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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quinta Lugares Cruzados XII (Campo )


E hoje o tema, escolhido pelo Alberto é o Campo.

'Adoro o mar, o campo e a montanha'. Esta frase faz parte de uma canção, que eu não sei qual, nem de quem, mas que eu nunca diria, pois praia, não, obrigada.

Campo e montanha sim. Gosto e bastante!
Tenho a sorte de viver num sítio ainda rodeado por vários campos e delicio-me a observar (e fotografar) as suas mudanças de cenário ao longo do ano.
É espectacular a mudança que ao logo do ano os campos sofrem e como conseguem ser incrivelmente bonitos em qualquer época! Mesmo quando esperam pela sementeira seguinte.

E das minhas viagens guardo paisagens lindíssimas: as vinhas do Douro, os campos d de girassóis e alfazema do sul de França, que Van Gogh tão bem passou para a tela.
Do Douro ainda as amendoeiras em flõr... que também temos no Algarve.
As searas alentejanas, os olivais...
Ai, ai...saudades do campo...

Quero férias!

E você Alberto, como é o seu campo?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quinta Lugares Cruzados XI (Restaurante)

Restaurante, o lugar de hoje.

Para mim restaurante tem diferentes significados, que dependem da ocasião.

Se gosto de ir a restaurantes?

Não e sim...

Gosto de ir quando chego tarde do trabalho, não tenho tempo nem pachorra para cozinhar. Gosto de restaurantes pequenos, com comida cozinhada de forma artesanal, onde nos sentimos em casa. E gosto de ir principalmente porque quando chego a casa, não tenho que cozinha, coisa que detesto, não tenho que sujar a cozinha e só por isso ganho o dia!

E quando há jantares de grupo para assinalar momentos, também gosto de ir. Gosto de estar com as pessoas e raramente me lembro do que como ou bebo, mas sou capaz de me lembrar de cada uma das pessoas que esteve no jantar.

Todos os anos organizo um jantar com os colegas e amigos, que fazem parte da sociedade do euromilhões. Dá-me um grande gozo procurar o restaurante, escolher a ementa, fazer a lista das pessoas... gosto, pronto! Nesses dias estou um pouquinho mais atenta à comida, à qualidade, à quantidade, se está fria ou quente... essas coisas que decidem o 'sucesso' do evento... sim porque já diz o povo que o que define a qualidade dos casamentos é a comida: se a comida era boa, o casamento foi lindo, se a comida era fraca, o casamento foi fraco!

Mas há ocasiões em que troco de bom grado a ida ao restaurante por ficar em casa, mesmo que isso implique uma carga de trabalho e passar muito tempo na cozinha. São os jantares de aniversário, de Natal, aqueles que se fazem com um grupo mais restrito de amigos e familiares com quem não se vai consoar. Para mim nesses momentos ficar em casa tem todo o valor.

Às vezes quando estou com amigos ou colegas e a conversa é em torno de restaurantes e comida, eu fico completamente de fora. Alguns deles são capazes de fazer quilómetros para jantar um determinado prato! E quando eu digo:'Eu conheço esse lugar.' 'Ai conheces? Então o que comeste lá?'. perguntam-me, aliás deixaram de o fazer, pois a resposta é sempre a mesma:'Não sei, sei que gostei das entradas e do sítio e que fui com ...'. Isto é: todos os pormenores menos o da comida!
E depois quando sugiro um sítio para comer, dizem:'Tu és suspeita...'

Enfim! Não gosto de comer, é o que é! Para mim comer é uma necessidade e não um prazer.

E você Alberto, como é consigo?




quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quinta Lugares Cruzados X (Jogo da Glória)


Esta semana o Quinta, Lugares Cruzados será o Jogo da Glória.
Dados lançados. Casas contadas. Caímos em 'avance uma casa', que aqui é como quem diz uma semana... e lá vamos nós para quinta-feira, dia 03 de Junho.

Jogo é jogo... é como a vida... às vezes obriga-nos a avançar 'casas'.

E você Alberto, já saltou?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados IX (Praia)

Esta semana, e muito a propósito, o Alberto escolheu como lugar a praia.
Hoje tivemos 31ºc, sem vento e sem nuvens. Seria o dia perfeito para uma visita à praia, não fosse ser dia de semana e ser preciso trabalhar.

Estes dia lembram-me quando viva no Porto e aproveitava os fins de tarde para ir à praia do molhe tomar um café ou beber um copo com os amigos..
Lembram-me os tempos em que ia acampar com amigos e no fim da tarde, quando todos regressavam, íamos para a praia. A praia era nossa, aquela hora e entre banhos e jogos divertiamo-nos imenso.

Eu não gosto de 'ir para a praia'. Para mim mais que duas horas na praia é sacrifício. Eu gosto de 'ir à praia'. Gosto de chegar, tomar um banho, dar um passeio, secar e... vir embora. Não tenho paciência para mais.
E só assim vou a uma praia, porque pegar no carro, meter-me em filas, chegar à praia ao fim de duas horas, ainda ter que andar à procura de estacionamento e... ainda andar à procura de um espaço para estender a toalha... não é para mim!

A praia é linda ao fim do dia, de manhã cedo e adoro-a quando chove. O ano passado, nas férias choveu. Eu adorei. Adorei os passeio pelo paredão debaixo de chuva. Adorei estar nas esplanadas a ver chover e adorei tomar banho de mar debaixo de chuva.
Adorei não ter ninguém na praia (só eu e os maluquinhos como eu). Adorei ter todo o estacionamento por minha conta. Adorei não andar sempre cheia de calor... adorei!

E podem-me perguntar: 'Então porque vais de férias para a praia?'.
Porque não ou só eu a escolher. Porque gosto de estar à beira-mar. Porque estar perto do mar faz-me sentir livre e leve, como não consigo em outro lugar.
E é por isso que as minahs férias deste ano vão ser na costa Alentejana, onde tem as praias mais bonitas do país.
E mais uma vez hei-de visiar aquelas praias todas, em todas hei-de dar um mergulho no mar, mas em nenhuma ficarei mais que duas horas... garantido.

E você Alberto, gosta de praia?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados VIII ( Lisboa)

Lisboa: foi escolha minha;
Lisboa: capital de Portugal;
Lisboa: conheço mal, muito mal. Para mim (quase) sempre foi ponto de passagem ou paragem rápida. Conhecerei melhor algumas cidades europeias, mais distantes;
Lisboa: ponto de paragem todos os Verões para visitar os padrinhos;
Lisboa: ponto de paragem todos os Verões para visitar a Marquinhas;
Lisboa: ponto de paragem todos os Verões para visitar a família do (não no) jardim zoológico;
Lisboa: ponto de passagem para uma férias no Algarve;
Lisboa: ponto de passagem pela Portela para voos indisponíveis no Porto;
Lisboa: onde agora vou por motivos diferentes. Já não há padrinhos, já não há Marquinhas e o Jardim Zoológico já não é o de outrora... nem ele nem eu!
Lisboa: ponto de paragem no numero 7 da Portas de Santo Antão para visitar o que resta do legado do Padrinho. Sim o Padrinho é o senhor que tem o nome nas garrafas da Ginginha e do Eduardiño;
Lisboa: ponto de paragem no restaurante espanhol do Padrinho;
Lisboa: ponto de paragem no numero 14 da Travessa do Forno, para visitar a Marquinhas;
Lisboa: ponto de dormida no número 21 da Almirante Reis, casa do Padrinhos.

Mas tudo isto é passado fechado no baú das recordações.
Já não há Padrinhos, já não há Marquinhas, já há voos de todo e para todo o lado pelo Porto e já se vai para a margem Sul sem passar por Lisboa.

Que gosto de Lisboa. Que gosto de lá ir. E que gostava de conhecer mais para além da Ginginha das Portas de Santo Antão, da Pastelaria Suissa, da Praça da Figueira, da rua Augusta, do Terreiro do Paço, da Estação de Santa Apolónia, do Largo Martim Moniz...

Que gostava de calcorrear, que nem em tempos fazia pela Ribeira e ruas do Porto; os bairros de Alfama, da Bica...

Que se me partiu o coração num dia de Agosto da década de 80 quando o país acordou com a notícia de que o Chiado estava a arder. Nesse dia perdeu-se, irremediavelmente, como só o fogo sabe fazê-lo; todo um capitulo da história do país... e a imagem do António Silva, do Ribeirinho, da Milu, do Curado Ribeiro dos míticos filmes dos anos 40 invadiam os meus pensamentos.

Que apesar de tudo não gostava de ter a vida que a maioria dos seus habitantes ( não dizer lisboeta é propositado) têm?

Que não me imagino a levantar-me todos os dias às 5h30 da manhã, passar duas horas no carro para chegar ao trabalho e ainda ter que andar meia hora à procura de estacionamento...

Que também não me imagino a saltar entre comboio e barco como alternativa.

Que não me imagino a fazer o mesmo no final do dia e deitar-me exausta já noite adentro depois de mais um dia de sobrvivencia.

Que brevemente irei a Lisboa, a uma exposição filatélica.
Que irei de comboio e que aproveitarei para lá passar uns dias.

É que eu gosto de Lisboa.
Lisboa faz parte da minha história. Faz farte das emoções de infância, em que 'ir a Lisboa' deixava-me sem dormir na noite anterior, punha-me dentro de um carro mais de cinco horas por uma estrada nacional...

Que ir a Lisboa me deixava num estado em que voltaria a ficar perante a perspectiva de uma viagem... à China... ou Nova York...

E você Alberto? O que lhe diz Lisboa?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quinta, Lugares Cruzados VII (Cafés)

O tema escolhido para hoje, pelo Alberto, é Cafés.



Agrada-me o tema, concerteza!
E por onde começar? E como começar? E como acabar?
Lembro-me, em São Mamede de Infesta do Café Moçambique,. Um café enorme, daqueles onde entravamos e tínhamos dificuldade em avistar o balcão lá no fundo. Os empregados circulavam de casaco branco com botões dourados, sempre de bandeja na mão. Preso ao cinto traziam uma bolsa de couro sempre atestada de moedas. As notas, essas eram guardadas no bolso de trás das calças, pretas essas.
Dentro do café havia o quiosque do Sr Bento. O Sr Bento era também o contador e cobrador da água. Quando ele andava nas contagens e nas cobranças, quem estava no café era a Geninha, a filha.
A Geninha era uma rapariga muito singular. Gorducha, loira e sardenta. Vestida e maquilhada sempre a preceito, lá estava ela sentada num banco de madeira por detrás do balcão, de onde nem se levantava para atender os clientes. Do sítio onde estava, chegava ao tabaco, a todos os jornais e à máquina do totobolo.
Muitos homens, aos grandes frequentadores do café, olhavam para ela de soslaio, com um ar maroto, nos dias em que ela carregava no vermelho do baton e exagerava no decote. Mas ninguém dizia nada. Todos se conheciam, todos respeitavam o Sr Bento.
Ao fundo do café, numa porta ao lado do balcão, tinha escrito 'Sala de Bilhares'. Nunca lá entrei! Para além de não ser para a minha idade, o meu pai ficava-se sempre pelas mesas da entrada, depois de comprar os jornais e o maço de SG Gigante.
Apesar da sua enormidade, todos se conheciam, todos falavam entre si e, quando alguém não ia, já estavam os empregados a serem questionados sobre a ausência dessa pessoa.
E de que se falava naquele café?
Não sei. Não me lembro.
Tenho a imagem do meu pai sozinho lá sentado a ler o jornal e a fumar o SG Gigante. Tenho a imagem dos meus pais lá com outros casais, em que as mulheres se agrupavam de um lado a falar e os homens de outro, enquanto nós, as crianças andávamos a cirandar pelo café, obrigando muitas vezes os empregados a usarem dos seus dons malabaristicos para não mandarem as bandejas ao chão.
Um dia o café fechou para obras. E as obras deram lugar a encerramento, venda e... um super mercado, que mais tarde acabou nas mãos do Pingo Doce.
A Geninha foi trabalhar para a padaria Aliança e o Sr Bento dedicou-se só às contagens e cobranças da água.
Era o último grande café de São Mamede. O outro, o Libolo igualmente grande, não fechou, mas uma remodelação transformou-o em snack bar e limitou-o a meia dúzia de cadeiras.
Se do Moçambique pouco me lembro de conversas, do Libolo, já me lembro de o meu pai, já no pós 25 de Abril se reunir com os amigos do partido e de haver grandes movimentações politicas.
E estou a esquecer-me do Sol Poente, o café da Pedra Verde. Da época dos outros, só o comecei a frequentar no secundário. Houve um período em que a minha vida era feita naquela zona: a minha estabeleceu-se por lá e a minha escola ficava duzentos metros abaixo.
Nos intervalos vínhamos ao café lanchar e nos dias em que a minha mãe não tinha tempo de cozinhar, falava com a D. Maria da Luz, uma das donas e cozinheira, e ela preparava-me um almoço, fora dos pregos e dos cachorros.
O Sol Poente era de três irmãos que tinham regressado da Venezuela no final da década de sessenta e tinham investido as economias naquele café.
O Sr Tiago, desde que o café fora assaltado, fazia o turno da noite, dormia lá, ligava as máquinas e esperava que Sr Gil e a D. Maria da Luz chegassem por volta das oito horas.
Sim, porque naquele tempo, as máquinas não tinham programadores e tinham que ser ligadas um par de horas antes.
Passou a ser o meu café de eleição, onde ia, já sem os meus pais e onde m reunia com os meus amigos.
Muito namoros começaram e acabaram ali. Pelo meio alguns casamentos, troca de pares e muitas amizades feitas e desfeitas.
O café tinha duas salas. Numa reuniam-se os 'miúdos' e noutra os pais, pela conta de quem ficava a despesa.
Passavam-se noites de verão deliciosas naquele café. As vidraças abriam e ligava-se a uma esplanada onde no calor da conversa ficávamos até altas horas da noite.
Aquele café, realmente atravessou uma grande parte da minha vida, não em tempo, mas em intensidade.
Eu já não o frequento, mudei de cidade, mas tenho amigos que de ir lá pelo colo dos pais, agora já têm filhos a frequentarem a parte dos 'miúdos'.

Confesso que não sabia como começar e já não recordava estes cafés há muito.
Mas agora que os fui buscar ao fundo do baú, apeteceu-me um dia visitar o café Sol Poente, ou talvez não.

E você, Alberto, qual o seu café do de eleição?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Quinta, Lugares Cruzados VI ( A Nossa Casa)


A nossa casa, poderá ter muitas conotações.
Será, no sentido lato, o nosso domicílio, o local onde vivemos. Fria, esta definição! Faz-nos sentir desprotegidos. Arrepia!

A nossa casa poderá ser a cidade, a vila, a rua, a casa que nos viu nascer, crescer.
A casa onde brincamos, onde namoramos e de onde saímos para formar um novo lar... a casa que nos abafou tantas lágrimas, risadas, nos protegeu das trovoadas, dos ventos e nos poupou ao frio.
O sítio, onde nos reunimos com os entes queridos para festejar o Natal, a Páscoa, aniversários. Onde esperamos por notícias, onde nos refugiamos quando estávamos mal, onde recuperamos energias, onde tomamos decisões sobre a nossa vida.

A nossa casa é o sítio onde podemos ter todas as nossas manifestações, sem ter que dar satisfações.
A nossa casa é o sítio onde nada nos acontece.
A nossa casa é o nosso porto de abrigo.

Muitas serão as nossas casas, os nossos lares. E usando frases feitas: ' A nossa casa é onde nos sentimos bem.'
Mas em todas elas vivemos a prazo. Começamos por uma pequenina, de onde temos de sair, porque já não cabemos: o ventre da nossa mãe. Esse é sem dúvida o melhor dos melhores. Aí não há preocupação, fome, medo, temporal que nos chegue. aí a nossa única preocupação e a de nos irmos moldando ao espaço e mesmo esse cresce connosco.

PAra muitos, esse será o único lar que conhecerão ao logo das suas vidas.
Nunca mais serão acarinhados, nunca mais serão aconchegados.

E muitos os têm que abandonar durante as suas vidas em busca da sobrevivência.

Emigram, ficam longe das famílias, não conseguem, não querem criar raízes, sentir o aconchego; e vivem da contagem do tempo que falta para o regresso ao lar, à casa que foram obrigados a abandonar.

Outro há, que cortam o cordão, que na desilusão do abandono contrariado, se afastam, rejeitam e lhes viram as costas, passando a viver amargurados com as recordações que se recusam também a partilhar e aceitar.

Todos os lares são temporários, tal como a nossa passagem por aqui. Tudo passa e nós passamos por tudo, até ao dia em que todos voltamos a ter uma casa, um lar.
Esse é vitalício, dizem.

E você, Alberto, onde fica a sua casa?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quinta Lugares Cruzados V (Sala de Espera)


Sala de Espera: consultório, médico, doença, diagnóstico, sentença...
Não sei porquê, mas é sempre a primeira imagem quem me vem à mente perante 'sala de espera': o consultório médico, pessoas doentes em sofrimento, horas a fio à espra da consulta, a serem atendidas a conta-gotas, a entrar no consultório com dores fisicas e a saírem com uma dor maior ainda na alma...
Sim, é uma imagem dantesca, eu sei, mas que querem?
Esperamos por datas especiais, por partidas, chegadas, inícios, fins, notícias, pessoas, momentos... a vida afinal é feita de esperas.
Esperamos por, para, que e concluimos que afinal a nossa vida se desenrola numa sala de espera, onde esperamos pelo que um dia há-de chegar...
E espero acabar este post a tempo...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quinta Lugares Cruzados IV (Torre Eiffel)


Já a conhecia desde cedo, de quando o meu pai numa das suas idas a França me trouxe uma miniatura da Torre Eiffel.
Em nada se parecia com a verdadeira. Era dourada e um dia desapareceu do meio dos brinquedos.
Vi-a muitas vezes, ainda mais pequena que a miniatura, iluminada, sempre que nas idas e vindas de e para a Alemanha , o piloto fazia questão de anunciar que sobrevoávamos Paris e que do nosso lado estava a Torre Eifell.
E ao fim de muito tempo lá chegou o dia em que a vi mesmo, estive debaixo dela e estive quase a subir até onde fosse permitido.
Foi sem contar, o meu encontro com o monumento mais fotografado do mundo, (li algures há uns meses atrás).
Era uma viagem de trabalho, reuniões com clientes. à entrada para o avião, um telefonema anuncia que uma das reuniões fora cancelada. Como havia uma outra, a viagem continuava a ser inevitável, mas com a tarde desse dia livre.
A rotina do costume. Levantar as malas, o carro e, em vez de seguirmos directamente para Vélizy, fomos atrás das placas que anunciavam 'Paris'.
Fomo parar em frente da Notre Dame, outro respeitoso monumento. Um parque de estacionamento a jeito et voilà... Paris!
Enquanto comíamos umas sandes, sentados nos jardins da catedral, decidimos ir à torre Eiffel.
No mapa localizamo-nos e procuramos a torre. Parecia perto... era só caminhar ao longo das margens do Sena et c'est rapide!
Pois, o rapide transformou-se em quase duas horas de caminhada. Claro que não foi a passo corrido, nem sem paragens pelo caminho. Há muito motivos para parar entre a Notre Dame e a Torre Eifel. E sem enumerar monumentos e obras monumentais que encontramos pelo caminho, há os artistas de rua, os vendedores, os bateaux mouche a merecerem a nossa atenção.
Quando chegamos à Torre, muitas fotos depois, o meu primeiro pensamento foi: 'Não a tinha por tão grande!'. As pessoas junto dela parecem formiguinhas. A fila para o elevador era infindável e o nosso tempo bem mais curto que a fila.
Os pés começavam a pedir descanso e recusavam-se a fazer o caminho de regresso. A vontade de sair dali também não era grande.
Quem já esteve em Paris, Londres, em grande cidades sabe que se ouve falar todas as línguas, que nem num aeroporto internacional. Ali era ainda maior a diversidade.

O regresso já não foi a pé. À porta de um hotel do outro lado da rua parou um táxi. 'Vamos perguntar se está livre?'-perguntei.
'Bora'-disse o meu amigo.
E esta foi a segunda decisão acertada do dia. Como soube bem sentar no taxi. E como soube bem percorrer o caminho de volta de carro... e que admirados ficamos quando nos apercebemos, finalmente, do quanto tínhamos caminhado!
Mas valeu a pena. E vai valer a pena uma próxima ida lá.
E desta vez a subida não fica para a próxima. E desta vez levo sapatilhas. É que estava de sapatos de salto alto. Afinal estava preparada para uma reunião de trabalho, no papel de fornecedor e não propriamente para uma tarde de 'turismo'.
Mas foi tão bom. Foi um presente que demos a nós próprios.
Bendita reunião cancelada. Só ao fim de um ano, a ir a Paris todos os meses consegui ver a Torre Eiffel... sentia-me como ir a Roma e não ver o Papa!

E você Alberto? Como vê a Torre Eiffel?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quinta, lugares cruzados III (Ilha deserta)


E de um desabafo daqueles que, infelizmente, têm sido frequentes da minha parte: 'Só me apetece fugir', o Alberto 'pegou' nele e deu o mote para o desafio desta Quinta-feira.
'Ilha Deserta', é o lugar.

'Ilha Deserta', lembra-me logo Robinson Crusoé, náufrago de Dafoe, que fez as minhas delícias de infância, primeiro em livro, depois em série televisiva que eu não perdia por nada.

E porque sempre que se fala numa ilha deserta, há-de surgir a imagem de uma porção de areia com um coqueiro no meio envolto numa água de um azul visto só em sonhos?!

Crescemos e o nosso imaginário perde distância da realidade. A ilha deserta passa a ter mais expressões: o mar azul tem tubarões, há o perigo de os cocos nos caírem na cabeça e não há 'Sexta-feira', o mítico nativo inseparável de Robison.
E chegamos ao dia em que, a nossa ilha deserta é não mais, que no meio de Nova York numa hora de ponta... a ilha de Manhattan.
É nesse sítio que pensamos quando o nosso querer vai para 'fugir para uma ilha deserta'.



Mas como:

Nenhum homem é uma ILHA isolada;
cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA;
se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA;
a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO.
E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram;
eles dobram por TI
- John Donne

E você Alberto para que ilha deserta fugia?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quinta, lugares cruzados II (Aeroporto)



O meu primeiro contacto com esta palavra foi aos quatro anos, quando os meus pais decidiram começar a comprar-me os 'livros da Anita' e, na tabacaria do Sr. Júlio, de entre muitos escolhi 'Anita de avião'. E que linda estava, aliás está, pois o livro ainda existe; na capa do livro de vestido vermelho e cabelo apanhado em pose de bailarina em frente de um avião.
Sei, lembro-me, que vim rua abaixo a folhear o livro e nessa noite não me deitei sem que a minha mãe mo lesse de fio a pavio.

Teria ainda quatro anos, ou até cinco, talvez, quando numas férias de Verão a caminho de Lisboa parámos na zona de Coimbra para visitar a 'filha do Sr Nunes'.
A 'filha do sr Nunes', vivia num sítio que eu nunca tinha visto igual. 'É um hangar', respondeu-me o meu pai, quando o questionei sobre que 'casa' era aquela com telhados redondos e cheia de aviões tão pequenos.
Pois, o marido da 'filha do Sr Nunes' era mecânico naquela base e a família viva numa casa junto à base. Ainda estivemos lá um bom bocado a falar com a senhora, pois ela tinha uma história muito recente e interessante para contar aos meus pais. Na altura só percebi que ela e os filhos tinham estado 'presos' dentro de um avião, enquanto uns 'ladrões' levavam um outro. Mais tarde, já depois da revolução dos cravos, percebi o que se tinha passado: um grupo de homens contra o regime tinha invadido a base, tinha prendido a senhora e os filhos e tinha roubado um avião para fugirem para o Brasil.

Até bem tarde, o meu contacto com aeroportos não passou daquelas manhãs de Domingo, em que quando voltávamos da praia, o meu pai fazia desvio pelo aeroporto para irmos ver os aviões aterrarem. Naquele tempo podia-se circular por (quase) todo o aeroporto e eu adorava, do terraço do aeroporto, ver o movimento dos aviões.
Com o passar do tempo e o apertar das normas de segurança, estas incursões pelo aeroporto deixaram de ser possíveis, para minha tristeza…
Quando terminei o meu curso, tive a minha primeira oportunidade de viajar de avião. Uma viagem curta, mas que seria o meu baptismo…
E foi assim, no aeroporto da Portela, que tive a minha primeira experiência com coisas como check-in, boarding, luggage… e não terá sido uma experiência muito real, pois tinhamos um operador a tratar de tudo.
O aeroporto da Portela, cheio, grande, enorme, comparado com o de Pedras Rubras, o único que conhecia à data e de há algumas obras atrás.

Quando chegamos a Las Palmas e o piloto informou que íamos aterrar, procurei, procuramos, o aeroporto. Nada, ou antes, quase nada! A pista confundia-se com a auto-estrada e o edifício era pouco maior que uma estação de comboio, e não falo de uma santa Apolónia, nem de uma Campanhã, sequer, mas sim de um apeadeiro. Sim, digamos que não era um aeroporto, mas sim um 'apeadeiro' para…aviões.

Um par de anos mais tarde, e algumas viagens pela Europa depois, o meu amigo Alberto veio ter comigo ao Porto e fomos passar o ano à Madeira. Estávamos em plena década de 90 e a pista era ainda, a pista de 800 m ( corrija-me Alberto se estou errada quanto ao comprimento da pista). Era Inverno e estava vento e frio. O avião começou a dar voltas à pista numa tentativa de aterrar. Claro que não me apercebi que o avião fazia abordagens à pista e abortava ( a nossa TAP pode ter muitos defeitos, mas lista não faz com toda a certeza, a competência dos pilotos, os melhores…). Depois de aterrar o comandante lá explicou que teve alguma dificuldade em aterrar porque ao flapes não estavam a actuar, devido a problemas de temperatura…
O aeroporto, esse mais uma vez nada tinha a ver com os aeroportos que entretanto conhecera, mas acabava por ter já ar de aeroporto com de tudo um pouco a que um aeroporto tem direito: restaurante, aluguer de viaturas, cafés… e praça de táxis, coisa que em Las Palmas não tinha!
O regresso foi de pouca espera no aeroporto. Foi de noite e o Alberto deixou-nos lá. Esperamos pouco tempo e como foi depois do jantar poucos serviços usamos. A decolagem, essa foi fantástica, das que eu mais gostei de todas que já fiz. Noite cerrada, céu estrelado, o avião em direcção ao mar, a pista a desaparecer e no último instante lança-se no ar… (ok chamem-me louca, mas que foi fantástico, foi).

Voltei à Madeira uns anos depois, já existia a pista nova. Se o edifício do aeroporto foi remodelado, não me lembro. Foi uma viagem muito atribulada, pois estava muito vento e tivemos muito tempo de espera, mas de uma espera em que nada se podia fazer, pois a qualquer momento embarcaríamos e regressaríamos a Lisboa, como veio a acontecer um bom par de horas depois da hora prevista.
E foi nessa noite que tive a minha primeira aventura num aeroporto. O 11 de Setembro era passado recente e os aeroportos eram alvo de segurança muito apertada. Quando chegamos à Portela ( o voo era por Lisboa), a ligação tinha-se perdido e não havia mais voos para o Porto naquela noite. Fomos parar a um hotel, pago pela TAP, depois de passar mais de três horas na fila de reclamações da TAP. Estavam mais de 300 pessoas na fila porque um avião já a caminho dos Estados Unidos tinha voltado para trás sem qualquer justificação e à chegada ao aeroporto só tinha sido dito aos passageiros para recolher a bagagem e dirigirem-se para o balcão de reclamações a fim de marcar novo voo e reservar hotel para aquela noite.

Nós não sabíamos da nossa bagagem.Tivemos ainda que ir procurá-la, onde nos foi dada como primeira resposta que já estava a caminho do Porto. 'Mas como está a caminho do Porto, se ela veio connosco?!', perguntamos. 'Pois é, então deve estar lá em baixo.' Pois o 'lá em baixo', implicou ir para mais uma fila e esperar que, no meio de milhares de malas, a nossa fosse encontrada. A alternativa era um kit de higiene: umas cuecas descartaveis, uma escova dos dentes, uma pasta dos dentes e uma escova do cabelo... tudo tamanho mini!
E optamos por esperar pela mala, por ir mais tarde para o hotel e usarmos a nossa roupinha.

E como esta, voltei mais tarde, a ter uma experiência semelhante. Desta vez foi em Paris, no Charles de Gaulle. Foi a minha primeira passagem por aquele aeroporto e, em trabalho, estava a caminho de Estugarda. Havia um forte nevão em Paris e o avião só teve autorização para sair do Porto muito depois da hora. Quando estávamos a aterra, fomos informados que o nosso voo de ligação estava quase a fechar o boarding e que por isso seríamos os primeiros a sair do avião e teríamos de correr.
Bem corremos, mas nada adiantou. Quando chegamos à porta de embarque, estava um funcionário da Air France a acabar de fechar a porta. Pedi-lhe para que a abrisse... a manga ainda estava ligada. 'Pardon, Madam, mais il est fermée.'. E enquanto abanava a porta, como a a provar que estava mesmo ia dizendo:'Regarde.'.
Bom, mais uma aventura, mais uma fila enorme, desta vez no balcão da Air France, ter de tratar das coisas em francês ( o meu francês naquela época andava um pouco enferrujado) e discussões e aventura semelhante à da Portela para recuperar a bagagem. Esperamos duas horas que a bagagem aparecesse e, ao contrário da TAP que nos mandou de táxi para um hotel quatro de quatro estrelas, a Air France mandou-nos para um hotel, onde o jantar era comida descongelada no micro-ondas; no autocarro que os funcionários do aeroporto usam para ir buscar os seus carros no final do dia!
Foi uma noite atribulada e muito cansativa, mas que mesmo assim ainda deu para diversão. Foi a noite da Soraia!

Durante um longo período de tempo tive de fazer viagens mensais para Paris. Sim, Paris... para além do aeroporto, o de Orly, estive no centro de Paris uma vez!
Neste aeroporto tive algumas aventuras engraçadas, que começou logo na primeira viagem, quando estava a entregar o voucher do carro de aluguer na locatária e aparece um 'armário' fardado e de metralhadora em punho e me começa a empurrar, a mim e às outras pessoa, enquanto polícias vedam a zona.
Já fora do aeroporto, e na fila, enorme, dos táxis, pergunto ao arrumador o que passava lá dentro, a resposta foi: 'Une valise oublier et pumm!', enquanto levantava os braços em arco...
Não foi a única vez que aconteceu. De uma outra, foi no regresso para o Porto. Tinha ido jantar ao restaurante que fica na outra ponto do aeroporto e quando regressava estavam a vedar a zona. Pedi para passa, mas não deixaram. Reclamei e disse que a minha bagagem já estava no porão e que se eu não fosse iam atrasar tudo. A resposta, acompanhada de um encolher de ombros foi:'Cést la vie... pas passer!'
E a parte caricata vem agora, e à custa disso fiquei a saber que os tectos dos aeroportos são muito resistentes. Tentamos ( eu estava com um colega de trabalho) sair pela porta mais próxima, para passar pela parte de fora do aeroporto... nada tinha militares. Tentamos passar pela parte traseira das lojas... encontramos o primeiro militar que nos barrou a passagem, que me deitou um olhar que quase me tombava para o lado, como que a dizer: 'És teimosa. Eu já não disse que...'.
Lembramo-nos de descer as escadas e ir pelo andar de baixo... vedado! Quando olhamos para a escada que dava para o andar de cima, essa não tinha fita e, nas barbas dos militares, subimos, passamos e descemos na próximo da sala de embarque. 'Pas problem!'.
E foi por pouco que não ficamos em terra!

Haveria outras histórias engraçadas para contar, como a dos croissants que trazia na mala e a funcionária que estava a verificar a bagagem, quis abrir a mala, porque não sabia o que era aquilo. Quando viu os croissants, comeu-os com os olhos, depois de dizer: 'Sont croissants!'

E a vez em que estava a tomar café no aeroporto de Frankfurt e um amigo meu estava a falar muito alto e muito mal. Mandei-o ter cuidado e a resposta foi que ninguém percebia. Mudou de ideias no minuto seguinte, quando toca um telemóvel e alguém atende em bom português!

Eu gosto de viajar de avião, gosto do movimento dos aeroportos, gosto de ver, e de, correr. Tenho sempre a sensação de que estou num rally papper à procura do enigma, neste caso da porta de embarque.

No único aeroporto em que isso não aconteceu foi no de Basileia. Um funcionário do aeroporto leva-nos até à sala de embarque, avisa-nos do aproximar da hora e andam outros funcionários a rodar pelas salas, ora a servir bebidas e bolos, ora a oferecer revistas dos mais variados temas. Revistas dentro do prazo, não revistas do mês ou semana anterior...

E foi minha a ideia de falar deste tema, porque estou cheiínha de saudades deste frenesim todo que este ambiente nos provoca.
Não vejo a hora de viajar para Barcelona... andar de avião e conhecer mais um aeroporto... e palpita-me que vai haver aventura.
Como diz uma amiga minha:'Viagem para ti sem aventura, não é viagem!'
Mas não tem mal, porque, e como diz o meu amigo Victor, meu companheiro de muitas viagens:' Ir contigo é seguro. Acaba sempre tudo bem e não há monotonia.!

E você Alberto, por que aeroportos anda você?
Adenda: O aeroporto da Madeira ttinha 1800 m e passou para 2800m. Correcção pedida, correcção feita.


quinta-feira, 25 de março de 2010

Quinta, lugares cruzados I (Porto)


Para escrever sobre o Porto só preciso de muito papel e muita tinta, porque pensar, é nele que penso todos os dias.

Penso na casa dos meus avós onde passei momento inesquecivéis. Penso nas noites de Verão no adro da capela de São Pedro, onde passei muitas noites sentada nos degraus junto do meu
Avô a observar as estrelas.
'O Porto é velho, os portuenses (não confundir com portistas... é diferente) dizem muitos palavrões e trocam os os bês pelo vês'.- dizem os outros, os do resto do país, mas eles não sabem nada, nda sobre o meu Porto.

Pouco me interessa, eu amo-o assim mesmo
,amo a cidade que vê nascer o meu 'ramo' Reis há muitas gerações, que acolheu há duas gerações e de braços abertos Tavares vindos do Alentejo, os Silva de Chaves, Alves e Castros do Minho e até mesmo Garcês de além fronteiras. As gerações dos meus avós, que de lá, do
Porto, partiram...
Viu-me nascer, viu-me crescer e viu-me casar, para depois o deixar.
O Porto tem (teve) um Palácio de Cristal, que agora se chama de Pavilhão Rosa Mota e cujo nome de 'Palácio de Cristal' vem do tempo em que o belo edifício desenhado por Nasoni vivia no meio dos seus jardins, até ao dia em que, na euforia do Mundial de Hóquei Patins, alguém resolveu construir o actual edifício, a que todos puseram a alcunha de 'tigela'. Foi numa capela, perdida entre os seus jardins que me casei. Sinto-me uma preveligiada, o rio, o Douro foi convidado de honra.

O Porto tem duas pontes lindas, da idade do ferro: a D.Luiz e a D. Maria. A D. Luiz, edificada ao lado onde um dia havia uma única ponte, a das barcas, que ficou para a história aquando das invasões francesas. De há uns anos a esta parte, a circulação no tabuleiro superior passou a ser de metropolitano, de onde se pode apreciar uma paisagem única sobre o rio, o Douro.
A seu lado, já fora de funções, a outra, a D. Maria, ferroviária, velhinha sobre a qual já há muito, a sua travessia era temida por muitos.
Nascida já na década de cinquenta, há a Ponte da Arrábida, inaugurada com pompa e circunstância pelo Almirante (?) Américo Tomás.

Inaugurada já nos finais da década de 80, com direito a directo da sua inauguração, pela RTP Norte, temos a ponte S. João, projectada pelo emblemático Edgar Cardoso, homem do norte, este também.
A ponte do Freixo, a maior, já fruto da engenharia dos finais do século XX, é a maior, a mais movimentada e do que o
Porto estava a precisar para que todos os que nos visitam cá possam chegar sem constrangimentos nem engarrafamentos.

E o rio, o Douro, claro? E a Foz? E o Passeio Alegre? Ai, e a Ribeira? A Ribeira com vida própria, com a sua gente, com vida a qualquer hora do dia e da noite em torno da vida das gentes de lá.
A casa das iscas, a casa das azeitonas, o Julião dos Frangos... como eram bons aqueles franguinhos que o avô lá comprava ao Sábado para todos lancharmos, ora debaixo da ramada no Verão, ora no quentinho do braseiro no Inverno.
E desta longa conversa, fiquei-me (só) pela beira rio.

A Avenida dos Aliados, onde grandes eventos foram escritos na história do nosso país. E falando da história recente, contemporânea: a visita de Humberto Delgado ao Porto, que foi recebido por um mar de gente nunca antes visto; a comemoração do primeiro 1º de Maio, a que eu assisti e nunca mais hei-de esquecer...

E o São João, o São João no Porto é único, inesquecivel cada um. É nas Fontaínhas, é na Boavista, é o fogo na Avenida e na Ribeira, mais uma vez... a Ribeira.

E a Queima das fitas? Semana de todas as loucuras. E tudo começa no alto da Cidade, na Sé, que uma vez por ano ganha vida própria. Zona tida como das mais perigosas da Cidade, é na noite da Serenata em que só o medo de por lá andar fica em casa. Todas as outras emoções saem à rua. E é esta mais uma noite do ano em que a cidade ganha vida própria, única. Os restaurantes, cafés e ruas enchem-se de capas negras, que na hora da Serenata é vê-las subir a Avenida da Ponte em direcção ao terreiro da Sé, onde cada um se concentra na serenata... naquela noite estamos todos apaixonados, zen! Mas é só naquela noite e durante a serenata onde nos aconchegamos nas capas depois de (alguns) se terem aconchegado antes em alguns centilitros, litros, até, de álcool; que será reposto no fim da serenata até de manhã.
De manhã voltam alguns, os mais devotos desta tradição, os que não são só devotos de copos e farra nesta semana; para benzer as fitas. É a missa da Bênção das Fitas. É linda essa manhã. Fitas de todas as cores a esvoaçar, primeiro ao vento do terreiro, depois dentro da Sé pelo agitar dos estudantes.
É lindo aquele mar de cor: vermelho, azul, verde, castanho, amarelo, branco, roxo, rosa... todas as cores e toda a combinação de cores.
Este dia é lindo, e desde que instituíram (os senhores que querem vender), que o dia da Mãe é no primeiro Domingo de Maio; o Domingo da bênção das pastas é sempre dia da Mãe... emoções ao rubro, que atingem o seu máximo nessa tarde quando os filho recebem as insígnias. Troca de mimos...
E sobre a semana académica tinha muito para dizer. Que nem sempre foi assim, nem no
Porto, nem nas outras cidades.... estudantes eram alvo de perseguição durante o Estado Novo. Eram perseguidos e acusados de tudo e mais alguma coisa até só pelo simples facto de andarem em grupo. E graças a isso, cafés junto às faculdades ganharam fama e tornaram-se refugios da massa estudantil. O café Piolho, que fez 100 anos o ano passado, que é indissociável da faculdade de ciências. Sim , da famosa fonte, que deu nome à Praça, a dos Leões. A Faculdade de Ciências que, com a Torre dos Clérigos e a livraria Lello forma um triângulo digno de ex-libris da cidade.

E sinto saudades, saudades de quando ia de eléctrico até à Foz. Não há melhor forma de descer a Avenida da Boavista. No Verão com as janelas abertas a deixar entrar a brisa... indescritível.

E gosto de tudo no
Porto? Gosto sim, de quase tudo. Não gosto de não poder viver lá. Não gosto de já não ter lá os meus avós para visitar e não gosto quando a cidade é maltratada pelos próprios portuenses.
Não gostei quando 'plantaram' paralelos na Avenida dos Aliados e os jardins viraram 'calçadas', que nem portuguesas são! Não gostei quando o presidente da Câmara deixou que Gaia tomasse conta do fogo do São João. Dessa festa temos de ser nós, os portuenses, os anfitriões. Que venham todos de fora para assistir, mas não temos que ser visitas da nossa própria cidade como fomos nesse ano: na nossa própria visita a assistir a um espectáculo promovido pelo vizinho, vizinho que eu estimo.
E por falar em festa, lembrei-me da festa que era ir à feira do livro. Chovia sempre na feira do livro. Lembro-me de ouvir lá em casa:'Começou a feira do livro, vais chover'. Era certinho. Sempre me lembro de visitar a feira do livro, ora na Praça, ora na Boavista debaixo de chuva. Mas não tinha importância nenhuma. Íamos na mesma. Comprávamos livros, na mesma. O meu primeiro, e único, Dicionário da Língua Portuguesa, o da Porto Editora( tinha que ser) , foi lá comprado e oferecido pelo meu Pai, com direito a dedicatória. Ainda o tenho e, claro, depois destes anos todos, terei de comprar outro graças a um acordo ortográfico, mal amanhado e mal feito (na minha modesta opinião).

E o Brasília, o primeiro shopping da cidade? Foi um sucesso e ainda conseguiu resistir a uns poucos... ao Dallas, por exemplo... resistiu até ao dia em que o Sr. Belmiro, um senhor oriundo da terra da Carmen Miranda, decidiu entrar no negócio e invadir-nos com Norte Shoppings e afins. Aí, sim o Brasília deu o último suspiro, em frente a uma casa da Música no auge seu esplendor.

Eu não disse, que para falar do
Porto só precisava de papel, muito, e tinta, muita também?
Tão longa vai esta conversa e ainda não falei dos mercados, o do Bolhão e o do Bom Sucesso. Não falei dos cafés, do Magestic, do Imperial e outros como da Cunha, bem mais recente que estes últimos, mas onde nas tardes das férias de Verão, depois de uma boa sessão de cinema, me deliciava com uns magníficos gelados. Nunca comi melhores.
Pois, os cinemas, onde não havia pipocas (ainda bem!), onde vi filmes que tanto me marcaram como Kramer contra Kramer, Forest Gump, A insustentável Leveza do Ser e Danças com Lobos. Lembra-se Alberto, da tarde em que fomos ver o Dança com Lobos ao Coliseu com Kevin Costner no seu (único, talvez) melhor? Filme longo, mais longo que o esperado. Aproveitamos um intervalo das aulas para ir ver o filme. Como o filme demorou mais, falhamos duas aulas práticas, nós os certinhos, direitinhos, que nunca falhavam as aulas e de quem todos esperavam apontamentos. Lembro-me como se fosse hoje da cara dos nossos colegas quando nós, atrassadissímos, entramos porta da sala de aulas adentro. Parecia que tínhamos cometido o maior crime das nossas vidas!
Enquanto escrevo, as coisas vêm-me ao pensamento a uma velocidade maior da que me é permitida escrever... algumas delas varrem-se-me, sem que eu tenha tempo de as passar para o papel.
Ficam por escrever os passeios pela muralha Fernandina, as visitas aos alfarrabistas, as idas às retrosarias e lojas de bordados e... as compras de Natal à noite nas ruas da cidade. Mágicas estas noites: frio, chuva, às vezes, músicas natalícias e muito calor humano.

Deixar de falar dos autocarros de dois andares, é uma falha grande, principalmente quando nos lembramos do 78, o autocarro que dá (dava) a maior volta da cidade; ou do 88 que andava sempre aos pares... daí dizer que quando duas pessoas andam sempre juntas, dizer que parecem os autocarros de dois andares... pois há expressões mais feias, eu sei, e que se usam também, e não só, no
Porto.
E, e, e.... e pronto, não digo mais nada... estou nostálgica. Estou com saudades dos meus avós, da casa deles, da minha infância, da minha adolescência, dos cinemas, dos autocarros, dos passeios com os meus amigos, das queimas das fitas, das noites de S. João, do
Porto, do Porto...
Amo-te
Porto!

E você, Alberto, o Seu
Porto é igual ao meu?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Visões a Qu4tro Mãos


Estando a "pôr a conversa em dia" com o meu amigo Alberto, veio-nos à ideia fazer algo em conjunto no Outras Escritas e no Desvios. Algo de estimulante e original...

Mas o quê? - pensámos.

Lembrámo-nos de opinar sobre os mesmos assuntos para vermos as diferentes visões que temos da mesma coisa. Como?

Depois de muito pensarmos decidimos criar duas novas rubricas nos blogues. São elas:

Quinta, lugares cruzados: Quinta porque será publicada todas as quintas pelas 00h01; Lugares porque se falará de lugares, que podem ser cidades, países, monumentos... ou um lugar de comboio ou avião! Porque não escrever sobre o lugar do avião junto à asa, ou sobre o lugar do comboio na última fila da última carruagem?
E cruzados, porque, nem, ou principalmente os amigos, não têm de ter a mesma opinião sobre as coisas... lugares, neste caso.

Sábado, última hora: Que, como o nome indica, será publicada aos Sábados, mas cujo assunto será divulgado apenas depois da quinta feira. Alguém tem um palpite?

Para a próxima Quinta o tema foi escolhido pelo Alberto. Falaremos sobre a cidade do Porto. Um texto fácil para mim , e difícil para o Alberto.

Aguardem por Quinta...