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24.2.07

Breaking and Entering



Assalto e Intromissão é a tradução falaciosa de um filme denso, escrito e realizado por Anthony Minguella.

Tive conhecimento há pouco tempo da existência desse novo desporto urbano, o Parkour (PK). Lembrei-me da discussão que se seguiu sobre as cidades e a (in)adaptação do Homem ao espaço. O nome, de origem francesa, remeteu-nos logo para os motins nos subúrbios de Paris. No Parkour, o traceur salta muros, lança-se entre telhados, faz rolamentos, escaladas, que visam ultrapassar os obstáculos urbanos com a máxima agilidade e rapidez. Agora o PK faz-se acompanhar de uma filosofia que o perspectiva como uma arte, a arte do movimento, que visa a harmonia entre corpo e espírito.


Mas estamos longe dessa harmonia nesta nova Londres de Minguella, uma Londres de geografias e culturalismos variados, habitada por um arquitecto bem sucedido mas infeliz (Jude Law), a sua namorada sueca, Liv (Robin Whright Penn), o seu sócio (Martin Freeman) e a empregada negra por quem se apaixona, a prostituta Oana (Vera Formiga), a família de refugiados sérvios Amira (Juliette Binoche) e Miro (Rafi Gavron), os gangsters servo-croatas, e o polícia Bruno Fella (Ray Winstone), para quem todos podem ser criminosos mas que não esquece o background dos putos que persegue.

A filha autista de Liv provoca um afastamento no casal, que se ama. Miro, o traceur, vai desplotar a aproximação entre mundos que, mesmo se não se compreendem, se podem salvar mutuamente.
As cidades não podem desumanizar. Se houver moral na história.

16.11.06

Samuel Beckett


2006 é o ano em que se celebra o centenário do nascimento de Samuel Beckett. O autor de À Espera de Godot ou Dias Felizes, nasceu a 13 de Abril de 1906 em Foxrock, uma localidade a sul de Dublin.
Por ocasião do Famafest - Festival Internacional de Cinema de Famalicão, em Abril/Maio deste ano, tive oportunidade de ver os 19 filmes do projecto "Beckett on Film", idealizado por Michael Colgan, director artístico do Gate Theatre de Dublin. Este projecto reune pela primeira vez a gravação de todas as 19 peças de teatro do autor: Waiting for Godot, Krapp's Last Tape, Happy Days, Endgame, Not I, What Where, Catastrophe, Act Without Words I e II, Rough for Theatre I e II, Footfalls, A Piece of Monologue, Ohio Impromptu, Come and Go, Breath, Play, That Time e Rockaby.


Para minha surpresa, encontrei três destes filmes no Youtube. Leiam um pouco sobre o teatro do absurdo de Beckett, e aproveitem a oportunidade que a internet oferece.

Ohio Impromptu, de Charles Sturridge, com Jeremy Irons:


Play, adaptação de Anthony Minguella, com Alan Rickman, Kristin Scott Thomas e Juliet Stevenson. Play foi escrita por Beckett entre 1962 e 1963. O filme (em 2 partes): 1, 2 .

What Where, de Damien O'Dannell, com Gary Lewis e Sean McGinley (Parte 1 e 2)

Não pertencendo a esta série, não resisto a deixar aqui o link para:


Not I.
Vi esta peça adaptada ao cinema por Neil Jordan e interpretada por Julianne Moore. E guardo também na memória fragmentos de uma interpretação de Graça Lobo. Preferi a última___ que, na verdade, andava próxima desta versão.

Krapp's Last Tape
. Numa versão de Tom Skipp (1, 2).

1.5.06

Beckett de, depois de, Graça Lobo


Graça Lobo, sábia, apaixonada, fala-nos de Beckett. Beckett é, desde há muito tempo, seu. O seu Beckett antes do Beckett de outros, End Game de Conor McPherson, Play de Anthony Minghela, Catastrophe de David Mamet e tantos mais. Graça Lobo explica, contextualiza, antes de "Samuel Beckett no Cinema". Para nós. Sabem onde. Mas o público..., o público? Por onde anda o público que deixa escapar momentos assim, belos, raros? Viverá dias felizes?


E assim passamos de um título "à moda antiga" - Winnie - para o verdadeiro título: Dias Felizes, que são uma "tranche de vie", vimos já, limitada, e uma "tranche de vie" também postiça. Postiça adjectivando "vida" e "pedaço de vida" ao mesmo tempo.
Prefácio em Dias Felizes de Samuel Beckett
Ed. Estampa, 1989


Fotos de MRF