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quinta-feira, 26 de março de 2009

Penitência e mortificação



O cardeal Eugenio de Araujo Sales recorda aos fieis a importância da «penitência, a necessidade da mortificação, o dever da ascese».





O arcebispo emérito do Rio de Janeiro (Brasil) –em artigo difundido pelo portal de sua arquidiocese– afirma que o tema da penitência é «frequentemente ausente nas homilias da missa e em outras oportunidades».





«Alguns católicos, dada a atmosfera reinante, poderão até se admirar que eu aborde o assunto, porquanto sua estrutura espiritual se encontra profundamente deformada.»





«Esses e outros, que fazem ouvidos moucos às candentes invectivas bíblicas na matéria, detestam ouvir tratar da importância da abstinência, do jejum, de sua exigência em tempo quaresmal e em cada sexta-feira do ano. Em todas as sextas-feiras do ano? Perguntarão, surpresos. Sim, respondo eu. Ou melhor, está bem elencado no cânon 1251, do Código de Direito Canônico», explica.





Segundo o cardeal, «as razões de tamanha modificação na vida cristã moderna são várias, como a secularização, o subjetivismo, a contestação. Abordemos duas outras».«A primeira é o ambiente hedonista que respiramos, que se transformou em critério de comportamento ou sinal de veracidade. Tudo o que restringe o gozo dos sentidos é desprezado.»





«A segunda razão desse abastardamento», segundo Dom Eugenio, «é a falsa interpretação das normas conciliares. O Vaticano II aperfeiçoou o conceito de penitência, dando ênfase à identificação com o Cristo».





«As privações, os sofrimentos e outros atos, sem serem desvalorizados, assumiram mais o papel de meio para alcançar a necessária semelhança com o Senhor. Tal diretriz faz desaparecer aquela casuística que insistia mais no acidental que no essencial.»





«Igualmente –prossegue o arcebispo–, foi dada mais liberdade na escolha do modo, mas não no cumprimento do dever, em si mesmo. Infelizmente, muitos entenderam “alterar” como suprimir a ascese que entrou em recesso para muitas pessoas que se declaram fiéis à Igreja.»O arcebispo recorda que, em 1986, «o presidente da CNBB promulgou a Legislação Complementar ao Código de Direito Canônico, no que se refere aos cânones 1251 e 1253».





«Ei-la: 1º: “Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade”.»





«2º: “A Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação, nestes dias, na Sagrada Liturgia”.»






«O texto, por sua clareza, dispensaria maiores comentários elucidativos. Entretanto, desejo sublinhar que as sextas-feiras de todo ano, ordinariamente, são dias de penitência. Os fiéis têm bastante liberdade de escolher o modo, a maneira e não o exercício da ascese», afirma(...)«No momento em que o mundo põe o prazer sem referência à lei moral num pedestal de falsa divindade, o cristão, embora minoria, deve cumprir, com maior afinco sua missão de fermento do Bem e luz nas trevas, em um mundo enlouquecido», afirma.




Fonte: Zenit.com


quarta-feira, 18 de março de 2009

Jejum: apelo à sobriedade de vida



O bispo de Angra (Portugal), Dom António de Souza Braga, considera que o jejum quaresmal constitui um apelo à sobriedade de vida.


Em uma Mensagem de Quaresma difundida (...) por Agência Ecclesia, Dom António de Souza recorda que «a caminhada penitencial da Quaresma deve levar-nos ao sentido originário do nosso batismo e às suas implicações concretas na vida do dia-a-dia».


«Através das práticas penitenciais, na linha da tradição bíblica: oração, jejum e esmola. Que caracterizaram sempre a caminhada quaresmal. Como expressão de conversão interior. De mudança na maneira de pensar e de agir», explica.


Segundo o bispo, nesta Quaresma do Ano Paulino, «somos convidados a uma leitura orante das Cartas de S. Paulo, que nos ensinam como ser cristãos, discípulos fiéis de Cristo e apóstolos audazes do Seu Evangelho».


«Neste mundo conturbado, à procura de um novo rumo, não há que ter medo de apresentar o Evangelho de Jesus, como caminho de progresso humano», afirma.


O bispo de Angra considera que ler a realidade à luz da fé «leva-nos a olhar para o momento presente, com os seus problemas e dificuldades, como ‘tempo favorável’, tempo oportuno de graça: kairós».


«Uma oportunidade para um salto de qualidade na civilização humana. Que vai, sem dúvida, custar sacrifícios. Mas que é caminhada para uma vida com abundância, conforme a promessa de Jesus. Que nos empenha e compromete.»


Nesse contexto, o bispo convida os fieis à prática do jejum. «Jejuar não é apenas abster-se de alimentos. O jejum constitui um apelo à sobriedade de vida. À contenção no consumo».
Isso «também em vista de uma maior partilha e entreajuda. Tão necessárias no mundo em que vivemos. Onde cresce o fosso entre ricos e pobres. Onde há famílias, que precisam de solidariedade efetiva».


Segundo o prelado, como o Bom Samaritano, «temos de nos fazermos próximo de todo o irmão que precisar de ajuda».


«É esse o sentido da prática tradicional da esmola. Que, às vezes, assume um significado pejorativo. Originariamente, era - e deve continuar a ser - expressão de solidariedade: ter piedade, capacidade de se com-padecer, de sofrer com», explica.


De acordo com o bispo, «foi assim o amor de Deus. Como Cristo no-lo revelou. Assim deverá ser o amor do próximo. No tempo e no lugar. Aqui e agora».



fonte: ZENIT.org

quarta-feira, 11 de março de 2009

Diferença entre jejum no cristianismo e em outras religiões

Diferença entre jejum no cristianismo e em outras religiões

Por Carmen Elena Villa

O jejum no cristianismo se distingue desta prática em outras religiões, pois tem por objetivo descobrir Deus, e não descobrir a si mesmo.
Quando os cristãos jejuam, «não se fecham em si mesmos», mas «se unem ao seu Senhor, que jejua por quarenta dias e quarenta noites no deserto».
Assim manifestou o cardeal Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício «Cor Unum», durante a coletiva de imprensa que concedeu nesta quarta-feira na Santa Sé, na qual foi apresentada a mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2009.

O sentido do jejum no budismo e no islã

Segundo declarou o purpurado alemão, que dirige o organismo vaticano encarregado de promover e coordenar a ação caritativa na Igreja, o objetivo do jejum, tanto no budismo como no islã, consiste em favorecer o cuidado do corpo, opondo-se à sua idolatria.

O cardeal assinalou como o sentido do jejum no budismo consiste no desapego dos bens terrenos, porque o corpo em si mesmo se converte em origem de sofrimentos: «deve desacostumar-se à ‘sede’ de coisas criadas, abandonar o desejo e as inquietudes que dele se derivam, matá-las dentro de si mesmo»; desta maneira se chega ao Nirvana, que consiste na extinção completa dos desejos.

Para o islã, o jejum é a quarta coluna que sustenta esta religião e uma prática obrigatória durante o mês do Ramadã.

Para os muçulmanos, existe outra razão para esquecer-se de tudo que é terreno: «Deus tem seu trono em uma distância infinita. Não se lhe pode encontrar no mundo. Só se comunica com a criação e com o homem mediante sua lei, a charia»; por isso, «seria uma heresia escandalosa afirmar que Alá tivesse como filho um membro do gênero humano».

O purpurado assinalou que o jejum em ambas as religiões tem algo em comum: «transcende a dimensão terrena e procura um objetivo muito além deste mundo: o ingresso no Nirvana ou a obediência a Alá, Senhor do céu e da terra».

Em ambas as religiões, «trata-se de libertar-nos do peso das coisas criadas», declarou.

O sentido do jejum cristão

Pelo contrário, para o cristão «o desejo místico não é nunca o descenso em si mesmo, mas sim o descenso na profundidade da fé, onde encontra Deus».

Ainda que seja importante aprender sobre as demais religiões, os cristãos devem aprofundar «na herança recebida e conhecê-la cada vez melhor. A revelação divina diz algo novo em cada época histórica; é inesgotável», constatou.

O cardeal deixou clara a diferença entre a rejeição do mundo por parte do budismo e as leis do Ramadã islâmico e da Quaresma cristã, que «oferece ao cristão um caminho espiritual e prático para exercitar sem recortes nem reservas nossa entrega a Deus».

Assinalou que, em sua mensagem quaresmal, o Papa não mostra o jejum com um aspecto negativo: «como poderemos nós desprezar nossa carne, se o Filho de Deus a assumiu, convertendo-se verdadeiramente em nosso irmão?».

Quando os homens jejuam com uma atitude interior de desejo de conversão, «em Cristo buscam a comunhão com o Tu divino. N’Ele buscam novamente o dom do amor que renova o ser cristão» e se comprometem «na luta contra a miséria, convertendo-se em mensageiros do amor de Deus».
Fonte: ZENIT.org

quarta-feira, 4 de março de 2009

O JEJUM QUE AGRADA A DEUS


Através dos escritos de Isaías, o povo de Israel se lamenta com Deus: “Porque jejuamos e vós não o vedes, porque nos mortificamos e vós não os sabeis?”


Mas Deus responde a esta pergunta: “É porque existem maneiras incorretas de se jejuar”


Dentro do texto que nos ocupa hoje, e que serve para a nossa meditação, jejuar e, ao mesmo tempo, ofender a Deus, desobedecendo aos preceitos ou mandamentos mosaicos; jejuar e ao mesmo tempo tornar-se violento, jejuar e ser agressivo, jejuar e não respeitar o direito do órfão, da viúva, do estrangeiro, jejuar e ao mesmo tempo cometer adultério, jejuar e levantar calúnias, ou então ser injusto nos negócios, este é um jejum que não agrada a Deus.


Na verdade Israel no passado jejuava, e jejuava muito mais do que nós jejuamos hoje, mas infelizmente, as mais das vezes, o jejum era acompanhado de todas estas práticas pecaminosas, e por isto mesmo, este jejum não agrada a Deus de forma alguma, não o agradou no passado, e continua a não agradar-Lhe no presente.


Nós somos chamados no início desta quaresma a jejuar, sobretudo com relação ao pecado. Sim cada um de nós conhece a lista de seus pecados, cada um de nós conhece os vícios que lhe tomaram conta da existência aos poucos.


Para uns, se trata de libertar-se da preguiça, e não se esqueçam, existe também uma preguiça espiritual, isto é, preguiça de rezar, preguiça de estar com Deus, preguiça de meditar.


Para um outro, se trata de coibir a sua gula, para um terceiro, jejuar da sua sensualidade exacerbada, para um quarto, jejuar com a língua, que infelizmente anda solta muitas vezes a falar mal do próximo, ou dos irmãos.


Este é um jejum que agrada sumamente a Deus. Cada um de nós olhe para dentro de si, em sua consciência, cada um de nós examine o que ainda não foi interiormente evangelizado, comece a jejuar a partir desta falta e deste pecado, Deus certamente levará em conta, e o conduzirá a uma restauração em Cristo.


Pe. Fernando J. C. Cardoso

Arquidiocese de São Paulo/SP

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Quaresma – Tempo de jejum, esmola e oração.

Fonte: Mensagem Cristã

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Resumo da Vida Católica (3)

DIAS DE PENITÊNCIA


São os dias mais apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, e a comunicação cristã de bens (obras de caridade e missionárias)."
A conversão se realiza na vida cotidiana mediante atos de reconciliação, a atenção aos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, pelo reconhecimento de nossas faltas ante os irmãos, a correção fraterna, a revisão de vida, o exame de consciência, a direção espiritual, a aceitação dos sofrimentos e o padecer a perseguição por causa da justiça. Tomar a cruz de cada dia e seguir a Jesus é o caminho mais seguro da penitência"[1].
Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da Quaresma, todas as 6ª-feiras em memória da morte do Senhor), são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola e a comunicação cristã de bens (obras caritativas e missionárias).
Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados por Lei Divina a fazer penitência; no entanto, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, foram fixados alguns dias penitenciais, nos quais os fiéis se dedicam de maneira especial à oração, realizam obras de piedade e caridade, e se negam a si mesmos, cumrindo com maior fidelidade as suas próprias obrigações e, sobretudo, observando o jejum e a abstinência[2].
Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todas as 6ª-feiras do ano e o tempo da Quaresma.Nesses dias, deve-se guardar
1. Abstinência de comer carne
Todas as 6ª-feiras, a não ser que coincidam com alguma solenidade, devemos guardar a abstinência de carne. A Conferência Episcopal pode substituir isto por outro sacrifício.
2. Jejum e abstinência
A 4ª-Feira de Cinzas e a 6ª-Feira Santa
A Lei eclesiástica obriga a guardar abstinência aqueles que já completaram 14 anos de idade e a praticar o jejum todos os maiores de idade (18 anos) até que completem 60 anos.
Os pastores de almas e os padres cuidarão para que também se forme um autêntico espírito de penitência naqueles que, por ainda não terem atingido a idade, não estão ainda obrigados ao jejum e à penitência.
Os bispos diocesanos podem assinalar dias especiais de festa ou de penitência para as suas dioceses ou lugares, porém mediante apenas por ato (em ocasiões especiais).
A Conferência Episcopal pode determinar em maiores detalhes o modo de se observar o jejum e a abstinência, assim como substituí-los no todo ou em parte por outras formas de penitência, sobretudo por obras de caridade e práticas de piedade.
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Notas:[1] Catec. Igr. Cat. §§ 1435, 1438; cf. Amós 5,24, Isaías 1,17, Lucas 9:23.[2] Cf. Cód. Dir. Can. 1244-1245, 1249-1253* * *

sexta-feira, 21 de março de 2008

A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião




O Dr. Piérre Barbet, cirurgião francês, estudou durante vinte e cinco anos a paixão de Cristo, à luz do Santo Sudário de Turim; após seus estudos escreveu um impressionante livro, com o título acima (Ed. Loyola), onde narrou os horrores que o Senhor sofreu na Cruz. Em seguida coloco um resumo dos seus escritos, pois relata bem o que se passava com Jesus.









Prof. Felipe Aquino – http://www.cleofas.com.br/








“Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte. Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.









O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas, e o faz com a decisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produziu o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas; o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.









Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.









Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.





Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, entrega-O para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos… A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.



Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros; Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos e os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.
Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida sabe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.


O sangue começa a escorrer; Jesus é deitado de costas; as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.



Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego; quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.



O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira.



Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu nada desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede… Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. É isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios.



A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.



Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável!




Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui.









Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas, todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”









Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”









E morre… Em meu lugar e no seu.”
Imagens: do filme "Paixão de Cristo" - Mel Gibson.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Semana Santa















Vivemos uma época essencial em nossa Igreja, e entraremos agora na SEMANA SANTA última semana da quaresma. Seguem abaixo, alguns ritos e explicações necessários, para vivermos de acordo esse momento tão importante, retirados da Página Oriente.
























Semana santa
















Chama-se santa, porque nesses dias se comemoram os maiores mistérios praticados por Jesus Cristo para a redenção do gênero humano. Começa com o:









Domingo de Ramos.
















Antes da missa paroquial, o sacerdote benze solenemente os ramos e os distribui ao clero e aos fiéis, que os levam primeiro em procissão e depois para as suas casas. (a "palha benta" , quando queimada e acompanhada de orações a Santa Bárbara, é eficaz contra trovões e tempestades).
















Esta cerimônia simboliza a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, seis dias antes de sua paixão. Durante a missa canta-se ou lê-se a narrativa da Paixão, escrita por São Mateus, (na terça-feira a de São Marcos; na quarta a de São Lucas e na sexta a de São João), que exprime claramente quais devem ser os sentimentos e afetos do verdadeiro cristão durante toda a semana santa.







Quinta feira Santa




A quinta-feira santa é consagrada à comemoração da instituição do Santíssimo Sacramento e do sacerdócio católico. As principais cerimônias desse dia são:









1. Em cada igreja paroquial e conventual celebra-se uma só missa, na qual os outros sacerdotes recebem, de forma particular, a ceia do Senhor, em que Jesus fez pela primeira vez a consagração e os Apóstolos comungaram de sua mão.

















2. A Igreja parece esquecer sua dor por um instante para festejar o grande mistério da Eucaristia. Os paramentos sacerdotais e o véu da cruz do altar-mor são de cor branca; ouve-se o cântico "Glória", durante o qual repicam solenemente todos os sinos, emudecendo depois até ao Sábado de Aleluia.

















3. O padre consagra duas Hóstias grandes, uma das quais conserva para o ofício da sexta-feira santa porque naquele dia, em que Jesus ofereceu o sacrifício cruento no monte Calvário, não há consagração nas santas funções.

















4. Terminada a missa, leva-se solenemente para outro altar, festivamente preparado e chamado santo sepulcro, a segunda Hóstia grande que acaba de ser consagrada e que há de servir no dia imediato, para a missa dos pré-santificados.

















5. Depois da cerimônia precedente, retiram-se do altar-mor o Santíssimo, adornos, panos, etc., enquanto o sacerdote, com os ministros, reza o salmo 21, no qual Davi profetizou a Paixão do Salvador com as circunstâncias de sua morte no Calvário.

















Os bispos consagram nas catedrais, durante a Missa, os Santos Óleos que devem servir para a administração do Batismo e da Extrema-unção, e em seguida o Santo Crisma, usado no Batismo, na Confirmação e na Ordem.









6. Em memória da humildade de Jesus, que neste dia lavou os pés dos Apóstolos, o bispo em sua catedral, os superiores em suas igrejas de convento, lavam os pés de doze pobres (ou ministros), beijam-nos com respeito, enxugam-nos com as próprias mãos, compenetrados dos mesmos sentimentos de humildade e caridade que tinha o Salvador. (É a cerimônia de "Lava-pés").

















7. Durante todo esse dia as irmandades e os fiéis em geral fazem guarda de honra a Jesus Sacramentado. (Adoração do Santíssimo Sacramento)

















Sexta-feira Santa.
















As cerimônias desse dia são todas lúgubres e tristes, porque visam representar o seu fundador.
















O celebrante e os ministros aproximam-se do altar. Chegados lá, prostram-se, estendidos no chão; depois erguem-se e procede-se à leitura de uma lição da Sagrada Escritura e da Paixão.
















Seguem as orações solenes que a Igreja faz por todo o mundo, mesmo por seus maiores inimigos, para imitar Nosso Senhor, que morreu por todos os homens. Ao concluí-las o celebrante, despindo a casula, dirige-se ao lado da epístola e descobre sucessivamente os braços e a cabeça da cruz; coloca-a no degrau do altar e, de pés descalços, prostra-se três vezes, adorando Jesus Cristo representado sobre a cruz. Finda esta cerimônia, traz-se ao altar, em procissão solene, a Hóstia Consagrada, que desde a véspera achava-se no santo sepulcro. Chegado o préstito ao altar, o sacerdote a levanta, para ser adorada, e comunga.









Sábado de Aleluia.
















Este dia é consagrado especialmente a honrar a sepultura de Nosso Senhor. As principais cerimônias são:









1. Bênção do fogo novo, que se tira de um silex, e com o qual se acende um círio de três bicos, outras velas e a lâmpada do santuário.
2. Bênção do Círio Pascal;
3. Leitura das profecias;
4. Bênção da Água Batismal;
5. Ladainha de todos os santos; e
6. Missa solene com glória, durante a qual se tocam os sinos e se cantam as aleluias. Ao meio dia acaba-se o tempo de Jejum, portanto, fim do tempo quaresmal.









Domingo - Festa da Páscoa.
























Lembra a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o predissera, ressurgiu dos mortos ao terceiro dia, provando assim sua divindade e a verdade da doutrina que ensinou.









Aproveitemos o tempo que nos é concedido viver nesta terra, para que possamos cumprir todos os preceitos do Senhor. Com muito empenho, especialmente neste tempo quaresmal, fujamos das más inclinações e peçamos a Deus forças para podermos proporcionar frutos da mais digna penitência e sincera conversão.

















* * * * * * * * *

Referência bibliográfica: História Sagrada do Antigo e Novo Testamento, 8ª Edição; Frei Bruno Heuser - O.F.M.; Editora Vozes, 1934.








sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Jejum:uma oração poderosa e tranformadora.






A quaresma é tempo de conversão, dentro dos exercícios espirituais, a oração, o Jejum e a esmola, tempo rico onde o Espírito Santo trabalha a nossa santificação. Uma pratica excelente de vida espiritual é o Jejum. Ele nos ajuda a rezar com o corpo e nos dá o dom da temperança, do domínio de si, para controlar os nossos apetites desregrados. Serve para o amadurecimento espiritual e para os combates que travamos todos os dias. “O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor?” (Isaías 58,5)


Fiquei pensando nestas passagens da liturgia da quarta-feira de cinzas, que o jejum que agrada a Deus vai muito mais além das praticas de mortificação ou abstinência. O verdadeiro jejum deve partir do coração, deve provocar libertação e mudança de vida, ou seja, de comportamento, se não vale de nada, mesmo porque a maior prova da vida de oração e jejum é o bem comum, atingi aqueles que eu provoco escravidão, o jejum precisa mudar o meu comportamento com Deus e com os meus irmãos. De que adianta rezar tanto se meu comportamento não muda, continuo maltratando as pessoas, trabalhando desonestamente e mantendo os outros escravos do meu homem velho.


“Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? - diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo”. (Isaías 58,6)


Muitas vezes associamos o jejum somente a privar-se de comer algo, muitas pessoas pensam em até emagrecer com o jejum. Existem muitas formas interessantes de ajudar nosso corpo a rezar: Já pensou em fazer jejum de silêncio, porque falamos demais e muitas veszes machucamos e cometemos erros. Já pensou em fazer jejum do consumismo e durante toda quaresma só comprar o estritamente necessário; não humilhar as pessoas, fazer um exercício de perdão, sempre dar o primeiro passo, jejuar do orgulho e da vaidade. Teve um ano que eu fiz jejum dos olhos, não vi TV durante quarenta dias e vigiei para não pecar pelo olhar: “os olhos são a janela da alma”.


“Jesus respondeu-lhes: Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela irá; e nada vos será impossível. Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum”. (São Mateus 17,20)


O jejum é uma grande força espiritual, “pois não lutamos contra homens de carne e sangue, mas com os espíritos malignos espalhados pelos ares”. Os Santos sempre fizeram do jejum uma arma contra as forças do mal e como Jesus disse aos seus discípulos a oração e o jejum são armas fortes contra o demônio. A fé exige atos práticos, que revelem os frutos de minha conversão. O próprio Jesus é mestre, ele orou e jejuou durante quarenta dias antes de começar sua missão pública, daí revestido do Espírito Santo pode realizar a sua missão salvadora.


Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. (São Mateus 4,4)


Deus abençoe o seu Jejum.
Minha benção fraterna.
Pe Luizinho,CN.



Para conhecer os tipos de jejum, baseado no livro "Práticas de Jejum" do Monsenhor Jonas Abib, clique aqui

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Recebi uma sugestão de falar um pouco sobre abstinência, e sua diferença do jejum. Como estamos em tempo de quaresma, é um tema muito propício.
Então vamos lá:
Jejum
Jejum, Jejum é ato que consiste em abster-se de comida ou bebida, total ou parcialmente, durante algum tempo. Na Sagrada Escritura, entendia-se por Jejum, não comer ou beber (e abster-se da vida conjugal) por determinado período.
O que a Sagrada Escritura pretendia positivamente era fazer as pessoas admitir que as necessidades humanas estavam dependentes de Deus. Isto significa que o Jejum não consiste em parar com uma coisa que é automática (autocontrole), e esperar por Deus.

A sensação da fome atua como uma constante lembrança de que se deve ouvir a voz de Deus, na prática de orações litúrgicas e através de celebrações e leituras da Sagrada Escritura :- Ele fez-te sofrer e passar fome; depois, alimentou-te com esse maná que tu não conhecias e que os teus pais também não conheceram, para te ensinar que o homem não vive somente de pão mas de tudo o que sai da boca do Senhor. (Deut. 8,3).

Portanto Jejuar não é apenas estar disposto a enfrentar e aceitar a fome como renúncia às provisões, mas sobretudo a aceitar a vontade e soberania do Provedor; Jejuar é como uma parábola viva ou uma "linguagem personificada" de quem torna visível ou exterioriza uma necessidade interior da Providência de Deus.
Dias de Jejum:

Segundo a lei da Igreja são estes os dias de Jejum obrigatório :
- Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Cân. 1251).
Entretanto, durante todo o ano, somos convidados a jejuar, mas especialmente na quaresma.

Abstinência:
O preceito da Abstinência refere-se privar-se de um alimento específico (normalmente carne) nos dias determinados pela Igreja. A Abstinência pode ser de comida (carne, doce, etc), bebida (bebidas alcoolicas, refrigerantes, etc) ou de atividade (assistir TV, etc...) Virtude que se relaciona com a temperança e que regula de forma racional a privação voluntária de certos alimentos.
Importante lembrar que a Igreja nos pede:
  • às sextas feiras (durante todo o ano, exceto que coincidam com alguma solenidade da Igreja) é dia de abstinência, penitência ou obra de caridade. (Cân.1251.)
  • na quaresma, a Igreja pede abstinência durante os quarenta dias (de carne ou escolha), bem como a de carne às quartas e sextas.
  • ainda na quaresma, a Igreja pede jejum e abstinência de carne na Sexta feira da paixão e quarta feira de cinzas.

Alguns dados importantes, retirados do Site da CNBB:

Cân. 1249. - Todos os fiéis, cada um a seu modo, por lei divina têm obrigação de fazer penitência; para que todos se unam entre si em alguma observância comum de penitência, prescrevem-se os dias de penitência em que os fiéis de modo especial se dediquem à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, se abneguem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e sobretudo observando o jejum e a abstinência, segundo as normas dos Cânones...

A Legislação complementar da CNBB quanto aos cânones 1251 e 1253 do Código de Direito Canônico prescreve:"Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade (quem completou 18 anos) até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e pais cuidem para que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade (cf. Cân. 1252).

“No Brasil, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. "

"A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia”

Uma Santa quaresma a todos nós!
Fontes bibliográficas:

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Jejum

Jejum


A Quaresma é um tempo propício para a prática do Jejum, apesar de sabermos que durante todo o ano o sacrifício é bem vindo. Mas nem todos sabemos como fazê-lo. Seguem abaixo algumas dicas valiosas do Monsenhor Jonas Abib sobre essa prática indispensável para todo católico.
Importante lembrar que as abstinências ou mortificações que fazemos (deixar de comer um doce, carne, refrigerante, assistir TV, etc) não são jejum, apesar de serem muito importantes também nessa caminhada.
A Igreja nos convida à esses sacrifícios de mortificações durante o tempo da quaresma, bem como ao Jejum, à Esmola e a Oração.



Práticas de Jejum




Todos podem fazer jejum. Sejam idosos ou estejam cansados ou doentes; sejam gestantes, mães que amamentam, jovens ou adultos. todos podem jejuar sem que isso lhe faça mal, mas, pelo contrário, lhes faça bem.

Muitas pessoas não jejuam porque não sabem fazê-lo. Imaginam que jejuar seja uma coisa muito difícil e dolorosa que elas não vão conseguir fazer.

Abordamos aqui o aspecto prático do jejum. Existem várias modalidades de jejum, trataremos, no entanto, somente de quatro tipos que poderão ser de grande proveito para você.

Jejum da Igreja


Assim é chamado o tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que, por isso, é extremamente simples, podendo ser feito por qualquer pessoa.

Alguém poderia pensar que esse seja um jejum relaxado ou que nem seja realmente jejum, porque ele é muito fácil. Mas não é bem assim.

Esse modo de jejuar vem da Tradição da Igreja e pode ser praticado por todos sem exceção, sendo esse o motivo porque é prescrito a toda a Igreja.

O básico desse tipo de jejum é que você tome o café da manhã normalmente e depois faça apenas uma refeição - almoçar ou jantar -, a depender dos seus hábitos, de sua saúde e de seu trabalho. A outra refeição, a que você não vai fazer, será substituída por um lanche simples, de acordo com as suas necessidades.

Dessa maneira, por exemplo, se você escolher o almoço para fazer a refeição completa, no jantar faça um lanche que lhe dê condições de passar o resto da noite sem fome.

O conceito de jejum não exige que você passe fome. Em suas aparições em Medjurgorje, a própria Nossa Senhora o repetiu várias vezes. Jejuar é refrear a nossa gula e disciplinar o nosso comer.

O importante, e aí está a essência do jejum, é a disciplina, e é você não comer nada além dessas três refeições. O que interessa é cortar de vez o hábito de "beliscar", de abrir a geladeira várias vezes ao dia para comer "uma coisinha". Evitar completamente, nesse dia, as balas, os doces, os chocolates e os biscoitos. Deixar de lado os refrigerantes, as bebidas e os cafezinhos.

Para quem é disciplinado - e muitos de nós o somos -, isso é um jejum, e dos "bravos"! Nesse tipo de jejum, não se passa fome. Mas como "a gente" se disciplina; como refreia a gula! E é esta a finalidade do jejum.

Qualquer pessoa pode fazer esse tipo de jejum, mesmo os doentes, porque água e remédios não quebram jejum. Se for necessário leite para tomar os remédios, o jejum não é quebrado, pois a disciplina fica mantida. Para o doente e para o idoso, disciplina mesmo talvez seja tomar os remédios e tomar corretamente.


Jejum a pão e água


Nesse segundo tipo de jejum, deve-se comer pão quando se tem fome e beber água quando se tem sede. Apenas isso e nada mais.

Não se trata de comer pão e beber água ao mesmo tempo. Pelo contrato: é preciso evitar isso. Nosso tipo de pão, quando comido com água, geralmente fermenta no estômago, provocando dor de cabeça.

É melhor ir comendo aos poucos durante todo o jejum. Você vai perceber que, nesse dia, o pão adquire um novo sabor. Também se deve beber água várias vezes no decorrer do dia. O organismo precisa de água. Por isso, tome água, mesmo que você não tenha sede.

O principal desse tipo de jejum é que você só coma pão e beba apenas água.



Jejum à base de líquidos


O terceiro tipo de jejum requer que você passe o dia sem comer nada, limitando-se a tomar líquidos. Ou seja, durante todo o seu dia de jejum, você se alimenta somente com líquidos. Essa é uma modalidade muito boa de jejum, que refreia a nossa gula e garante a nossa disciplina. Tratando-se de líquidos, temos uma grande variedade de opções e de combinações possíveis; todas elas nos mantêm alimentados e bem dispostos sem a quebra do jejum.

É recomendável passar o dia tomando chá. Existem vários tipos de chá, podendo-se escolher. Desde que seja quente e com um pouco de açúcar ou mel, o chá alimenta e mantém o estômago aquecido, o que é muito bom. Quem não puder usar açúcar nem mel, pode usar adoçante ou tomar chá puro; fazendo assim estará se privando da glicose, que é alimentícia, mas conservará as vantagens do chá e do calor. Mas, se preferir, você poderá tomá-lo frio ou gelado, especialmente no verão.

Laranjada, limonada e sucos de fruta também são indicados para esse dia. O mesmo acontece com os sucos de legumes, como cenoura e beterraba, e de verduras. Veja bem: tome suco, não vitamina. Combinando-se frutas, legumes e verduras, as possibilidades aumentam bastante. Os vários sucos, adoçados ou não com açúcar, mel ou adoçante, são sempre alimentícios, deixando o corpo leve para a oração e para as outras atividades intelectuais ou físicas.

Outra boa opção para esse tipo de jejum é a água de coco, que é completa, jé tendo tudo para nos manter hidratados e alimentados. Especialmente para quem tem a sorte de viver nos lugares onde há coqueiros, um jejum a base de água de coco é excelente. Não existe melhor hidratante.

Qualquer pessoa, mas em especial os idosos e os doentes, pode fazer um jejum muito saudavél à base de caldos. Tal como os sucos, os caldos também apresentam um grande variedade. Observe, no entanto, que estou me referindo a caldos, e não a sopas e canjas, embora se possa fazer caldo de frango e até de carne. O que importa é que o caldo é líquido e tem como vantagens ser nutritivo e quente, além de conter sal.

Especialmente em dias frios, os caldos são uma ótima maneira de fazer jejum, pois com eles temos garantida a ingestão das calorias necessárias às nossas atividades, espirituais em particular.



O Jejum completo


Nesse quarto tipo de jejum, não se come coisa alguma e só se bebe água.

É recomendável que, antes de experimentar essa forma de jejum, você já tenha feito o jejum a pão e água e o jejum à base de líquidos, que podem servir de treino.

No jejum completo, é fundamental beber várias vezes ao dia. Não é bom fazer jejum a seco, isto é, sem tomar água, especialmente quando não se tem um bom treinamento.

Mas é possível fazer jejum sem ingerir mesmo água? Sim, como eu já disse, é possível. Porém só as pessoas bem experientes devem tentar fazê-lo.


É fundamental ter em mente que não estamos nos submetendo a um teste de resistência. Não precisamos provar nada a ninguém: nem a nós, nem ao Senhor. O objetivo do jejum é nos encontrar com Deus, favorecer a oração e nos disciplinar. Ele serve para nos abrir à Graça da contemplação, da intercessão a da Unção do Espírito Santo.


Como dissemos acima, nosso organismo precisa de água. Ele necessita estar bem hidratado para agir e reagir no campo espiritual. E como o nosso jejum se destina a combatentes que batalham por Deus na dimensão espiritual, tome água várias vezes ao dia quando praticar o jejum completo.

Quanto a hora de terminar o jejum, principalmente o jejum completo, Nossa Senhora de Medjugorje fala em encerrá-lo às quatro da tarde. Você pode terminá-lo às cinco, às seis ou às oito horas da noite. O importante é ser comedido e agir com sabedoria. Nossa intenção não é bancar os heróis.


Repito: não temos de provar nada a ninguém, nem a nós e nem mesmo ao Senhor.



Observações Finais


Um erro muito comum que as pessoas cometem consiste em fazer um dia de jejum sem tomar café da manhã. Agindo assim, elas na verdade começam a jejuar a partir da última refeição que fizeram, na véspera, e não pela manhã.

Essas pessoas mal-informadas acabam ficando com dor de cabeça, que em geral; começa bem cedo. Ora, dor de cabeça não é o objetivo do jejum. Além disso, trata-se de uma coisa que deixa a pessoa indisposta o resto do dia, que a torna irritadiça e sempre pronta a perder a paciência. E isso é totalmente oposto ao que se espera conseguir jejuando.

É bom que você tome tranqüilamente seu café da manhã, como se faz todos os dias, e, a partir daí, inicie o jejum. Agindo dessa maneira, você fica livre dos ácidos do estômago, da dor de cabeça, da irritabilidade e da indisposição. E isso custa muito pouco: basta tomar café da manhã como nos outros dias.

Se você não quer mesmo comer nada, ou é daqueles que não fazem uma refeição pela manhã, ao menos beba alguma coisa, de preferência quente. Isso vai fazer bem ao seu aparelho digestivo, preparando-o para o dia de jejum.

O jejum é uma riqueza que precisamos reconquistar. É uma forte expressão da comunidade que decidiu fazer uma conversão, começar uma vida nova.

Você provavelmente é uma das muitas pessoas que não conheciam o que acabei de apresentar e que por esse motivo não jejuava. Agora, com uma nova compreensão do jejum, comece a praticá-lo, pois isso seguramente trará benefícios a você e ao Corpo de Cristo.

Deus abençoe o seu jejum!

Essa matéria foi tirada do livro "Práticas de Jejum" escrito pelo Pe. Jonas Abib!!!

Isso é apenas uma introdução... vale a pena ler o livro, que pode ser adquirido na Canção Nova ou em livrarias Cristãs.
http://www.cancaonova.com/cnova/dicas_fe/jejum.html