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11 de julho de 2012

Do sushi aos "jaquinzinhos", em jeito de silly season

As montras dos estabelecimentos da especialidade apregoam drogas milagrosas para se ter o físico perfeito (não me refiro ao autor da teoria da relatividade, citando uma imagem legendada que correu tantas caixas de correio). As revistas (mais ou menos cor de rosa) fornecem dicas aparentemente eficazes, mas no mínimo desajustadas, do ponto de vista nutricional e, como tal, circunscritas a curtos períodos. Há ainda quem, desejando assemelhar-se, o mais possível, a “top models”, se preste aos regimes alimentares mais disparatados, os tais que levam a que – por sacrifícios superiores a quadras religiosas em que os fiéis jejuam – em curto prazo se recupere com juros de mora os quilos derrotados.

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Aprendem-se as regras de uma boa alimentação com supervisão de profissionais competentes . Essa mudança de hábitos, sem fundamentalismos, é positiva porque se sente recuperada a saúde em risco e consegue-se mudar, sem “altos e baixos”, os hábitos alimentares, entendendo-se o porquê de tais vantagens, com o regresso do equilíbrio e da capacidade de levar a cabo um projeto prolongado no tempo – um ponto final em hábitos menos adequados.

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Não sendo, até há pouco, grande adepta de sushi,  fiquei na passada semana, agradavelmente surpreendida ao ter visitado um local que desconhecia e onde se pratica “a rigor” a ancestral sabedoria do Oriente, tendo mudado por completo um (pré)conceito em riscos de ficar enraizado, maravilhosos legumes e peixes na chapa (iammm... sabor único...). Por vezes, escapa-se às regras registadas no papel pela nutricionista (que vigia, mas também sabe conversar). Sabe-se que normas são para transgredir, desde que se interiorize o princípio de “não haver regra sem exceção”.

 P.S: uma mistura explosiva (a título pessoal) já erradicada: o "cafezinho com leite", citando uma personagem de antigo sketch televisivo, já o café "solo" é difícil de ignorar.

23 de fevereiro de 2012

a minha primeira vez... a cozer lampreia
























ontem, por artes mágicas (ou por desistência do seu legítimo destinatário), apareceu em minha casa uma lampreia.. amanhada.
a perspectiva de ter uma lampreia só para mim foi desde logo uma antecipação do prazer garantido.
a lampreia tem uma primeira parte que requer muitos cuidados e experiência: a sua preparação (amanhar e temperar).
mas essa parte já vinha realizada do minho.
a minha calhava-me apenas as partes mais fáceis e saborosas: cozer e comer.
feito o estrugido com cebola e azeite, adicionadas rodelas de chouriço de carne e o ciclóstomo devidamente amanhado, cortado e com um dia bem medido envinhado.
estufada 20 minutos e estava pronta para se fazer o arroz.
quando alguém nos faz o favor de arranjar uma lampreia já preparada, é o melhor e o mais fácil dos manjares...
só falta o sporting ganhar logo à noite...

21 de fevereiro de 2012

o mês da lampreia e o foral novo manuelino de barcelos



continuando a saga do delicioso diclóstomo pelos anos de quinhentos, encontramos no foral novo manuelino de barcelos, de 1515 uma detalhada regulamentação da pesca, comercialização e taxação da lampreia.

alguns dados interessantes da distribuição do produto pescado (3 partes para o senhor do lugar e 1 parte para os pescadores) que ainda eram observados em muitas zonas do país em 1974 na terras agrícolas, bem como o facto de a ‘legislação aplicável à lampreia apenas ser válida entre janeiro e a páscoa (no resto no ano era inútil andar à pesca dela) . e o senhor da terra ser literalmente o senhor da terra (e do rio..)

os títulos são do foral, sendo que estão colocados na margem do bloco de texto e não por cima como aqui tive que fazer.

Estacada

E declaramos que a estacada que se costuma de poee ou lançar no dito rio pollo senhorio se nan há de lançar per outras pessoas outras pessoas (repete do original) nem em outro nome na qual se há de teer a maneyra seguynte segundo fomos certo per imquiryçam que sobre ysso mandamos tirar. Convem a saber; a dita estacada se poera no mês de Janeyro quando ho ryo pêra ysso deer lugar e durara atee Pascoa de Ressureyçam em qualquer tempo que vyer. E amte do dito mees de Janeyro ou passada a Pascoa pescaram quaaesquer pescadores e muitas outras pessoas no ditto ryo sem nhûa penna.

As lampreae posto que a estacada estevese posta passado o qual tempo mandamos que nan dure mais a dita estacada. A qual ham de poer os pescadores que nella ouverem de pescar pêra a qual porem o senhorio que for dos ditos direitos reaes será obrigado de daar e dará a madeyra e estacas e malhos com que se fez tancha. E assy os candieyros e cortiça e lenha que lhes comprirem pêra allumyar de noute a dita pescarya e se aquentarem. E os ditos pescadores somemte sam e seram obrigados de poerem ho barco e redes e pescarem na dita estacada.

Lamprea

E de todallas lampreae que pescarem na dita maneyra levará o senhorio as três partes e os ditos pescadores hüua, nas quaes três partes emtram as dizymas nova e velha e qualquer outro direito ou tributo real a que as ditas lampreae podessem ser obrigadas. E passado o dito tempo da Pascoa ou ante o dito mees de Janeyro nem se pagara nhuum direito das ditas lampreas em qualquer maneyra que sejam tomadas.

E decraramos que qualquer yrez ou sollo que se tomar ou ballea que morrer na costa he em solydo do senhor da terra e os pescadores nam levam delle nada.

E dês que o pescado foor dizymado os pescadores o poderam levar por mar e per terra sem delle pagarem outra dizyma nem portagem. E as outras pessoas que ho comprarem pagaram delle o real por carga mayor e das outras a esse respeito se for por terra e se for per maar pagaram o que sempre pagaram atee ora pescadoresm outra emnovaçam.

E as ditas duas dizymas se pagaram de qualquer pescado que pescadores tomarem atee Barcellos com barca e rede. E nam ho tiraram em terra sem primeyro ho manifestarem aos oficiaaes dos ditos direitos. E porque atee ora nom ouve lugar certo onde os ditos pescadores devessem de sayr decraramos que seja nos lugares mais convenientes que parecer aos pescadores e aos oficiaaes dos ditos direitos.

8 de fevereiro de 2012

o mês da lampreia, parte 2 - a idade média


em agosto do ano passado, aproveitando a minha peregrinação anual ao festival de paredes de coura, regressei a barcelos e à sua biblioteca (e também aos amigos).
andava à procura de mais informação sobre o grupo de amigos do castelo de faria, uma ‘nobre’ associação entre o desejo sincero de recuperação do passado e a exaltação nacionalista, e do que mais tropeçasse pelo caminho.
como quase sempre me acontece quando procuro uma coisa, outra me aparece pelo caminho como se fosse uma ponta de um fio pronto para ser puxado.
e se há coisa que sempre sabe bem puxar por um fio, é uma boa lampreia...

no inventário dos bens do mosteiro de guimarães de 1059, aparecem as zonas pesqueiras de travasso (luzim, penafiel), terras doadas provavelmente por mumadona dias por alturas da sua doação em testamento da villa de luzim no final do primeiro milénio.
é nesta zona, e principalmente em rio de moinhos, onde o rei possuía muitos casais, reguengos e terras foreiras, que o dito foro era pago com metade (sim, 50% de imposto...) das lampreias pescadas.
em canelas (que tinha os seus bens divididos pelos mosteiros de paço de sousa, bustelo, salzedas, alpendurada e vila boa do bispo e ainda pelo omnipresente rei), o rei ficava com 1/4 de todo o pescado e, claro a primeira lampreia e o primeiro sável.
ainda nos mais antigos registos que encontrei sobre o nobre ciclóstomo, nas inquirições do rei afonso III de 1258 o assunto era mencionado.
nelas, o dito rei, mantendo a proibição que viria de afonso I, de proibir que fossem tomados aos barcelenses as suas embolhas (sacas de couro para o transporte de vinho) e as roupas das camas, decretava que as primeiras lampreias que se pescassem no cávado seriam para a sua mesa.
o concelho pagaria uma renda anual de 205 morabitinos e não se falava mais nisso.. excepto em janeiro por altura das lampreias, porque a primeira (e aqui o singular seria seguramente metafóricos) lampreia era mas as mesas reais.
ou seja, mesmo nos idos do século 13, o rei sabia que as coisas importantes eram aquelas com que se devia preocupar...

6 de fevereiro de 2012

a lampreia mudou pouco, e o nosso gosto por ela também



há uns tempos publicamos aqui uns links para uns estudos sobre o reconhecimento do facto da lampreia ter mudado muito pouco ao longo dos últimos 100 milhões de anos.
também ao longo da nossa história (e aqui refiro-me à história do nosso portugal, que sendo longa é contudo bem mais curta que os tais 100 milhões), a apetite pela lampreia não mudou.
o primeiro registo que tenho do assunto é da gula do rei afonso III pelo delicioso ciclóstomo.
desenganam-se aqueles que acham que agora é que a coisa está cara e quando eram pequeninos as lampreias eram dadas.
seguramente eram muito mais baratas, mas também todos ganhávamos incomparavelmente menos, mesmo todos nós que estamos a ganhar menos do que ganhávamos há relativamente pouco tempo.

estes são os meses da lampreia, e eu um seu dedicado e devoto admirador, mesmo que os rigores da austeridade me aconselhem a ter mais cuidados.
este mês aqui falarei do dito ciclóstomo

17 de agosto de 2011

Rim



Hoje fui a um talho de miudezas indicado por um senhor desta área de uma grande cadeia de supermercados. Bichanou-me, vá ao talho 26, lá vendem fígado e rim. Ao meu lado uma senhora comprava rabo de qualquer coisa. Paguei muito pouco e estou divertida a pensar no reencontro dos sabores da infância. Roubei a foto ao  blogue Outras Comidas. E escolhi-a pelo elaborado preceito de arranjar os rins.

Ver aqui o blogue referido. Inteligente, bem escrito e fotografado,  com excelente matéria para quem gosta de cozinhar.

25 de janeiro de 2011

Antes que o frio provoque estragos...



Antes que o frio destrua o pouco que resta, uma correria à horta… As laranjas são excelentes para sumo sem aditivos nem excessos de açúcar, os limões – mesmo sem grande aspecto – decerto melhores do que os das grandes superfícies comerciais, sujeitos a operações de estética, os coentros têm um aroma único, sendo tão apreciados cá pela moirama (apesar das origens nortenhas…), as nabiças e o alho francês destinados a sopas cem por cento biológicas, a saber verdadeiramente a legumes, as alfaces garantidamente crocantes… É que a palavra crise aguça o engenho e nada como aproveitar ao máximo os recursos trazidos pela natureza, com especial agradecimento ao zelador, já que os tempos não libertam muito para cuidados agrícolas, talvez um dia…

8 de outubro de 2010

O rico cestinho



O belo cestinho de pão nortenho. Nunca falha a broa.
Clicar para ampliar.

1 de julho de 2010

Maison Végétarienne

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Este anúncio também está na separata do Almanaque Bertrand de 1902, tal como o anterior. Todos os produtos que encontramos hoje nas lojas Bio  aqui estão. Até roupa e calçado própria para naturalistas. Muito interessante mesmo. Gosto particularmente das "cuécas para banhos de sol" e restitui-se dinheiro aos descontentes.

13 de junho de 2010

"Farinha Amparo"

Era obrigatório. Logo pela manhã.
E cumpria essa obrigação sem qualquer dificuldade.
Um prato de “Farinha Amparo”, que pedia bem grossa, acordava-me para o dia de escola. Já trajado com o bibe azul e gola de goma branca que sempre detestei por me sentir apertado, aquele prato era o ponto de partida para descer o quarto andar, e esperar pelo Sr. Tavares, condutor da velha carrinha do colégio, onde os cestos de verga com o almoço, as pastas com os cadernos, livros e estojos de lápis de “dois andares”, formavam amálgama com gritos e sonos.
“Farinha Amparo”!
Desapareceu.
Vão longe esses dias, mas ainda há marcas que se mantêm, algumas das quais nada me dizem. Os “dias que voam” levaram-me os gatos de chocolate, o “ComaComPão”, os cubos de marmelada embrulhados em celofane, os gelados da “Rajá”, os chocolates da “Regina” e…a “Farinha Amparo”. Qual “33”, qual “Predilecta”…
Não há direito!
Há pouco tempo, descobri
aqui que afinal tinha mudado de nome, mas ainda havia.
Procurei com denodo, mas sem sucesso.
Consegui telefonar para o fabricante, e fui informado que só encontraria à venda fora de Lisboa…
Estranho.

10 de janeiro de 2010

Um belo chá

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O Chá Sambique que dava brindes em prata.
O Chá que Portugal dá a beber ao mundo. Muito bom para acompanhar o bolo da Teresa.

Crónica Feminina, 1960

6 de janeiro de 2010

A Galinha põe e você dispõe

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Assim se publicitava o consumo de ovos, mui fresco e carimbado, e se educava o consumidor.
O slogan, a  Galinha põe e você dispõe, esse ficou para sempre.
Revista Notícia 1967

17 de dezembro de 2009

ERRÂNCIA PELOS COMERES DE MÉRTOLA

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O correio do Natal de 1997, trouxe-lhe um livro que trazia dedicatória: “Mais uma vez o Alentejo. Já que o gosto é a síntese de todos os sentidos.”
Ao folhear o livro, lembra-se de ter dito de si para si: também o gosto de partilhar solidões…
“Aromas e Sabores”, foi um trabalho coordenado por Nádia Torres e que contou, para o texto e ilustrações, com a participação de alunos, professores e funcionários da Escola C+S de Mértola. Mais não é que um passeio sobre as comidas de Mértola. Aqui apraz-lhe citar Alexandre Pinheiro Torres: “Porque o Alentejo é o único sítio de Portugal onde se sabe tudo o que importa saber.”
Profusamente ilustrado, “Aromas e Sabores” prova, se necessário fosse, que a comida alentejana não é feita só de pão e coentros.
Na apresentação do livro Manuela Barros Ferreira escreve:
“Palavras não matam fome, nem que digam mil comidas. No entanto, as palavras são, para os poetas, pão do espírito, sementes lançadas ao vento, fermentos de mudança. Podem ser doces como mel, amargas como fel, picantes como pimenta. A comida exposta em palavras não é, certamente, um livro de poemas. Não há qualquer prazer espiritual na leitura de um livro de receitas. No entanto, para além dos prazeres adiados (e muito concretos) que encerra, pode conter, como este, tudo aquilo que permite a sobrevivência de uma população ao longo de anos e ao longo do ano.”
Tempo de Natal, este que atravessamos, ocorreu-lhe reproduzir uma receita adequada e traz esta de filhós. Em devido tempo experimentou a receita e achou delicioso aquele toque da aguardente, coisa que a avó não punha nas filhós que fazia e que, apesar de, não deixavam de ser deliciosas:

3 ovos
2 colheres de açúcar de sopa de banha
50 grs. De açúcar
3 laranjas
0,5 dl de aguardente
1 limão
Canela
Farinha
Óleo
Misturam-se os ovos inteiros, o sumo das laranjas, a banha, o açúcar, a raspa da casca do limão e uma pitada de canela. Depois de todos os ingredientes bem incorporados, junta-se farinha em quantidade suficiente para poder tender, sovando bem a massa. Deixa-se descansar algumas horas e estende-se a massa com o rolo, sobra a pedra polvilhada com farinha. Corta-se com o feitio desejado e frita-se em óleo bem quente.”