E se o dia de ontem, com a notícia arrasadora que recebemos, o de hoje ainda pior foi. Foi o confirmar de que era verdade. Inconscientemente e sabe-se lá o que nos leva a ter esta espécie de esperança, ainda achava que hoje ia acordar e tudo não passara de um pesadelo.
Mas não, hoje foi a concretização de que não era pesadelo e a noite foi passada às voltas na cama, a acordar mais cansada do que quando me deitei.
Mau, muito mau!
Para bem de todos, conseguiram que o funeral fosse ainda hoje. Havia o risco de não se fazer e seria uma noite em claro e de muito (mais) sofrimento.
E de um cenário do qual não vale a pena falar aqui. Todos conseguirão imaginar o que ia na alma e no coração das centenas de pessoas que mudas e quedas se limitavam a comunicar com o olhar marejado de lágrimas.
Para alimentar ainda mais a revolta,a tristeza e demais sentimentos que nestas alturas só nos levam à dor, da boca do padre, em vez de palavras de conforto saíram palavras revoltantes, que fosse eu familiar da criança, mandá-lo-ia calar naquele preciso instante.
Das muitas barbaridades que saíram da sua boca, a mais lamentável foi: 'Estão todos aqui a chorar a morte destas criança. Tantas crianças morrem todos os dias e ninguém as chora!'
Sim, o padre disse isto, num tom de voz irritado e quase aos berros, como se estivessemos ali a cometer um grande pecado!
Houve quem neste momento abandonasse a igreja... não era caso para menos!