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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

INDONÉSIA – A influência saudita por trás do aumento do extremismo islâmico


[Milhares de muçulmanos de toda a Indonésia foram às ruas para protestar contra o ex-governador de Jacarta, Basuki Tjahaja Purnama (‘Ahok’), em 4 de novembro de 2016. Ahok foi julgado por ter insultado o Islã quando citou um verso do Alcorão e está agora na prisão por blasfêmia. (Foto: World Watch Monitor)]
Ahok, ex-governador de Jacarta, foi preso por ter insultado o Islã quando citou um verso do Alcorão (Veja aqui). “A sua eleição e julgamento expuseram a crescente radicalização na Indonésia, especialmente entre os jovens, e levou a uma campanha mais agressiva para enfrentar o radicalismo islâmico” é o que afirma Paul Marshall em seu artigo (leia em inglês) para o Lausanne Movement.
O crescimento deste radicalismo islâmico tem se dado pelo desempenho da Arábia Saudita em oferecer uma rede bem financiada de escolas, bolsas e mesquitas. A tentativa é de substituir as interpretações locais do Islã, que geralmente incentivam a democracia e as relações pacíficas entre religiões, pelo wahhabismo, forma rígida e conservadora do islamismo e que é a religião oficial da Arábia Saudita.
De acordo com Paul Marshall, a Arábia Saudita tem estabelecido mais de 150 mesquitas na Indonésia desde 1979, providenciando livros escolares, trazendo seus próprios pregadores e professores e financiando milhares de bolsas de estudo para pós-graduação na Arábia Saudita.
“Alunos das universidades sauditas se tornaram influentes em círculos extremistas”, acrescenta Marshall. “Eles incluem Habib Rizieq, o fundador da Frente dos Defensores Islâmicos, e Jafar Umar Thalib, que fundou a milícia anti-cristã Laskar Jihad”.
“O governo indonésio respondeu ao risco de aumento do extremismo proibindo os grupos islâmicos radicais e introduzindo novas regras para impedir a disseminação de pontos de vista radicais em suas universidades”, observa Marshall.
Mas, segundo informações divulgadas pelo Human Rights Watch, os estudantes das escolas da Arábia Saudita recebem educação que contém ódio e linguagem provocativa contra outras tradições islâmicas que não sejam Sunita e fazem severas críticas aos judeus, cristãos e pessoas de outras crenças (veja aqui).
Como parte de um esforço para combater o aumento de extremismos e intolerância religiosa no país, o governo da cidade de Jakarta e a maior organização islâmica na Indonésia, Nahdlatul Ulama (NU), têm reunido forças para treinar e educar pregadores islâmicos para espalhar mensagens de união e paz, segundo afirma a agência de notícias católica UCANews. De acordo com o governo de Jacarta, “a meta do programa que começa em Novembro com 1000 pregadores, é instruí-los a ‘passar os ensinos islâmicos apropriados e um islã tolerante’”.
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Fonte: World Watch Monitor
Por: Redação l ANAJURE

domingo, 18 de junho de 2017

Como os cristãos devem se relacionar com os muçulmanos?

No outono passado, o jornal Times, do Reino Unido, apresentou aos seus leitores o uso do taweez[1] no sufismo sunita generalista dentro do islamismo. Por quê? Porque estava a noticiar a condenação de um salafista que havia assassinado um imã que praticava esta forma do islamismo[2].

A variedade do Islão

Os leitores do Times, já familiarizados com termos como sunita, xiita, sufismo e salafismo, estavam a conhecer mais uma vertente do islamismo, praticada por 41 % dos paquistaneses e 26 % dos nacionais do Bangladesh[3]. Como, pergunto eu, eles irão integrar esta informação nas categorias “radical” e “moderado” que a mídia costuma atribuir ao islamismo? E como podem os cristãos integrar a variedade do islamismo nas suas cosmovisões?
Como devemos olhar para o islamismo?
Ao longo das quatro décadas e meia desde que compreendi como Deus se preocupa com os muçulmanos, já escutei muitos debates acerca de como a missão cristã deve ser dirigida. Devemos nos focar no islamismo “popular” — na enorme percentagem daqueles que usam o taweez e cujas vidas são dominadas pelas crenças no jinn. Devemos nos focar no serviço — às mulheres que foram abusadas, às minorias que sofrem com o racismo e aos que vivem na pobreza. Devemos nos focar na apologética, na polêmica, no diálogo e na coexistência… ou talvez em questões políticas. Talvez os cristãos devessem estar na frente da batalha contra o terrorismo ao estilo do Estado Islâmico.
Por detrás destes debates estão perguntas sobre como deveremos olhar para o islamismo, que, por sua vez, encontram eco nas respostas polarizadas dadas aos muçulmanos, que estão a dividir o universo evangélico nos nossos dias. Creio que o principal problema é não sabermos como encaixar a variedade do islamismo nas nossas categorias de pensamento. À medida que o mundo secular luta com a dificuldade que é acrescentar o mundo do taweez no seu entendimento da “religião”, os cristãos também têm dificuldade para encaixar o islamismo na sua compreensão do mundo. Por isso, escolhemos categorias que já existem e nos focamos nos muçulmanos que cabem dentro delas. Os nossos mestres e pregadores precisam urgentemente ler a Bíblia de uma forma que permita a toda a igreja se relacionar com toda a variedade do islamismo e dos muçulmanos
PRECISAM
Se pensarmos assim, vemos que o desafio é ainda maior: o islamismo pode ser um caso especial, mas precisamos de uma cosmovisão bíblica que nos dê um enquadramento que permita o relacionamento com todos os povos de todas as fés. O meu livro, The Bible and Other Faiths,[4] procura fornecer isso mesmo: uma forma de ler a Bíblia que tem em conta o mundo religioso “por detrás” dos textos bíblicos, de forma a ajudar-nos a entender o nosso próprio mundo religioso. O meu livro mais recente, Thinking Biblically about Islam,[5] lida com o caso especial do islamismo.

Enquadramentos bíblicos

A obra Thinking Biblically about Islam desenvolve dois enquadramentos bíblicos de pensamento e aplica-os de duas formas:
Os enquadramentos bíblicos lidam, em primeiro lugar, com o desenvolvimento de uma compreensão da humanidade que inclui os muçulmanos e, em segundo, de uma forma de entender o islamismo. Ambas estão relacionadas porque o “islamismo” é praticado por seres humanos, e é por isso mesmo que apresenta tanta variedade.
As aplicações interrogam, para começar, sobre como podemos refletir acerca de vários aspectos do islamismo: o Corão, Maomé, a umma e a sharia; e, em segundo lugar, sobre como os nossos estudos bíblicos podem nos transformar em nossos relacionamentos com muçulmanos.
Esta análise de duas vertentes reflete uma tensão inerente a muita da polarização a que assistimos nas respostas cristãs ao islamismo: estamos tentando compreendê-lo como um sistema posterior a Jesus Cristo e que se vê a si mesmo como suplantando o cristianismo, enquanto tentamos nos relacionar com a enorme proporção de seres humanos que são muçulmanos. Por um lado, muitos cristãos sentem que o islamismo nunca deveria ter existido e que os muçulmanos são intrusos no seu mundo. Por outro, muitos cristãos vivem em lugares onde se relacionam com muçulmanos diariamente e têm amigos, colegas e familiares muçulmanos a quem amam.
Aqui está uma amostra dos dois enquadramentos bíblicos:

Uma visão da humanidade que inclui os muçulmanos

A base deste enquadramento é Gênesis 4 a 11. É uma análise padronizada do texto como um quiasmo (a letra maiúscula chi, do grego, parece um X). Ou seja, a sua estrutura é ABCB’A’ ou ABA’ ou ABCDC’B’A, etc. Os primeiro e último elementos “correspondem”, à medida que definem temas e assuntos, podendo repetir palavras. O elemento central é o ponto principal do assunto do texto. Os elementos intermédios “correspondem” (aqui são ambos genealogias) e indicam de que forma todo o argumento faz sentido.[6] Portanto, esta análise corresponde Gênesis 4 e 11, Gênesis 5 e 10 e, depois, considera Gênesis 6 a 9 como central.
Em Gênesis 1 a 3, aprendemos que todos os seres humanos, incluindo muçulmanos, são feitos à imagem de Deus e estão debaixo da queda. Gênesis 4 a 11 nos dá uma análise de um mundo religioso caído que pode ser lida como um quiasmo. O início e fim lidam com a religião à escala individual e societal. O ponto central é a história do dilúvio, e no meio estão as genealogias que são tão importantes em toda a estrutura de Gênesis:
A Capítulo 4: Os seres humanos fora do Éden procuram se aproximar de Deus através de um ato religioso. Não é evidente o porquê de um ser aceito e o outro rejeitado, mas fica claro que o resultado é a violência.
B Capítulo 5: Os seres humanos têm uma origem comum, e todos (exceto Enoque que aponta para uma esperança de vida) partilham a morte na sua genealogia.
C Capítulos 6 a 9: A resposta de Deus ao alastrar da violência é a ira e o sofrimento(6:6). A história do dilúvio é lida como demonstrando duas formas possíveis de Deus lidar com o mal: o juízo do dilúvio e o pacto de aliança que sucede ao sacrifício de Noé. Esta última indica a preferência de Deus, que se mantém por toda a história.
B’ Capítulo 10: As sociedades humanas têm uma origem comum e estão debaixo da mão provedora e doadora de vida de Deus.
A’ Capítulo 11: Os seres humanos têm a tendência de usar a religião para propagar o poder e o território de um povo em particular. Esta é a religião perigosa, que Deus irá julgar para limitar o mal que dela advém.
Esta análise nos fornece categorias simples, mas convincentes, para refletir sobre sunitas e xiitas, sufismo e salafismo, e sobre quem usa o taweez e os apoiantes do Estado Islâmico que matam idólatras.

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A: Religião individual. Podemos olhar para todos os muçulmanos como pessoas que tentam chegar a Deus, seja pelo exemplo de Abel ou com motivações iguais às de Caim. Podemos esperar lutas religiosas violentas por causa de questões sobre o que agrada a Deus
Portanto, este tipo de cisões é esperável entre sunitas e xiitas. Contudo, podemos também esperar que alguns dos sufistas, que buscam a face de Deus como um amante busca aquele a quem ama, sejam os “Abéis” do mundo muçulmano. A história nos leva a perguntar até que ponto conseguimos distinguir quais dos apoiantes do Estado Islâmico que sacrificam suas vidas são como Caim, e quais são como Abel.
A’: Religião social. É possível entender as várias dimensões políticas do islamismo como manifestações de uma tendência humana comum de juntar religião, etnia e poder[7] Podemos estar certos de que quando esta fusão ergue estruturas de poder exploradoras que se opõem a Deus, ele irá limitar os danos que elas causam à sua criação, que é boa.
B e B’: Genealogias. Tudo isto é a condição humana partilhada. Os muçulmanos não são intrusos no nosso mundo: todos fazemos parte do mundo de Deus. Uma das implicações disso é podermos esperar os padrões de Gênesis entre cristãos e entre muçulmanos também. Os cristãos também podem discutir sobre quem é aceitável diante de Deus. Os cristãos também podem lutar e matar-se uns aos outros. Os cristãos também podem usar a religião para construir impérios.
C: No centro de tudo está o problema do mal. Não me refiro à questão da origem do mal, embora o livro explore algumas das principais diferenças entre a posição muçulmana e cristã sobre o assunto, ao estudar a história de Adão no Corão e na Bíblia. Antes, a grande questão levantada pela história de Noé em Gênesis é: como é que Deus lida com o mal, e quais as implicações disso para a forma como os seres humanos devem lidar com mal em si mesmos e nos outros.
A minha esperança é que os leitores cristãos estejam agora partilhando um pouco da dor, da ira e do coração de Deus (Gn. 6:6). Espero também que, tal com Aquele a quem servimos, o leitor esteja decidido a preferir o caminho do sacrifício e do pacto de aliança em vez do caminho do juízo em resposta ao mal. Ele nos leva a Jesus e à sua cruz, ao sangue que clama tão mais alto do que o de Abel, o mártir. Talvez a nossa maior dor seja que a cruz e o sangue não existam no pensamento islâmico e, por isso, não são tidos em conta por quem usa o taweez ou pelos apoiantes do Estado Islâmico nas suas lutas contra o mal. E assim chegamos ao centro do segundo enquadramento analítico.Isto nos sugere uma chave para um pensamento biblicamente fundamentado acerca das variedades do islamismo: podemos descobrir o que estes muçulmanos em particular consideram ser o mal, e como estão a tentar lidar com isso. Um exemplo é a polarização entre quem usa o taweez e os apoiantes do Estado Islâmico. Os primeiros se focam no mal que os afeta e às suas famílias na vida diária. Eles lidam com isto através de rituais e, muitas vezes, tentando controlar o jinn que consideram ser responsável pelos seus problemas. Os apoiantes do Estado Islâmico concentram-se mais nos males políticos, que consideram serem causados por uma adoração errada. É frequente tentarem lidar com eles tentando destruir as causas.

O enquadramento para entender o islamismo

Este enquadramento advém da transfiguração. Ao escrever o livro, compreendi a centralidade da transfiguração nos evangelhos sinóticos; o evangelho de João pode ser lido como uma exegese da transfiguração.[8]
As perguntas às quais a transfiguração responde são perguntas islâmicas: De que forma Jesus está relacionado com os profetas anteriores? O que significa que ele é o Messias? Como lidamos com o escândalo da sua insistência em sofrer uma morte humilhante?
Até aqui, os evangelhos estão largamente em harmonia com a visão corânica de Jesus, sendo que o Corão levanta as mesmas questões que os evangelhos. No entanto, os muçulmanos encontram respostas diferentes.[9] Eles negam a crucificação e colocam Jesus no mesmo nível de todos os outros profetas. Na verdade, eles revertem a transfiguração para depois desenvolver uma tradição profético-jurídica, com base numa figura que combina o paradigma da entrega da lei como alicerce da comunidade de Moisés, com o zelo monoteísta e de aplicação da lei de Elias.
Estas observações provocam uma releitura dos paradigmas jurídicos e proféticos representados por Moisés e Elias, pelo menos enquanto formas de lidar com os males do pecado humano. Por um lado, como pode o material bíblico nos ajudar a entender as forças e as fraquezas do islamismo? Por outro, por que motivo os relatos bíblicos destes profetas encontram o seu cumprimento na cruz de Cristo em vez de na Medina de Maomé?
Portanto, uma compreensão do propósito e da natureza, das riquezas e limitações da lei bíblica e do sistema dos profetas nos oferece algumas categorias para pensar acerca do islamismo; além disso, abre a possibilidade de uma forma de ler o Novo Testamento que ilumina o modo e o motivo para ser boas novas para os muçulmanos. De ponta a ponta, a Bíblia fala ao mundo do islamismo e para a desorientação do povo secular e cristão que está tendo dificuldades para o entender.
Qual a implicação para os líderes evangélicos? Vamos colocar a Bíblia “em conversa” seria com o pensamento islâmico e o povo muçulmano, pregando todos os desígnios de Deus ao nosso mundo que sofre.
Os muçulmanos ainda estão aguardando a vinda de Jesus e de outras figuras messiânicas, que vêm para lidar definitivamente com o mal, destruindo os maus e salvando os bons. Tal como os cristãos também aguardam o julgamento final, que diferença faz nas nossas vidas e naquilo que pregamos o fato de o Messias já ter vindo e de ter lidado com o mal na cruz?  A cruz é o sacrifício aceitável disponível para quem é como Caim tanto como para quem é como Abel. Ela desafia todas as fusões de religião e poder, juntando, de uma vez para sempre, o julgamento que purifica e a dor que perdoa. De que forma podemos fazer dessa cruz a base de todas as nossas respostas ao islamismo?

Notas

  1. Taweezé uma palavra do urdu geralmente traduzida como “amuleto”. Ela se refere a um objeto usado ao pescoço ou atado de outra forma na pessoa. Nele está contido um papel com alguns versos do Corão ou diagramas místicos. A sua preparação é realizada por um religioso bem conhecido do povo, sendo considerada uma forma de combater problemas que podem ir da doença física ao comportamento inaceitável ou à proteção contra a magia negra. 
  2. Para ler e saber mais sobre o debate em torno desta ocorrência, consulte, por exemplo, https://www.theguardian.com/uk-news/2016/sep/05/alleged-killer-imam-court-islamic-state-rochdalehttp://www.asianimage.co.uk/news/14748549.Why_was_use_of_taweez_s_so_offensive_to_killers_/ 
  3. Esta é, de acordo com o Times, a percentagem de pessoas que admitem usar o taweez num inquérito realizado pela Pew em 2006. The Times, 17, n.º 9 (2016): 15. 
  4. Ida Glaser, The Bible and Other Faiths (Langham: InterVarsity, 2005). 
  5. Ida Glaser and Hannah Kay, Thinking Biblically about Islam (Langham: Langham Global Library, 2016). 
  6. Muitas passagens bíblicas e livros apresentam esta estrutura. A e A’ indicam qual é o argumento, sendo que o ponto central é o elemento fundamental.. 
  7. Nota do editor: consulte o artigo de Jonathan Andrews intitulado “Living as a Christian, Registered as a Muslim?” (Vivendo como cristão, registado como muçulmano?) na edição de março de 2017 da Análise Global de Lausanne
  8. João 1:14 é a chave hermenêutica. 
  9. A extensão das respostas diferentes do Corão é um assunto de grande debate, especialmente onde os silêncios são preenchidos por tradições de polêmica anticristã. Consulte, por exemplo, o debate de questões em torno da crucificação na obra The Crucifixion and the Qur’an: a study in the history of Islamic thought, de Todd Lawson (Oxford: OneWorld, 2009). 

Photo credits

Feature image from ‘Making dua‘ by Omar Chatriwala (CC BY-NC-ND 2.0).
Ida Glaser é a diretora do Centre for Muslim-Christian Studies (Centro de estudos muçulmano-cristãos) em Oxford, no Reino Unido, associado à Crosslinks, agência missionária anglicana. É tutora associada em Wycliffe Hall e membro da Faculdade de Teologia e Religião na Universidade de Oxford. É co-editora da nova série Routledge Biblical Interpretation in Islamic Context series. Este artigo apresenta o seu último livro, Thinking Biblically about Islam (Langham, 2016).

domingo, 14 de maio de 2017

O ciclo de poder de Jesus


"Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem." – Romanos 12:21
Seria o efeito dos medicamentos? Seria um sonho confuso? Ou seria uma função prejudicada do cérebro que os médicos previram? Qualquer que fosse o cenário, era desconcertante.
“Nuri”, um muçulmano vivendo no norte da Índia, esteve no hospital por vários dias. Agora, na névoa da fadiga e remédios, ele viu seu filho, “Rasheed”, acompanhado por um hindu, religião tradicional na Índia. E o hindu, que depois veio a ser conhecido como “Pavaak”, estava gritando: “Nuri, seja curado em nome de Jesus!”
Toda essa confusão começou com uma disputa por terra entre seus vizinhos muçulmanos. Como Nuri se recusava a entregar um pedaço do lote da família, a disputa se tornou violenta, até que os vizinhos do clã armaram uma emboscada e bateram nele com varas de bambu até acharem que ele tinha morrido.
Seriam os remédios? Seria apenas uma questão de tempo? Ou seria a oração fervorosa do hindu invocando o nome Jesus? O que quer que estivesse dirigindo o cenário, Nuri deixou hospital poucas semanas depois, em condições muito melhores do que os médicos esperavam. Além disso, sua vida e a de seu filho foram mudadas para a eternidade.
Durante a recuperação, Nuri teve bastante tempo para pensar no que aconteceu. Inicialmente, ele estava bem irado. Ele havia vivido de acordo com as tradições muçulmanas. Ele ordenou ao seu filho que tomasse uma esposa quando Rasheed tinha apenas 13 anos de idade. Nuri continuou a seguir os costumes islâmicos da área, obrigando Rasheed a tomar uma segunda esposa há poucos anos atrás. Seguir estas tradições trouxe muitos problemas à família, pois alimentar duas bocas a mais não é nada fácil.
E que gratidão recebeu? Muçulmanos tentaram roubar a terra de onde ele tirava o sustento de sua família. Depois de espancado, não foi um muçulmano que veio orar por ele. Quem veio orar foi um hindu, que se tornou cristão. Pavaak desconsiderou o complicado sistema de castas da nação para mostrar amor e preocupação por Nuri.
Pavaak levou seu amigo, “Bill”, um trabalhador da Frontiers que mora na cidade, para visitar Nuri e Rasheed no hospital. Foi assim que eles entenderam quem era Jesus, aquele que Pavaak citava em suas orações. A medida que Bill explicava o papel do pecado, Nuri e Rasheed entenderam melhor a motivação de seus vizinhos. Quando Bill descreveu como, através da cruz, Jesus quebrou a maldição do pecado, Nuri e Rasheed estavam prontos para seguir Jesus.
Finalmente, à medida que Bill os ensinava sobre perdão, Nuri e Rasheed foram capazes de retornar ao lugar onde puderam ter paz com seus vizinhos. Aquele perdão não passou desapercebido pelos muçulmanos. Logo os vizinhos estavam se perguntando como vítimas de injustiça eram capazes de perdoar e Nuri e Rasheed responderam: “Cristo crucificado!”
Desde que recebera alta do hospital, Rasheed continuou a estudar com Bill acerca de Jesus. Seu testemunho estimulou outros muçulmanos a aceitarem o Salvador. Atualmente, Bill está ensinado aos novos seguidores a usarem suas influências na comunidade para criar um reavivamento por Jesus.
Através da fé em Cristo, velhos ciclos são quebrados. O sistema de casta entre hindus e muçulmanos, o espírito de violência dentro da comunidade islâmica e a falta de perdão entre vizinhos foram substituídos por um novo ciclo – o ciclo de amor – pelo poder de Jesus.

sábado, 25 de março de 2017

Entenda a crise na conturbada Somália


Entenda a crise na Somália

BBC
Combatente das milícias islâmicas na Somália
Milícias islâmicas contam com apoio da população em Mogadíscio
A guerra na Somália se intensificou com o envolvimento de forças militares etíopes no conflito entre o governo interino somali e a milícia islâmica que controla boa parte do país.
Forças etíopes e do governo tomaram várias cidade que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI) e avançam em direção à capital, Mogadíscio.
As últimas informações eram de que as milícias estavam se retirando de suas posições.
O número de mortos ainda é incerto. Ambos os lados afirmam que mataram vários oponentes. A ONU está preocupada com a precária situação dos milhares de refugiados deixados pelo conflito.
Entenda melhor o conflito na Somália e os interesses em jogo.

Quem, afinal, governa a Somália?
É um governo interino - liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf e reconhecido pela comunidade internacional - tido como fraco e cada vez mais impotente para lidar com as milícias das União das Cortes Islâmicas (UCI).
O ministro da Defesa teve que fugir com suas tropas quando as UCI avançaram sobre o porto de Kismayo, até então controlado pelo governo.
O governo, cuja sede fica em Baidoa, pediu ajuda internacional. O Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar o governo.
O apoio mais consistente ao governo vem da Etiópia, que iniciou uma incursão militar direta na Somália contra alvos da milícia islâmica.

O que é a União das Cortes Islâmicas?
Trata-se de uma rede formada por 11 tribunais islâmicos criados na capital somali, Mogadíscio, financiados por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia na cidade.
O objetivo da UCI é restaurar e impor a Sharia, lei islâmica, e por fim à impunidade e a criminalidade na região. Moradores locais disseram que a atividade criminosa foi reduzida na cidade graças às milícias.
Mas há temores de que o objetivo real das milícias seria o de transformar a Somália num Estado islâmico.
Os Estados Unidos temem que a UCI esteja dando refúgio a militantes da Al-Qaeda, e acredita-se que Washington esteja apoiando a aliança de líderes tribais formada em Mogadíscio para combater a milícia.

Quem apóia a União das Cortes Islâmicas ?
A milícia tem ficado cada vez mais popular entre os residentes da capital somali, mas não se sabe ao certo de onde vêm as armas e o financiamento de sua campanha militar.
Um relatório da ONU disse que as Cortes estavam sendo providas de armas pela Eritréia, e que o governo interino somali estava sendo armado pela Etiópia.
Houve quem dissesse que a UCI estaria sendo financiada pela Arábia Saudita.

Quais são as supostas ligações com a Al-Qaeda?
A UCI nega qualquer ligação com a Al-Qaeda. Mas diplomatas acreditam que pequenos grupos de militantes, entre eles estrangeiros, estariam operando no país.
Houve pelo menos quatro ataques contra alvos dos Estados Unidos ou Israel em países do leste africano, todos eles ligados à Somália.

Qual é o papel da Etiópia no conflito?
A Etiópia estava preocupada com o avanço da milícia islâmica na Somália, que considera uma ameaça, e, por isso, resolveu intervir com uma ação militar no país vizinho.
O Exército etíope enviou tanques e artilharia pesada ao país, e jatos da força aérea etíope bombardearam alvos da milícia islâmica.
O exército da Etiópia é um dos maiores e mais bem-equipados da África, com mais de cem mil soldados treinados.
O primeiro-ministro etíope, Meles Zeawi, disse querer uma guerra "rápida e vitoriosa".
Vários grupos rebeldes tinham prometido resistir ao avanço etíope - o que parece não ter se concretizado.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Reunião de artigos de Ali Kamel sobre o fundamentalismo isl@miko


No ano de 2004 o jornalista Ali Kamel, de O Globo, escreveu três artigos sequenciais sobre a Irmandade Muçulmana, fundamentalismo e Bin Laden, interligando o advento das ideias radicais aos eventos do terror, e explanando sobre os dois principais teóricos do novo radicalismo islâmico: Hassan Al-Banna e Sayyid Qutb (da Irm@ndade Muçulm@na). Os artigos acabaram se tornando de certo modo 'clássicos', e apresentam um bom panorama inicial para a compreensão do radicalismo. Reuni os três artigos num único pdf, que disponibilizo AQUI para download ou leitura online.

quinta-feira, 12 de março de 2015

12 fatos que o Ocidente ainda não entendeu sobre o Estado Islâmico

Syrie: les islamistes imposent des règles aux chrétiens à Raqa_© MAHMUD AL-HALABI / AFP

Despertou furor um artigo publicado na atual edição da revista norte-americana The Atlantic: “What ISIS Really Wants” [“O que oEstado Islâmico realmente quer”], escrito por Graeme Wood. Enquanto as fantasias ocidentais reduzem o Estado Islâmico a um bando de psicopatas altamente descontentes, o autor vai mais a fundo e o descreve como uma força descomunal, alicerçada solidamente em uma mistura coesa de ideologia e fé.
 
De acordo com Wood:

1. O Estado Islâmico e a Al-Qaeda estão muito longe de ser a mesma coisa.

O Estado Islâmico já eclipsou a Al-Qaeda e considera seus líderes como apóstatas. É um grave erro ocidental o de não perceber a diferença entre esses dois grupos, particularmente no tocante à sua forma de interpretar o Alcorão.

2. O Estado Islâmico defende a estrita observância do Alcorão e se proclama responsável pelo cumprimento das suas profecias apocalípticas.

Os seguidores do grupo são muito bem doutrinados na fé e seguem a lei islâmica ao pé da letra, o que inclui a “obrigação” de praticar crucificações e amputações e de impor a escravidão.

3. O Estado Islâmico se considera um califado.

O grupo conseguiu cumprir o requisito de possuir um território próprio: depois de ocupar a área ao redor de Mosul, no Iraque, eles têm hoje um território tão grande quanto o do Reino Unido. Agora, os crentes são obrigados a observar todas as leis da sharia. Em tese, isto implica a imigração dos fiéis ao califado.

4. Os membros do Estado Islâmico acreditam que têm um papel a desempenhar no armagedom.

Para eles, está profetizado que haverá uma grande batalha contra “Roma” em Dabiq, na Síria; que eles conseguirão saquear Istambul; e que acontecerá um confronto final com um anti-Messias antes do retorno de Jesus, no final dos tempos.

5. O atual foco do Estado Islâmico é a ofensiva jihadista de expansão.

Uma vez estabelecido, o califado deve expandir-se para territórios não muçulmanos, conquistando novas terras pelo menos uma vez por ano. Suas táticas – decapitações, crucificações e escravização de mulheres e crianças – têm o objetivo de aterrorizar os inimigos e apressar o fim do conflito.

6. Os Estados Unidos não foram capazes de reconhecer o abismo entre o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.

O resultado mais imediato deste erro foi tentativa bizarra e falida de libertar o refém norte-americano Peter Kassig. Os Estados Unidos recrutaram um veterano da Al-Qaeda para interceder junto ao Estado Islâmico em favor de Kassig. A ideia foi um fracasso e culminou na decapitação do refém.

7. Território é um requisito essencial para a existência do Estado Islâmico.

Portanto, se eles perderem seu território, deixarão de ser um califado – o que é um argumento tentador a favor de uma intervenção estrangeira.

8. O Estado Islâmico deseja essa invasão!

Ela reforçaria os recrutamentos e a radicalização de muçulmanos em todo o mundo – o que é um argumento muito forte contra a intervenção estrangeira.

9. O Estado Islâmico pode se tornar vítima do próprio sucesso.

É questão de tempo até que a massa de crentes pobres e com altas expectativas se veja diante da privação econômica, da frustração e da redução do número de fiéis que migram para o califado. Mas o mais provável é que esse tempo não chegue tão cedo.

10. Se a Al-Qaeda se aliar ao Estado Islâmico, será catastrófico.

É por isso que Wood considera tão imprudente a tentativa feita pelo governo Obama de abrir canais de comunicação entre a Al-Qaeda e o Estado Islâmico durante as negociações para libertar reféns.

11. A maioria dos muçulmanos não apoia o Estado Islâmico.

Alguns por serem "moderados" e desconfiarem de qualquer tipo de devoção linha-dura (esses muçulmanos, aliás, são considerados apóstatas pelo Estado Islâmico). Outros se opõem ao Estado Islâmico por motivos conservadores e baseados nas escrituras, como é o caso de segmentos salafistas que preferem abster-se do conflito com outros muçulmanos e concentrar-se no aperfeiçoamento da própria vida pessoal.

12. A fé e a confiança do Estado Islâmico na própria missão divina transforma o grupo num inimigo formidável.

Eles promovem o armagedom prefaciado por uma guerra prolongada. E é improvável, por isso mesmo, que se deixem comover por apelos aos seus “interesses” não religiosos.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Boko Haram, o terror que ameaça a Nigéria

O maior PIB do continente tropeça na corrupção e na ineficiência e fica à mercê dos terroristas que sequestraram mais de 200 estudantes no norte do país

Edoardo Ghirotto - http://veja.abril.com.br/
Homem segura um cartaz pedindo a libertação das meninas sequestradas pelo Boko Haram
Homem segura um cartaz pedindo a libertação das meninas sequestradas pelo Boko Haram (Sumaya Hisham/Reuters/VEJA)
A comemoração da notícia de que a Nigéria havia superado a África do Sul e se tornado a maior economia do continente durou pouco. Menos de dez dias depois, o país mais populoso da África foi abalado pelo sequestro de mais de 200 estudantes no estado de Borno, nordeste do país. O grupo terrorista Boko Haram assumiu a autoria do rapto que mobilizou governos e personalidades de vários países em torno da campanha #BringBackOurGirls (‘Devolvam nossas Meninas’). Em vídeo, o chefe da organização, Abubakar Shekau, ameaçou vender as jovens e obrigá-las a se casar. O fato de Shekau ainda fazer propaganda do movimento é uma prova da incompetência do governo nigeriano em lidar com o problema, uma vez que o terrorista havia sido dado como morto pelo Exército em duas ocasiões.
“O Boko Haram foi de um grupo de pregadores, a um grupo armado, a um grupo terrorista, a insurgente, e agora quer se firmar como governo. Um dos principais problemas é que a resposta do governo para combatê-lo não está evoluindo tão rápido quanto o Boko Haram”, disse ao site de VEJA Adunola Abiola, fundadora do centro Think Security Africa, sediado em Londres.
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O Boko Haram foi criado em 2002 pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf, que fundou um complexo religioso em Maiduguri, também no nordeste do país, onde a resistência da população à educação ocidental é grande. Os muçulmanos da região ainda se recusam a matricular suas crianças em escolas públicas e muitas famílias enviaram seus filhos para a escola islâmica que faz parte do complexo e que serve como um campo de recrutamento de jihadistas, como apontou a rede britânica BBC.
Boko Haram significa “a educação não islâmica é pecaminosa” e foi assim que o grupo ficou conhecido, apesar de seu nome completo dar uma ideia melhor de seus objetivos: ‘Pessoas Comprometidas com a Propagação dos Ensinamentos do Profeta e da Jihad’. A organização, de fato, não está interessada apenas em barrar a educação ocidental. Sua meta é implantar um estado islâmico na Nigéria. Este objetivo passou a ser buscado por meio da violência a partir de 2009, ano em que Yusuf foi capturado e morto. Desde então, tendo Shekau como novo chefe, os radicais já foram responsáveis por mais de 3.000 mortes. Eles são especialistas em matar “infiéis” – o que inclui policiais, políticos e clérigos de outras tradições muçulmanas, além de cristãos – e incendiar igrejas e instalações militares, não apenas no norte do país, mas em várias regiões, incluindo a capital, Abuja.
A base de ação, no entanto, está mesmo no norte, onde a defesa da sharia é algo presente. Contudo, mesmo as pessoas favoráveis a ela também são atingidas pela violência do Boko Haram e não acreditam que a conduta do grupo esteja de acordo com a lei islâmica. Além disso, a corrupção “aliena o governo, o Boko Haram e seus patrocinadores do espectro da população”, afirma Adunola.
O medo como arma – Na atual crise provocada pelo rapto das estudantes, o governo nigeriano mostrou mais uma vez despreparo para lidar com o terror. O Exército anunciou que as meninas haviam sido resgatadas, informação que foi desmentida pelos familiares das vítimas. Em outra declaração desastrada, antes do rapto das jovens, o presidente Goodluck Jonathan tentara minimizar a gravidade do terrorismo no país ao afirmar que Boko Haram era um “desafio temporário”. Até agora, as autoridades do país tiveram como foco derrubar linhas de comunicação e minar a habilidade operacional da organização. Em maio do ano passado, um estado de emergência foi declarado em três estados do norte onde a presença dos terroristas é mais forte: Borno, Yobe e Adamawa.
HO/Boko Haram/AFP
O terrorista Abubakar Shekau aparece discursando em um vídeo divulgado pelo Boko Haram
“O Boko Haram opera clandestinamente e desencadeia um ciclo vicioso de violência. E o governo tem utilizado meios opressivos e indiscriminados para lidar com o grupo, o que muitas vezes resulta em mortes de civis”, alertou Rona Peligal, vice-diretora da divisão africana na ONG Human Rights Watch (HRW). O grupo tem ainda outra arma perigosa em mãos: o medo. Segundo Adunola, a tática dos terroristas é subjugar a população civil com a ideia de que o governo não tem como protegê-la. “A luta real está em andamento nos corações e nas mentes dos civis e o governo não parece estar respondendo de forma eficiente a isso”.
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Impacto econômico – Tendo o petróleo como a principal fonte de recursos, a Nigéria tem na falta de segurança um entrave para novos investimentos no setor. A agricultura é outro componente crucial para a economia e tem apresentado crescimento. E é da agricultura que vem a riqueza da maior parte da população nas regiões onde o Boko Haram se faz mais presente. “As pessoas não podem cuidar de suas fazendas devido à violência recorrente, e têm seu gado roubado por integrantes do grupo e outros bandidos”, lamenta Adunola.
Nesta semana, a capital Abuja foi sede do Fórum Econômico para a África, iniciado com um minuto de silêncio em apoio às famílias das vítimas. Na primeira sessão plenária do encontro, o presidente Jonathan agradeceu os países que se comprometeram a enviar especialistas para ajudar a resgatar as adolescentes e declarou que o sequestro “marca o início do fim do terrorismo na Nigéria”. Para o bem das estudantes, de suas famílias e do país, é bom que dessa vez a declaração do governante se confirme. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Conheça um pouco sobre as divisões internas do Isl@mismo



Muçulmanos ou Islâmicos

São os seguidores do Islã ou Islamismo, a segunda maior religião do mundo, com mais de 1,6 bilhão de adeptos (atrás apenas do Cristianismo, com 2,2 bilhões de fieis). O Islamismo é uma religião monoteísta que tem o Corão como livro sagrado e Maomé como o principal profeta. O Corão é considerado a palavra revelada de Deus e os ensinamentos de Maomé, chamados de ‘suna’, são exemplos da conduta muçulmana. A população muçulmana se divide entre sunitas, 85%, e xiitas, 15%. Essas duas correntes, contudo, contêm diversas subdivisões.


Divisão entre Sunitas e Xiitas

Maomé morreu no ano 632 d.C. sem deixar sucessor. Os califas (líderes espirituais) que o sucederam foram escolhidos por aclamação entre os fiéis. Porém, muitos muçulmanos queriam que a sucessão respeitasse os laços consanguíneos do profeta, o que apontava para Ali bin Abi Talib, primo e genro de Maomé, que também insistia na sucessão dentro da linhagem imediata da família.
A expressão Shi’atu Ali – “partido de Ali”, em árabe – deu origem ao termo “xiita”. Ali só foi aclamado califa em 656 d.C., depois que os três líderes religiosos anteriores morrerem. Sua ascensão deu origem a uma guerra civil e acabou com a unidade entre os muçulmanos.
Os xiitas seguem uma forma mais interpretativa da suna, a compilação dos ensinamentos de Maomé, adaptando seus preceitos aos dias atuais. Os sunitas acreditam que se deve seguir a suna à risca, por isso, consideram os xiitas heréticos e os tratam como cidadãos de segunda classe nos países onde são minoria.

Subdivisões entre xiitas

Alauitas: Os alauitas veneram santos cristãos, comemoram o Natal e a Páscoa e não usam véu. Para eles, Ali é mais importante que Maomé. Consideram-se xiitas, mas, para muitos muçulmanos, não passam de uma seita peculiar. 
Duodecimanos: maioria entre os xiitas. Para eles, existiram doze descentes de Ali com direito a guiar o Islã. O mais novo deles teria desaparecido no século IX e retornará um dia para liderar o povo muçulmano.
Ismaelitas:  Distanciaram-se dos duodecimanos no século VIII e reconhecem apenas sete descendentes de Ali (o último deles se chamava Ismael).
Zaiditas: Reconhecem apenas os cinco primeiros imãs e divergem quanto à identidade do último deles. Não acreditam na infalibilidade dos imãs nem que eles tenham inspiração divina.

Subdivisões entre sunitas

Hanafitas: Membros da primeira escola jurídica, que estabeleceu o Corão, as tradições de Maomé e a analogia como bases para a lei islâmica. Apesar de se apoiarem na unidade da comunidade muçulmana mundial, aceitam os costumes locais como fonte secundária de aplicação da lei.
Malikitas: Para eles, a legislação se baseia principalmente nos costumes das comunidades que viviam na Medina antiga, priorizando as opiniões tradicionais e a analogia em um julgamento legal. A hadith (conjunto de narrações tradicionais de palavras e atos de Maomé) não deixa de ser utilizada, mas isso é feito mais arbitrariamente.
Shafitas: Fazem o julgamento legal com base principalmente no Corão e na suna e são mais rígidos em relação a decisões pessoais sobre temas que não estão no Corão. O consenso e a analogia são vistos como secundários, utilizados apenas para resolver possíveis ambiguidades.
Hanbalitas: Aceitam como guias apenas o Corão e a suna. Somente um imã tem autoridade para opinar, e, caso haja discordância entre dois imãs, a posição daquele que estiver mais de acordo com as escrituras prevalecerá.
Wahabitas: O wahabismo é uma forma puritana do sunismo que acredita que os livros sagrados devem ser seguidos literalmente. A interpretação dos sábios não é aceita. Os wahabitas mais conservadores consideram os xiitas e demais muçulmanos hereges.
Ibaditas: Não são considerados nem sunitas nem xiitas, apesar de terem mais semelhanças com os primeiros. Para eles, o líder muçulmano deveria ser escolhido pelos chefes das comunidades com base em sua sabedoria e piedade. Não deveriam ser consideradas a raça nem a ascendência do candidato.

Salafistas
São adeptos de uma corrente mais radical do islamismo político. Entre os salafistas são comuns os casamentos arranjados e a poligamia. Alguns compram suas mulheres. Conhecidos por impor sua ideologia, almejam a restauração do Império Islâmico do século VII, cujo domínio se estendia por todo o Oriente Médio até a Espanha. 

Drusos
São uma pequena facção islâmica muito fechada e com ritos secretos. Eles habitavam a região das Colinas de Golã, território no sul da Síria ocupado por Israel na guerra de 1967. Em árabe, Golã significa ‘a montanha dos drusos’.  Hoje, os drusos encontram-se espalhados no Líbano, Israel, Síria, Turquia e Jordânia.

Bahá'ís
Ex-xiitas que elaboraram uma nova religião monoteísta juntando conceitos islâmicos, judaicos e cristãos. Foi fundada por Bahau Lláh na Pérsia do século XIX, região que hoje abriga o Irã. Estima-se que existam entre cinco a seis milhões de bahais espalhados por mais de 200 países. Os bahais não possuem dogmas, clero, nem sacerdócio. Incluem entre seus mensageiros sagrados Krishna, Abraão, Buda, Jesus e Maomé. Hoje há cerca de 300 000 bahais no Irã, onde são perseguidos pela maioria muçulmana que os considera hereges.

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