E quarenta anos passados, nunca as pessoas estiveram tanto de 'costas voltadas'!
Costas voltadas para quem as governa (pudera!), para os outros, para os acontecimentos, para as emoções, para ... elas próprias.
Aquela imagem que guardo na memória como uma foto daqueles dias, hoje seria impossível 'fotografá-la'!
Parabéns Liberdade.
Obrigada aos que a devolveram a Portugal.
E aos que a estão a 'estrangular', lembrem-se... há missóes impossiveis... apesar de tudo!
O 25 de Abril não será , só mais um feríado no nosso país. Para muitos, em número suficiente, será uma data com um valor muito alto, pelo qual vale a pena lutar... mesmo que deixe de ser feriado!
Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram; eles dobram por TI - John Donne
Mostrar mensagens com a etiqueta 25 de Abril. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 25 de Abril. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 25 de abril de 2014
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Duas Segundas, duas Terças, duas Quintas e duas Sextas!
Duas Segundas, duas Terças, duas Quintas e duas Sextas!
E tudo porque na Quarta é feriado... ainda, o Dia da Liberdade!
Um dia, nem feriado será, o dia em que um grupo de militares resolveu realizar o sonho de muitos portugueses: restituir a liberdade, de expressão a uns, e fisíca a outros. Houve outros. ainda, que voltaram a ter a liberdade de regressar ao seu país, sem perder a liberdade.
E que receberam esses soldados em troca? Nada!
Seria bom! É que o que receberam, foi ao fim de 38 anos terem um país à beira de perder toda a sua identidade, sem dinheiro e envelhecido, pois o governo manda os jovens emigrarem!
É um País sem futuro, portanto! Isto segundo os senhores que nos governam, que se queixam de não terem dinheiro para nada e que estão a comer-nos a carne e um dia, se nós deixarmos (e vamos por este andar!), nos vão comer os ossos!
Um dia também uma semana como esta não será igual... a esta! Os senhores de laranja querem que esta semana tenha Quarta-feira!
E nós vamos deixar!?
Nós vamos decepcionar aquele grupo de militares, que só quiseram, sem nada em troca pedir, dar-nos a Liberdade!?
Eu lembro-me desse dia. Não percebi o que se estava a passar, mas senti desde o primeiro minuto que era algo de muito bom!
Este ano ainda vamos parar, ainda, uma vez no ano que seja, vamos recordar o Largo do Carmo, Salgueiro Maia, ver o filme 'Capitães de Abril', ouvir os Capitães de Abril, os verdadeiros, falar da sua indignação nos media (são sempre abordados neste dia!) a homenagear Salgueiro Maia e... no dia 26, tudo passou e nada aconteceu!
E tudo porque na Quarta é feriado... ainda, o Dia da Liberdade!
Um dia, nem feriado será, o dia em que um grupo de militares resolveu realizar o sonho de muitos portugueses: restituir a liberdade, de expressão a uns, e fisíca a outros. Houve outros. ainda, que voltaram a ter a liberdade de regressar ao seu país, sem perder a liberdade.
E que receberam esses soldados em troca? Nada!
Seria bom! É que o que receberam, foi ao fim de 38 anos terem um país à beira de perder toda a sua identidade, sem dinheiro e envelhecido, pois o governo manda os jovens emigrarem!
É um País sem futuro, portanto! Isto segundo os senhores que nos governam, que se queixam de não terem dinheiro para nada e que estão a comer-nos a carne e um dia, se nós deixarmos (e vamos por este andar!), nos vão comer os ossos!
Um dia também uma semana como esta não será igual... a esta! Os senhores de laranja querem que esta semana tenha Quarta-feira!
E nós vamos deixar!?
Nós vamos decepcionar aquele grupo de militares, que só quiseram, sem nada em troca pedir, dar-nos a Liberdade!?
Eu lembro-me desse dia. Não percebi o que se estava a passar, mas senti desde o primeiro minuto que era algo de muito bom!
Este ano ainda vamos parar, ainda, uma vez no ano que seja, vamos recordar o Largo do Carmo, Salgueiro Maia, ver o filme 'Capitães de Abril', ouvir os Capitães de Abril, os verdadeiros, falar da sua indignação nos media (são sempre abordados neste dia!) a homenagear Salgueiro Maia e... no dia 26, tudo passou e nada aconteceu!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
25 de Abril...
Nos últimos anos, pouco se ligou ao dia 25 de Abril. Era visto como mais um feriado e o grau de contentamento das pessoas dependia do dia da semana em que caísse. Quinta ou terça era a felicidade máxima. Uma ponte era logo planeada e as malas feitas para abalar para o Algarve às primeiras horas do dia, senão de véspera. à sexta ou à segunda tamb´m não calhava nada mal. Ainda dava para uma escapadinha!
À quarta já não dava tanto jeito, mas ainda assim, era melhor que ao Sábado ou ao Domingo.
Este feriado não era mais que (mais um) motivo para 'ir de férias', aquela coisa que ANTES do 25 de Abril de 74, uma minoria sabia o que era, e que AGORA é um directo adquirido. Nos últimos tempos atingiu-se o limite do exagero e todos os feriados, pontes e folgas serviam para 'ir de férias'.
Definitivamente, 25 de Abril tornou-se somente 'mais um feríado', mais um como o 1ª de Dezembro, o 5 de Outubro, que tantos já NÃO sabem a sua razão de ser! É feriado e pronto. É o que interessa!
No último ano muita coisa mudou. O desemprego subiu, ficamos sem governo (desgovernados há muito que já estávamos), os bancos deixaram de financiar com até então e monstro 'FMI' e a necessidade da sua vinda ou não, tem sido motivo de discussão (daquelas tipo as de treinador de bancada no futebol, pois 90% dos que opinam sobre o assunto não sabem do que falam,,,). E a palavra 'troika', se até há meia dúzia de dias era desconhecida de muitos, depressa passou a ser tratada por 'tu' por todos ( os que sabem o que é e os que não sabem, a maioria!).
Ironicamente, e porque não temos governo, de acordo com a lei, não haverá comemorações oficiais do 25 de Abril. E este ano todos querem. Todos querem ir para a rua, todos querem protestar.
Mas o Algarve continua cheio, o Alentejo encheu! Há filas de carros, há engarrafamentos... só não houve sol. 'O tempo esteve muito nublado e choveu.', disse quem por lá esteve. è como o nosso futuro, mas esse 'mau tempo' ainda nem todos se aperceberam de quão mão é!
À quarta já não dava tanto jeito, mas ainda assim, era melhor que ao Sábado ou ao Domingo.
Este feriado não era mais que (mais um) motivo para 'ir de férias', aquela coisa que ANTES do 25 de Abril de 74, uma minoria sabia o que era, e que AGORA é um directo adquirido. Nos últimos tempos atingiu-se o limite do exagero e todos os feriados, pontes e folgas serviam para 'ir de férias'.
Definitivamente, 25 de Abril tornou-se somente 'mais um feríado', mais um como o 1ª de Dezembro, o 5 de Outubro, que tantos já NÃO sabem a sua razão de ser! É feriado e pronto. É o que interessa!
No último ano muita coisa mudou. O desemprego subiu, ficamos sem governo (desgovernados há muito que já estávamos), os bancos deixaram de financiar com até então e monstro 'FMI' e a necessidade da sua vinda ou não, tem sido motivo de discussão (daquelas tipo as de treinador de bancada no futebol, pois 90% dos que opinam sobre o assunto não sabem do que falam,,,). E a palavra 'troika', se até há meia dúzia de dias era desconhecida de muitos, depressa passou a ser tratada por 'tu' por todos ( os que sabem o que é e os que não sabem, a maioria!).
Ironicamente, e porque não temos governo, de acordo com a lei, não haverá comemorações oficiais do 25 de Abril. E este ano todos querem. Todos querem ir para a rua, todos querem protestar.
Mas o Algarve continua cheio, o Alentejo encheu! Há filas de carros, há engarrafamentos... só não houve sol. 'O tempo esteve muito nublado e choveu.', disse quem por lá esteve. è como o nosso futuro, mas esse 'mau tempo' ainda nem todos se aperceberam de quão mão é!
25 de Abril de 74
Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 25 de abril de 2010
25 de Abril: Os Cravos de Abril chegaram à China
Notícia RTP:
Cravos Vermelhos em Pequim
Pequim, 25 abr (lusa) - Estudantes de português da Universidade de Economia e Negócios Internacionais de Pequim (UIBE) ofereceram hoje cravos vermelhos aos colegas de outras universidades, numa celebração do 36º aniversário da revolução democrática em Portugal."O 25 de Abril (de 1974) é uma data muito importante para nós, portugueses, e na opinião de algumas pessoas, é mesmo mais importante que o Dia Nacional", explicou Sara Guimarães, professora da UIBE, que criou este ano letivo uma licenciatura em português.
Cravos Vermelhos em Pequim
Pequim, 25 abr (lusa) - Estudantes de português da Universidade de Economia e Negócios Internacionais de Pequim (UIBE) ofereceram hoje cravos vermelhos aos colegas de outras universidades, numa celebração do 36º aniversário da revolução democrática em Portugal."O 25 de Abril (de 1974) é uma data muito importante para nós, portugueses, e na opinião de algumas pessoas, é mesmo mais importante que o Dia Nacional", explicou Sara Guimarães, professora da UIBE, que criou este ano letivo uma licenciatura em português.
É a quinta licenciatura do género na capital chinesa, cidade onde até há menos de uma década existia apenas um curso de português, ministrado na Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim (Beiwai).
25 de Abril
Que chatice! Um feriado ao Domingo!
Será este o comentário sobre o aniversário do dia que nos trouxe até aqui.
Para muitos, este dia tem o mesmo valor que o 1 de Dezembro, o 5 de Outubro: mais um feriado, que se é num Domingo, é uma chatice, se é à sexta ou à segunda 'fixe, fim-de-semana prolongado!' e se é à quinta ou à terça 'vamos fazer ponte, para ter 4 dias!'
Para outros continuarão a 'bater' bem lá no fundo as primeiras horas, que mais pareceram dias, daquele dia de 74.
Desses, uns, continuam a acreditar, outros nem por isso. Os créditos já há muito se perderam.
'Sinto-me defraudado.'- disse-me há dias alguém que viveu esses dias e os sentiu como recompensa de todos os em que arriscou a vida antes.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Terça, Flashback IV (O meu 25 de Abril de 1974)
E como temos à porta mais um aniversário da Revolução dos cravos, achei por bem nesta rubrica, recordar este post.
Estava sol, não tão quente como hoje, mas estava sol!
O dia começou como os outros: levantei-me, esperei pela minha amiguinha Paula no fundo das escadas do prédio e lá fomos nós para a escola.
Andávamos na segunda classe, sim porque naquela época era segunda classe que se dizia! Nessa época os meninos também iam para a escola sozinhos, esses eram livres, ao contrário de agora!
Bom, mas é daquele dia que estou a falar, na escola tudo normal, deu-se a matéria, fomos para o recreio, e é quando começa o burburinho...os pais a chegarem à escola, a levarem os meninos, as professoras também saírem...estranho, mas que se passa?Essa pergunta foi feita à professora que respondeu:
-Não se passa nada, o que tinha de se passar já passou e agora está tudo bem.
Os pais continuavam a ir buscar os meninos, até que da escola só a minha professorara lá estava com os poucos de nós que restavam. A professora era a mesma de sempre.
Com o argumento de que tinham ouvido no rádio, que algo se passava, por volta do meio-dia, os pais de um menino, do Victor, foram buscá-lo. Nesse momento, não sei porquê senti uma sensação de abandono. O pai da Paula já a tinha ido buscar e eu tinha-me aguentado, mas naquela altura... eu, que até era uma miúda de expressar pouco o que me ia na alma!Esse menino e o irmão ficavam de tarde em casa da D. Guilhermina... mais uma diferença, naquele tempo não havia ATL, havia as 'mestras' e os meninos que não tinham onde ficar porque os pais trabalhavam, iam para lá...eu também ia...e quanto eu gostava!
Então eu levantei-me e disse:-E eu, posso ir embora? Os meninos estão todos a ir e os meus pais não me vêm buscar?!
-Mas eles não têm de te vir buscar, a escola só acaba à uma e tu vais sozinha como o costume!-Respondeu a professora.
-Mas, Senhora professora, eu não posso ir já? O Victor também vai para a Senhora ( era assim que tratávamos a D. Guilhermina)!
-Se quiseres vai, mas não vejo necessidade!
Pronto e eu lá fui com eles, na 4L bordeux, ainda me lembro! Mais apreensiva que assustada. De facto, recordando aquele dia, não estava assustada, mas estava ansiosa por ver os meus pais! Não sei se a minha mãe me foi buscar mais cedo que o habitual ou não, sei sim que esperei uma eternidade com o queixo pousado no portão da casa da Senhora... Enquanto esperava, toda a gente que passava levava jornais e muitos deles liam-nos enquanto caminhavam, com se as notícias se desactualizassem antes de chegarem a casa. Também havia mais gente na rua que o habitual, penso eu! É que a partir de uma certa hora, aquele dia contou para a 'estatística da rotina': mais pessoas que o habitual na rua, os pais a irem buscar os meninos fora de horas, não se estudou, o Sr Chaves ( marido da Senhora) nervoso! Sim esse estava nervoso e esteve pouco tempo connosco na cave!
Às tantas, ao fundo da rua vejo um vulto, que pelo andar seria a minha mãe, sim porque ela também vinha a ler o jornal com umas passadas apressadas! Não é que eu não estivesse habituada a ver a minha mãe ler o jornal, mas na rua?! Estranho! Quando ela se aproximou, abraçou-me com um sorriso de orelha a orelha, sem largar o jornal, claro e eu perguntei-lhe:-Que se passa, mamã?
- Foi uma revolução. Quando chegarmos a casa a mãe explica. Peguei no jornal, era uma edição especial da tarde do JN, com poucas páginas, e na capa tinha uma fotografia de um tanque de guerra com militares em cima muito felizes.Peguei nas minhas coisas e lá fui eu para casa. Naquele dia não houve desenhos animados, era só notícias com imagens de militares, iguais à do jornal! Entretanto chega o meu pai, feliz da vida, esse não trazia o jornal, vinha carregado de jornais! Conhecendo-o como o conheço, nem precisava de ter essa imagem na minha memória, seria assim que o imaginava naquele dia! O telefone estava sempre ocupado, ou era o meu pai a telefonar ou alguém a telefonar-lhe... a campainha também esteve bastante concorrida com amigos nossos a passarem lá por casa! Não sei se me deitei mais cedo ou mais tarde que o habitual... nesta idade o tempo está ligado à ânsia e não ao relógio, quanto muito estaria à televisão, mas como a programação mudou completamente, não sei! Sei que no dia seguinte fui para a escola, e a rotina recomeçou... num país agora livre... os militares tinham-nos dado uma coisa que nós não sabemos, nem nunca soubemos valorizar!
Nem os que nasceram durante o estado novo nem os que nasceram num país livre... esse muito menos... e é por isso que agora os meninos não são livre num país dito livre... eu no fascismo, ia para a escola sozinha... os meninos de agora, não!Afinal onde está a liberdade?
O que é afinal LIBERDADE???????????????
( imagens tiradas da net)
E você, Alberto, para onde foram as suas recordações?
Estava sol, não tão quente como hoje, mas estava sol!
O dia começou como os outros: levantei-me, esperei pela minha amiguinha Paula no fundo das escadas do prédio e lá fomos nós para a escola.
Andávamos na segunda classe, sim porque naquela época era segunda classe que se dizia! Nessa época os meninos também iam para a escola sozinhos, esses eram livres, ao contrário de agora!
Bom, mas é daquele dia que estou a falar, na escola tudo normal, deu-se a matéria, fomos para o recreio, e é quando começa o burburinho...os pais a chegarem à escola, a levarem os meninos, as professoras também saírem...estranho, mas que se passa?Essa pergunta foi feita à professora que respondeu:
-Não se passa nada, o que tinha de se passar já passou e agora está tudo bem.
Os pais continuavam a ir buscar os meninos, até que da escola só a minha professorara lá estava com os poucos de nós que restavam. A professora era a mesma de sempre.
Com o argumento de que tinham ouvido no rádio, que algo se passava, por volta do meio-dia, os pais de um menino, do Victor, foram buscá-lo. Nesse momento, não sei porquê senti uma sensação de abandono. O pai da Paula já a tinha ido buscar e eu tinha-me aguentado, mas naquela altura... eu, que até era uma miúda de expressar pouco o que me ia na alma!Esse menino e o irmão ficavam de tarde em casa da D. Guilhermina... mais uma diferença, naquele tempo não havia ATL, havia as 'mestras' e os meninos que não tinham onde ficar porque os pais trabalhavam, iam para lá...eu também ia...e quanto eu gostava!
Então eu levantei-me e disse:-E eu, posso ir embora? Os meninos estão todos a ir e os meus pais não me vêm buscar?!
-Mas eles não têm de te vir buscar, a escola só acaba à uma e tu vais sozinha como o costume!-Respondeu a professora.
-Mas, Senhora professora, eu não posso ir já? O Victor também vai para a Senhora ( era assim que tratávamos a D. Guilhermina)!
-Se quiseres vai, mas não vejo necessidade!
Pronto e eu lá fui com eles, na 4L bordeux, ainda me lembro! Mais apreensiva que assustada. De facto, recordando aquele dia, não estava assustada, mas estava ansiosa por ver os meus pais! Não sei se a minha mãe me foi buscar mais cedo que o habitual ou não, sei sim que esperei uma eternidade com o queixo pousado no portão da casa da Senhora... Enquanto esperava, toda a gente que passava levava jornais e muitos deles liam-nos enquanto caminhavam, com se as notícias se desactualizassem antes de chegarem a casa. Também havia mais gente na rua que o habitual, penso eu! É que a partir de uma certa hora, aquele dia contou para a 'estatística da rotina': mais pessoas que o habitual na rua, os pais a irem buscar os meninos fora de horas, não se estudou, o Sr Chaves ( marido da Senhora) nervoso! Sim esse estava nervoso e esteve pouco tempo connosco na cave!
Às tantas, ao fundo da rua vejo um vulto, que pelo andar seria a minha mãe, sim porque ela também vinha a ler o jornal com umas passadas apressadas! Não é que eu não estivesse habituada a ver a minha mãe ler o jornal, mas na rua?! Estranho! Quando ela se aproximou, abraçou-me com um sorriso de orelha a orelha, sem largar o jornal, claro e eu perguntei-lhe:-Que se passa, mamã?
- Foi uma revolução. Quando chegarmos a casa a mãe explica. Peguei no jornal, era uma edição especial da tarde do JN, com poucas páginas, e na capa tinha uma fotografia de um tanque de guerra com militares em cima muito felizes.Peguei nas minhas coisas e lá fui eu para casa. Naquele dia não houve desenhos animados, era só notícias com imagens de militares, iguais à do jornal! Entretanto chega o meu pai, feliz da vida, esse não trazia o jornal, vinha carregado de jornais! Conhecendo-o como o conheço, nem precisava de ter essa imagem na minha memória, seria assim que o imaginava naquele dia! O telefone estava sempre ocupado, ou era o meu pai a telefonar ou alguém a telefonar-lhe... a campainha também esteve bastante concorrida com amigos nossos a passarem lá por casa! Não sei se me deitei mais cedo ou mais tarde que o habitual... nesta idade o tempo está ligado à ânsia e não ao relógio, quanto muito estaria à televisão, mas como a programação mudou completamente, não sei! Sei que no dia seguinte fui para a escola, e a rotina recomeçou... num país agora livre... os militares tinham-nos dado uma coisa que nós não sabemos, nem nunca soubemos valorizar!
Nem os que nasceram durante o estado novo nem os que nasceram num país livre... esse muito menos... e é por isso que agora os meninos não são livre num país dito livre... eu no fascismo, ia para a escola sozinha... os meninos de agora, não!Afinal onde está a liberdade?
O que é afinal LIBERDADE???????????????
( imagens tiradas da net)
E você, Alberto, para onde foram as suas recordações?
sábado, 25 de abril de 2009
Quanto Custa a Liberdade: Salgueiro Maia
O mérito pela forma como este dia correu é todo dele. Desde sempre ouço os meus Pais dizê-lo e quando comecei a ter a percepção dos acontecimentos fiquei com a mesma opinião.
No estrangeiro a nossa Revolução é enaltecida por isso, pela Revolução sem sangue!
No estrangeiro a nossa Revolução é enaltecida por isso, pela Revolução sem sangue!
Sobre ele, Sophia de Mello Breyner disse tudo aqui:
Aquele que na hora da vitória
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi "Fiel à palavra dada à ideia tida"
Como antes dele mas também por ele Pessoa disse
Falo de Fernando José Salgueiro Maia
Onde está o 25 de Abril?
Tanto se pergunta 'Onde estavas no 25 de Abril?'.
Eu pergunto: 'Onde está o 25 de Abril?'
Acabo de chegar do centro da cidade e NADA que assinale esta data!
O movimento ainda é menor que o dos outros sábados porque algumas lojas estão fechadas!
Já vi mais movimentações em primeiros de Dezembro, data não menos importante, mas convenhamos que mexe menos com as emoções.
Bom, espero que digam que eu vi mal, que pelo país inteiro há muitas pessoas a recordar esta data, blá, blá.
35 Anos
35 anos passaram desde este dia, que parece ter sido ontem.
Foi um dia diferente, mas não muito para muitos e muito para outros. Para todos sim, foram diferentes os dias, as semanas, os meses, os anos que se seguiram...
Pessoas a saírem da prisão, a retornarem das colónias, do exílio da Europa... pessoas a poderem ser ouvidas pela primeira vez sem perderem a liberdade.
Palavras e nomes que estarão sempre associadas a este momento da história de Portugal: Salgueiro Maia, António de Spínola, Cravos, Largo do Carmo, Militares, Pide, Retornados, Paulo de Carvalho, Ary dos Santos, Grândola Vila Morena...
... e inevitavelmente a senha (Letras de José Niza, Música de José Calvário e voz de Paulo de Carvalho):
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
Etiquetas:
25 de Abril,
Aniversário,
António de Spínola,
Ary dos Santos,
Cravos,
Eu,
Grândola Vila Morena,
Largo do Carmo,
Militares,
Paulo de Carvalho,
Pide,
Retornados,
Salgueiro Maia
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Quanto Custa a Liberdade:Eleições
'O Papá?', perguntei naquele Domingo quando acordei.
'O Papá hoje teve de ir trabalhar', foi a resposta da minha Mãe.
Não gostei da ideia, até porque o Domingo de manhã era nosso, meu e dele. Enquanto a minha Mãe ficava em casa a tratar do almoço, íamos passear, tirar fotografias, à praia, andar de comboio, ver sessões de quadros... era nosso, o Domingo de manhã.
Saímos as duas. Pelo caminho a minha Mãe disse-me que íamos a uma escola, a escola que eu frequentaria nos tempos seguintes.
A meia dúzia de metros da dita escola, fomos abordadas por dois senhores de fato e chapéu. Começaram a falar com a minha Mãe, trocaram umas folhas de papel azul e estiveram à conversa com ela uns dez minutos.
No final, despediram-se dela com um aperto de mão, agradeceram-lhe, não sei bem o quê e continuamos caminho.
Na escola, as carteiras estavam arrumadas, havia um grupo de senhores atrás de umas mesas e ao centro de uma dessas mesas estava uma caixa, alta de madeira.
Fiquei tão deslumbrada como desiludida com a escola. Imaginei que ia ver uma sala de aulas com as carteiras todas alinhadas, o estrado, a secretária da professora, o quadro...
Não percebi muito bem o que a minha Mãe ali foi fazer. Demoramos pouco, dez minutos se tanto.
Voltamos para casa e estivemos as duas sozinhas: almoçamos, passamos a tarde a ver televisão, jantamos. Não vi o meu Pai naquele dia. Quando ele chegou, já eu dormia.
Foi um Domingo estranho, aquele.
Mais tarde fiquei a saber que aquele Domingo era um Domingo de eleições, que a minha Mãe tinha ido votar, que aqueles senhores eram da PIDE e que queriam confirmar que ela podia votar...
Nunca soube onde esteve o meu Pai naquele dia...
terça-feira, 21 de abril de 2009
Quanto Custa a Liberdade:Tens Razão!
Este puto reguila, é hoje um homem com 70 anos, que tem muitas histórias lindas de vida.
De puto irrequieto passou a adolescente rebelde.
O pai matriculou-o na escola comercial, sem saber se o rapaz tinha vocação, só mesmo porque o Sr Bacelar lhe prometeu um emprego no banco para o rapaz.
Inconformado, disse um dia ao pai que não gostava daquilo e que queria mudar para a escola industrial para estudar mecânica...
Não fosse o poço por onde ia a passar perto, estar tapado e malhava lá dentro, tal foi a força da bofetada que levou! A reforçar a bofetada ainda ouviu:' Se queres mudar de escola, vai trabalhar e paga tu os estudos!' 'Que vou dizer ao Senhor Bacelar!?', ouviu ainda um resmungo, enquanto Victor respondia: 'Está bem, até já arranjei!
Assim foi, deixou a escola comercial, matriculou-se na industrial e foi trabalhar para a Efacec como ajudante de serralheiro.
Rapaz sempre muito sociável, depressa conquistou a simpatia das pessoas de lá, uma delas o Engenheiro António Ricca, que a ele e a mais meia dúzia de rapazes, oferecia prémios em dinheiro aos que tiravam melhores notas. E nos dias de chuva, levava-os à escola. Sim era um Homem bom e bondoso, para aquela e todas as épocas. Afinal são características que não passam de moda!
Rapazes novos, informados, depressa as injustiças sociais começaram a ser motivo de interesse deles. Daí a começar a ler o Avante foi uma pressa. As greves, os avisos, as reuniões da praia de Matosinhos eram uma constante.
Conta ele, que quando havia greve os panfletos eram guardados nos tubos da bicicletas e que ele e os colegas tinham códigos para informar as fábricas das redondezas sobre as intenções das diferentes comissões de trabalhadores.
Com os amigos participou nas campanhas de Humberto Delgado e, no dia em que ele morreu fizeram luto!
Conta ele, que um dia a Pide o foi buscar à Efacec. Foi, cheio de medo. Esteve lá um dia, de pé, sem comer, sem beber. Ninguém lhe bateu, ninguém lhe fez mal, só perguntas, muitas perguntas, a que ele ia respondendo como podia...
Já noite cerrada, deixaram-no sair. Conta ele que começou a correr, sem olhar para trás uma única vez, tal era o medo!
Chegou a casa tarde, fora de horas. O pai esperava-o. Perguntou-lhe onde esteve. Respondeu vagamente, com mentiras. Pois safou-se da Pide, mas não de uma tareia de cinto do pai!
Era assim a vida naquele tempo. Tempos de ditadura, que começava portas adentro...
Por esta e muitas outras, a maior ofensa que se pode fazer ao Sr Victor é dizer q não vamos votar.
Fica furioso e diz: 'Vocês não sabem nada, tanto sangue derramado para isto?'. Vem logo um discurso de duas horas sobre eleições, campanhas eleitorais, do passado... 'Tens razão', dizemos nós. É que tem mesmo!
Por esta e muitas outras, a maior ofensa que se pode fazer ao Sr Victor é dizer q não vamos votar.
Fica furioso e diz: 'Vocês não sabem nada, tanto sangue derramado para isto?'. Vem logo um discurso de duas horas sobre eleições, campanhas eleitorais, do passado... 'Tens razão', dizemos nós. É que tem mesmo!
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Quanto Custa a Liberdade
Estamos na semana em que se comemoram 35 anos da Revolução dos Cravos.
Foi o acontecimento mais marcante, para não dizer mais importante, das últimas décadas da História de Portugal.
Era muito pequena, em 74, mas lembro-me perfeitamente desse dia e de muitas das transformações na nossa sociedade depois dessa data.
Eu e os meus Pais vivíamos num prédio de 3 andares onde viviamos seis famílias. De algumas já falei, das outras hei-de falar. Era um prédio muito 'suis generis', digamos assim.
Nós vivíamos no terceiro esquerdo. Meu Pai, tal como os vizinhos do segundo esquerdo, eram funcionários da EFACEC. Tínhamos uma vida igual à de tantas outras famílias: o meu Pai saía de manhã para o emprego, a minha Mãe também tinha a vida dela, ora em casa a tomar conta de mim, ora a trabalhar. Os vizinhos do segundo esquerdo eram os dois colegas do meu Pai e tinham mesma vida dentro da normalidade que a minha família.
Fazíamos parte de uma classe, que na altura não era conhecida como tal, mas que hoje em dia se chamaria da 'classe média'. Vivíamos desafogadamente, sem sermos ricos e já tínhamos carro, coisa menos comum na época. O meu Pai, sempre grande amante de carros, tinha um Vauxhall Viva vermelho, que era o seu orgulho. Tinha sido o primeiro carro daquele modelo a circular em Portugal! O vizinho, esse homem mais desprendido dessas coisas e mais ligado a questões do intelecto, tinha um Carocha , que comprara em segunda mão depois de várias tentativas para tirara a carta de condução. Formas diferentes de estar na vida, mas que se cruzavam em muitos aspectos sociais, chamemos-lhe assim e que se descobriram mais tarde.
Quanto ao vizinho do primeiro andar, esse tinha como profissão conhecida, a de radio telegrafista e a esposa trabalhava no posto de saúde da freguesia. Tinham dois filhos e eram pessoas pouco sociaveis a quem as pessoas do prédio não davam grande confiança... nem mesmo as crianças brincavam connosco, mesmo frequentando o mesmo colégio do rapaz do segundo esquerdo.
Lembro-me de alguns episódios, infelizes, entre eles e nós e os vizinhos do segundo esquerdo, em que, apesar da minha tenra idade, mas conhecedora do carácter dos meus pais, fiquei admirada com a reacção deles.
Um belo dia, o senhor do primeiro andar decidiu, sem qualquer motivo aparente, colocar-se em cima de um escadote e, com uma tesoura, corta a cordas do estendal, que estava cheio de roupa, da vizinha do segundo andar. No final ainda se riu a boas gargalhadas na cara da vizinha. Nada foi feito! Estranho...
De uma outra vez mandaram a polícia a minha casa, alegando que a minha Mãe tinha a roupa a pingar para o pátio deles e os meninos, que estavam a brincar, apanhavam com as pingas. A minha Mãe, filha de um agente da autoridade, e conhecedora desde sempre dos seus direitos e deveres, fez alguma frente aos senhores agentes da GNR e não os deixou entrar em nossa casa. Foi complicado, pois queriam que ela os acompanhasse ao posto por desautorizar a autoridade. Só depois de ela ter usado o trunfo do nome de família, eles desistiram da ideia. Não satisfeitos, os vizinhos, viraram-se para o senhoria o obrigaram-no a fazer um coberto no pátio.
As coisas mudaram muito para essa família depois do dia 25 de Abril de 1974 e muita coisa ficou explicada. O senhor, que eu não me lembro do nome, era sim radio telegrafista, mas na PIDE, daí o meu Pai e o vizinho não lhe fazerem grande frente. As causas que eles defendiam, que vim mais tarde também a saber, precisavam mais deles cá fora do que presos na PIDE por um motivo menos: um estendal ou meia dúzia de pingas no pátio.
Pois, esse senhor, tal como muitos agentes desta polícia foram presos e foi ver a mulher, de cara em baixo, a tomar conta dos filhos e, imagem deprimente, tenho-a eu essa presente, era a dela aos Sábados à tarde carregada de sacos à espera do autocarro para ir visitar o marido à prisão!
Os meus Pais e os vizinhos, esses, ficaram livres, livres para viver as suas causas, que até então as viviam na clandestinidade, de uma forma muito discreta. Apesar disso, descobri mais tarde que as 'suecadas' em minha casa e na do vizinho até altas horas da noite não eram mais que reuniões políticas. O baralho das cartas era o álibi e as cartas estavam sempre espalhadas na mesa como se de uma suecadas se tratasse!
Postos a publico os ficheiros da dita polícia, o meu Pai veio a descobrir que estava referenciado como comunista. Como não tinham qualquer outras justificação... era porque tinha um carro vermelho! O vizinho, esse, recebeu, faz hoje 35 anos, uma carta para no dia 25 de Abril ir à dita polícia depor!
Bom, nem um nem outro eram santos, no que respeita à luta contra o 'Estado Novo', mas eram pessoas respeitadoras e nem sempre eram respeitadas por estas pessoas, que apesar das suspeitas, eram mesquinhas!
Claro que depois disto, o homem do primeiro andar ficou conhecido como o 'PIDE'. Nunca ninguém o tratou na mesma moedas. Simplesmente, deixaram-no viver a vida dele. Agora a adrenalina do meu Pai e do vizinho era a política a liberdade... o homem mais tarde ou mais cedo seria vitima do seu próprio veneno.
Se foi ou não, não sei. Quando saiu da cadeia, empregou-se como contabilista e alguns meses depois foram embora do prédio. Nunca mais o vi...
sexta-feira, 25 de abril de 2008
O Meu Dia 25 de Abril de 1974
Estava sol, não tão quente como hoje, mas estava sol!
O dia começou como os outros: levantei-me, esperei pela minha amiguinha Paula no fundo das escadas do prédio e lá fomos nós para a escola. Andávamos na segunda classe, sim porque naquela época era segunda classe que se dizia! nessa época os meninos também iam para a escola sozinhos, esses eram livres, ao contrário de agora!
Bom, mas é daquele dia que estou a falar, na escola tudo normal, deu-se a matéria, fomos para o recreio, e é quando começa o burburinho...os pais a chegarem à escola, a levarem os meninos, as professoras também saírem...estranho, mas que se passa?
Essa pergunta foi feita à professora que respondeu:
-Não se passa nada, o que tinha de se passar já passou e agora está tudo bem.
Os pais continuavam a ir buscar os meninos, até que da escola só a minha professorara lá estava com os poucos de nós que restavam. A professora era a mesma de sempre.
Com o argumento de que tinham ouvido no rádio, que algo se passava, por volta do meio-dia, os pais de um menino, do Victor, foram buscá-lo. Nesse momento, não sei porquê senti uma sensação de abandono. O pai da Paula já a tinha ido buscar e eu tinha-me aguentado, mas naquela altura... eu que até era uma miúda de expressar pouco o que me ia na alma!
Esse menino e o irmão ficavam de tarde em casa da D. Guilhermina... mais uma diferença: naquele tempo não havia ATL, havia as 'mestras' e os meninos que não tinham onde ficar porque os pais trabalhavam, iam para lá... eu também ia... e quanto eu gostava!
Então eu levantei-me e disse:
-E eu, posso ir embora? Os meninos estão todos a ir e os meus pais não me vêm buscar?!
-Mas eles não têm de te vir buscar, a escola só acaba à uma e tu vais sozinha como é costume!-Respondeu a professora.
-Mas, Senhora professora, eu não posso ir já? O Victor também vai para a Senhora ( era assim que tratávamos a D. Guilhermina)!
-Se quiseres vai, mas não vejo necessidade!
Pronto e eu lá fui com eles, na 4L bordeux, ainda me lembro! Mais apreensiva que assustada. De facto, recordando aquele dia, não estava assustada, mas estava ansiosa por ver os meus pais!
Não sei se a minha mãe me foi buscar mais cedo que o habitual, sei sim que esperei uma eternidade com o queixo pousado no portão da casa da Senhora...
Enquanto esperava, toda a gente que passava levava jornais e muitos deles liam-nos enquanto caminhavam, com se as notícias se desactualizassem antes de chegarem a casa. Também havia mais gente na rua que o habitual, pensava eu! É que a partir de uma certa hora, aquele dia contou para a 'estatística da rotina': mais pessoas que o habitual na rua, os pais a irem buscar os meninos fora de horas, não se estudou, o Sr Chaves ( marido da Senhora) nervoso! Sim esse estava nervoso e esteve pouco tempo connosco na cave!
Às tantas, ao fundo da rua vejo um vulto, que pelo andar seria a minha mãe, sim porque ela também vinha a ler o jornal em passo apressado! Não é que eu não estivesse habituada a ver a minha mãe ler o jornal, mas na rua?! Estranho!
Quando ela se aproximou, abraçou-me com um sorriso de orelha a orelha, sem largar o jornal, claro e eu perguntei-lhe:
-Que se passa, mamã?
- Foi uma revolução. Quando chegarmos a casa a mãe explica. Peguei no jornal, era uma edição especial da tarde do JN, com poucas páginas, e na capa tinha uma fotografia de um tanque de guerra com militares em cima muito felizes.
Peguei nas minhas coisas e lá fui eu para casa.
Naquele dia não houve desenhos animados, era só notícias com imagens de militares, iguais à do jornal!
Entretanto chega o meu pai, feliz da vida, esse não trazia o jornal, vinha carregado de jornais! Conhecendo-o como o conheço, nem precisava de ter essa imagem na minha memória, seria assim que o imaginava naquele dia!
O telefone estava sempre ocupado, ou era o meu pai a telefonar ou alguém a telefonar-lhe... a campainha também esteve bastante concorrida com amigos nossos a passarem lá por casa!
Não sei se me deitei mais cedo ou mais tarde que o habitual... nesta idade o tempo está ligado à ânsia e não ao relógio, quanto muito estaria à televisão, mas como a programação mudou completamente, não sei!
Sei que no dia seguinte fui para a escola, e a rotina recomeçou...num país agora livre...os militares tinham-nos dado uma coisa que nós não sabemos, nem nunca soubemos valorizar!
Nem os que nasceram durante o estado novo nem os que nasceram num país livre... esse muito menos... e é por isso que agora os meninos não são livre num país dito livre... eu no fascismo, ia para a escola sozinha... os meninos de agora, não!
Afinal onde está a liberdade? O que é afinal LIBERDADE???????????????
( imagens tiradas da net)


O dia começou como os outros: levantei-me, esperei pela minha amiguinha Paula no fundo das escadas do prédio e lá fomos nós para a escola. Andávamos na segunda classe, sim porque naquela época era segunda classe que se dizia! nessa época os meninos também iam para a escola sozinhos, esses eram livres, ao contrário de agora!
Bom, mas é daquele dia que estou a falar, na escola tudo normal, deu-se a matéria, fomos para o recreio, e é quando começa o burburinho...os pais a chegarem à escola, a levarem os meninos, as professoras também saírem...estranho, mas que se passa?
Essa pergunta foi feita à professora que respondeu:
-Não se passa nada, o que tinha de se passar já passou e agora está tudo bem.
Os pais continuavam a ir buscar os meninos, até que da escola só a minha professorara lá estava com os poucos de nós que restavam. A professora era a mesma de sempre.
Com o argumento de que tinham ouvido no rádio, que algo se passava, por volta do meio-dia, os pais de um menino, do Victor, foram buscá-lo. Nesse momento, não sei porquê senti uma sensação de abandono. O pai da Paula já a tinha ido buscar e eu tinha-me aguentado, mas naquela altura... eu que até era uma miúda de expressar pouco o que me ia na alma!
Esse menino e o irmão ficavam de tarde em casa da D. Guilhermina... mais uma diferença: naquele tempo não havia ATL, havia as 'mestras' e os meninos que não tinham onde ficar porque os pais trabalhavam, iam para lá... eu também ia... e quanto eu gostava!
Então eu levantei-me e disse:
-E eu, posso ir embora? Os meninos estão todos a ir e os meus pais não me vêm buscar?!
-Mas eles não têm de te vir buscar, a escola só acaba à uma e tu vais sozinha como é costume!-Respondeu a professora.
-Mas, Senhora professora, eu não posso ir já? O Victor também vai para a Senhora ( era assim que tratávamos a D. Guilhermina)!
-Se quiseres vai, mas não vejo necessidade!
Pronto e eu lá fui com eles, na 4L bordeux, ainda me lembro! Mais apreensiva que assustada. De facto, recordando aquele dia, não estava assustada, mas estava ansiosa por ver os meus pais!
Não sei se a minha mãe me foi buscar mais cedo que o habitual, sei sim que esperei uma eternidade com o queixo pousado no portão da casa da Senhora...
Enquanto esperava, toda a gente que passava levava jornais e muitos deles liam-nos enquanto caminhavam, com se as notícias se desactualizassem antes de chegarem a casa. Também havia mais gente na rua que o habitual, pensava eu! É que a partir de uma certa hora, aquele dia contou para a 'estatística da rotina': mais pessoas que o habitual na rua, os pais a irem buscar os meninos fora de horas, não se estudou, o Sr Chaves ( marido da Senhora) nervoso! Sim esse estava nervoso e esteve pouco tempo connosco na cave!
Às tantas, ao fundo da rua vejo um vulto, que pelo andar seria a minha mãe, sim porque ela também vinha a ler o jornal em passo apressado! Não é que eu não estivesse habituada a ver a minha mãe ler o jornal, mas na rua?! Estranho!
Quando ela se aproximou, abraçou-me com um sorriso de orelha a orelha, sem largar o jornal, claro e eu perguntei-lhe:
-Que se passa, mamã?
- Foi uma revolução. Quando chegarmos a casa a mãe explica. Peguei no jornal, era uma edição especial da tarde do JN, com poucas páginas, e na capa tinha uma fotografia de um tanque de guerra com militares em cima muito felizes.
Peguei nas minhas coisas e lá fui eu para casa.
Naquele dia não houve desenhos animados, era só notícias com imagens de militares, iguais à do jornal!
Entretanto chega o meu pai, feliz da vida, esse não trazia o jornal, vinha carregado de jornais! Conhecendo-o como o conheço, nem precisava de ter essa imagem na minha memória, seria assim que o imaginava naquele dia!
O telefone estava sempre ocupado, ou era o meu pai a telefonar ou alguém a telefonar-lhe... a campainha também esteve bastante concorrida com amigos nossos a passarem lá por casa!
Não sei se me deitei mais cedo ou mais tarde que o habitual... nesta idade o tempo está ligado à ânsia e não ao relógio, quanto muito estaria à televisão, mas como a programação mudou completamente, não sei!
Sei que no dia seguinte fui para a escola, e a rotina recomeçou...num país agora livre...os militares tinham-nos dado uma coisa que nós não sabemos, nem nunca soubemos valorizar!
Nem os que nasceram durante o estado novo nem os que nasceram num país livre... esse muito menos... e é por isso que agora os meninos não são livre num país dito livre... eu no fascismo, ia para a escola sozinha... os meninos de agora, não!
Afinal onde está a liberdade? O que é afinal LIBERDADE???????????????
( imagens tiradas da net)
Subscrever:
Mensagens (Atom)