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quarta-feira, 28 de abril de 2010

E que tal

Perante o cenário que atravessamos...
  • e que tal parar de imediato com todos os projectos, estudos e quejandos do TGV e do AeroLisboa?
  • e que tal haver um sentimento patriótico nas centrais sindicais (não sei se eles percebem as palavras) e serem desconvocadas todas as greves durante este ano?
  • e que tal os banqueiros em vez de ameaçarem de imediato com aumentos das prestações dos empréstimos pensassem em conter os seus ganhos (haverá mais algum sector de actividade que, no contexto actual, consiga repercutir de imediato o aumento de custo no preço de venda)?
  • e que tal, se na função pública há na generalidade gente a mais e produção a menos, fazer um lay-off de 1 dia por semana?

... talvez Portugal pudesse melhorar um bocadinho!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O fim da crise

Em Agosto, entusiasmado pelos dados do INE que indicavam um crescimento do PIB, e também entusiasmado pela pré-campanha eleitoral que então se vivia, José Sócrates proclamava alto e bom som que para Portugal aqueles dados significavam "o princípio do fim da crise".
Hoje o INE publica dados da produção industrial referente a Setembro, ou seja, imediatamente após o princípio do fim da crise.
Surpresa, face às afirmações de Sócrates, o resultado é negativo. E com um quebra de 2% relativamente a Agosto. E o 3º trimestre tem uma quebra de 1.8% relativamente ao 2º.
Vamos aguardar os comentários do Primeiro-Ministro que terá certamente, face a estes dados, algo para explicar aos Portugueses.

domingo, 7 de junho de 2009

Noite Europeia II


Sócrates igual a si próprio. A culpa foi de Vital e da crise. O governo só será julgado em outubro. Está porreiro pá!

domingo, 19 de abril de 2009

Alta tensão


O discurso de Cavaco Silva na abertura do 4.º Congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores só pecou por tardio. O país esperava por este discurso do chefe de estado há já tempo demais, era um imperativo moral e nacional.
O discurso de Cavaco tocou todos os pontos que são essênciais, lançou todos os avisos que se impõe, não poupou no detalhe das criticas que são mais do que justas ao desnorte de Sócrates.
Não era mais possível o silêncio perante este governo que, refém da crise e do caso Freeport, foge em frente num permanente delírio de psicadelismo político.
Este é o discurso que consolida a separação entre Belém e São bento, mas que não consuma ainda divórcio. Cavaco, calculista, olha para a Lapa sem vontade de escapadelas, muito menos de casar de novo...
Sócrates, igual a si próprio, já veio fazer a birrinha e acusar o toque. Deveria comer e calar; é que desta vez, o presidente tem mesmo razão.

terça-feira, 17 de março de 2009

A não perder

Quando a tormenta assume proporções de catástrofe, há poucos ancoradouros fiáveis, com alicerces suficientemente profundos e sólidos. Gosto sempre de ler e de ouvir o Prof. Adriano Moreira, a sua sabedoria dá-nos sempre bons pontos de reflexão nos momentos mais conturbados. Vale a pena ler a sua crónica de hoje no DN aqui.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Finalmente, alguem disse

"É uma crise gravíssima, quase como um abalo de terra, que está a gerar uma angústia profunda, porque não sabemos o que havemos de fazer mais", disse Basilio Horta. Mais, Basilio advoga que "a crise é tão grave que é quase uma emergência", sendo necessário uma "solidariedade nacional" e um "consenso nacional" para a enfrentar, deixando de lado as diferenças partidárias.
Quem vive o seu dia a dia nas empresas, já tinha chegado a esta conclusão. A situação real está longe do ilusionismo de Sócrates e da impertinência de Ferreira Leite, a realidade exige muito mais; acima de tudo, responsabilidade e sentido de estado. Já o pedi, com sugestão idêntica em post recente... Ninguém o tem demonstrado, é esta a grande angústia.
Finalmente, Basilio Horta disse o que precisava de ser dito e ninguém tinha tido coragem de dizer, perdão, Luis Nobre Guedes também o disse deixando muita gente incomodada com a ideia.
Vencerá a política ou a partidarite?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Surreal

Na entrevista da semana passada, o primeiro-ministro conjecturou sobre o possível calendário eleitoral deste ano.
Neste fim de semana, mantendo o clima de picardia Belem-S. Bento, o presidente diz que não falou com ninguem sobre o dito calendário.
Neste momento de profunda e justificada apreensão com a recessão que já aí está, foi esta a grande notícia de domingo.
Estará tudo doido?
Achará alguem que este é um tema de interesse para algum português normal?
Isto anda bem pior do que eu imaginava...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A entrevista II

Muito rapidamente, alguns pontos a reter para reflexão sobre a entrevista de Sócrates ontem na SIC.
Com um enorme atraso, depois de afirmações ridículas e irresponsáveis, o primeiro-ministro assume que Portugal entrará em recessão. É oficial.
Como receita para a crise, o primeiro-ministro joga tudo no investimento público como forma de relançar a economia. Falou da rede escolar, da energia, mas todos sabemos que virá aí o TGV, o aeroporto, a ponte e auto-estradas que não precisamos, que nos endividarão e que não colmatarão a brecha especifica de desemprego que a recessão criará.
Disse que salvará todas as empresas realmente viáveis! As empresas viáveis são isso mesmo, não precisam de ser salvas! As que precisam de ajuda são as que atravessam dificuldades e precisam de planos de reestruturação e apoios que as tornem viáveis.
Não ouvimos planos concretos de incentivo à dinamização do tecido empresarial, à captação de mais investimento estrangeiro, ao reforço da competitividade.
Do ponto de vista político, os dois factos da noite foram o pedido da maioria absoluta e a intenção de manutenção da tensão política com Belém.
O pedido de maioria absoluta revela a fragilidade de Sócrates e a sua percepção clara de que já a perdeu.
A tensão com Belém revela uma tentativa de afirmação forte e potenciadora de factos que distraiam os portugueses do essencial. Resta saber se Cavaco alinhará no jogo. Para já, o jackpot das eleições antecipadas parece fora de causa.
Esta entrevista, ao contrário do seu objectivo, ainda nos deixou mais preocupados e apreensivos quanto ao futuro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Tan cerca y tan lejanos


Temos a já tradição familiar de passar os últimos dias do ano em Salamanca. Como costumamos dizer, vimos a termas. Fazemos uma verdadeira cura: livros, tempo para ler, jamon iberico, tapas gourmet do Momo, cava, cruzeta y pluma de iberico no Patio Chico, um Rioja que se chama Orgasmus no Erasmus, chocolate con churros no Novelty, iguarias chanceladas pelo Adriá no Pecado, com sorte, ainda tempo para uma perdiz no Rio de la Plata. A mistura com a monumentalidade impressionante, o frio seco, como eu gosto, e a tradicional movida, tornam a receita perfeita.
Mas, há também o resto. Espanha vive o primeiro ano de crise e anúncio da recessão; o "paro" está a níveis assustadores, os preços mais altos que nunca, vai-se mais "de vitrines" que "de tiendas". A tormenta chegou aqui.
Contudo, a forma como os espanhois enfrentam as dificuldades é única. A Plaza Mayor e as ruas circundantes enchem-se como sempre. Os abrigos de piel vêm de melhores anos e resistem às más noticias; os puros podem já não ser Montecristo, mas continuam acesos; as raciones passam a tapas, mas não se deixa de passar no café para encontrar os amigos e dar duas de conversa. Lembro-me das histórias da minha avó, observadora privilegiada dos castelhanos em plena guerra civil, que me contava da afición, da vaidade, da alegria com que esta gente, mesmo com fome, saía á rua, convivia, e seguia em frente.
Não é definitavamente o nosso estilo, não sei se me identifico, mas não deixa de me fascinar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A vez do BPP

Depois do BPN, vem agora o BPP. A ordem alfabética é mera coincidência, esperemos que acabem aqui as coincidências. João Rendeiro deu a cara e veio a público explicar a situação, mais importante, pedir ajuda ao Estado. Precisam com urgência de um aval do Estado para um empréstimo de 750 milhões de euros.
É um lado da história, parece coerente e bem contado. Teremos de esperar pelos próximos dias para poder ter uma perspectiva mais abrangente.
Definitivamente, o país real vai desmentindo Sócrates, a crise teima em mostrar as garras.

domingo, 2 de novembro de 2008

Que é feito de si?


Subscrevo na íntegra as palavras da Casual Friday sobre a ecatombe do BPN. Resta esperar para ver se há coragem do governo Sócrates e se veremos consequências para este fartar de vilanagem ou se, pelo contrário, optam pela postura lamentável de força perante os fracos e fraqueza perante os fortes...
Mas, ainda mais grave, porque do próprio estado, é preciso saber por onde anda Victor Constancio. É preciso saber qual foi o papel do Banco de Portugal. É que em Portugal, ao contrário dos Estados Unidos, há mecanismos de vigilância e regulação. O papel do Governador não é ajudar a derrubar governos umas vezes e vender gato por lebre, outras tantas vezes. O caso BCP já tinha sido revelador da sua incompetência para o cargo, este caso ameaça proporções mais gravosas.
Esperemos esclarecimentos e consequências claras.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Les bourgeois

As notícias vão passando, entre gurus optimistas e profetas da desgraça, lembrei-me desta "petite hommage" ao dinheiro fácil. Do inspiradíssimo Brel.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Notas da crise ....


E foi um ar que lhes deu ....
O mínimo que se pode dizer é que a crise é como a duracell: dura, e dura, e dura ......

Eis os mais recentes episódios:

O GOVERNO e o banco central holandês resgataram ontem o ING depois de terem acordado uma injecção de capital de 9 mil milhões de euros para evitar a falência de um dos maiores bancos holandeses. Este será o segundo banco que o governo holandês vai salvar depois de ter resgatado o Fortis, em conjunto com os governos belga e luxemburguês.

A CAISSE d Espargne, que agrupa as caixas de aforro francesas, anunciou perdas de 600 milhões de euros em consequência de um importante acidente bolsista na actividade de derivados de acções, a semana passada.

CINCO bancos austríacos adquiriram o Constantia Privatbank e vão injectar-lhe liquidez no montante de 400 milhões de euros, enquanto o Banco Central da Áustria adicionará 50 milhões de euros, para assegurar os depósitos dos clientes no valor de 10 mil milhões de euros. É o resgate do primeiro banco austríaco em dificuldade devido à crise.

O Presidente do Deutsche Bank, Josef Ackerman, anunciou ter renunciado ao seu bónus anual, por solidariedade. Anunciei ao Conselho Fiscal do Deutsche Bank que renunciava neste ano difícil ao meu bónus em proveito de trabalhadores que têm mais necessidade de dinheiro que eu", explicou o patrão do principal banco alemão ao semanário Bild am Sonntag.
Os outros três membros da direcção do banco vão seguir o exemplo do presidente, precisou o Deutsche Bank. Em 2007, a direcção havia embolsado 33,2 milhões de euros, dos quais 4,3 milhões sob a forma de prémio indexado à rendibilidade da instituição. Deste total, 12,5 milhões de euros foram encaixados por Josef Ackerman.

Investidores líbios, entre os quais o banco central daquele país do Norte de África, reforçaram a sua participação no UniCredit, o maior banco italiano. Só este mês, e até quinta-feira passada, a capitalização bolsista do banco italiano caiu 32%, na sequência da crise financeira global. Os líbios são bem-vindos e podem fortalecer o UniCredit , comentou à Bloomberg Patrizio Pazzaglia, um gestor de fundos no Insinger de Beaufort em Roma.

Os bancos britânicos vão ser submetidos a um controlo mais apertado, na sequência da crise do crédito, anunciou sexta-feira o responsável da Autoridade de Serviços Financeiros (FSA na sigla inglesa) em duas entrevistas. Adair Turner disse que até agora a FSA, que na prática é o polícia das finanças britânicas , tem regulado a prática dos bancos britânicos com brandura .

O efeito dominó continua a fazer sentir-se na actual crise financeira global. Da falência (ou quase) de instituições financeiras nos Estados Unidos e Europa, passou-se ao risco de colapso financeiro dos países.
A ameaça é substancialmente mais elevada nas economias com maiores défices da balança corrente e de capital obrigadas a recorrer a financiamento estrangeiro para financiar a actividade económica doméstica. Nestes casos, não se lida apenas com a maior dificuldade de acesso ao crédito por parte de famílias e empresas. Mas também com a fuga dos investidores de activos e destinos considerados mais arriscados, o que contribui para a queda acentuada do valor das divisas, tomando ainda mais cara a aquisição de crédito lá fora. São os casos da Islândia, da Ucrânia e da Hungria.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Pergunta impertinente

Já repararam que deviamos ter investido todo o nosso dinheiro em bolsa na passada sexta-feira?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ainda o Lehman...

Auditor's one line report on Lehman Brothers Balance sheet:

"There are two sides of a Balance Sheet, Left & Right (Assets and Liabilities respectively):
On the Right side there is nothing right and on the Left side there is nothing left".

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A tanga do 5 de Outubro

O 5 de Outubro é data que não augura nada de bom, o discurso de Cavaco provou-o. É evidente a minha distância de Cavaco, como é evidente o meu respeito pelas qualidades que lhe reconheço. Não há um segundo de espontaneidade na vida de Cavaco, pelo menos na vida pública, todas as suas palavras são milimetricamente pensadas, cada intervenção cuidadosamente pesada, cada sinal friamente ponderado. O discurso de ontem, mais do que um sinal de afastamento prudente de Sócrates, é um primeiro aviso a todos os portugueses, é o anúncio de tempos bem mais negros do que qualquer um de nós quer admitir.
Friamente, Cavaco começa a ponderar que Sócrates poderá ser engolido pelo tsunami da crise e Ferreira Leite poderá acabar em S. Bento por exclusão de partes. Menos friamente, sente-se tentado com a submissão absoluta que Ferreira Leite tem praticado, sugerindo um futuro governo coordenado a partir de Belém. A jogada é arriscada, mas inteligente. Ferreira Leite desde cedo percebeu que não é a desejada de ninguém, entre aquecer o lugar de outro e jogar os seus trunfos, decidiu jogar, um direito mais que legítimo. Assim, perante a ameaça de grave crise, assume o seu apagamento na esperança de vender ao país um presidencialismo informal, na ânsia que o país compre um Cavaco timoneiro da nau nas fortes tormentas. É um dado novo, interessante e, conhecendo o nosso povo, capaz de produzir frutos.
No presente, vamos ver como reagem melhor os portugueses; se ao optismo que Sócrates mantém, se ao revisitado discurso da tanga de Cavaco.
O problema real é que, desta vez, é Cavaco quem está a dizer a verdade.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Fumo cinza...

A aprovação esta madrugada do plano Paulson abre uma janela de oportunidade. O fumo passou de negro a cinzento, poderá clarear na sexta com a aprovação da Câmara dos Representantes. Para passar a branco, depende fortemente do entendimento franco-germânico na cimeira que sábado reunirá os europeus do G8 + Barroso + Trichet + Juncker.
Vamos ver como se comporta desta vez a Europa em situação limite.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Crise


Bush está desesperado para conseguir um plano de alívio para a crise profunda que a sua administração permitiu. No bom estilo neo-liberal, privatizou os lucros, até os ilegitimos, e agora socializa os prejuizos. Não fosse a cascata de consequências que a crise acarreta, apetecia mesmo era que se entalassem no cadafalso que abriram.

Hoje reuniu-se com democratas e repúblicanos, incluindo Obama e McCain, o resultado foi um tremendo flop. Por causa de quem? Essencialmente, dos repúblicanos. McCain arrisca tudo para tentar a sua eleição, foge de Bush como o demo da cruz. Como vai reagir o eleitorado?