Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens

30.5.12

Um sorriso pra ti, um sorriso pra mim e a vida sorri

Papa reitera confiança nos seus próximos e nega conspiração no Vaticano. Relvas comportou-se com "correcção e transparência", diz Passos.

Bento XVI e São Bento no seu melhor.

11.5.10

Depois da vitória do Benfica, a vinda do papa. Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um império colonial...

4.5.10

Pensei que fosse brincadeira. mas as escolas vão mesmo fechar no dia 13 de Maio! Não sou deste país (ou não quero ser!). Laicidade, senhores!

14.1.09

Tudo isto é (en)fado!

O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, faria alguns amigos no Egipto..., se não dissesse a ninguém que dá entrevistas em casinos. Que magnífico "Príncipe da Igreja"!

20.9.08

Que laicidade para a Europa do século XXI?

Em alguns países europeus, esta é a questão da ordem do dia e urge uma resposta sábia. Em França, dois discursos de Nicolas Sarkozy - em Roma a 2 de Dezembro e em Riad a 14 de Janeiro, acenderam o debate. Para o Presidente da República francês, «uma política de civilização» exige que «a dimensão religiosa do homem seja respeitada» e que se deixe de «ignorar oficialmente as religiões». Os Estados devem passar a «reconhecer "o facto religioso" nas suas dimensões histórica e cultural» e devem «acabar com a hipocrisia que vigora entre religiões e Estado, oficialmente separados mas unidos por numerosos laços e compromissos».

Estes discursos, que poderíamos considerar apenas très realpolitik, sobretudo o proferido na Arábia Saudita, excedem os limites da substância da lei de separação dos poderes (tal como vigora em França desde 1905) a partir do momento em que Sarkozy, Presidente de um Estado laico, declara que «Dieu est au coeur de chaque homme» e afirma que «a religião não pode ser reduzida ao simples espaço privado».

Não se põe em causa a bondade da intenção de pôr fim à «guerra das duas Franças» (clerical e laica) nem o valor do apelo à tolerância religiosa. O que é questionável é se podemos confundir (e preferir) a aceitação da diversidade religiosa e a defesa da laicidade.

A resposta, aparentemente simples, acabou por não me parecer nada evidente. No último ano estive na Bósnia, na Tunísia, em Inglaterra, na Alemanha, em França e na Suiça. Confesso que estranhei a omnipresença da comunidade muçulmana. O uso de burkas - para mim, uma manifestação pública de fanatismo religioso, e que eu julgava reservado a países conotados com o extremismo islâmico -, é uma prática que fui forçada a encarar com naturalidade. De resto, vi mais mulheres com burka na Suiça do que na Bósnia ou na Tunísia. Neste país, numa zona turística, nadei e fiz hidroginástica lado a lado com portadoras de túnica e hijab (o véu islâmico). Estranhei que não despissem a vestimenta dentro da piscina, mas entranhei.

No centro da Europa dei comigo a pensar na forma como reagiria se, na minha cidade, começassem a crescer mesquitas e minaretes. Na Suiça,
a população insurge-se contra esta nova tendência (construções maioritariamente financiadas pela Arábia Saudita). E nem pensar em ouvir o apelo à oração ou muezzin! Mas, e se a proibição se alargasse ao repicar dos nossos sinos? Defender a laicidade pode conduzir a esses silêncios, o que não me parece legítimo, sobretudo depois de ver como é possível a convivência aberta entre diferentes credos em Sarajevo (e não, não esqueci a trágica História recente).

Na Europa Ocidental, a influência do cristianismo decresce, a par da emergência de novas confissões. A Inglaterra já se assume como uma sociedade multiconfessional (cristã, muçulmana e hindu). Noutros países, a integração da minoria muçulmana continua a suscitar tensões e a dividir opiniões. Assumo-me como defensora dos princípios da laicidade, mas não concordei com a lei que proibiu o uso do véu islâmico nas escolas francesas. Saber conviver com a diversidade religiosa e o multiculturalismo (conceitos diferentes mas que aqui se aproximam) supõe, para mim, o respeito pela decisão individual de ostentar símbolos religiosos. Ideais feministas e leis de paridade entre géneros devem reconhecer a impossibilidade de avaliar com rigor - e determinar - se esses comportamentos são impostos por terceiros (normalmente pais ou maridos). Enfim, esse tem sido o argumento utilizado pelos defensores da polémica lei. Discordo. Discordo também que
um juiz possa não atribuir a nacionalidade francesa a uma cidadã por esta usar burka como aconteceu recentemente, também em França.

Na Tunísia, as turistas ocidentais que faziam topless suscitavam-me o mesmo tipo de questões que as muçulmanas de burka na Suiça. Por momentos, ainda ficava dividida entre o deleite de me sentir rodeada de todos os mundos e o (pre)conceito que me levava a comportar-me e a desejar que todos se comportassem seguindo o lema de "em Roma faz como os romanos".

A verdade é que não há "romanos" puros. Nesta era de migrações globais, o que é ser europeu? É-se europeu independentemente do país de ascendência, da raça e do credo. Está a ser difícil aceitar a nova identidade europeia, mas convém não esquecer o que somos.

Voltemos então ao cerne da questão: tem sentido a defesa do que Nicolas Sarkozy apelidou de «laicidade positiva»?

As minhas leituras levaram-me à descoberta de um artigo escrito por Mustapha Benchenane (Révue "Une Certaine Idée", nº 16 de Dez. 2003) no momento em que se vivia um clima agitado em França devido precisamente à questão do uso do véu islâmico nos estabelecimentos de ensino público. Benchenane conclui que a laicidade, tal como é definida e está consagrada no sistema legal francês (lei de 9 de Dezembro de 1905), não se opõe ao uso de qualquer símbolo religioso em locais públicos, incluindo a escola. O Islão, por outro lado, ao contrário do que defendem os fundamentalistas, não obriga as mulheres a tapar-se. O hidjab ou a burka não são prescritos pelo Corão. Porquê então o psicodrama criado pelos parlamentares franceses e pelos representantes da comunidade islâmica?
A verdade é que Estados e cidadãos se sentem ameaçados e "invadidos" pela diferença das minorias (crescentes) e que, por outro lado, o hidjab e a burka, assim como a construção de novos templos, são utilizados na Europa como uma forma de afirmação político-religiosa. Por agora, nenhuma destas manifestações levou directamente à alteração da ordem pública mas a tensão aumenta e adivinham-se conflitos. Um Estado laico deve ser neutro em matéria de religião. O discurso de Sarkosy reflecte pois um imenso desvario. Dar poder à ala clerical (seja ela qual for) terá um efeito perverso. Mas, e nós, meros cidadãos desta Europa? Aceitamos a expressão de diferentes confissões no nosso quotidiano, aceitamos as mudanças obrigatórias no nosso habitat, ou dizemos não a tudo em nome da laicidade? Há meio termo?
O debate está aberto.


Adenda: Colónia - Congresso de extremistas de direita provoca protestos - Pretexto: construção de mesquita

Laicidade na Europa do século XXI

A separação entre Igreja e Estado diz respeito à política e não se estende a outros domínios?
A defesa da laicidade pode pôr em causa o direito à diversidade cultural e religiosa?

Mostar, Bósnia

Yasmine Hammamet, Tunísia (Hotel)

Vevey, Suiça

Montreux, Suiça

Neuchâtel, Suiça

Paris, França


Versailles, França

28.9.07

Deus também fala na net

Temur Yakobashvili (Jacobson)
The lady day

Desculpem os crentes, mas não resisto: Deus também “fala” na net é o (suposto) testemunho de uma peregrina que ascendeu a "acolhedora" graças à net. Pode ler-se no site do Santuário:
«Engraçado, numa fase em que se discute que o uso excessivo da internet poderá ser considerado pecado, Deus chama-me e fala-me através dela. Achei a proposta aliciante e algo que ia directo ao que eu pretendia fazer, acolher os peregrinos por e em nome de Nossa Senhora, mostrando-lhes o quanto o Amor de Seu Filho é grande.
Depois de preenchida a ficha, enviei-a com o coração a transbordar de esperança de que a resposta fosse breve, e mais uma vez Deus não me desiludiu, foram poucos os dias até à noticia de que iria haver um curso para novos acolhedores em Março, faltavam apenas umas semanas para que eu fizesse parte dos Acolhedores do Santuário.
»


É um bom study case para as
Jornadas Nacionais de Comunicação Social em curso no Santuário de Fátima, subordinadas ao tema "Será verdade o que «Vemos, ouvimos e lemos»?" (sim, nos jornais, que as aparições é coisa certa!)

Enfim, está tudo em marcha para a Dedicação da Igreja da Santíssima Trindade no dia 12 de Outubro, pelo Senhor Cardeal Secretário de Estado do Vaticano, D. Tarcisio Bertone. Para os mais distraídos, laicos ou nem por isso, a obra da Igreja da Santíssima Trindade, cuja inauguração está marcada, integra-se nas comemorações dos 90 anos sobre a última das aparições que a Nossa Senhora fez aos pastorinhos. Um pormenor: segundo o reitor do Santuário, vai custar o dobro do que chegou a ser previsto, ou seja, "70 ou 80 milhões de euros". Santos da casa não fazem milagres! Ainda há umas contas por fechar e o reitor afirma: "Espero um dia publicá-las". Mais uns milhões, menos uns milhões, o que é isso! Tudo contribuições dos peregrinos que amam a Nossa Senhora e que aprenderam a perdoar!

Mas dizia eu que "Deus também fala na net": por isso, e agora dirijo-me aos crentes, não hesitem em usar este endereço electrónico para os vossos pedidos de orações. Se é pecado ou não, não sei, mas o site do Santuário de Fátima revela um enorme pragmatismo, disponibilizando-o: pedidos@santuario-fatima.pt


[Consultei notícia do DN, via A Ilusão da Visão]

11.9.07

À escuta #49

S - Mamã, a A. está a rezar no teu quarto.
- A rezar?
S - Sim, está a pedir perdão ao Jesus pela asneira que fez.

[e, de facto, encontrei a A. de joelhos ao pé da cama, as mãos unidas, a ler «O livro das pequenas orações» que a avó lhe ofereceu há imenso tempo___ e a que ela nunca deu muita importância]

Ao jantar:
- A., acreditas mesmo no Jesus?
A - Claro!
- Então este ano queres ir para a catequese?
A - Por favor, não!
- Não?
A - Não, porque eu já sei como é que vai ser. Aparece o padre e fala com aquela VOZ no Jesus, na paz, bla bla bla, amai-vos, e eu não vou gostar!

14.6.07

Cultura da morte

"Cardinal Martino says Catholics should withdraw support for Amnesty International now that the rights group supports abortion."

A entrevista foi publicada
neste jornal e está a circular pelo mundo. O cardeal Renato Martino é o Presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz.

Já em 1996, o Vaticano anunciou a suspensão da ajuda financeira à UNICEF. A UNICEF difundia nos campos de refugiados de todo o mundo uma informação sobre um espermicida pós-coito destinado a jovens mulheres ou adolescentes vítimas de violação. (ler mais
aqui)

O cardeal acusa a Amnistia Internacional de, em conjunto com outras organizações internacionais, como a UNICEF, promover o direito ao aborto,
pelo menos em certos casos.

A associação abusiva destas organizações a uma "cultura da morte" não tem perdão. A pressão no sentido dos grupos católicos deixarem de apoiar estas organizações não é aceitável. Que o Pontifício Conselho arda no inferno e os Estados de Direito se pronunciem com veemência contra este tipo de discurso. A Cúria Romana não pode afirmar-se acima da Lei dos homens!

14.5.07

Matar mulheres em nome da honra, da vergonha ou da religião

-- ainda sobre a descontinuidade na História e a justaposição dos tempos.

"Killing women for reasons of honor, shame and religion does happens in regions of Kurdistan and Iraq. The above incidents are not uncommon in some of the deeply religious and traditional communities. For long violence against women has been commonly used as a political and religious weapon and as a means of social control."

O único crime da curda Doa Aswad, de 17 anos, foi apaixonar-se e ter querido casar com um sunita muçulmano, apesar de pertencer a uma família Yezidi. Não sei se devemos ver os vídeos do massacre desta jovem mulher, mas eles existem ---porque os seus assassinos possuem telemóveis de última geração e filmaram a barbárie.


No AINA News: seis pequenos vídeos e a notícia.
No Kurdish Aspect: "Honour Killing” Sparks Fears of New Iraqi Conflict
E nos anexos (novo espaço que acabei de criar), o artigo de João Pedro Pereira do Público de hoje.

20.10.06

SIM ou NÃO. A questão do aborto #2

Legislação sobre o aborto
Imagem e legendas: site de WOW



Na Europa, Portugal, Polónia, Irlanda e Malta são os países com as leis mais restritivas. A influência da Igreja Católica na mentalidade e nas decisões de carácter político é inegável. Por isso apetece-me narrar-vos um pequeno episódio.

Pouco tempo depois do primeiro referendo em Junho de 1998 - em que 31,8% dos eleitores foram votar e 50,5% destes votou contra o aborto - viajei até França. O referendo em Portugal tinha sido noticiado, pelo que várias pessoas me abordaram revelando a sua incompreensão. Não percebiam como, no final do século XX, ainda era possível a penalização do aborto num país da CE. Eu, que lamentava a situação, cheguei a ficar irritada com uma certa sobranceria. Infelizmente, não consegui dar-lhes a explicação histórica ou sociológica mágica que pretendiam.

Das conversas que tive, houve uma que me bateu mais forte. A mãe do meu marido, francesa, era uma pessoa muito católica, e, talvez por padecer de uma doença que ela sabia incurável, sentia-a muito próxima da sua crença e do seu Deus. Foi ela que me colocou uma pergunta muito simples, com a curiosidade e o respeito que lhe eram habituais: "então, como fazem os casais?".
Responder-lhe que os casais recorriam ao aborto clandestino, e que existia uma rede na sombra, composta por diversos tipos de estabelecimentos, clínicos ou não clínicos, com pessoal qualificado e nem por isso, soou tão mal, que ficámos as duas em silêncio.
Perguntei-lhe então como enquadravam em França, do ponto de vista teológico, a questão do aborto. Ela falou-me do "recurso ao mal menor", uma proposição clássica da Igreja. Numa situação de escolha difícil, opta-se pela alternativa que cause o menor mal. No caso concreto em que uma mulher tenha que escolher entre a sua felicidade e o respeito a uma vida humana potencial, nada impede de pensar que é uma decisão ética e religiosamente aceitável optar pela própria felicidade.

Metidos no nosso casulo luso, esquecemos que existe pluralidade no discurso religioso católico, mesmo se, oficialmente, tal discurso pretenda apresentar-se como monolítico e dogmático. No caso do aborto, não há uma opinião católica única, exclusiva, com fundamento teológico.

Os católicos portugueses, polacos, irlandeses e malteses são a minoria que, na Europa, ainda está presa à visão mais intransigente da Santa Sé.

Se nos informarmos um pouco sobre esta matéria, descobrimos que, desde os primeiros séculos de cristianismo, esta diversidade de pensamento está presente nas discussões eclesiásticas e entre teólogos. Sem nenhuma pretensão de expert, sugiro Os Escritos (Confissões) de Santo Agostinho, que expressavam a posição geral da Igreja. Por um lado, condenava o controle da natalidade e o aborto - porque destruiam a associação entre o acto conjugal e a procriação - e por outro lado, não entendia o aborto como homicídio. Santo Agostinho escreve:

"A grande interrogação sobre a alma não se decide apressadamente com juízos não discutidos e opiniões imprudentes; de acordo com a lei, o aborto não é considerado um homicídio, porque ainda não se pode dizer que exista uma alma viva em um corpo que carece de sensação uma vez que ainda não se formou a carne e não está dotada de sentidos"
in Jane Hurst, "A História das ideias sobre o aborto na Igreja Católica", Publicações CDD, SP, 1999

Uma outra doutrina, bem pouco conhecida pelos/as fiéis, que fundamenta a diversidade de opiniões quando se estabelece um debate moral é a doutrina do Probabilismo. Elaborada por teólogos católicos no século XVII, baseia-se no conceito de que uma obrigação moral que provoque dúvida não se pode impor como se fosse indiscutível. O princípio fundamental é "Onde há dúvida, há liberdade".

Estas são posições antigas, mas cada vez mais válidas, na sociedade plural em que vivemos.

Quando a Igreja Católica, em Portugal, afirma que se vai envolver na campanha pelo NÃO, caso seja aprovado o referendo, "porque (o aborto) não é apenas uma questão religiosa mas também de consciência" (desculpa de mau pagador num período em que a defesa da laicidade do Estado é cada vez mais afirmada), questiono-me sobre o respeito desta Igreja pelos crentes. Que dignidade lhes é conferida, se devem renunciar à sua liberdade e capacidade moral para tomar decisões sobre as suas vidas, nomeadamente no que se refere à sexualidade e ao momento em que têm filhos?


Da conversa que vos relatei, houve outro pormenor que me chamou a atenção. O problema do aborto deve ser colocado como um problema do casal e não apenas da mulher. Nos debates públicos, contra ou a favor da despenalização do aborto, habituamo-nos de tal forma a uma argumentação centrada na mulher, que esquecemos o efeito contraproducente da mesma. Já era tempo dos "movimentos pela defesa da vida" perceberem que o Adão de hoje pega na maça e que não são apenas as Evas a pecar e a precisar da luz e caridade cristãs. Se os defensores da despenalização do aborto deixassem cair o feminismo tresloucado, também só teríamos a ganhar! Qualquer um destes discursos fomenta a desresponsabilização do elemento masculino, no domínio da anticoncepção ou nas situações de gravidez não desejada.
Curiosamente, ninguém parece dar-se conta do paradoxo. Nos mesmos debates, é habitual a reinvindicação de novas políticas de educação sexual e de planeamento familiar. Mas, mais uma vez, só as primeiras
parecem direccionadas para ambos os sexos.

(continua)


Adenda_______________

Comentário de Lauro António:

Bons “posts” sobre o IVG, mas julgo que o caminho não é o melhor. Há motivos para muitas dúvidas e equívocos. O que se invoca a nosso favor, também pode ser invocado contra. Por exemplo, a doutrina do “Probabilismo”. Explicas: “Elaborada por teólogos católicos no século XVII, baseia-se no conceito de que uma obrigação moral que provoque dúvida não se pode impor como se fosse indiscutível. O princípio fundamental é "Onde há dúvida, há liberdade". Já viste que a liberalização da IVG provoca dúvidas? Logo há liberdade para a proibir.
De resto “ Estas são posições antigas, mas cada vez mais válidas, na sociedade plural em que vivemos.” Por que razão as “posições antigas” são cada vez mais válidas? Muito pelo contrário, acho intolerável a Inquisição, apesar de ser uma posição antiga. Logo, o simples facto de serem posições antigas, não as faz melhores ou piores. Como também muito bem dizes, as questões tem de ser colocadas no seu tempo. E enfrentar abertamente as posições do seu tempo, neste caso do nosso tempo. Aí a opinião da Igreja, oficial, papal, não deixa dúvidas e é sobre essa que teremos de reflectir.
O caso do aborto, ou da IVG, só tem uma questão a que nos devemos reportar: cada casal, porque não há IVG sem homem e mulher, tem de decidir em liberdade o que quer fazer. Para haver essa liberdade, é preciso que ela esteja consignada na lei. De resto, não discuto posições católicas ou feministas ou outras quaisquer, porque a partir do momento que exista essa liberdade de opção, cada um fará o que quiser, o que a sua consciência e a sua condição ditarem. Para quê discutir a posição dos católicos, dos ateus, os xiitas, dos turcos ou dos índios? Não tenho nada a ver com o que cada um pensa. Tenho a ver com a liberdade de cada um poder pensar o que quiser. E não vou rebater os argumentos dos outros, pois estou a entrar no seu jogo. Não quero ter “a consciência de outros”, quero poder “exercer a minha”.Não quero mudar “a consciência de outros”, porque também não quero que me obriguem a mudar a minha. Quero lá saber se o aborto era permitido no século XII ou no XVII. Não vivo no século XII nem no XVII, e nesses séculos havia tanta outra coisa de que discordo, que se concordo com uma é mera coincidência. Todas estas discussões visam apenas fornecer argumentos ao NÃO. Eu voto SIM, inclusive para os católicos poderem continuar a não exercer a IVG, se quiserem. E outros a praticarem, se assim o julgarem necessário. E outros ainda nunca praticarem a cópula sequer, se não tiverem prazer nisso e não quiserem aumentar o índice demográfico. Enfim, voto sim porque quero a liberdade de eu decidir como acho justo e o meu contrário decidir o inverso. Não discuto argumentos. Discuto a liberdade de decidir. É a única coisa em causa neste referendo. (...)

Esclarecimento:

LA, provavelmente tens razão, mas a conclusão a que chego é esta: "Os católicos portugueses, polacos, irlandeses e malteses são a minoria que, na Europa, ainda está presa à visão mais intransigente da Santa Sé."

Porque existe de facto, mesmo na Santa Sé, teólogos com um pensamento distinto do "oficial". O "recurso ao mal menor" não é dos séculos XI ou XVII, é de agora. De resto, é com base nesse postulado que a Igreja, noutros países ditos católicos, enquadrou a lei "laica" que permite a realização do aborto a pedido da mulher.

Porquê que isto me parece importante? Para deixar claro que não existem verdades absolutas. Para tranquilizar aqueles que, como eu, porque educados em meios conservadores, se descobrem a defender a despenalização do aborto, sempre com um nó na garganta e um ligeiro sentimento de culpa.
Eu acho que foi também por isso que em Junho de 1998, apenas 31% dos eleitores foram votar.

16.5.06

Uma história de todos os tempos

Louvre, interior, pirâmide invertida

Não, eu ainda não fui ver The Da Vinci Code. Hei-de ir, brevemente. Este post aparece a título de introdução. É que nas minhas mãos tenho um pequeno livro de Lauro António, sobre Visões de Cristo no Cinema (Edição Biblioteca Museu República e Resistência). Leio que "a hagiografia de Jesus multiplica-se até à exaustão. Em cada período da história da Arte Ocidental, existem múltiplas tentativas de representar Cristo, e muitas vezes a polémica que hoje assola o cinema esteve presente nesses séculos recuados, quando à imagem convencional de Cristo se contrapunha uma nova visão." (p. 4).

O Código Da Vinci (livro) não é uma recriação da vida de Cristo, mas as teorias que defende, ou as questões que coloca a partir desta imagem da Ultima Ceia de Leonardo Da Vinci, já geraram muita polémica. Agora que o filme foi lançado, o cardeal nigeriano Francis Arinze declarou num documentário anti-
O Código Da Vinci, produzido em Itália por uma entidade cinematográfica católica, que os cristãos deveriam "tomar medidas legais" contra o filme de Ron Howard (BBC News). No mês passado, o cardeal italiano Angelo Amato apelou a um boicote ao filme.

Neste livro de LA, que "termina" com A Paixão de Cristo de Mel Gibson ("o filme mais polémico do início do século XXI", antes da mega produção dirigida por Ron Howard), conto quase uma centena de obras sobre a vida de Cristo (entre elas, o Acto de Primavera de Manoel de Oliveira - 1963, A Maior História de Todos os Tempos de George Stevens - 1965, O Evangelho Segundo S. Mateus de Pasolini - 1964, A Via Láctea de Luis Buñuel, 1969, Jesus Cristo Superstar de Norman Jewison - 1973, O Messias de Rosselini - 1976, etc.) ou em que a personagem de Cristo se cruza com outras histórias (Quo Vadis, sete versões, desde 1902; Ben Hur, quatro versões, desde 1907, sendo a mais célebre a de 1959 de Willian Wyler; Salomé, cerca de vinte adaptações ao cinema da peça de Oscar Wilde).

Podemos sempre relativizar o impacto de todos estes filmes na época em que foram lançados. É verdade que, desta vez, o livro que inspirou o filme já vendeu mais de 45 milhões de exemplares em todo o mundo!

Mas em 1916, David W. Griffith, já "(se) tentava desculpabilizar do elogio do racismo e das actividades do Ku Klux Klan" (p. 6) com Intolerância. Nicolas Ray, em 1961, com O Rei dos Reis realiza um filme cuja imagem de marca é "um filme sobre o conflito de gerações, de luta pela liberdade" (p. 10). Em 1988, com A Ultima Tentação de Cristo, Martin Scorsese acaba "repescando a tese de que a ortodoxia católica tem escondido do mundo segredos que os testamentos e outros textos gnósticos parecem comprovar" (p. 12).

Conclusão: (1) depois do sucesso do livro de Dan Brown, não resisto a assistir ao resultado gerado pela ambição e risco assumidos por Ron Howard; (2) aposto que me vou divertir___ e vou adorar as cenas filmadas no interior do Louvre! (gostei logo desse ambiente no livro); (3) as minhas expectativas obedecem à apreciação do Tom Hanks___ "uma boa história, não devendo ser levada muito a sério".

Fica a dúvida se, livro e filme, serão capazes de ultrapassar a espuma dos dias (enfim, no caso do primeiro, já são uns anos, mas quand même!) e se o Lauro António se vai sentir na obrigação de acrescentar mais um capítulo ou título à sua colecção de livros sobre o Cinema.

26.1.06

Mistérios de Fátima

Como boa portuguesa, decidi visitar o Santuário. Descobri coisas fantásticas. Antes de mais, existe a Voz da Fátima (e não de Fátima)!? Para minha surpresa, fiquei também a saber que mais de cem mil pessoas já viram as jóias que ao longo dos anos têm sido oferecidas a Nossa Senhora de Fátima. A Exposição Luz e Paz deve ser de fazer inveja até a Elisabeth Taylor ! Que uso pode uma imagem numa nuvem dar a colares, brincos e anéis? Enfim, sabemos que isso não tem nenhuma importância. O que não percebo é como o Santuário ainda não lançou uma linha de perfumes, Allure de Fátima, Nuage d'Ourém, Trésor de Lucia !

Entretanto, as relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus visitaram Fátima. Eu pude vê-las em Aveiro e retive as palavras (inteligentes) do Bispo de Aveiro: deixem-se provocar!

Pequeno classificado: Jovem, se queres abraçar uma profissão de futuro, concorre ao Curso de acolhedores do Santuário!

11.9.05

Let the sun shine through

No dia 11 de Setembro de 2001 eu acordei com o telefonema de um amigo que, sem dar ainda muita importância ao caso, me disse que um avião se despenhara contra uma das torres gémeas de Nova Iorque. Liguei a tv para ver a CNN. A imagem estava lá mas nesse momento não havia nenhuma informação precisa sobre o avião nem sobre a causa do "acidente". Logo a seguir aparece o segundo avião e eu vejo em directo uma imagem que não compreendo apesar dos gritos do jornalista (?). A segunda Torre tinha sido "atacada". Como escreveu Beigbeder no seu Windows on the World, 1 avião=1 acidente, 2 aviões=0 acidente !

Hoje sabemos com precisão o que aconteceu. Às 8:46, um Boeing 767 da American Airlines transportando 92 passageiros, voando à velocidade de 800 km/h, e abastecido com 40000 litros de querosene, embateu contra os andares 94° a 98° da face norte da Torre 1, pegando fogo de imediato aos escritórios da Marsh & McLennan. Nenhuma das 1344 pessoas que se encontravam nos 19 pisos superiores sobreviveu. O choque e posterior incêndio obstruiram todas as saídas possíveis (as escadas ruíram e os elevadores fundiram).

A Torre Sul, mesmo com a ameaça de queda da Torre Norte, não foi evacuada. Às 9:02:54, o vôo 175 da United Airlines, outro Boeing 767, transportando 65 passageiros, penetra nos pisos 78° a 84°. Voa a maior velocidade que o anterior: 930 km/h. Às 9:59 a Torre ruíu.

Até às 10:28 precisas, quando a Torre Norte do World Trade Center desabou, não consegui desviar os olhos do écran. Durante cerca de uma hora e 45 minutos, das 8:46 às 10:28, milhares de pessoas ficaram prisioneiras daquele inferno, podíamos (ou talvez não) imaginar o desespero, o pânico, os seus esforços para sobreviver... em vão. Foi também o primeiro dia do resto de muitas outras vidas.

Nessa altura vivia em Paris, a dois quarteirões da Torre Eiffel e não muito longe da Torre de Montparnasse. Estava chocada com as imagens, decidi sair de casa, passear com as minhas filhas. Elas tinham apenas 18 meses e não queria que percebessem a minha tristeza. Mas depois de atravessar a Av. Sufren apercebi movimentos "anormais", havia policiamento em vários locais. E decidi voltar para trás. Dava-me conta de que todos estávamos sob ameaça e de que, mesmo que se tratasse de psicose, não valia a pena arriscar. Senti medo.

Ainda não podemos medir o impacto do 11 de Setembro no mundo, sabemos apenas que em termos estratego-políticos tudo se alterou, que o mundo seria diferente sem 9/11, que a América provavelmente não teria re-eleito G.W. Bush., que os Taliban viveriam ainda tranquilos no Afeganistão, que o precedente criado pelos EUA ao invadirem o Iraque não teria desacreditado a ONU, que se teriam poupado milhares de vidas de soldados e civis, que o julgamento de Sadam Hussein não aconteceria em Outubro próximo, que os orçamentos para fins militares seriam menos defensáveis...
mas depois ocorreram os atentados em Madrid e em Londres, para só falar da Europa...,
pelo que o nosso medo e dúvidas balançam, serenamos e logo voltamos a ficar agitados.

Em Dezembro de 2003 visitei o Ground Zero. A estação de metro acabara de ser reaberta. O Hotel em frente (outro arranha-céus) tinha sido limpo e cintilava. Mas ao lado ainda havia um prédio coberto para futura demolição por questões de segurança (as estruturas teriam ficado afectadas). Visto da St. Paul Chapel, transformada em memorial aos que morreram do outro lado da rua em 9/11 de 2001, o panorama era de desolação. Por toda a cidade, em quartéis de bombeiros, restaurantes, lojas, encontrávamos ainda fotografias das vítimas, rostos que fixávamos e que demoravam a desaparecer da nossa memória.

Todos nós nos lembramos desse dia, do que estávamos a fazer, do horror e comoção que se instalaram, da sensação de incredulidade - era um acontecimento que nos ultrapassava por completo. Como estamos hoje? Já acreditamos, temos a certeza de que existe um novo risco com o qual temos de aprender a viver. Mas a incredibilidade da História supera todo o conhecimento. Organizamos o nosso Tempo em função do nascimento de um messias, ac, dc. E fanáticos de outra religião pretendem abalar essa civilização. Para quando o Tempo do al, dl, vulgo "antes da laicidade", "depois da laicidade"?



The Windows of the World era o nome do restaurante situado no 107° piso da Torre Norte do WTC. Estavam 171 pessoas nesse restaurante (incl. 72 empregados) no momento do choque do Boeing. The Windows of the World é também o título de uma canção de Burt Bacharach e Hal David, interpretada por Dionne Warwick em 1967. A canção foi escrita contra a guerra no Vietname mas a mensagem ainda é válida e sê-lo-á durante muito tempo...

The windows of the world are covered with rain,
Where is the sunshine we once knew?
Everybody knows when little children play
They need a sunny day to grow straight and tall.
Let the sun shine through.

The windows of the world are covered with rain,
When will those black skies turn to blue?
Everybody knows when boys grow into men
They start to wonder when their country will call.
Let the sun shine through.

(clicar para ouvir a música)

23.7.05

Maná For The People



Uma imagem vale mais que mil palavras e esta traduz bem o que sinto quando ouço o pastor Maná (link). Comecem por ver a primeira sessão, e depois a segunda, e a terceira, gosto particularmente das 4ª, 5ª e 6ª, e chegam ao fim num instante. São ensinamentos que não podemos perder! E que devemos transmitir aos nossos filhos, mesmo se (ou sobretudo se) não os tivermos!

27.4.05

Roma del Popolo


Fontana di Trevi

É claro que atirei a moedinha para a fonte. Quero voltar a Roma, sim! A cidade é troppo bela e alguns dias não bastam para saciar a vontade de conhecer. Mas quando a ocasião chegar vou planear melhor a viagem. E certamente não vou escolher uma data próxima...:
- da entronização de um Papa;
- da entronização de uma Papa alemão: pelo menos 150 mil alemães na cidade! viu-os passar!
- de um fim de semana prolongado, também em Itália - neste 25 de Abril comemoravam os 60 anos do seu Independence day;
- de uma "domenica sportiva" com um jogo de futebol importantíssimo para o campeonato italiano - no Stadio Olimpico de Roma, a Juventus, que disputa a liderança com o Milan, jogava com o Lazio: vencendo por 1-0, igualou os 73 pontos do Milan na Classificação da Série A.

É que, na prática, isto significou: rios de gente na Piazza di Spagna e suas escadinhas, rios de gente na Piazza del Popolo e suas igrejas, via Condotti (a 5ª avenida de Roma) intransitável, vontade de atirar à Fontana di Trevi todos os turistas que, como nós, queriam sentar-se e fotografar-se e refrescar-se, verdadeira Via Sacra entre o Colosseo e o Foro Romano, filas intermináveis e colossais para entrar no Colosseo, no Musei Vaticani e Cappella Sistina, na Basílica di San Pietro,... e já ficaram com uma ideia!

Mas, apesar de toda esta agitação, não deixava de exclamar a todo o momento: belíssimo! Roma não tem arranha-céus nem janelas de alumínio. Roma tem verde, existem imensos parques. Roma tem charme. As fachadas romanas clássicas têm cores ocres, amarelo, pêssego, e estão bem conservadas. A cada esquina a memória do império romano numa pirâmide, numa coluna, numa parede, num obelisco, numa ruína. E a renascença e o romantismo que pintores e escritores que passaram por Roma lá deixaram, não foram destruídos. Roma tem inúmeras fontanas, palazzos, museos, chiesas, piazzas que vivem! E depois os detalhes, que são dicas a não perder: o museo atelier Canova Tadolin, o antigo estúdio do famoso escultor agora transformado em restaurante; o caffè Greco para o melhor cciocholai da vossa vida; e, até 31 de Maio, a XIV Quadriennale d'Arte di Roma na Galleria Nazionale d'Arte Moderna (com almoço ou lanche dentro do museu)!

No Domingo, dia do entronamento, foi definida uma "área rosa" à volta do Vaticano. A missa começava às 10h mas nenhum automóvel podia entrar na área depois das 8h. O Metro foi fechado, os autocarros não podiam circular. Por razões de segurança (não a dos chefes de Estado mas a do popolo, que aos milhares acorria à zona). Assim, a maior parte dos peregrinos deslocou-se a pé para a Basílica. Benedetto XVI foi aclamado. Comentário da RAI: o Papa teve uma postura muito solene! Imagens da RAI (cumprimentos): todos os monarcas presentes com especial destaque para os reis de Espanha, o irmão de Bush (o único que se ajoelhou), o presidente italiano e o disgraciatto Berlusconi&mulher&filho e o "nosso" Durão Barroso. Foi nesse dia que decidi ir para o Coliseu para fugir às multidões... e descobri que (1) tinham instalado por lá um écran gigante, e que (2) todos os italianos em fim de semana prolongado que não tinham ido para os Alpes ou para Porto Fino, escolheram colmatar uma falha imperdoável no seu curriculum vitae, conhecendo nesse preciso dia aquele pedaço de Roma e do tempo.

Palavras que ficaram:
Mussolini era o Homem da Providência Divina, enquanto governou evocava a Glória da Roma Antiga..., de repente percebi como ele era pequeno, foi um choque - Urbano Lazzaro, o soldado que prendeu o ditador em fuga, na RAI (Mussolini e a amante Laura foram executados no dia 28 de Abril de 1945, sem julgamento, e os corpos mutilados foram expostos em Milão)

O meu pai dizia que os políticos são como canas ao vento, se não abanarem, quebram - ilustre passageiro da TAP, reformado, filho de um carabineri que fez parte do corpo de guarda de Mussolini, com quem conversei no vôo Lisboa-Roma.

O fantasma de Nero aterrorizava aquele local onde, diziam, havia uma árvore amaldiçoada. O Papa Pascal II apaziguou a população mandando queimar a árvore e construindo uma capela. (1099, Santa Maria del Popolo)

Confirmações:
Não podemos deitar-nos no chão da Capela Sistina para ver o tecto.

Em Itália não se fuma em restaurantes e cafés.

Os taxistas discutem em todos os países do mundo.

Os franchisings espanhóis de vestuário não invadiram a Itália.

As cidades conhecem-se a pé.

Tenho que ir a um ortopedista.

Regresso:
Não é só chegar do Outro Mundo, e pronto! Reencontramos o fio dos dias como o deixámos, a arrastar-se por aqui, pegajoso, precário. A esperar-nos. in Céline, Viagem ao fim da noite, Ed. Ulisseia, p. 209

nota: Não é tanto assim...:)

3.4.05

Voltou à casa do Pai

Image Hosted by ImageShack.us
Nem todos têm o desígnio de ser artistas no sentido específico da palavra. Mas, segundo a expressão do Génesis, a cada homem é confiada a tarefa de ser artífice da própria vida; de certo modo, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima.

João Paulo II (1920-2005)