Por aqui estão todos tristes, decepcionados com a derrota brasileira. Vamos ter pela frente muita matéria publicada, inúmeros programas de TV analisando o ocorrido. Recebi, agorinha, esse texto do meu antigo professor de computação (hoje ele realizou seu sonho e é professor de Filosofia. Antes da computação já tinha sido engenheiro) que de um jeito simples, como bom mineiro que é, faz sua análise sobre a derrota. Pedro das "couve" ameiii!
"Toda vitória e toda derrota têm um sentido. Agora não é diferente. Me parece que devemos caminhar para uma correção de rumos em nosso futebol. O “movimento Dunga” foi importante para injetar disciplina e acabar com os estrelismos e falta de compromisso que pareciam reinar na equipe de 2006. Mas a coisa acabou despencando para alguns excessos que teremos que corrigir. Futebol não é guerra. A coisa tomou um rumo que ficou tudo muito sério, como se uma bomba atômica fosse explodir na cabeça de cada um caso perdessem a copa. Via-se na expressão tensa dos jogadores. Quem consegue jogar desse jeito? Ficou tudo muito pesado, como se a Pátria, a própria vida estivesse em jogo! Pô, pessoal, é esporte! Abaixa a bola um pouquinho!Penso que o correto agora seria procurar um treinador no estilo Felipão, talvez até o próprio. Ele parecia conseguir aliar, com uma certa leveza, autoridade e diversão. Afinal de contas, futebol, antes de mais nada, é a nossa diversão número 1! Está certo que para uma equipe funcionar precisa de disciplina. Mas será que precisa de disciplina militar? E aqueles xingamentos todos? Aquela falta de esportividade! Está bem! Pode ser que eu esteja falando isso agora porque ele perdeu. Se tivesse ganhado o defeito viraria elogio. Mas é isso mesmo! Uma virtude, no caso a seriedade, o compromisso e a disciplina, em excesso, vira vício, e acaba comprometendo o resultado e você perde. Se você ganha é porque a coisa estava no ponto. Não estava excessiva. Tanto o descompromisso exagerado quanto a responsabilidade exagerada podem ser prejudiciais e minar um desempenho.
Algum grau de transgressão e alegria descomprometida são desejáveis no esporte. Afinal de contas o dia a dia já tem compromisso e responsabilidade que chegue! Precisamos de um pouco de fantasia, de alguém que chegue lá e marque um gol desconcertante, dê uma driblada pra cá e pra lá sem muito esforço e ainda saia rindo. Quando vi o Robinho fazer aquela careta como se estivesse possuído por uma fúria capaz de engulir o adversário e o Brasil tomou gol caí fora da sala. Hoje não vai dar... pensei comigo: o pessoal está nervoso demais!
Pedro Geraldo de PáduaProfessor
Torcedor do Galo.