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segunda-feira, 22 de março de 2010

Ainda o Dia Mundial da Poesia: Poesia de Rua

Amanhã, terça-feira, dia 23 de Março, que alunos e professores de várias escolas da cidade, vão andar pela Avenida Central e Largo Barão São Martinho a dar voz a poemas de Nuno Higino, Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, Luís de Camões, Sophia de Mello Breyner Andresen, Francisco Bugalho, António Gedeão, Jorge de Sena, Luís de Camões, Eugénio de Andrade e Matilde Rosa Araújo...
Ler mais no Município de Braga.

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia: Recordar Ary dos Santos


Ecce Homo

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.

Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Pois deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,

Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.

Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'

sábado, 21 de março de 2009

Rómulo de Carvalho/António Gedeão-Poema para Galileu




Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!"

António Gedeão, in Linhas de Força

Sophia de Mello Breyner Andersen-Retrato de uma princesa desconhecida

Apesr de preferir a prosa à poesia, não quero deixar passar em branco, aqui no blogue, o dia 21 de Março, dia da Poesia.

Deixo, então, um poema da minha escritora/poetisa preferida: Sophia de Mello Breyner...


Retrato de uma princesa desconhecida


Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos


Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino