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quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Igreja é uma Democracia?

A Igreja é uma Democracia?



Por Prof. Felipe R. Aquino



Algumas pessoas, às vezes até teólogos, muito enganados, querem fazer da Igreja Católica uma democracia como as demais. Um exemplo disso partiu de alguns católicos austríacos que publicaram em 1998 o Manifesto “Nós somos Igreja”. O Manifesto pedia mudanças na disciplina da Igreja, a abolição do celibato sacerdotal, a ordenação de mulheres, e outras coisas.


Em 20/11/98 em um discurso aos bispos da Áustria no Vaticano, O papa João Paulo II explicou com clareza que:



“Sobre a Verdade Revelada nenhuma «base» pode decidir. A verdade não é o produto de uma «Igreja que vem de baixo», mas um dom que vem «do alto», de Deus. A verdade não é uma criação humana, mas dom do céu. O próprio Senhor a confiou a nós, sucessores dos Apóstolos, a fim de que - revestidos de «um carisma da verdade» (Dei Verbum) - a transmitamos integralmente, a conservemos com zelo e a exponhamos com fidelidade (cf. Lumen gentium, 25)”.




A Igreja não pode ser considerado como uma democracia igual às outras e “as bases” não podem decidir através da maioria ou de pesquisa de opinião, porque a verdade Revelada, confiada à Igreja, é um dom do Alto confiado à hierarquia, e não nascida do povo. Em outras palavras, a Igreja veio do Pai, através do Filho, guiada, assistida e conduzida pelo Espírito Santo. O povo não pode tomar o lugar de Deus na Igreja; por isso não tem sentido a tão propalada “Igreja Popular”. Aliás, sobre isso, é interessantíssimo ler o livro com esse título, de D. Boaventura Kloppenburg, grande bispo emérito de Novo Hamburgo no RS; que teve grande participação no Concílio Vaticano II.




A Igreja não é uma república democrática; “é um mistério”; um sacramento, através do qual Cristo “toca”, pelos sacramentos, cada ser humano para salvá-lo. “Para o Concílio o mistério da Igreja consiste no fato que, através de Cristo, nós temos acesso ao Pai num só Espírito, para participarmos assim da mesma natureza divina (cf. Lumen gentium, 3-4; Dei Verbum, 1)”,disse o Papa.


Falando aos bispos da Áustria, ele se referiu a alguns pontos especiais, disse por exemplo: “mesmo se a maior parte da sociedade decidisse diferentemente, a dignidade de cada ser humano continua inviolável desde o início da vida no seio materno até seu fim natural, desejado por Deus”. E ainda: apesar das contínuas manifestações, como se se tratasse de uma questão disciplinar, “a Igreja não recebeu do Senhor a autoridade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”. O Papa já tinha declarado isso na Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis (22 maio 1994). Eis o que disse:


“Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição da Igreja divina, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.



Outro aspecto que o Papa abordou com os bispos da Áustria foi a questão mal interpretada do “Povo de Deus”. Disse:

“A expressão bíblica “povo de Deus” (Iaós tou Theou) foi entendida no sentido de um povo estruturado politicamente (demos) de acordo com as normas válidas para todas as sociedades. E, como a forma de regime mais próxima da sensibilidade atual é a democracia, difundiu-se entre um certo número de fieis a exigência de uma democratização da Igreja. Vozes neste sentido se multiplicaram também em seu país, como além de suas fronteiras”.



Neste discurso o Papa lembra que há dois vocábulos gregos para designar “povo”, “laós” e “démos”. Todavia os escritos do Novo Testamento usam exclusiva o termo “laós” quando descrevem o povo santo de Deus. De “laós” deriva-se o adjetivo “lailós”, leigo, membro do povo santo de Deus, povo santo que corresponde à “qahal” do Antigo Testamento. Esse povo santo tem sua organização hierárquica instituída pelo próprio Deus, diferente da constituição democrática do “demos” ou do povo civil. (D. Estevão Bettencourt)


Assim, a Igreja não é nem república nem monarquia; é “um mistério”, um sacramento, uma realidade divino-humana, que tem seu princípio de autoridade em Jesus Cristo, e não no povo. Se a Igreja tivesse nascida do povo e fosse mantida por ele, já teria sucumbido há muito tempo como os reinos que passaram pela terra. A Igreja é infalível (cf. Cat. §891/2) e invencível (cf. Mt 16,18) é porque é divina. Cristo se faz representar por ministros que Ele escolhe, tendo à frente o sucessor de Pedro ou o Papa. Entretanto, o Papa governa a Igreja com o colegiado dos Bispos, mas isso não quer dizer nem de longe que a Igreja seja uma mera democracia. É muito mais, é transcendente, por isso não é entendida pelos homens e mulheres mundanos, que a querem “adaptada aos modismos”.


A Igreja usa o voto para decidir muitas coisas, inclusive a eleição do Papa, e muitas outras decisões importantes, mas nada que se refere à Revelação; às verdades básicas da fé, pode ser decidido no voto do clero ou do povo. O nosso Credo tem dois mil anos e jamais será modificado, porque foi Revelado por Deus e não inventado pelo povo. Se dependesse do voto do povo já teria sido despedaçado e sumido.



Da mesma forma o ministério dos Bispos e presbíteros não dispensa a participação dos leigos, ao contrário, cada vez a valoriza mais, como fez o Concilio Vaticano II (cf. L G nº 32); mas o governo da Igreja é diferente dos governos civis, o poder sagrado vem de Jesus Cristo e não do povo. A visão de fé da Igreja supera as normas de qualquer república democrática moderna; a colegialidade que Cristo desejou para a Igreja transcende os esquemas humanos. E isso é a garantia da Igreja ser infalível (em fé em moral) e invencível. Se ela fosse conduzida pelo povo as Promessas do Senhor não poderiam ser cumpridas.



Na Igreja o Papa exerce o poder supremo e incontestável porque isso é vontade de Cristo. A Pedro Ele disse: “tudo o que você ligar na terra eu ligo no céu” (Mt 16,19) e lhe deu “as chaves” da Igreja, “germe do Reino de Deus” (LG 4). Da mesma forma disse aos Apóstolos: “tudo o que vocês ligarem na terra eu ligo no céu“ (Mt 18,18). E mais: “quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc10,16). /e os enviou em seu Nome: Ide!


Esta é a lógica de Deus para a salvação do mundo: O Pai enviou o Filho, e o Filho enviou a Igreja. A Igreja vem do Alto e não de baixo, como querem alguns. Isto seria a sua total ruína. Aos bispos da Áustria o Papa disse em 1998:


“Ao Sucessor de Pedro foi confiada a missão de confirmar na fé os seus irmãos (cf. Lc 22, 32) e de ser, na Igreja, «o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão» (LG, 18), pela qual, aliás, todos os Bispos, juntamente com ele, são a modo próprio responsáveis”.


“Uma Igreja concebida exclusivamente como comunidade humana não seria capaz de encontrar respostas adequadas à aspiração humana e a uma comunhão capaz de sustentar e dar sentido à vida. As suas palavras e ações não poderiam resistir diante da gravidade das questões que pesam sobre os corações humanos”. “A Igreja como mistério consola-nos e, ao mesmo tempo, encoraja-nos. Ela transcende-nos e, como tal, pode tornar-se embaixadora de Deus”. “Ai da Igreja se estivesse muito empenhada nas questões temporais, e não encontrasse o tempo para se ocupar das temáticas que se referem ao eterno!”




Graças a Deus a Igreja nasceu de Deus e é por Ele mantida; não queiramos mudar isso. O Catecismo diz que “A Igreja é um projeto nascido no coração do Pai” (§758).



Prof. Felipe Aquino

Fonte: Cléofas

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cultura

Quer ser culto? Siga a proposta de Bento XVI: “reze, trabalhe... e leia”



Um ótimo dia!

João Batista


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CIDADE DO VATICANO, domingo, 31 de maio de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI apresentou em um lema a chave para voltar a humanizar a sociedade e a cultura: “Ora et labora et lege”: “Reze, trabalhe e leia”, constata o porta-voz da Santa Sé.



O Pe. Federico Lombardi S.I., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, pede que não se descuide da “perene atualidade” da mensagem de São Bento de Nursia, que propôs o Santo Padre ao visitar em 24 de maio a abadia de Monte Cassino, fundada pelo patriarca do monaquismo ocidental.



Em sua edição do último número de Octava Dies, jornal do Centro Televisivo Vaticano, o Pe. Lombardi aprofunda nos elementos do slogan: antes de tudo a oração, que faz presente “a primazia de Deus e de Jesus Cristo na vida pessoal e comunitária. Depois o trabalho: o cansaço cotidiano que deve humanizar e espiritualizar, descobrindo e respeitando o valor e a ordem da criação. Por último, a leitura, ou seja, a cultura e a educação”.



“Para dizer a verdade, todos nos lembramos desde sempre do ‘ora et labora’, mas nem todos tínhamos presente o terceiro elemento: ‘et lege’, ou seja, ‘leia, estude’. Não é casualidade que seja precisamente o Papa Bento quem nos tenha assinalado isso, um Papa em quem a síntese entre oração, serviço e cultura se apresenta não só como mensagem, mas antes ainda como testemunho pessoal”, afirma o porta-voz.



O Pe. Lombardi cita o “grande discurso” ao mundo da cultura de Paris, quando o Papa mostrou como a “busca de Deus foi a força originária do crescimento da cultura europeia em suas diferentes dimensões”.


“Em Monte Cassino retomou o discurso e, falando do arquivo e da biblioteca da abadia de São Bento, disse que ‘recolhem inumeráveis testemunhos do compromisso de homens e mulheres que meditaram e trataram de melhorar a vida espiritual e material do homem’. Também por este motivo, após 1.500 anos e quatro destruições de Monte Cassino continua tendo algo muito importante a nos dizer”.


“Leia, estude”, conclui o porta-voz. “Não basta navegar e fazer o zapping, ou copiar e colar sem cessar. Pois deste modo não ficará nada nem para você nem para os demais”.


Fonte: ZENIT.org

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Igreja combatendo a AIDS

É muita falta de cultura e de conhecimento aqueles que dizem que a Igreja atrapalha o combate à Aids pois não aceita a camisinha... será que não sabem que a Igreja não aceita o Sexo fora do casamento????
Se já está fora, então já está pecando de qualquer forma, com ou sem camisinha!!!! Vai ser sempre pecado.

A proposta da Igreja, como sempre, é a FIDELIDADE ao Matrimônio, e ABSTINÊNCIA para os que ainda não são casados... simples assim!!!

Esse é o único meio 100% seguro de evitar a Aids, doenças, gravidez na adolescência, mães e pais solteiros, filhos crescendo com avós, indesejados, traumatizados e outras cositas mas!
É difícil? sim! mas ninguém falou que seria fácil ir para o céu. Lembra-se do "entrai pela porta estreita"? Se fosse fácil, que recompensa mereceríamos?
Mas, além da recompensa no céu por termos uma vida regrada, nós católicos PRATICANTES temos ainda a graça de uma vida sem doenças venéreas, sem riscos de ser mãe ou pai solteiros, entre muitos outros benefícios.
Se você se diz Católico e não segue o mandamento do "não pecar contra a castidade", está na hora de rever seus conceitos... ou deixar de se dizer católico!


Abraços fraternos.
João Batista

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Bento XVI reitera que a Igreja combate difusão da AIDS com fidelidade e abstinência



VATICANO, 29 Mai. 09 (ACI) .- O Papa Bento XVI destacou a contribuição da Igreja à luta contra o AIDS na África e reiterou o sério compromisso católico contra a pandemia, através de campanhas que favorecem a fidelidade dentro do matrimônio e a abstinência.


No discurso que pronunciou esta manhã ao novo embaixador da África do Sul na Santa Sé, George Johannes, o Pontífice expressou seu desejo de que na "atual luta contra a pobreza e a corrupção prevaleçam a valentia e a sabedoria que mostrou o povo sul-africano ao confrontar as injustiças passadas"


Do mesmo modo, assegurou que a Igreja "está participando seriamente na campanha contra sua difusão, fazendo insistência na fidelidade dentro do matrimônio e na abstinência fora dele. Além disso, a Igreja oferece muita assistência desde o ponto de vista prático aos que sofrem este flagelo no continente e em todo mundo".


"Animo os indivíduos e instituições de seu país a seguirem apoiando tanto na nação como na região a todos os que procuram aliviar o sofrimento humano através dela investigação, assistência prática e apoio".


Fonte: ACI

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Responsabilidade dos Batizados

Papa nos lembra que também nós leigos também somos Igreja, e temos responsabilidade por ela!

Um bom dia para você!


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Por Patrícia Navas
ROMA, quarta-feira, 27 de maio de 2009 (ZENIT.org).- O Papa apelou à corresponsabilidade de todos os batizados no ser e atuar da Igreja.



Ele o fez nesta terça-feira à tarde, na basílica de São João de Latrão, em Roma, ao inaugurar o congresso eclesial da diocese da Cidade Eterna sobre “Pertença eclesial e corresponsabilidade pastoral”, que acontece até 29 de maio.



“Deve haver uma renovada tomada de consciência de nosso ser Igreja e da corresponsabilidade pastoral que, em nome de Cristo, todos estamos chamados a exercitar”, indicou.



E deve promover-se gradualmente esta corresponsabilidade “no respeito das vocações e das funções dos consagrados e dos leigos”, acrescentou.



Isso, advertiu, exige uma “mudança de mentalidade, especialmente com relação aos leigos, passando de considerá-los colaboradores do clero a reconhecê-los realmente como “corresponsáveis” do ser e do atuar da Igreja, favorecendo a consolidação de um laicado maduro e comprometido”.



Bento XVI constatou que “ainda existe uma tendência a identificar unilateralmente a Igreja com a hierarquia, esquecendo a responsabilidade comum, a missão comum” de todos os batizados.
“Até que ponto se reconhece e alenta a responsabilidade pastoral de todos, especialmente os leigos?”, perguntou.



Referindo-se aos leigos comprometidos, destacou que “não deve diminuir sua consciência de que são ‘Igreja’, porque Cristo, Palavra eterna do Pai, convoca-os e faz deles seu Povo”.
Pediu aos sacerdotes que, em sua formação, transmitam-lhes “um sentimento de pertença à comunidade paroquial” e a importância da unidade.



Também que os convidem a aproximar-se da Sagrada Escritura, através, por exemplo, da lectio divina; que os reúnam em cuidadas celebrações eucarísticas, particularmente aos domingos, e promovam sua ação missionária, em primeiro lugar vivendo a caridade.



O Santo Padre explicou que a preparação ao Jubileu do ano 2000 na diocese de Roma ajudou a “comunidade eclesial a tomar consciência de que o mandato de evangelizar não é só para alguns, mas para todos os batizados”.



Para o pontífice, “o futuro do cristianismo e da Igreja de Roma é também o compromisso e o testemunho de cada um de nós”.



Fonte: ZENIT.org

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aids, Papa e Preservativos




MADRI, 20 Mai. 09 (ACI) .


Em uma entrevista concedida à revista francesa Famille chretienne, Dominique Morin, um doente de AIDS que dedica sua vida a educar pessoas sobre este mal, agradeceu ao Papa Bento XVI por ter quebrado o tabu em torno do mito do preservativo.



Na entrevista, difundida em espanhol pela revista Alfa e Omega, Morin destaca o aporte do Pontífice ao recordar que "o homem não se pode resignar a ter comportamentos sexuais com risco (vagabundagem sexual ou homossexual), nem a sociedade fundar uma prevenção da AIDS sobre o fracasso. Ele recordou que o homem está dotado de razão, de liberdade que lhe faz capaz de pensar em seus atos. A solução para o AIDS está nos meios de propagação".



Morin coincide em que "o único meio de pará-lo é evitar os comportamentos de risco. É simples sentido comum, mas não é algo que abunde hoje em dia! Assim que lhe dou as graças ao Papa por ter quebrado o tabu. Ele não nos está falando de uma teoria que se acaba de inventar. Não tem feito mais que recordar o que apregoa a Igreja".



Com 15 anos de experiência em colégios, Morin sustenta que "os jovens hoje só pensam em uma sexualidade impulsiva, instintiva. Esse é seu único horizonte. Agora bem, depois da pergunta: "me diga como conseguir uma garota fácil?"esconde-se uma aspiração profunda: o desejo de amar. Dizer que um jovem está obrigado a ter relações sexuais para descobrir-se e aprender a amar corresponde à lógica freudiana, que é falsa. Existe outra via distinta à pornografia, à masturbação, às relações instáveis... Não dizer-lhes esta verdade equivale a mentir.



Os que lhes dizem que utilizem um preservativo se lavam as mãos e tranqüilizam sua consciência a preço baixo. O jovem se encontra ao limite de seus meios, com relações sem confiança. O preservativo é um engano e uma fraude". Morin contraiu o AIDS nos anos em que levou uma vida licenciosa. "Nos anos 80, eu vivia na delinqüência, a droga, o sexo e a violência política. Em 1986 começou minha conversão. Eu não podia mais com toda essa violência. Com a prática religiosa, tenho descoberto uma felicidade que não conhecia. Decidi a confessar-me, lancei-me! E reencontrei a misericórdia de Deus através do sorriso benevolente do sacerdote e de sua absolvição. Depois, em 1993, descobri que estava infectado de AIDS em fase 4. Já estava fichado!"



Para Morin, o único meio seguro de não transmitir o vírus é a abstinência total. "Eu não sou melhor que os outros doentes. Minha conversão tem me feito trocar minha perspectiva sobre mim mesmo, sobre meu corpo e minha relação com os outros. A oração e os sacramentos me deram as graças necessárias para arrancar meus hábitos e combater minha debilidade. Aprendi a me dominar. Também tenho descoberto minhas relações castas com as garotas. A abstinência sexual é às vezes difícil, mas o prazer do que me privo não me falta realmente, se comparo à vida serena que hoje tenho", sustenta.



Do mesmo modo, esclarece que "jamais se sentiu rejeitado pela Igreja; ao contrário. Ela me abriu as suas portas, acolheu-me tal como era. Senti-me amado. A Igreja diferencia entre a pessoa e seus atos. Antes de minha conversão, eu me sentia condenado pelo que acreditava que eram as propostas da Igreja, porque eu me acreditava um com meus atos. Acreditava que quando a Igreja condenava tal ato, ela condenava ao homem. Agora bem, a vingança de Deus é perdoar, como diz Pagnol. Deus só sabe amar. Ele quer com um amor predileto aos doentes de AIDS".



Aos acusadores da Igreja hoje, Morin recorda que "a Igreja foi primeira em ocupar-se dos doentes de AIDS. Nos anos 80, nos Estados Unidos, o Cardeal O'Connor abriu um serviço especial para acolhê-los, embora se ignorasse então os riscos de contágio. A Madre Teresa criou o primeiro centro dedicado aos doentes de AIDS: O presente de amor, em Nova Iorque. Existem muitos mais hoje em dia por todo mundo".



"A Igreja vê a bondade do homem. O Papa cumpre com seu papel de pai, de pedagogo, quando recorda que o homem está destinado a amar na verdade, e não na mentira, no medo e o risco de morrer. Mostra-nos um caminho exigente, sem pretender agradar-nos nem seduzir-nos. A AIDS se propaga pela promiscuidade. O único meio de contê-la é voltar para a raiz do amor. Todos aspiramos ao amor verdadeiro, baseado na confiança. O verdadeiro inferno não radica em ser castigado pelas conseqüências de nosso pecado, a não ser em ter medo ao amor", conclui.



Fonte: Agência Católica de Notícias ACI

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Evangelizar pela Internet

Para nós que gostamos de usar essa ferramenta que é a Internet para evangelização, segue o recado do Papa!!!





VATICANO, 20 Mai. 09 (ACI) .- Ao término da Audiência Geral das quartas-feiras, o Papa Bento XVI fez um chamado especial aos jovens que empreguem as novas tecnologias da comunicação, para converter o "mundo digital" em um espaço de evangelização.



Com motivo da Jornada Mundial das Comunicações Sociais, que se celebrará no domingo 24 de maio, o Santo Padre recordou que na mensagem deste ano se "convida a todos os que empregam as novas tecnologias da comunicação, especialmente aos jovens, a usá-las em modo positivo e a perceber o grande potencial desses meios para construir laços de amizade e solidariedade que podem contribuir a um mundo melhor".



"As novas tecnologias produziram mudanças fundamentais no modo de difundir as notícias e a informação e de comunicar-se e relacionar-se. Desejo animar a todos os que acessam a rede a tratar de manter e promover uma cultura de respeito, diálogo e amizade autêntica, para que floresçam valores como a verdade, a harmonia e a compreensão", indicou.



Dirigindo-se especialmente aos jovens, Bento XVI insistiu a "dar testemunho da fé através do mundo digital. Empreguem essas novas tecnologias para dar a conhecer o Evangelho, de modo que a Boa Nova do amor infinito de Deus por todos ressoe com modos diferentes em nosso mundo cada vez mais tecnológico".


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Fonte: ACI



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Que o "mundo" não polua à Igreja





VATICANO, 04 Mai. 09 (ACI).- Ao presidir a Eucaristia de Ordenação Sacerdotal de 19 diáconos da diocese de Roma, o Papa Bento XVI explicou que "o 'mundo' é uma mentalidade, uma maneira de pensar e de viver que pode poluir inclusive à Igreja, e de fato a polui, e, portanto exige constante vigilância e purificação. Estamos 'no' mundo, e corremos também o risco de ser 'do' mundo. E, de fato, às vezes o somos".


O mundo, no sentido evangélico, disse logo o Santo Padre "assedia também a Igreja, contagiando a seus membros e aos mesmos ministros ordenados". Fazendo referência à primeira carta de São João "Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu", o Santo Padre afirmou que "o "mundo"', na acepção de João, "não compreende ao cristão, não compreende aos ministros do Evangelho.


Em parte, porque de fato não conhece Deus; e em parte, porque não quer conhecê-lo. O "mundo não quer conhecer a Deus nem escutar seus ministros, pois isto o colocaria em crise".


Fonte: Cleofas

quarta-feira, 6 de maio de 2009

IGREJA E AIDS - A IMPORTÂNCIA DA VERDADE

IGREJA E SIDA - A IMPORTÂNCIA DA VERDADE



Por LUCETTA SCARAFFIA


Fonte: L'Osservatore Romano, Ano XL, Número 13 (2009)



OBS: SIDA significa Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; (em inglês AIDS, que significa Acquired Immune Deficiency Syndrome).


Certamente a característica da missão de Bento XVI é a verda­de. É-o para tudo, inclusive para o problema da SIDA e dos preser­vativos, um tema preocupante que — poder-se-ia imaginar facilmente — foi abordado durante a sua viagem à África. No meio das polêmicas suscita­das pelas suas palavras, um dos mais prestigiosos jornais europeus, o britâ­nico «Daily Telegraph», teve a cora­gem de escrever que, sobre o tema dos preservativos, o Papa tem razão. «Certamente a SIDA — lê-se no artigo — apresenta o tema da fragilidade hu­mana e sob este ponto de vista todos devemos interrogar-nos sobre o modo de aliviar os sofrimentos. Mas o Papa é chamado a falar sobre a verdade do homem. É a sua função: ai dele se não o fizesse».



O problema da SIDA apresentou-se imediatamente, desde quando a doen­ça se manifestou nos Estados Unidos nos primeiros anos 80, não só sob o ponto de vista médico, mas também cultural: a explosão da epidemia sur­preendeu uma sociedade que acredita­va ter derrotado todas as doenças in­fecciosas, e desde o início tocou um âmbito, o das relações sexuais, que há pouco tinha sido «libertado» pela re­volução sexual. Com uma doença que punha em discussão o «progresso» al­cançado e que se difundia rapidamen­te graças também à onda de cosmopo­litismo que se estava a realizar com os novos e velozes meios de transportes.


Ficou imediatamente claro que tal patologia era fruto de uma moderni­dade avançada e de uma profunda transformação dos costumes, e que tal­vez a luta para a prevenir tivesse que considerar também estes aspectos. Ao contrário, no mundo ocidental, as campanhas de prevenção foram basea­das exclusivamente no uso dos preser­vativos, dando por certa a obrigação de não exercer alguma interferência nos comportamentos das pessoas. O «progresso» não deveria ser colocado em discussão; nem na África, onde era evidente — e onde até agora é eviden­te, se os dados da Organização Mundial da Saúde sobre a difusão da SIDA fossem lidos com honestidade — que apenas a distribuição de preservativos não pode conter a epidemia.



Na África, o preservativo não é usa­do de maneira «perfeita» — o único que garante 96% de defesa contra a infecção — mas de modo «típico», isto é, com uma utilização não continuada nem apropriada, que oferece 87% de defesa, e além disso dá uma segurança que pode ser perigosa no relaciona­mento com os outros: como se sabe, a SIDA não é transmitida só através da relação sexual, mas também por via hemática, portanto basta um arranhão, um pouco de sangue, para abrir a pos­sibilidade de contágio.


Também é pre­ciso lembrar, como está escrito nas cai­xas dos preservativos nas instruções pormenorizadas sobre o seu uso, que se podem danificar facilmente com o ca­lor — são de látex! — e se forem tocados com mãos ásperas, como as de quem faz trabalhos pesados. Mas as indús­trias farmacêuticas, tão exatas ao assi­nalar estes perigos, depois são as mes­mas que apoiam a lenda segundo a qual a difusão dos preservativos pode salvar a população africana da epide­mia: e pode-se facilmente imaginar que cada idéia para difundir o seu uso é recebida com verdadeiro júbilo pelos seus departamentos comerciais.



O único país da África que obteve bons resultados na luta contra a epide­mia foi Uganda, com o método ABC, no qual A significa abstinência (absti­nence), B fidelidade (being faithful) e C preservativo (condom), um método decerto não totalmente em conformidade com as indicações da Igreja. Até a re­vista «Science» reconheceu em 2004 que a parte de bom êxito do programa foi a mudança de comportamento se­xual, com uma redução de 60% das pessoas que declaravam ter tido várias relações sexuais, e o aumento da per­centagem dos jovens de 15 a 18 anos que se abstiveram do sexo, e escreveu: «Estes dados sugerem que a redução do número de parceiros sexuais e a abs­tinência entre os jovens não casados, ao contrário do uso do preservativo, foram fatores relevantes na redução da incidência do HIV».



Muitos países ocidentais não querem reconhecer a verdade das palavras pro­nunciadas por Bento XVI, quer por motivos econômicos — os preservativos custam, enquanto a abstinência e a fi­delidade são obviamente gratuitos — quer porque temem que dar razão à Igreja sobre um ponto central do com­portamento sexual possa significar um passo atrás na fruição do sexo pura­mente hedonista e recreativo, que é considerada uma importante conquista da nossa época.



O preservativo é exal­tado além das suas efetivas capacida­des de deter a SIDA porque permite à modernidade continuar a crer em si mesma e nos seus princípios, e porque parece restabelecer o controle da situa­ção sem nada mudar. É precisamente porque tocam este ponto nevrálgico, esta mentira ideológica, que as pala­vras do Papa foram tão criticadas. Mas Bento XVI, que o sabia muito bem, permaneceu fiel à sua missão, a de dizer a verdade.





Fonte: L'Osservatore Romano, Edição Semanal em Português, Ano XL, Número 13 (2.049), Sábado 28 de Março de 2009.


Para citar este artigo:

SCARAFFIA, LUCETTA. Apostolado Veritatis Splendor: IGREJA E SIDA - A IMPORTÂNCIA DA VERDADE. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5681. Desde 24/04/2009.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quem vos ama, a Mim ama





OVELHAS




Um criador de ovelhas convocou um pastor para que cuidasse de seu rebanho. Confiante na obediência de suas ovelhas àquele que ele mesmo escolheu, o criador partiu, prometendo que voltaria e que as reencontraria.




Antes de partir, ele ensinou ao pastor tudo o que era necessário para o bem das ovelhas. Zeloso, o pastor conservou fielmente os ensinamentos do seu senhor e fazia tudo o que estava a seu alcance para que as ovelhas, obedecendo a esses ensinamentos, permanecessem no rebanho.




Entretanto, muitas ovelhas fugiam. Não aceitavam o que o pastor lhes ordenava. Fugiam, e ainda insistiam que, mesmo fora do rebanho, continuavam pertencendo ao dono. Sim, mesmo tendo desobedecido a seus ensinamentos, que o pastor lhes transmitiu, e assim lhe desapontado, essas ovelhas ainda achavam que pertenciam ao dono, que lhe eram fiéis. Algumas chegaram a dizer que as ovelhas que ainda seguiam o pastor estavam erradas, que caíram em infidelidade a seu senhor.

Mesmo diante das acusações das desviadas, as outras ovelhas permaneceram fiéis aos ensinamentos do dono, que o pastor lhes transmitia. Quando o dono do rebanho enfim voltou, o pastor lhes devolveu todas as ovelhas que permaneceram no rebanho, e também aquelas que vieram juntar-se a ele depois. As ovelhas que, por sua própria vontade, debandaram do rebanho, ficaram de fora do reencontro com o senhor.





O PASTOR ESCOLHIDO





14 Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos Seus discípulos, depois de ter ressuscitado.
15 Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?” Respondeu ele: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os Meus cordeiros.”
16 Perguntou-lhe outra vez: “Simão, filho de João, amas-Me?” Respondeu-Lhe: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os Meus cordeiros”.
17 Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, amas-Me?” Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: “Amas-Me?”, e respondeu-Lhe: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta as Minhas ovelhas”. (1)





Nosso Senhor Jesus Cristo confiou os cuidados de Seu rebanho a um homem. Muitos ainda se perguntam como se pode confiar uma missão divina a um humano: a chance de fracasso é grande, seja quem for a pessoa escolhida. Nosso Senhor, ao fundar Sua Igreja, quis confiá-la a um pescador da cidade de Betsaida, a princípio rude e impulsivo, chamado Simão.
Cristo já tinha lhe prometido a autoridade sobre Sua Igreja quando, em Cesaréia de Filipe, chamando-o por um novo nome, Pedro, em hebraico Kefa, “pedra”, disse: “Tu és pedra [Pedro], e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja” (2). Hoje, quase dois mil anos depois, vendo que a Igreja ainda se sustenta, indefectível, podemos até inferir que Cristo escolheu um homem tão simples para provar ainda mais o fundamento, a presença e o amparo divinos dessa instituição.





Cuidados confiados, Nosso Senhor ascendeu aos céus. Quem considera impossível que Cristo tenha edificado Sua Igreja sobre um homem, parece achar que Ele deixou Pedro se virar sozinho com ela. Pelo contrário, já antes de Sua Paixão, Nosso Senhor ora por Simão Pedro, para que sua confiança na Palavra de Deus – o que mais poderia motivá-lo a cumprir bem tamanha missão? – não desfalecesse (3). É evidente que quando Cristo diz isso, não se refere apenas ao bem espiritual do próprio Pedro, mas ao encargo que lhe confiou: o pescador deve manter-se forte na fé para que, por sua vez, “confirme seus irmãos.” (4)


No momento em que prenunciou a fundação da Igreja, Nosso Senhor prometeu ainda que “as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (5): ao mesmo tempo, promete a incorruptibilidade de Sua Igreja e a edifica sobre um humano, ou seja, um ser fraco e incapaz. Uma decisão que seria incoerente, se não fosse divina.








SUCESSÃO





Depois da ascensão de Nosso Senhor, os Apóstolos se espalharam pelo mundo conhecido em missão. Pedro, depois de passar por Antioquia, sendo seu primeiro Bispo, foi a Roma, capital do Império. Não se quer aqui provar que ele foi Bispo de Roma, ou provar sua sucessão em Lino, Anacleto, Clemente e outros duzentos e sessenta e tantos homens até Bento XVI; sobre isso há muitos bons artigos, e espera-se que o leitor deste já tenha aderido a esse fato histórico.




Não faria o menor sentido Cristo dar autoridade aos Apóstolos se, com a morte deles, ela se perdesse. Do mesmo modo, a jurisdição universal dada a Pedro não deixou de existir com sua crucificação. É essa realidade que devemos enxergar.




A Pedro Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus, concedeu autoridade sobre toda a Sua Igreja: autoridade vicarial, em lugar do próprio Cristo. Essa autoridade não se perdeu, não se corrompeu nem se desviou da Sã Doutrina, em virtude da assistência divina dada a quem a exerce, prometida por Nosso Senhor.




Precisamos nos maravilhar com a conclusão disso: hoje alguém entre nós possui a autoridade de Jesus Cristo. É o Sucessor de Pedro. É o Papa.
AMAR O PAPA




Veneramos a Bem-Aventurada Virgem Maria porque quis Deus que ela recebesse a inigualável honra de ser a Mãe de Deus, e ela correspondeu a essa graça. Veneramos São José porque quis Deus que ele ocupasse a função de pai de Nosso Senhor em sua vivência entre nós, e ele correspondeu a essa graça.




Quis também Deus que Simão Pedro, Lino, Anacleto, Giuseppe Sarto, Eugenio Pacelli, Albino Luciani, Karol Wojty?a e, hoje, Joseph Ratzinger tivessem na terra Sua autoridade, fossem Seus representantes, guiassem o rebanho dos fiéis em Seu nome: Vigários de Cristo. A eles deu e dá o Espírito Santo contínua assistência.




Veneremo-lo e amemo-lo, pois! Louvemos o Senhor por nos ter dado a enorme bênção que é o Papa, um rochedo firme em que podemos sem medo nos ancorar, sinal da unidade da Igreja e da preservação da Doutrina de Cristo: “Só existe um rochedo sobre o qual vale a pena construir a própria casa. Esta rocha é Cristo. Só há uma pedra sobre a qual vale a pena fundamentar tudo. Esta pedra é aquele a quem Cristo disse: ‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja.’” (6)





O Santo Padre guarda a Sã Doutrina intacta, tal qual Cristo e o Espírito Santo transmitiram à Igreja; governa a Igreja na Verdade e no Amor; mantém sob si a unidade querida por Nosso Senhor para Sua Igreja; escolhe os Bispos, sem os quais não há Sacramentos nem Sacerdotes, sem os quais Cristo não vem a nós pela Eucaristia; dedica cartas encíclicas, discursos, catequeses e documentos a nos ensinar melhor a nossa Fé; vai, quando o tempo lhe permite, encontrar as ovelhas que lhe foram confiadas em diversas partes do mundo; e tantas outras coisas! Como não amá-lo? Não apenas por ser Pio, João Paulo ou Bento, mas porque é o Papa. É “o Príncipe dos Apóstolos, Vigário de Cristo, Rocha segura de salvação. Nele encontramos a estrela que nos guia e dirige (…), o mestre que nos instrui, a voz que nos convoca a uma nova evangelização, o pai que nos acolhe e fortifica.” (7)








PROVA DE AMOR




“Como se deve amar o Papa? Não por palavras somente, mas por atos e com sinceridade.” (8) Amor nunca é simplesmente um “sentimento”, algo guardado, desprovido de vontade, abstrato até. Se assim for, não é amor. Amor é doação, não sentimento. Quando verdadeiramente amamos alguém, fazemos o que lhe agrada. Assim também devemos proceder com o Papa: “Amar o Papa é amar seus ensinamentos e cumpri-los fielmente.” (9)





Em suma, quem ama obedece. Não vale nada dizer “eu amo o Papa”, e prosseguir com os métodos anticoncepcionais artificiais, com o apoio às pesquisas com células-tronco embrionárias e com a opinião de que toda religião é boa e salva. Isso é incoerência, para não dizer hipocrisia. Não é amar verdadeiramente o Papa, mas achá-lo, no máximo, um velhinho fofo. Amor se prova na obediência.





Quão mais fácil isso não será, se sabemos que a origem de sua autoridade é divina, se sabemos que, agradando-lhe, estamos agradando principalmente a Deus, já que o ensinamento do Papa é o ensinamento confiado por Deus à Igreja? “Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos rejeita, a Mim rejeita” (10): pois quem ama o Papa, ama a Cristo! “O amor ao Romano Pontífice há-de ser em nós uma formosa paixão, porque nele vemos a Cristo”. (11)




Não há melhor forma de demonstrar nosso amor a Cristo ao obedecermos com amor àquele que Ele escolheu como Seu Vigário. “Na adesão e no amor ao Papa, encontramos o segredo e a forma mais genuína da nossa fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja, pois o Santo Padre, como sucessor de Pedro, é a rocha, a pedra angular sobre a qual Cristo edifica a sua Igreja. Por isso, unidos a ele e aos bispos em comunhão com ele, permanecemos unidos ao próprio Cristo.” (!12)





A própria expressão “Papa” já vem carregada de amor: papai. Mais que um pastor, ele é um pai, nosso papai. Na terra, “o melhor e mais amável de todos os pais” (13) , reflexo do Pai Celeste. Um pai que nos ensina, um pai que nos alimenta espiritualmente, um pai que pega nossa mão e nos guia até Nosso Senhor. Um pai em quem encontramos segurança; quando vemos seitas se dizendo portadoras da Palavra de Deus, guerreando entre si e conosco, podemos com confiança nos agarrar a nosso papai, correr até seu colo, porque sabemos que ele diz a Verdade. Papai só quer o nosso bem.




DOM DE DEUS




O Vigário de Cristo, a pedra sobre a qual Ele edifica Sua Igreja, o guardião da Fé, aquele que apesar de suas fraquezas humanas possui autoridade divina, aquele a quem Deus dignou-se confiar o Seu rebanho, nosso pastor, nosso papai, o doce Cristo na terra. Diante de tudo que, pela graça de Deus, o Romano Pontífice é, não podemos deixar de dobrar os joelhos com reverência, mas principalmente com profundo amor. “O teu maior amor, a tua maior estima, a tua mais profunda veneração, a tua obediência mais rendida, o teu maior afeto hão de ser também para o Vice-Cristo na terra, para o Papa. Nós, os católicos, temos de pensar que, depois de Deus e da nossa Mãe, a Virgem Santíssima, na hierarquia do amor e da autoridade, vem o Santo Padre.” (14)




Já no século I a Igreja, por amor, rezava pelo primeiro Papa enquanto esteve preso (15). O amor ao Papa é dom de Deus. Peçamos a Ele que nos ajude a amar cada vez mais o zeloso pastor que Ele convocou para cuidar de seu rebanho. Que possamos dizer: “Obrigado, meu Deus, pelo amor ao Papa que puseste em meu coração.” (16)





Bibliografia:




(1) Jo 21, 14-17.
(2) Mt 16, 18.
(3) Cf. Lc 22, 32
(4) Id.
(5) Mt 16, 18
(6) BENTO XVI. Discurso do Santo Padre durante o encontro com os jovens da Polônia. 27.5.2006
(7) HOYOS, Darío Castrillón. Saudação aos sacerdotes. 17.05.2000
(8) SÃO PIO X. Alocução aos Padres da Confraria “A União Apostólica”. 18.11.1912
(9) SODANO, Angelo. Mensagem por ocasião da XXXVIII Assembléia Geral da CNBB. 27.04.2000
(10) Lc 10,16
(11) ESCRIVÁ, São Josemaría. Amar a Igreja, ponto 30.
(12) MACIEL, Pe. Marcial. Carta de 9.4.1986.
(13) BOSCO, São João. Epistolário.
(14) ESCRIVÁ, São Josemaría. Forja, ponto 135.
(15) Cf. At 12, 5
(16) ESCRIVÁ, São Josemaría. Caminho, ponto 573.


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Para citar:



KÖLLER, Felipe. Apostolado Sociedade Católica: Quem vos ama, a Mim ama. Disponível em: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=454

terça-feira, 24 de março de 2009

O que Igreja diz e o que não diz sobre preservativo

BARCELONA, quinta-feira, 19 de março de 2009 (ZENIT.org).


Ao ler os jornais, dá a impressão de que a Igreja diz que, se uma pessoa vai ter relações com uma prostituta, não deve utilizar o preservativo, reconhece o presidente da associação dos médicos católicos do mundo.



José Maria Simón Castellví ilustra com este exemplo a superficialidade com que alguns meios de comunicação informaram sobre as palavras de Bento XVI nesta terça-feira, a bordo do avião que o levava a Camarões, quando esclareceu que o preservativo não é a solução para a AIDS.



«A Igreja defende a fidelidade, a abstinência e a monogamia como as melhores armas», indica o presidente da Federação Internacional de Médicos Católicos (FIAMC) em uma declaração concedida à Zenit.


Contudo, a mídia e inclusive alguns representantes políticos acusaram a Igreja de promover a AIDS na África. Obviamente, esclarece o médico, a Igreja não está dizendo que se pode manter todo tipo de relações sexuais promíscuas, com a condição de não utilizar o preservativo.



O Dr. Simón explica que, para entender o que a Igreja diz sobre o preservativo, é necessário compreender o que é o amor, como explicou o próprio Papa aos jornalistas, apesar de que essa parte de sua conversa foi censurada pela maior parte dos meios de comunicação.



«O preservativo é uma barreira, mas uma barreira com limites que muitas vezes se abrem. Especialmente em jovens pode não ser produtivo no que diz respeito à transmissão do vírus», acrescenta.



«Os médicos católicos estão a favor do conhecimento científico – declara. Não dizemos as coisas só por carga ideológica. Da mesma maneira que admitimos que um adultério de pensamento não transmite nenhum vírus mas é algo mal, devemos dizer que os preservativos têm seus perigos. Barreiras limitadas.»



O médico ilustra a posição da Igreja usando um caso histórico, recolhido por meios informativos.
Em Yaoundé, em 1993, aconteceu a VII Reunião Internacional sobre a AIDS com especialistas médicos e de saúde. Foi uma reunião da qual participaram cerca de 300 congressistas, e se distribuiu ao final um questionário para que se indicasse, entre outras coisas, se se havia tido relações sexuais durante os três dias que durou a reunião com pessoas que não fossem parceiros estáveis.



Dos pesquisados, 28% responderam que sim, e destes, 30% disseram que não haviam tomado «precaução» alguma para evitar contágios.



«Se isso ocorre entre pessoas ‘conscientizadas’, o que ocorrerá entre as pessoas normais?», pergunta.


Fonte: Zenit.com

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tesouros do Vaticano X Fome na África




Papa não poderia trocar tesouros do Vaticano por comida para África




«Trocar tesouros do Vaticano por comida para a África. Topa?». Com esta mensagem um internauta abriu um espaço no Facebook. Em poucos dias, até esta sexta-feira pela manhã, 32.146 membros haviam aderido.






O cardeal Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, esclarece que, independentemente do aspecto provocador ou ideológico da proposta, o Papa não poderia aplicá-la, pois o direito internacional o impede. «Porque é uma vergonha ver as riquezas do Vaticano e depois o noticiário».




Na realidade, esclarece, a Igreja «tem a tarefa de conservar as obras de arte em nome do Estado Italiano. Não pode vendê-las». Explica que, quando nos anos 60 um benfeitor alemão fez uma doação para restaurar o Colégio Teutônico, que se encontra dentro do Vaticano, a direção dessa residência, como gesto de agradecimento, deu-lhe uma estátua simples, que não tinha um valor comparável a outras que se encontram nos Museus Vaticanos, que se encontrava dentro do colégio. Essa pessoa teve muitíssimos problemas com o Estado italiano, pois foi acusado de subtrair bens que a Itália deve custodiar, explicou o cardeal.




«Em todas as nações há medidas para a defesa das obras de arte, porque o Estado deve mantê-las», declara, recordando que os bens da Santa Sé também fazem parte da história cultural da Itália. O cardeal recorda, por outro lado, que sem a obra da Igreja Católica, o sistema de saúde e educativo de algumas regiões da África não existiria.




«Presidentes africanos reconhecem quando vêm encontrar com o Papa», explica o cardeal Cordes. Sem a Igreja na África, uma parte dos portadores do HIV ficaria abandonada, pois a Igreja, com sua rede de hospitais, é a instituição que acolhe o maior número de pessoas com este vírus.

Fonte: Cléofas

quinta-feira, 19 de março de 2009

Palavras do Papa sobre preservativo



O porta-voz da Santa Sé comentou as palavras de Bento XVI sobre a luta contra a AIDS esclarecendo que, para a Igreja, a prioridade é a educação, a pesquisa e a assistência humana e espiritual, e não a opção exclusiva pela difusão de preservativos.


O esclarecimento que o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi S.J., publicou na tarde desta quarta-feira desde Yaoundé, deu-se através de um comunicado em resposta às interpretações da mídia e inclusive de representantes governamentais sobre a resposta que o Papa deu nesta terça-feira aos jornalistas na viagem de Roma a Camarões.


Um editorial de capa, publicado pelo diretor de L'Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian, constata que alguns meios de comunicação reduziram a mensagem do Papa sobre a AIDS «a um só aspecto – também, tirado de contexto em chave polêmica –, ou seja, o dos métodos para enfrentar a difusão da AIDS».


Baseados em uma versão parcial que os meios informativos ofereceram nesta terça-feira das palavras do Papa em sua referência à AIDS e ao preservativo, representantes de instituições e governos lançaram duras acusações.


Por exemplo, o diretor executivo do Fundo Mundial de Luta contra a AIDS, Michel Kazatchkine, expressou sua «profunda indignação» e pediu ao Papa que retire suas afirmações, considerando-as «inaceitáveis», pois representam «uma negação da epidemia».


Expoentes dos governos da França e da Bélgica também atacaram com violência o Santo Padre.
O Pe. Lombardi precisou em sua declaração «que o Santo Padre confirmou as posições da Igreja Católica e as linhas essenciais de seu compromisso para combater o terrível flagelo da AIDS».


O porta-voz explicou que as três áreas de ação na luta contra a AIDS foram expostas por Bento XVI.


Em primeiro lugar, «a educação na responsabilidade das pessoas no uso da sexualidade e a reafirmação do papel essencial do matrimônio e da família».


Em segundo lugar, «a pesquisa e a aplicação de tratamentos eficazes para a AIDS e colocá-los à disposição ao maior número de doentes através de muitas iniciativas e instituições de saúde».


Em terceiro lugar, «a assistência humana e espiritual aos enfermos de AIDS, assim como de todos os que sofrem, que desde sempre estão no coração da Igreja».


«Estas são as direções nas quais a Igreja concretiza seu compromisso, considerando que buscar essencialmente em uma mais ampla difusão de preservativos não constitui na realidade o melhor caminho, o de mais amplo horizonte, nem o mais eficaz para enfrentar o flagelo da AIDS e tutelar a vida humana», concluiu o Pe. Lombardi.


Fonte: ZENIT.org

quinta-feira, 12 de março de 2009

O PAPA E A CRUZ INVERTIDA








Recentemente recebi um email de um irmão em Cristo que confessa a fé protestante, que acusava o Papa de ser o Anti-Cristo, por usar uma cruz invertida em sua cadeira. O email trazia o link de um site, que possui várias imagens do Papa em Israel, sentado sobre esta cadeira. Segundo ele, o uso da cruz invertida era prova de confissão de fé Satânica.

Agora me vem uma pergunta: de onde se tirou a informação que cruz invertida é símbolo do demônio? Será que os seguidores da "Sola Scriptura" agora estão adotando livros de magia e satanismo como regras de fé, além da Bíblia? Podem me responder onde está escrito na Bíblia que a cruz invertida não pode ser usada como símbolo cristão?

Fui conferir o link e infelizmente comprovo que muitíssimas pessoas estão longe da Igreja de Cristo, por causa de uma caricatura que fizeram dela.

Um princípio cristão é o de julgar sempre com benevolência as ações do próximo, enquanto um sinal evidente de maldade não o se verifique. Além do mais, julgar temerariamente é um pecado que pode ser gravíssimo. Não se perde a alma só por causa delitos contra o sexto mandamento.

Na enciclopédia Larrousse tem uma relação de tipos de cruzes e seus nomes. A cruz invertida é chamada Cruz de Pedro. (Ex.: Cruz Tau ou de Santo Antonio - T adotada por São Francisco; Cruz Grega - dividida bem ao meio ; Cruz Latina - haste inferior prolongada ,tradicional; Cruz de Santo André - X ; Cruz Egipicia, Ortodoxa, Cruz de Malta , Cruz de Pedro (invertida)).
Na basílica de São Pedro, vc encontrará no sepulcro do Príncipe dos Apóstolos (São Pedro) a mesma Cruz, símbolo do seu martírio.

Orígenes (256 d.C.) foi o primeiro a relatar que São Pedro "foi crucificado de cabeça para baixo, porque ele pediu que pudesse ser martirizado desta forma" (Eusebio, História Eclesiástica, III, 1).



Eusébio de Cesaréia (nascido em 260 d.C. morto 341) escreveu a História da Igreja. Nela, ele escreve: "Pedro parece ter pregado em Pontus, Galácia, Bitínia, Capadócia e Asia para os Judeus da dispersão. E por fim, tendo chegado a Roma, ele foi crucificado de cabeça para baixo, como ele havia pedido para sofrer desta maneira. Estes fatos foram relatados por Orígenes no terceiro volume do seu Comentários sobre o Genesis".

O artigo da Enciclopédia Católica: "São Pedro, Príncipe dos Apóstolos"; confirma a crença tradicional de que São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo numa cruz invertida: "Em relação à como Pedro morreu, nós temos uma tradição atestada por Tertuliano no final do segundo século e por Orígines de que ele foi crucificado.


Orígenes disse: foi crucificado de cabeça para baixo, porque ele pediu que pudesse ser martirizado desta forma". Como local de execução podemos aceitar como grande probabilidade os Jardins de Nero (Neronian Gardens) no Vaticano, uma vez que lá, de acordo com Tacitus, era utilizado como palco de cenas cruéis da perseguição promovida por Nero; e neste distrito, nas vizinhanças da Via Cornélia e no sopé das Colinas do Vaticano, que o príncipe dos Apóstolos encontrou seu sepulcro".






A cruz invertida utilizada pelos primeiros cristãos refere-se a crença tradicional de qual maneira São Pedro teve o seu martírio - e não um símbolo satânico - para nos lembrarmos da humildade deste servo de Deus, que não se considerava digno de morrer como seu Senhor.


Para citar este artigo:
LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: O PAPA E A CRUZ INVERTIDA. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/696. Desde 1/27/2003.




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Segredo Messiânico

Papa explica por que Jesus guardava «segredo messiânico»

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI explicou neste domingo um dos mistérios da vida de Jesus: o motivo pelo qual Ele pedia que não revelassem que Ele é o Messias, até que morresse na cruz.

Seguindo a passagem evangélica da liturgia deste domingo, o Papa dedicou sua alocução a meditar sobre a passagem do Evangelho de São Marcos (1, 21-28), na qual, após expulsar o demônio de um homem possuído, Ele lhe pede que mantenha esse «segredo messiânico».

Em vários momentos, constatou, Jesus «sempre volta a exortar, seja os apóstolos, seja os doentes, que cuidem para não revelar a ninguém sua identidade».

«Jesus não só expulsa os demônios das pessoas, libertando-as das piores escravidões, mas impede aos próprios demônios de revelarem sua identidade», continuou constatando o Papa, em suas palavras pronunciadas da janela de seus aposentos.

«Cristo – continuou explicando o Bispo de Roma – insiste sobre este ‘segredo’ porque está em jogo o sucesso de sua missão, da qual depende nossa salvação.»

«Ele sabe, de fato, que para libertar a humanidade do domínio do pecado, Ele deverá ser sacrificado sobre a cruz como verdadeiro cordeiro pascal», esclareceu o Santo Padre aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, do Vaticano.

«O diabo, por sua vez, busca dissuadir-lhe para derrotá-lo sob a lógica humana de um Messias poderoso e cheio de sucesso.»

«A cruz de Cristo será a ruína do demônio, e é para isso que Jesus não deixa de ensinar aos seus discípulos que, para entrar na sua glória, Ele deve padecer muito, ser rejeitado, condenado e crucificado, pois o sofrimento faz parte de sua missão.»

«Jesus sofre e morre na cruz por amor. Desse modo, Ele deu sentido ao nosso sofrimento, um sentido que muitos homens e mulheres de todas as épocas entenderam e tornaram seu, experimentando serenidade profunda também no amargor de duras provas físicas e morais.»
Fonte: Zenit

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Paulo de Tarso

Como estamos em Ano Paulino, um leitor nos sugeriu a publicação sobre obras de São Paulo. Achei muito interessane a sugestão e procurei por diversos autores que nos mostrassem um pouco sobre esse que foi essencial para que a mensagem de Cristo chegasse até nós hoje. E escolhi um texto, que apesar de ser um pouco longo, vale a pena ser lido, pois seu autor sabe melhor do que ninguém falar sobre esse grande homem de Deus!
Desejo a você uma ótima leitura!!
João Batista
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PAULO DE TARSO

Por Papa Bento XVI

Paulo, perfil do homem e do apóstolo

Queridos irmãos e irmãs!

Concluímos as nossas reflexões sobre os doze Apóstolos chamados directamente por Jesus durante a sua vida terrena. Iniciamos hoje a aproximar as figuras de outras personagens importantes da Igreja primitiva. Também elas dedicaram a sua vida ao Senhor, ao Evangelho e à Igreja. Trata-se de homens, e também de mulheres que, como escreve Lucas no Livro dos Actos, "expuseram as suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo" (15, 26).

O primeiro deles, chamado pelo próprio Senhor, pelo Ressuscitado, para ser também ele um verdadeiro Apóstolo, é sem dúvida Paulo de Tarso. Ele brilha como estrela de primeira grandeza na história da Igreja, e não só da primitiva. São João Crisóstomo exalta-o como personagem superior até a muitos anjos e arcanjos (cf. Panegirico, 7, 3).
Dante Alighieri na Divina Comédia, inspirando-se na narração de Lucas feita nos Actos (cf. 9, 15), define-o simplesmente "vaso de eleição" (Inf. 2, 28), que significa: instrumento pré-escolhido por Deus. Outros chamaram-no o "décimo terceiro Apóstolo" e realmente ele insiste muito para ser um verdadeiro Apóstolo, tendo sido chamado pelo Ressuscitado ou até "o primeiro depois do Único".
Sem dúvida, depois de Jesus, ele é o personagem das origens sobre a qual estamos mais informados. De facto, possuímos não só a narração que dele faz Lucas nos Atos dos Apóstolos, mas também um grupo de Cartas que provêm directamente da sua mão e sem intermediários nos revelam a sua personalidade e o seu pensamento.
Lucas informa-nos que o seu nome originário era Saulo (cf. Act 7, 58; 8, 1, etc.), aliás em hebraico Saul (cf. Act 9, 14.17; 22, 7.13; 26, 14), como o rei Saul (cf. Act 13, 21), e era um judeu da diáspora, estando a cidade de Tarso situada entre a Anatólia e a Síria. Tinha ido muito cedo a Jerusalém para estudar profundamente a Lei moisaica aos pés do grande Rabi Gamaliel (cf. Act 22, 3). Tinha aprendido também uma profissão manual e áspera, era fabricante de tendas (cf. Act 18, 3), que sucessivamente lhe permitiu sustentar-se pessoalmente sem pesar sobre as Igrejas (cf. Act 20, 34; 1 Cor 4, 12; 2 Cor 12, 13-14).

Para ele foi decisivo conhecer a comunidade dos que se professavam discípulos de Jesus. Por eles tinha sabido a notícia de uma nova fé um novo "caminho", como se dizia que colocava no seu centro não tanto a Lei de Deus, quanto a pessoa de Jesus, crucificado e ressuscitado, com o qual estava relacionada a remissão dos pecados. Como judeu zeloso, ele considerava esta mensagem inaceitável, aliás escandalosa, e por isso sentiu o dever de perseguir os seguidores de Cristo também fora de Jerusalém.
Foi precisamente no caminho para Damasco, no início dos anos 30, que Saulo, segundo as suas palavras, foi "alcançado por Cristo" (Fl 3, 12). Enquanto Lucas narra os fatos com riqueza de pormenores de como a luz do Ressuscitado o alcançou e mudou fundamentalmente toda a sua vida, ele nas suas Cartas vai diretamente ao essencial e fala não só da visão (cf. 1 Cor 9, 1), mas de iluminação (cf. 2 Cor 4, 6) e sobretudo de revelação e de vocação no encontro com o Ressuscitado (cf. Gl 1, 15-16).
De fato, definir-se-á explicitamente "apóstolo por vocação" (cf. Rm 1, 1; 1 Cor 1, 1) ou "apóstolo por vontade de Deus" (2 Cor 1, 1; Ef 1, 1; Col 1, 1), para realçar que a sua conversão não era o resultado de um desenvolvimento de pensamentos, de reflexões, mas o fruto de uma intervenção divina, de uma imprevisível graça divina. A partir daquele momento, tudo o que antes constituía para ele um valor tornou-se paradoxalmente, segundo as suas palavras, perda e lixo (cf. Fl 3, 7-10). A partir daquele momento todas as suas energias foram postas ao serviço exclusivo de Jesus Cristo e do seu Evangelho.

Agora a sua existência será a de um Apóstolo desejoso de "se fazer tudo em todos" (1 Cor 9, 22) sem reservas.

Isto constitui para nós uma lição muito importante: o mais importante é colocar no centro da própria vida Jesus Cristo, de modo que a nossa identidade se distinga essencialmente pelo encontro, pela comunhão com Cristo e com a sua Palavra. À sua luz todos os outros valores são recuperados e ao mesmo tempo purificados de eventuais impurezas.
Outra lição fundamental oferecida por Paulo é o alcance universal que caracteriza o seu apostolado. Vendo a agudeza do problema do acesso dos Gentios, isto é dos pagãos, a Deus, que em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado oferece a salvação a todos os homens sem excepções, dedicou-se totalmente a dar a conhecer este Evangelho, literalmente "boa notícia", isto é, anúncio de graça destinado a reconciliar o homem com Deus, consigo mesmo e com os outros. Desde o primeiro momento ele tinha compreendido que esta era uma realidade que não dizia respeito só aos judeus ou a um certo grupo de homens, mas que tinha um valor universal e se referia a todos, porque Deus é o Deus de todos.

O ponto de partida para as suas viagens foi a Igreja de Antioquia da Síria, onde pela primeira vez o Evangelho foi anunciado aos Gregos e onde também foi cunhado o nome de "cristãos" (cf. Act 11, 20.26), isto é, de crentes em Cristo. Dali ele dirigiu-se primeiro para Chipre e depois várias vezes para as regiões da Ásia Menor (Pisídia, Licaónia, Galácia), depois para as da Europa (Macedónia, Grécia). Mais relevantes foram as cidades de Éfeso, Filipos, Tessalônica, Corinto, sem contudo esquecer Beréia, Atenas e Mileto.

No apostolado de Paulo não faltaram dificuldades, que ele enfrentou com coragem por amor de Cristo. Ele mesmo recorda ter agido "pelos trabalhos... pelas prisões... pelos açoites, pelos frequentes perigos de morte... três vezes fui açoitado com varas, uma vez apedrejado; três vezes naufraguei... viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus concidadãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre os falsos irmãos; trabalhos e fadigas, repetidas vigílias com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez! E além de tudo isto, a minha obsessão de cada dia: cuidado de todas as Igrejas" (2 Cor 11, 23-28).
De um trecho da Carta aos Romanos (cf. 15, 24.28) transparece o seu propósito de chegar até à Espanha, às extremidades do Ocidente, para anunciar o Evangelho em toda a parte, até aos confins da terra então conhecida. Como não admirar um homem como este? Como não agradecer ao Senhor por nos ter dado um Apóstolo desta estatura?
É claro que não lhe teria sido possível enfrentar situações tão difíceis e por vezes desesperadas, se não tivesse havido uma razão de valor absoluto, perante a qual nenhum limite se podia considerar insuperável. Para Paulo, esta razão, sabemo-lo, é Jesus Cristo, do qual ele escreve: "O amor de Cristo nos impulsiona... para que, os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Cor 5, 14-15), por nós, por todos.

De facto, o Apóstolo dará o testemunho supremo do sangue sob o imperador Nero aqui em Roma, onde conservamos e veneramos os seus despojos mortais. Assim escreveu acerca dele Clemente Romano, meu predecessor nesta Sede Apostólica nos últimos anos do século I: "Por causa dos ciúmes e da discórdia Paulo foi obrigado a mostrar-nos como se obtém o prémio da paciência... Depois de ter pregado a justiça a todo o mundo, e depois de ter chegado até aos extremos confins do Ocidente, sofreu o martírio diante dos governantes; assim partiu deste mundo e chegou ao lugar sagrado, que com isso se tornou o maior modelo de perseverança" (Aos Coríntios, 5).
O Senhor nos ajude a pôr em prática a exortação que nos foi deixada pelo Apóstolo nas suas Cartas: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo" (1 Cor 11, 1).

CRISTOCENTRISMO

Na catequese precedente, há quinze dias, procurei traçar os aspectos essenciais da biografia do apóstolo Paulo. Vimos como o encontro com Cristo pelo caminho de Damasco revolucionou literalmente a sua vida.
Cristo tornou-se a sua razão de ser e o motivo profundo de todo o seu trabalho apostólico. Nas suas cartas, depois do nome de Deus, que aparece mais de 500 vezes, o nome que é mencionado com mais frequência é o de Cristo (380 vezes). Por conseguinte, é importante que nos apercebamos de quanto Jesus Cristo possa incidir na vida de um homem e portanto também na nossa própria vida. Na realidade, Jesus Cristo é o ápice da história salvífica e, desta forma, o verdadeiro ponto discriminante também no diálogo com as outras religiões.

Olhando para Paulo, poderíamos formular assim a pergunta fundamental: como acontece o encontro de um ser humano com Cristo? E em que consiste a relação que dele deriva? A resposta de Paulo pode ser compreendida em dois momentos.
Em primeiro lugar, Paulo ajuda-nos a compreender o valor absolutamente fundante e insubstituível da fé. Eis quanto escreve na Carta aos Romanos: "Pois estamos convencidos de que é pela fé que o homem é justificado, independentemente das obras da lei" (3, 28).
E também na Carta aos Gálatas: "O homem não é justificado pelas obras da Lei, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo; por isso, também nós acreditámos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei; porque pelas obras da Lei nenhuma criatura será justificada" (2, 16).
"Ser justificados" significa ser tornados justos, isto é, ser acolhidos pela justiça misericordiosa de Deus, e entrar em comunhão com Ele, e por conseguinte poder estabelecer uma relação muito mais autêntica com todos os nossos irmãos: e isto com base num perdão total dos nossos pecados. Pois bem, Paulo diz com muita clareza que esta condição de vida não depende das nossas eventuais boas obras, mas de uma mera graça de Deus: "Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus" (Rm 3, 24).

Com estas palavras São Paulo expressa o conteúdo fundamental da sua conversão, o novo rumo da sua vida que resultou do seu encontro com Cristo ressuscitado. Paulo, antes da conversão, não tinha sido um homem afastado de Deus e da sua Lei. Ao contrário, era um observante, com uma observância fiel até ao fanatismo.
Mas à luz do encontro com Cristo compreendeu que com isso tinha procurado edificar-se a si mesmo, à sua própria justiça, e que com toda essa justiça tinha vivido para si mesmo. Compreendeu que era absolutamente necessária uma nova orientação da sua vida. E encontramos expressa nas suas palavras esta nova orientação: "E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2, 20).

Por conseguinte, Paulo já não vive para si, para a sua própria justiça. Vive de Cristo e com Cristo: entregando-se a si mesmo, não mais procurando e construindo-se a si mesmo. Esta é a nova justiça, a nova orientação que o Senhor nos deu, que a fé nos deu. Diante da cruz de Cristo, expressão extrema da sua autodoação, não há ninguém que possa vangloriar-se a si, à própria justiça feita por si e para si! Noutra carta Paulo, fazendo eco a Jeremias, expressa este pensamento escrevendo: "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Cor 1, 31 = Jr 9, 22s); ou: "Quanto a mim, porém, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gl 6, 14).

Refletindo sobre o significado de justificação não pelas obras mas pela fé, chegamos ao segundo aspecto que define a identidade cristã descrita por São Paulo na própria vida. Identidade cristã que se compõe precisamente por dois elementos: este não procurar-se por si, mas receber-se de Cristo e doar-se com Cristo, e desta forma participar pessoalmente na vicissitude do próprio Cristo, até se imergir n'Ele e partilhar quer a sua morte quer a sua vida. É quanto escreve Paulo na Carta aos Romanos: "fomos baptizados na sua morte... fomos sepultados com Ele na morte... estamos integrados n'Ele... Assim vós também: considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus" (Rm 6, 3.4.5.11).
Precisamente esta última expressão é sintomática: para Paulo, de facto, não é suficiente dizer que os cristãos são batizados ou crentes; para ele é de igual modo importante dizer que eles são "em Cristo Jesus" (cf. também Rm 8, 1.2.39; 12, 5; 16, 3.7.10; 1 Cor 1, 2.3, etc.). Outras vezes ele inverte as palavras e escreve que "Cristo está em nós/vós" (Rm 8, 10; 2 Cor 13, 5) ou "em mim" (Gl 2, 20).
Esta mútua compenetração entre Cristo e o cristão, característica do ensinamento de Paulo, completa o seu discurso sobre a fé. A fé, de fato, mesmo unindo-nos intimamente a Cristo, realça a distinção entre nós e Ele. Mas, segundo Paulo, a vida do cristão tem também um componente que poderíamos dizer "místico", porque obriga a uma nossa identificação com Cristo e de Cristo connosco. Neste sentido, o Apóstolo chega até a qualificar os nossos sofrimentos como os "sofrimentos de Cristo em nós" (2 Cor 1, 5), de modo que "trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo" (2 Cor 4, 10).

Devemos inserir tudo isto na nossa vida quotidiana seguindo o exemplo de Paulo que viveu sempre com este grande alcance espiritual. Por um lado, a fé deve manter-nos numa atitude constante de humildade perante Deus, aliás, de adoração e de louvor em relação a ele.
De fato, o que nós somos como cristãos devemo-lo unicamente a Ele e à sua graça. Dado que nada nem ninguém pode ocupar o seu lugar, é preciso portanto que não tributemos a nada nem a ninguém a homenagem que a Ele prestamos.
Ídolo algum deve contaminar o nosso universo espiritual, porque neste caso, em vez de gozar da liberdade adquirida cairíamos de novo numa espécie de escravidão humilhante. Por outro lado, a nossa pertença radical a Cristo e o fato que "existimos n'Ele" deve infundir-nos uma atitude de total confiança e de imensa alegria.
Para concluir, de fato, devemos exclamar com São Paulo:"Se Deus está por nós, quem pode estar contra nós?" (Rm 8, 31). E a resposta é que ninguém "poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso" (Rm 8, 39). Por conseguinte, a nossa vida cristã baseia-se na rocha mais estável e segura que se possa imaginar. E dela tiramos toda a nossa energia, como escreve precisamente o Apóstolo: "De tudo sou capaz naquele que me dá força" (Fl 4, 13).

Enfrentemos portanto a nossa existência, com as suas alegrias e com os seus sofrimentos, amparados por estes grandes sentimentos que Paulo nos oferece. Fazendo deles experiência poderemos compreender como é verdadeiro o que o próprio Apóstolo escreve: "sei em quem acredito e estou persuadido de que Ele tem poder para guardar, até aquele dia, o bem que me foi confiado" (2 Tm 1, 12) do nosso encontro com Cristo Juiz, Salvador do mundo e nosso.

O ESPÍRITO SANTO

Também hoje, como nas duas catequeses precedentes, voltamos a São Paulo e ao seu pensamento. Estamos diante de um gigante não só a nível do apóstolo concreto, mas também da doutrina teológica, extraordinariamente profunda e estimulante. Depois de ter meditado na semana passada sobre o que Paulo escreveu acerca do lugar central que Jesus Cristo ocupa na nossa vida de fé, vemos hoje o que ele diz sobre o Espírito Santo e sobre a sua presença em nós, porque também aqui o Apóstolo tem algo muito importante para nos ensinar.

Conhecemos o que São Lucas nos diz do Espírito Santo nos Actos dos Apóstolos, descrevendo o evento do Pentecostes. O Espírito pentecostal traz consigo um vigoroso estímulo a assumir um compromisso da missão para testemunhar o Evangelho pelos caminhos do mundo. De fato, o Livro dos Atos narra uma série de missões realizadas pelos Apóstolos, primeiro na Samaria, depois ao longo da Palestina, e depois, em direcção à Síria.
São narradas sobretudo as três grandes viagens missionárias realizadas por Paulo, como já recordei num precedente encontro de quarta-feira. Mas São Paulo, nas suas Cartas fala-nos do Espírito também sob outra perspectiva.

Ele não se detém a ilustrar apenas a dimensão dinâmica e operativa da terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas analisa também a presença na vida do cristão, cuja identidade é marcada por ele. Em outras palavras, Paulo reflete sobre o Espírito expondo a sua influência não só no agir do cristão, mas também no seu ser. De fato, ele diz que o Espírito de Deus habita em nós (cf. Rm 8, 9; 1 Cor 3, 16) e que "Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho" (Gl 4, 6).

Portanto, para Paulo o Espírito conota-nos até às nossas profundezas pessoais mais íntimas. Em relação a isto, eis algumas das suas palavras de importante significado: "A lei do Espírito que dá a vida libertou-te, em Cristo Jesus, da lei do pecado e da morte... Vós não recebestes um Espírito que vos escravize e volte a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adoptivos. É por Ele que clamámos: Abbá, ó Pai!" (Rm 8, 2.15), porque somos filhos, podemos chamar "Pai" a Deus.
Portanto, vemos bem que o cristão, ainda antes de agir, já possui uma interioridade rica e fecunda, que lhe é concedida nos sacramentos do Batismo e da Confirmação, uma interioridade que o estabelece num relacionamento objectivo e original de filiação em relação a Deus.

Eis a nossa grande dignidade: a de não ser apenas imagem, mas filhos de Deus. Trata-se de um convite a viver esta nossa filiação, a estarmos cada vez mais conscientes de que somos filhos adotivos na grande família de Deus. É um convite a transformar este dom objetivo numa realidade subjetiva, determinante para o nosso pensar, para o nosso agir, para o nosso ser. Deus considera-nos seus filhos, tendo-nos elevado a uma tal dignidade, mesmo se não é igual, à do próprio Jesus, o único Filho em sentido pleno. Nele é-nos dada, ou restituída, a condição filial e a liberdade confiante em relação ao Pai.

Assim descobrimos que para o cristão o Espírito já não é apenas o "Espírito de Deus", como se diz normalmente no Antigo Testamento e se continua a repetir na linguagem cristã (cf. Gn 41, 38; Êx 31, 3; 1 Cor 2, 11.12; Fl 3, 3; etc.). E também não é apenas um "Espírito Santo" entendido em sentido genérico, segundo o modo de expressar-se do Antigo Testamento (cf. Is 63,10.11; Sl 51, 13), e do próprio Judaísmo nos seu escritos (Qunram, rabinismo).

De fato, pertence à especificidade da fé cristã a confissão de uma original partilha deste Espírito por parte do Senhor ressuscitado, o qual se tornou Ele mesmo "Espírito que dá vida" (1 Cor 15, 45). Precisamente por isso São Paulo fala diretamente do "Espírito de Cristo" (Rm 8, 9), do "Espírito do Filho" (Gl 4, 6) ou do "Espírito de Jesus Cristo" (Fl 1, 19). É como se quisesse dizer que não só Deus Pai é visível no Filho (cf. Jo 14, 9), mas que também o Espírito de Deus se expressa na vida e nas ações do Senhor crucificado e ressuscitado!

Paulo ensina-nos também outra coisa importante: ele diz que não existe verdadeira oração sem a presença do Espírito em nós. De fato, escreve: "O Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir como é verdade que não sabemos como falar com Deus! ; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações conhece as intenções do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos" (Rm 8, 26-27).
É como dizer que o Espírito Santo, isto é, o Espírito do Pai e do Filho, é como a alma da nossa alma, a parte mais secreta do nosso ser, de onde se eleva incessantemente a Deus um dístico de oração, da qual nem sequer podemos esclarecer as palavras.

De fato, o Espírito sempre ativo em nós, supre às nossas carências e oferece ao Pai a nossa adoração, juntamente com as nossas aspirações mais profundas. Naturalmente isto exige um nível de maior comunhão vital com o Espírito. É um convite a ser cada vez mais sensíveis, mais atentos a esta presença do Espírito em nós, a transformá-la em oração, a ouvir esta presença e a aprender assim a rezar, a falar com o Pai como filhos no Espírito Santo.

Há também outro aspecto típico do Espírito que nos foi ensinado por São Paulo: é a sua ligação com o amor. De fato, São Paulo escreve: "A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5, 5).
Na minha Carta encíclica "Deus caritas est" citei uma frase muito eloquente de Santo Agostinho: "Se vês a caridade, vês a Trindade" (n. 19), e prossegui explicando: "O Espírito é aquela força que harmoniza seus corações [dos crentes] com o coração de Cristo e leva-os a amar os irmãos como Ele os amou" (ibid.). O Espírito insere-nos no próprio ritmo da vida divina, que é vida de amor, fazendo-nos pessoalmente partícipes dos relacionamentos existentes entre o Pai e o Filho. Não é sem significado que Paulo, quando elenca as várias componentes da frutificação do Espírito, coloque em primeiro lugar o amor: "O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, etc." (cf. Gl 5, 22).

E dado que por definição o amor une, isto significa antes de tudo que o Espírito é criador de comunhão no âmbito da comunidade cristã, como dizemos no início da Santa Missa com uma expressão paulina: "... a comunhão do Espírito Santo [ou seja, a que é realizada por ele] esteja com todos vós!" (2 Cor 13, 13).
Mas, por outro lado, é também verdade que o Espírito nos estimula a estabelecer relacionamentos de caridade com todos os homens. Dado que, quando amamos damos espaço ao Espírito, permitimos que se expresse em plenitude. Compreende-se assim por que Paulo coloca na mesma página da Carta aos Romanos as duas exortações: "deixai-vos inflamar pelo Espírito" e "não pagueis a ninguém o mal com o mal" (Rm 12, 11.17).

Por fim, o Espírito segundo São Paulo é um penhor generoso que nos é dado pelo próprio Deus como antecipação e ao mesmo tempo como garantia da nossa herança futura (cf. 2 Cor 1, 22; 5, 5 Ef 1, 13-14). Aprendemos assim de Paulo que a ação do Espírito orienta a nossa vida para os grandes valores do amor, da alegria, da comunhão e da esperança. Compete a nós fazer deles experiência quotidiana acompanhadas pelas sugestões interiores do Espírito, ajudados no discernimento pela orientação iluminadora do Apóstolo.

A VIDA NA IGREJA

Completamos hoje os nossos encontros com o apóstolo Paulo, dedicando-lhe uma última reflexão. De fato, não podemos despedir-nos dele, sem considerar uma das componentes decisivas da sua atividade e um dos temas mais importantes do seu pensamento: a realidade da Igreja.
Devemos antes de tudo constatar que o seu primeiro contato com a pessoa de Jesus se realiza através do testemunho da comunidade cristã de Jerusalém. Foi um contato conturbado. Tendo conhecido o novo grupo de crentes, ele tornou-se imediatamente um seu orgulhoso perseguidor. Ele mesmo o reconhece nas suas três Cartas: "Persegui a Igreja de Deus", escreve (1 Cor 15, 9; Gl 1, 13; Fl 3, 6), quase como a apresentar este seu comportamento como o pior dos crimes.

A história mostra-nos que se alcança normalmente Jesus através da Igreja! Num certo sentido, isto verificou-se, dizíamos, também para Paulo, o qual encontrou a Igreja antes de encontrar Jesus.

Mas este contato, no seu caso, foi contraproducente, não causou a adesão, mas uma violenta repulsa. Para Paulo, a adesão à Igreja foi propiciada por uma intervenção direta de Cristo, o qual, tendo-se-lhe revelado no caminho de Damasco, se identificou com a Igreja e lhe fez compreender que perseguir a Igreja era perseguir o Senhor.
De fato, o Ressuscitado disse a Paulo, o perseguidor da Igreja: "Saulo, Saulo, porque me persegues?" (Act 9, 4). Perseguindo a Igreja, perseguia Cristo. Então Paulo converteu-se, ao mesmo tempo, a Cristo e à Igreja.
Disto compreende-se depois porque a Igreja tenha estado tão presente nos pensamentos, no coração e na atividade de Paulo. Em primeiro lugar, porque ele fundou literalmente muitas Igrejas nas várias cidades onde foi para evangelizar. Quando fala da sua "solicitude por todas as Igrejas" (2 Cor 11, 28), ele pensa nas várias comunidades cristãs suscitadas de cada vez na Galácia, na Iónia, na Macedónia e na Acaia.
Algumas daquelas Igrejas também lhe deram preocupações e desgostos, como aconteceu por exemplo nas Igrejas da Galácia, que ele viu seguir "outro Evangelho" (Gl 1, 6), ao que se opôs com firme determinação. Contudo ele sentia-se ligado às Comunidades por ele fundadas de maneira não fria nem burocrática, mas intensa e apaixonada.
Assim, por exemplo, define os Filipenses "meus caríssimos e saudosos irmãos, minha coroa e alegria" (4, 1). Outras vezes compara as várias Comunidades com uma carta de apresentação única no seu género: "A nossa carta sois vós, uma carta escrita nos nossos corações, conhecida e lida por todos os homens" (2 Cor 3, 2).
Outras vezes ainda mostra em relação a eles um verdadeiro sentimento não só de paternidade mas até de maternidade, como quando se dirige aos seus destinatários interpelando-os como "Meus filhos, por quem sinto outra vez as dores de parto, até que Cristo se forme entre vós!" (Gl 4, 19; cf. também 1 Cor 4, 14-15; 1 Ts 2, 7-8).

Nas suas Cartas Paulo ilustra-nos a sua doutrina sobre a Igreja como tal. Portanto, é muito conhecida a sua original definição da Igreja como "corpo de Cristo", que não encontramos noutros autores cristãos do I século (cf. 1 Cor 12, 27: Ef 4, 12; 5, 30; Cl 1, 24).
A raiz mais profunda desta surpreendente designação da Igreja encontrámo-la no Sacramento do corpo de Cristo. Diz São Paulo: "Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo" (1 Cor 10, 17).
Na mesma Eucaristia Cristo dá-nos o seu Corpo e faz-nos seu Corpo. Neste sentido São Paulo diz aos Gálatas: "todos sois um em Cristo" (Gl 3, 28). Com tudo isto Paulo faz-nos compreender que existe não só uma pertença da Igreja a Cristo, mas também uma certa forma de equiparação e de identificação da Igreja com o próprio Cristo.
Portanto, é daqui que deriva a grandeza e a nobreza da Igreja, ou seja, de todos nós que a ela pertencemos por sermos membros de Cristo, quase uma extensão da sua presença pessoal no mundo. E daqui se origina, naturalmente, o nosso dever de viver realmente em conformidade com Cristo.
Daqui derivam também as exortações de Paulo a propósito dos vários carismas que animam e estruturam a comunidade cristã. Todos eles reconduzem a uma única fonte, que é o Espírito do Pai e do Filho, sabendo bem que na Igreja ninguém está desprovido dele, porque, como escreve o Apóstolo, "a cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum" (1 Cor 12, 7). Mas é importante que todos os carismas cooperem juntos na edificação da comunidade e não se tornem ao contrário motivo de dilaceração.
A este propósito, Paulo pergunta retoricamente: "Estará Cristo dividido?" (1 Cor 1, 13). Ele sabe bem e ensina-nos que é necessário "manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança" (Ef 4, 3-4).

Sem dúvida, realçar a exigência da unidade não significa afirmar que se deva uniformizar ou nivelar a vida eclesial segundo um único modo de agir. Noutro texto Paulo ensina a "não apagar o Espírito" (1 Ts 5, 19), isto é, a dar generosamente espaço ao dinamismo imprevisível das manifestações carismáticas do Espírito, o qual é fonte de energia e de vitalidade sempre nova.
Mas se há um critério do qual Paulo não prescinde é a mútua edificação: "que tudo se faça de modo a edificar" (1 Cor 14, 26). Tudo deve concorrer para construir ordenadamente o tecido eclesial, não só sem estagnação, mas também sem fugas ou excepções.
Depois, há outra Carta paulina que chega a apresentar a Igreja como esposa de Cristo (cf. Ef 5, 21-33). Com isto retoma-se uma antiga metáfora profética, que fazia do povo de Israel a esposa do Deus da aliança (cf. Os 2, 4.21; Is 54, 5-8): com isto pretende-se dizer quanto sejam íntimas as relações entre Cristo e a sua Igreja, quer no sentido de que ela é objeto do amor mais terno da parte do seu Senhor, quer também no sentido de que o amor deve ser recíproco e que, por conseguinte também nós, como membros da Igreja, devemos demonstrar fidelidade apaixonada em relação a Ele.

Definitivamente, está em jogo a relação de comunhão: a vertical entre Jesus Cristo e todos nós, e também a horizontal entre todos os que se distinguem no mundo pelo fato de "invocar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1, 2). Esta é a nossa definição: nós pertencemos àqueles que invocam o nome do Senhor Jesus Cristo.
Portanto compreende-se bem quanto seja desejável que se realize o que o próprio Paulo deseja ao escrever aos Coríntios: "Mas se todos começarem a profetizar e entrar ali um descrente qualquer ou simples ouvinte, há-de sentir-se tocado por todos, julgado por todos; os segredos do seu coração serão desvendados e, prostrando-se com o rosto por terra, adorará a Deus, proclamando que Deus está realmente no meio de vós" (1 Cor 24-25). Assim deveriam ser os nossos encontros litúrgicos. Um não cristão que entra numa assembleia nossa, no final deveria poder dizer: "Verdadeiramente Deus está convosco". Peçamos ao Senhor que sejamos assim, em comunhão com Cristo e em comunhão entre nós.
Papa Bento XVI
Santa Sé

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Fonte: Vaticano