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domingo, 24 de maio de 2009


A eurodeputada socialista Ana Gomes fez hoje um ataque cerrado a Pedro Santana Lopes, acusando-o de "parolice", "provincianismo abjecto" e despesismo por tentar contratar o arquitecto Frank Gery para remodelar o Parque Mayer em Lisboa.
É um ponto de vista respeitável, chamar Frank Gery para remodelar o Parque Mayer é uma coisa do tipo chamar Pitanguy para remodelar Ana Gomes. Too much!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A mulher de César

Não quero com este post levantar qualquer tipo de suspeita sobre a eventual ligação de José Socrates ao caso Freeport.
Contudo, em política e na coisa pública, há outros factores a ter em conta. Estou a lembrar-me do aproveitamento político que o PS fez do caso Moderna, estou a lembrar-me de todas as outras inventonas que visaram descredibilizar ministros do governo PSD/CDS.
Na altura, Paulo Portas, Luis Nobre Guedes e Telmo Correia apressaram-se a encontrar os meios para o esclarecimento cabal da verdade. Ainda assim, há gentalha da laia de Ana Gomes que persiste na insídia e na calúnia. Que dirá esta gentalha agora?
O caso Freeport está a tornar-se insustentável para Sócrates, as buscas de hoje, a informação que vai saindo, são ameaças letais à credibilidade de um primeiro-ministro silencioso. Provavelmente, Sócrates nada terá a ver com qualquer ilegalidade, mas está na pele da mulher de César, e a prática dos seus camaradas abriu precedentes que não se esfumam facilmente.
Vamos aguardar, apesar do tempo correr contra Sócrates.
Por muito, muitíssimo menos, Sampaio expulsou Santana de São Bento... Para que Sócrates entrasse!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

LX 09


Enquanto a candidatura de Santana Lopes a Lisboa contrasta com o resto do PSD, arrancando em grande e com apoios de peso, António Costa é publicamente anunciado como o coordenador da moção de Sócrates para as eleições internas do PS. É o tipo de circunstância que admite toda a sorte de interpretações. No que toca a Lisboa, nenhuma me parece suficientemente abonatória para Costa.

sábado, 20 de setembro de 2008

Coincidências do arco da velha


Há coincidências extraordinárias, não há? Não fosse termos uma justiça isenta e em bom funcionamento, e ainda alguma alma se poderia atrever a especular coisas menos bonitas.
Esta semana foi notícia, merecedora de post no Enguia, a disponibilidade de Pedro Santana Lopes para se candidatar a Lisboa. Hoje o DN, jornal nada conotado com o governo, faz manchte com a oportuna, digo coincidente, constituição de PSL como arguido por actos praticados enquanto presidente da Camara de Lisboa. Santana, alegadamente, não terá sido isento na atribuição de casas de habitação social.
Para além de PSL, Margarida Sousa Uva, mulher de Durão Barroso, que, por acaso, é amigo intimo de Morais Sarmento, já foi ouvida pela PJ por estar alegadamente envolvida no crime e o DN, apesar do segredo de justiça, reza assim: "Segundo fontes ligadas ao processo, Margarida Sousa Uva terá intercedido junto de membros do executivo da CML no sentido de tentar arranjar uma casa de habitação social para uma mulher (cujo nome próprio começa por A) com três filhos doentes. Esta mulher, com graves dificuldades económicas vivia perto da paróquia que Margarida Sousa Uva frequentava, na zona do Campo Grande/Alvalade."

Houvesse em Portugal algum movimento de fanáticos das teorias conspirativas, todas estas coincidências inocentes dariam pano para mangas. Vale-nos que temos um estado de bem e uma justiça confiável. É impensável qualquer complot para manter a Dra. Manuela onde está até passarem as próximas legislativas, e PSL amarrado e caladinho...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ele anda aí...


Os meus posts têm reflectido a benignidade do meu pensamento sobre Santana Lopes. Sendo de outro partido e não conseguindo descortinar um motivo para um dia ir pôr nas setinhas, não escondo alguma admiração pela resiliência política de PSL. Terá muitos defeitos conhecidos e desconhecidos, mas a sua capacidade de sobrevivência, a disponibilidade permanente para os desafios mais difíceis, o desassombro com que enfrenta o debate político e a afirmação clara da sua matriz ideológica fazem-me respeita-lo. Diria eu que PSL é a antítese daquilo em que o PSD se vem afundando desde Cavaco, é o último cruzado do legado de Sá Carneiro, por isso gosta tanto de invocar o PPD. O apoio permanente e incondicional de Conceição Monteiro atesta isto mesmo.
PSL tem sido notícia nestes últimos dias pela sua disponibilidade para a candidatura a Lisboa. Nenhum político convencional correria tal risco. António Costa é carismático, popular e está em campanha permanente com o apoio do bloco, de Helena Roseta e a ajudinha do governo; dir-se-ia imbatível. PSL diz que não, que é um desafio à sua altura. Against all odds, disponibiliza-se para tentar mais uma improbabilidade; não posso deixar de aplaudir.
A batata quente fica agora para Ferreira Leite. Não poderá ignorar esta disponibilidade, sabendo que a provável derrota pouco afectará PSL e que a improvável vitória seria para si um pesadelo de proporções cósmicas.
Ele bem avisou que iria andar por aí...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mais um...


O PSD não tem emenda. Sem pudor nem contenção, toda a gente prepara a sucessão de Ferreira Leite; escancaram o partido fragilizando-o, condenando uma liderança que, pelas suas fraquezas óbvias, precisava da ajuda de todos.
Rio deu o AMN (Apoio Mínimo Necessário) e já se vai distanciando. Não quer ficar ligado à imagem e às derrotas de MFL.
Meneses, com impaciência, não serve fria a sua vingança e já se declarou putativo candidato. Não perdoou uma virgula à nova elite do partido.
Santana Lopes anda, como sempre, por aí. Fará uma gestão do tempo político melhor do que Meneses, por isso, provávelmente, mais letal.
António Borges, ainda sem registo definido, marca o seu espaço e dá ares de futuro incontornável.
Passos Coelho, com o apoio de Angelo Correia, prega em todas as capelinhas o novo PSD liberal, o seu PSD.
Amanhã, em entrevista ao Expresso, Nuno Morais Sarmento avisa que está na corrida; um sinal inequívoco de que os barrosistas têm a percepção que o consulado de MFL poderá ser aínda mais curto do que inicialmente previsto.

Cavaco, depois de ter posto o governo na ordem, aproveitará o acto de contrição de Sócrates e retomará o idílio Belém - S. Bento. Manuela foi conveniente a dada altura, mas começa a ser um fardo que ninguém quer suportar.

domingo, 15 de junho de 2008

O despeito e a inveja


Santana Lopes revela que o que gostaria mesmo era de ser condecorado:
- "Como para as autarquias já dei, agora vou esperar até ao próximo 10 de Junho para ver se também vou ser condecorado", - afirmou, numa óbvia alusão ao facto de este ano o Presidente da República, Cavaco Silva, ter distinguido o ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, com a Grã-Cruz do Infante." (in Público, 15-06-2008).

sábado, 31 de maio de 2008

Dia (ps)D


Hoje é mais um dia D para o PSD. Só que os dias definitivos, nesta agremiação, são, cada vez mais, provisórios. Não tenho a menor percepção de quem será o próximo lider, dado o estado de volatilidade do partido, o desespero dos militantes e a desorientação das últimas lideranças, tudo pode acontecer até ao último minuto. Não acho que Ferreira Leite tenha a vitória assegurada, Passos Coelho pode ser a escolha do desespero e, para mim, não é liquido que Santana Lopes esteja derrotado à partida. Tudo em aberto, portanto.
Certezas só quanto ao dia seguinte.
Se Ferreira Leite ganhar, haverá quem não deixe esquecer a gestão de oportunismo milimétrico que tem feito das suas presenças e ausências estratégicas na vida do partido, terá o baronato a seu lado, jogando o futuro próximo, preparando desde o primeiro minuto a sucessão. Um jogo requintado que se recheará de intriga, conspiração, será um ambiente irrespirável. Basta imaginar como se conciliarão Rio, Marcelo, Capucho, Pacheco, just to name a few. Veneno puro. Autofagia anunciada. Cavaco à distância. Sócrates descansado da vida.
Se Passos Coelho for o escolhido, será um mix de Mendes com Meneses. Como Mendes, andará á procura de um registo próprio, terá falta de reconhecimento e carisma, será ignorado, falará muito, sobre tudo e ninguém o ouvirá. Como Meneses, trará para os orgãos gente nova e desconhecida, não tem outra; estará fora do parlamento, com as dificuldades óbvias; terá o permanente desgaste da alcateia do baronato, que não terá força para pôr na ordem. Começará a maquina socrática a evidenciar as suas fragilidades, a falta evidente de curriculum, uma vida que, embora na sombra, se construiu na via mais mediocre das dependências políticas.
Se Santana Lopes surpreender e regressar, será seguramente diferente, embora não necessáriamente bom. De interessante tem a sua notável resiliência política, a coragem para os grandes desafios e um interessante ajuste de contas com os seus carrascos: Cavaco e Sampaio. Seria também uma oportunidade para arrumar com o baronato umbiguista que asfixia o PSD, seria a recompensa dos que estão sempre aos serviço do partido. Por outro lado, há o risco de instabilidade ligado sempre a Santana, a precipitação, alguma possivel leviandade política, o populismo anunciado.
A situação não é clara, nem famosa, resta ao país um consolo: não mais ouviremos falar da personagem cómico-deprimente Patinha Antão!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Companheiros...


Confesso que, cada vez mais, me sinto certo sobre Manuela Ferreira Leite. O embuste é total. Sendo de outro partido do espectro da direita, poderia ficar contente, contudo, acho que o afunilamento do maior partido da oposição não interessa à democracía, não é bom para ninguém. Não adianta ao CDS subir se a esquerda polarizar 60% do eleitorado, será mais interessante crescer bem, numa lógica de crescimento do espaço designado por centro-direita. Interessa, no meu ponto de vista, que este espaço recupere a confiança da maioria dos cidadãos e que nele o CDS tenha uma posição forte, incontornável; para isto acontecer era preciso o PSD mudar de vida. Não muda.

Manuela Ferreira Leite, uma ficção cavaquista desenterrada à pressa para alivio do baronato colheita 2011, revelou-se um verdadeiro flop. Não basta ser senhora para merecer ser primeiro-ministro. Não basta que toda a gente diga que tem experiência governativa, é imprescindível que tenha capacidade governativa. Não basta constituir-se em reserva da nação, é preciso mostrar um projecto e ideias. Não basta coleccionar apoios de ocasião, é preciso dizer de que forma essas pessoas vão participar activamente no futuro do partido. Resumindo, Manuela Ferreira Leite foi, até agora, o vácuo absoluto. Um silêncio confrangedor.

Para terminar, o que me impeliu a escrever este post: a única ideia de Ferreira Leite é a afirmação exaustiva da sua própria credibilidade. Sempre duvidei dos que precisam de apregoar a sua seriedade a cada cinco minutos... Pois é, hoje, contribuindo para a sua credibilidade, aparece no noticiário da SIC a anunciar o apoio de Balsemão, imagine-se, logo a seguir á apresentação de candidatura de Santana Lopes! Não resistiu ao golpezinho mas, com candura, disse que o seu adversário é o PS, os outros são seus companheiros. Com uma companheira assim, pobres dos companheiros...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

MITOS


Pedro Santana Lopes confirmou hoje a candidatura à liderança do seu PPD/PSD. Digo confirmou porque Luís Delgado já a tinha anunciado há dois dias na SIC Notícias. O processo foi mais reflectido do que aparenta, o teste de Delgado, um indefectível muito próximo de Lopes, visou colher reacções e marcar território, essencialmente, dar um sinal a um Jardim em delírio.
Se é verdade que PSL não consegue virar as costas a um bom desafio, esta candidatura é muito mais do que isso; goste-se ou não, PSL é de uma resiliência notável. Vamos a factos.
PSL, na altura apelidado de pára-quedista, ganhou a câmara e transformou a face da Figueira da Foz, contra tudo e contra todos.
PSL, na altura acusado de exagerada audácia, ganhou a câmara da capital, recuperando-a para o seu partido e para a direita.
PSL, na altura acusado de leviandade, deixou entre as gentes da cultura real mais saudades do que qualquer outro governante da área.
PSL chegou a Primeiro-Ministro nas piores condições, condicionado pelo trânsfuga Barroso, contra os interesses políticos pessoais de Cavaco e com a antipatia notória de Sampaio. Barroso quis condicionar o futuro provocando um governo de legitimidade reduzida. Cavaco quis o PSD fora do seu caminho para Belém, teria de "matar o enteado" se quisesse ser presidente; assim fez. Sampaio, em final de mandato, esperava apenas a queda de Ferro para deixar o governo ao seu PS; assim foi. PSL não aguentou a pressão, não brilhou no cargo.
Vale a pena, ainda assim, fazer um exercício honesto e compará-lo a José Sócrates: tivesse Santana feito um décimo ou aparecido em apenas um dos "casos" de Sócrates e seria certamente crucificado.
Pedro Santana Lopes comete muitos erros, contudo, tem também qualidades inegáveis; dá a cara nos momentos difíceis, não nega que tem contas a ajustar com o passado recente e vai á luta, eu respeito pessoas assim.
Do outro lado, o mito de Ferreira Leite. O mito convém a todos os que, aguardando por 2011, se escondem hoje atrás da sua candidatura. Se transpusermos a analogia Santana/Sócrates para Ferreira Leite/Teixeira dos Santos, estamos conversados. A mesma imprensa e opinião publicada que diabolizou Santana, tratou de mitificar Ferreira Leite. Ninguém é bom só porque Pacheco Pereira o diz, Ferreira Leite foi, de facto, uma governante sem rasgo, um bluff com rosto esfíngico; votos, legitimidade popular, nunca os teve até hoje. Estas poucas linhas chegam para falar de Ferreira Leite, todos dizem que tem uma imagem sólida de mulher séria, é bom, mas manifestamente insuficiente.
Todo este exercício de análise é desapaixonado, a garantia é a mais séria: eu não votarei PSD em circunstância alguma, é uma questão inultrapassável, como se diz agora, um problema de pele.