Nas comemorações do Dia Mundial da Energia, Tomaz Dentinho, Brito de Azevedo e João Luís Gaspar trocaram ideias sobre alterações climáticas na Região.
As alterações do clima poderão implicar uma mudança de sector de subsistência, na economia da ilha Terceira. De acordo com Tomaz Dentinho, em 2070 a área de solo com apetência para a agro-pecuária será muito menor do que a actual, o que implica que os terceirenses optem por outras fontes de rendimento.As conclusões do economista são baseadas num modelo de interacção espacial, que utiliza o solo para simular o impacto das alterações climáticas na economia da ilha Terceira. Os resultados foram apresentados, ontem, no auditório da Casa das Tias, na Praia da Vitória.

A conferência do professor da Universidade dos Açores foi integrada num debate sobre as “Alterações Climáticas nos Açores”, promovido pela autarquia para assinalar o Dia Mundial da Energia. O evento contou ainda com a participação do Director Regional do Ordenamento do Território e Recursos Hídricos, José Luís Gaspar, e do professor Eduardo Brito de Azevedo. Em colaboração com investigadores de outras áreas, da Universidade dos Açores, nomeadamente de Eduardo Brito de Azedo, especialista em climatologia, Tomaz Dentinho prevê que a população da ilha Terceira seja reduzida para cerca de 45 mil pessoas, em 2070. Na base destes números estão previsões climáticas, justificadas em grande parte pelos elevados valores das emissões de dióxido de carbono. Segundo Eduardo Brito de Azevedo, tem-se registado um aumento de temperaturas e uma diminuição da precipitação no verão. Cruzando dados sobre temperatura, precipitação, declive e capacidade de solo, entre outros, Tomaz Dentinho estima que área de aptidão urbana aumente consideravelmente até 2070. Contrariamente, a zona de com aptidão agro-pecuária restringe-se bastante, assim como a de aptidão hortícola que passa a ocupar uma franja mais pequena. Prevendo-se que o turismo e a exportação se mantenham iguais, a população terá de optar por outras fontes de rendimento ou de recorrer à emigração, como geralmente acontece. Por sua vez, o Director Regional do Ordenamento do Território e Recursos Hídrico alertou para o facto da redução de emissões de dióxido de carbono, nos Açores, não apresentar soluções a curto prazo, uma vez que a principal fonte de emissão de dióxido de carbono é o sector dos transportes.Para além de não existir até à data uma solução eficiente a curto prazo, para a redução da circulação de transportes rodoviários, prevê-se ainda um aumento de outros tipos de transporte, tendo em conta as necessidades específicas de um arquipélago e o facto do sector de turismo continuar a ser uma aposta forte no desenvolvimento económico da Região.
Ainda assim, João Luís Gaspar lembrou que os Açores representam apenas 3% das emissões de dióxido de carbono, emitas por Portugal. O director regional salientou ainda que entre 1990 e 2004, a Região triplicou o PIB, no entanto não triplicou a emissão de dióxido de carbono. No início da sessão, Roberto Monteiro salientou que esta iniciativa foi a introdução para a I Feira de Energias Renováveis da Praia da Vitória, que se prevê que se realize em Junho. De acordo com o presidente da Câmara Municipal, a actividade terá como objectivo a promoção de uma “mostra de soluções preconizadas pelos comerciantes locais”, assim como a “continuação do debate” iniciado no Dia Mundial da Energia. Segundo Roberto Monteiro trata-se de uma forma de promover o “diálogo em torno de sugestões relacionadas com a sustentabilidade”. O autarca apelou a um “equilíbrio entre a componente ambiental e a componente economicista”. Roberto Monteiro salientou como exemplo da preocupação do município com as questões ambientais, o investimento na recuperação do Paúl.
Plano concluído em 2010
À margem do encontro, o director regional do Ordenamento do Território e Recursos Hídricos, revelou à Lusa que o Plano de Gestão dos Recursos Hídricos dos Açores deverá estar concluído durante o próximo ano. De acordo com João Luís Gaspar, trata-se de “um conjunto de instrumentos que resultam dos planos de gestão dos recursos hídricos individuais de cada uma das ilhas, que vão ser elaborados a partir de agora em simultâneo para permitir coerência e lógica transversal no documento final”.O director regional sublinhou que a Região “vai passar a trabalhar com base num documento que realça as especificidades dos Açores”. O objectivo deste plano, segundo João Luís Gaspar, “é criar uma série de instrumentos que possam, de certa maneira, contribuir para a organização do território numa perspectiva regional e municipal”.
(in Diário Insular)
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