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domingo, 6 de outubro de 2013

terça-feira, 19 de março de 2013

Pai

Sou de ideias fixas. Não mudo uma palavra aqui, aqui, aqui, aqui, aqui....

ADORO-TE.
És o HOMEM da minha VIDA....

... e Dia do Pai? Hoje?

Sorry, mas todos os dias são Dia do Pai.


domingo, 27 de janeiro de 2013

Cois(inh)as que 'Mexem' comigo...

... ter o Pai e a Mãe a almoçar cá em casa. Comemorarmos o aniversário da Mãe. Descobrir que as velas não têm números e ter que improvisar...
Parabéns cantados com velas improvisadas,  do mais (menos) torto que se encontrou, sobrantes de outros aniversários.

Momentos de felicidade, como este é que adoçam a vida. Este foi muito bom. Foi a esponja que eu precisava para apagar a semana (in)esquecivel que tive.

Quem tem uma Mãe e um Pai tem tudo!



domingo, 2 de setembro de 2012

Pai

Pai fez anos no dia 22 do mês passado. Como andava na passeata por terras de França, só hoje estivemos juntos.
Almocinho a seu gosto, bacalhau no forno, e pudim de sobremesa.
Saiu daqui deliciado e feliz.
Eu também fiquei por cá, a ganhar coragem para ir lavar cortinados... feliz.

Gosto tanto de ti, Papá!

E fico com uma lágrima no canto do olho quando te pergunto se queres ir correr a meia-maratona do Porto e tu me respondes:
-Não!
O que tu querias dizer era 'Sim', o teu corpo é que já diz que não!

E o L., ainda diz: 'Vamos os três, ao menos para viver o ambiente e trazer a t-shirt.'
Tu responde que não, nem assim!

E como te compreendo! Ver outros fazer coisas que gostamos de fazer, já tanto fizemos e que não podemos mais por limitações fisícas... deve ser lixado!

É por isso que não devemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje. Pode não haver 'amanhã', ou simplesmente o 'amanhã' trazer-nos surpresas.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Pai...

O teu dia, são todos os 365 do ano (este 366)...
Lembro-me de ti todos...


sexta-feira, 2 de março de 2012

2. Mãe/Pai... Pai/Mãe



'Com três letrinhas apenas
Se escreve uma palavra pequenina, 
que é a maior que o Mundo tem:
MÃE.'
A primeira dedicatória que escrevi à minha Mãe!
O MEU, o MELHOR PAI do MUNDO


Dúvidas?
Eu não as tenho!
Quando era pequenina, criança, e  em perguntavam se eu gostava mais do Pai ou da Mãe, eu respondia, enquanto aproximava, quase tocando, o dedo indicador no polegar:
'Gosto muito dos dois, mas gosto mais assim um bocadinho  (enquanto aproximava, quase tocando, o dedo indicador no polegar), do Pai!'
Agora, que cresci, não é assim, percebi que, há muito, estas 'coisas' não são comparavéis... simplesmente Diferentes... só têm o mesmo grau de importância.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pára tudo!

Este Senhor hoje faz anos.
Estou a falar do MELHOR PAI do MUNDO! E é só meu!
Parabéns Papá. Adoro-te.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Férias da Páscoa

Assim de repente, lembrei-me de quando passava as férias da Páscoa a sós com o meu Pai. Bem, não era bem a sós. Era só durante o dia.
O meu Pai sempre teve tarefas em que tinha que trabalhar nas férias do outros e por isso raras foram as vezes em que tivemos férias 'com todos'. (Deve ser por isso que evitei sempre férias em Agosto.)

Voltando às férias da Páscoa a sós com o meu Pai: a minha Mãe quando recomeçou a trabalhar, tinha férias em Agosto e, lá está, com uma vida profissional completamente diferente, o pico de trabalho dela era no Natal e na Páscoa.
A princípio eu não gostava muito de ficar 'em casa' com o meu Pai. Os outros menino iam todos para o colégio e passavam o dia na brincadeira. 'E eu a ter que ficar em casa com o Papá. Que chatice!', era este o meu pensamento na véspera das férias.
Logo passava, pois ele era cinema, passeios à beira mar e beira rio, museus, visitar avós e passar dias inteiros no quintal no meio da terra. Outras vezes eram 'sessões de fotografia' com a emoção da espera pela revelação que o digital nos tirou. E às vezes a loucura era ainda maior e levava-me às compras e era roupa nova dos pés à cabeça com direito a sapatos, carteira e adereços para o cabelo.

Por norma, nesse dia íamos esperar a mãe ao emprego e, quando eu ia ter com ela, ela abanava a cabeça, fazia cara séria e sorria com os olhos.
O Pai ao longe ria-se e, ela quando chegava junto a ele dizia:'Tem tanto juízo o Pai como a filha!'
'Mas ó Mãe, não gostas da minha roupa?'-perguntava eu, já menos eufórica.
(a opinião da minha Mãe sobre roupa sempre foi muito importante para mim  e dela herdei o gosto pela diferença)
'Gosto'-respondia ela, umas vezes mais convincentemente que outras, dependendo de quanto havia gostado.
E esses dias por norma acabavam em grande com um jantar à beira mar.
Pois e acham que eu nessa altura ainda me lembrava das brincadeiras perdidas? A chatice era na Sexta-feira Santa quando a Mãe ficava em casa e nós ( eu e o Pai) tínhamos que entrar nos eixos!

sábado, 19 de março de 2011

Dia do Pai

Para mim Dia do Pai, é todos os dias. E todos os dias eu dedico ao Meu Pai e me lembro que tenho o MELHOR PAI do MUNDO!
Obrigada por seres o Pai que és, hoje, ontem e sempre.
Obrigada por eu ser assim... de ti muito herdei, contigo muito aprendi... coisa boas e más, claro! Faz parte da natureza, da minha, da tua da do ser humano.
Que fiques comigo por muitos e longos anos...

domingo, 29 de agosto de 2010

Ele perguntou e eu vou responder...

Bem, o Carlos perguntou, eu respondo.

Uma década depois de ter tido uma carrinha Mini, com a qual teve algumas aventuras, o meu Pai descobriu que havia na vizinhança um Mini encostado há um bom par de meses.
Como a minha mãe conhecia a dona do carro foi-lhe perguntar se não estaria interessada em vendê-lo. A senhora ficou toda feliz e só não o ofereceu porque o meu Pai fez questão que a senhora fizesse um preço.
Assim foi, o carro foi pago, os documentos passaram para nós e o carro foi rebocado até à garagem onde o meu Pai tratava dos carros.
Os pneus foram trocados, o motor afinado, uma bateria nova e meia dúzia de contos depois lá estava o carro a rolar...
A ideia inicial era ser o meu Pai andar com o carro, só que, coincidência das coincidências, estava o carro na oficina e roubaram o carro ao meu marido, na época namorado e a viver (já) em Braga.
Mudança de planos e o carro passou para as mãos do Luís, que ou ele nunca teve muita sorte com os carros, ou os carros com ele. (Ao fim de tantas aventuras e desventuras com carros ainda não percebi, mas fica para uma próxima vez.).
E como ia dizendo, quem passou a andar com o carro foi o Luís que fez centenas de vezes, e eu com ele algumas, a A3 entre Porto e Braga, fizesse sol, fizesse chuva e nunca, quase nunca, nos deixou ficar mal... só duas vezes.
Uma foi em Braga à porta do apartamento onde ele morava. A falange partiu. Bem a falange é uma peça em forma de joelho que tem à saída do motor do carro. Ele bem colocou em volta da peça fita de alumínio, mas foi só suficiente para meia dúzia de kilómetros. Era preciso mudar a peça. E se pensamos, logo o fizemos, eu e ele. Fomos a uma loja de acessórios para automóveis, comprámos uma peça nova, as respectivas juntas e, no meio da rua (ele não tinha garagem...) toca a mudar a peça.
Pelo meio ainda descobrimos que não tinhamos as peças todas e, como não conhecíamos ninguém nas redondezas, ainda fui ao hipermercado comprar chaves para trocar a peça.
Duas, três horas depois , estava a peça nova no carro, o carro a rolar como nunca e lá voltou ele à vida dele: à semana por Braga e ao fim-de-semana, Braga, Porto, Ovar; Ovar, Porto Braga sem qualquer queixa.
A segunda vez que o nosso Mimi se portou mal, foi um dia, de Inverno, já noite, quando entro no carro, bato a porta e o vidro da porta me cai no colo em mil pedaços. Era Sexta-feira, noite e estávamos de saída para o Porto!
Viemos na mesma. Eu com o casaco a fazer de manta, a apanhar um frio desgraçado na cabeça e ... sem voz no dia seguinte!
As coisas resolveram-se com a ida à sucata e o Luís e o meu Pai (desta vez não fiz nada) a trocarem o vidro.
Casei, o carro ficou com o meu Pai, que gostava imenso dele, mas a minha Mãe tanto o chateou por causa do carro que ele o vendeu!
Fiquei zangada com ele uns tempos... as zangas com o meu Pai são de estar sempre a lembrá-lo das coisas e não de 'amarrar o burro'.
No meio disto tudo, o carro deu lucro. Entre o que pagou por ele, o conserto inicial, a falange e o vidro, deu lucro.

sábado, 21 de agosto de 2010

Amanhã

O homem da minha vida faz 72 anos. É o meu Pai, o meu herói, da infância, da adolescência, de ontem de hoje e de sempre.
Amo-o muito e hei-de amá-lo sempre pelo que ele é, pelo que ele foi, por tudo e pelos defeitos também, fazem parte, mostram a parte humana.
Não vou estar (fisicamente) com ele. Anda em passeio com a Mummy por França. Não faz mal. Que estejam bem é suficiente.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Feliz dia Papá

Não há que inventar sobre o assunto.
Pai é Pai e o que há para dizer resume-se sempre ao mesmo:

Feliz dia Papá.
Gosto muito de ti.
És o melhor Pai do Mundo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Acabou


Começou a fumar aos 14 anos, numa época em em todo o lado o era permitido fazer... excepto na presença dos pais.

Fumou os primeiros cigarros roubados ao pai e, quando aos 15 anos, começou a trabalhar como ajudante de dentista, das gorjetas tirava o dinheiro para os cigarros comprados avulso nos tascos, mercearias ou quiosques.
Veio a tropa. Aí recebia-os da namorada, das madrinhas de guerra e do próprio estado. Sim, porque era o próprio estado a enviá-los para as tropas no Ultramar.
E os anos foram passando e o vicio aumentando. Fumava-se em todo o lado: em casa, na oficina, no escritório, nas reuniões do partido, as clandestinas e as outras.
Nos finais da década de 70, aos 38 anos, estava a fumar dois maços de SG Gigante por dia. O tabaco sofre um aumento que terá grande impacto no orçamento.
Decisão:'Vou deixar de fumar, e é logo que acabe este maço.'
Gargalhada geral. Como é que alguém que fuma dois maços por dia pode de um dia para o outro 'largar' o cigarro?- a questão que se punha.
Como!? Não sei, mas que deixou, deixou.
E assim foi durante duas semanas, até uma ida ao Santoínho, onde havia tabaco ao preço antigo. Comprou um maço. Fumou-o com o mesmo prazer de todos os anos em que o fez e no fim dessa noite disse: 'Acabou!'
E acabou mesmo. Trinta anos depois nunca mais acendeu um cigarro.
Terapias? Nada. Só decisão com vontade!

Pois nem todos somos assim. Ele é. Decide, faz.




Felizmente a filha, eu, herdou essa faceta da sua personalidade.
E isto para vos dizer que decidi e vou cumprir.
FV (Farm Ville) a partir de agora só assim, ao vivo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Caim


Hoje, iam os meus pais de braço dado em plena rua de Santa Catarina, quando ao passar pela montra de uma livraria, diz a minha Mãe:
-Vamos comprar o livro do Saramago?
O meu Pai, que para comprar livros está sempre pronto responde:
-Vamos, compramos aqui.
É quando por detrás deles ouvem uma voz:
-Sinceramente, acham isso bonito? Comprar esse livro?!
Enquanto o meu Pai ia abrindo a boca para responder, a minha Mãe, vira-se para quem se meteu na conversa, segundo ele um 'armário' aí de 1,80m e 100 kg, e diz:
-Alguém lhe perguntou alguma coisa?
Depois de mais algumas resmungadelas do homem com comentários negativos ao livro e à intenção dos meus pais, entre as quais proferiu a palavra 'democracia', a minha Mãe esticou o braço, apontou para o fundo da rua Santa Catarina e disse-lhe:
-Meta-se na sua vida e ponha-se a milha de nós, seu mal educado!

Bom, gostava de ter visto. A minha mãe é uma mulher com muitos medos, mas o incrível é que das pessoas ela não tem medo. Já em miúda eram constantes as queixas que os meus avós tinham por ela andar às lutas com rapazes. Herdou essa característica da minha avó.

Esta atitude dela foi para evitar que o meu Pai falasse. Seria bem pior.

Certo é que o 'armário' deixou-se intimidar pelas palavras dela e deu corda aos sapatos e pôs-se a andar!


Pena não ter visto!

Bom eles compraram o livro e vieram a lê-lo no comboio...

domingo, 23 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Ele

Ele hoje faz anos, 71.
Tudo que eu pudesse dizer sobre ele seria pouco e não diria tudo que lhe tenho a dizer e dizer sobre ele.

Dedico este dia, o do aniversário do meu Pai aos Pais de dois grandes amigos meus, ao Pai do meu Amigo Alberto, que eu espero que melhore o quanto antes. E ao Pai da minha Amiga Manuela, que infelizmente nos deixou na passada Segunda-feira de uma forma inesperada.
Estou convosco.


E Parabéns Papá, és o maior.
Adoro-te!

domingo, 14 de junho de 2009

Dar Sangue é dar Vida


Este post foi escrito num outro blogue, O 'Espelho Meu' em Julho de 2008. Hoje, publico-o enquadrado no Dia Mundial do Dador de Sangue.
Entretanto ganhei coragem, mas não posso ser dadora... tenho 'um feitio' no meu sangue que não responde aos requisitos necessários para poder ser dadora.



A Propósito de uma Campanha que vi em outdoors de colheita de dávidas de Sangue nos próximos dias.
A propósito disso, também não encontro essa campanha no site do Instituto Português do Sangue!
Lembrei-me de muita coisa. Lembrei-me de duas idas por anos ao, então, Centro de sangue do Hospital de Santo António no Porto, com o meu pai para ele fazer a colheita da sua dávida!
Era nas traseiras do Hospital de Santo António, pegado à casa mortuária, numas instalações minúsculas! Era uma salinha escura, sem janelas com meia dúzia de cadeira, um balcão de atendimento e um bar. Sim, porque no fim da dávida os doadores tinham direito a um lanche..à escolha dentro do que havia: uma sandes, um pastel ou um lanche e uma bebida. O meu pai normalmente bebia um sumo e comia um lanche. É que ninguém podia vir embora sem comer algo! Eu não gostava de lanches, ainda hoje não sou grande apreciadora, mas daqueles gostava..que bem me sabiam aqueles lanches...que manjar! Aquelas idas ao HGSA eram mágicas!
Para mim aquilo era algo de muito importante! O meu pai naqueles dias tinha ainda mais valor que nos restantes dias!
-O meu pai foi dar sangue e, eu fui com ele!-dizia eu toda orgulhosa a quem quisesse ouvir!
-O meu pai é dador de Sangue!, dizia eu sempre que queria enaltecer o meu pai!

Quando descobri que havia pessoas que vendiam sangue, perguntei ao meu pai porquê. Respondeu-me que era porque precisavam do dinheiro, eram pessoas com necessidades e era uma forma de ter mais algum!
E realmente a partir daí passei a observar as pessoas e a ler nos olhos delas a intenção com que elas iam ali! Os dadores com uma entrega total, um sorriso, simpatia...os outros com semblante fechado, sem expressão, cheios de pressa à espera do lanche e a confirmação vinha quando eles reclamavam da qualidade do lanche que era servido!
-Se tem algum jeito, vem uma pessoa aqui, tirar sangue ( não era dar, era tirar), fica fraca e dão-nos esta miséria!

Um dia resolveram atribuir medalhas aos dadores:
-O meu pai tem Medalha de Cobre de dador de Sangue!
-O meu pai já tem Medalha de Prata de Dador de Sangue!
-O Meu pai tem Medalha de Ouro!
Que orgulho! E esse orgulho foi-me incutido pelo meu pai ao longo dos seus gestos, da forma como ele levava esse gesto tão a sério!

Não sei explicar bem, mas estas minhas exibições eram só mesmo orgulho, orgulho por o meu pai contribuir para aquelas pessoas acidentadas que precisavam de sangue, para as pessoas doentes...sim por mais que uma vez vi o meu pai a reunir pessoas para irem com ele dar sangue porque alguém precisava de uma transfusão urgente!
O orgulho com que ele exibia o cartão de 'isento' nas entradas dos hospitais, porque era dador de Sangue! é indescritível...não era porque poupava dinheiro ou porque, naquele tempo se entrava nas visitas do hospital a qualquer hora...era porque estava a ajudar!
Aí sim, o meu orgulho atingia os limites!
O meu pai começou a dar sangue muito novo. Quando foi para África em 1961 já era dador e, estava de tal modo habituado às dávidas semestrais que em plena campanha militar o médico do regimento teve de lhe tirar sangue e deitar fora, pois não tinha como o acondicionar, mas o meu pai estava a entrara em sofrimento!
Eu adorava contar esta história!
O meu pai agora já não dá sangue... atingiu o limite de idade... acho que esse foi o único, ou pelo menos das poucas coisas, que o deixarem triste por ter chegado aos 60 anos!

Agora, assim como contava estes feitos do meu pai, digo com muita tristeza que não tenho a coragem dele! Gostava, sim gostava muito, de doar Sangue, mas não tenho a força dele! É que para além da força é preciso um sentimento de entrega que eu não consigo ter!

Pai, se eu tivesse de ter escolhido um pai, escolhia-te a ti sem hesitar! Por isto e por muiiiito mais!

domingo, 31 de maio de 2009

Emoções ao Momento

A vida em África foi dura, também. Também, porque teve coisas boas, muitas até! Fez coisas que jamais faria não fosse ser recrutado para aquela maldita guerra!

Teve a sorte de, logo à chegada, encontrar um oficial conhecida do quartel de Arca d'Água. Andava à procura de um motorista. Perfeito. O Victor tinha carta de condução. Foi requisitado para motorista da Sra D. Amélia e da filha, a menina Graça.

Teve uma vida santa, nos primeiros tempos. Levava a menina ao liceu, o que era pior parte da sua rotina. Rapariga embirrante esta, que nos primeiros dias decidiu que o só sairia do carro depois de o motorista lhe abrir a porta. O motorista achou que ela tinha mãos para abrir a porta, o que até o pai dela fazia quando era por ele transportado, e por isso decidiu que ou ela abria a porta ou não saia.

Voltou para casa. Sorte a dela ainda assim, porque a tarefa seguinte era levar a Sra D. Amélia ao cabeleireiro, senão arriscava-se a ir parar ao quartel!Perante surpresa de ver a filha chegar novamente no carro, a Sra D. Amélia perguntou o que se passava. A explicação foi igual dos dois lados: o Victor não abriu a porta. Só que Gracinha dizia que o Victor devia ter aberto. Victor dizia que só fazia ao Sr Comandante e à esposa e a esta por respeito a ser uma senhora. A Gracinha, uma garota é que não.

A razão foi dada a Victor e Gracinha teve de voltar a pé para a escola!

A Sra D. Amélia, essa tratava-o bem, muito bem. Presenteava-o com maços de tabaco, umas garrafas de cerveja e muitas vezes era convidado para jantar lá em casa.

Muitas vezes ficava com o carro do comandante. Era dia, ou antes, noite de festa. Quem o quisesse ver a ele e aos amigos era no drive in. Os porteiros faziam-lhe continência e tinha sempre direito a um lugar preveligiado.

Um dia teve de ir para o 'mato'. Tinha de ir com a companhia. Foi duro. Era época de Natal. Ia ser duro. Todos os dias tinha de ir com o jipe buscar o correio a 150 km do acampamento. Muitas vezes voltava sem ele, confessou. Tinha medo de avançar, de chegar aos sacos que eram lançados do avião.

A noite de Natal prometia ser de grande carga emocional. Para a ceia nada de especial, o costume, a não ser que… havia um cabrito que estava a ser criado para quando um graduado visitasse o acampamento. Já estava gordinho e … podia fugir! E não é que o raio do cabrito fugiu dois dias antes do Natal?

E não é que, coincidência das coincidências a ceia de Natal foi cabrito? Foi cabrito regado com vinho, muito vinho. Tanto que na tentativa de acabar com ele, foram vencidos pelo cansaço e adormeceram todos no meio do acampamento e só acordaram a meio do dia de Natal!

Foi dos piores dias de África. E dos de maior loucura… a fuga do cabrito se fosse descoberta podia valer ver o sol aos quadradinhos durante uns tempos.

A vida deles era vivida para o imediato. Muitas vezes esse imediato levava a que deixasse de haver amanhã. Um dia no quartel, na passagem das camaratas para o banheiro estava um camarada a consertar a motorizada que tinha comprado. Concerteza que seria vendida dias ou semanas mais tarde. Bastava faltar o dinheiro.

Um camarada atravessava o pátio e, em tom de brincadeira disse: 'Não percebes nada disso…'. O outro mostrou-se ofendido e : 'Ora volta lá a dizer isso!'.

Pegaram-se em palavras, até que um deles disse, ainda em tom de brincadeira, dizem eles:' Tu não te metas comigo. Olha que eu tenho uma navalha!' A navalha era um canivete, daqueles que os homens na época tinham como costume trazer junto da chaves. 'Uma lâmina de 5cm, se tanto!', disse o Victor que assistiu a tudo. O da 'navalha' abre-a e diz: 'Espeto-ta e furo-te a barriga'. O outro avança e diz:'Tu o quê?'

Foram s suas últimas palavras. Avançou mais depressa que o tempo necessário para o outro camarada tirar o canivete da direcção do coração.

Logo perdeu a consciência e se começou a esvair em sangue. Os camaradas pegaram nele, meteram-no jipe e levaram-no para o hospital. Nada pode ser feito. Chegou lá morto!

O outro camarada foi preso e os que saíram do quartel sem autorização foram julgados e com muita sorte não foram castigados.Era assim a vida em África. Emoções ao momento…

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pai Herói

Desde sempre foi rebelde. Foi daqueles miúdos que, tal como dizia a minha Avó, 'tem tanto de arisca como de meigo'.
Ele mandava os filhos dos patrões dos pais abaixo dos muros para lhes apanhar as sandes de marmelada. A alternativa ao pão sem nada ou com manteiga nos dias de festa, compensavam a sova que levaria por deitar abaixo do muro o Luizinho, filho do Sr Bacelar.

'Meninos, a pereira junto ao tanque tem três pêras madura. Ai de quem lá vá buscá-las!' Pois o Sr Silvano conhecia bem o filho que tinha e quando, depois de jantar, o Victor e os irmãos chegaram ao sitio da pereira, já ele lá estava com a mão na fivela do cinto.
'Nós só viemos dar uma volta.', disse o Victor antes que o pai dissesse alguma coisa.
'Sr Victor, se eu não o conhecesse… tudo para casa antes que eu me zangue.' Bom, quando estas histórias eram contadas em família, o avô Silvano admitiu que foi uma provocação… afinal ele foi quem informou os miúdos que as pêras estavam maduras!

Um dia o Victor foi estudar para a escola Comercial. O Sr Bacelar prometeu ao Sr Silvano um emprego para o rapaz no banco, mas ele tinha de 'fazer' o 7º ano do liceu na escola comercial. Com sacrifícios o rapaz foi posto a estudar. Contrariado um belo dia decide que não vai mais para aquela escola. 'Pai, não quero ir mais para a escola comercial. Quero ir para o Infante, estudar mecânica.' Ao mesmo tempo que lhe dava uma bofetada, o pai disse-lhe: 'Se queres ir para outra escola vai por tua conta!' 'E vou. E também já arranjei um emprego. Vou estudar de noite', respondeu Victor, tentando equilibrar-se de modo a não tombar sobre o poço, que felizmente estava tapado. O Sr Silvano esse não quis saber. Afastou-se a resmungar:' E agora que desculpa vou dar ao Sr Bacelar!?'
Ele foi trabalhar para uma grande indústria do norte. Ele e mais alguns colegas foram 'apadrinhados' pelo directo, o Engenheiro Guilherme. Quando chovia levava-os à escola no seu Mercedes. Aos que tinham boas notas oferecia uma nota de 100$00. Mas também, tal como acontecia com os outros, lhes eram fechadas as portas das salas onde estavam os cartões de ponto sempre que se atrasassem, um minuto que fosse. Significava uma manha perdida, sem ganhar, sentados numa sala à espera d hora do almoço.Com os 100$00 faziam uma festa. A primeira paragem era, antes de seguirem para a escola, na tasca da esquina do cruzamento de S. Mamede para comer uma isca e beber um copo de vinho. Eram momentos bem passados aqueles.

O Victor não perdeu nunca a sua rebeldia, pelo contrário refinou-a e usou-a para defender as suas convicções. Descobriu os esconderijos do Avante e começou a lê-lo às escondidas de quem o já lia às escondidas. Um dia foi apanhado. 'Rapaz, ainda és muito novo para ler essas coisas', disse-lhe o Sr Silva, o encarregado, comunista assumido. 'Muito novo? Já tenho dessasete anos. Eu tenho de continuar o que vocês começaram....' Convenceu-os. Passou a fazer parte do circuito 'legal' de leitura, passou a ser informador das greves e passou a fazê-las. Tinha encontros no areal de Matosinhos com o 'homem da gabardina' a observá-lo a ele e aos colegas. Era vigiado na escola e um dia, tinha acabado de completar dezoito anos, foi 'chamado à PIDE', na rua do Heroísmo. Teve medo. Disse ao Sr Silva, que a sorri disse: 'Olha que vais estar lá o tempo todo sem te deixarem ir à casa de banho nem sentar. Passas no urinol do jardim', 'clientes frequentes' daquele edifício. Assim fez. Passou no urinol antes de entrar. Tremia que nem varas verdes. E assim foi também, a parte de não se poder sentar nem ir ao WC. Foi um dia inteiro, com os agentes a entrarem e a sair, a fazerem-lhe perguntas cada um à sua maneira, de assuntos diferentes.Quando chegou a casa era noite. O Pai perguntou-lhe por onde andara. Não respondeu. Levou uma tareia, a física mesmo, a psicológica, essa apanhou-a durante o dia… o pior da vida dele até aquele momento.

Eleições. Humberto Delgado candidata-se. Victor e os amigos apoiam-no incondicionalmente.
Há dias, tirada da net, mostro-lhe uma foto da chegada de Humberto delgado à estação de São Bento. 'Estás a ver aquele, ali naquele poste, junto ao Banco Ultramarino? Sou eu!', diz todo orgulhoso. Aquele dia valeu-lhe mais uma 'visita' à PIDE. E aquele homem foi o seu herói de sempre e para sempre. Ainda hoje fala dele com admiração. Não quis acreditar na morte dele. E nunca acreditou em acidentes.

Quando Ivo Delgado, o neto escreveu livro sobre Humberto Delgado, comprou-o logo no primeiro dia e quando Ivo Delgado veio ao Norte, à casa das Artes em Vila Nova de Famalicão apresentar o livro, ele foi. Ele foi e levou recortes de jornal com notícias da campanha eleitoral e panfletos da campanha eleitoral que ele guarda religiosamente. O neto não os conhecia. Quis falar com ele com mais tempo. No fim agradeceu-lhe por tudo e por nada. Apesar de tanto trabalho de investigação conclui que ainda muito desconhece sobre o avô.

Chega a idade da tropa. Vai. Primeiro para Santa Margarida, depois para Arca d'Água. Passa lá 20 meses.
Quando regressa à vida civil, ingressa no instituto superior técnico em engenharia mecânica, o que ele sempre quis.
Durante a tropa o colega Pinheiro cometeu uma asneira, saiu com um carro sem autorização e teve um acidente. É preso, julgado. Sentença: uma dezena de anos de cadeia ou mais serviço militar, desta vez em África, onde entretanto tinha rebentado a guerra. Escolhe a segunda opção.
Por arrasto é chamada toda a companhia. Tem de abandonar novamente o emprego e os estudos. Um sonho adiado...

Embarcam no Vera Cruz para a longa viagem. Houve tempo para tudo. Para se conhecerem, para pensarem na vida e para o Victor elevar ao máximo a sua rebeldia nata e uma bela noite começar a colar papéis por todo o barco a promover o desvio do barco para o Brasil. Valeu, ou não a reacção dos amigos Pinho e Matos, que ao aperceberem-se do seu acto trataram de recolher os papéis. Fecharam-no no camarote durante uns dias até ele prometer que não repetia tal atitude.
Chegaram a África. O destino -lo encontrar-se com um Major conhecido da tropa em Arca d'Água que procurava um motorista para a esposa e a filha. Ele sabia que Victor tinha tirado a carta de condução no quartel de Arca d'água. Convidou-o. Ele aceitou.

Em África viveu como se não houvesse amanhã. O que recebia hoje, gastava hoje. Amanhã vendia o que tinha comprado ontem se precisasse de dinheiro.

Começou a trocar correspondência com Odeta, a vizinha, amiga. Só amiga, até então. Teve também uma madrinha de guerra. Odeta enviava-lhe roupa, doces e cigarros. Isabel livros. 'O Fio da Navalha', 'Por quem os Sinos Dobram', 'O Velho e o Mar', foram ao encontro dele e voltaram com ele.

Viu colegas morrerem, nenhum em combate. Um pura estupidez.

Teve também de conduzir colunas militares ao serviço do Major Spínola. Foi marcante, o encontro com ele. Entre outras coisas levava colchões para um acampamento militar. Voltou para Luanda... com os colchões. Spínola descobriu que os colchões para os militares eram diferentes dos dos oficiais. Rejeitou e devolveu-os.

Fez muitas coisa em África. Divertiu-se, sofreu de saudades, pela morte dos camaradas e pela incerteza do dia seguinte... dois longos anos.

Quando voltou, voltou mais rebelde do que antes. Odeta esperava-o. O Chefe Reis, futuro sogro também. Estava fardado e esperava-o com o carro do comando. Estava eufórico. A euforia fazia-o dizer o que não devia. Estava a ser vigiado pelos homens da gabardina. Saiu do comboio em Campanhã a desenrolar um rolo de papel higiénico, enquanto insultava Salazar.

Não voltou À universidade. Só ao emprego. Casou com a Odeta. Isabel ficou só amiga, que entretanto se afastou. A amizade não lhe era suficiente. Preferiu não ter nada...

Por estas e muitas outras coisas aqui não contadas, ainda, este é será SEMPRE o meu herói... É o meu Pai.

Ficção para a Fábrica de Histórias