Outros posts sobre a ambiguidade:
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
sábado, 19 de setembro de 2015
sábado, 28 de setembro de 2013
Ambiguidades
Diz-se que uma frase é ambígua quando exprime mais do que uma proposição. A ambiguidade é semântica se resulta do facto da frase conter palavras com mais do que um significado. Por exemplo: “A Maria Francisca Botão mostrou-me as notas” tanto pode referir-se a classificações escolares como a dinheiro. (Outro exemplo aqui.) Mas a ambiguidade é sintática se resultar – como sucede no cartoon com a frase “João viu o homem com o telescópio” – do modo como as palavras estão ligadas.
Cartoon de Ben Rosen.
domingo, 23 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
Baú filosófico
O professor António Gomes, da Escola Secundária de Emídio Navarro de Viseu, criou um blogue chamado O Meu Baú. Nele encontram-se recursos úteis para o ensino e para a aprendizagem da Filosofia, com motivos de interesse para professores e para alunos. O baú contém também informações e reflexões sobre outros interesses do António Gomes, como por exemplo a fotografia e a música.
Um bom exemplo disso é este texto sobre as proposições: O que (não) é uma proposição.
Clique e dê uma espreitadela. Vale a pena!
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Ambiguidade
“Estar online não é nada de especial”, pensa o pássaro.
Diz-se que uma frase é ambígua quando exprime mais do que uma proposição. No humor e na poesia a ambiguidade é uma qualidade. Na filosofia e nas ciências não. Mas porquê?
Talvez não seja uma má pergunta para fazer no teste da próxima semana. :)
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Formalização de proposições
- Indique o operador (ou operadores) proposicional presente nas proposições a seguir expressas.
- Elabore o dicionário de cada uma das proposições.
- Formalize as proposições.
A. Não é verdade que a inexistência de Deus implique que a vida humana é absurda.
B. Não é verdade que a tortura seja justificável e os fins justifiquem os meios.
C. Se a pena de morte é moralmente errada, então o aborto e a eutanásia também são.
D. A inteligência é hereditária, a não ser que seja a emotividade.
E. A eutanásia é correcta, no caso do sofrimento ser intolerável e não haver esperança de cura.
F. Para a vida ter sentido, basta Deus existir.
H. Uma condição suficiente para a vida ter sentido é Deus existir.
I. Uma condição necessária para que Deus exista é a vida ter sentido.
J. Uma acção tem valor moral se é feita por dever e vice-versa.
K. Uma condição necessária e suficiente para uma acção ter valor moral é ser feita por dever.
L. Ou Kant tem razão e o valor moral das acções não depende das consequências ou Stuart Mill tem razão e o valor moral das acções depende das consequências.
Alguns exemplos foram retidos de: Artur Polónio e outros, Criticamente – 11º Ano, Porto Editora, 2008, pág. 63.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Proposições contraditórias: análise de exemplos
Volto a publicar um pequeno post destinado, sobretudo, aos alunos do 10º e 11º ano (em particular o último parágrafo).
Ao observarmos as duas tiras deste cartoon detectamos uma contradição no discurso e no comportamento do indivíduo, supostamente, crente. A Lógica permite-nos explicar com exactidão porquê.
Numa lógica binária, as proposições expressas em frases declarativas com sentido podem ter apenas dois valores de verdade: o verdadeiro ou o falso. Vamos imaginar, a propósito do cartoon, duas proposições universais defensáveis pelo indivíduo crente e as respectivas proposições particulares opostas.
Poderíamos formular, por exemplo em relação à primeira tira, o seguinte par de proposições:
1) Nenhuma pessoa deve respeitar o ponto de vista dos outros sobre a religião (proposição universal negativa).
Algumas pessoas devem respeitar o ponto de vista dos outros sobre a religião (proposição particular afirmativa).
Quanto à segunda tira:
2) Todas as pessoas devem respeitar o ponto de vista dos outros sobre a religião (proposição universal afirmativa).
Algumas pessoas não devem respeitar o ponto de vista dos outros sobre a religião (proposição particular negativa).
Em ambos os pares de proposições se considerarmos verdadeiras as proposições universais, as proposições particulares - diferentes quanto à qualidade (uma é afirmativa outra negativa) e quantidade (uma é universal e a outra particular) - serão necessariamente falsas e vice-versa.
É logicamente impossível, em cada par, ambas as proposições serem verdadeiras ou falsas – chamam-se, por isso, a cada um destes pares proposições contraditórias. Sabendo o valor de verdade de uma delas, podemos concluir, com certeza, o valor da proposição oposta: se um dos elementos do par for verdadeiro o outro será falso e reciprocamente.
Aristóteles demonstrou que no caso das proposições com uma estrutura (ou forma lógica) semelhante a 1) e 2) podemos determinar, independentemente do assunto das frases em causa (do conteúdo), o valor de verdade de uma das proposições do par, conhecendo o valor de verdade da outra.
Assim sendo, uma pessoa crente ao defender a intolerância (na 1ª tira) em relação a quem tem um ponto de vista religioso diferente do seu, está a negar a tolerância ou o respeito pelo ponto de vista religioso de quem quer que seja, incluindo o dela própria. Logo, não faz sentido (é contraditório) pedir ao ateu (na 2ª tira) tolerância ou respeito para com a religião.
O modo como se contradiz uma proposição singular difere das universais. Estas últimas referem-se a todos os elementos de um dado conjunto (tal como expressam os quantificadores: todos e nenhum), as singulares afirmam que um indivíduo específico possui ou não um determinado predicado. Por isso, a contraditória é obtida, simplesmente, com a introdução da palavra não. Se é verdade que “Torquemada foi um religioso intolerante”, então é falso que “Torquemada não foi um religioso intolerante” e vice-versa.
Na lógica proposicional clássica, por P entende-se uma variável substituível por qualquer frase que designe uma proposição simples (uma ideia ou pensamento ao qual se possa atribuir o valor de verdadeiro ou falso), uma proposição contraditória obtém-se negando a proposição inicial (não P). A negação é um operador verofuncional que aplicado às frases simples (expressam uma proposição apenas) ou compostas (expressam mais do que uma proposição) permite obter proposições com valores lógicos diferentes:
- Se P for verdadeira, então não P é falsa. Por exemplo: se a proposição “A Inquisição existiu” é verdadeira, a proposição “A Inquisição não existiu” é necessariamente falsa e vice-versa.
- Se P for falso, então não P é verdadeira. Por exemplo: se a proposição “Torquemada não foi inquisidor” é falsa, a proposição “Não é verdade que Torquemada não foi inquisidor” (o que é logicamente equivalente a dizer que “Torquemada foi inquisidor”, pois trata-se de uma dupla negação) é necessariamente verdadeira e vice-versa.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Onde está a conclusão?
Num argumento, palavras e expressões como “Pois” e “Dado que” normalmente indicam que a frase a seguir apresentada é uma premissa. Palavras e expressões como “Logo” e “Por conseguinte” normalmente indicam que a frase a seguir apresentada é a conclusão.
No entanto, a análise de argumentos não é uma tarefa automática que se possa fazer seguindo uma receita. É preciso pensar. No post “O que é um argumento?” foram analisadas diversas situações que demonstram essa necessidade de pensar quando se analisam argumentos e se tentam identificar as premissas e a conclusão. Eis outra situação.
As palavras e expressões que habitualmente funcionam como indicadores de premissa ou de conclusão podem, em certos contextos, ter outros sentidos.
Considere a esse respeito o seguinte argumento (que é apresentado de modo colectivo por várias personagens do livro infantil “Olha antes de saltar”, da série Winnie the Pooh, numa tentativa de convencer outra personagem a ser mais cuidadosa):
“- Tigre, deves ser mais cuidadoso quando andas a saltar e a pular pela floresta – disse o Coelho.
- Se caíres em cima de uma tartaruga ela esconde-se na carapaça – disse o Winnie.
- Se assustares uma doninha ela deita-te aquele líquido malcheiroso – acrescentou o Piglet.
- E se pisares um cardo magoas-te na pata – concluiu o Igor. Além disso, podes estragar o meu jantar.”
O narrador diz “concluiu o Igor”, mas isso não significa que o Igor tenha apresentado a conclusão do argumento desenvolvido pelas personagens. A conclusão foi apresentada pelo Coelho e é: “deves ser mais cuidadoso quando andas a saltar e a pular pela floresta”. Naquele contexto, dizer “concluiu o Igor” significa apenas que ele foi o último a falar – e ao fazê-lo apresentou duas razões a favor da conclusão e não a conclusão.
Outro exemplo. A palavra “Então” é um indicador de conclusão e pode em qualquer argumento substituir o “Logo” ou o “Portanto” sem alteração de sentido. Todavia, essa palavra surge em imensos argumentos sem ter a função de indicador de conclusão: é o caso dos argumentos que incluem proposições condicionais. Considere a esse respeito o seguinte argumento: "Se a liberdade de expressão é um direito dos cidadãos, então não deve existir censura. Ora, a liberdade de expressão é de facto um direito dos cidadãos. Logo, não deve existir censura.” Como é evidente, a conclusão do argumento é a frase que se encontra a seguir à palavra “Logo” e não a frase que se encontra a seguir à palavra “então” (que é a consequente da proposição condicional que constitui a primeira premissa do argumento – um Modus Ponens ou Afirmação do Antecedente).
Assim, para percebermos se, num argumento, uma frase é uma premissa ou uma conclusão temos de avaliar as relações entre as ideias (ou proposições) expressas por essa e pelas outras frases. Uma frase não é uma conclusão simplesmente porque é antecedida por uma palavra que normalmente funciona como indicador de conclusão, mas sim porque expressa ideias que – pretende o argumento – derivam das ideias que servem de premissas.
sábado, 24 de outubro de 2009
A negação de proposições condicionais
A frase “Se a Yolanda estuda, então passa de ano” exprime uma proposição condicional. Esta é uma proposição composta de duas proposições mais simples ligadas pelo conector “Se… então” (ou outros equivalentes, como por exemplo “Caso”). Costuma chamar-se a estas “antecedente” e “consequente”. O que é dito na antecedente constitui uma condição suficiente relativamente àquilo que é dito na consequente. No caso do exemplo, a expressão “condição suficiente” significa que basta (= é suficiente) a Yolanda estudar para conseguir passar de ano. Pode-se também dizer que a antecedente implica a consequente.
Nega-se uma proposição condicional afirmando a antecedente e negando a consequente: “Yolanda estuda, mas não passa de ano”.
A negação de uma condicional não é outra proposição condicional, mas sim uma conjunção. Em vez de “mas” também se pode usar o conector “e”.
Porque é que uma condicional se nega desse modo? Para responder a esta questão é preciso perceber em que condições uma proposição condicional é verdadeira ou falsa.
Há quatro circunstâncias possíveis, que no caso do exemplo dado são:
1. Yolanda estuda e passa de ano.
2. Yolanda não estuda e não passa de ano.
3. Yolanda não estuda e passa de ano.
4. Yolanda estuda e não passa de ano.
(Nos livros de Lógica estas quatro circunstâncias não costumam ser apresentadas por esta ordem, mas optei por ela por ser a mais intuitiva.)
Em 1. a antecedente e a consequente são ambas verdadeiras. Nessa circunstância a condicional é obviamente verdadeira: verificou-se aquilo que nela está enunciado – estudar levou a Yolanda passar de ano. O facto da Yolanda ter estudado e o facto de ter passado de ano confirmam a veracidade da relação enunciada na condicional.
Em 2. a antecedente e a consequente são ambas falsas. Nessa circunstância a condicional continua a ser verdadeira. O facto da Yolanda não ter estudado e o facto de não ter passado de ano não anulam a veracidade da relação enunciada na condicional. Imagine que um professor tinha dito a Yolanda “Se estudas, então passas de ano” e que agora esta alegava que tinha sido enganada. O professor poderia responder: “O que eu te disse é verdadeiro. Se tivesses estudado, terias passado de ano.”
Em 3. a antecedente é falsa e a consequente é verdadeira. Nessa circunstância a condicional continua a ser verdadeira. Esta assegura que basta estudar para passar de ano, mas não diz que essa é a única maneira de passar de ano, não diz que não há outros factores que permitam passar (copiar ou ameaçar o professor, por exemplo). Por isso, o facto da Yolanda não ter estudado e o facto de ter passado de ano não anulam a veracidade da relação enunciada na condicional.
Em 4. a antecedente é verdadeira e a consequente é falsa. Nessa circunstância a condicional é falsa. Caso estude e não passe, a Yolanda já tem motivos para dizer ao tal professor que este disse uma falsidade. Este tinha assegurado que estudar era uma condição suficiente para a Yolanda passar, ou seja, que bastava ela estudar para passar. E isso não se verificou: uma coisa não levou à outra. Daí que, nessa circunstância, a condicional seja falsa.
Em síntese:
| ANTECEDENTE | CONSEQUENTE | CONDICIONAL |
| Verdadeira | Verdadeira | Verdadeira |
| Falsa | Falsa | Verdadeira |
| Falsa | Verdadeira | Verdadeira |
| Verdadeira | Falsa | Falsa |
Regressemos então à negação. Ao negar uma certa proposição obtemos uma outra proposição que tem necessariamente de possuir um valor de verdade diferente da proposição inicial. Se a proposição inicial é falsa a sua negação tem de ser verdadeira. Se a proposição inicial é verdadeira a sua negação tem de ser falsa. Não podem ser ambas verdadeiras nem ambas falsas. Ou seja: a proposição inicial e a sua negação têm de ser proposições contraditórias. Por exemplo: ao negarmos a proposição verdadeira “Florença é uma cidade italiana” obtemos a proposição falsa “Florença não é uma cidade italiana”.
Ao negar uma proposição condicional afirmamos a antecedente e negamos a consequente, pois isso equivale a dizer que a antecedente é verdadeira e a consequente é falsa – que, como vimos, é a única circunstância em que uma proposição condicional é falsa. Ao fazer isso estamos a mostrar que, contrariamente ao que tinha sido dito nessa proposição, a antecedente não é uma condição suficiente da consequente. Dito de modo mais coloquial: estamos a mostrar que uma coisa não leva à outra e que a relação enunciada na condicional não ocorre.
A conjunção entre a afirmação da antecedente e a negação da consequente de uma condicional (ou seja, a negação desta) constitui uma proposição que não pode ter o mesmo valor de verdade dessa proposição condicional. Caso seja falso que “Se a Yolanda estuda, então passa de ano” tem de ser verdadeiro que “Yolanda estuda, mas não passa de ano”. E vice-versa: Caso seja verdadeiro que “Se a Yolanda estuda, então passa de ano” tem de ser falso que “Yolanda estuda, mas não passa de ano”.
Se tentássemos negar a condicional de outro modo não conseguiríamos obter uma proposição contraditória com ela e por isso não se trataria de uma autêntica negação. Por exemplo: “Se a Yolanda estuda, então passa de ano” e “Yolanda não estuda e não passa de ano” podem ser, em certas circunstâncias, ambas verdadeiras ou ambas falsas.
(Alguns leitores poderão achar útil o post Condições necessárias e suficientes: análise de um exemplo. Tendo em conta que o mesmo foi escrito a pensar nos alunos do 11º ano, não aconselho a sua leitura aos alunos do 10º ano.)
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Matriz do 10º ano (turmas B, D, E e F)
| ESCOLA SECUNDÁRIA DE PINHEIRO E ROSA FILOSOFIA – 10ºANO Ano Lectivo: 2009-2010 Matriz do 1º Teste (Outubro) O Professor: Carlos Pires
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| Duração: 90 minutos. Temas: Quais são as questões da Filosofia? O que é a filosofia? Lógica – os instrumentos da actividade filosófica. |
| Objectivos: 1. Conhecer a etimologia da palavra “filosofia”. 2. Conhecer a época e o lugar em que a filosofia surgiu. 3. Indicar os elementos centrais da filosofia: problemas, teorias e argumentos. 4. Conhecer exemplos de problemas filosóficos e distinguir problemas filosóficos de problemas não filosóficos. 5. Explicar e exemplificar o conceito de crença básica. 6. Mostrar em que medida a filosofia constitui uma reflexão acerca das nossas ideias e crenças mais básicas. 7. Mostrar em que medida a filosofia tem um carácter crítico e argumentativo. 8. Mostrar em que medida a filosofia é um estudo a priori ou conceptual. 9. Explicar em que medida, apesar do carácter conceptual da filosofia, as informações empíricas podem ter utilidade na reflexão filosófica. 10. Saber que as respostas dadas aos problemas filosóficos raramente são consensuais. 11. Conhecer argumentos a favor e contra a pena de morte. 12. Utilizar esses argumentos para justificar uma opinião pessoal acerca do carácter justo ou injusto da pena de morte. 13. Indicar o objecto de estudo da Lógica. 14. Explicar o que são proposições. 15. Analisar exemplos, distinguindo frases que expressam proposições de frases que não expressam proposições. 16. Conhecer exemplos de frases que expressem uma única proposição e de frases que expressem, cada uma delas, várias proposições. 17. Distinguir diferentes tipos de proposições: afirmativas e negativas; universais, particulares e singulares; disjuntivas e condicionais. 18. Analisar exemplos, identificando neles os diferentes tipos de proposições. 19. Reescrever frases para colocar as proposições na sua expressão canónica. 20. Explicar em que consiste a negação de uma proposição. 21. Explicar como se negam proposições universais, particulares e singulares (tanto afirmativas como negativas) e proposições condicionais. 22. Efectuar a negação de proposições apresentadas. 23. Explicar o que são proposições contraditórias. 24. Explicar a utilidade da negação na argumentação. 25. Explicar como se podem refutar proposições universais através de contra-exemplos. 26. Explicar o que é um argumento. 27. Analisar exemplos, distinguindo argumentos de não argumentos. 28. Analisar argumentos, distinguindo premissas e conclusão. 29. Conhecer indicadores de premissa e indicadores de conclusão. |
| Leituras obrigatórias no Manual: Da página 11 à página 14. Página 21.Da página 31 à página 37. Da página 42 à página 45. Leituras aconselhadas no Manual: texto 4, página 27 e 28. Leituras obrigatórias no blogue Dúvida Metódica: “Problemas filosóficos e problemas não filosóficos”, “Estudo da religião: a parte da Sociologia e a parte da Filosofia”, “O que é a Filosofia?” e “Identificação, classificação e negação de proposições”. Leituras aconselhadas no blogue Dúvida Metódica: “Discutir ideias em vez de repetir frases”. |
| Bom Trabalho! |
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Discutir ideias em vez de repetir frases
Uma proposição é a ideia (ou pensamento) expressa por uma frase declarativa com sentido.
Frases diferentes podem exprimir a mesma proposição. Por exemplo, as três frases seguintes exprimem exactamente a mesma proposição: A pena de morte é moralmente errada. A pena de morte é incorrecta em termos morais. The death penalty is morally wrong.
Este não é um mero pormenor “técnico” e sem interesse filosófico. Pelo contrário. Na filosofia analisam-se e discutem-se proposições. Ou seja: analisam-se e discutem-se ideias e não as frases que as transmitem. Não é propriamente a frase escrita pelo filósofo X ou Y que interessa, mas sim a ideia por ela transmitida – será uma ideia verdadeira ou falsa?
Do mesmo modo, um aluno não se deve preocupar especialmente com a frase que o professor disse ainda há pouco e que ele não conseguiu escrever no caderno, mas sim com o que o professor queria dizer com essa frase; ou seja, com a proposição – que pode ser expressa através de outra frase diferente. O que esse professor, caso tenha um entendimento correcto da filosofia, esperará do aluno é que este compreenda a ideia e a discuta – e não que repita a sua frase tintim por tintim.
sábado, 3 de outubro de 2009
Identificação, classificação e negação de proposições
1.1 Dizer que as perguntas não têm valor de verdade significa que são falsas. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Porquê?
1.2 Se uma frase é declarativa, então tem valor de verdade. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Porquê?
1.3 Nem todas as frases declarativas são verdadeiras ou falsas. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Porquê?
1.4 Uma proposição é uma frase declarativa com sentido. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Porquê?
1.5 Frases declarativas diferentes podem expressar uma única proposição. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Porquê?
1.6 Uma frase declarativa só pode expressar uma proposição. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Porquê?
1. 7 Diga se as frases a seguir apresentadas exprimem ou não proposições.
A. A pena de morte é o castigo máximo que pode existir num sistema penal.
B. Existe pena de morte na Holanda?
C. Viva a vida!
D. Yolanda, vai ler aqueles textos sobre o problema da pena de morte.
E. Por favor, senhor juiz, não condene este homem à pena capital!
F. Que horror!
G. Juro que logo à tarde te explico porque é que o argumento da dissuasão não prova que a pena de morte é moralmente correcta.
H. Quem comete crimes muito graves merece um castigo muito severo.
I. A pena de morte é uma zona açucaradamente salgada e comprida, embora redonda e mais química que fria ou até verde.
2. Diga qual é o tipo das proposições expressas pelas seguintes frases:
A. Todos os crimes são puníveis com a pena de morte.
B. Nenhum crime é punível com a pena de morte.
C. Nem todos os criminosos são reabilitáveis.
D. Há julgamentos em que se cometem erros.
E. Sócrates foi condenado à pena capital.
F. O filósofo grego Sócrates não era culpado dos crimes de que foi acusado.
G. Se a pena de morte dissuade o crime, então o crime aumenta quando a pena de morte é abolida.
H. Certos políticos não cumprem as suas promessas.
I. Existem assassinos simpáticos.
J. Quase todos os caloiros aceitaram ser praxados.
K. Cada emigrante português é um caso especial.
L. Não há prisões à prova de fuga.
M. Caso não defendas a pena de morte és contra a segurança dos cidadãos.
3. Negue as proposições expressas nas alíneas A, B, C, D, E, F, G, L e M da pergunta 2.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
O carácter factivo do conhecimento
A chamada definição tradicional do conhecimento diz que para haver conhecimento (proposicional) têm de estar reunidas três condições: crença, verdade e justificação.
Dessas três condições aquela que costuma suscitar mais dificuldades de compreensão aos alunos é a segunda: a verdade. Vejamos se é possível clarificar o problema e diminuir essas dificuldades.
A primeira condição é a crença. Ter uma crença consiste em acreditar que uma certa proposição é verdadeira. Mas a pessoa pode enganar-se e julgar verdadeira uma proposição falsa. Para haver conhecimento é preciso que (além da justificação) a proposição seja de facto verdadeira. A crença de que é verdadeira é necessária, mas não é suficiente. É necessário que a proposição seja mesmo verdadeira.
O conhecimento proposicional, como o próprio nome indica, consiste no conhecimento de proposições. As proposições podem ser verdadeiras ou falsas. No entanto, só podemos conhecer proposições verdadeiras. Podemos saber que uma proposição é falsa, mas não podemos conhecer uma proposição falsa, ou seja, não podemos conhecer a própria falsidade.
Por exemplo: sabemos que a proposição expressa pela frase “as flores falam” é falsa, mas não podemos saber que as flores falam.
Uma proposição é falsa quando afirma algo que não sucede, que não é o caso, que não é real. Não podemos conhecer falsidades pois tratando-se de falsidades não há “lá” nada para conhecer. Não podemos conhecer falsidades tal como não podemos agarrar o vazio. Não podemos saber que as flores falam, pois as flores não falam.
Uma proposição é verdadeira quando afirma algo que sucede, que é o caso, que é real. E isso pode ser conhecido.
Por exemplo: a proposição expressa pela frase “a maioria das pessoas fala” é verdadeira, pois afirma algo que realmente ocorre. Podemos saber que a maioria das pessoas fala, pois de facto a maioria das pessoas fala e como tal existe algo para ser conhecido.
Pode-se resumir essas ideias dizendo que o conhecimento é factivo. Factivo significa literalmente: remeter para factos.
Palavras como “ver” e “ouvir” são factivas. Palavras como “desejar”, “querer” ou “preferir” não são factivas.
O desejo não é factivo, pois posso desejar efectivamente algo que não existe, algo que não é real, algo que é impossível.
Por exemplo: posso desejar estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse desejo incide em algo impossível, mas é um desejo tão efectivo como desejar beber um café com uma pessoa amiga. Os desejos podem perfeitamente não remeter para factos sem deixar de ser desejos.
O ver é factivo, pois não posso efectivamente ver algo que não é real. Quando efectivamente se vê, vê-se algo que é real, algo com o qual os olhos podem estabelecer um contacto.
O que pode acontecer é que me engane e julgue ter visto sem de facto ter visto. É o que sucede, por exemplo, nas alucinações visuais. Estas costumam ser definidas como percepções sem objecto e são “produzidas” pelo cérebro e não pelos olhos, não se relacionando (pelo menos directamente) com algo que esteja diante da pessoa que alucina.
Em suma: quem alucina não está de facto a ver (chamar “visões” às alucinações é apenas uma maneira de falar), mas quem deseja algo impossível ou irreal está de facto a desejar.
Verifica-se o mesmo com o conhecimento. Só se pode conhecer o que é verdadeiro, aquilo que de facto sucede. Aquilo que não sucede não pode ser conhecido, pois nada há para conhecer.
Tal como uma pessoa se pode enganar e julgar ver algo sem realmente estar a ver, também se pode enganar e julgar que conhece e afinal não conhecer.
Mas isso não significa que a pessoa tenha um conhecimento falso. É comum ouvirmos falar de conhecimentos falsos. No entanto, essa expressão não pode ser entendida literalmente, é apenas uma maneira de falar. Se conhecer é conhecer verdades, se não se podem conhecer falsidades, então não há conhecimentos falsos. Se uma crença é falsa, não é conhecimento. Se uma crença constitui conhecimento, não é falsa. Por isso, há crenças falsas mas não conhecimentos falsos.
Em suma: para haver conhecimento é preciso haver verdade. Esta é uma condição necessária do conhecimento.
Um indício de que conhecer é conhecer verdades e que a verdade é uma condição necessária do conhecimento é o facto de as pessoas que acreditam em proposições falsas só considerarem que têm conhecimento porque não têm consciência da falsidade dessas proposições. Julgam que são verdadeiras e por isso julgam ter conhecimento. Uma pessoa que não esteja a mentir e a tentar enganar outras pessoas, não diz que sabe algo se tem consciência da sua falsidade.
Isso mostra que todas as pessoas, mesmo que não conheçam a definição tradicional do conhecimento, associam-no naturalmente à verdade e colocam-na como uma condição necessária deste.
Uma análise mais completa da definição tradicional do conhecimento implicaria explicar a terceira condição: a justificação.
Cada uma das condições é necessária, mas não suficiente. As três juntas constituem uma condição suficiente para haver conhecimento, pelo menos nalguns casos. Podemos dar inúmeros exemplos de conhecimentos proposicionais em que ocorrem essas três condições. No entanto, existem alguns casos – que constituem contra-exemplos a essa definição – em que a ocorrência das três condições não parece suficiente para haver conhecimento.
Nota: por facilidade de expressão a palavra “conhecimento” por vezes foi usada sem o adjectivo “proposicional”, mas refere-se sempre ao conhecimento proposicional.
domingo, 19 de outubro de 2008
Condições necessárias e suficientes: análise de um exemplo
Uma condicional é uma proposição da forma: Se P então Q. Por exemplo: Se aquilo é um peixe, então aquilo é um animal.
Da explicação do conceito de proposição condicional fazem parte as ideias de condição necessária e de condição suficiente.
A antecedente da proposição condicional apresentada como exemplo é “aquilo é um peixe” e a consequente é “aquilo é um animal”.
Ser peixe é uma condição suficiente para ser animal. Ou seja: basta ser peixe para ser animal, aquilo que é peixe é automaticamente animal.
Porém, ser peixe não é uma condição necessária para se ser animal. Não é indispensável ser peixe para ser animal, pois há outros seres (como exemplo as ovelhas e as baleias) que não são peixes e são animais.
Por outro lado.
Ser animal é uma condição necessária para se ser peixe. É indispensável ser animal para se ser peixe. Não se pode ser peixe sem ser também animal.
Porém, ser animal não é uma condição suficiente para ser peixe. Com efeito, pode ser-se animal e mesmo assim não se ser peixe – como sucede com as já referidas ovelhas e baleias, mas também com os caros leitores deste post.
Dito de modo mais abreviado: o facto de algo ser peixe implica que seja animal, mas o facto de algo ser animal não implica que seja peixe.
Infelizmente existem exemplos de proposições condicionais muito mais complicados, em que não parece suceder aquilo que esperaríamos de uma proposição condicional verdadeira.
(Na imagem um peixe porco espinho.)
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Disjunção inclusiva ou exclusiva?
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Pode-se filosofar em qualquer língua
Retirado do site EDUHQ - Educação através de Histórias em Quadradinhos e Tirinhas: http://www.cbpf.br/~eduhq/index2.html