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sábado, 15 de agosto de 2009

Porto (Re)visitado, Praça da Liberdade

Depois de dobrada a esquina do banco, que eu não sei qual é agora, encontrei um velho conhecido, o ardina da Praça, o da estátua.
Lá continua ele encostado ao marco do correio. 'Olha a Bola'; 'Olha o Notícias'. Não, não apregoava nenhum deles. Quem o fazia, o verdadeiro, há muito que deixou de andar por ali.
Este não é mais que um recordar do verdadeiro. Agora é mais quiosques!
O verdadeiro andava por ali agora a vender o jornal a quem esperava pelo sete para a Ponte da Pedra ou pelo três para a Boavista. Eram os autocarros da praça que ainda lá param, mas com outros números. Não vi quais, não quis saber.


Engraxadores, esses também já não os há, nem um ficou para a estátua. Também a quem ia ele engraxar os sapatos? E onde? Já não há esplanada para as pessoas se sentarem a ler o jornal, a tomar o cimbalino e a engraxar os sapatos.
De tudo isso restou a águia imperial, símbolo do Café Imperial. No sítio onde se lia Imperial, lê-se agora McDonalds, numas letras douradas nada condizentes com ela e sua época..

Se do exterior restou a águia, do interior pouco mais restou. Os vitrais, os lustres, os relevos e algum mobiliário.
Em vez de cimbalinos, galões, torradas, finos e taças de vinho, são agora vendidos McMenus, menus infantis, coca colas, sundaes. Em vez dos empregados de camisa imaculadamente branca, ora a fazer os pedidos ao balcão, ora a atender os clientes, há um grupo de teenagers, que emoldurados pelo vitral vendem os Mc.
Turistas,de máquina fotográfica em punho, movimentam-se entre as mesas, mas a fotografar o que resta de outrora.

Definitivamente a Praça da Liberdade mudou, mudou e não devia ter mudado, porque mudou para pior!