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quarta-feira

Bibliotecas Municipais de Oeiras são parceiras do Festival do Primeiro Romance de Chambéry

O Município de Oeiras, através das suas Bibliotecas Municipais, tornou-se parceiro do Festival du Premier Roman de Chambéry, em França.
A partir deste ano os Grupos de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras são os representantes de Portugal neste Festival, indicando uma lista de autores de primeiros romances seleccionados de entre os que foram publicados no último ano.
 
Desde a sua primeira edição em 1987, que este festival tem como objectivo a apresentação de novos autores. Ao longo das suas 25 edições tornou-se num local central para descobrir novos escritores no espaço europeu.
Antes de ter um grande protagonismo no cenário literário francês, o Festival desde há 15 anos que também apresenta novos autores europeus – Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Roménia e desde este ano também Portugal.
Durante os 3 dias do Festival, reúnem-se na vila de Chambéry (França) os autores dos diferentes países com os seus leitores em vários encontros, mesas redondas, ateliers de tradução, sessões de autógrafos, etc. Através de diversas actividades, o Festival torna-se uma ponte entre autores e leitores de diferentes países e línguas da europa.
Caso único em França, em que são os leitores que escolhem os autores a convidar em cada edição. A programação do Festival é feita através de uma lista de autores lidos e escolhidos por diversos grupos de leitores em França compostos por mais de 3.000 mil leitores. Anualmente, os leitores podem conhecer os novos autores europeus, oriundos dos países participantes.
A selecção dos autores tem como ponto de partida os grupos de leitores em cada um dos países participantes, que ao longo de um ano seleccionam livros de novos autores que publiquem o seu primeiro romance.
Img: FPR

"2666" em Grupo de Leitores

Já todos devem ter ouvido falar do novo livro de Roberto Bolaño - "2666" - que é o mais recente e grande grande (o livro tem 1.032 páginas) romance do mercado.

O êxito e a receptividade dos leitores é tal (7.000 exemplares vendidos num fim-de-semana) que este título está em primeiro lugar nos TOPs de venda nacionais e até já motivou a criação de um Grupo de Leitores.

Esta excelente ideia está a ser organizada pela Casa da América-Latina, em colaboração com a Quetzal, que vai promover a partir de dia 12 de Outubro um Grupo de Leitores sobre os livros de autores latino-americanos publicados por esta editora na colecções série américas e série língua comum (autores brasileiros).

O Clube de Leitura das Américas - Livros que vêm dos mares do Sul, começa com a leitura da obra de Roberto Bolaño, "2666". Pela dimensão e importância deste livro, as sessões até Dezembro são dedicadas a este romance e serão conduzidas pelo crítico, jornalista e blogger José Mário Silva.

Estão marcados já dois encontros em Outubro (12 e 26), um em Novembro (16) e um em Dezembro. As inscrições são recebidas pela Casa da América Latina 213 955 309 ou geral@c-americalatina.pt <http://geral@c-americalatina.pt> e os participantes podem beneficiar de um desconto de 10% na aquisição do primeiro livro proposto.

Aqui está uma boa justificação (como qualquer outra!) para a criação de um Grupo de Leitores.


domingo

A leitura é um prazer completo

Este ano a Feira do Livro de Lisboa esteve também disponível no Facebook de forma a chegar a todos aqueles que por várias razões não podiam acompanhar toda a ampla agenda de eventos.

Um dos eventos que quero destacar é a conversa moderada por Filipa Melo com Helena Vasconcelos e Conceição Caleiro sobre as comunidades de leitores. Para quem não esteve presente aqui ficam algumas das ideias abordadas e as frases mais marcantes.

"Há encontros onde as pessoas saem estonteadas com as palavras de Kakfa. Há encontros que têm o segredo que nos ensina a amar e a ser livres. Há encontros onde a partilha de livros acaba em partilha de afectos. Há encontros onde as leituras são sempre novas e diferentes."



quinta-feira

"Ler não é um acto solidário"

O número de Maio da revista Os meus livros tem um artigo da autoria de Andreia Brites sobre comunidades de leitores, ou Grupo de Leitores como gosto de lhes chamar.

O texto faz uma breve apresentação sobe o que são as comunidades de leitores, através da utilização do já célebre lista com os direitos do leitor de Daniel Pennac, aprensenta a figura do líder e avança com algumas sugestões de comunidades.

A referência às comunidades de leitores em Portugal não estaria completa sem uma referência a Conceição Caleiro que em 2001, através da actual DGLB liderou o primento projecto daecomunidades de leitores. Na altura, como ainda hoje, a principal intenção era a de estabelecer laços afectivos sociais entre os participantes.

Para quem dinamiza, lidera, orienta ou gere (ainda não percebi exactamente o que se faz... mas talvez seja um pouco de tudo isto) a ideia que deve manter-se sempre bem definida é a de que as comunidades de leitores (ou Grupos de Leitores) não são palestras, não são conferências, não são momentos reverenciais em relação a autores ou a textos, são uma partilha de ideias e de opiniões, tal como defende Helena Vasconcelos, que desde 2006 orienta uma Comunidade na Culturgest.

As Bibliotecas Municipais foram desde o início do projecto um local de eleição para a implementação destes projectos. Infelizmente por vicissitudes várias muitas Comunidades apenas funcionaram durante o apoio por parte da DGLB ou enquanto o líder se manteve na Biblioteca. Para além desta questão o acto de a maioria das bibliotecas não ter capacidade para disponibilizar 10 ou 15 exemplares de cada obra, dificulta a leitura por todo o grupo.

Da minha experiência pessoal na Biblioteca Municipal de Oeiras posso dizer que o líder tem um papel que é ao mesmo tempo fundamental e dispensável. Se por um lado é uma figura que apenas deve intervir para regular as participações e inserir tópicos de discussão ou orientar a conversa, por outro, o Grupo tende a ficar demasiado preso a essa figura. Pessoalmente prefiro deixar as minhas opiniões para o final da conversa e intervir o menos possível, de forma a não inibir as ideias, experiências e opiniões de nenhum dos participantes.
Para quem dinamiza ou participa num Grupo de Leitores facilmente compreenderá porque razão o elemento sociabilizador está tão presente. Ao longo das sessões criam-se laços entre as pessoas que ficam para lá das sessões e que por vezes crescem em paralelo.

Na última vez que contabilizei (2008) existiam em Portugal no espaço de um ano mais de 30 Grupos de Leitores regulares, se contarmos com os que ocorrem em Bibliotecas, Livrarias e Museus.

Tal como se diz no artigo existem muitos Grupos de Leitores a funcionar por todo o país e por isso não faltam opções a quem queira arriscar... basta escolher!

quarta-feira

Banda Desenhada e Grupos de Leitores

Já muitas vezes falei aqui sobre Grupos de Leitores. E ainda gostava de desenvolver mais este tema.
A gestão do projecto dos Grupos de Leitores nas Bibliotecas Municipais de Oeiras e a orientação de um Grupo permitiu-me ver o alcance da profissão, enquanto mediador da leitura. Obviamente que o trabalho na sala de leitura também pode antever esta contribuição, mas pelas limitações do trabalho de atendimento ou pelas limitações funcionais não se consegue ter uma percepção tão clara como num Grupo de Leitores.

Depois de ter visto alguns modelos de orientação de grupos de leitores, continuo a defender que o modelo de 1 entre vários é aquele que resulta melhor. Não tenho nada contra quem goste de cenários mais dirigidos ou de grupos mais voltados para a análise textual ou a crítica literária, mas tenho para mim que um ambiente mais equilibrado entre o moderador e o grupo facilita o processo e torna as sessões mais fluídas. Se o que se pretende é sociabilizar em torno do livro e da leitura, desfrutar o gosto pela(s) leitura(s) e poder partilha-la em grupo, então este é o formato que sugiro.

A propósito disto mesmo, recordo que no final do mês de Outubro as Bibliotecas Municipais de Lisboa organizaram um seminário internacional sobre Banda Desenhada e Bibliotecas. De entre as várias apresentações com muita qualidade e interesse (infelizmente apenas comprovei este facto de modo indirecto, já que apenas consegui assistir a meio dia) destaco a apresentação feita por Rosa Barreto a propósito do Grupo de Leitores da Bedeteca de Lisboa, sobre o qual já falei aqui no blog.
Pela especificidade do grupo, pelos resultados apresentados e porque é sempre interessante conhecer outras experiências deixo aqui a referência a este projecto e consequentemente a este Grupo de Leitores. Pelo que li o grupo de leitores da Bedeteca de Lisboa está a reiniciar as suas sessões, pelo que aproveito para desejar os maiores sucessos.

Para quem tiver interesse deixo aqui a ligação para a apresentação efectuada no Seminário.

segunda-feira

Grupo de Leitores na TV

Chama-se Richard & Judy Book Club, tem presença fixa nos ecrãs da BBC e, dizem as estatísticas e as contas de editores e livreiros, são responsáveis por 26 % das vendas do Top 100 britânico. O sucesso do Clube é de tal ordem - muitos editores apressam-se a reforçar as tiragens de obras referenciadas - que algumas obras obscuras, ou votadas ao anonimato, tornam-se verdadeiros best-sellers no espaço de uma curta emissão catódica.
A título de exemplo, o romance "The Star of the Sea", de Joseph O'Connor, demorou dois anos para vender 14 mil exemplares. Referenciado pelos responsáveis do Clube (que surgem na imagem), a sua tiragem rapidamente chegou aos 600 mil exemplares. Pode aceder ao site em www.richardandjudybookclub.co.uk
In Os meus livros (Julho 2008)

Então e por cá... Num país onde a indústria do livro parece ser um mercado bastante apetecível para grandes empresas internacionais, que estudos existem sobre o impacto dos media na leitura e já agora também na compra de livros?
Pelo que tenho lido os estudos sobre o mercado livreiro e editorial em Portugal são praticamente inexistentes; seja porque a indústria não se interessa, seja porque não existe vontade política ou ainda porque estas e outras questões relacionadas com a Sociologia da Leitura ainda não preocupam a sociedade académica.
Quem não se lembra dos tempos em que "os livros de Marcelo Rebelo de Sousa" aos fins-de-semana faziam aumentar as vendas na segunda-feira seguinte?
Conheci pessoas que trabalhavam em livrarias e para as quais ver este programa ajudava bastante os cliente que menos atentos sabiam títulos, autores, capas ou simplesmente que era um livro referido pelo Prof. Marcelo.

Que impacto têm nas vendas (e já agora nos empréstimos das bibliotecas) as referências de Paula Moura Pinheiro e Filipa Melo no programa Câmara Clara? Ou as entrevistas de Bárbara de Guimarães no Páginas Soltas?
Pessoalmente não faço ideia.
Aquilo de que me apercebo no dia-a-dia, é que as livrarias estão a fazer um bom trabalho de promoção de leitura, porque são cada vez mais as pessoas que aparecem na biblioteca para saber se temos um livro que estava numa livraria.
É caso para dizer: - Obrigado livrarias de Portugal!
Foto: RJBC

Inquérito sobre Grupos de Leitores

Através de um contacto com um colega americano recebi este e-mail com um pedido de colaboração num inquérito on-line sobre Grupos de Leitores. Se participam em algum grupo colaborem com esta investigação.

I am posting on behalf of the Readers' Advisory Committee of the American Library Association.

This is our second call out to book group members. We know you like to talk about books, but we want you to talk to us about your book group. Please help us get a picture of book groups by participating in a short informal survey from the Readers' Advisory Committee of the American Library Association.

To visit the survey, go to http://www.readersadvisory.org
Click on the link on the left that says "Book Group Survey".

Preliminary data will be presented at the ALA Annual Conference in Anaheim, CA at the program "Reading Group Therapy: How to Repair,Revamp and Revitalize Your Book Group". This program will be presented by book group expert Nancy Pearl, and is being held Sunday, June 29th, 2008, from 10:30 a.m.-12 p.m.

As we are trying to get as broad a picture as possible of the book groups, please pass the link to the survey along to other book group members and book group support organizations in your community.

Thanks,
Megan McArdle

Grupo de Leitores de BD na Bedeteca de Lisboa

Recebi esta boa notícia através da mailing lista da Bedeteca de Lisboa e fiquei muito satisfeito por mais esta evolução no conceito de grupos de leitores em Portugal. Para além de pretender acompanhar esta iniciativa com muita atenção e interesse, dou os meus parabéns aos organizadores pelo pioneirismo e desejo os maiores sucessos e muita adesão por parte do público.

O GLBD é uma actividade da Bedeteca de Lisboa, concebida em colaboração com Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura, sendo este último o moderador de cada sessão. O objectivo principal deste GLBD é a partilha das leituras de um conjunto de títulos de banda desenhada. Este conjunto está seleccionado e será apresentado pelo moderador na primeira sessão, assim como a sua justificação e a metodologia de trabalho a seguir. Todavia, para que haja uma maior proximidade das expectativas e conhecimentos dos leitores, espera-se uma participação activa dos mesmos na primeira sessão a delinear toda a estratégia, admitindo-se a alteração dos títulos.
A metodologia geral prevê a leitura de cada título antes da sessão correspondente, na qual será facultado apoio documental. Leitura entre pares, alargar os horizontes de leitura, aprender mais sobre o universo da banda desenhada são os objectivos desta iniciativa.

As sessões decorrerão no auditório da Bedeteca de Lisboa, de 15 em 15 dias. A partir de Sábado, dia 19 de Abril, às 16h30. Seguem-se dias 3, 17 e 21 de Maio, 14 e 28 de Junho e 12 de Julho. As inscrições estão abertas a pessoas a partir dos 16 anos, sem qualquer outro tipo de limitação. Poderão ser feitas através de telefone (21 853 66 76), contactando-se Marcos Farrajota ou Ana Júdice, ou o email bedeteca@cm-lisboa.pt.
Imagem: Ilustração de Filipe Abranches, retirada do 2º volume da "História de Lisboa".

As muitas faces dos grupos de leitores

A Time Out de Abril faz referência à Comunidade de Leitores da Livraria Almedina. Dinamizada pela jornalista Filipa Melo esta Comunidade é um dos muitos "Grupos de Leitores" que tem cativado um público muito específico que mora, trabalha ou estuda no centro de Lisboa.
Muito embora o artigo procure valorizar (quanto a mim de forma um pouco infeliz!) este grupo de leitores dizendo que os seus participantes nada têm a ver com "os reformados, as donas-de-casa, os desocupados, o cliché do grupo feminino, espécie de reunião de tupperware", esta é apenas mais uma das muitas faces que os grupos de leitores podem conhecer conforme o local onde decorram, os livros seleccionados ou a forma como as sessões são orientadas.

Para quem já teve alguma contacto na dinamização de grupos de leitores apercebe-se muito facilmente que raramente este tipo de actividade cria leitores; na melhor das hipóteses constitui espaços de partilha de opiniões e de troca de experiências de leitura.
Não obstante a selecção de livros e as formas de abordagem das obras feita nas sessões efectua logo à partida uma selecção do tipo de participantes.
Recentemente num encontro de profissionais alguém se queixava de que no grupo de leitores da sua biblioteca apenas participavam pessoas que já eram leitores frequentes e que lamentava-se por não ter conseguido chegar aos que não eram leitores... Ao mesmo tempo um outro colega desabafava que noutro grupo de leitores não aparecia ninguém, nem os que eram leitores!

Em 2004 tive oportunidade de conversar com algumas pessoas que dinamizavam "comunidades de leitores" pelo país fora através do então IPLB (actual DGLB). Nessa altura fiquei a saber aquilo que vim a confirmar mais tarde com os Grupos de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras:
- Apenas as pessoas que já tinham hábitos de leitura constituídos se interessavam por este tipo de actividades;
- A grande mais-valia dos grupos de leitores reside na criação de laços entre os participantes, na troca de opiniões e de experiências de leituras e na identificação do leitor com a biblioteca;
- Algumas pessoas preferem sessões mais próximas da aula de literatura ou da crítica textual pelo conforto que uma atitude passiva representa ou simplesmente porque é isso que procuram;
- Quando as sessões eram dinamizadas por figuras conhecidas do grande público, apareciam algumas pessoas que não eram leitores (nem tinham lido o livro recomendado) e que apenas estavam interessadas em VER o dinamizador.

Tal como prometido voltarei a este assunto muito em breve!

quarta-feira

Grupos de Leitores II

Para quem ainda não se apercebeu desde Janeiro de 2007 que modero-dinamizo-oriento (ainda não sei exactamente o que lhe chamar!) um Grupo de Leitores na Biblioteca Municipal de Oeiras.

Apesar de esta ser já uma aspiração antiga das Bibliotecas Municipais de Oeiras (BMO), só em finais de 2006 é que se reuniram as condições necessárias e eu pessoalmente me senti preparado para coordenar este projecto nas BMO.

Para esta minha decisão em muito contribuiu o estágio que efectuei na Biblioteca de Peñaranda de Bracamonte (Salamanca) pertencente à Fundación Germán Sanchez Ruipérez ao abrigo do Programa Leonardo Da Vinci.
Durante o curso de Pós-Graduação já muito me tinham falado nesta biblioteca quase mítica e onde um conjunto de excelentes profissionais desenvolvia um trabalho exemplar para um comunidade muito interessada e dedicada. Ter tido o oportunidade de ver este trabalho de perto e acompanhar algumas das suas rotinas e procedimentos, foi mais produtivo do que qualquer experiência profissional que tinha tido até então. A forma de trabalhar, a relação com os leitores, os objectivo a que se propunham tudo se tornou mais claro e mais lógico depois deste estágio.

O mesmo aconteceu face a trabalho que desenvolviam com os Taller de lectura para adultos. Num ambiente de total informalidade e descontracção conseguiram logo na primeira edição 30 pessoas com profissões variadas como professores, domésticas, mecânicos, estudantes, reformados, advogados, engenheiros e arquitectos. As sessões decorriam semanalmente na biblioteca, no café, na praça central, no jardim... em qualquer local onde fosse mais fácil juntar todos os inscritos.
A ideia principal era sempre a de ir onde as pessoas queriam estar!

Imagem: FGSR
(continua)

segunda-feira

Grupos de Leitores

A partir de hoje inicio aqui um conjunto de post dedicados aos Grupos de Leitores, como resultado da minha experiência na orientação do grupo de leitores na Biblioteca Municipal de Oeiras e na coordenação deste projecto nas Bibliotecas Municipais de Oeiras (BMO).
Actualmente existem 3 grupos de leitores a funcionar nas BMO (Oeiras, Carnaxide e Algés) todos orientados por técnicos das bibliotecas.
Desde o início que o principal objectivo foi o de criar um espaço para troca de opiniões e partilha de experiências de leitura, construindo um espaço quinzenal de sociabilização em torno do livro e da leitura, sem dirigismos, academismos e tentativas de formatar opiniões e consciências no âmbito da literatura. Num ambiente informal falamos sobre o livro, conversando sobre o enredo e descobrindo o autor. Para tornar as sessões mais convidativas e informais todas as sessões são acompanhadas de bolinhos, sumos e água...

Daí que pergunte, tal como refere o bibliotecário anarquista, se isto será uma piada a quem durante as sessões dos grupos de leitores oferece bolinhos... Humm?!



Visto no Biblioteca 3G.

quinta-feira

Nunca leio um livro que tenho de criticar; influencia-me muito!*

Um amigo que sabe que estou a moderar um Grupo de Leitores enviou-me (como provocação) um artigo - Faking it - que foi publicado no New York Times sobre um livro que tem estado nos TOPs em França: How to Talk About Books You Haven’t Read (Como Falar dos Livros que Não Lemos?) de Pierre Bayard.

Por mais estranho que esta situação possa parecer - tendo em conta as minhas actuais funções no Grupo de Leitores - tenho de reconhecer que tal situação é possível e mais frequente do que se possa imaginar. Já todos ouvidos alguém falar com bastante propriedade de livros sobre os quais se nota que só leram a contracapa, deduziram pelo título ou pelo género literário do autor, ou seja, personagens muito semelhantes à do "Pacheco" criada por Eça de Queirós.

A edição portuguesa é da Verso de Kapa que apresenta o livro assim:
Trata-se de uma análise feita sobre o acto de ler ou melhor; sobre a acto de não ler! Este livro é, sobretudo, um ensaio inteligente sobre as várias formas de apreciar um livro. A leitura da primeira à última página, em ordem e sem saltos, é apenas uma entre inúmeras possibilidades – e nem sempre a mais compensadora. O livro largado a meio, ou nas primeiras páginas, ou lido aos pedaços, ou apenas folheado – todos eles fazem parte do histórico do leitor. Isto é válido não apenas para os clássicos mais portentosos como também para as obras de consumo rápido. As quase-leituras são, de acordo com Bayard, tão válidas quanto a leitura integral. Aliás, a ideia de que se pode ler um livro por inteiro é ilusória. As pessoas começam a esquecer uma página quando começam a ler a seguinte. Com o tempo, vão confundindo as obras, ou esquecem-nas totalmente e quando são chamados a dar sua opinião, acabam por falar não do livro efectivo, mas da lembrança imperfeita e distorcida que guardaram dessas mesmas obras. O título é polémico e dá a sensação que a opinião do autor é a de incentivar à não leitura, mas o que se pretende é ensinar a “ler”, não é ler por ler (sem reter), mas saber ler de forma a conseguir falar daquele livro e de outros, sem ter lido tudo. É um livro paradoxal. O autor pretende desmistificar a ideia de que ler um livro é uma coisa que leva muito tempo e apresenta técnicas para não ler, levando assim à leitura. Como já dizia Óscar Wilde "A crítica literária é uma forma de autobiografia. Fale sempre do significado pessoal que um livro tem para si – mesmo que não o tenha lido".

O 1º capítulo do livro pode ser lido aqui.
* Citação de Oscar Wilde.
Imagem: Editora

quarta-feira

Comunidade de Leitores

Conceição Caleiro está de volta às Comunidades de Leitores. Depois da sucesso da Comunidade da Livraria Buchholz, os encontros decorrem agora na Fábrica de Braço de Prata, onde actualmente estão instaladas as livrarias Ler Devagar/Eterno Retorno.

Esta comunidade faz uma aproximação entre a Literatura e o Cinema - o cinema não filme livros - na segunda e terceira 5ª feira de cada mês às 21:00 horas.

Ao longo das 7 sessões serão lidos/vistos alguns dos mestres da literatura/cinema contemporâneos:
Nabokov - Lolita, Raoul Ruiz - O tempo reencontrado, Marguerite Duras - Hiroshima, meu amor, Milos Forman - Valmont ou Pascal Quignard - Todas as manhãs do mundo.

Mais informações aqui.

sexta-feira

Grupos de Leitores ou "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas"*

Desde Janeiro deste ano que dinamizo-oriento-modero-coordenado-organizo (o que for; basta escolher) um grupo de leitores na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Ao longo destes 6 meses fizemos 12 sessões de conversas em torno de livros, da leitura, das pessoas e das suas opiniões e experiências. Durante os próximos meses e aproveitando que o projecto "vai estar de férias" vou trazer aqui algumas das minhas impressões, dúvidas, receios e também certezas sobre este projecto.
Pelo reacção de alguns colegas e tendo em conta a participação/opiniões dos "leitores" do grupo acho que tenho a obrigação de partilhar esta experiência.

Se tiverem curiosidade podem ver aqui o que temos andado a fazer nos Grupos de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras, já que temos em funcionamento dois grupos - um na Biblioteca Municipal de Oeiras e outro na Biblioteca Municipal de Carnaxide.

* Frase de Mário Quintana

É tudo uma questão de números?!

Para todos aqueles que frequentemente pensam no caminho a dar à colecção de uma biblioteca (e não há gestão da colecção que nos valha!) aqui fica um link para um artigo publicado no Jornal The Kansas City Star sobre esta dúvida:

"Libraries ponder a collective dilemma: Institutions balance the demand for popular titles with the need to carry scholarly books"

A questão que se coloca é se devemos adquirir vários exemplares de títulos que os leitores vão querer ler e consequentemente requisitar, ou devemos pelo contrário distribuir o nosso orçamento na constituição de uma colecção mais equilibrada e representativa dos vários géneros e autores, mesmo sabendo que a taxa de empréstimos dos documentos vai ser menor.

Sabemos que a opção politicamente correcta é a segunda, mas o que fazer quando orçamentos e recursos humanos dependem de empréstimos elevados e grande número de leitores?

Este é mais um dilema de uma profissão cheia de desafios.

segunda-feira

Comunidades de Leitores

Regressam à Culturgest as Comunidades de Leitores!
Depois do IPLB ter deixado de apoiar esta iniciativa, as Comunidades de Leitores voltam este mês à Culturgest ainda com liderança de Helena Vasconcelos.

O tema desta comunidade são os "Laços de Família" e conta com 6 sessões em volta da leitura de obras que abordam esta temática, a saber:

14 de Setembro - O Coração dos Homens, de Hugo Gonçalves
28 de Setembro - Washington Squase, de Henry James
12 de Outubro - Os Maias, de Eça de Queirós
2 de Novembro - O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy
16 de Novembro - Expiação, de Ian McEwan
30 de Novembro - Antígona, de Sófocles

Mais informações aqui.