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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Em trabalho...

... estou aqui.
No centro do país, entre reuniões e auditorias, a recompensa, ocasional, de ter vindo para a um hotel com vista para o mar...






domingo, 5 de abril de 2009

A Navegadora Solitária


Férias da Páscoa. Desesperam à espera que cheguem e entram em desespero ao fim de poucos dias.

Raquel e Joana, amigas desde sempre. As mãe amigas de infância, namoraram, casaram e foram mães ao mesmo tempo. As meninas, com 3 semanas de diferença de idades foram colocadas no mesmo infantário, na mesma escola e, agora, grandes amigas, tal como as mães, frequentam o mesmo liceu.
Desde pequenas que nas férias escolares ficam juntas, ora em casa de uma, ora em casa de outra. Quando eram mais miúdas dependia da disponibilidade de familiares ou empregadas para estarem com elas. Agora, já sem essa dependência, ficam onde lhes apetece.

Estão em casa de Raquel e começam a ser invadidas ´por um ataque de tédio', como diria a mãe de Raquel. Estão na sala em frente da televisão que está ligada no canal MTV. Por cima da televisão tem um quadro.
Joana pára o olhar no quadro, que sempre ali esteve. Um quadro como os demais espalhados pela casa a que ela nunca deu importância, mas que, não sabendo bem porquê:

'Raquel, de onde veio este quadro?'
'Que quadro, Jo?'
'Este aqui por cima da televisão.'
'Não sei, sempre esteve aí'
'É lindo, não achas?'-pergunta Joana, sem tirar os olhos do quadro, enquanto Raquel dança ao som da música.
'É'-responde encolhendo os ombros, como sinal de indiferença.
'Raquel, gostavas de viver no mar?'
'Viver no mar? Acho que não. Ia ser pior que estar agora aqui. Uma seca! Lá não há nada para fazer...só nadar.'
'Eu gostava. Gostava de viver num barco. Gostava de atravessar o Atlântico de barco... gostava de dar a volta ao mundo de barco... gostava de trabalhar num barco...'
'Que seca! E ias sozinha atravessar o Atlântico?! Já viste os dias que ias demorar? Aliás, meses?'
'Pois, mas ia ser bom. Claro que ia ter saudades da minha família, dos meus amigos, mas já imaginaste não teres de cumprir regras, não teres de dar satisfações a ninguém.'
'Pois, se ainda fosses com mais alguém, podia ser bom. Agora não ter com quem falar...'-argumentou Raquel.
´Pois tagarela como tu és, ao fim de duas horas voltavas para trás. Também me podia alistar na Marinha. Podia dar mais que uma volta ao mundo, conhecer muitas pessoas, muitos povos, muitas cidades, e ....'

'Joana Martins, a navegadora solitária, chegou ao continente americano'

Com esta frase a cintilar na sua mente e a dica de Raquel, levantou-se e caminhou em direcção ao quarto de Raquel.
Raquel deixou-se ficar a ver o programa.
No final do programa, Raquel, vendo que Joana não regressava à sala, foi à sua procura. Encontrou-a sentada em frente ao computador.
'Que fazes, Joana?'-perguntou admirada com o seu silêncio.
'Estou a ver como me alistar na marinha. Quero dar a volta ao mudo, quero viver no mar, para o mar e com o mar.'
'Tens a certeza? Olhas para um quadro e decides assim o teu futuro?'
'Tenho a certeza absoluta. Podes ter também isto como certo: Eu vou alistar-me na Marinha. O meu futuro passa pelo mar!'
'Se tu o dizes!'-respondeu Raquel.
'Digo e vou fazer'-respondeu.

Na sua mente agora só havia lugar para:
'Joana Martins, a navegadora solitária, chegou ao continente americano'


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Clínica com Vista Sobre o Mar

Nestes últimos dias, a rotina tem sido quebrada... por boas e menos boas razões... Na quinta feira fui ao Porto... por uma razão menos boa: o L. tem de fazer consultas períodicas de oftalmologia, mas... foi bom! Foi bom porque o oftalmologista disse que a situação dele estava mais ou menos estável, o que no caso dele é uma BOA NOTÍCIA! Estava um dia frio, mas com um sol muito agradável e ainda por cima a clínica fica na esquina da Av. Brasil com a Av. Montevideu, ou seja, em plena Rotunda do Castelo do Queijo. A Clínica fica num edifício antigo, completamente restaurado e adaptado às necessidade e limitações de quem a frequenta. Está linda a decoração, minimalista, mas linda... a decoração não tem mais de 3, 4 cores: chão de mármore branco raiado, paredes forradas a vidro, portas em vengué bem escuras e sofás de pele azul escuro... De qualquer janela que espreitemos vemos sempre o mar ou o rio... durante a espera aproveito sempre para me deliciar a olhar para o mar de uma dessas janelas e enquanto olho, penso, penso e todos os meus pensamentos ficam tão mais leves e fáceis de resolver! Tivera eu uma janela assim e tudo seria tão mais fácil! Ironia das ironias, é que, tratando-se de uma clinica oftalmológica, a maioria das pessoas que a frequentam não tem oportunidade de desfrutar deste privilégio. O L., por exemplo, depois de tirar a lente de contacto e colocar as gotas de dilatação da ´iris... já não consegue ver nada e como ele a maioria das pessoas... só os acompanhantes...


... quantas pessoas terão o privilégio de trabalhar num sitio com esta vista... ou até mesmo viver?