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domingo, 14 de outubro de 2012

Mais uma vez juntos (Desvios e Outras Escritas)

E este fim-de-semana tem sido diferente de tudo, tal como há dois anos. 'Quando  Outras Escritas se Desviam para o Desvios ou o Desvios entra n'Outras Escritas!

Pois, dois anos depois, foi reencontrar amigos de lonnnngaaa data, passeios pela praia, pelo campo... e procurara 'caixinhas'.





Como repararam, estivemos e "postámos" juntos!
E mais: já há viagem marcada para Novembro... até já Madeira.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quinta, lugares cruzados II (Aeroporto)



O meu primeiro contacto com esta palavra foi aos quatro anos, quando os meus pais decidiram começar a comprar-me os 'livros da Anita' e, na tabacaria do Sr. Júlio, de entre muitos escolhi 'Anita de avião'. E que linda estava, aliás está, pois o livro ainda existe; na capa do livro de vestido vermelho e cabelo apanhado em pose de bailarina em frente de um avião.
Sei, lembro-me, que vim rua abaixo a folhear o livro e nessa noite não me deitei sem que a minha mãe mo lesse de fio a pavio.

Teria ainda quatro anos, ou até cinco, talvez, quando numas férias de Verão a caminho de Lisboa parámos na zona de Coimbra para visitar a 'filha do Sr Nunes'.
A 'filha do sr Nunes', vivia num sítio que eu nunca tinha visto igual. 'É um hangar', respondeu-me o meu pai, quando o questionei sobre que 'casa' era aquela com telhados redondos e cheia de aviões tão pequenos.
Pois, o marido da 'filha do Sr Nunes' era mecânico naquela base e a família viva numa casa junto à base. Ainda estivemos lá um bom bocado a falar com a senhora, pois ela tinha uma história muito recente e interessante para contar aos meus pais. Na altura só percebi que ela e os filhos tinham estado 'presos' dentro de um avião, enquanto uns 'ladrões' levavam um outro. Mais tarde, já depois da revolução dos cravos, percebi o que se tinha passado: um grupo de homens contra o regime tinha invadido a base, tinha prendido a senhora e os filhos e tinha roubado um avião para fugirem para o Brasil.

Até bem tarde, o meu contacto com aeroportos não passou daquelas manhãs de Domingo, em que quando voltávamos da praia, o meu pai fazia desvio pelo aeroporto para irmos ver os aviões aterrarem. Naquele tempo podia-se circular por (quase) todo o aeroporto e eu adorava, do terraço do aeroporto, ver o movimento dos aviões.
Com o passar do tempo e o apertar das normas de segurança, estas incursões pelo aeroporto deixaram de ser possíveis, para minha tristeza…
Quando terminei o meu curso, tive a minha primeira oportunidade de viajar de avião. Uma viagem curta, mas que seria o meu baptismo…
E foi assim, no aeroporto da Portela, que tive a minha primeira experiência com coisas como check-in, boarding, luggage… e não terá sido uma experiência muito real, pois tinhamos um operador a tratar de tudo.
O aeroporto da Portela, cheio, grande, enorme, comparado com o de Pedras Rubras, o único que conhecia à data e de há algumas obras atrás.

Quando chegamos a Las Palmas e o piloto informou que íamos aterrar, procurei, procuramos, o aeroporto. Nada, ou antes, quase nada! A pista confundia-se com a auto-estrada e o edifício era pouco maior que uma estação de comboio, e não falo de uma santa Apolónia, nem de uma Campanhã, sequer, mas sim de um apeadeiro. Sim, digamos que não era um aeroporto, mas sim um 'apeadeiro' para…aviões.

Um par de anos mais tarde, e algumas viagens pela Europa depois, o meu amigo Alberto veio ter comigo ao Porto e fomos passar o ano à Madeira. Estávamos em plena década de 90 e a pista era ainda, a pista de 800 m ( corrija-me Alberto se estou errada quanto ao comprimento da pista). Era Inverno e estava vento e frio. O avião começou a dar voltas à pista numa tentativa de aterrar. Claro que não me apercebi que o avião fazia abordagens à pista e abortava ( a nossa TAP pode ter muitos defeitos, mas lista não faz com toda a certeza, a competência dos pilotos, os melhores…). Depois de aterrar o comandante lá explicou que teve alguma dificuldade em aterrar porque ao flapes não estavam a actuar, devido a problemas de temperatura…
O aeroporto, esse mais uma vez nada tinha a ver com os aeroportos que entretanto conhecera, mas acabava por ter já ar de aeroporto com de tudo um pouco a que um aeroporto tem direito: restaurante, aluguer de viaturas, cafés… e praça de táxis, coisa que em Las Palmas não tinha!
O regresso foi de pouca espera no aeroporto. Foi de noite e o Alberto deixou-nos lá. Esperamos pouco tempo e como foi depois do jantar poucos serviços usamos. A decolagem, essa foi fantástica, das que eu mais gostei de todas que já fiz. Noite cerrada, céu estrelado, o avião em direcção ao mar, a pista a desaparecer e no último instante lança-se no ar… (ok chamem-me louca, mas que foi fantástico, foi).

Voltei à Madeira uns anos depois, já existia a pista nova. Se o edifício do aeroporto foi remodelado, não me lembro. Foi uma viagem muito atribulada, pois estava muito vento e tivemos muito tempo de espera, mas de uma espera em que nada se podia fazer, pois a qualquer momento embarcaríamos e regressaríamos a Lisboa, como veio a acontecer um bom par de horas depois da hora prevista.
E foi nessa noite que tive a minha primeira aventura num aeroporto. O 11 de Setembro era passado recente e os aeroportos eram alvo de segurança muito apertada. Quando chegamos à Portela ( o voo era por Lisboa), a ligação tinha-se perdido e não havia mais voos para o Porto naquela noite. Fomos parar a um hotel, pago pela TAP, depois de passar mais de três horas na fila de reclamações da TAP. Estavam mais de 300 pessoas na fila porque um avião já a caminho dos Estados Unidos tinha voltado para trás sem qualquer justificação e à chegada ao aeroporto só tinha sido dito aos passageiros para recolher a bagagem e dirigirem-se para o balcão de reclamações a fim de marcar novo voo e reservar hotel para aquela noite.

Nós não sabíamos da nossa bagagem.Tivemos ainda que ir procurá-la, onde nos foi dada como primeira resposta que já estava a caminho do Porto. 'Mas como está a caminho do Porto, se ela veio connosco?!', perguntamos. 'Pois é, então deve estar lá em baixo.' Pois o 'lá em baixo', implicou ir para mais uma fila e esperar que, no meio de milhares de malas, a nossa fosse encontrada. A alternativa era um kit de higiene: umas cuecas descartaveis, uma escova dos dentes, uma pasta dos dentes e uma escova do cabelo... tudo tamanho mini!
E optamos por esperar pela mala, por ir mais tarde para o hotel e usarmos a nossa roupinha.

E como esta, voltei mais tarde, a ter uma experiência semelhante. Desta vez foi em Paris, no Charles de Gaulle. Foi a minha primeira passagem por aquele aeroporto e, em trabalho, estava a caminho de Estugarda. Havia um forte nevão em Paris e o avião só teve autorização para sair do Porto muito depois da hora. Quando estávamos a aterra, fomos informados que o nosso voo de ligação estava quase a fechar o boarding e que por isso seríamos os primeiros a sair do avião e teríamos de correr.
Bem corremos, mas nada adiantou. Quando chegamos à porta de embarque, estava um funcionário da Air France a acabar de fechar a porta. Pedi-lhe para que a abrisse... a manga ainda estava ligada. 'Pardon, Madam, mais il est fermée.'. E enquanto abanava a porta, como a a provar que estava mesmo ia dizendo:'Regarde.'.
Bom, mais uma aventura, mais uma fila enorme, desta vez no balcão da Air France, ter de tratar das coisas em francês ( o meu francês naquela época andava um pouco enferrujado) e discussões e aventura semelhante à da Portela para recuperar a bagagem. Esperamos duas horas que a bagagem aparecesse e, ao contrário da TAP que nos mandou de táxi para um hotel quatro de quatro estrelas, a Air France mandou-nos para um hotel, onde o jantar era comida descongelada no micro-ondas; no autocarro que os funcionários do aeroporto usam para ir buscar os seus carros no final do dia!
Foi uma noite atribulada e muito cansativa, mas que mesmo assim ainda deu para diversão. Foi a noite da Soraia!

Durante um longo período de tempo tive de fazer viagens mensais para Paris. Sim, Paris... para além do aeroporto, o de Orly, estive no centro de Paris uma vez!
Neste aeroporto tive algumas aventuras engraçadas, que começou logo na primeira viagem, quando estava a entregar o voucher do carro de aluguer na locatária e aparece um 'armário' fardado e de metralhadora em punho e me começa a empurrar, a mim e às outras pessoa, enquanto polícias vedam a zona.
Já fora do aeroporto, e na fila, enorme, dos táxis, pergunto ao arrumador o que passava lá dentro, a resposta foi: 'Une valise oublier et pumm!', enquanto levantava os braços em arco...
Não foi a única vez que aconteceu. De uma outra, foi no regresso para o Porto. Tinha ido jantar ao restaurante que fica na outra ponto do aeroporto e quando regressava estavam a vedar a zona. Pedi para passa, mas não deixaram. Reclamei e disse que a minha bagagem já estava no porão e que se eu não fosse iam atrasar tudo. A resposta, acompanhada de um encolher de ombros foi:'Cést la vie... pas passer!'
E a parte caricata vem agora, e à custa disso fiquei a saber que os tectos dos aeroportos são muito resistentes. Tentamos ( eu estava com um colega de trabalho) sair pela porta mais próxima, para passar pela parte de fora do aeroporto... nada tinha militares. Tentamos passar pela parte traseira das lojas... encontramos o primeiro militar que nos barrou a passagem, que me deitou um olhar que quase me tombava para o lado, como que a dizer: 'És teimosa. Eu já não disse que...'.
Lembramo-nos de descer as escadas e ir pelo andar de baixo... vedado! Quando olhamos para a escada que dava para o andar de cima, essa não tinha fita e, nas barbas dos militares, subimos, passamos e descemos na próximo da sala de embarque. 'Pas problem!'.
E foi por pouco que não ficamos em terra!

Haveria outras histórias engraçadas para contar, como a dos croissants que trazia na mala e a funcionária que estava a verificar a bagagem, quis abrir a mala, porque não sabia o que era aquilo. Quando viu os croissants, comeu-os com os olhos, depois de dizer: 'Sont croissants!'

E a vez em que estava a tomar café no aeroporto de Frankfurt e um amigo meu estava a falar muito alto e muito mal. Mandei-o ter cuidado e a resposta foi que ninguém percebia. Mudou de ideias no minuto seguinte, quando toca um telemóvel e alguém atende em bom português!

Eu gosto de viajar de avião, gosto do movimento dos aeroportos, gosto de ver, e de, correr. Tenho sempre a sensação de que estou num rally papper à procura do enigma, neste caso da porta de embarque.

No único aeroporto em que isso não aconteceu foi no de Basileia. Um funcionário do aeroporto leva-nos até à sala de embarque, avisa-nos do aproximar da hora e andam outros funcionários a rodar pelas salas, ora a servir bebidas e bolos, ora a oferecer revistas dos mais variados temas. Revistas dentro do prazo, não revistas do mês ou semana anterior...

E foi minha a ideia de falar deste tema, porque estou cheiínha de saudades deste frenesim todo que este ambiente nos provoca.
Não vejo a hora de viajar para Barcelona... andar de avião e conhecer mais um aeroporto... e palpita-me que vai haver aventura.
Como diz uma amiga minha:'Viagem para ti sem aventura, não é viagem!'
Mas não tem mal, porque, e como diz o meu amigo Victor, meu companheiro de muitas viagens:' Ir contigo é seguro. Acaba sempre tudo bem e não há monotonia.!

E você Alberto, por que aeroportos anda você?
Adenda: O aeroporto da Madeira ttinha 1800 m e passou para 2800m. Correcção pedida, correcção feita.


sábado, 27 de março de 2010

Sábado, última hora I (Rádio não está em perigo e é um dos media mais completos)


Notícia RTP de 25/03/2010 :

Rádio não está em perigo, que está longe de estar em perigo e que pode ganhar maior visibilidade com a internet, defenderam vários especialistas num congresso internacional de Rádio que decorre hoje em Lisboa.

Elísio de Oliveira, que participou na sessão de abertura do congresso em representação do presidente da Entidade Reguladora da Comunicação foi um dos advogou a tese de que a rádio é insubstituível.
O congresso, organizado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas é subordinado ao tema "Pós Rádio: R@dio como media social?" abordou em varias mesas redondas a rádio, a musica e a internet.

E agora, digo eu: 'Ainda bem!'. TV, vinilo, i Pod, cinema, net... a rádio continua a ser a melhor companhia em qualquer lugar e em qualquer altura.
Quando estamos 'presos' no trânsito, o que nos consegue por a cantarolar ou nos arranca uma gargalhada... um sorriso, pelo menos?
As músicas do momento, as do antigamente, do nosso e dos outros, ou até mesmo as baboseiras (existe a palavra?!) dos radialista ( e esta existe?!).
E as longas tardes de estudo, com um rádio como companhia? Quem as não teve? .. ou não tem.
A rádio é o nosso iPod, o nosso MP3, o nosso boletim meteorológico, o nosso noticiário, o nosso despertador... e quando vamos de carro até nos ajuda a evitar os caminhos mais movimentados.
É notório que a rádio ao longo dos tempos sofreu mudanças, mutações (?). E estou neste momento a olhar para um rádio, muito semelhante ao da imagem que ilustra o post, que foi dos meus avós. Esse rádio capta ondas curta. Pois agora todos já só falamos em FM, mas antigamente captava-se sinal de rádio em onda curta para ouvir as notícias do estrangeiro, notícias da guelra, que no nosso país em onda média não era possível saber devido às limitações do regime de então.
A minha avó contava que comprou este rádio para lhe fazer companhia. O meu avô viva em Viseu e, note-se estou a falar da década de 40 do século passado; e, dizia ela, ajudou-a a passar muitas tarde de Domingo e muitas noites mal dormidas.
Na geração dos meus pais, a clandestinidade continuou a ter como cumplice a rádio. Desta vez para captar sinais de um bocado mais para leste, a rádio Moscovo, por exemplo, ouvida por milhares de portugueses, que queriam estar informados sobre o que se passava no estrangeiro e, também nesta época e pelo emmso regime, eram censuradas.
E mais uma vez foi a rádio a principal cúmplice da Revolução dos Cravos. Foi um sinal de rádio, que confirmou que as operações estavam a ter sucesso e tudo avançou como se queria e se atingiu o grande objectivo: derrubar o regime de então.

Como poderia assim a rádio sair das nossas vidas? A rádio sempre esteve e estará de uma forma mais ou menos activa ligadas à cultura e à vida de todos nós.

E alguém se lembra do 'Simplesmente Maria'? Sim grande folhetim da rádio, que nenhuma telenovela conseguiu apagar da memória da geração dos meus pais.

Nem TV, nem net, nem jornais... nada faz, nem fará as vezes da rádio... seja em onda curta, onda média ou frequência Modelada (FM).

A rádio é imortal. Estou convicta de que sobreviria à TV, tivesse que acabar uma das duas.

E você Alberto? O que acha desta notícia?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Visões a Qu4tro Mãos



Sábado, última hora
: Que, como o nome indica, será publicada aos Sábados, mas cujo assunto será divulgado apenas depois da quinta feira. Alguém tem um palpite?

Pois é, como não houve palpites, também só vão saber amanhã, às 22h59 com a publicação da primeira da Segunda rubrica.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quinta, lugares cruzados I (Porto)


Para escrever sobre o Porto só preciso de muito papel e muita tinta, porque pensar, é nele que penso todos os dias.

Penso na casa dos meus avós onde passei momento inesquecivéis. Penso nas noites de Verão no adro da capela de São Pedro, onde passei muitas noites sentada nos degraus junto do meu
Avô a observar as estrelas.
'O Porto é velho, os portuenses (não confundir com portistas... é diferente) dizem muitos palavrões e trocam os os bês pelo vês'.- dizem os outros, os do resto do país, mas eles não sabem nada, nda sobre o meu Porto.

Pouco me interessa, eu amo-o assim mesmo
,amo a cidade que vê nascer o meu 'ramo' Reis há muitas gerações, que acolheu há duas gerações e de braços abertos Tavares vindos do Alentejo, os Silva de Chaves, Alves e Castros do Minho e até mesmo Garcês de além fronteiras. As gerações dos meus avós, que de lá, do
Porto, partiram...
Viu-me nascer, viu-me crescer e viu-me casar, para depois o deixar.
O Porto tem (teve) um Palácio de Cristal, que agora se chama de Pavilhão Rosa Mota e cujo nome de 'Palácio de Cristal' vem do tempo em que o belo edifício desenhado por Nasoni vivia no meio dos seus jardins, até ao dia em que, na euforia do Mundial de Hóquei Patins, alguém resolveu construir o actual edifício, a que todos puseram a alcunha de 'tigela'. Foi numa capela, perdida entre os seus jardins que me casei. Sinto-me uma preveligiada, o rio, o Douro foi convidado de honra.

O Porto tem duas pontes lindas, da idade do ferro: a D.Luiz e a D. Maria. A D. Luiz, edificada ao lado onde um dia havia uma única ponte, a das barcas, que ficou para a história aquando das invasões francesas. De há uns anos a esta parte, a circulação no tabuleiro superior passou a ser de metropolitano, de onde se pode apreciar uma paisagem única sobre o rio, o Douro.
A seu lado, já fora de funções, a outra, a D. Maria, ferroviária, velhinha sobre a qual já há muito, a sua travessia era temida por muitos.
Nascida já na década de cinquenta, há a Ponte da Arrábida, inaugurada com pompa e circunstância pelo Almirante (?) Américo Tomás.

Inaugurada já nos finais da década de 80, com direito a directo da sua inauguração, pela RTP Norte, temos a ponte S. João, projectada pelo emblemático Edgar Cardoso, homem do norte, este também.
A ponte do Freixo, a maior, já fruto da engenharia dos finais do século XX, é a maior, a mais movimentada e do que o
Porto estava a precisar para que todos os que nos visitam cá possam chegar sem constrangimentos nem engarrafamentos.

E o rio, o Douro, claro? E a Foz? E o Passeio Alegre? Ai, e a Ribeira? A Ribeira com vida própria, com a sua gente, com vida a qualquer hora do dia e da noite em torno da vida das gentes de lá.
A casa das iscas, a casa das azeitonas, o Julião dos Frangos... como eram bons aqueles franguinhos que o avô lá comprava ao Sábado para todos lancharmos, ora debaixo da ramada no Verão, ora no quentinho do braseiro no Inverno.
E desta longa conversa, fiquei-me (só) pela beira rio.

A Avenida dos Aliados, onde grandes eventos foram escritos na história do nosso país. E falando da história recente, contemporânea: a visita de Humberto Delgado ao Porto, que foi recebido por um mar de gente nunca antes visto; a comemoração do primeiro 1º de Maio, a que eu assisti e nunca mais hei-de esquecer...

E o São João, o São João no Porto é único, inesquecivel cada um. É nas Fontaínhas, é na Boavista, é o fogo na Avenida e na Ribeira, mais uma vez... a Ribeira.

E a Queima das fitas? Semana de todas as loucuras. E tudo começa no alto da Cidade, na Sé, que uma vez por ano ganha vida própria. Zona tida como das mais perigosas da Cidade, é na noite da Serenata em que só o medo de por lá andar fica em casa. Todas as outras emoções saem à rua. E é esta mais uma noite do ano em que a cidade ganha vida própria, única. Os restaurantes, cafés e ruas enchem-se de capas negras, que na hora da Serenata é vê-las subir a Avenida da Ponte em direcção ao terreiro da Sé, onde cada um se concentra na serenata... naquela noite estamos todos apaixonados, zen! Mas é só naquela noite e durante a serenata onde nos aconchegamos nas capas depois de (alguns) se terem aconchegado antes em alguns centilitros, litros, até, de álcool; que será reposto no fim da serenata até de manhã.
De manhã voltam alguns, os mais devotos desta tradição, os que não são só devotos de copos e farra nesta semana; para benzer as fitas. É a missa da Bênção das Fitas. É linda essa manhã. Fitas de todas as cores a esvoaçar, primeiro ao vento do terreiro, depois dentro da Sé pelo agitar dos estudantes.
É lindo aquele mar de cor: vermelho, azul, verde, castanho, amarelo, branco, roxo, rosa... todas as cores e toda a combinação de cores.
Este dia é lindo, e desde que instituíram (os senhores que querem vender), que o dia da Mãe é no primeiro Domingo de Maio; o Domingo da bênção das pastas é sempre dia da Mãe... emoções ao rubro, que atingem o seu máximo nessa tarde quando os filho recebem as insígnias. Troca de mimos...
E sobre a semana académica tinha muito para dizer. Que nem sempre foi assim, nem no
Porto, nem nas outras cidades.... estudantes eram alvo de perseguição durante o Estado Novo. Eram perseguidos e acusados de tudo e mais alguma coisa até só pelo simples facto de andarem em grupo. E graças a isso, cafés junto às faculdades ganharam fama e tornaram-se refugios da massa estudantil. O café Piolho, que fez 100 anos o ano passado, que é indissociável da faculdade de ciências. Sim , da famosa fonte, que deu nome à Praça, a dos Leões. A Faculdade de Ciências que, com a Torre dos Clérigos e a livraria Lello forma um triângulo digno de ex-libris da cidade.

E sinto saudades, saudades de quando ia de eléctrico até à Foz. Não há melhor forma de descer a Avenida da Boavista. No Verão com as janelas abertas a deixar entrar a brisa... indescritível.

E gosto de tudo no
Porto? Gosto sim, de quase tudo. Não gosto de não poder viver lá. Não gosto de já não ter lá os meus avós para visitar e não gosto quando a cidade é maltratada pelos próprios portuenses.
Não gostei quando 'plantaram' paralelos na Avenida dos Aliados e os jardins viraram 'calçadas', que nem portuguesas são! Não gostei quando o presidente da Câmara deixou que Gaia tomasse conta do fogo do São João. Dessa festa temos de ser nós, os portuenses, os anfitriões. Que venham todos de fora para assistir, mas não temos que ser visitas da nossa própria cidade como fomos nesse ano: na nossa própria visita a assistir a um espectáculo promovido pelo vizinho, vizinho que eu estimo.
E por falar em festa, lembrei-me da festa que era ir à feira do livro. Chovia sempre na feira do livro. Lembro-me de ouvir lá em casa:'Começou a feira do livro, vais chover'. Era certinho. Sempre me lembro de visitar a feira do livro, ora na Praça, ora na Boavista debaixo de chuva. Mas não tinha importância nenhuma. Íamos na mesma. Comprávamos livros, na mesma. O meu primeiro, e único, Dicionário da Língua Portuguesa, o da Porto Editora( tinha que ser) , foi lá comprado e oferecido pelo meu Pai, com direito a dedicatória. Ainda o tenho e, claro, depois destes anos todos, terei de comprar outro graças a um acordo ortográfico, mal amanhado e mal feito (na minha modesta opinião).

E o Brasília, o primeiro shopping da cidade? Foi um sucesso e ainda conseguiu resistir a uns poucos... ao Dallas, por exemplo... resistiu até ao dia em que o Sr. Belmiro, um senhor oriundo da terra da Carmen Miranda, decidiu entrar no negócio e invadir-nos com Norte Shoppings e afins. Aí, sim o Brasília deu o último suspiro, em frente a uma casa da Música no auge seu esplendor.

Eu não disse, que para falar do
Porto só precisava de papel, muito, e tinta, muita também?
Tão longa vai esta conversa e ainda não falei dos mercados, o do Bolhão e o do Bom Sucesso. Não falei dos cafés, do Magestic, do Imperial e outros como da Cunha, bem mais recente que estes últimos, mas onde nas tardes das férias de Verão, depois de uma boa sessão de cinema, me deliciava com uns magníficos gelados. Nunca comi melhores.
Pois, os cinemas, onde não havia pipocas (ainda bem!), onde vi filmes que tanto me marcaram como Kramer contra Kramer, Forest Gump, A insustentável Leveza do Ser e Danças com Lobos. Lembra-se Alberto, da tarde em que fomos ver o Dança com Lobos ao Coliseu com Kevin Costner no seu (único, talvez) melhor? Filme longo, mais longo que o esperado. Aproveitamos um intervalo das aulas para ir ver o filme. Como o filme demorou mais, falhamos duas aulas práticas, nós os certinhos, direitinhos, que nunca falhavam as aulas e de quem todos esperavam apontamentos. Lembro-me como se fosse hoje da cara dos nossos colegas quando nós, atrassadissímos, entramos porta da sala de aulas adentro. Parecia que tínhamos cometido o maior crime das nossas vidas!
Enquanto escrevo, as coisas vêm-me ao pensamento a uma velocidade maior da que me é permitida escrever... algumas delas varrem-se-me, sem que eu tenha tempo de as passar para o papel.
Ficam por escrever os passeios pela muralha Fernandina, as visitas aos alfarrabistas, as idas às retrosarias e lojas de bordados e... as compras de Natal à noite nas ruas da cidade. Mágicas estas noites: frio, chuva, às vezes, músicas natalícias e muito calor humano.

Deixar de falar dos autocarros de dois andares, é uma falha grande, principalmente quando nos lembramos do 78, o autocarro que dá (dava) a maior volta da cidade; ou do 88 que andava sempre aos pares... daí dizer que quando duas pessoas andam sempre juntas, dizer que parecem os autocarros de dois andares... pois há expressões mais feias, eu sei, e que se usam também, e não só, no
Porto.
E, e, e.... e pronto, não digo mais nada... estou nostálgica. Estou com saudades dos meus avós, da casa deles, da minha infância, da minha adolescência, dos cinemas, dos autocarros, dos passeios com os meus amigos, das queimas das fitas, das noites de S. João, do
Porto, do Porto...
Amo-te
Porto!

E você, Alberto, o Seu
Porto é igual ao meu?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Parabéns

Presente de aniversário para alguém que fez anos no dia 9 de Novembro.
É uma lanterna Chinesa... eu gosto muito, espero que também gostes.




Parabéns.

domingo, 21 de setembro de 2008

Desvios VS Outras Escritas


Blogue Global.
Sabem o que é a Aldeia Global?
.. e o Blogue Global?

...é quando Outras Escritas se Desviam para o Desvios ou o Desvios entra n'Outras Escritas!

Como repararam, estivemos e "postámos" juntos!

Outras Escritas VS Desvios - O agora

Depois do reencontro, passados que estão mais de 10 anos, constatámos que estamos na mesma. Nem sequer envelhecemos. Estamos belos e elegantes como nunca... salvo, é claro, raríssimas excepções que só confirmam a regra!

Foi bom, foi muito bom, ver amigos de sempre, mas que nem sempre estão connosco, fisicamente é claro.

O mais incrível foi que, apesar do tempo que passou, nos pareceu que foi ontem a última vez que estivemos juntos...

Um grande bem-haja aos nossos amigos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Desvios VS Outras Escritas - O antes

Nós éramos assim...
Hoje à noite ficaremos a saber as diferenças...
To be continued... Tomorrow