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1.10.12

Literatura & Arquitectura

[No Dia Mundial da Arquitectura____________________, celebrado em Portugal no dia que as Nações Unidas destinaram ao dia mundial do habitat, 1ª segunda-feira de Outubro.]

12.5.12

Bom dia, Santa Joana!

Hoje é dia da santa que não o é. É dia da beata. É dia da princesa. É dia da padroeira da cidade. Não consta que tenha apanhado moliço ou lido os ditos populares que enfeitam os barcos. Mas rezou e muito por estas bandas. Santa Joana Princesa, mais do que nunca, atende às preces das gentes da terra que te acolheu. O convento onde vivias, por exemplo, já só se adivinha. Mas não te zangues que foi tudo feito em nome do progresso e com fundos comunitários__que são públicos mas que tratamos como se fosse um gesto simpático de D. Afonso V, teu pai. A ti dedico estas imagens, quase históricas (para quando viver for recordar), porque o maior notável da urbe achou por bem construir uma ponte sobre o Canal Central. O povo não quer a ponte mas, já sabes, o progresso, os fundos de D. Afonso V,.... Já agora anuncio-te: de uma das janelas do convento poderás assistir à construção de outra ponte que unirá os dois parques da cidade. O povo também não quer essa ponte aérea, porque há passadeiras que servem muito bem o propósito, mas é o progresso, os fundos de D. Afonso V... Não poderias alertar o papá para o mau uso dos seus fundos?

Aveiro, Canal Central, Maio 2012
Foto MRF

24.1.10

Quarto com vista para a cidade de Aveiro

Não sei se foi a capela de S. Gonçalinho que inspirou (também) uma forma particular de arquitectura no casario dos bairros de Beira-Mar e Vera Cruz. Ou se aquelas águas-furtadas apenas visavam alcançar um horizonte mais longínquo, cheio de luz e de Ria. Ou se a tradição é tão antiga que já se desconhecem as razões. Talvez a ignorância seja minha. Naquele dia, começava um novo ano. Boa razão para tirar os olhos do chão e olhar para cima. Descobri esta regularidade no topo do mundo de várias casas. Como um sinal de pertença. (mais fotos no Quarto)

Fotos MRF

25.9.08

A (outra) Maison Blanche

LA CHAUX DE FONDS, CANTÃO DE NEUCHÂTEL, SUIÇA
Foto MRF - Agosto 2008



Para ti, Lauro, porque o prometido, ao contrário do que dizia O'Neill, nem sempre é de vidro.

7.6.07

Vamos brincar às cidades

"Pequeno auditório a implantar junto ao monumento aos mortos da Grande Guerra"

O concurso do Expresso chama-se "Vamos Fazer a Cidade" e, dado o destaque - cinco páginas na Única (Expresso de 2 de Junho), a pretensão pode parecer séria. Mas, pelo menos desta vez, não foi!

O projecto de requalificação para a Av. Lourenço Peixinho, em Aveiro, elaborado pela dupla Tiago Filipe Santos e João Paulo Cardielos, ambos arquitectos, é, no mínimo, desconforme em grandeza. Eu diria que os autores leram Avenida Lourenço Peixinho mas pensaram Avenue des Champs-Elysées. O projecto apresentado prevê um corredor central para peões e ciclistas e ainda: um pequeno auditório, um campo de futebol, um bar, um quiosque, um espaço de leitura, um espaço expositivo, um campo de basquetebol, um espaço para jogos tradicionais, um grande auditório, um espaço internet, um multi-usos, um espaço radical, uma piscina e um centro de turismo, enterrados ou à superfície.

Juro que li o artigo mais do que uma vez, pensando nas dimensões (largura) da avenida! O pressuposto só poderia ser o da eliminação das faixas rodoviárias! Mas não, "os automóveis não terão de ser erradicados", "reduz-se o número de vias para, apenas, uma em cada sentido, com corredor de estacionamento paralelo". Enfim, dada a construção recente do túnel num dos topos da Avenida (em frente à Estação da CP), convém mesmo não erradicar agora os automóveis!

Para além do elevado número de núcleos programáticos, o projecto de arquitectura prevê que estes sejam "abraçados" por estacas verticais, "optando-se por repetir sistematicamente" este "elemento de base estrutural". As imagens do jornal eram sugestivas... de uma Avenida sobrepovoada de construções.

O artigo tem o título "Olhares convergentes" mas, quem conhece a avenida em questão, só pode convergir na necessidade de mudança. É um facto que "de artéria nobre, unindo a Estação ao Rossio, foi, aos poucos, perdendo personalidade. «Nos anos 80 do século XX acentuou-se a troca da ocupação residencial pelo comércio e serviços, aliás, como noutras cidades. Nos anos 90, as fusões de algumas empresas e instituições bancárias levaram à desocupação de grande parte dos imóveis e à sua consequente degradação»." Falta acrescentar que a actividade comercial na Avenida Lourenço Peixinho foi fortemente abalada pela abertura do espaço Forum Aveiro e que esta "ameaça" se mantém.

O júri do concurso decidiu distinguir a proposta "cujo conceito central era a devolução do ambiente de «boulevard» oitocentista." É um facto que existe algum despotismo iluminado no projecto e na forma adoptada pelo Expresso para o apresentar. Concerteza, o plano para o corredor central da Avenida reflecte "um modelo de cidade ideal". Mas, e os prédios que já estão implantados? Como disfarçar o alinhamento desastroso de construções nos dois lados da avenida? Qual é a tipologia construtiva que se sugere para o futuro?

Fixemos a ideia principal, "de abrir um novo universo de actividades, de carácter lúdico, pedagógico ou cultural, incorporando programas actuais e recuperando valores identitários que se desvaneceram." Esqueçamos tudo o resto. Até o facto de nenhum projecto ser exequível do ponto de vista financeiro. Até o facto do Projecto Avenida de Arte Contemporânea, que previa animar a Av. Lourenço Peixinho, criando espaços de exposição de arte da Capitania até à antiga Estação da CP, não avançar. Esqueçamos tudo isso, deixemos a Avenida silenciosa. E então aceitaremos que se faça este tipo de jornalismo. Cinco páginas de ficção vendidas como matéria de primeira!



P.S.: Outra aveirense que também não percebeu!

Casas saudáveis para o presente



11.4.07

Ciclo Cinema e Arquitectura

Metropolis

O mítico filme Metrópolis, de Fritz Lang, inaugurou o ciclo quinzenal Cinema e Arquitectura, organizado pelo Cineclube de Aveiro e o NAAV, que se prolonga até Julho. Dividido em quatro capítulos (Atmosferas, Montagem, Mise-en-Scène, Grande Plano), o ciclo irá abordar a relação íntima, muitas vezes ignorada, entre as duas áreas artísticas, com a arquitectura a incorporar valores cinematográficos e o cinema a incorporar a arquitectura como mecanismo. Do cinema, a arquitectura retirou o sentido de movimento, de montagem, de enquadramento. Da arquitectura, o cinema retirou um meio de exprimir significados silenciosos, de sugerir uma intenção, um sentido de lugar. Os oitos filmes a serem exibidos vão revelar, de um modo por vezes imprevisível, essa relação.

Pintura original de Erich Kettelhut que inspirou o desenho de Metropolis


PROGRAMAÇÃO:

ATMOSFERAS (Quinta 28 Março e Quinta 12 Abril, às 22h)
Metrópolis , de Fritz Lang (Metropolis, 1927) – Sede NAAV
Blade Runner – Perigo Iminente , de Ridley Scott (Blade Runner, 1982) – Sede NAAV

Blade Runner

MISE-EN-SCÈNE (Quinta 26 Abril e Quinta 10 a Segunda 14 Maio, às 22h)
O Meu Tio , de Jacques Tati (Mon Oncle, 1958) – Sede NAAV
Anjos Caídos , de Wong Kar-Wai (Fallen Angesl, 1995) – Cinema Oita


MONTAGEM (Quinta 24 Maio e Quinta 7 Junho, às 22h)
A Corda , de Alfred Hitchcock (The Rope, 1948) – Sede NAAV
Memento , de Christopher Nolan (Memento, 2000) – Sede NAAV


GRANDE PLANO (Quinta 21 Junho e Quinta 5 a Segunda 9 Julho, às 22h)
O Ventre de um Arquitecto , de Peter Greenaway (The Belly Of An Architect, 1987) – Sede NAAV
Vontade Indómita , de King Vidor (The Fountainhead, 1949) – Cinema Oita

Sede do NAAV - Casa Municipal da Cultura (Edifício Fernando Távora, Praça da República) . entrada livre

Tlf: 234429117

http://www.cineclubedeaveiro.com/