistas e conseguiram voltar ao isolamento em 1930. Somente em 1980 eles voltaram a ser contatados, e por causa da pressão madereira na região”, explica Aparicio. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil

Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros.

BBC Brasil
Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.
As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.
Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.
No "Caderno Temático: Populações Indígenas", o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.
O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).
Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.
'Retomadas'
Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.

Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas "retomadas", quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.
Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.
Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.
Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.
O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).
O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.
Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).
A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.
Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o "Atlas Nacional do Brasil Milton Santos".
Cultura indígena
O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.

Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que "o indígena ainda é aquele de 1500". Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.
"Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995."
Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.
"Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?"
Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.
"Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada."

sábado, 27 de dezembro de 2014

Brasil perdeu mais de 1.100 línguas indígenas em 500 anos

Índios guarani recebem título de Língua de Referência Cultural Brasileira
Índios guarani recebem título de Língua de Referência Cultural Brasileira
José Ribamar Bessa Freire - http://noticias.terra.com.br/
A cada quinze dias acontece uma morte. Dizem que cortam a língua da vítima com requintes de crueldade. O cadáver desaparece misteriosamente sem deixar vestígio. Daqui até o Natal haverá mais dois assassinatos em algum lugar do mundo, segundo previsão do investigador irlandês David Crystal, que busca pistas para explicar tantos crimes. Nenhum organismo policial, nacional ou estrangeiro, identificou até hoje os assassinos. Um seminário realizado em Foz do Iguaçu (PR), nesta semana, reuniu autoridades e especialistas da América Latina para discutir, entre outras questões, como evitar essas mortes consideradas crime contra  a humanidade.
Parece que os assassinos se inspiram em Genghis Khan que no século XIII, de forma indulgente, poupava a vida dos prisioneiros de guerra, a quem deixava retornar em liberdade às suas casas. No entanto, para impedir que batessem com a língua nos dentes e passassem informações ao inimigo, cortava suas línguas. Daí a origem do provérbio mongol “Quem tem língua cortada não fala.”
A mutilação praticada pelo exército mongol continua sendo feita simbolicamente no planeta. O crime é justamente esse: o glotocídio. Cada quinze dias morre o ultimo falante de uma das 6.700 línguas faladas atualmente em 193 países. Com ele desaparece para sempre mais uma língua.
Com o objetivo de criar estratégias para fortalecer as línguas ameaçadas na América Latina, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Cultura organizaram nesta semana, de 17 a 20 de novembro, em Foz do Iguaçu, um encontro de autoridades e de alteridades no Seminário Ibero-americano da Diversidade Linguística, que reuniu mais de 400 pessoas comprometidas com a luta pelos direitos linguísticos das minorias. Participaram dos debates linguistas, historiadores, antropólogos, falantes de línguas indígenas e de línguas minoritárias de migração, além da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Durante o evento foi entregue o certificado das três primeiras línguas reconhecidas como referência cultural brasileira pelo Iphan: o guarani, falado também em outros países do Mercosul, o Assurini do Trocará, língua falada nas margens do Rio Tocantins (PA) e que quase desaparece afogada na hidroelétrica de Tucuruí e o Talián – vinda com os migrantes do norte da Itália e que hoje é falada no sul do Brasil. Essas três línguas, depois de terem sido cuidadosamente documentadas, fazem parte agora do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (Indl).
Línguas minorizadas
O reconhecimento de uma língua como referência cultural requer que ela seja falada em território brasileiro há pelo menos três gerações e que seus falantes solicitem ao Iphan o pedido de inclusão no Indl, que é então analisado por uma comissão técnica interministerial. Esse caminho pode ser seguido por mais de 300 línguas faladas no Brasil, entre elas as línguas indígenas, que são autóctones e estão aqui enraizadas, e as línguas alóctones que vieram para o Brasil trazidas por migrantes. Das línguas indígenas apenas 11 têm acima de cinco mil falantes, o que significa que a maioria corre sério risco de extinção.
Essas línguas chamadas minoritárias foram minorizadas no processo histórico, ficando com número reduzido de falantes: apenas 5% da população do planeta. No entanto, elas constituem maioria expressiva se considerarmos a quantidade de línguas faladas no mundo inteiro por tais minorias, que representam 95% das línguas existentes no Atlas Linguístico Mundial, 15% das quais em continente americano. Portanto, os direitos linguísticos reivindicados se referem a uma minoria de falantes, mas também à maioria das línguas existentes no mundo que garantem a manutenção da glotodiversidade.
O que é, afinal, que se quer com a defesa da diversidade linguística? Já seria plenamente justificável lutar exclusivamente pelos direitos legítimos das minorias de continuarem pensando, cantando, amando, narrando, trabalhando e sonhando em suas línguas, mas essa luta ganha força quando sabemos que ela inclui a sobrevivência das próprias línguas, que só seus falantes podem garantir. Muitas espécies vivas de plantas e de animais que estão em perigo são conhecidas apenas por determinados povos cujas línguas – que produziram e armazenam tais conhecimentos – são consideradas moribundas e estão ameaçadas de extinção.
O linguista Aryon Rodrigues, depois de esboçar um panorama das línguas indígenas da Amazônia, concluiu que nelas se encontram fenômenos fonéticos, gramaticais, de construção do discurso e de uso das línguas, que não se encontram em línguas de outras partes do mundo. Daí a preocupação de mantê-las vivas. Essas línguas constituem, junto com o material arqueológico disponível, as pistas que melhor nos informam sobre a ocupação do território americano, datas e movimentos migratórios.
A sobrevivência das línguas ditas minoritárias interessa, portanto, não apenas aos seus falantes, mas ao conjunto da humanidade, pois está relacionada à preservação da biodiversidade. A diversidade linguística se torna assim tão vital para a sobrevivência da espécie humana quanto à diversidade biológica.
O glotocídio
Segundo David Crystal em seu livro "A revolução da linguagem”, hoje, no planeta, ainda são faladas 6.700 línguas, mas a situação é dramática, porque em média, uma língua desaparece a cada duas semanas. Línguas morrem, o que é natural. O preocupante, para ele, é a velocidade da perda que está se fazendo sem precedentes na história escrita, decretando morte prematura, um glotocídio anunciado.
- Uma língua começa a desaparecer quando seus falantes são expulsos de suas terras ou quando a comunidade, por essa e por outras razões, perde o desejo de preservá-la, diz Crystal, para quem se uma língua que nunca foi documentada morre, é como se jamais tivesse existido, porque não deixa qualquer vestígio. E uma língua morre – diz ele – quando o penúltimo falante desaparece, pois então o último já não tem mais ninguém com quem conversar.
No seminário foi lembrado o drama recente de dois índios. Um deles – Tikuein – único falante da língua Xetá, vivia na aldeia São Jerônimo, norte do Paraná, com índios Kaingang e Guarani. Como estratégia para manter a língua viva, ele falava com o espelho e algumas vezes, caminhando pela aldeia, com um interlocutor fictício – leia a crônica "O homem que falava com o espelho"
O outro caso foi registrado em 1978 por Zelito Viana no filme Terra de Índio. Ele gravou dona Maria Rosa, que vivia no Posto Indígena Icatu (SP) e era ali a única falante da língua Ofaié Xavante. Quando a fez escutar o que ela mesma havia dito, dona Maria Rosa estabeleceu um  diálogo com o gravador, a quem perguntou por seu pai, por sua mãe e no final se despediu do aparelho dizendo: "Até logo, agora não falo mais porque estou rouca, viu?".
A extinção é um risco permanente para as línguas minoritárias, principalmente as indígenas, devido ao reduzido número de falantes e ao uso social restrito. Não existe literatura escrita nessas línguas, nem espaço na mídia. Em cinco séculos, nessas condições, mais de 1.100 línguas indígenas desapareceram do mapa do Brasil e outras tantas do continente americano, levando com elas conhecimentos, cantos, rezas, narrativas, poesia, mitos, afetos.
O jesuíta João Daniel, no seu "Tesouro Descoberto do Rio das Amazonas", com distanciamento crítico, conta como um missionário espancou uma índia do Marajó com bolos de palmatória dizendo: "Só paro de bater quando você disser "basta", mas não na tua língua". Ela calou. Suas mãos sangraram. Ele concluiu que as mulheres – a quem talvez o mundo deva a preservação de muitas línguas – eram mais resistentes que os homens, que migravam de uma língua a outra com mais frequência. Desta forma, centenas e centenas de línguas foram extirpadas a ferro e fogo.
Inventário de Línguas
O Inventário Nacional da Diversidade Linguística Brasileira (INDL) criado por Decreto Federal de 2010 tem o objetivo de conhecer e fortalecer as línguas minoritárias. Ele dialoga com a Carta Europeia sobre as Línguas Regionais ou Minoritárias (1992) e a Declaração Universal para a Promoção da Diversidade Cultural – Unesco (2005), além da Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (1996) de Barcelona, que surgiu das comunidades linguísticas e não dos Estados nacionais.
No Brasil, existem vários projetos destinados a identificar, documentar, reconhecer  e valorizar as línguas portadoras de referência à identidade como o PRODOCLIN, do Museu do Índio, que documentou cerca de 20 línguas e culturas indígenas e projetos do Museu Goeldi e do Laboratório de Línguas da UnB, entre outros.
Reconhecer essas línguas não é simplesmente aceitar formalmente a sua existência, mas considerá-las parte da nossa história. Como escreveu Bartolomeu Meliá, que fez a conferência final, "a história da América é também a história de suas línguas, que temos de lamentar quando já mortas, que temos de visitar e cuidar quando doentes, que podemos celebrar com alegres cantos de vida quando faladas".
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