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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Conheça o festival Naadam, as 'olimpíadas' da Mongólia


naadam-abertura
Por Camila Maccari

A Copa acabou, o Brasil, por incrível que pareça, conseguiu um honroso 4º lugar, mas, do outro lado do mundo, um país inteiro estava ligado a outra competição. Na Mongólia, o grande torneio tem pessoas montadas em cavalos correndo pelas estepes. Esse é Naadam, festival em homenagem ao Gêngis Khan, o grande imperador mongol.

Todo jovem mongol, independentemente do sexo, sonha em ganhar uma medalha no Naadam, maior festival de esportes da Mongólia, inspirado no treinamento militar dos exércitos de Gênghis Khan, o conquistador que unificou um império duas vezes maior que o Brasil e fez fama pelas carnificinas em guerra.
Neste ano, o torneio coincidiu com a fase final do Mundial de futebol no Brasil. Com atletas de todos os cantos da Mongólia e turistas do mundo todo, o país também ficou em clima de festa. Mas a deles está mais para uma olimpíada. E cada cidade e aldeia celebra o festival, mas o mais famoso é o da capital, Ulan Bator.
A competição mais aguardada é a corrida de cavalos, disputada até por crianças, que atravessam 20 km entre as estepes. A festa, que começa no Estádio Central, é cheia de pompa, autoridades e VIPs que esperam a chegada dos nove estandartes brancos de Gêngis Khan para a abertura oficial. É a oportunidade perfeita para conhecer um pouco da cultura local: são mais de duas horas dedanças religiosas budistas, canções tradicionais, desfile de motoqueiros e shows de rock nacional. Certamente mais interessante que abertura da Copa no Itaquerão.
No fim do dia, a maioria permaneceu nas estepes e dormiu em uma ger, habitação circular que serve de quarto e sala e é utilizada pelos nômades, que representam 30% da população local. Como os exércitos de Gêngis Khan, eles se movimentam por campos e aldeias.
Além de aproveitar o festival, o verão é a melhor época de conhecer Ulan Bator sem voltar asfixiado. A cidade vive em acelerado crescimento econômico por causa mineração, que dá a ela outro título, de capital mais poluída do mundo. No inverno, além do carvão das usinas, a população utiliza o mineral para se aquecer de temperaturas que chegam a -30°C – na época do Naadam, as temperaturas chegam a agradáveis 20°C.
Dá para passear pelas ruas abarrotadas de gente (mais de 30% da população do país vive na capital), admirar modernos edifícios e antigos monumentos. Sem parar, coma de pé um buuz, tradicional bolinho recheado de carne de carneiro no vapor, acompanhado de chá gorduroso feito com leite salgado, combo mais pedido da rede de fast-food Khan Buz.
E, diferentemente da nossa Copa, a dos mongóis ocorre todo ano.
Naadam_women_archery
Naadam_wrestling

O festival é patrimônio imaterial da Unesco, que mostra como é a coisa toda neste vídeo:

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Antes que eles deixem de existir: 29 tribos e culturas que resistem aos nossos tempos

Jimmy Nelson
Lucina Ribeiro -   http://papodehomem.com.br
Vi essas fotos primeiro no IdeaFixa e, logo depois, no Hypeness. Achei realmente incríveis as imagens, mas senti falta de um pouco mais de informação sobre aqueles que estavam sendo retratados. Quais eram aquelas culturas? Como pensavam aquelas pessoas? De onde vieram? Não que fosse um problema dos respectivos sites que serviram de fonte – já que a proposta deles é exatamente mostrar o apelo estético e criativo –, mas aquilo despertou em mim uma certa curiosidade motivada por um pequeno insight:
A cada dia, morre um último integrante de uma cultura.
Com isso, nunca mais vamos poder saber o que essa cultura sabia, nunca mais vamos poder beber de todo um universo de conhecimentos e sabedorias que foram úteis e garantiram a sobrevivência desse grupo. E, sejamos humildes, temos muito o que aprender e lembrar, baseados nestes velhos mitos e tradições.
Jimmy Nelson é um fotógrafo que decidiu tomar para si a missão de registrar diversos grupos que estão desaparecendo com o contato com os dias de hoje.
Ele viajou o mundo com o objetivo de conhecer tribos e culturas ameaçadas de extinção. São 15 milhões de pessoas em 29 tribos.
Traçou uma jornada percorrendo os territórios da Etiópia, Indonésia, Papua Nová Guiné, Quênia, Tanzânia, Nova Zelândia, Mongólia, Sibéria, Nepal, China, Vanuatu, Argentina, Equador, Namíbia, Índia, Sibéria e a Península de Chukotka.
Encontrou com representantes de tribos CazaquesHimbaHuliAsaro, Kalam, Goroka, Chukchi,Maori, Mustang, Gauchos, Tsaatan, Samburu, Rabari, Mursi, Ladakhi, Vanuatu, Tibetanos, Huaroani, Drokpa, Dassanech, Banna, Karo, Hamar, Arbore, Dani, Yali, Korowai, Nenets e Maasai.
O resultado foi um documentário (cujo primeiro episódio está no Youtube) e um livro chamadoBefore They Pass Away, com informações e fotografias dos povos visitados.
Escolhi abaixo uma foto de cada, indicando qual é a tribo, de onde ela é e com uma tradução de citações das respectivas culturas, coletadas pelo Jimmy Nelson.

Cazaques (Cazaquistão)

Kazakh
“Bons cavalos e águias fortes são as asas dos Cazaques”

Himba (Namíbia)

himba
“Não comece um cultivo com gado, comece um cultivo com pessoas.”

Huli (Papua-Nova Guiné)

huli
“O conhecimento é só um rumor até que ele esteja nos músculos.”

Asaro (Papua-Nova Guiné)

asaro

Kalam (Papua-Nova Guiné)

kalam

Goroka (Papua-Nova Guiné)

goroka

Chukchi (Península de Chukotka)

"A forma como você trata seu cachorro determina seu lugar no paraíso."
“A forma como você trata seu cachorro determina seu lugar no paraíso.”

Maori (Nova Zelândia)

maori
“Minha linguagem é o meu despertar, minha linguagem é a janela para minha alma.”

Mustang (Nepal)

mustang
“Aquele que sente culpa tem a voz mais alta.”

Gauchos (Argentina/Equador)

gauchos
“Um gaucho sem um cavalo é apenas um meio homem.”

Tsaatan (Mongólia)

tsaatan
“Se não existissem renas, nós não existiríamos.”

Samburu (Quênia/Tanzânia)

samburu
“Um ouvido surdo encontra-se com a morte, um ouvido que ouve encontra-se com bênçãos.”

Rabari (Índia)

"É de manhã, não importa quando você acorde."
“É de manhã, não importa quando você acorde.”

Mursi (Etiópia)

mursi
“É melhor morrer do que viver sem matar.”

Ladakhi (Índia)

ladakhi
“A terra é tão severa e os desfiladeiros tão numerosos que apenas os melhores amigos ou piores inimigos visitariam você.”

Vanuatu (Vanuatu)

vanuatu
“Garotas são como galhos de árvore de urtiga – em qualquer solo que as plante, elas vão crescer.”

Tibetanos (Tibet)

"É melhor ouvir uma vez do que ouvir muitas."
“É melhor ouvir uma vez do que ouvir muitas.”

Huaroani (Argentina/Equador)

"Como nossos ancestrais viveram, assim vamos viver. Como nossos ancestrais morreram, assim vamos morrer."
“Como nossos ancestrais viveram, assim vamos viver. Como nossos ancestrais morreram, assim vamos morrer.”

Drokpa (Índia)

drokpa

Dassanech (Etiópia)

dassanech
“Um amigo próximo pode se tornar um inimigo próximo.”

Banna (Etiópia)

banna

Karo (Etiópia)

karo

Hamar (Etiópia)

hamar

Arbore (Etiópia)

arbore

Dani (Indonésia/Papua-Nova Guiné)

"Se a mão não faz nada, a boca não mastiga."
“Se a mão não faz nada, a boca não mastiga.”

Yali (Indonésia/Papua-Nova Guiné)

yali

Korowai (Indonésia/Papua-Nova Guiné)

korowai

Nenets (Sibéria)

nenet
“Se você não beber sangue quente e comer carne fresca, está condenado a morrer na tundra.”

Masai (Quênia)

"Leões podem correr mais rápido, mas nós podemos correr mais longe."
“Leões podem correr mais rápido, mas nós podemos correr mais longe.”
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