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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Todos os nomes


O escritor e censor do prec, José Saramago, saiu-se com mais uma extraordinária ideia. Desafiou Hillary Rodham Clinton a deixar cair o nome Clinton, como forma de se afirmar com plena individualidade na vida política. Mais, desafiou todas as mulheres casadas a deixarem cair os nomes dos maridos. Só não o decretou porque o prec já lá vai...
Compreendo que, vivendo num naco de terra espanhol perdido no meio do mar em frente ao grande deserto africano, Saramago tenha de vociferar para ser lembrado. Berrar o disparate tem sido uma técnica suficiente e lá vai relembrando o velho censor.
O caso escolhido é, no mínimo, infeliz. Os Clinton são assumidamente uma marca; se alguem aspirasse à emancipação seria Bill. Sou insuspeito para falar de Hillary, de quem não gosto, mas o seu carisma, a sua personalidade e protagonismo remeteram Bill para a história. Clinton hoje é Hillary. Saramago não percebeu.
Este claro complexo de Saramago poderá ter a ver com dois factores bem claros. Primeiro a sublimação da frustração pela sua Pilar... DEL RIO. Depois, por mais uma bajulação saloia à tradição castelhana, onde o nome matriarcal prevalece sobre o do homem.
A escolha e adopção de nomes, é hoje um acto de vontade e liberdade; Saramago, ao fim de tantos anos, continua a não conseguir compreender este tipo de atitudes.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

IT'S THE ADULTERY, STUPID!


Na Vanity Fair deste mês, Michael Wolff escreve um artigo interessantíssimo sobre a percepção pública dos homens públicos nos Estados Unidos. A coisa centra-se essencialmente em sexo. Segundo Wolff, a política actual está centrada no sexo. Não apenas escândalos sexuais, não apenas quem está a ter que tipo de sexo e com quem, mas a percepção popular sobre o sexo que a figura pública tem, ou não tem. O sexo tem a capacidade de mudar eleições, minar partidos e, eventualmente, mudar o curso da história. O verdadeiro tema nestas eleições não é a raça, não é o género, é o sexo.
Num resumo muito bem estruturado, Wolff desenrola uma teia de factos-argumentos impressionante. A saber:
Obama teve a entrada na corrida facilitada porque a ex-mulher do seu maior rival, Jack Ryan, desenrolou o lençol de um passado swinger.
Bush vê-se envolvido na espiral descendente em que se encontra recolhendo da paranóia de Mark Foley danos políticos equivalentes à estupidez da invasão do Iraque.
Eliot Spitzer, qual Jekyll and Hyde, com brilhante carreira pública, cai no VIP Club que frequentava e a sua callgirl favorita bate recordes no youtube.
Bill Clinton abriu caminho, e reforçou-se como super-político ao instituir como desculpável a escapadela do homem de meia-idade com a secretária muitos anos mais nova.
A história de Hillary é toda ela sexual, de todas as insinuações e histórias não ditas do seu passado, da forma como se reforça no poder com a história do marido, até ao seu fetiche absoluto com o poder, criando no público a percepção de que a Hillary de hoje é uma Hillary sem sexo. Nos estudos sociológicos aparece fortíssima junto das mulheres mais velhas, puritanas e sem vida sexual activa.
Mitt Romney, tal como Hillary, aparece assexuado e puritano; o que numa mulher capta algum público, num homem fragiliza e não cria empatia.
John McCain, acusado pelo NY Times de eventualmente ter tido sexo com uma lobbista muitos anos mais nova, não só não foi afectado, como usufruiu de um misto de desculpabilização por causa da idade e confirmação da sua virilidade!
A percepção pública sobre Obama coloca-o antes da meia-idade critica, a energia e postura da sua mulher, Michelle, sugerem a probabilidade de uma vida sexual activa e realizada. Esta ideia sobre um casamento que ninguém conhece em pormenor estará a ser decisiva na popularidade de Obama.
Mais interessante para nós, é comparar com a política que nos é mais próxima e ver as enormes diferenças. Quanto a mim, felizmente a política europeia, e a portuguesa em particular, mantém a distância conveniente entre público e privado. Na hora da votação o eleitor tem separado racionalmente os dois campos, não fazendo, até agora, o sexo parte dos mecanismos de decisão.
A variável nova é Nicolas Sarkozi, o tal homem de meia-idade que assume a atribulação da sua vida amorosa publicamente, tornando-se no primeiro político europeu em que será difícil o julgamento separado do público e do privado. Sarko quis deliberadamente assim, é um homem de rupturas, mas pode abrir um caminho que, no meu entender de conservador, trará mecanismos de julgamento indesejáveis na apreciação dos homens públicos. Veja-se a vida privada e a pública de Churchill, por exemplo.
A ver vamos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


Pela primeira vez depois da "super tuesday", Barack volta a ultrapassar Clinton no numero de delegados eleitos. No momento em que escrevo este post, Barack tem 1.144 delegados contra 1.138 de Clinton.


Barack, até ao momento, cobre a maior parcela de território americano e a maior diversidade de eleitores, com o maior numero de donativos individuais; Hillary segurou-se nos tradicionais bastiões do aparelho democrata, tem consigo o establishment partidário e, por isso, ganha Jersey, NY e California.


Dizia Wolf Blitzer que a Senadora Clinton arrasaria na "super tuesday" porque Barack não teria tempo nem oportunidade de estar perto de todos os eleitores de todos os estados que votaram naquele dia. Hillary ganhou o dia, não arrasou, nem de longe. Barack recupera e prova que sempre que vai junto do povo ganha.


As sondagens para Maryland e para a Virginia dão vantagem significativa a Obama que reforçará a vantagem no delegate count. Está consolidado o tão almejado "Momentum" e de dentro do Partido surgem as primeiras indicações, não identificadas, que a maioria dos super delegados seguirão a corrente.


Yes we can!