Não há dia em que não me lembre de ti. Dos bons momentos que passei contigo, dos (grandes) ensinamentos que me deste da forma mais simples.
As nossas tardes no rio, as nossa tardes nas compras, ou simplesmente as noites, de quinta feira, a noite de passa a ferro e ver tourada.
Sim, quinta-feira era dia de tourada na 1. E tu gostavas de ver enquanto passavas a ferro.
No fim, se a roupa acabava antes da tourada, sentavas-te a meu lado a pontear as meias do avô. O Avô que entretanto tinha ido para o largo da capela dar dois dedos de conversa com o Sr. Zé, enquanto fumava o seu cigarro.
Às vezes eu ia com ele. Gostava da brincadeira com os outros meninos no largo da capela. Gostava das correrias à volta da capela. de jogar às escondidas, ou simplesmente, sentar-me ao lado do avô. Nos dias em que o Sr. Zé não aparecia, sentava-me ao lado do avô a ver as estrelas. Foi com ele que aprendi a encontrar a estrela polar e a identificar a cassiopeia.
Outras vezes falávamos de outras coisas. De geografia. Ilhas, peninsulas, istmos, cabos, continentes, polos... coisas tão simples, mas que me faziam sentir tão culta, tão conhecedora... e tão orgulhosa no meu avô!
E era a novidade que dava aos meus pais quando eles me iam buscar. Enquanto a minha mãe tentava saber o que tinha feito e o que tinha comido, eu debitava 'tão grandes conhecimento'.
Dos momentos da minha vida em que me senti mais orgulhosa de mim, foi num daqueles fins-de-semana, em que visitávamos os avós, andava já eu na escola e, como sempre o avô perguntava-me o que havia aprendido.
Havia sido a semana das unidades de peso: o quilograma, a grama... e toda contente, sentindo-me dona de uma grande sabedoria, digo ao avô: sabe que um litro de água pesa um quilo?
'Ai sim?', pergunta o avô-então diz-me então: 'que pesa mais, um quilo de chumbo ou um quilo de algodão''
A resposta foi quase imediata, e com uma confiança que poucas vezes me lembro de ter tido: +o mesmo! (expressão à Sherlock Holmes, tipo 'elementar, meu caro Watson?).
O Avô riu-se e passou-me a mão pela cabeça. Senti-me enorme, digna de ser sua neta! Ser neta de homem tão sabedor como o meu avô!
Para ti, estas coisas não eram importantes. Chumbo, algodão... quilos, gramas... só mesmo para fazer as contas em conjunto com a peixeira, que se 'enganava muito nas contas'... sempre para mais.
E aqueles dias em que acordava, já não estavas ao meu lado na cama. Deixavas-me dormir. Do quarto perguntava-te as horas. Davas sempre mais dez ou quinze minutos ( a mãe aprendeu bem contigo a lição). E o cheiro da cevada a entrar pelo quarto adentro! Só uma coisa nunca consegui: molhar o pão na cevada! Nunca me convenceste! Pão de um lado, cevada do outro.
Ai, tão boa esta nossa vida. Tão intensa!
Nota: eu sei que kilograma não é unidade... aprendi nesse dia!
Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram; eles dobram por TI - John Donne
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domingo, 9 de agosto de 2015
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Do que me havia de lembrar!!!
Hoje resolvi fazer ago que não devia!
Não porque soubesse que era proibida, mas porque mais valia não o ter feito!
Fui ao Google Maps procurar a casa onde nasci. Estava lá! Mas eu não me senti lá!
Foi um choque muito grande!
A casa acaba no início da rua com um quintal. Do quintal já nada resta. As grades feitas pelo Avô e que todos os anos eram por ele minuciosamente pintadas, como se de uma grande obra de arte se tratasse; foram substituídas por taipais de madeira, daqueles que saem das caixas que chegam dentro dos contentores!
Antes do quintal havia um mirante, que dava para a rua principal. Era coberto por uma ramada de uvas americanas, com que tanto me deliciei nos verões da minha infância. O mirante tinha umas portadas em treliça de madeira feita pelo avô e que eram pintadas na mesma altura das grade do quintal. Cortaram a ramada, tiraram o mirante e fizeram uma casota em cimento com um telhado em fibra! Um autêntico mamarracho!
E não vi mais nada. Não pude ver o pátio de cimento vermelho, as portas de madeira verde da cozinha, nem o galo vira-vento no topo da casa! Tinha antes uma parabólica de uma TV por cabo!
Claro que as portas já lá não estão, o pátio foi forrado a tijoleira, sabe-se lá de que cor e... a cozinha, sim, a cozinha, que era o nosso lugar de estar em quase todas as ocasiões! Dava para a sala de estar, dava para o sótão, para o quintal e até para a casa do bisavô!
Já nada dela há-de restar. Nem os móveis feitos pelo avô, nem os tectos, nem o lambril... nada há-de lá estar, que não as paredes!
Tudo há-de ter desaparecido, tal como o quintal, o mirante, o pátio... e os avós!
Ficam as recordações, que essas estão iguais, mais nítidas que nunca. O que vi no Google Maps, foi outra coisa... Marte, Saturno... Lua, se quiserem, mas não foi a casa onde nasci! A casa onde minha Mãe cresceu, e onde eu passei os melhores verões da minha infância, a pintar, a apanhar uvas, a estender roupa lavada na ribeira, a brincar com o Maroto, o cão que fazia companhia ao avô enquanto ele trabalhava a madeira.
E tanta coisa daquele quintal, da oficina do avô...
Definitivamente as recordações, o que conseguimos guardar na nossa memória é a herança mais preciosa que podemos receber.
Não porque soubesse que era proibida, mas porque mais valia não o ter feito!
Fui ao Google Maps procurar a casa onde nasci. Estava lá! Mas eu não me senti lá!
Foi um choque muito grande!
A casa acaba no início da rua com um quintal. Do quintal já nada resta. As grades feitas pelo Avô e que todos os anos eram por ele minuciosamente pintadas, como se de uma grande obra de arte se tratasse; foram substituídas por taipais de madeira, daqueles que saem das caixas que chegam dentro dos contentores!
Antes do quintal havia um mirante, que dava para a rua principal. Era coberto por uma ramada de uvas americanas, com que tanto me deliciei nos verões da minha infância. O mirante tinha umas portadas em treliça de madeira feita pelo avô e que eram pintadas na mesma altura das grade do quintal. Cortaram a ramada, tiraram o mirante e fizeram uma casota em cimento com um telhado em fibra! Um autêntico mamarracho!
E não vi mais nada. Não pude ver o pátio de cimento vermelho, as portas de madeira verde da cozinha, nem o galo vira-vento no topo da casa! Tinha antes uma parabólica de uma TV por cabo!
Claro que as portas já lá não estão, o pátio foi forrado a tijoleira, sabe-se lá de que cor e... a cozinha, sim, a cozinha, que era o nosso lugar de estar em quase todas as ocasiões! Dava para a sala de estar, dava para o sótão, para o quintal e até para a casa do bisavô!
Já nada dela há-de restar. Nem os móveis feitos pelo avô, nem os tectos, nem o lambril... nada há-de lá estar, que não as paredes!
Tudo há-de ter desaparecido, tal como o quintal, o mirante, o pátio... e os avós!
Ficam as recordações, que essas estão iguais, mais nítidas que nunca. O que vi no Google Maps, foi outra coisa... Marte, Saturno... Lua, se quiserem, mas não foi a casa onde nasci! A casa onde minha Mãe cresceu, e onde eu passei os melhores verões da minha infância, a pintar, a apanhar uvas, a estender roupa lavada na ribeira, a brincar com o Maroto, o cão que fazia companhia ao avô enquanto ele trabalhava a madeira.
E tanta coisa daquele quintal, da oficina do avô...
Definitivamente as recordações, o que conseguimos guardar na nossa memória é a herança mais preciosa que podemos receber.
sábado, 16 de outubro de 2010
I miss you.
Para mim és e serás sempre presente, mesmo tendo-nos deixado quase inesperadamente, num dia em que decidiste que não querias mais cá estar.
Hoje é o dia do teu aniversário.
Nem imaginas o quanto orgulhosa fico quando me dizem que sou como tu! Pois a minha mãe não gosta. Também não gosta se eu digo que ela é como tu. Tem as razões dela...
I miss you. I love you.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Ainda a propósito do Dia dos Avós...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Dia dos Avós
Tive a sorte de ter cinco avós mais um bisavô.
Eu explico: para além dos avós de sangue, tive a Avó Lina, a quem eu chamei avó antes de chamar minha Mãe por mãe.
Era uma mulher fantástica com uma história de vida muito singular. E era linda em todos os sentidos.
Dos meus avós tenho memórias fantásticas de férias de verão passadas em casa deles a fazer tudo o que não podia fazer em casa, como ir para o rio e andar a tarde inteira com a água até ao pescoço enquanto a minha avó, contra a vontade do avô, lavava a roupa.
Engraçado, ainda hoje falei disso ao telefone com a minha mãe. Da diferença entre as idas dela, com a avó dela e uma geração depois eu com a minha avó. Para o mesmo ribeiro.
O avô não gostava, mas paciência. Mas Avô, eram tardes tão bem passadas com o mulherio todo a cantar, a bater os lençóis nas pedras, à procura do melhor sitio para os corar, a regá-los... ai, ai..
Eu explico: para além dos avós de sangue, tive a Avó Lina, a quem eu chamei avó antes de chamar minha Mãe por mãe.
Era uma mulher fantástica com uma história de vida muito singular. E era linda em todos os sentidos.
Dos meus avós tenho memórias fantásticas de férias de verão passadas em casa deles a fazer tudo o que não podia fazer em casa, como ir para o rio e andar a tarde inteira com a água até ao pescoço enquanto a minha avó, contra a vontade do avô, lavava a roupa.
Engraçado, ainda hoje falei disso ao telefone com a minha mãe. Da diferença entre as idas dela, com a avó dela e uma geração depois eu com a minha avó. Para o mesmo ribeiro.
O avô não gostava, mas paciência. Mas Avô, eram tardes tão bem passadas com o mulherio todo a cantar, a bater os lençóis nas pedras, à procura do melhor sitio para os corar, a regá-los... ai, ai..
terça-feira, 4 de maio de 2010
A minha Avó
Nós somos mesmo assim.
Ela agora está lá em cima, a olhar por mim, como sempre o fez, mesmo quando longe, enquanto esteve cá por baixo.
E tudo me é tão mais fácil , sabendo disso... tudo se torna possível!
Adoro-te, velha teimosa!
Esta foto foi tirada no dia em que fez 91 anos!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Não é o trabalho que cansa, mas a forma como o fazemos!
Bem, este post já o comecei a escrever umas poucas de vezes.
Ou porque o telefone tocou, ou porque tocaram à campainha, ou porque o L. chamou, parei e perdi o ritmo.
Ser interrompida quando estou a escrever é das piores coisas que me podem fazer. E não é só aqui, mesmo no trabalho quando estou a escrever um mero email, o toque do telefone destabiliza-me.
Não sei bem porquê, mas lembrei-me de um jogo que o meu avô fazia comigo às refeições.
O meu avô, ao contrário da minha avó, era uma pessoa muito calma e, uma vez mais ao contrário da D. Bina, era muito vagaroso.
O jogo, jogámo-lo a primeira vez era eu muito pequenina. A minha avó tinha-me posto o prato da comida à frente. Era muita comida, achava eu. 'Avó não consigo comer tudo. Dá muito trabalho!', disse eu.
'Sem trabalho não se faz nada', respondeu-me e deixou-me só com o meu avô, que sorriu e disse:' Claro que consegues. Eu vou ajudar-te.'.
Levantou-se, pegou num prato vazio e colocou uma porção da comida nesse prato. E disse:' E agora achas que esse bocado consegues?'
'Sim consigo.', respondi.
Uma das regras do jogo era eu não olhar para o outro prato e tentar adivinhar se já era a última dose.
No final, depois de ter comido tudo e ainda ter ficado com barriga para as uvas americanas da ramada lá de casa, perguntou-me:' Ficaste cansada?'
'Não', respondi.
'VÊs como conseguiste! Nem sempre é o trabalho que cansa, mas a forma como o fazemos!'
'Mas eu não estive a trabalhar, estive a comer...', adverti.
Não percebi a mensagem e o meu avô sabia disso. Sabia perfeitamente que uma criança de quatro anos não iria perceber que o que ele me queria dizer era muita coisa, mas sabia que as palavras e o 'jogo' iriam ficar gravados na minha memória e que eu iria decifrá-la ao longo da minha vida..
Ele tinha razão. Neste e em muitos outros jogos, a que mais tarde passei a chamar 'Jogos das moralidades'
Foram todos eles muito lúdicos.
Ou porque o telefone tocou, ou porque tocaram à campainha, ou porque o L. chamou, parei e perdi o ritmo.
Ser interrompida quando estou a escrever é das piores coisas que me podem fazer. E não é só aqui, mesmo no trabalho quando estou a escrever um mero email, o toque do telefone destabiliza-me.
Não sei bem porquê, mas lembrei-me de um jogo que o meu avô fazia comigo às refeições.
O meu avô, ao contrário da minha avó, era uma pessoa muito calma e, uma vez mais ao contrário da D. Bina, era muito vagaroso.
O jogo, jogámo-lo a primeira vez era eu muito pequenina. A minha avó tinha-me posto o prato da comida à frente. Era muita comida, achava eu. 'Avó não consigo comer tudo. Dá muito trabalho!', disse eu.
'Sem trabalho não se faz nada', respondeu-me e deixou-me só com o meu avô, que sorriu e disse:' Claro que consegues. Eu vou ajudar-te.'.
Levantou-se, pegou num prato vazio e colocou uma porção da comida nesse prato. E disse:' E agora achas que esse bocado consegues?'
'Sim consigo.', respondi.
Uma das regras do jogo era eu não olhar para o outro prato e tentar adivinhar se já era a última dose.
No final, depois de ter comido tudo e ainda ter ficado com barriga para as uvas americanas da ramada lá de casa, perguntou-me:' Ficaste cansada?'
'Não', respondi.
'VÊs como conseguiste! Nem sempre é o trabalho que cansa, mas a forma como o fazemos!'
'Mas eu não estive a trabalhar, estive a comer...', adverti.
Não percebi a mensagem e o meu avô sabia disso. Sabia perfeitamente que uma criança de quatro anos não iria perceber que o que ele me queria dizer era muita coisa, mas sabia que as palavras e o 'jogo' iriam ficar gravados na minha memória e que eu iria decifrá-la ao longo da minha vida..
Ele tinha razão. Neste e em muitos outros jogos, a que mais tarde passei a chamar 'Jogos das moralidades'
Foram todos eles muito lúdicos.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A Terra tremeu...
Esta noite a terra tremeu em Portugal, dizem as notícias. Sim, porque eu cá não senti nada, na altura. Senti sim de manhã quando acordei, um calafrio, só de pensar que numa situação mais complicada (de maior intensidade), continuarei a dormir e, como às vezes se ouve: 'acordar morta'!
Ainda não percebi se o tremor foi sentido em todo o país ou só na capital. Também se as coisas boas se passam lá, que fiquem com algumas más!
Lembrei-me então de um tremor de terra que houve quando eu era criança.
Passava uns dias em casa dos meus avós e a terra tremeu no Porto. O meu avô com a calma que lhe era característica, me embrulhou, cuidadosamente num cobertor e, tal como ditam as regras, veio comigo ao colo para o quintal. Os meus pais, que do alto do terceiro andar onde morávamos sentira, esses vieram depois de se aperceberem do que se estava a passar resolveram também ir para a rua. A minha Mãe, atrapalhadinha como sempre, veio descalça. Era Fevereiro. E lembro-me porque o meu Pai, e esta é a parte caricata da história, foi para trás para pegar uns chinelos para a minha Mãe!
Claro que foi tudo tão rápido, que ele já não voltou para a rua. Entre descer 56 degraus, subir e voltar a descer, a terra parou de tremer...
Escusado será dizer que no dia seguinte de manhã, a primeira coisa que foi feita foi 'resgatarem-me' de casa dos meus avós! Para berreiro meu!
Este episódio é contado muitas vezes lá em casa.
Ainda não percebi se o tremor foi sentido em todo o país ou só na capital. Também se as coisas boas se passam lá, que fiquem com algumas más!
Lembrei-me então de um tremor de terra que houve quando eu era criança.
Passava uns dias em casa dos meus avós e a terra tremeu no Porto. O meu avô com a calma que lhe era característica, me embrulhou, cuidadosamente num cobertor e, tal como ditam as regras, veio comigo ao colo para o quintal. Os meus pais, que do alto do terceiro andar onde morávamos sentira, esses vieram depois de se aperceberem do que se estava a passar resolveram também ir para a rua. A minha Mãe, atrapalhadinha como sempre, veio descalça. Era Fevereiro. E lembro-me porque o meu Pai, e esta é a parte caricata da história, foi para trás para pegar uns chinelos para a minha Mãe!
Claro que foi tudo tão rápido, que ele já não voltou para a rua. Entre descer 56 degraus, subir e voltar a descer, a terra parou de tremer...
Escusado será dizer que no dia seguinte de manhã, a primeira coisa que foi feita foi 'resgatarem-me' de casa dos meus avós! Para berreiro meu!
Este episódio é contado muitas vezes lá em casa.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Porto (Re)visitado: Uma Rosa
Pijamas, camisas de dormir, robes, cuecas, meias, são peças que não gosto de oferecer. E ao passar por aqui lembrei-me que eram os presentes que normalmente se escolhiam para os avós no Natal e nos anos. Um ano um pijama, outro um robe, pelo meio uns chinelos de quarto e não se saía disto.
A justificação era a de que já tinham tudo e como pouco saiam também não precisavam de roupa nova, que só compravam para uma ocasião mais especial como a comunhãode um neto ou o casamento de um sobrinho.
Hoje em dia já nada é assim. Tento localizar a minha avó com a idade da minha mãe de agora e a diferença é abismal! Oferecer à minha mãe roupa, carteiras ou acessórios é o melhor que se pode fazer.
Dos pijamas, das cuecas e dos robes trata ela...
E tudo isto porque era aqui que no Natal se compravam os presentes para os Avós...

A justificação era a de que já tinham tudo e como pouco saiam também não precisavam de roupa nova, que só compravam para uma ocasião mais especial como a comunhãode um neto ou o casamento de um sobrinho.
Hoje em dia já nada é assim. Tento localizar a minha avó com a idade da minha mãe de agora e a diferença é abismal! Oferecer à minha mãe roupa, carteiras ou acessórios é o melhor que se pode fazer.
Dos pijamas, das cuecas e dos robes trata ela...
E tudo isto porque era aqui que no Natal se compravam os presentes para os Avós...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Nossa Senhora de Campanhã
Da Wiki
Conta a lenda que em 1722, um ano de grande seca, os habitantes de Campanhã fizeram uma procissão em honra a nossa Senhora. A imagem caiu do andor e partiu uma mão e no local da queda brotou água no dia seguinte. A fonte que então nasceu existe ainda na Rua de Bonjóia, com algumas alterações depois da construção da Via de Cintura Interna do Porto. Existe também um cruzeiro em memória do milagre e uma capela que foi inaugurada em Julho de 1967, perto da mesma fonte
Conta-se esta mesma história na minha família, não oriunda de lá , mas a viver lá há mais de cinquenta anos. Lá nasceram a minha mãe e o irmão. Ela casou na igreja matriz de lá, onde está a Senhora de Campanhã.
Contava-se nas conversa de serão, que neste dia, 8 de Setembro, dia da Senhora de Campanhã, o meu avô, o Chefe Reis, comprava uma melancia, em volta da qual toda a família se reunia para a comer. Era a forma de festejar o Dia da Senhora de Campanhã, o que acontecia no terreiro da casa da minha bisavó.
Nunca presenciei nenhuma destas reuniões, pois acabaram depois da morte da minha Bisa, que faleceu em meados da década de 50.
Foi a minha Mãe quem me alertou para o facto de ser Dia da Senhora de Campanhã, hoje, 8 de Setembro. Estava nostálgica, ela. Ficou depois de falar ao telefone com a tia dela. De todos os que se reuniam para estes festejos, e depois de Avó ter partido o ano passado, são as única que restam.
Conta a lenda que em 1722, um ano de grande seca, os habitantes de Campanhã fizeram uma procissão em honra a nossa Senhora. A imagem caiu do andor e partiu uma mão e no local da queda brotou água no dia seguinte. A fonte que então nasceu existe ainda na Rua de Bonjóia, com algumas alterações depois da construção da Via de Cintura Interna do Porto. Existe também um cruzeiro em memória do milagre e uma capela que foi inaugurada em Julho de 1967, perto da mesma fonte
Conta-se esta mesma história na minha família, não oriunda de lá , mas a viver lá há mais de cinquenta anos. Lá nasceram a minha mãe e o irmão. Ela casou na igreja matriz de lá, onde está a Senhora de Campanhã.
Contava-se nas conversa de serão, que neste dia, 8 de Setembro, dia da Senhora de Campanhã, o meu avô, o Chefe Reis, comprava uma melancia, em volta da qual toda a família se reunia para a comer. Era a forma de festejar o Dia da Senhora de Campanhã, o que acontecia no terreiro da casa da minha bisavó.
Nunca presenciei nenhuma destas reuniões, pois acabaram depois da morte da minha Bisa, que faleceu em meados da década de 50.
Foi a minha Mãe quem me alertou para o facto de ser Dia da Senhora de Campanhã, hoje, 8 de Setembro. Estava nostálgica, ela. Ficou depois de falar ao telefone com a tia dela. De todos os que se reuniam para estes festejos, e depois de Avó ter partido o ano passado, são as única que restam.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Falei de ti no presente.
Falei de ti, soube-me bem. Ri-me, rimo-nos de ti, eu e a Isabelinha.
Acabamos conversa as duas com uma lágrima ao canto do olho.
Foi uma daquelas lágrimas, a minha, que trazem tudo: saudade, tristeza, alegria, nostalgia...
... e a lágrima aumentou de tamanho, quando a Isabelinha disse que tu eras fantástica... era o orgulho a crescer!
Foi bom falar de ti. Falei no presente do teu passado. Tu nunca farás parte do meu passado, mas sempre e para sempre do meu presente!
Acabamos conversa as duas com uma lágrima ao canto do olho.
Foi uma daquelas lágrimas, a minha, que trazem tudo: saudade, tristeza, alegria, nostalgia...
... e a lágrima aumentou de tamanho, quando a Isabelinha disse que tu eras fantástica... era o orgulho a crescer!
Foi bom falar de ti. Falei no presente do teu passado. Tu nunca farás parte do meu passado, mas sempre e para sempre do meu presente!
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O Avô Reis
-Ainda hoje disse ao Pai: 'Já nos conhecemos há mais de cinquenta anos! Sempre resmungamos, mas agora estamos cá uns resmungões!
Ri-me, pois se há coisa que de que a minha família se pode gabar é da resmunguice. Só o Avô, o Reis, escapava a esta 'patente'! Mas é que é de lado a lado...
O Avô, o Reis, esse era a pessoa mais calma que eu já conheci. Nunca o ouvi falar alto, nunca o vi irritado com nada nem com ninguém! Não sei se será bom ou mau. No caso dele talvez tenha sido mau, pois começou a sofrer de depressões ainda não tinha cinquenta anos e nunca mais delas se separou! Era um Homem, estranho, diferente. Deve ter sofrido muito, mas para ele, pois sempre se pôs em cima de um pedestal e do cimo dele comandou a família... até uma certa altura.
Este Homem tem uma história de vida diferente, chamemos-lhe assim.
Filho de um segundo casamento da mãe, do qual havia uma irmã, também. Do primeiro casamento havia um irmão, o tio Durval, era assim que todos se referiam a ele. Era mais velho que o Avô quase vinte anos, e para o Avô era como um pai, o pai que ele mal conheceu, pois faleceu quando o Avô tinha cinco anos.
A mãe do Avô, faleceu, tinha o Avô quinze anos. Suicidou-se. Não aguentou a pressão da dividas e pôs termo à vida com remédio do escaravelho, contava a avó, que também não a tinha conhecido.
A mãe do Avô, que se chamava Josefa, era rica, muito rica, por casamento com o pai do Avô. Do sítio onde moravam, era dona de quase todas as casas, o que na época era sinal de riqueza. Com a morte do marido, não soube gerir os bens e, não aceitando a ajuda do tio Durval, começou a pedir dinheiro, dando as casas como caução. Claro, que como não pagava, perdia as casa. Naquele tempo era assim...
Sobrou uma casa, que não pôde ser vendida porque era herança do Avô e da tia Palmira, a irmã. Tinha sido presente das tias gémeas do Avô.
O Avô, se pai nem mãe e sem dinheiro, aos quinze anos, foi trabalhar como carpinteiro. Ficou a viver na casa dele e da tia Palmira, que mais velha que ele, entretanto casara e fora viver para o Ilhéu. Não, não é no Brasil, é um bairro na zona de Campanhã que se chama(va) assim.
Um dia conheceu a Avó, filha de um Alentejano e de uma Lisboeta de origens espanholas, que haviam no início do século, o passado, emigrado para o Porto atrás de um emprego na 'fábrica das garrafas', a Barbosa e Almeida.
Namoraram, e casaram numa tarde de Setembro de 1940. Foi um namoro rápido e sempre vigiado. Mesmo assim a Mãe nasceu em Janeiro do ano seguinte. Passaram fome, muita fome, conta avó, era guerra e havia pouco trabalho!
O Avô, que para a época era um homem já com alguma escolaridade, apesar de trabalhar como carpinteiro, um dia resolveu concorrer para a polícia. Passou nos testes todo, mas não foi admitido: era alto e magro demais. Tinha 1,90m de altura. Hoje um homem com 1,90 é alto, imaginem na década de 40!
À segunda tentativa conseguiu, com a ajuda do tio Durval, que tinha uns amigos influentes e ajudaram!
Contava a Avó que o Avô dizia que só aceitava porque queria dar uma vida melhor à família. Era contra os princípios dele aceitar estas coisas!
Bom, aceitou, melhorou de vida, entusiasmou-se e recomeçou a estudar. Foi promovido, foi destacado para Viseu durante dois anos, voltou com uma patente mais elevada e aos 40 anos era subchefe.
Contava muitas histórias de quando estava na polícia. Dele fardado não tenho recordações, só em fotos.
Sempre fui uma boa ouvinte de histórias. Há até histórias da família que só eu sei! Às vezes dou comigo a contá-las aos meus pais e qual não é o meu espanto quando descubro que eles não as sabem!
Do meu Avô sei muitas histórias. Contava-mas ele no adro da capela de S. Pedro, no Verão, naquelas noites de Céu estrelado. Como eu gostava de ir para casa dos Avós no Verão. E que bom era ir para o adro da capela à noite ver as constelações! Enquanto olhavamos para a ursas, a menor e a maior, ele lá me ia contando as histórias. Para todas as histórias dele havia uma moral, aliás, ele tentava tirar sempre a moral de tudo porque fazia ou dizia!
Está a fazer-me muito bem estar a escrever estas palavras sobre o meu Avô, mas já vai longa esta conversa e, não querendo abusar do tempo de quem me está a ler, com a promessa de voltar a falar do meu Avô, termino aqui esta partilha.
E já viram onde veio parar a conversa?
Ri-me, pois se há coisa que de que a minha família se pode gabar é da resmunguice. Só o Avô, o Reis, escapava a esta 'patente'! Mas é que é de lado a lado...
O Avô, o Reis, esse era a pessoa mais calma que eu já conheci. Nunca o ouvi falar alto, nunca o vi irritado com nada nem com ninguém! Não sei se será bom ou mau. No caso dele talvez tenha sido mau, pois começou a sofrer de depressões ainda não tinha cinquenta anos e nunca mais delas se separou! Era um Homem, estranho, diferente. Deve ter sofrido muito, mas para ele, pois sempre se pôs em cima de um pedestal e do cimo dele comandou a família... até uma certa altura.
Este Homem tem uma história de vida diferente, chamemos-lhe assim.
Filho de um segundo casamento da mãe, do qual havia uma irmã, também. Do primeiro casamento havia um irmão, o tio Durval, era assim que todos se referiam a ele. Era mais velho que o Avô quase vinte anos, e para o Avô era como um pai, o pai que ele mal conheceu, pois faleceu quando o Avô tinha cinco anos.
A mãe do Avô, faleceu, tinha o Avô quinze anos. Suicidou-se. Não aguentou a pressão da dividas e pôs termo à vida com remédio do escaravelho, contava a avó, que também não a tinha conhecido.
A mãe do Avô, que se chamava Josefa, era rica, muito rica, por casamento com o pai do Avô. Do sítio onde moravam, era dona de quase todas as casas, o que na época era sinal de riqueza. Com a morte do marido, não soube gerir os bens e, não aceitando a ajuda do tio Durval, começou a pedir dinheiro, dando as casas como caução. Claro, que como não pagava, perdia as casa. Naquele tempo era assim...
Sobrou uma casa, que não pôde ser vendida porque era herança do Avô e da tia Palmira, a irmã. Tinha sido presente das tias gémeas do Avô.
O Avô, se pai nem mãe e sem dinheiro, aos quinze anos, foi trabalhar como carpinteiro. Ficou a viver na casa dele e da tia Palmira, que mais velha que ele, entretanto casara e fora viver para o Ilhéu. Não, não é no Brasil, é um bairro na zona de Campanhã que se chama(va) assim.
Um dia conheceu a Avó, filha de um Alentejano e de uma Lisboeta de origens espanholas, que haviam no início do século, o passado, emigrado para o Porto atrás de um emprego na 'fábrica das garrafas', a Barbosa e Almeida.
Namoraram, e casaram numa tarde de Setembro de 1940. Foi um namoro rápido e sempre vigiado. Mesmo assim a Mãe nasceu em Janeiro do ano seguinte. Passaram fome, muita fome, conta avó, era guerra e havia pouco trabalho!
O Avô, que para a época era um homem já com alguma escolaridade, apesar de trabalhar como carpinteiro, um dia resolveu concorrer para a polícia. Passou nos testes todo, mas não foi admitido: era alto e magro demais. Tinha 1,90m de altura. Hoje um homem com 1,90 é alto, imaginem na década de 40!
À segunda tentativa conseguiu, com a ajuda do tio Durval, que tinha uns amigos influentes e ajudaram!
Contava a Avó que o Avô dizia que só aceitava porque queria dar uma vida melhor à família. Era contra os princípios dele aceitar estas coisas!
Bom, aceitou, melhorou de vida, entusiasmou-se e recomeçou a estudar. Foi promovido, foi destacado para Viseu durante dois anos, voltou com uma patente mais elevada e aos 40 anos era subchefe.
Contava muitas histórias de quando estava na polícia. Dele fardado não tenho recordações, só em fotos.
Sempre fui uma boa ouvinte de histórias. Há até histórias da família que só eu sei! Às vezes dou comigo a contá-las aos meus pais e qual não é o meu espanto quando descubro que eles não as sabem!
Do meu Avô sei muitas histórias. Contava-mas ele no adro da capela de S. Pedro, no Verão, naquelas noites de Céu estrelado. Como eu gostava de ir para casa dos Avós no Verão. E que bom era ir para o adro da capela à noite ver as constelações! Enquanto olhavamos para a ursas, a menor e a maior, ele lá me ia contando as histórias. Para todas as histórias dele havia uma moral, aliás, ele tentava tirar sempre a moral de tudo porque fazia ou dizia!
Está a fazer-me muito bem estar a escrever estas palavras sobre o meu Avô, mas já vai longa esta conversa e, não querendo abusar do tempo de quem me está a ler, com a promessa de voltar a falar do meu Avô, termino aqui esta partilha.
E já viram onde veio parar a conversa?
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Hoje é Dia 11 de Novembro
Hoje é dia 11 de Novembro, dia de S. Martinho, dia do aniversário de nascimento do Avô Reis!
Engraçado, o nome próprio dele era Alberto e eu, sabe-se lá porquê, sempre lhe chamei Avô Reis! Quando era pequena e não conseguia dizer os erres, atrapalhava-me toda para dizer o nome dele, mas mesmo assim nunca mudei para Alberto... seria muito mais fácil, mas não... fácil não é comigo... tem de dar luta!
Reformou-se muito cedo da polícia, tão cedo que não me lembro dele fardado! Gostava muito de fazer trabalhos com madeiras... tinha um banco de carpinteiro feito por ele, que era um assombro! Eu adorava ir para lá brincar... cada coisa tinha o seu sítio, estudado ao mais pequeno detalhe: eram os formões, os serrotes, as verrumas, as chaves de fendas, as limas, as plainas...também feitas por ele... assim como os cabos das ferramentas!
Graças ao banco de carpinteiro do meu avô e às tardes passadas junto dele, fiz um brilharete nas aulas de trabalhos oficinais quando foram sobre trabalhos em madeira... sabia o nome das ferramentas todas!
Também acho que é daí que vem a minha mania das arrumações... (é melhor nem falar!)
Quando a saúde lhe permitia, quem o quisesse ver era lá, ora a fazer um banco, ora a consertar uma porta, ora a fazer um brinquedo para mim... ah pois, é que eu tenho duas peças maravilhosas feiras por ele: um baú em mogno e uma cómoda guarda jóias limdissímas! Até os puxadores foram feitos por ele!
A primeira vez que fui ao S. João, foi no Porto, claro, andei a noite toda sentada nos ombros dele... a vista era priveligiada... ele ara um homem bastante alto, tinha 1,87m... ainda hoje seria, quanto mais na sua geração!
Era um homem austero com todos, menos comigo! Fazia-me coisas e deixava-me fazer coisas que deixavam a minha mãe de boca aberta! Um dia fui passear de comboio com ele e a minha avó, o meu primeiro passeio de comboio. Os bancos do comboio pareciam bancos de jardim, e como vinha quase vazio, eu e ele divertimo-nos imenso a brincar na carruagem, saltando de banco para banco, eu a fazer de cobrador e ele de passageiro, enfim... aquelas brincadeiras que uma miúda de 4 anos gostava...
Só me lembro de quando os meus pais nos viram, a minha mãe ter deitado as mãos à cabeça: eu tinha saído de casa de vestido branco... estava negro. Ele com a gravata afastada do pescoço, o primeiro botão da camisa aberto e o casaco pendurado no dedo. O 'Chefe Reis' naquele preparo!
Bom, já vai longa a minha conversa sobre o 'Chefe' Reis. É claro que ele não tinha só coisas boas... ninguém tem só coisas boas, senão não é humano... mas para quê falar do que não presta? É perda de tempo!
Ele ensinou-me muitas coisas, boas e más, (lá está!). Com ele havia sempre a moral da história... tudo tinha uma explicação, nada era por acaso!
Talvez tenha sido daí que eu ganhei o hábito de tentar encontrar uma explicação para tudo e tentar-me sempre por no lugar de todos para perceber os argumentos de cada um...
Parabéns Avô... Fazias 91 anos hoje.
Engraçado, o nome próprio dele era Alberto e eu, sabe-se lá porquê, sempre lhe chamei Avô Reis! Quando era pequena e não conseguia dizer os erres, atrapalhava-me toda para dizer o nome dele, mas mesmo assim nunca mudei para Alberto... seria muito mais fácil, mas não... fácil não é comigo... tem de dar luta!
Reformou-se muito cedo da polícia, tão cedo que não me lembro dele fardado! Gostava muito de fazer trabalhos com madeiras... tinha um banco de carpinteiro feito por ele, que era um assombro! Eu adorava ir para lá brincar... cada coisa tinha o seu sítio, estudado ao mais pequeno detalhe: eram os formões, os serrotes, as verrumas, as chaves de fendas, as limas, as plainas...também feitas por ele... assim como os cabos das ferramentas!
Graças ao banco de carpinteiro do meu avô e às tardes passadas junto dele, fiz um brilharete nas aulas de trabalhos oficinais quando foram sobre trabalhos em madeira... sabia o nome das ferramentas todas!
Também acho que é daí que vem a minha mania das arrumações... (é melhor nem falar!)
Quando a saúde lhe permitia, quem o quisesse ver era lá, ora a fazer um banco, ora a consertar uma porta, ora a fazer um brinquedo para mim... ah pois, é que eu tenho duas peças maravilhosas feiras por ele: um baú em mogno e uma cómoda guarda jóias limdissímas! Até os puxadores foram feitos por ele!
A primeira vez que fui ao S. João, foi no Porto, claro, andei a noite toda sentada nos ombros dele... a vista era priveligiada... ele ara um homem bastante alto, tinha 1,87m... ainda hoje seria, quanto mais na sua geração!
Era um homem austero com todos, menos comigo! Fazia-me coisas e deixava-me fazer coisas que deixavam a minha mãe de boca aberta! Um dia fui passear de comboio com ele e a minha avó, o meu primeiro passeio de comboio. Os bancos do comboio pareciam bancos de jardim, e como vinha quase vazio, eu e ele divertimo-nos imenso a brincar na carruagem, saltando de banco para banco, eu a fazer de cobrador e ele de passageiro, enfim... aquelas brincadeiras que uma miúda de 4 anos gostava...
Só me lembro de quando os meus pais nos viram, a minha mãe ter deitado as mãos à cabeça: eu tinha saído de casa de vestido branco... estava negro. Ele com a gravata afastada do pescoço, o primeiro botão da camisa aberto e o casaco pendurado no dedo. O 'Chefe Reis' naquele preparo!
Bom, já vai longa a minha conversa sobre o 'Chefe' Reis. É claro que ele não tinha só coisas boas... ninguém tem só coisas boas, senão não é humano... mas para quê falar do que não presta? É perda de tempo!
Ele ensinou-me muitas coisas, boas e más, (lá está!). Com ele havia sempre a moral da história... tudo tinha uma explicação, nada era por acaso!
Talvez tenha sido daí que eu ganhei o hábito de tentar encontrar uma explicação para tudo e tentar-me sempre por no lugar de todos para perceber os argumentos de cada um...
Parabéns Avô... Fazias 91 anos hoje.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
São Martinho, Castanhas e Água Pé
Uma das imagens que tenho de miúda é a de no dia 11 de Novembro ir a casa dos meus avós comer castanhas... c
E como o meu avô fazia anos nesse dia, 11 de Novembro, comiam-se castanhas cozidas, cozidas sempre na mesma panela! Eu até acho que essa panela só era usada nesse dia... para cozer as castanhas!
Foi num desses dias, que o meu avô me contou a lenda de S. Martinhopela primeira vez e uqe ficou assim na minha memória, e mais tarde contei na escola:
'Num dia de inverno, de muito frio e chuva, ia S. Martinho a cavalo e viu na berma da estrada um mendigo a tremer de frio. S. Martinho desceu do cavalo, tirou a capa e embrulhou o mendigo nela, ficando ele com frio. De imediato, parou de chover e pôs-se um sol radioso que aqueceu S. Martinho!' A partir daí, por altura do 11 de Novembro, temos sempre uns dias de sol com subida de temperatura.'
Todas as histórias que o meu avô me contava tinham uma moral, na qual eu tinha sempre que pensar. Claro, a moral da história aqui foi: 'Quem pratica o bem, é sempre recompensado!'
Engraçado, lembro-me de imaginar o S. Martinho montado num cavalo preto, com uma capar vermelha debruadas a dourado, pelas costa. Na minha imaginação o mendigo estava sentado na berma da estrada, encostado a uma árvore, com os joelhos junto do queixo e a bater o dente!
E é sempre esta imagem que vejo, quando ouço ou conto a lenda de S. Martinho!
Desde a morte do meu avô que não como castanhas cozidas, porque não arranjo a erva doce ( era a minha avó que arranjava!), porque só eu gosto...
E mais a mais, que piada tinha agora comer castanhas cozidas, sem ser naquela panela, naquela casa e com o meu ao a contar todos os anos a lenda de S. Martinho, com a minha mãe a resmungar e.. pois, cada coisa no seu tempo... o das castanhas cozidas já passou... para mim... se hoje comesse ainda ia descobrir que não gosto!
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Ainda Marie Curie, Ainda Sophia de Mello Breyner e Ainda As Mulheres
Não sei se sou eu que as procuro, ou se elas me caem na vida, mas o que é certo, é que estão constantemente a aparecer na minha!
Uma delas é esta, duas mulheres célebres que eu admiro desde miúda, nascerem com um dia de diferença ( em mês).
Bom, tanto admiro Sophia de Mello Breyner, pela sua obra literária, como Marie Curie pelo seu contributo para a ciência.
Ambas foram esposas e mães fantásticas, o que as completa como mulheres e me faz ter ainda mais admiração por elas!
Como já disse num post anterior, para mim a Fada Oriana, foi o clique que me despertou de vez para o gosto da leitura e da escrita. Digo o clique, porque fui educada rodeada de livros e jornais... não me lembro de um único dia em casa dos meus pais em que não tivesse entrado o Jornal de Notícias!
Um dia, num dos meus aniversários, ofereceram-me um livro, que ainda está em casa dos meus pais, e que é de biografias de pessoas célebres... tem muitas, mas na minha memória ficou a de Marie Curie e de Gaudi! Mais tarde vi um filme sobre a vida de Marie Curie e ainda fique mais entusiasmada com a vida daquela mulher... fiquei sempre com a imagem daquela mulher que vestia sempre de escuro, que era completamente desligada de valores materiais e, que tratava a química e a física por 'tu'.
Se não tivesse tirado um curso de engenharia de certeza tiraria de Física Nuclear... era um dos meus sonhos...
É claro que para além destas duas mulheres conhecidas de (quase todos), há outras mulheres ... e homens, mas como estamos a falar de mulheres... que tiveram grande na minha formação académica e como mulher: a minha Mãe, acima de tudo a minha Mãe... um bloque é pouco para falar tudo que quero e sinto por ela... a minha Avó, a mulher que me ajudou a vir ao mundo, para além de muitas outras coisas... a minha Professora da primária e... a minha professora de Física, de quem ainda hoje sou grande amiga.. e ela minha!
Uma delas é esta, duas mulheres célebres que eu admiro desde miúda, nascerem com um dia de diferença ( em mês).
Bom, tanto admiro Sophia de Mello Breyner, pela sua obra literária, como Marie Curie pelo seu contributo para a ciência.
Ambas foram esposas e mães fantásticas, o que as completa como mulheres e me faz ter ainda mais admiração por elas!
Como já disse num post anterior, para mim a Fada Oriana, foi o clique que me despertou de vez para o gosto da leitura e da escrita. Digo o clique, porque fui educada rodeada de livros e jornais... não me lembro de um único dia em casa dos meus pais em que não tivesse entrado o Jornal de Notícias!
Um dia, num dos meus aniversários, ofereceram-me um livro, que ainda está em casa dos meus pais, e que é de biografias de pessoas célebres... tem muitas, mas na minha memória ficou a de Marie Curie e de Gaudi! Mais tarde vi um filme sobre a vida de Marie Curie e ainda fique mais entusiasmada com a vida daquela mulher... fiquei sempre com a imagem daquela mulher que vestia sempre de escuro, que era completamente desligada de valores materiais e, que tratava a química e a física por 'tu'.
Se não tivesse tirado um curso de engenharia de certeza tiraria de Física Nuclear... era um dos meus sonhos...
É claro que para além destas duas mulheres conhecidas de (quase todos), há outras mulheres ... e homens, mas como estamos a falar de mulheres... que tiveram grande na minha formação académica e como mulher: a minha Mãe, acima de tudo a minha Mãe... um bloque é pouco para falar tudo que quero e sinto por ela... a minha Avó, a mulher que me ajudou a vir ao mundo, para além de muitas outras coisas... a minha Professora da primária e... a minha professora de Física, de quem ainda hoje sou grande amiga.. e ela minha!
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Parabéns a Você
Olá Avó,
Tu hoje fazes anos, 92 anos.
Lembro-me de ti e de todas as histórias que me contavas... as da tua vida... da nossa vida...
Esta contaste-ma há alguns anos... eu já a contei antes assim:
sábado, 11 de outubro de 2008
As Crónicas da Laurinda
As crónicas do público de hoje da Laurinda Alves, levaram-me ao 'baú'.
Ano de 81, em que o meu avô depois de cair abaixo de uma escada enquanto podava, foi hospitalizado e diagnosticado um cancro!
Tudo que aconteceu depois foi o que infelizmente já muitas pessoas sabem, o que acontece nestas situações: operação, recuperação, recaída e em seis meses deixou de estar connosco.
Para além de seis meses de inquietude, de sofrimento, de dor muita dor, física e psicológica, houve um episódio que ficou gravado:
Eu estava com o meu pai quando o médico deu a notícia.
Como já referi anteriormente, era uma miúda de 13 anos, 13 anos maduros, mas eram 13 anos e ao fim destes anos todos ainda me lembro das palavras frias e 'concretas' do médico:
'Sr Victor, o seu pai vai ser operado porque tem um cancro. Não lhe vai salvar a vida, só prolongar por alguns meses!
O médico não quis saber se o meu pai desconfiava de alguma coisa, não quis saber ele estava acompanhado de uma miúda e que isso ficaria gravado na memória dela!
O meu pai realmente, não tinha noção da gravidade do assunto, achava que o meu avô tinha caído da escada porque se havia desequilibrado!
Foi duro, muito duro para todos, mas aquele momento, deve ter sido dos mais duros deste triste episódio da nossa família.
É que por mais que tentemos, nunca estamos preparados para a única evidencia da vida: a morte!
E, então quando não tentamos ou não tentam preparar-nos, ainda é pior!
Ainda sobre as crónicas da Laurinda, ainda bem que os CP começam a fazer parte da vida de quem precisa e tem direito a eles.
A si, Laurinda e todos os voluntários e profissionais empenhados em preservar a dignididade de quem está a sofrer, um Muito Obrigada em nome do meu Avô, chamava-se Silvano.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Avó, Tens uma Carta pa Ti
Eu ainda não consegui realizar, que aquela força da natureza, como eu te chamava, já não calcorreia as ruas do Porto de lés a lés, que já não vai ao supermercado e compra de uma assentada 25 kg de batatas, que..., que... e que está ali fechada!
Confesso, neste momento uma lágrima cai-me do canto do olho, lágrimas que não consegui deitar no dia do teu funeral... para mim não era eras tu quem ali estava, era alguém, não era a mulher que me ajudou a nascer, a mulher que me cortou o cordão umbilical, a mulher que, com toda a sua força, as ultimas palavras que me disse foi: Tu és igual a mim', enquanto batia com a mão no peito!
Pois avó, eu sou igual a ti! Tu gostavas de ser livre, independente... como me custa usar o passado para falar de ti... tu não eras pássaro de gaiola e, quando te sentiste engaiolada, de um dia para o outro, ainda lutaste, mas perdeste esta batalha!
E porque somos iguais, nunca conseguimos dizer uma à outra o que sentíamos... para quê? Era tão forte, que não precisava de palavras... corria-nos no sangue!
Se estivesse a escrever numa folha de papel, certamente ninguém poderia ler... agora as lágrimas caem-me sem pedir licença!
Não te vou pedir desculpa por nada, apesar de saber que fiz, aliás, fizemos coisas mal feitas com a nossa relação, mas das muitas coisa que me ensinaste 'Desculpas não se pedem, evitam-se'.
Também não vou dizer que eras uma santa... ninguém o é, o bem e o mal está em todos nós... por isso o teu e o meu também, mas conseguíamos vê-lo sem dúvidas... não usavas disfarces... e aí é que está a diferença: Não no ser bom ou mau, mas sim honesto com as pessoas, com os sentimentos e com nós próprios e, isso, tu sabias fazer bem, tão bem, que não te deixou viver a vida que tu não querias: amarrada a uma cama!
Adoro-te!
domingo, 21 de setembro de 2008
Adeus
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Ausência
Pois é, dois dias sem 'postar'...
Estes dias tem sido muito complicados emocionalmente!
A nível profissional tem sido o stress do costume, sempre com emoções novas, mas com soluções...
A nível privado, uma 'nova variante' foi introduzida na minha vida: o estado de saúde da minha avó!
Pensar que há nem 15 dias calcorreava as ruas todas da cidade do Porto sozinha e agora vê-la presa a uma cama... dói tanto na alma!
Nem os 92 anos atenuam a dor... são só dois algarismos: um 9 e um 2 e ela é a minha avó e isso é que conta!
Estes dias tem sido muito complicados emocionalmente!
A nível profissional tem sido o stress do costume, sempre com emoções novas, mas com soluções...
A nível privado, uma 'nova variante' foi introduzida na minha vida: o estado de saúde da minha avó!
Pensar que há nem 15 dias calcorreava as ruas todas da cidade do Porto sozinha e agora vê-la presa a uma cama... dói tanto na alma!
Nem os 92 anos atenuam a dor... são só dois algarismos: um 9 e um 2 e ela é a minha avó e isso é que conta!
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