Escrevi aqui, nos primeiros passos deste enguia fresca, um post sobre o prazer de rever os clássicos das séries de televisão. Na altura a RTP Memória passava The Persuaders com Roger Moore e Tony Curtis; foi uma temporada deliciosa, serões sempre começados da melhor maneira. Entretanto veio Holmes e Watson, com qualidade, mas confesso que de Connan Doyle prefiro a escrita às adaptações dela decorrentes.
Hoje, acidentalmente, em mais um zapping que foge do pessimo humor do prime-time, dos hospitais e das casamenteiras ou sucedâneos, dou de caras, no sítio do costume, com a reposição de Os Vingadores. Cheers!
Emma Peel e John Steed, em cena permanente entre 1961 e 1969, partilhavam com Os Persuasores um apurado sentido estético que atesta hoje a vocação britânica de trendsetting, fusão do clássico com o avant-garde, bem mais vanguardista que o mais tardio, pouco imaginativo, "tweed revival". Tudo aqui é cuidado ao pormenor, os vestidos de Ms. Peel, o incomparável Bentley Green Speed Six de 1926 de Steed, o fashionable Lotus Elan de Peel, a "decoração" das ruas, a fabulosa musica de Laurie Johnson, acima de tudo, o refinado humor e a inultrapassável fleuma. Nos Vigadores, como nos Persuasores, a morte evidente é o último recurso, os maus são invariávelmente entregues a autoridades que, longe dos nossos olhos, tratarão da maçadoria burocrática enquanto Peel e Steed brindam com champagne. Cheers again!
Diana Rigg e Patrick Macnee vivem os personagens de forma tão perfeita que ainda hoje lhes estão colados no imaginário colectivo. O interesse da série ultrapassa o do mero objecto de época e entretem hoje, se calhar, de forma mais divertida do que então.
Uma curiosidade para terminar, Steed, paradigma do british gentleman, é vestido em todos os episódios por... Pierre Cardin. Ah... le look anglais!