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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Miragaia inundada devido à subida do Douro

Há coisa que não mudam mesmo. A minha avó falava das cheias da Ribeira, a minha Mãe fala delas, eu em miúda vi algumas e...voltamos ao mesmo.
Miragaia e Ribeira ao fim destes anos todes e depois de tanta melhoria, de ser suposto haver ssaneamento básico em toda a cidade... mais do mesmo!

(Notícia e foto Público:
)

A subida do rio Douro por causa da chuva intensa inundou a zona de Miragaia, no Porto, e já obrigou à retirada de uma família de casa, segundo os bombeiros locais, que estão a recomendar à população medidas de autoprotecção.

O comandante dos sapadores bombeiros do Porto, Carlos Costa, em declarações à Lusa, explicou que a população de Miragaia estava a ser alertada para tomar medidas de prevenção, como a retirada de bens em zonas que poderão ficar inundadas, uma vez que estava previsto que o pico da subida do caudal do rio ocorresse cerca das 15h15. A Lusa constatou no local que em Miragaia a água contava já com cerca de meio metro de altura, devido à subida do rio Douro e às fortes chuvas que se fazem sentir desde a manhã, prevendo os bombeiros que o rio galgue ainda hoje as margens nas zonas ribeirinhas do Porto e Gaia. “Pedimos à população para estar atenta e nos avisar se quiserem ser evacuados”, referiu Carlos Costa, adiantando que até ao momento apenas uma família de quatro pessoas foi transportada de Miragaia, onde estão já duas embarcações pneumáticas para dar apoio à população. Por causa da água, o trânsito está cortado na Rua Nova da Alfândega, entre Massarelos e o mercado Ferreira Borges. Na zona da Ribeira do Porto, ao início da tarde de hoje, a água estava a poucos centímetros de galgar a margem. Os comerciantes têm já os seus bens salvaguardados, segundo constatou a Lusa no local, onde estão elementos da Polícia Municipal do Porto e elementos da Protecção Civil. Segundo o comandante dos sapadores bombeiros do Porto, espera-se uma noite complicada nas zonas ribeirinhas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Amo-te PORTO

Uns mais que outros, mas todos os dias me lembro dele, do meu Porto.

Lembro-me da Ribeira, de quando lá ia com a minha avó comprar o carneiro para comer no São João. Lembro-me dos Sábados à tarde em que lá passava com os meus pais para comprar um frango assado no Julião. E também dos Domingos de manhã em ia com o meu pai comprar azeitonas.

No Verão, das crianças a mergulharem no rio para apanhar as moedas que os transeuntes atiravam. Que inveja eu tinha delas. Andavam descalças, não tinham calor e passavam o dia na água. HAveria melhor forma de passar as férias de Verão? Pensava eu. Eu que não sabia que aquelas crianças passavam fome, não tinham brinquedos e as moedas que apanhavam no fundo do rio eram para comprar vinho. Se bem que muitas vezes ouvi as velhotas dizerem:'Ó Senhore, não atire, que ele dá ao pai para comprar vinho!'

Recordo do ritual de colocar a moedinha e acender a vela nas 'Alminhas' da ponte.

E as iscas de bacalhau? Vejo a mulher curvada sobre o fogareiro a gás a vazar a massa de uma concha para a sertã, que de tão usada já mais não era que um só de gordura. Há muito que o ferro deixara de se ver. Lembro-me que sempre desejei uma dessas iscas, mas nunca tive coragem de a pedir, nem aos meus pais, muito menos à minha avó. A vontade de a provar depressa se acabava ao olhar para o mar de gordura que se depositava no papel mata-borrão onde eram embrulhadas.


Ainda ouço a minha avó a contar a história da tragédia da ponte das barcas, enquanto procura me dá a moedinnha para colocar na caixa das esmolas. Ouço a minha mãe contar as aventuras dela de quando 'fugia' do atelier dos bordado e juntamente com as amiga ia 'às iscas'.

'Às iscas' ia também o meu pai, mas depois dos bons resultados na escola e depois de receber 20$00 das mãos do engenheiro Ricca, o então director da Efacec.






Porto II
Óleo sobre tela, 73×92cm, 1994
Colecção particular
Número atribuído: 224

domingo, 29 de março de 2009

Desastre da Ponte das Barcas: Faz hoje 200 Anos


Sempre que em miúda ia à Ribeira com a minha Avó, não passávamos sem ir acender uma vela e por uma moedinha nas Alminhas da Ponte.

Na sua simplicidade, a melhor para uma criança perceber, a minha Avó contou-me:

'Há muitos anos atrás, os Franceses invadiram o Porto e, antes da ponte D. Luiz, havia aqui uma feita de barcas. As pessoas tentaram fugir dos Franceses, a ponte não aguentou partiu, muitas pessoas cairam ao rio e morreram afogadas.'

Já em casa, o meu Avô, contou-me a história com factos e datas:

'No dia 28 de Março de 1809, o Marechal Soult, sob ordens de Napoleão, atacou o Porto. As pessoas fugiram pela ponte, que devido ao excesso de peso, partiu e centenas de pessoas morreram afogadas.'
Mais tarde, em 1897, foram colocadas as Alminhas para que a população pudesse rezar, acender velas ou colocar flores, pelas suas Almas.

Hoje, a tragédia, faz 200 anos. E ainda hoje, sempre que passo nas Alminhas da Ponte, paro e rezo, enquanto ouço a minha Avó contar a História da Ponte das Barcas.

Nota: Mais um Zero no ano Nove