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quarta-feira, 28 de março de 2012

Estes Cachorros precisam de um lar... urgentemente!

Estes cachorrinhos precisam de um lar. Caso contrário serão entregues no canil e o risco de abate é grande!
Quem estiver interessado, deixe mensagem aqui no blogue...





A história deles:

Há uns dias apareceu em casa de uma amiga uma cadela. Para além de ser só 'pêlo e osso', tinha uma para lesionada.
A minha amiga, pegou na cadela e levou-a ao veterinário. A pata teve que levar uma tala e a foi preciso medicar a cadela para a infecção e as dores.
A primeira noite da cadela foi terrível. Por aconselhamento do veterinário, a minha amiga prendeu-a para que ela não fugisse. Provavelmente porque não estava habituada a estar presa, chorou durante, quase, toda a noite. Quase, porque de manhã a cadela tinha desaparecido! Alguém tinha cortado a trela e a cadela fugiu!

E agora? Era preciso medicar a cadela! Ela teria dores! Provavelmente tinha ido atrás dos filhotes. O veterináriuo havia dito que ela tinha leite e teria sido mãe há muito pouco tempo!

Ao fim de dois dias, e de quase bater a todas as portas das redondezas, a cadela foi encontrada. Ela tinha tido realmente SETE cachorros numa casa das redondezas e tinha ido ter com eles!

Optaram por a deixar ficar lá. Todos os dias a minha amiga vai medicar a cadela e... agora tem em mãos o destino dos cachorros!

A cadela ficará com ela. Quanto aos cachorros terão que ser entregues no canil nos próximos dias. Não há logistica para tantos. A minha amiga já alimenta dois cachorros que vivem na rua dela!






domingo, 7 de novembro de 2010

Trinta anos perdido

Ontem no cabeleireiro a empregada queixava-se que a casa dela teria buracos, pois perdeu a aliança de casamento e não há meio de  encontrar.
E como sobre objectos perdidos todos  todos temos uma história nossa, ou dos outros, para contar, das muitas que ouvi naqueles minutos, esta foi das mais lindas. 

Há mais de trinta anos, a empregada interna de uma casa de médicos em Braga, é pedida em casamento pelo rapaz  com quem namorisca há já uns tempos. O rapaz, para oficializar o pedido oferece-lhe um anel de ouro. 
Dias depois a rapariga perde o anel. Procura-o, queixa-se à patroa, mas nada.
Foi um desgosto grande, a perda do anel. Muito valor sentimental a sobrepor-se ao monetário.

Casam, vão viver para uma casa a alguns metros da dos patrões da rapariga, para quem ela continua a trabalhar.
Do anel, que poucos viram, só a patroa para além dos noivos; fala-se m família nas datas que assinalam os aniversários do casamento do casal... ou quando algu´em se lamenta sobre a perda de algo.

Passam três décadas. Da casa dos patrões, resta a patroa, que decide fazer obras na casa para receber a neta,  que entretanto casou e vai irá viver para lá. 

Um dia batem à porta da ex empregada. Era a patroa. Na mão traz uma caixinha de ourivesaria, que entrega à empregada. Era o anel. Um dos trabalhadores das obras encontrara-o. A patroa logo o reconheceu e tratou de o devolver à dona.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Histórias Minhas (VIII)

Paula

Há dias, enquanto via fotos antigas, resolvi digitalizar algumas.
Umas publiquei no FB, a titulo de recordar coisas boas de tempos guardados no fundo do baú da memória.Outras, como esta digitalizei e guardei. Esta é a Paula, uma das gémeas, minha companheira de infância, que já lembrei aqui.
Tudo na sua vida foi muito efémero: casou aos 17 anos, foi Mãe aos 20 de uma filha que a deixou quatro meses depois de nascer.A maternidade também lhe trouxe o início da sua própria viagem de partida. A diabetes, doença com que nasceu, depois da gravidez acelerou de tal modo que lhe afectou os rins e a levou à cegueira.

Na próxima semana seria o dia do seu aniversário, que não passou do 23º.A' meia' história...
A mãe tinha-lhe feito um ultimato. Ou arrumava as coisas do quarto dela, ou da próxima vez que lá voltasse já tudo tinha desaparecido!
Conhecendo a mãe como conhece, sabia que ela não ficaria pelas palavras, pelo que o melhor, era mesmo ir lá a casa tratar do quarto.
Era o seu quarto desde que nascera. Estava lá tudo: a primeira boneca, o primeiro livro, o primeiro vestido, o primeiro tudo dela... até porque também era o primeiro quarto!
A roupa já estava separada. Era pouca, só mesmo aquela que já não lhe servia e... o vestido da comunhão, o traje académico... aquelas coisas que só se usam uma vez, mas que se guardam como que a perpetuar o dia, o momento...
Tinha também, ainda, as batas da escola e a pasta! Uma pasta vermelha, debruada a preto com uns bonecos verde que já não dava para perceber o que eram: se sapos, se tartarugas...
Abriu a pasta. Dentro tinha uma quantidade de coisa soltas... de quando ela brincava às escolinhas com as gémeas. Tinha ganho uma pasta nova na segunda classe e esta ficara para 'brincar'.
Começou a tirar as coisas uma a uma: um caderno de 'duas linhas', daqueles que se usavam para acertar a caligrafia. Estava meio escrito, com caligrafias diferentes, seriam dela e das gémeas. Sim, algumas partes estava bem piores que as outras, tinham sido escritas pela Paula. A Paula tinha uma caligrafia muito má. Lembrava-se agora, que a professora ralhava com ela!
A Paula! A Paula já partiu há muito, muito cedo. Tudo na sua vida foi feito cedo, viveu a vida a correr, como se soubesse que tinha menos tempo que os outros! Nasceu gémea da Isabel, a Bela, como todos lhe chamavam. Eram gémeas 'falsas'. Tão falsas que a Paula nasceu diabética e a Bela não. A Paula dizia-se a mais velha das duas, tinha nascido primeiro, doze minutos antes.
As gémeas, como todos os gémeos eram muito unidas. O que uma fazia, normalmente a Paula, a outra também queria, e fazia.
A Paula quis casar ainda elas não tinham completado 18 anos. Casou num lindo dia de Abril. A Bela foi atrás, casou em Setembro do mesmo ano a dias de fazer os dezoito anos. Aqui foi mais rápida e teve o seu primeiro filho em Abril do ano seguinte. A Paula, desta vez a ser ela a seguidora, engravidou mais tarde, contra todos os conselhos médicos. Correu mal, a gravidez, devido à diabetes foi de risco, de alto risco. A menina nasceu ao fim de sete meses e não sobreviveu. Para a Paula quase que também era o fim, devido À diabetes. Foi o principio. A doença tirou-lhe a visou, parou-lhe os rins e aos 23 anos o coração!

Tentou apagar do pensamento as gémea, pousou o caderno em cima da cama e continuou a tirar coisas de lá de dentro...a caixa de madeira dos lápis, feita pelo avô Reis! Foi feita numa tarde de verão em que ela ficou sozinha com o avô, enquanto a Mãe e a Avó foram à Ribeira d'Abade comprar Sável... no tempo em que se pescava sável no rio Douro...
Era linda, a caixinha, ainda que riscada, lascada e bem mais escura do que quando era nova!
Pousou a caixa em cima do caderninho e continuou. Papéis soltos. Desenhos, ditados, cópias...tudo das brincadeiras com as gémeas... e folhas de revistas, da Nova Gente, da Crónica Feminina, folhetos, enfim, tudo que desse para ler, ia parar aos seus domínios... já naquela altura era assim.
Começou a ver os papéis um a um. Engraçadas as folhas da crónica. Pequeninas, nem A5 eram! E as letras, eram castanhas em papel que não era branco... e pequenas as letras!
As da Nova Gente, essas eram como agora, só não eram todas a cores, só algumas. Por isso, desviou a atenção para uma folha, a cores. Era uma reportagem do Carnaval de Veneza. Tinha uma fotografia de duas pessoas fantasiadas, com umas máscaras brancas e uns turbantes em tons de azul. Lembrou-se, então do dia em que viu aquela foto pela primeira vez. Foi também quando ficou a saber que o Carnaval não era igual em todo o lado e que havia uma cidade em Itália, muito longe, chamada Veneza, onde as pessoas no Carnaval se vestiam, aliás fantasiavam, daquela maneira.
Enquanto a mãe lhe explicava que Veneza era uma cidade muito singular porque era atravessada por canais e se 'andava de barco' em vez de carro, no seu pensamento ia criando a, fantasia também, de que no ano seguinte se ia fantasiar assim e que quando fosse grande havia de ir a Veneza, no Carnaval.
Os planos foram feitas a três, ela e as gémeas. A D. Rosa, a mãe da gémeas que era modista, fazia os fatos. A Mãe que sabia bordar, fazia aqueles bordados e os turbantes e o pai ou o avô as máscaras.
A folha foi guardada religiosamente na pasta, que entretanto foi arrumada... passaram de classe, ganharam pastas novas e a das brincadeiras passou a ser outra. Aquela foi guardada tal qual estava em Junho desse ano. Com ela os planos do Carnaval do ano seguinte...
De tal coisa nenhuma das três se lembrou mais, o normal quando se tem sete anos: o sonho ou vai com o momento ou fica para sempre... este foi-se com o momento!


História escrita para a Fábrica de Histórias.

Nota: Quando comecei a escrever esta história não sabia bem onde ia acabar. Acabou numa história meio verdadeira, infelizmente. A Paula realmente existiu, e tudo que está aqui sobre ela é verdade. A pasta também existiu, a caixa também e... as folhas dentro da pasta também foram encontradas. Não me lembro de ter encontrado nenhuma foto do Carnaval, mas lembro-me de termos tentado convencer as nossas mães a fazerem-nos uns vestidos iguais a uma bonecas 'dama antiga' para o Carnaval.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Terra tremeu...

Esta noite a terra tremeu em Portugal, dizem as notícias. Sim, porque eu cá não senti nada, na altura. Senti sim de manhã quando acordei, um calafrio, só de pensar que numa situação mais complicada (de maior intensidade), continuarei a dormir e, como às vezes se ouve: 'acordar morta'!
Ainda não percebi se o tremor foi sentido em todo o país ou só na capital. Também se as coisas boas se passam lá, que fiquem com algumas más!

Lembrei-me então de um tremor de terra que houve quando eu era criança.
Passava uns dias em casa dos meus avós e a terra tremeu no Porto. O meu avô com a calma que lhe era característica, me embrulhou, cuidadosamente num cobertor e, tal como ditam as regras, veio comigo ao colo para o quintal. Os meus pais, que do alto do terceiro andar onde morávamos sentira, esses vieram depois de se aperceberem do que se estava a passar resolveram também ir para a rua. A minha Mãe, atrapalhadinha como sempre, veio descalça. Era Fevereiro. E lembro-me porque o meu Pai, e esta é a parte caricata da história, foi para trás para pegar uns chinelos para a minha Mãe!
Claro que foi tudo tão rápido, que ele já não voltou para a rua. Entre descer 56 degraus, subir e voltar a descer, a terra parou de tremer...

Escusado será dizer que no dia seguinte de manhã, a primeira coisa que foi feita foi 'resgatarem-me' de casa dos meus avós! Para berreiro meu!

Este episódio é contado muitas vezes lá em casa.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Casamento


Um dia lembrou-se que não queria trabalhar mais naquele sítio. Concorreu para o ensino, foi colocada e despediu-se do emprego na multinacional.
Continuou a frequentar a casa dos amigos que fez e um dia, no casamento de um outro, apareceu com o namorado.
Até hoje não lhe conheço a voz, nem a cor dos olhos. Não falava e andava sempre a olhar para o chão, como se algo procurasse...
Nesse mesmo dia, num dia de Junho, trazia-nos convites de casamento, para o dela, aliás, o deles.
Tinham-se conhecido na passagem de ano, marcado o casamento quinze dias depois e a data marcada era Setembro.
Passou Junho, Julho. Falamos em Agosto. Tudo pronto. A quinta marcada, a decoração da igreja decidida, ao vestido faltava a última prova... seria na semana anterior ao casamento.
Nos primeiros dias de Setembro toca o telefone. A voz não era a de quem estava a quinze dias de casar, a de quem andava entusiasmada com os últimos preparativos, nem a de quem estava ansiosa por ver o vestido de noiva pronto.

Pois não, porque o telefonema era para dizer que já não ia haver casamento. Que tinham falado e resolvido não casar. Tinham pensado, ponderado e tinham decidido que não era a melhor altura para casar. Que em vez de estarem felizes, estavam deprimidos, que o Paulo, o noivo, tinha tido uma recaída! Recaída? Sim, o Paulo era propenso a depressões e já tinha tido 'algumas', disse ela. Não estava a aguentar a pressão do casamento e estava mal! Do lado de cá, ficou-se sem saber o que dizer. Ficamos por um: 'E tu estás bem? ‘. A resposta foi um 'Sim' de quem não quer deixar os amigos preocupados.

Desligamos, olhamos uns para os outros. Por coincidência, ou não, estávamos um grupo de amigos, que naquele dia resolveram ir até Ílhavo visitar o museu da Vista Alegre. A notícia pouco ou nada surpreendeu. Sentiu-se como que um respirar colectivo de alívio.
Não admirou. Não admirou a reacção, não admirou que acabasse antes de começar.
Um de nós, mais corajoso, disse: 'Ainda bem!'. Os outros acenaram com a cabeça, em concordância. 'Ainda bem que foi antes!', disse ainda um outro. Mais um acenar colectivo...

Em Novembro houve magusto em casa do Nossamigo. Foi convidada. Apareceu acompanhada. 'Este é o Gabriel', apresentou-o assim. Estavam de mão dada. Novo namorado. Tinha esquecido o Paulo. Ainda bem, mais uma vez. É que o Paulo era uma pessoa realmente pouco sociável e o casamento nunca iria resultar. O mais parecido com aquele homem, que um dia num casamento, onde o conhecemos, fugiu para o cemitério e andou a fotografar campas, eram o Olharapos da Expo 98, lembram-se?

O Gabriel não era assim. era simpático, extrovertido e alinhou nas maluqueiras d grupo. Gostamos dele, aprovamos, ficamos felizes por ela.

Passaram-se dois, três anos e há umas semanas novo telefonema. 'Vou casar', disse ela. Senti algum cepticismo, confesso. Adiei a máximo a compra da roupa, mesmo sabendo que foi uma decisão tomada com mais tempo, que o Gabriel não tinha nada a ver com o Paulo e que por isso a probabilidade de se repetir o 'não casamento' era pequena.
Comprei a roupa na semana passada. Ontem a gravata para o L.. Sim porque para os homens basta a gravata para marcar a diferença! E o casamento é amanhã e desta vez vai haver casamento. Melhor dizendo, nada em contrário ainda foi dito!
Por isso amanhã há casamento.



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Hoje, assim de repente...


Hoje, assim de repente, AGORA, deu-me uma vontade, ENORME, de comer uma BOLA de BERLIM!

Não, não é por isso! Tenho a certeza. É só mesmo vontade. A mesma vontade que tinha em miúda de comer BOLAS de BERLIM sempre que passava em frente à Confeitaria Pekim.
Passasse eu 20 vezes em frente à montra e das 20 vezes pedia uma BOLA de BERLIM!
A minha Mãe, claro, dava-ma da primeira vez e só algumas vezes! Lembro-me que em frente havia um sapateiro, o Sr Fonseca. A esposa, a Fatinha, que era quem atendia os clientes, achava-me imensa graça e, de vez em quando, era ela quem me dava a BOLA de BERLIM. Muitas vezes a minha Mãe ficava zangada, pois sentia-se desautorizada.

Parece que estou a ver a montra da confeitaria com o tabuleiro das bolas, na prateleira de baixo, mesmo ao meu nível, alinhadinhas a 'olharem' para mim como que dizendo 'Comam-nos, somos deliciosa!'

Não me lembro como passou a mania. Já não sei se foi depois do sarampo, altura em que fui sujeita a um regime alimentar muito rigoroso ou se enjoei mesmo. O que sei é que, tirando as vezes em que as como nos sortidos de miniaturas, NÃO me lembro de ter comido mais uma BOLA de BERLIM!

sábado, 18 de julho de 2009

A este post nem vou atribuir um título e mesmo classificá-lo vai ser difícil... talvez 'joke' ou 'Sociedade'. Logo se verá.

Hoje ao fim da manhã, passavam cinco minutos do meio dia, cheguei à cidade e estacionei num sítio de parcómetros.
Como ainda faltavam cinquenta minutos para a uma, dirigi-me à máquina dos recibos, onde estavam dois polícias municipais. Não, não estavam a tomar conta da máquina, estavam mesmo à sombra.
Quando eu ia a colocar as moedas, um dos polícias entre dentes diz-me: 'Não meta as moedas. Falta pouco para a uma.'
Como com essas coisas sou muito azarada, disse-lhe:'Mas ainda faltam 50 minutos. Não vou ter o papel na parte de fora quando chegar?!'
Enquanto dizia isto olhava para o segundo polícia que, também entre dentes dizia:'Fica ao seu critério. Eu não sei de nada.'
O primeiro polícia:'Ó pá, falta pouco. Nó daqui pouco vamos embora e não vem mais ninguém!'
Eu perante tal 'ambiguidade' de opinião, disse:
'Eu vou pagar... é mais café, menos café...' E enquanto isto, de uma poucas de moedas que tinha na mão, peguei numa de 50 centímos e meti.
Mais uma vez o primeiro polícia aproxima-se da máquina e pergunta-me:'Quanto meteu?'
'50 centímos', respondi.
Enquanto carregava na tecla vermelha ( para anular o pagamento), diz: 'É muito, mostre lá as moedas que tem aí...'
Mostrei, pegou numa de 10 centímos, meteu-a na máquina, premiu a tecla verde e disse:'Pronto, já chega!'
'Mas é só até às 12h25! Eu não sei se vou demorar mais!'
'Pode demorar o fim-de-semana todo, até segunda às 9hoo', respondeu, enquanto o outro só sorria.
Eu, a entrar no jogo, peguei no talão e disse: 'Pronto, não me podem acusar de não ter pago!'
Afastei-me, enquanto o segundo polícia acenava com a cabeça, como dizendo:'Está bem'

Classifico onde?

Joke, mesmo sendo real

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Olá Amiga...Até já Amiga!

Há um ano, enquanto decorria uma campanha de angariação de fundos para ajuda de organizações de investigação e tratamento de doentes com cancro, escrevi um post, ainda num outro blogue sobre uma amiga minha que morreu de cancro.
Como andei a transferir para este blogue os posts do outro, que era privado, deixo aqui o link do post. Está aqui
Um grande beijo, Carla

sexta-feira, 10 de abril de 2009

10 de Abril, relato de um nascimento

Há já alguns anos, este dia foi Domingo de Páscoa e, numa freguesia do Porto, em Campanhã, nasceu a primeira e única filha de um jovem casal.
O parto não estava previsto para essa data, só para a semana seguinte.
Naquele tempo também não havia ecografia. É que já foi mesmo há muito tempo! Nada se sabia sobre o bebé, que poderia ser 'bebés', tal era o tamanho da barriga. Rapaz ou rapariga? Também não se sabia. Só que havia numa terrina, em casa da jovem mamã, duas notas de 50$00, fruto de uma aposta entre o avô materno, que dizia ser rapariga e o marido de uma prima, que , tal como o resto da família, dizia ser rapaz.

Bem, não era só bem o avô materno, o Avô Reis, quem queria uma menina, a Avó Rosa, a mãe do Pai, também queria uma menina. A sua paixão por meninas, levou-a a tentar uma gravidez aos 45 anos atrás da menina. E teve-a, e foi a menina dos seus olhos.
A jovem Mãe, começou com as dores de parto no fim da missa, à saída da capela, onde no Domingo anterior tinha caído escadas abaixo e parado só nos braços de um amigo do Avô, que ao aperceber-se da queda, correu para o fundo dos mais de 30 degraus de pedra para a amparar. Sim, foi milagre, nada ter acontecido naquele Domingo!

As dores começaram no Domingo de Páscoa, no final da missa. Foram para casa. As mulheres prepararam o almoço. A jovem Mãe sempre que tinha dores ia até ao quarto de costura, fincava os rins na mesa da máquina de costura, fazia força, as dores passavam e ela voltava para a cozinha. Esteve nisto até depois de almoço. A meio da tarde, não pode mais. Procuraram uma parteira. Não havia. O bebé era grande. Que fazer? O melhor que arranjaram foi uma ajudante de parteira. O Pai foi para o Paz e Sossego, o grupo recreativo da freguesia, ver televisão. O Avô foi para o fundo do quintal fumar o seu cigarrito de mortalha.
Ficaram mãe e filha. As dores começavam a ser maiores. A ajudante de parteira apareceu. Três mulheres e um bebé... ou dois.
A jovem não sabia como era. Ninguém a ensinou. Estava a seguir as instruções da mulher. Mas também aprender com quem? É uma coisa natural, faz parte da natureza da mulher. Não tem que aprender... Era assim naquele tempo. É que já foi há muito tempo, o suficiente para muitas coisas mudarem.
Oito horas da noite, mais coisa menos coisa, nasceu o bebé. Passou um avião. Chove torrencial mente. Chamam o Quim, o rapaz que vivia em casa dos avós.
Mandam o Quim ir chamar o Pai ao Grupo. Mandam vir o Avô do fundo do quintal.
A Avó pega no bebé. A Mãe respira de alívio. Não, não pode ainda. A placenta? Não saiu! E agora? Não pode ficar lá!
Mais esforço. Mais força. Mais espera. O Pai chega. Olha para o bebé. A Mãe com as poucas forças que ainda tem, diz: 'Olha o bebé!' 'É uma rapariga...' Responde Pai, pouco animado.
MAs a placenta não saiu! E agora? Chamar a ambulância? Tentar de novo? Mais uma tentativa. Saiu!
Que bom! Está tudo acabado. Não! Não há roupa para o bebé. Ninguém contava que nascesse neste dia, só a 22 ou 23 de Abril...
O Pai vai buscar o saco que ficou, pronto, em cima da cama do bebé.
A Avó embrulha a bebé num lençol branco e embrulha-a num cobertor. Não pára de chover. Chama a Avó Rosa, que vive na rua ao lado. Vem a tia Alice, a menina da avó. 'Que linda menina. É parecida com o Pai, mais com a tia Alice. É morena, tem cabelo preto e é gorducha. Pesam-na na balança da cozinha. O Avô, dono de uma paciência única faz isso. 4,200 kg.
O Pai começa a encantar-se com a bebé. Nome? Depois escolhemos, diz ele. A Avó Bina não a larga. A Mãe está cansada, exausta.
'Ó Tio, de onde veio o bebé?'-pergunta o puto Quim.
'Veio naquele avião que passou quando eu te disse para ires chamar o Victor'-respondeu o Avô.
'Mas eu não o vi aterrar aqui...'
'Pois estavas distraído'-respondeu o Avô com um sorriso maroto.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Histórias

A conselho do Alberto, do Outras Escritas, resolvi colocar uma janela com os links para as histórias que tenho vindo a escrever. Umas foram subordinadas aos temas propostos pela Fábrica de Histórias, outras porque sim, porque quis escrevê-las.
Ainda não estão todas, pois, e só agora me apercebi, já são muitas... só da Fábrica são mais de 20!

quinta-feira, 19 de março de 2009

O Pai Mãe

Teria eu uns quatro, cinco anos, quando conheci um menino que jamais esquecerei.
Era um menino da minha idade, moreno gorducho e muito caladinho. Ele ensinou-me que as mães não eram imortais. Ele não tinha Mãe! Ele ao quatro anos não tinha mãe.

Quando o conheci tinha acabado de sair da minha concha. A minha Mãe tinha retornado à sua vida profissional e eu tive de ir para a ‘mestra’. Mestra era o termo dado ao que agora chamamos de ATL. Nessa altura as escolhas eram poucas. Ou ia para lá ou ia para a Lúmen, o único colégio das redondezas na altura.
Ao contrário do colégio, que era frequentado por crianças de uma determinada elite, a ‘Mestra’ tinha de tudo. E ainda bem, e ainda bem que fui para lá. Assim cedo pude ser confrontada com outras realidades, que em muitas linhas contribuíram na formação da minha personalidade!

O menino, era o pai quem o levava lá todos os dias, um homem estranho, como eu nunca tinha visto, e mesmo todos estes anos depois, não tenho imagem de ter visto outro que se lhe assemelhasse. Usava umas botas sem cordões e as calças seguras por um cinto muito velho! Era muito moreno caminhava curvado e flectia muito os joelhos! Nos dias de chuva, levava o guarda-chuva pendurado na parte de trás da gola da camisola. Por muito frio que estivesse, nunca usava casaco, mas sim muitas camisolas, umas por cima das outras! Um homem rude, mas que não descurava as suas obrigações de Pai e Mãe, só que da forma que ele sabia.
O menino, esse também não tinha casacos, só camisolas, muitas à segunda feira e poucas à sexta.
Ouvi mais tarde a D. Guilhermina, a Mestra, comentar com a minha Mãe, que o pai dava-lhe banho ao Domingo, vestia-lhe as camisolas lavadas e todos os dias lhe tirava a de cima, a sua!


Agora à distância, apercebo-me que era um menino triste e que se mantinha e os outros o mantinham, um pouco à parte. Na altura, eu só o achava calado e pensava, que ele é quem não queria brincar. Para mim era mais um menino como os outros. Claro que não foi preciso muito tempo para perceber que não somos todos iguais aos olhos de algumas pessoas. E no caso das crianças é ainda mais flagrante, pois basta haver um líder a fazer campanha contra alguém para esse ‘alguém’ ser marginalizado.

Na mestra havia mesas de madeira com bancos corridos, onde nos sentávamos para estudar, brincar e lanchar, conforme as idades e os horários. Normalmente, enquanto lanchávamos, sentávamos-nos nesses bancos de costas para a mesa a ver as outras crianças a brincarem.
Gostei do menino. Já nessa altura sentia-me atraída por pessoas diferentes, mesmo sem saber que as havia!
Um dia, à hora do lanche, estávamos nós os dois sentados num banco, perguntei-lho o nome da Mãe dele. Respondeu-me que não tinha Mãe. Que a Mãe dele tinha ido para o Céu.
Respondi-lhe que não era possível, toda a gente tinha mãe… até os adultos!
Ele disse-me que não era assim, que ele não tinha Mãe, que a dele tinha ido para o Céu e ele tinha ficado sozinho com o pai.

Calei-me e comecei a olhar para ele de uma forma diferente, como que à procura de das diferenças. Mentiria ele?! Como era possível não ter mãe? Toda a gente tem mãe… as mães não morrem, pensava eu! Até o meu pai e a minha Mãe tinham mãe!

Não me lembro de mais nada da conversa desse dia, só de, pela primeira vez na vida, ter a sensação de perda, que poderia perder a minha Mãe!

A tarde custou mais a passar, tal era a ânsia de ver a minha Mãe. Lembro-me de quando a vi, ter tido medo. Medo de a perder… pela primeira vez!

domingo, 15 de março de 2009

A Chávena Mil Flores

Quando eu tinha nove meses, mudamo-nos para um apartamento.
Era num prédio de 3 andares e ficava no centro da vila. Era o prédio mais alto da vila!
A casa onde morávamos, e para onde os meus pais haviam ido morar quando casaram, ficava afastada do centro, numa zona pouco povoada e com poucos transportes públicos.

Apesar de tudo, foi com alguma relutância que a minha Mãe se mudou.. Sempre vivera em casas com jardim e quintal e para ela era ir viver para uma gaiola!
Fomos viver para o terceiro andar. Eram 56 degraus que os meus pais todos os dias tinham que descer e subir comigo ao colo. Mais tarde a tarefa tornou-se ainda mais morosa, pois comecei a andar e a querer descer e subir as escadas por meu pé!

Três andares e seis habitações, todas habitadas por famílias jovens com crianças, excepto o apartamento em frente ao nosso.
Para o apartamento em frente ao nosso tinha ido morar uma velhota, de quem  nunca se soube o nome e que não falava com ninguém!
Dizer que ela não falava com ninguém é como quem diz. Falava com a minha Mãe por minha causa. Adorava-me!
Diz a minha Mãe, que ela se fartava de brincar comigo e inexplicavelmente eu era uma simpatia para com ela! 

Isto não seria nada de especial se eu fosse uma daquelas crianças simpáticas, que se riem para todos e com todos! Mas não! Das pessoas conhecidas e amigas, eu só dava beijos a duas e colo, nem pensar!
Muitas vezes quando a minha Mãe vinha das compras comigo ao colo e carregada com as sacas, quem queria ajudar, bem que tinha que carregar com as compras, pois eu sair do colo da minha Mãe, significava berreiro profundo!

Da velhota pouco ou nada se sabia. Nunca ninguém a visitou no tempo em que ela lá morou e pouco saia de casa. Só para ir às compras, e isto quando não era o empregado da mercearia que lá ia buscar a lista e mais tarde levar as compras.
A partir de uma certa altura, a velhota começou a dizer à minha Mãe que um dia eu ia passar uma tarde com ela. A minha Mãe dizia que sim, convicta de que eu nunca iria, pois mal deixasse de a ver  armaria tal berreiro que a velhota teria de me levar de volta!

Esse dia chegou. A Velhota tocou à campainha e perguntou  se eu podia ir passar a tarde com ela. A minha Mãe disse que sim. Ela levou-me e, inexplicavelmente, eu fui e estive a tarde toda com ela e nem uma só vez perguntei pela minha Mãe!
A minha Mãe muitas vezes fica boquiaberta, quando eu lhe digo que me lembro de certas coisas da minha infância, pois são de fases em que eu sou mesmo muito nova.

Mas nem da Velhota nem desse dia tenho memória.
O que é certo, é que eu passei a tarde com ela e quando ela tocou à campainha de minha casa, conta a minha Mãe, eu apresentava-me com um sorriso de orelha a orelha, o que era raro na minha pessoa, mesmo em ambiente familiar! A completar ainda trazia uma chávena, de porcelana chinesa, na altura rara e a que chamavam ‘mil flores’. Segurava-a com as duas mãos e quando cheguei junto da minha mãe, só disse: ‘Prenda linda, Mamã’

Um dia, o apartamento apareceu vazio, com escritos nas janelas. (Dantes, quando uma casa estava para alugar, o proprietário colava nos vidros papéis brancos. A esses papéis chamavam-se ‘escritos’ e todos sabiam que a casa estava para alugar.)
A Velhota tinha desaparecido e todos o seus haveres. Nunca mais ninguém a viu. Ainda hoje está por explicar o mistério da saída dos móveis. É que ninguém, mesmo ninguém, viu um único móvel sair do apartamento!
A minha Mãe, em tom de brincadeira, costuma dizer que, não fosse a chávena, teria dúvidas quanto à existência da Velhota.
Mas a chávena existiu e ainda existe. Está agora na minha casa, junto das muitas que eu tenho. Provavelmente vem daí a minha paixão por coisa antigas, principalmente chávenas!

domingo, 8 de março de 2009

Sou a Soraia

Quando Raquel e Cristina, naquele fim de manhã de segunda feira, saíram de casa rumo a Stuttgart, não imaginavam o que as esperava!
Amigas e colegas de trabalho, tinham sido destacadas pelo chefe para uma formação na Alemanha. Estavam felizes, até porque havia vários candidatos à dita formação e elas, por motivos que ainda desconheciam, haviam sido seleccionadas!
É evidente que se fosse pelo desempenho e competência era uma selecção merecida, mas nos tempos que correm e na selva em que vivemos, outros factores mais alto falam...
Fim de manhã de Segunda-feira, aeroporto Sá Carneiro, voo da Air France. Uma manhã de fim de Novembro, fria e chuvosa. Neve e temperaturas negativas as esperavam em Stuttgart, mas nada a que elas já não estivessem habituadas das muitas viagens feitas ao serviço da empresa. O que era mesmo novidade era o voo ser da Air France. O normal era voarem na Air Berlim ou na Lufthansa, mas por uma questão de meia dúzia de euros, a escolha tinha sido esta companhia.
O voo saiu com atraso do Porto. Havia neve em Paris e por isso não havia autorização para aterrar no Charles de Gaulle.
Foi o motivo da primeira preocupação das duas amigas, pois o tempo de espera para o voo para a Alemanhã, não era tanto quanto isso, para além de, sendo um aeroporto novo para elas, não saberem a distancia entre o local de desembarque e embarque.
O pior aconteceu, ou antes estava para acontecer, quando estavam a aterrar em Paris. Ouvem da voz do comandante: 'Os passageiros com destino a Stuttgart é favor saírem primeiro. O voo de ligação aguarda-os e está prestes a sair.'
Assim foi, elas e mais um grupo de pessoas, mal puderam, saíram do avião e em altas correrias pelo aeroporto fora, começaram a procurar a porta de embarque. No 'boarding' foram interceptadas pelos guardas que as obrigaram, a elas e aos outros, atirar botas, casacos, cintos, ligar computadores... enfim, demorar uma eternidade...o suficiente para chegarem à porta de embarque e encontrarem o funcionário da companhia de aviação a acabar de fechar a porta de acesso à manga!
Pediram para embarcar, mas a resposta foi: 'Madama il est fermé!'.

Começa aqui a grande aventura. Mandam-nas a elas e Às restantes pessoas para o balcão de reclamações da Air France, onde estava uma fila de mais de cem pessoas. Paris estava o caos. A pista estava coberta, assim como a cidade, estava coberta com um manto de neve, o que atrasava as chegadas e partidas, pois a pista tinha de ser limpa com bastante frequência...
Na fila conheceram uma rapariga que tinha vindo com elas do Porto e que também ia para Stuttgart. Chamava-se Elisabete, viva em Stuttgart e tinha vindo a Portugal ao funeral do pai. .
Dois homens, que também vinham no avião, estavam também a caminho de Stuttgart. Iam à Mercedes, comprar carros. Homens simples, não falavam mais nada para além do Português. Ao aperceberem-se de que s raparigas falavam Inglês e Cristina Francês, logo um disse para o outro: Ó Vieira, vamos atrás delas. Elas vão para o mesmo sítio e o que elas fizerem nós fazemos!'.
Quando foram atendidas, a funcionária do aeroporto limitou-se a dar a cada um dos cinco um voucher para uma noite num hotel , com jantar, pequeno-almoço e transporte de e para o aeroporto.
Os homens e a rapariga, que só tinham bagagem de mão, seguiram de imediato para o hotel. Disseram-lhes, então, que se dirigissem ao balcão de resgate de bagagem.
No balcão, a primeira resposta foi de que a bagagem tinha ido o avião para Stuttgart e tentaram passar-lhe para as mãos um kit de higiene pessoal.
As duas raparigas não acreditaram, pois a bagagem não tinha tido tempo de ser transferida...
A segunda resposta foi de que ia demorar muito tempo até que a bagagem fosse encontrada, pois andava a circular nos tapetes.
Mais um argumento que não serviu. 'Temos a noite toda para esperar! Afinal só temos voo amanhã de manhã!'
Contrariadas, as funcionárias lá deram início ao processo de resgate da bagagem, enquanto iam 'despacando' os outros passageiros com o kit de higiene. Ficaram as duas amigas e três Italianos...
Ao fim de duas horas a bagagem apareceu. Eram já quase onze horas da noite e a fome apertava. Entretanto foi preciso informar o hotel na Alemanha de que não iam naquele dia e o pior e tudo é que iam perder o início da formação...
O pior, ou antes, mais aventura estava para ir. Foram para o terminal dos autocarros do aeroporto. Todas as carrinhas que passavam, elas mandaram parar, e de todas ouviram a resposta de que aquele voucher não era para elas!Que se passava, então? A funcionária do aeroporto disse que fossem nas carrinhas?! Resolveram perguntar a m funcionário do aeroporto que aguardava um transporte. O voucher era para o autocarro do aeroporto, o autocarro que transporta os funcionários do aeroporto até a parque de estacionamento! O hotel era o Ibis e fiava entre o parque e o aeroporto. Assim foi. Entraram o mesmo autocarro que os funcionários do aeroporto. Ia cheio, quase tiveram que levar as malas no ar, tal era o aperto!
Para ajudar a paragem ficava a cerca de 50 metros da entrada do hotel e a temperatura já começava, se já não estava, negativa!
No hotel, depararam-se com a maior fila de check in que algumas vez imaginaram poder ver num hotel. Seguramente cinquenta pessoas à sua frente...

O desespero e o cansaço das duas amigas, já as começava a deixar irritadas e um pouco revoltadas. Sentiam-se enganadas e maltratadas. O embarque, a fila das reclamações, o resgate das malas, o transporte e agora o check in. Delas também começava a assaltar-lhes o receio de não terem quartos, tal era o tamanho da fila!
Quando chegou a vez delas, ainda havia quartos, para onde elas correram, mal se apanharam com as chaves na mão. O dia já ia longo, mas muito ainda as esperava. Começava por uma fila enorme de gente no restaurante, onde só viam frigoríficos, maquinas de café e mesas. Pois, tinham de escolher um prato, congelado, de cada um dos balcões, levar à caixa, onde tinha uma fila, entregar o voucher e aguardar que um funcionário descongelasse num micro-ondas!
No meio daquilo tudo, já era mal menor. Iam jantar, tomar um café e dormir!
Assim foi, jantaram e foram até à recepção, onde estavam os dois homens e a rapariga. Entretanto tinha-se juntado a eles uma segunda rapariga, de nome Soraia, que tinham conhecido na fila do check in. Soraia era a primeira vez que viajava e estava a caminho dos Estados Unidos para se encontrar com o namorado. Estava sem dinheiro, não tinha telemóvel e o cartão que a Air France lhe havia dado para telefonar havia sido danificado pelo telefone do hotel!
Sentaram-se, então os seis um bocado na recepção do hotel, enquanto Raquel e Cristina contavam as suas aventuras com a bagagem. Enquanto a conversa decorria, toca o telefone de um dos homens. Ele olha para o número e não o reconhecendo, entrega o telefone a Soraia, enquanto lhe diz: 'Deve ser para si'. Ele tinha disponibilizado o telemóvel à rapariga para que ela avisasse a família. Como ninguém havia atendido, ele achou que estavam a ligar de volta...
É quando se ouve: 'Eu sou a Soraia. Ah, pois não conhece nenhuma Soraia...' A rapariga entrega o telefone ao homem e diz:'Não é para mim...'. O homem atende , reconhece a voz e diz: 'Ó Manel, é para ti, é a tua esposa!'
O segundo homem, o Manel, fica vermelho, começa a tremer e diz:'Tu lixaste-me! O que lhe digo agora?'
'Atende lá o telefone.', diz o amigo.
O homem a medo pega no telefone e, com a voz a tremer, diz: 'Está. Ah és tu filha! A mão? Está a tomar banho? Está bem. Nós estamos em Paris. Perdemos o avião. Olha não digas nada à mãe deste telefonema. O Pai vai levar-te o carro. Levo-te um Mercedes Classe A, está bem?' Sim beijinhos'
O homem desliga o telefone, já com todos a rirem à gargalhada com o sucedido e a sua atrapalhação e ele só diz:
´Como vou explicar à minha mulher, que fui à Alemanha comprar um carro, que passai uma noite em Paris e que o telefonema de casa foi atendido por uma mulher?!
A gargalhada foi geral. O homem continuou:´ Ó Vieira, tens de me ajudar a explicar à minha mulher o que aconteceu!'
Todos pararam de rir. O assunto era sério! Afinal é uma história difícil de acreditar!


sábado, 17 de janeiro de 2009

Perfume de Mulher... Oscar de La Renta

Ao início da tarde enquanto arrumava alguns frascos de perfume, já vazios, lembrei-me de um perfume muito especial que ganhei. É um episódio que já não recordava há muito, mas que continua arrumadinho aqui no meu coração.
Foi em Abril, mês do meu aniversário. Num dia desse mês, eu e um grupo de colegas e amigos, decidimos ir, como o fazíamos tantas vezes, lanchar à baixa. Tudo normal, como era habitual! Num determinado momento, um deles, o meu grande amigo Alberto e um outro, o Jonas, com a desculpa de que iam levantar dinheiro afastaram-se do grupo, ficando acordado que nos voltávamos a juntar na paragem do autocarro.
Demoraram um pouquinho demais para quem ia levantar dinheiro, mas naquela época as caixas multibanco não eram tantas assim, para além de ficarem sem dinheiro muito facilmente, obrigando as pessoas a percorreram grandes distancias para encontrar outra. Só que naquele dia a demora foi outra.


Quando chegaram à paragem, traziam com eles um embrulho, um dos embrulhos mais bonitos que recebi, não pelo embrulho em si, que era de um papel branco com dourados, ornamentado com um laço também dourado; mas porque transformou aquele momento, longe de acontecer no meu pensamento, num momento mágico.
Cinco rapazes a discutirem com os olhos sobre quem iria entregar o presente. Depois da decisão tomada, num repente, o Alberto diz: 'Pegue lá Menina, a nossa prenda de aniversário'.
Fiquei sem palavras, abri e era um perfume, o melhor perfume que já recebi... um Oscar de La Renta!
Adorei! Aquele aroma tornou-se especial para mim! Foi das poucas vezes que alguém me consegui surpreender... normalmente consigo antever os acontecimentos, o que faz com que não viva assim tantos momentos de magia, mas também não sofra tantas desilusões!

Usei-o até à última gota. Guardei o frasco religiosamente. Depois disso nunca mais usei este perfume, preferi associá-lo sempre a algo de único... Perfumes: Sou dependente deles. Alguns do momento e do passado recente... não consigo ter só um!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Há Sempre Uma Luz Branca

Ao ler no Blogue da Laurinda sobre todos os acontecimentos da vida da família dela nos últimos dias e a forma positiva como ela encara a situação, aliás, como deve ser encarada; lembrei-me de uma cena que se passou comigo há um bom par de anos, aliás... de décadas:
A partir do 10º passei a frequentar uma escola secundária longe de casa. Eu morava em S. Mamede de Infesta e a escola, a Secundária do Infante D. Henrique fica zona da Boavista, Av. Cinco de Outubro.
Para ir para a escola tinha de apanhar um autocarro, o 86, que dava uma volta enorme... demorava cerca de uma hora a chegar à escola. Tinha sempre a alternativa de ir em dois, que usando o caminho mais curto, mesmo sendo dois, demoravam menos tempo... corria era o risco de ter de esperar muito tempo pela ligação e aí não compensava!
Mas pronto, naquela idade o tempo é mais barato e por isso era sem stresse que eu ia naquele autocarro, até porque encontrava os meus antigos colegas, que apesar de andarem em escolas diferentes, como o autocarro dava uma volta grande, passava por quase todas as escolas...
Um belo dia, íamos a passar em frente ao Hospital de S. João, em plana Circunvalação, hora de ponta e... uma senhora atravessa a Circunvalação a correr, tropeça e cai em plena faixa de rodagem a 10 metros do autocarro. Os carros tiveram tempo de a contornar, a senhora levantou-se e continuou, parando depois no passeio para se recompor do susto, claro está!
Era hora de ponta, o autocarro também ia cheio, e no autocarro em unissono ouviu-se um 'Ahh!'. Eu nesse dia ia com um amigo meu, o Patarata, e saiu-me a seguinte frase, bem alto: 'Que sorte!' Todos olharam para mim, como dizendo em unissono: 'Que sorte!???' O Patarata olhou para mim e perguntou exactamente isso: 'Que sorte?! Estás tola?'
'Não, não estou tola. Ela só caiu... já viste se era atropelada. À velocidade que os carros passam a esta hora estava num bolo!'
O Patarata, que era um rapaz muito divertido, começou a rir-se às gargalhadas e disse: 'Só tu!'
As pessoas do autocarro, que continuavam a olhar para mim, umas encolheram os ombros, como a dizer 'É tolinha', outras acenaram com a cabeça, como dizendo:'Vistas as coisas assim, até tens razão!'
Esta cena, a da senhora a cair em plena via rápida, o que não desejo a ninguém, e a das pessoas dentro do autocarro a olharem para mim, não hei-de esquecer, mas também me recordo dela com orgulho em mim, pois a minha reacção deu provas da forma positiva como vejo as coisas... como elas devem ser vistas: ' Na escuridão há sempre uma nesguinha de luz... às vezes temos de procurar bem, mas que há, há!

E a Laurinda está a ir por este caminho, está a seguir a luz branca... sim Senhora!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Uma Tigela com História

'Alberto, anda tirar a tigela do pão-de- do armário, se fazes o favor.' ou 'Ó Dete, vai buscar o escadote pequeno, para tirares a tigela do pão-de- do armário'
Era assim que começava a odisseia do pão-de-, com a Avó a pedir ao Avô ou à Mãe para tirarem a tigela lá do cimo da última prateleira do armário grande.
Do alto dos meus quatro, cinco anos, achava aquele armário enorme, e que nunca iria conseguir chegar lá ao cimo, ao tecto... onde só o Avô, que era grande, muito grande, maior que o Pai, chegava... e com a ajuda do banco da cozinha... e a Mãe, mas essa só com o 'escadote pequeno'!
Era uma tigela grande, alta e branca. A Avó quando estava a bater a massa, só a muito custo a segurava só com um braço... mas como já lhe tinha tinha tomado o jeito, a coisa corria bem!
A primeira coisa a fazer era lavar a tigela, secá-la muito bem e começar a prepara os ingredientes: Farinha, da especial, comprada no padeiro; os ovos das galinhas do capoeiro; açúcar, do branco... a Avó ainda usava no dia a dia açúcar amarelo, dizia que era mais saboroso!
Começava por separar as gemas das claras: as gemas iam para a tigela e as claras para uma outra, uma qualquer, sem ´patente'... Sentava-se num banquinho da cozinha, com a tigela no colo, segura com um dos braços a a mexer freneticamente as gemas com a açúcar até ficarem cremosas. Era tarefa para... muito tempo, sei lá eu... aos quatro anos tudo que os adultos fazem dura uma eternidade!
Eu, sentava-me ao lado dela a seguir com o olhar o movimento da colher, enquanto a Avó me contava uma história... a Avó era uma boa contadora de histórias... contava histórias lindas, daquelas que não vêm nos livros... só na herança da memória de avô para neto... estas vinham da avó dela, que era espanhola, dizia ela.
Quando as gemas e o açúcar estavam em creme, era a vez das claras em castelo... e da segunda parte da história... No final da história, as claras ficavam em castelo firme. Era, então a altura de juntar as claras e a farinha à gemada, que esperava ansiosamente na tigela branca dos bolos. Era tudo mexido cuidadosamente, sempre para o mesmo lado. Nesta altura a Avó calava-se e concentrava-se naquela tarefa... a massa não podia talhar! Depois deitava, como ela dizia, numa forma de barro, própria para pão-de-, que também aparecia, não sei bem de onde, do sótão talvez, e que tinha sido previamente forrada com papel pestaneira, o de pão-de- e pronto lá era vertida a massa para a forma!
Vinha, então, uma das partes que eu também muito esperava... era a Avó a rapar a taça com o salazar e eu a pensar baixinho 'já chega, já está bem'... é que eu adorava comer aqueles restinhos de massa que ficavam na taça!
A Avó colocava em cima da forma uma outra igual, embrulhava aquilo num pano grande, amarrado pelas quatro pontas e ficava a li até depois do jantar.
Naqueles dias, o jantar era rápido, porque depois de jantar íamos as três, eu a Avó e a Mãe para o padeiro pôr o pão-de-a cozer no forno do pão!
Que festa! Assim como nós, iam as mulheres da freguesia quase todas, para lá para cozer o pão-de-. Era um forno a lenha, grande, onde o o Sr. Carlos Padeiro, filho da terra também, ainda sobrinho do Avô, ia metendo as formas uma a uma com a ajuda de uma pá, que tinha um cabo muito comprido!
Nesta parte, a minha memória tem 'uma branca', lembro-me que depois de as formas estarem dentro do forno, as mulheres começavam a conversar. Algumas levavam cevada, tigelas e manteiga, que punham no pão que entretanto tinha saído do forno e comiam acompanhado da cevada... daqui as minhas lembranças dessa noite nunca passaram. Sempre quis beber a cevada e comer o pão quente com manteiga, mas fui sempre vencida pelo sono e só me lembro de acordar no dia seguinte na minha caminha, de me levantar, ir à cozinha e de ver, em cima da mesa, um pão-de- todo pomposo! O melhor pão-de-... o da Avó, cozido no forno do Carlos Padeiro!
'Alberto, podes guarda a tigela do pão-de-ló no armário?'
E pronto, e lá voltava a tigela para o lugar dela até ao ano seguinte. Por vezes ainda fazia uns trabalhinhos extra na Páscoa, ou quando alguma vizinha precisava de fazer um bolo para uma ocasião especial a pedia emprestada à Avó, mas era raro, muito raro mesmo!
Agora a tigela está reformada. Vive num armário, na parte de baixo e não trabalha... vê as outras trabalharem, na Páscoa, no Natal, nos aniversários... ora são usadas para a mousse, ora para as saladas de fruta, ora para muita coisa, mas não só no Natal, nem tão pouco para a massa do pão-de- cozido no forno a lenha do Carlos Padeiro... essas honras eram dela e noutros tempos!



( História para a Fábrica de Histórias)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Victor, Puto Reguila


Estava eu a jantar e a olhar para as tigelas da marmelada, que estão em cima da mesa a secar.
Lembrei-me, então, de uma história que o meu pai conta muitas vezes e mostra o quanto nos dias de hoje nos podemos dar por felizes!

Os meus avós paternos sempre foram pessoas de parar pouco tempo no mesmo sitio: viveram na Foz, em Campanhã, no Freixo, enfim andaram pela cidade toda ao ritmo que iam arranjando emprego. Ele como jardineiro e feitor e ela como cozinheira e governanta, mais tarde.

Um dos sítios onde eles viveram, foi na quinta da Concórdia, a fábrica das Farinhas Harmonia, nas margens do Douro, logo a seguir ao Palácio do Freixo.

Durante um bom par de anos viveria lá na casa do feitor. Lá também viviam os donos da quinta, a família Lage. Essa família tinha um filho da idade do meu pai, mas que, como menino rico da época, era super protegido e, então quando fazia algo fora do habitual, as coisas corriam mal!

Pois, foi o que aconteceu num desses dias. Estava ele, o meu pai e o meu tio no pátio a brincarem quando a empregada lhe veio trazer o lanche: Pão com marmelada!

O meu pai olha para o pão e pensa: 'Afinal isto é que é marmelada! Foi a minha mãe que fez e eu não como?!' Miúdo reguila da época, olha para um muro que tinha sido derrubado por um camião da farinha e, virando-se para o Luizinho:

- Ó Luizinho, vamos brincar para ali?
- Não me apetece.-Responde o Luizinho com ar de enjoado, enquanto vai comendo o pão como se estivesse a fazer um frete.
- Não queres vir, porque não consegues andar em cima dele direito… não te seguras!
- Seguro pois, só que não me apetece…
E lá continuaram naquela lenga lenga, até que o outro se convenceu que tinha de provar ao meu pai que era capaz. Salta para cima do muro e ao primeiro passo acontece o que o reguila do Victor queria: o Luizinho desequilibra-se, cai abaixo do muro, ele para um lado, o pão para o outro e, quando olha para os joelhos a sangrar, desata aos berros e vai a correr para dentro de casa a chamar pela mãe.

E o Victor? Esse, que nunca havia perdido de vista o pão com a marmelada, corre para o apanhar, senta-se na beira do muro e… foi um lanche e peras!

domingo, 19 de outubro de 2008

Solidariedade

Hoje quando estava no banho lembrei-me de algo muito engraçado:
Em S. Mamede, pegado à casa onde eu morava, havia uma família em que um dos filhos tinha, o que nós dizíamos na altura, um atraso mental. Chamava-se António e todos lhe chamavam Tono. Nos períodos em que a mãe ia trabalhar, ele ficava pela rua, ou a brincar ou a fazer recados a quem lhe pedisse. Sempre que podia, tomava banho: de manhã, à hora do almoço, ao fim da tarde quando a mãe chegava, antes de se deitar... enfim banho para ele era sagrado!
Com ele, muitas vezes andava um outro rapaz, o Fredo, que vivia num acampamento nas redondezas da vila. Esse, ao contrário do Tono, era alérgico à água. Muitas vezes era impossível chegar perto dele, tal era o cheiro a suor.
Um dia a mãe do Tono, desesperada com o gasto de água, perguntou-lhe: 'Para que estás sempre a tomar banho? É de manhã, é à hora do almoço, á à noite... Não podes tomar banho só de manhã e à noite?'
A resposta dele foi: 'Ó Mãe, tem que ser, não vês que alguns são pelo Fredo? É que ele não toma banho e eu tenho de tomar pelos dois!'

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Só Comigo é que isto Acontece!

Viagem que eu faça., que não tenha percalços, não é viagem... sonhei!
Depois de 3 dias de dureza, ontem tive de viajar de carro de Braga para Leiria para acompanhar os auditores a um fornecedor... foi duro, mas o pior estava para vir!
Quando regressávamos pela A17, depois de ter mandado os Checos para o aeroporto, eu e duas colegas minhas, tivemos um furo!
Bom, eu sei mudar pneus, as outras também, só que: estávamos em plena auto estrada, o carro era de aluguer e só tinha um colete e o furo era do lado de fora!
Por unanimidade decidimos que não mudávamos o pneu e chamávamos a assistência em viagem! Claro que conscientes que iríamos (vamos) ser gozadas o resto da semana, aliás do mês!
Telefonei para a Hertz e depois daqueles jogos de números até chegar a um assistente a conversa foi a seguinte:
-Boa tarde, estou na A17 e o carro teve um problema.
-Boa tarde, qual foi o problema?
Eu cheiinha de vergonha e naquela 'Já que as mulheres tem a fama, tem o proveito', disse:
-É nos pneus, o carro começou a tremer muito. - respondi
Enquanto isso só tinha o pensamento:' Que vergonha, tu não estás a fazer isto!'
-Mas que problema?
-Diz de uma vez por todas que é um furo.- diz uma das minhas colegas.
-Pois é um furo mas, só temos um colete e o furo é do lado de fora...-respondi eu de rajada antes que o homem do outro lado tivesse oportunidade de se rir.
-Ah pois e então quer que mande alguém mudar o pneu, é isso?
-É sim-respondi.
-Ok então dentro de 30 minutos a ajuda chega.
-Obrigada.

Metemo-nos dentro do carro à espera. Passados cerca de dez minutos pára atrás de nós uma carrinha da assistência da Brisa.
O homem sai e pergunta o que se passa.
Depois de explicarmos, pergunta se queremos que ele mude o pneu.
A minha pergunta foi logo:
-Isso tem custos? (lembrei-me que há uns anos atrás, ainda no tempo dos escudos, uma amiga minha tinha tido um furo na auto estrada e no fim o homem cobrou-lhe quatro contos pelo serviço!)
-Não.-respondeu o homem.
-Então está bem, eu telefono para a Hertz para cancelar a ajuda.
Telefonei a cancelar... demorou mais tempo a cancelar do que a mudar o pneu!

Depois de agradecer ao homem seguimos viagem... com um pneu de bicicleta na frente e a 90 km/h... a velocidade permitida para aqueles pneus!
Chegamos a Braga com 2 horas de atraso!

O engraçado é que os maridos, como que por pressentimento nos ligaram ao mesmo tempo, quando já tínhamos recomeçado a viagem. Também se riram os três, mas os três disseram que tomamos a melhor decisão, pois podíamos ter sido atropeladas ou ser multadas por falta de coletes... ou será que não confiavam no pneu mudado por nós?

O chefe de uma de nós também ligou, riu-se e disse: 'Então três engenheiras não conseguiram trocar um pneu?'

Mas o mais querido, foi um colega que telefonou para me perguntar uma coisa e, quando lhe disse que estávamos na auto estrada com o furo disse: Não te preocupes, que já te mando o horário dos comboios!


Amanhã é que vai ser!

Para além do gozo, já sei que vai ser uma sexta-feira daquelas!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Voando entre a Realidade e a Ficção

Por causa da neve, em Novembro de 2005 , perdi um voo de ligação Paris-Stuttgart.
Das muitas aventuras que eu normalmente tenho quando viajo, esta foi a mais tudo!
A reacção dos meus colegas quando sabem que vou viajar é logo: 'Vamos lá ver o que acontece destas vez!'

Bom perdemos o avião e como era o último voo para Stuttgart, tivemos que passar uma noite em Paris, num hotel custeado pela Air France.

Das condições e da forma como fomos tratadas ( eu e a minha amiga), não vou falar desta vez… para além do normal nestes casos mas, fica para a próxima!

Era noite, fomos para o hotel, jantamos e no final do jantar, fomos tomar café no bar do hotel com as outras pessoas que estavam na mesma situação.

Eu e a minha amiga, uma senhora emigrante em Stuttgart, dois homens que iam a Stuttgart à Mercedes comprar carros e uma rapariga que estava a caminho dos EUA para se encontrar com o namorado.

Tudo começou, porque a rapariga, que se chamava Soraia, não tinha euros, não tinha saldo no telemóvel e o cartão que a Air France lhe havia dado para telefonar tinha sido 'comido' pelo telefone do hotel.

Um dos dois homens, o Mário, e o único com telemóvel, emprestou-lhe o telemóvel para que ela pudesse avisar a família. Ela ligou, mas ninguém atendeu, nem de Portugal, nem dos EUA.

Estávamos, então todos sentados no bar a falar da nossa aventura e das consequências do atraso, quando o telemóvel do Mário toca. Ele olha, não conhece o número, entrega-o à rapariga enquanto diz:

-Deve ser para si, não conheço o número…
A rapariga pega no telemóvel, atende e então:
-Sou a Soraia.
-…
- Não conhece nenhuma Soraia? Ah, pois, um momento.
Entrega o telemóvel ao Mário e diz:
-Não é para mim!
O homem decide atender e:
-Sim? Ah, és tu! Sim está aqui comigo… vou passar!
Passa o telefone ao amigo, enquanto diz:
-Afinal é para ti!
O segundo homem, olha para o número, fica pálido e diz:
-Mas é o número da minha mulher!
O amigo diz-lhe:
-Então atende!
Começa então o caricato da história:
- Ah, és tu filha! … a mãe, onde está? Ah, está a tomar banho!?
A cor do seu rosto ia alternando entrei o vermelho e o branco, conforme as respostas que recebia…
- Perdemos o avião para a Alemanha… estamos em Paris… foi por causa da neve.
-….
- Ah, sim está aqui muita gente… eu depois explico melhor. A mãe ainda está no banho?
-…
- Então não lhe digas nada. O pai vai-te comprar o carro. Queres o classe A? Não te preocupes, mas não digas nada à mãe… o pai leva-te o carro…

Desligou o telemóvel e, pálido, vira-se para o amigo:
-Espero que a rapariga não diga nada à mãe, senão estou tramado! Como é que a minha mulher vai acreditar que fomos à Alemanha comprar um carro?! … então liga-me e atende uma rapariga… de Paris!

Foi gargalhada geral…ele continuou:
- Não estou a brincar...

Realmente, é difícil de 'digerir' uma história destas! Vai para a Alemanha, passa uma noite em Paris e quem atende o telefone é uma rapariga...