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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Salário mínimo


400 Euros mensais é o valor que define em espaço europeu o limiar da pobreza. Sócrates, com pompa e circunstância, veio anunciar que no próximo ano o salário mínimo nacional seria actualizado para aproximadamente 450 euros. Tal anúncio não traz novidade, resulta dos acordos de concertação social assinados faz muito tempo. Envolve um compromisso prévio do governo, dos sindicatos e do patronato.
São cerca de 300.000 os trabalhadores directamente influenciados pela actualização, mas ascenderão a cerca de um milhão os indirectamente benificiados, por terem o seu salário directamente indexado ao salário mínimo.
Importa dizer que este é dos salários mínimos mais baixos de toda a UE, e o mais baixo se nos reportarmos à antiga ideia de Europa Ocidental. Os trabalhadores portugueses, quando comparados com os outros trabalhadores europeus, ganham mal e porcamente.
Apesar do momento de crise, Vanzeller veio confirmar que os acordos são para cumprir, pede apenas uma reunião de definição de implementação. Tentativa dilatória? Esperemos que não.
Francamente, não consegui até hoje encontrar uma razão para o dislate de Ferreira Leite ao classificar a actualização do salário mínimo como uma irresponsabilidade. Pelo menos, lata não lhe falta, até para as maiores barbaridades. É de facto séria, diz o que pensa. O problema é que o seu pensamento não presta, não serve ao país. Não se conhece a esta senhora uma critica ao escândalo dos salários milionários e desajustados que por aí proliferam; contudo, preocupa-se com a actualização do salário mínimo. A bem das contas, deixa o muito a quem tem demais, e compõe o resultado tirando a quem mais precisa. É inqualificável.
A crise terá custos incontornáveis; para não passar dramáticamente do plano económico para o social, terá de implicar solidariedade e medidas de patrocínio da coesão social. Deverá haver uma preservação de mínimos para sustentabilidade da ordem e de alguma tranquilidade social.
Sócrates não está a dar nada a ninguém, nunca o fez. Neste caso, está a cumprir os mínimos que até o patronato nacional entende serem correctos. Ferreira Leite, para além de se revelar incapaz para as funções futuras a que se propõe, falha na função presente ao inflacionar o valor real da medida do governo. O seu salário é manifestamente alto para a qualidade revelada no desempenho das funções. Esse sim, uma irresponsabilidade!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Desconcertação Social


Há já uns dias que esta brincadeira de carnaval do sr. van Zeller não me sai da cabeça. Sempre defendi que a sociedade portuguesa precisava de sindicatos genuinos e independentes dos interesses partidários e que deveria haver um patronato sério, organizado, capaz de alavancar o país rumo ao progresso. Os sindicatos são o que se vê e o patronato organizado não representa os garndes empresários que ainda resistem e teriam algo para dar ao país. Com este governo pelo meio, a concertação social é uma vergonha. Quem paga é o povo. De novo e sempre.

Não resisto a falar de um caso que vivo todos os dias. Uma PME de excelência, com todas as certificações possiveis, vencedora de prémios, a melhor do país no seu ramo de actividade. Ali as pessoas são isso mesmo, pessoas. Recebem vários tipos de "condecoração" á medida que o seu tempo na empresa vai passando; quarenta anos de dedicação à empresa são vistos com respeito e festejados por todos. Resulta que os mais velhos estão abertos á novidade e os mais novos respeitam a experiência. Resulta que é natural o comprometimento colectivo com o interesse da empresa porque é adquirido que a administração da empresa também "cuida dos seus". Não por acaso, a produtividade da empresa é exemplar, ao nível da dos países mais desenvolvidos mundo. Os trabalhadores são, na sua esmagadora maioria, portugueses. Provávelmente, a última das preocupações dos administradores desta empresa é a agilização do desemprego; é natural, têm outras prioridades como gerir bem e criar riqueza. Os impostos devidos são pagos, a lei é cumprida, a contabilidade reflete o sucesso que se consolida ano após ano.

Olhando para este caso concreto, que bem conheço, e para outros, do sector automóvel aos moldes, fico perplexo e angustiado quando deparo com o grupelho de patrões que, á falta de saber fazer melhor, propõe o emprego descartável como meio de salvação das empresas. Resumindo, a troupe do sr. van Zeller pensa que resolve o problema espremendo o trabalho dos jovens e atirando para o estado e a segurança social aqueles que, espremidos e esgotados, poderão ser substituidos por novos trabalhadores num ciclo repetitivo de consumo optimizado de mão de obra!

É este neo-liberalismo despersonalizado que não suporto; que uma direita estupidificada apascenta e que uma esquerda desactualizada e autista legitima. Urge edificar um tempo de mudança, centrado no humanismo e na solidariedade como contrapartida da responsabilidade e compromissos mútuos. Não é dificil e as receitas de verdadeiro sucesso passam por aí. Sou um democrata-cristão optimista e não me rendo.

Já agora, o sr. van Zeller e sus muxaxos não estarão em idade de ser substituidos por gente mais jovem e, sobretudo, mais capaz????