Mostrar mensagens com a etiqueta Música Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música Portuguesa. Mostrar todas as mensagens

27 de setembro de 2013

a colocar nas vossas agendas


este é um balanço que nunca foi feito.
antes de 74, alguns, poucos, grupos de música coral, tiveram uma importância determinante na música portuguesa.
tive o prazer de ter feito parte de um deles, com um dos oradores deste colóquio como maestro, e uma das oradoras e o organizador como colegas.
o moderador também foi meu maestro décadas e rosário pestana é das pessoas que mais tem estudado este fenómeno em portugal e ultimamente tenho tido algumas conversas com ela sobre este tema.
se gostam de música;
se querem saber mais sobre o que foi o movimento coral antes de 74 e a sua influência em muitos grupos que hoje são determinantes na música popular portuguesa;
que querem participar num balanço que nunca foi feito,

este é um elenco de luxo para esse balanço que se quer iniciado.


28 de novembro de 2012

um ano depois do fado, vamos a outras músicas




há um ano por esta altura estavam os portugueses inchados com a classificação do fado como património imaterial da humanidade.
como acontece normalmente com os portugueses, inchamos, desinchamos e passamos.
o fado não ficou nem mais forte nem mais fraco por via da classificação, as prometidas edições dos clássicos do começo do século não viram a luz do dia e os imensos estudos sobre a guitarra portuguesa não tropeçaram no prelo.
mas se o fado manteve a sua vitalidade sem isso, não irá morrer por falta disso, seguramente.
para comemorar a classificação fadista, e ao jeito aqui da casa, iremos inaugurar a semana (que como a guerra dos 100 anos não tem que durar exactamente o tempo que o seu nome indica) das músicas classificadas pela unesco.
falarei daquelas que eu gosto mais ou que conheço melhor, como está bom de ver.
serviço público tem limites…




há uns tempos (em 2006..) falei aqui do ‘canto a tenore, da sardenha, da sua classificação e da não classificação do fado e do cante alentejano. uns anos depois o assunto foi tratado e alcançado parcialmente. falta o cante, já que as polifonias minhotas parecem estar perdidas para sempre e os lhaços mirandeses continuam enredados no meio dos paulitos do esquecimento.
hoje volto ao assunto do 'canto a tenore'.
este é o canto tradicional dos pastores da sardenha.
uma polifonia a quatro vozes (bassu, contra, boche e mesu boche), cantada em círculo e um pouco como no cante alentejano, o solista lança o começo da quadra e os restantes abrem a polifonia, com o bassu e o contra num estilo muito próximo do que usam os cantores de tuva com o seu canto gutural.
a forma de canto em círculo dá um som mais compacto para quem ouve e melhora a afinação para quem canta. o som grave do bassu serve de apoio e dá o ´tom' de terra à música.
o ‘cante a tenore’ mantém-se vivo nas tascas da sardenha e ganha a vida, felizmente, nos circuitos da chamada música do mundo.
nós agradecemos.

tenores di bitti, explicação do processo de canto


tenores de bitti 'mialinu pira', ballu lestru


14 de novembro de 2012

morreu o zeca do rock



já aqui falámos várias vezes dele, e até o próprio já aqui comentou a propósito dele mesmo.
o zeca do rock foi o pioneiro do rock e do twist em portugal.
rockabilly, chamamos hoje a esse estilo de rock&roll cheio de brilhantina, jeans curtas e soquetes.
um rock básico e primário que se viria a multiplicar em estilos que só por facilitismo ainda metemos no mesmo saco do tal 'rock'.
algumas rádios saudosistas têm vindo a passar com alguma regularidade alguns dos seus êxitos.
uma altura para re-ouvir o ingénuo 'sansão foi enganado' (na versão orginal e na um pouco mais moderna dos bunnyranch).
zeca do rock morreu agora no brasil, onde se dedicava aos assuntos pouco roqueiros do esoterismo.
ficamos com a memória da inocência da sua música.


2 de novembro de 2012

«Trama» na Regaleira

Image and video hosting by TinyPic

… e assim foi, no passado domingo, a apresentação de um novo projeto musical de seu nome Trama. Nem o frio que se fazia sentir durante a noite da Regaleira, afastou audiências , com o espaço preenchido por um público caloroso que, apesar do clima sintrense, não se importaria de ter ficado  mais tempo a ouvir esta sonoridade em português.

Trama,O Brilho

19 de outubro de 2012

a propósito de algumas questões que me foram colocadas

este post era para ser um comentário, mas acabou por ser demasiado extenso, como normalmente acontece comigo.
garanto que procurei resumir a minha resposta às questões colocadas pelo 'pirata vermelho.
se eu soubesse, resumia melhor, assim respondo longo, chato e embrulhado.
peço desculpas antecipadas.

caro pirata,
vamos tentar sistematizar as questões que me coloca por forma a tentar responder integralmente às mesmas:
1.
quanto ao título e às palavras em língua estrangeira que lá estão (pitt broken), identificam o agrupamento musical que gravou aquela música e que no vídeo em questão a está a tocar.
sobre a origem do nome, poderá perguntar aos próprios através da sua página no facebook (livro de caras, em português), sabendo eu que tem a ver com algumas das suas influências culturais musicais,
2.
quanto ao vocábulo 'cover' que, na linguagem musical da música popular urbana costuma significar 'versão', significa que aquela canção, que em português se poderia chamar mau romance, é da autoria de um outro compositor e autor que não aqueles que a estão a cantar, neste caso uma senhora, cidadã dos estados unidos, chamada stefani germanotta, que utiliza o nome artísitico de lady gaga (as razões desta escolha deverá perguntar igualmente à própria).
penso que estão respondidas as questões relativas a pitt, broken, cover, bad, romance, lady e ga (que presumo ser abreviatura de gaga)
vamos agora a mais umas questões:
1.
 pergunta-me se a canção é de natureza espiritual ou política.
presumo que sinta que existem mais opções para além dessas duas, mas deve ter querido apenas saber se esta encaixa numa destas, deixando de fora todas as outras possíveis.
eu, como materialista, diria que nenhuma canção é espiritual, mas adiante.
2.
nesta canção como em milhões de outras, se pesquisar no google (como penso que tem exclusividade de preferência pelo português, poderá fazê-lo no sapo) ou noutro motor de busca com o nome da canção e a palavra letra (bad romance letra), a mesma deve aparecer quase instantaneamente.
para a traduzir, utilize um tradutor automático disponível em muitos motores de busca, nomeadamente no google.
a questão quanto ao conteúdo da canção poderá avaliá-la por si. eu classificaria como uma canção de amor, mesmo que pouco convencional, com gente feia a amar-se (feia por fora, que por dentro não há ninguém bonito. somos todos tripas, gorduras, sangue, músculos....)
3.
quanto à natureza do que chamo o filão de braga e arredores (mão morta, peixe avião, partizan seed, la la la ressonance, at fredy’s house, mundo cão…) tem a ver com um movimento cultural musical extremamente activo e diversificado que, numa pequena área geográfica, tem um produção não existente noutras zonas mais populosas.
finalmente, a questão das qualidades vocais e instrumentais do ‘rapazito’.
1.
a qualidade de voz é uma coisa tão discutível como qualquer outra, do mesmo modo a questão da simplicidade da execução de um qualquer tema. woody guthry (o nome é mesmo assim, em estrangeiro) dizia que alguém que soubesse dois acordes tinha a obrigação de os utilizar como uma arma; johnny cash, assumia abertamente que nos primeiros anos da sua carreira apenas sabia 3 acordes (coisa facilmente audível nas suas músicas); josé afonso escolheu o rui pato para o acompanhar nas primeiras gravações, não seguramente por ele, ao tempo ser um bom executante (foi mais porque não tinha outro disponível na altura da gravação), mas porque era o mais útil para aquela tarefa naquele momento.
a voz de bob dylan, leonard cohen, tom waits, neil young ou alfredo marceneiro, estão a léguas que cumprirem alguns dos requisitos para aquilo que se pode identificar como uma ‘boa’ voz.
uma voz numa canção tem uma utilidade e é dessa utilidade que eu me ocupo quando analiso se gosto de uma voz ou de uma interpretação.
quero cantores que me digam o que estão a cantar e que me façam sentir o que cantam.
a celine dion tem uma enorme extensão vocal e é muito afinada. que bom para ela...

no caso da canção bad romance, prefiro claramente a versão simplista e ‘feia’ dos pitt broken, à versão pirotécnica da lady gaga, porque está muito mais de acordo com o que a canção me diz.
dando alguns exemplos do que para mim é a utilidade da utilização de uma voz ou forma de cantar em diferentes estilos de música: o pavarotti era excelente no canto lírico e absolutamente horroroso e assassino a cantar música pop; os cantores de tuva são excelentes nos cantos guturais mas execráveis a cantar versões de pop/rock; a mezzo-soprano anne sophie von otter é deslumbrante no canto lírico (especialmente no barroco, digo eu) e deslumbrante a cantar música pop, porque sabe utilizar registos diferentes para canções diferentes.
os fadistas, cheios de 'portamentos' arrastados, estariam a léguas da 'qualidade técnica', não fora o facto de o fado ficar melhor com aquele arrastar sofrido da voz entre as notas.
canções diferentes necessitam de vozes diferentes e técnicas de canto diferentes.
a ‘boa’ voz é uma coisa tão discutível como qualquer outra e uma boa voz para uma coisa não quer dizer que seja uma boa voz para outra.
os quadros de excel são bons para mentes quadradas, como o nosso ministro gaspar que acha que o mundo é assim. mas não se aplicam nem no mundo, nem na música.
o que eu questiono numa canção, e neste caso concreto, é se aquela voz ajuda a perceber e gostar daquela canção.
para mim a resposta é sim.
se gostava de ouvir o ‘rapazito’ a cantar palestrina? a resposta é não.
2.
a questão da simplicidade musical.
no geral, é mais fácil fazer complicado do que simples.
a simplicidade custa porque se torna mais visível, e não tem nada a esconder.
a complexidade ajuda a esconder fragilidades no meio do aparato.
mas música não é melhor nem pior por ser mais ou menos complexa. é difícil existir uma música mais ‘quadrada’ do que uma valsa e no entanto o richard strauss não é um compositor menor.
na música contemporânea, os minimal repetitivos não são compositores menores por serem minimais e repetitivos, e não escolheram aquela via expressiva por não saberem compor uma melodia.
a qualidade de uma música vem da percepção que dela têm os que a ouvem. independentemente de os outros gostarem dela ou não; tem a ver com a função e utilização; tem a ver com a utilidade, seja essa utilidade a agit-prop, a dança ou o ruído de fundo num elevador.
 espero ter sido esclarecedor, já que não fui sucinto.

18 de outubro de 2012

pitt broken, ou como o filão de braga parece ser inesgotável

pitt broken é o nome que diogo lima, mais um música saído do forno de braga, foi escolher para este seu projecto musical.

esta bad romance da lady gaga mostra, não apenas que por debaixo daquela pirotecnia de pechisbeque, a lady gaga é uma excelente compositora, mas também que o projecto pitt broken é uma das melhores surpresas da nova musica portuguesa



9 de abril de 2012

Cidade

Em 1954 era fotografada por António Homem de Christo. Em que cidade e quem era ela?

A Cantora Maria Clara no Porto.

20 de janeiro de 2012

as más notícias vêm aos pares, ou johnny otis e etta james unidos na vida e na morte

muitas vezes as más notícias vêm aos pares.

com um pequeníssimo intervalo, morreram duas lendas do r&b.

johnny otis foi um dos mais influentes produtores de rhythm and blues e um descobridor de talentos notável.
excelente músico como convém que sejam os excelentes produtores (daniel lanois, t-bone burnett, brian eno...), tinha uma percepção para escolher talentos notável.
se como pianista, baterista ou cantor foi muito bom, como produtor foi único.

um dos enormes talentos que descobriu e produziu foi etta james.
também ela agora falecida.

com um intervalo de 3 dias apenas, os dois deixaram de estar por aqui.

felizmente que a sua música e o seu legado por cá continuam.

johnny otis, hand jive

etta james, i just want make love to you

23 de setembro de 2011

O amor é cego e vê



No homem ou na mulher
Amor é uma cegueira
Mas só não vê quem não quer
E vê sempre a quem o queira.
Amor é cego e vê, não sei porquê,
Amor é cego e vê, não sei porquê.
Deus lhe deu esta graça
Este poder fatal
De ver dentro de nós o que se passa
Como se o peito fosse de cristal.
Se o Amor nos olha, logo a gente
Preso na alma o sente
E escuta a sua voz.
Mas o que enfim se não entende:
Aquele a quem se prende
É quem nos prende a nós.

Canta Tomás Alcaide, para o filme Bocage, canção com Música de Afonso Correia Leite/Armando Rodrigues, letra de Matos Sequeira/Pereira Coelho.

7 de setembro de 2011

O fado Hilário

"Ao que nos informam, vai ser comemorado. em Coimbra, em começo do próximo ano, o centenário do nascimento do Hilário, porventura o mais conhecido cantador de fados da boémia académica coimbrã. A iniciativa da comemoração partiu de um antigo estudante de Coimbra, o dr. Vivaldo Gaspar de Freitas, e segundo nos informam também, do programa comemorativo farão parte, alem de um serão literário  e musical, uma exposição evocadora  do célebre cantor e guitarrista. Celebrar o Hilário  não é apenas recordar uma figura, é recordar uma época de que ele constituiu uma expressão.
Em 7 de Janeiro de 1864 veio ao Mundo, em Viseu, um pequeno,filho de António da Costa Alves e de Ana de Jesus, que foi baptizado com o nome de Lázaro Augusto. Tendo sido crismado em 25 de Maio de 1877. passou a chamar-se em vez de Lázaro Augusto, Augusto Hilário. Concluído o curso liceal, Augusto Hilário matriculou-se, em 12 de Outubro de 1886, na Universidade de Coimbra, nos preparatórios para Medicina, mas boémia a quanto obrigas,só seis anos depois, concluiu esses preparatórios e ingressou na Faculdade.Não viria, porém, a ser médico. Rouxinol , nascera para cantar. Por companheira inseparável tinha a guitarra."Se um dia me tirarem a guitarra, tiram-me a vida". Uma cirrose do fígado, com várias complicações, levou-o aos trinta e dois anos.
Pouco antes de morrer chamou a mãe e pediu-lhe que lhe desse a guitarra estremecida.
"Já não  posso tocar, mãe. Mas quero despedir-me dela..."
Não tardou que desfalecesse. O Hilário morrera. Marcava o calendário,3 de Abril de 1896, Sexta Feira de Paixão. A nova  correu célere: um manto de luto cobriu a cidade do Mondego; e, ao som das guitarras saudosas, toda a velha Coimbra cantou:

Guitarras andam de luto.
Que o  Hilário morreu
Seu corpo guarda-o a campa
Sua alma voou ao céu

 O Hilário desaparecera nas sombras da morte, mas a memória  do que ele foi e do que ele representou permanece viva  na tradição coimbrã. Como escreveu Octaviano de Sá, sempre
que se fala  da Coimbra boémia, do encanto das suas serenatas, da melodiosa dolência dos seus fados,logo ocorre o nome do  Hilário. Nada mais exacto. Já não se escutará nem a sua voz  melodiosa, nem a sua guitarra plangente, mas os seus fados, quer pelos versos, quer pela música, ficarão como expressão de um  estilo inapagável:
Quero que o meu caixão,
Tenha uma forma bizarra...
A forma de um coração,
A forma de uma guitarra

Uma guitarra e um coração, eis Hilário! "
In Boletim da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais, Outono de 1963

12 de julho de 2011

Os Vampiros



O chavão de que numa economia aberta (ou livre) a auto-regulação é feita pelos próprios mercados está a dar os seus frutos, podres é certo, mas está a dar.
Os apologistas desta economia aberta estão agora a falar de que é necessário regular os mercados, tarde é certo, mas estão a falar.
A ideia de que num qualquer mercado não haveria especuladores é uma ingenuidade, sempre os houve e haverá.
Não sei escrever dívida pública em chinês, mas há quem a saiba escrever muito bem. Para esses continuação de bons negócios.
Para nós, desejo que aguentemos com o efeito do que criámos. [apesar de não me reconhecer na paternidade deste ser vampiroso, ‘os mercados’]

26 de maio de 2011

29 de abril de 2011

Tourada

Outro foto de Eduardo Gageiro: Tordo e Ary nas vésperas do Eurofestival. Iam defender a "Tourada" e era o ano de 1973

8 de abril de 2011

a quem possa interessar nestes tempos sombrios



no próximo domingo, pela tardinha, o arsis vai apresentar a 'paixão segundo s. mateus', do francisco martins.
francisco martins é um dos maiores e melhores músicos da história da música portuguesa.
é dele aquela que é, provavelmente, a música que mais gozo me dá cantar, mesmo que diga que se fizeram as trevas.

esta paixão segundo s. mateus tem uma história conhecida e muitas vezes musicada, quer pela liturgia, quer por alguns compositores mais famosos.
resumidamente é a prisão, julgamento, condenação e morte de cristo.
ao contrário das histórias normais, aqui 'o rapaz' morre no final.

esta paixão, até pela época em que foi feita e pelo estilo do francisco martins, é uma mistura de polifonia e de gregoriano e é nesses estilos que será cantada.

para quem queira uma hora de quaresma na tarde de domingo, o convite fica feito.

e sim, o tenebrae será o ´selo´final.