terça-feira, setembro 29, 2009

Alunos dos Açores pouco conhecem as línguas estrangeiras

Os alunos da Região Autónoma dos Açores apresentam o mais baixo índice de conhecimento de línguas estrangeiras, segundo revela um estudo da Eurostat.
A Universidade dos Açores, contraria, no entanto, esses números. A Academia açoriana oferece cursos livres em diferentes idiomas e luta pela reactivação de algumas licenciaturas, nestas áreas de conhecimento e a transformação começa, segundo a professora Leonor Sampaio, ao nível da comunicação e da tradução.Os cursos estão abertos a todos, em período pós-laboral: o inglês é o mais procurado, seguindo-se o francês e o espanhol.
Em 2007, 60% dos alunos do ensino secundário na Europa estudaram, pelo menos, duas línguas estrangeiras, um terço dos alunos europeus estudou, apenas, uma e 6% não estudou qualquer língua estrangeira.Nos Açores, cresce o interesse pelo conhecimento das línguas estrangeiras e o mercado é global, assim como a comunicação entre as pessoas.
(in Luís Branco / Carlos Tavares)

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Propinas próximas dos mil euros

No topo da pirâmide de valores está a Universidade de Aveiro e no circuito dos politécnicos o IP Leiria. Os estudantes destes estabelecimentos vão ter de desembolsar mais de 995 euros para frequentar o ano lectivo 2009/2010. Universidades e politécnicos públicos nacionais aproximam-se ano a ano no valor da propina fixada.A quantia de 1000 euros deixou de ser uma miragem há bastante tempo e está cada vez mais próxima. Em algumas instituições restam poucos euros - menos de quatro euros em alguns casos – para que o valor da propina chegue aos 1000 euros anuais. O montante máximo de propina para o ano lectivo de 2009/2010, calculado com base na legislação, é de 996,85 euros (para as instituição que fixaram o valor este ano). Duas instituições ultrapassam esta importância: a Universidade de Aveiro (998 euros) e o Instituto Politécnico de Leiria (997,27 euros). Segundo explicou a administradora da universidade aveirense, Fátima Duarte, “o Senado fixou o valor da propina, pela última vez, no ano lectivo de 2005/2006, em 900 euros”. Ambas as instituições limitaram-se, portanto, a fazer a actualização, anual, do montante, seguindo as regras estipuladas na legislação.Mas a verba fixada na Universidade de Aveiro não é um caso longínquo do verificado no universo das universidades. Na tabela de valores situados nos ou acima dos 970 euros estão outras 10 universidades públicas (Trás-os-Montes, Minho, Beira Interior, Porto, Coimbra, Lisboa, Nova de Lisboa, Técnica de Lisboa, Évora e Madeira). Muitos dos Conselhos Gerais decidiram fixar o montante da propina em 996,85 euros, o correspondente a mais 24,71 euros sobre o tecto máximo da propina fixada no ano lectivo de 2008/2009. Longe ainda destes valores está a Universidade dos Açores, sendo o estabelecimento que apresenta a propina mais baixa: 922 euros.Politécnicos: as divergências entre interior e litoralUm exame atento permite perceber que, no mapa dos institutos politécnicos, os valores mais baixos são praticados sobretudo, mas não só, nos institutos do interior do país: politécnicos da Guarda, Viseu, Portalegre, Beja, Cávado e Ave, Coimbra, Bragança e Castelo Branco. Os dois últimos apresentam o montante mais baixo – 700 euros, mas em geral os valores não ultrapassam os 850 euros. Já no litoral verifica-se o oposto. As diferenças territoriais chegam aos 200 euros.“É possível que consigam [politécnicos do interior] gerir de outra forma e não tenham necessidade de aumentar as propinas. Mas é uma medida para captar alunos”, afirma o presidente da Federação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAESP), Joaquim Almeida.É também verdade que nos institutos politécnicos os estudantes podem encontrar propinas mais baixas do que nas universidades. Em termos gerais, dos 15 institutos, oito posicionam-se na fatia entre os 700 e os 850 euros e os restantes sete encaixam-se na parcela correspondente a valor igual ou superior a 900 euros. “O valor da propina está demasiado alto. Começa a não ser suportável para alguns alunos. O Ensino Superior começa a elitizar-se um pouco”, crê Joaquim Almeida. Mas Jo dirigente associativo está convencido de que “se houver apoios suficientes para quem realmente precisa, o valor da propina poderá ser considerado justo”.Os montantes fixados estão, em alguns casos, bastante próximos dos praticados nas universidades nos politécnicos situados no litoral. “Já há algum tempo que começa a haver uma descaracterização do que é Ensino Superior politécnico e universitário”, analisa Joaquim Almeida.O dirigente da FNAESP acredita que a própria semelhança entre as formações leccionadas nos dois sistemas levará a uma “harmonização” entre universidades e politécnicos. Valor das propinas divide estudantes do IP LeiriaA direcção do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) acresceu 25,27 euros ao valor do ano lectivo precedente, chegando agora aos 997,27 euros. É a propina mais elevada no seio dos politécnicos nacionais. Se, por um lado, há estudantes que “compreendem” o aumento, outros contestam. Pedro Batalha, presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPL, afirma que o acréscimo se rege de acordo com o estipulado na lei. O aluno considera que o valor da propina não é exagerado. “Pagamos um serviço que temos”, acrescentando que os estudantes usufruem de boas infra-estruturas. “Sempre que há problemas são criadas soluções para”, garante. Mas nem todos estão de acordo com a importância. Um grupo de alunos criou o Movimento Pró-IPLeiria com o objectivo de contestar o montante fixado no politécnico.De lembrar que, de acordo com o relatório da OCDE “Education at a Glance”, divulgado na passada semana, Portugal é o terceiro país da União Europeia (em 19 estudados) com propinas mais elevadas nas universidades públicas. Apenas o Reino Unido e a Holanda superam os valores registados no território nacional. Por seu lado a República Checa, a Dinamarca, a Finlândia, a Islândia, a Irlanda, a Noruega e a Suiça não cobram propinas.
(In aauma)

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sexta-feira, setembro 04, 2009

Voluntários por Sócrates estão esquecidos

José Manuel Bolieiro

Os acontecimentos não dependem dos lembretes para serem história. Fazer esquecê-los não os apaga da realidade dos factos. Colocá-los no limbo pode facilitar a vida a alguns, confinado estes na ideia de que o que não é conhecido não existe. Este parece ser o lema da candidatura do PS dos Açores às próximas legislativas nacionais. Os agora denominados “voluntários por Sócrates” dão, nesta pré-campanha, o corpo ao manifesto, expressando, ao extremo, a sua capacidade demagógica na defesa do dito e no ostensivo ataque à sua adversária. O antes apelidado, por eles, de autista e inflexível é agora o grande amigo dos Açores. Incautos, esquecem alguns factos, querendo fazer de nós, os outros não voluntários por Sócrates, autênticos néscios e de memória curta. Mas na verdade não somos, e nesta situação importa dar a conhecer os factos aos que os desconhecem e lembrar os esquecidos. Entre outros factos, foi Carlos César, Presidente do PS/A, que denunciou José Sócrates, sobre o desentendimento sobre entendimentos. Por outras palavras, denunciou-o por faltar à palavra. Foram o PS/A e Ricardo Rodrigues, incapazes de o contrariar, que engoliram, descontentes, a exigida expurgação da expressão “Povo Açoriano” de um artigo do Estatuto. São o PS/A e Ricardo Rodrigues os mesmos que se vergaram perante a recusa da regionalização da coordenação da Polícia de Segurança Pública nos Açores, tal como pedido por Carlos César. Na revisão da lei de Segurança Interna , a Região ficou tratada abaixo de um qualquer governador civil. São o PS/A e Ricardo Rodrigues que, de cabeça baixa e inactivos, reconhecem que os Projectos de Interesse Comum previstos na Lei de Finanças das Regiões Autónomas nunca foram aplicados, desfavorecendo os Açores. Ainda no âmbito da última revisão desta Lei, que enche de vã glória o PS/A, foram eles os mesmos que deixaram cair o critério da distribuição “per capita” das receitas do IVA, penalizando quantitativamente as receitas que nos eram atribuídas. Agora ficamos dependentes de compensações anuais, negociadas ano a ano com o Ministro das Finanças. Mais há mais, o PS/Açores fechou sempre os olhos aos anuais garrotes impostos às necessidades de financiamento da Universidade dos Açores. Ao beco sem saída em que está colocado o futuro da RTP/Açores - a rádio e a televisão – os recandidatos do PS nunca manifestaram qualquer exigência de soluções, que não surgiram até hoje. Facto é que, avaliados também outros casos, envolvendo o Poder Local, o Primeiro-Ministro José Sócrates é o mais centralista de sempre. Com amigos destes, parece que não precisamos de inimigos.
(in Diário dos Açores)

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quarta-feira, agosto 05, 2009

Para criar emprego: Governo quer ensinar Universidade dos Açores

As empresas açorianas têm grande dificuldade em descolar de uma situação de funcionários com baixo nível de qualificação para outra em que tem de ter ao seu serviço jovens licenciados. Mas também a Universidade dos Açores não é suficientemente flexível ao nível dados mestrados e pós-graduações para posicionar os jovens para o mundo do trabalho na Região. O resultado é o crescimento do número de licenciados no desemprego e, ao descrédito ao nível das licenciaturas. A educação nos Açores vive uma nova encruzilhada, agora ano nível do ensino superior. A densidade de licenciados na Região é a mais baixa do país e, apesar disso, o desemprego entre os licenciados está a aumentar. No arquipélago existem já 99 licenciados que não têm emprego e, face à crise económica que afecta o tecido empresarial regional, a tendência é para que este número cresça. Rui Bettencourt, director regional do Emprego e Formação Profissional, faz uma leitura favorável das estatísticas. Em Portugal, com uma população de 10 milhões de pessoas, tem 50 mil licenciados no desemprego. Os Açores, com 240 mil pessoas, representam 2,5% dos portugueses. Ora, 2,5% dos 50 mil licenciados portugueses no desemprego corresponderia a 1.250 licenciados desempregados “e temos 99”. Ou seja, prossegue, “a incidência do desemprego nos licenciados é muito menor nos Açores do que no Continente”. Dos 99 licenciados que, na Região, estão no desemprego, “apenas” 44 têm menos de 30 anos e estão, portanto, à procura do primeiro emprego. Isso significa que 54 licenciados têm “num ou outro momento do seu percurso profissional, um problema de desemprego”, explica Rui Bettencourt. Flexibilizar mestrados e pós-graduações O director regional não esconde que existe, actualmente, nos Açores, uma falta de adaptação das licenciaturas da Universidade às exigências do mercado regional. “Temos de aumentar o número de licenciados de uma forma pertinente” afirma, para depois realçar que, se não for assim, “poderá instalar-se, durante alguns anos, incompreensão em relação à necessidade de termos mais licenciados”. “Se nós não dermos resposta, em termos de pertinência no ensino superior, para as necessidades das empresas, arriscamos a que os jovens deixem de acreditar na Universidade”, alertou. “Alias”, sublinha, a sociedade açoriana e as empresas “necessitam de perceber que são necessários mais licenciados. Agora, na verdade, temos de ter cursos mais pertinentes”. Reconhecendo que a Universidade dos Açores não pode estar a mudar todos os anos de quadro docente para ter num ano, por exemplo, engenharia civil, e, no outro, engenharia mecânica; o estabelecimento de ensino superior pode criar aquilo que designa como cursos “de banda larga”. Ou seja, cursos de conhecimentos gerais como “trampolim” para uma especialização dos jovens em áreas que vão ao encontro das necessidades do mercado. Para se conseguir este objectivo, os mestrados e pós graduações “devem ser mais flexíveis” na Universidade açoriana. “Sou muito apologista da flexibilidade dos mestrados e doutoramentos e uma forte ligação com o tecido empresarial”, acentua o director regional. “Pode haver, à dimensão da nossa universidade, várias licenciaturas de base e vários mestrados evolutivos e flexíveis”, sugere, a propósito. “É por isso que entendo”, adianta, que o governo açoriano e a universidade “devem caminhar, em parceria, para promover mestrados e pós graduações de conversão de jovens licenciados, tendo como meta o alargamento do número de licenciados no quadro das empresas dos Açores”, defende. Esta aproximação é inevitável como forma de se vencer esta “encruzilhada” que, de harmonia com o próprio Rui Bettencourt, é “muito complicada”. Nos próximos anos, afirma, os Açores “têm de imaginar outras estratégias de aproximação da universidade às empresas, outras estratégias de adequação dos cursos universitários às necessidades da economia e da sociedade, através da flexibilização de pós graduações e mestrados”. “E temos de imaginar outras estratégias para convencer as empresas” de que os jovens licenciados “são uma mais-valia forte para o tecido empresarial mesmo que, à partida, não tenham uma formação imediatamente utilizável”. Rui Bettencourt dá o exemplo de um jovem licenciado em estudos europeus que entrou para uma empresa de exportação de pescado de São Miguel através do programa ‘Estagiar L’ e que, através do seu conhecimento, consegue exportar peixe para a Croácia, Itália e Espanha. “Portanto, há conhecimentos que os jovens têm e que podem ser potenciados”, afirma, a propósito. “Estamos aqui numa situação muito complicada que exige uma nova visão do futuro”, sublinha Rui Bettencourt. “Dar o salto para outro patamar” “É necessário modificar a abordagem dos recursos humanos, nomeadamente do ensino superior nos Açores. Temos de ter um momento de viragem. Já o fizemos no ensino profissional. É necessário fazê-lo no ensino superior”, palavras do director regional. Em seu entender, quando se vencer “este momento difícil” de tornar a formação superior do jovem pertinente para o mercado de trabalho e o jovem licenciado reconhecido nas empresas, “damos um salto para um outro patamar”. A par disso, há empresas que têm necessidade de licenciados em determinadas áreas. O mercado continua a ter falta de agronomistas. “Porque não fazer um mestrado nesta área?”. Há falta de técnicos em higiene e segurança no trabalho (os 28 que saíram agora da Universidade estão empregados). E “temos uma dificuldade enorme em tradução. Temos falta de profissionais intérpretes”. E em toda esta encruzilhada”, afirma o director regional do Emprego e Formação Profissional, “leva-nos a repensar o projecto profissional do jovem de modo a que haja um momento de entrada no mundo do trabalho e outro em que, continuamente, o jovem aprenda a reconverter-se, Temos vindo a trabalhar muito na formação de activos e na formação inicial de nível profissional (níveis 2 e 3). E isso faz-nos pensar no sistema de ensino superior de formação contínua. É necessário trabalhar muito a nível superior”, defende. E Rui Bettencourt aponta uma outra questão que considera “interessante”. “Os açorianos têm de estar preparados para mudar de profissão”. Em sua opinião, o contexto profissional “vai fazer-nos evoluir para outras direcções que não era aquela que tínhamos pensado à partida. Não podemos imaginar fazer como há 40 anos atrás em que alguém entrava na profissão de contabilista e permanecia na mesma ao longo de três a quatro dezenas de anos”. “É necessário ter uma crescente capacidade de adaptação. E é necessário que quem ensina (no ensino superior e não superior) dote os jovens de capacidade de adaptação porque eles vão precisar desta adaptação ao longo da sua vida profissional”, completa. Sem ‘mata-borrão’ A tendência para o aumento de desempregados entre os licenciados nos Açores, apesar de agravada pela crise, não é só circunstancial. Deriva de um factor estruturante que resulta da forma como o mercado de trabalho está estruturado. É um mercado que continua a solicitar, em grande escala, qualificações muito baixas. Apesar desta realidade, tem aumentado o número de licenciados inseridos no mundo do trabalho nos Açores. Desde logo, porque em Portugal, no geral, e nos Açores em particular, o grande empregador de licenciados é o Estado. E especificamente num sector do Estado, a educação. “Professor era o destino onde iam parar muitos licenciados. Funcionava como um verdadeiro mata-borrão”, afirma Fernando Diogo. Com a queda demográfica, com efeitos ao nível do primeiro ciclo do ensino básico, houve escolas que encerraram. Eram escolas onde os alunos “estavam mais disponíveis e havia maior insucesso escolar”, refere o sociólogo. O facto é que, nesta altura, o mercado de trabalho para os licenciados na educação “está em pleno esgotamento” e “já se fala em desemprego docente que corresponde aos professores que não conseguiram colocação”. “Há, digamos, uma saturação do mercado do trabalho por duas vias: porque há muitos licenciados e porque o número de crianças e jovens tem vindo a diminuir nos Açores apesar de a Região, sobretudo devido a São Miguel, ser a mais jovem do país”. Fernando Diogo dá outro exemplo que conhece de perto, o do instituto de Acção Social que emprega mais de 100 licenciados. Durante muito tempo não havia licenciados em serviço social nos Açores em número suficiente para preencher as vagas. Concorriam muitos licenciados do continente e alguns ficaram. A partir do momento em que o número de licenciados, sobretudo açorianos, e especialmente micaelenses, aumentou, as pessoas foram ocupando as vagas e, agora, “não há muitos lugares a abrir para novos para licenciados…”. Elevar a qualificação nas empresas Toda esta questão da qualificação “é fundamental para os Açores e para cada açoriano”, afirma Rui Bettencourt, director regional do Emprego e Formação Profissional. “Não podemos imaginar a economia dos Açores com pessoas não qualificáveis”, sustenta. Mas o facto é que dois terços da população açoriana não tem o nono ano, o que para sociólogo Fernando Diogo, “é uma situação terrível” do ponto de vista das qualificações mas que “se justifica também porque é esta qualificação que o mercado exige”. Só que, numa dimensão global, esta realidade “é mau sob o ponto de vista do desenvolvimento da Região”, completa o sociólogo. Na construção civil é reduzido o número de engenheiros e outro pessoal qualificado. A Agricultura, como é feita nos Açores, não exige grande qualificação e, nas pescas são muito poucos os licenciados. A maior parte da população activa nos Açores enquadra-se no quadro de activos altamente desqualificados. Outro sector de actividade em crescendo nos Açores é o turismo mas, salienta Fernando Diogo, “o nosso turismo (cama e mesa), enquanto gerador de muito emprego sazonal, ainda não chegou a um ponto tão sofisticado que seja um tipo de actividade que exija licenciaturas”. “Isto não quer dizer que não haja necessidade de uma qualificação crescente dentro da actividade turística”, completou. Em todo este contexto, é compreensível que três quartos dos desempregados nos Açores não tenham o sexto ano da escolaridade; que mais de metade não tenha a quarta-classe. E Rui Bettencourt, director regional do Emprego, não esconde que, de facto, “o grande drama” no desemprego nos Açores “dá-se em público que não tem nenhuma escolaridade”. “O paradoxo que existe nos Açores”, acentua o director regional, é que “ainda se tem a formatação de que para estes trabalhos não é preciso ter uma qualificação e temos de convencer os empresários de que não é assim”. E Rui Bettencourt dá um exemplo: “A decisão de um turista regressar ou não aos Açores pode depender de termos ou não um recepcionista com qualidade. A nossa recepcionista que, em alemão, inglês ou francês, receba bem e seja simpática, pode levar o turista a regressar. E para isso tem de ser reconhecida e tem que ter uma boa remuneração”. O mesmo sucede em termos de higiene alimentar. “Não se consegue pôr de pé uma certificação de qualidade se não se tiver um técnico especialista nesta área”, alerta Rui Bettencourt. “E um licenciado em comunicação social. Uma empresa que não comunica interna e externamente vai ter dificuldade”. Ou seja, prossegue o director regional, “há uma exigência de idoneidade nos Açores que as empresas têm de perceber que passa pelo nível de qualificação dos seus trabalhadores. Se não for assim, dentro de dez anos estamos com o patamar de desenvolvimento de há 20 anos atrás…”. “Tudo isso”, completa, “deve levar a um discurso de convicção e de influência para que as empresas sigam este caminho. É que não está em questão só o futuro desta ou daquela empresa. Está em causa o futuro do tecido empresarial açoriano e dos Açores”.
(in João Paz - Correio dos Açores)

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quinta-feira, julho 16, 2009

25 cursos, 568 vagas na Universidade dos Açores

25 cursos, 568 vagas na Universidade dos Açores. É esta a oferta da Universidade dos Açores para quem quer ingressar no ensino superior no próximo ano lectivo.
Na Universidade dos Açores não há cursos novos nem horários pós laborais.
O curso com mais vagas, 50, é o de gestão.
Medicina, os preparatórios na Universidade dos Alçores, disponibilizam 38 vagas.
Com 30 lugares cada seguem-se os cursos de Informática / Redes Multimédia, e a licenciatura em Relações Públicas e Comunicação.
Com pouco mais de 10 vagas, no extremo oposto, estão três cursos do Pólo de Angra do Heroísmo: Ciências Agrárias, preparatórios de Medicina Veterinária e preparatórios de Ciências Farmacêuticas.
Praticamente desaparecem os cursos ligados ao ensino.
Há apenas uma licenciatura em Educação Básica.
Desaparecem também os cursos ligados às línguas.
Mantém-se a licenciatura em história e não há qualquer curso relacionado com Ciências do Mar.
Há dois cursos próximos do modelo económico defendido pela região, Turismo, com 20 vagas, em Ponta Delgada, e Energias Renováveis em Angra.
No Politécnico, nas escolas de enfermagem há 95 lugares, 55 vagas em Ponta Delgada e 40 em Angra do Heroísmo.

(In Ana Paula Santos Antena 1)

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segunda-feira, junho 22, 2009

Saber ser empreendedor

Blandina Costa
Ensinar a ser empreendedor é uma tarefa a que muitas universidades e escolas do país já aderiram. E querer abrir um negócio próprio não é condição necessária para frequentar os cursos. Afinal, ser empreendedor a trabalhar por conta de outrem é também um factor de sucesso na carreira. O importante é saber escolher. A componente prática dos cursos, em que se testa uma ideia concreta de negócio, e se partilha as experiências de quem já fez o mesmo, permitindo que os alunos auto-avaliem o seu perfil empreendedor, são requisitos importantesA ideia de criar um negócio próprio provavelmente já lhe passou pela cabeça. Por brincadeira, em conversa com amigos ou num tom mais sério lançou a ideia para o ar. Mas se alguns embarcam na aventura, muitos acabam, no entanto, por deixar morrer a ideia do que poderia ser uma alternativa de vida. Sabendo que a falta de conhecimentos básicos sobre como lançar um negócio e dar-lhe vida é, muitas vezes, um travão ao lançamento de um projecto empresarial próprio, muitas universidades e escolas do país lançaram nos últimos anos cursos de empreendedorismo. Não é difícil encontrá-los de Norte a Sul do país, passando pelas regiões autónomas. Mas afinal o que ensinam estes cursos, a quem se destinam e será que são mesmo uma opção para quem quer lançar um negócio próprio?Antes de mais, quem já lida com o ensino do empreendedorismo há alguns anos começa por frisar que os cursos de empreendedorismo não são só para quem quer lançar um negócio, mas destinam-se a criar e a fomentar uma atitude empreendedora, seja para quem quer lançar um negócio próprio seja para quem trabalha por conta de outrem. Francisco Banha, presidente executivo da GesEntrepreneur, uma empresa vocacionada para o ensino do empreendedorismo, e que é também responsável pela disciplina de Entrepreneurship no MBA do ISEG, diz que criar "um negócio no futuro é apenas um resultado. Todos os empregadores querem trabalhadores com um espírito empreendedor." E acrescenta: "A educação em empreendedorismo tem como objectivo desenvolver um conjunto de atitudes e competências como a autonomia, a criatividade, o espírito de iniciativa e a inovação."
Pedro Saraiva Empreendedor é alguém que tem coragem de converter um sonho em realidadeUm curso deve determinar até que ponto se tem ou não um perfil empreendedor. É, por isso, que uma das etapas do curso de empreendedorismo desenvolvido pela Universidade de Coimbra passa pelo preenchimento de um inquérito de auto-avaliação que pretende determinar o perfil de empreendedor de cada aluno. Ser empreendedor, diz Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, "é ser alguém que tenha capacidade de sonhar, a coragem de converter esses sonhos em realidade, sabendo que vai ser obrigado a tomar decisões em ambiente de incerteza e de risco, que vive em permanente aventura e que vai ter de antecipar mudanças, posicionando-se pela positiva." E é preciso testar e ver se se tem ou não estas características.Com a experiência de dez anos de ensino do empreendedorismo, a Universidade de Coimbra aprendeu também que a componente prática dos cursos é uma vertente importante. "Tentamos que seja uma aprendizagem prática, em que se trabalha uma ideia concreta e o curso é desenvolvido trabalhando essa mesma ideia", explica Pedro Saraiva. Essa é também a filosofia de ensino da GesEntrepreneur ao importar a metodologia do 'learn by doing' que Chris Curtis implementou no Canadá. "A melhor maneira de formar um empreendedor é proporcionar-lhe condições para que ele possa fazer as coisas acontecerem. Assim, em vez de tentarmos levar o mundo exterior à sala de aula, levamos os formandos ao mundo exterior, fazendo-os sair da sua zona de confiança", acrescenta Francisco Banha.
Um viveiro de ciência

Da formação em empreendedorismo que a Universidade de Coimbra tem desenvolvido nos últimos 10 anos já nasceram 107 empresas - a uma média de mais de 10 por ano -, foram criados 1.110 postos de trabalho quase todos de licenciados e doutorados e algumas já estão mesmo presentes noutros países. São sobretudo empresas de base tecnológica que germinaram nas várias faculdades e institutos da universidade, tendo estas um volume de negócios de cerca de 55 milhões de euros por ano. Empresas hoje muito conhecidas como a Critical Software ou a Crioestaminal contam-se entre estes números. O segredo do sucesso está no facto do ensino do empreendedorismo vir associado a um "viveiro de produção de ciência", explica Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade de Coimbra. O universo de 1.500 cientistas e docentes universitários que trabalham em sectores de actividade como as tecnologias de comunicação, ciência viva, energia e ambiente e materiais - áreas onde se pode criar oportunidades de mercado -, mas também noutras faculdades como a de Letras, juntam-se por exemplo ao Instituto Pedro Nunes (incubadora de empresas) para criar um potencial empreendedor pouco habitual em Portugal. O ensino do empreendedorismo na Universidade de Coimbra faz-se em várias frentes: cursos para a população em geral com uma duração em regra de duas semanas, realizada em várias localidades do país e até fora (Lubango em Angola foi um caso de sucesso), e em que se trabalham ideias de negócios com os formandos; iniciativas de sensibilização, como seminários, com empreendedores que servem de modelo; concursos de ideias de negócio; e os cursos de empreendedorismo tecnológico que partem das tecnologias que saem dos laboratórios das universidades e que são trabalhadas por equipas mistas de investigadores e mentores de outros negócios. Prova de que o trabalho tem dado resultados é que, das últimas edições do prémio BES Inovação, os grandes prémios incidiram sobre projectos de ciência e tecnologia desenvolvidos a partir da Universidade de Coimbra. Um terceiro factor fundamental apontado por Pedro Saraiva é o facto de os cursos proporcionarem aos formandos a possibilidade de partilharem a experiência com outras pessoas que passaram pelo mesmo, através de testemunhos práticos.
Francisco Banha

Os empregadores querem trabalhadores com espírito empreendedor "A essência é a atitude empreendedora", resume o vice-reitor da Universidade de Coimbra, explicando que os cursos procuram dosear de forma equilibrada estas componentes com as noções sobre a gestão de um negócio, a análise económico-financeira, a gestão de recursos humanos ou o marketing e estudos de mercado. A componente prática tem sido cada vez mais valorizada e Francisco Banha diz mesmo que essa é a vocação dos cursos de empreendedorismo: "A educação em empreendedorismo pretende esbater a enorme barreira que ainda hoje separa a Escola das restantes organizações sociais" e fazer a ponte entre o campo educativo e o mercado de trabalho.O ensino do empreendedorismo não se limita a cursos específicos sobre o tema. Cada vez mais, as universidades têm optado por criar a disciplina e torná-la acessível a uma diversidade de cursos, nuns casos como opção, noutros como disciplina obrigatória. "Nós acreditamos verdadeiramente que o empreendedorismo deve ser uma área transversal e tanto assim é que criámos a disciplina e temos tentado oferece-la a todas as licenciaturas da Universidade dos Açores", afirma Gualter Couto, director do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores. Criado em 2006, para colmatar a falta de iniciativa empreendedora, dinamismo, inovação e competitividade da região, o Centro concebeu não só cursos específicos sobre o tema, como tem tentado introduzir a matéria nos vários cursos da universidade. Desde o ano lectivo de 2007/2008, a disciplina é uma opção nas licenciaturas de Economia e Gestão e uma cadeira obrigatória na licenciatura de Serviço Social. Gualter Couto só lamenta que não haja mais adesão interna. "Já oferecemos essa disciplina aos restantes departamentos da Universidade mas infelizmente as mentalidades ainda não estão tão abertas como se desejaria a novas iniciativas como esta."
David Ligeiro

Planeia lançar-se por conta própria no mercado angolano As opiniões dividem-se quando se fala no impacto que o processo de Bolonha (que implicou uma reestruturação dos cursos universitários) teve no ensino do empreendedorismo. Se para Pedro Saraiva, da Universidade de Coimbra, Bolonha trouxe uma cobertura curricular obrigatória ou opcional que antes não existia nos cursos; para João Carvalho das Neves, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, ou ISEG, e com larga experiência de ensino nesta área, veio desestruturar muita coisa que existia, nomeadamente, no ensino do empreendedorismo. "Em licenciaturas de três anos não dá para ter tudo. Era uma cadeira de 4º ano e agora ficou para o segundo ciclo de Bolonha e, como há uma grande variedade de mestrados, não foi possível introduzir a disciplina em todos. O que acaba por não ter expressão", lamenta.Para que o ensino do empreendedorismo no meio académico possa ter sucesso, preparando as gerações futuras, João Carvalho das Neves diz que as várias faculdades e departamentos de uma universidade têm de trabalhar em conjunto, aliando as vertentes da gestão ao trabalho de investigação e tecnologia. Além disso, lança uma ideia: porque é que o Estado, em vez de entregar fundos de capital de risco a uma sociedade gestora, não faz a experiência de entregar esses fundos nas mãos de universidades com um historial comprovado na área do empreendedorismo. O retorno seria, provavelmente, compensador.
A pensar num negócio

David Ligeiro tem 25 anos e, há pouco mais de dois anos, decidiu ir viver e trabalhar em Angola. É funcionário da UniOne, uma empresa de consultoria que apoia empresas que se querem implantar em território angolano, e já tem planos para lançar um negócio próprio no país. Para isso, o curso de empreendedorismo da Universidade de Coimbra, organizado pela primeira vez em 2008 no Lubango, em Angola, tem-se revelado um instrumento precioso para organizar as ideias futuras. "A aprendizagem é fundamental, principalmente para evitar cometer erros básicos que podem facilmente ser evitados utilizando conhecimentos fundamentados, que não sejam apenas empíricos", explica David Ligeiro. E aquilo que aprendeu tem também sido muito útil na organização e desempenho do seu trabalho diário. Sabe que o exemplo é importante e, por isso, decidiu também dar o seu testemunho. A UniOne faz parte do projecto Junior Achievement - uma rede que desenvolve programas de apoio a alunos de diversas escolas a constituir a sua "mini-empresa", ensinando e acompanhando todos os passos de criação e vida de uma empresa - e David Ligeiro é um dos voluntários. Ensina a fazer aquilo que um dia quer pôr em prática: a criação de uma empresa, neste caso, de Imagem, Design e Publicidade. PAlém de ser uma das suas áreas de eleição, sabe que este sector tem pouca oferta em Angola e "o potencial é enorme".

(In Jornal de Negócios)

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quinta-feira, junho 18, 2009

Universidade dos Açores de novo em apuros

A Universidade dos Açores (UA) faz parte das quatro instituições de ensino superior do país em pior situação financeira. Não existirão verbas para o pagamento de salários até ao final do ano lectivo. De acordo com notícia do jornal “Diário Económico”, a UA é uma das quatro universidades que já pediram um reforço financeiro ao Ministério do Ensino Superior.Embora não tenha dado garantias, o ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, garantiu estar atento à situação.Depois de receber um uma segunda carta do conselho de reitores pedindo reforço financeiro, o ministro já enviou uma missiva aos reitores das instituições com problemas financeiros, garantindo reforços para as que venham a entrar em ruptura, avança o jornal.Mariano Gago assegura ter “total disponibilidade para acompanhar a execução orçamental das instituições”, adiantando que pediu um parecer ao Gabinete de Planeamento Estratégico e Relações Internacionais (GPEARI) sobre os pedidos de reforço.Na prática, os reitores querem que o Governo disponibilize os 20 milhões de euros inscritos no orçamento de Estado, destinados à “reserva para recuperação institucional”As universidades dos Açores, Algarve, Beira Interior e Trás-os-Montes são as quatro instituições em pior situação financeira. Não foi possível obter reacção da UA até ao fecho da edição.Recorde-se que no mês passado foi noticiado que o orçamento da Universidade dos Açores para este ano foi alvo de um reforço de cerca de 1,5 milhões de euros, mas que esse valor não serviu ainda para cobrir o deficit de 2,8 milhões.Ao jornal “Açoriano Oriental”, Avelino Meneses disse que “ainda é prematuro falar nas dificuldades financeiras” pois desconhece-se a fórmula que vai ser seguida na divisão da almofada financeira de 90 milhões, aprovada em sede de Orçamento de Estado e destinada à recuperação financeira das instituições de ensino superior (com uma dotação nacional global de 40 milhões), dos projectos competitivos (mais 40 milhões) e da acção social (10 milhões)”. Foram já várias as soluções propostas para a recuperação financeira da Universidade dos Açores, incluindo por parte do Governo Regional, que, em 2008, propunha a resolução dos problemas financeiros com a integração da academia açoriana em consórcios científicos a ser criados.
(in Diário Insular)

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sexta-feira, maio 29, 2009

A caminho da Europa!

O CDS-PP escolheu a ilha das Flores, a parte mais ocidental da Europa, para iniciar a sua caminhada até Bruxelas. Em conferência de imprensa na Ponta da Fajã Grande, Emiliana Silva referiu “a Europa começa aqui na Fajã Grande das Flores, nos Açores e não no Cabo da Roca. Queremos com esta visita simbolizar que a ilha das Flores está no mapa Europeu”.
Emiliana Silva frisou que “queremos ainda, que as Flores e os Açores tenham quem os represente efectivamente no Parlamento Europeu”.
Na longa viagem ao coração da Europa a candidata do CDS-PP conta com a ajuda de todos os açorianos, “pois os açorianos sabem que podem contar comigo”.
A candidata do CDS-PP elegeu como temas principais da sua campanha a coesão territorial, os transportes, a diversidade agrícola e ambiental, e ainda as comunicações “que são tão necessárias a esta ilha e aos Açores”.
A professora universitária sendo eleita pretende “defender veementemente os açorianos e os produtos tradicionais açorianos (leite, queijo, carne, pescado, chá, ananás, mel, maracujá, vinhos, entre tantos outros)”.
Fazendo um balanço dos dias da pré-campanha eleitoral, Emiliana Silva referiu a visita ao Pólo da Terra-chã da Universidade dos Açores, “porque o CDS-PP atribui alta importância ao ensino e investigação de excelência da Universidade e que é reconhecida não só a nível Europeu mas mundial”, exemplificando que “há excelência nas áreas de nutrição, reprodução animal, ambiente - alterações climáticas, biotecnologia, biodiversidade entre outras”. Visitou ainda a Escola Profissional da Praia da Vitória, “um exemplo regional, nacional e europeu a ser seguido, porque o CDS-PP valoriza o ensino aplicado à sociedade como fundamental para o seu desenvolvimento. Constatámos que esta escola tira partido dos projectos europeus, que permitem a troca de experiências e mobilidade dos alunos”.
Emiliana Silva compromete-se a “defender na Europa, a criação de uma rede de ensino e investigação de Universidades de Periferia da União Europeia, suportados com fundos europeus”.
Ainda na pré-campanha a candidata do CDS-PP visitou uma fábrica de chá, “mostra que o CDS PP apoia também as pequenas empresas e valoriza o que é nosso, defendendo o que é genuíno e único no mundo. Defenderemos a mais valia dos produtos açorianos, promovendo a valorização pela sua identidade. A valorização dos produtos açorianos começa em casa, e as Instituições Regionais e Nacionais têm por obrigação a promoção deste produtos”. Emiliana Silva lançou o desafio “Porque não servir chá Gorreana ou Porto Formoso, a bordo da SATA?”. Para a professora “a identidade dos produtos regionais, leva-nos à defesa da intergovernamentalidade dos países da Europa, contra o modelo federal, pois ao fazê-lo estamos a defender a Autonomia dos Açores, pela qual temos lutado tanto”, concluindo “queremos ser europeus, sem deixar de ser açorianos!”.

Declarações dia 26 de Maio de 2009.

O primeiro dia de campanha foi dedicado às energias renováveis. Em declarações à imprensa Emiliana Silva referiu “um dos pontos da agenda europeia, e nossa preocupação, são as alterações climáticas, dado que as regiões insulares são mais sensíveis a estas. Sabemos que as alterações climáticas são provocadas pelas emissões de dióxido de carbono e de metano, entre outras, e que contribuem para o aquecimento do Planeta”.
Para a candidata do CDS-PP “temos de mitigar os efeitos existentes na Europa e só podemos contribuir para uma Europa menos poluente, utilizando energias mais limpas, menos poluidoras. Temos que fazer os trabalhos de casa, temos de nos antecipar com medidas que defendam os Açores, como será o caso das emissões de metano, que nos Açores são originadas pelos bovinos”.
Para este efeito, Emiliana Silva defenderá, na Europa, o uso de energias renováveis (eólica, hídrica das marés, geotérmica, solar e também o uso de hidrogénio), “diminuindo não só as emissões de dióxido de carbono e consequente aquecimento do Planeta, mas também diminuindo a nossa dependência externa do petróleo”.
Emiliana Silva referiu que “sabemos, hoje, que é possível produzir electricidade apenas com energias renováveis. Há que explorar esta nova forma de produção energética e contribuir para um ambiente mais limpo, de modo a preservar a beleza, equilíbrio e biodiversidade natural da ilha das Flores e de todos os Açores”.
A candidata do CDS-PP concluiu dizendo “podemos e devemos utilizar a ilha das Flores (porque não o grupo Ocidental?), região ultra-periférica, como um exemplo para toda a Europa, ao optarmos e investirmos em energias renováveis (eólica e hídrica) e diminuirmos a nossa dependência energética do exterior, sobretudo do petróleo”.
(in RDP Açores)

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quinta-feira, maio 28, 2009

Candidato da CDU na Terceira

No âmbito da sua visita à ilha Terceira, o candidato a eurodeputado dos Açores, Carlos Ribeiro, acompanhado de dirigentes da CDU/Terceira, fez várias visitas a associações, nomeadamente à associação ambientalista “Gê Questa”, ao Departamento de Ciências Agrárias, à associação das Mulheres dos Armadores e Pescadores da ilha Terceira, à Associação Agrícola, à União de Sindicatos de Angra. Reuniu ainda com a APTG - Administração dos Portos da Terceira e Graciosa. Pelo meio, estabeleceu contactos com as populações de Angra e da Praia, com a distribuição de documentos.
Entre muitas queixas dos vários interlocutores, são de registar o amento do desemprego no Arquipélago (mais de 5300 desempregados inscritos, um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado), bem como queixas em relação ao facto de muitas empresas, bem como a administração central e regional, não estarem, como deveriam, a pagar o salário mínimo regional (SMR), o que dificulta ainda mais a vida aos trabalhadores açorianos, já que o alto custo de vida nas ilhas, aliado ao facto dos trabalhadores açorianos ganharem menos do que os trabalhadores do continente, os coloca numa situação muito difícil. Relativamente à base das Lajes, é lamentável que processos disciplinares discricionários, levantados aos trabalhadores que apresentaram queixa pelo incumprimento no aumento dos salários, continuem sem conhecer um fim, já que se estendem desde 2002. Nesta matéria, é vergonhoso que o Governo Regional e o Governo da República, tão céleres a resolver o défice do sistema financeiro, pactuem com esta situação que envolve trabalhadores portugueses, que o mais que fizeram, foi exigir o que lhes era devido. No que toca à Universidade dos Açores, e ao pólo de Ciências Agrárias em particular, é lamentável a política de orçamento do Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior. De facto, os valores do orçamento disponibilizados pelo MCTES cobrem apenas 80% dos salários pagos, o que demonstra bem não só o sub-financiamento crónico do Ensino Superior protagonizado por este governo, como uma enorme falta de respeito pelos profissionais que trabalham numa Universidade dispersa por vários pólos, em 3 ilhas, o que leva a custos que outras universidades não têm.Da Associação Agrícola da Ilha Terceira, ouvimos as críticas em relação ao preço do leite pago ao produtor, que tem levado a que muitos pequenos agricultores, dos mais de 800 associados, tenham sentido dificuldades acrescidas, pois a sua receita recuou bastante. No entanto, os preços do leite à venda ao público não só não desceram, como em alguns casos subiram, o que é de todo incompreensível, a não ser pelo facto da unidade industrial que detém o monopólio nas ilhas Terceira e Graciosa quererem, a todo o custo, ver aumentados os seus lucros. Ainda neste âmbito, a AAIT fez referência ao facto da fiscalização ao abrigo do POSEIMA ser bastante demorada, o que leva a atrasos na atribuição de subsídios. No que à revisão do POSEIMA diz respeito, a camarada Ilda Figueiredo apresentou, há pouco tempo no Parlamento Europeu, um programa de resposta que seria mais rápida, utilizando para isso os valores dos anos transactos, para efectuar os pagamentos aos agricultores, sendo efectuadas quaisquer alterações no decurso do processo, se disso houvesse necessidade. A CDU/Terceira continuará a dar o seu contributo para o esclarecimento dos terceirenses, tendo para isso, várias actividades de campanha para as Europeias, nomeadamente distribuições de documentos, com vista a demonstrar às pessoas que vale a pena ir votar no dia 7 de Junho.

(in Canal de Notícias dos Açores)

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terça-feira, maio 12, 2009

Avelino Meneses: A Universidade deve chegar a mais ilhas


“Sou visto como o reitor da tripolaridade, tenho-me debatido para que os novos “campus” de Angra e da Horta venham a atingir a excelência das instalações, mas eu gosto de encarar a UA como instituição multipolar” - Avelino Meneses.
Correio dos Açores – A Universidade dos Açores é, sem dúvida, uma das grandes conquistas da Autonomia dos Açores. O seu futuro está assegurado?
Avelino Meneses (Reitor) – A Universidade dos Açores foi, como disse, uma das principais conquistas autonómicas. Ao longo dos seus 33 anos de existência, nestas últimas 3 décadas, foi um dos principais agentes de transfiguração, para muito melhor, da face dos Açores.
O futuro continuará a ser de sucesso, fundamentalmente pelo seguinte: Porque nunca como hoje, a UA dispôs de tantos meios, materiais, e sobretudo humanos, para cumprir a sua missão principal que é a de indutora de desenvolvimento, na sua circunstância mais imediata, que é o arquipélago dos Açores.
Nunca tivemos tantos quadros qualificados como os que temos hoje, fruto de uma política de formação ao longo de 3 décadas, e também da juventude dos próprios quadros, que foi cumprindo as suas etapas no percurso académico.
A UA nunca dispôs de tantos estudantes como os que tem hoje. Eu cheguei à reitoria da UA no ano lectivo de 2003/2004, e na altura, não conseguíamos ultrapassar o patamar dos 3.000 alunos. Hoje, em 2008/2009, a UA chegou, em matéria de contingente estudantil, a um número histórico: temos mais de 4.000 estudantes. Este é o resultado de um crescimento verificado nos últimos 3 anos, a que não é alheio a introdução de nova legislação que possibilita o acesso ao ensino superior dos denominados maiores de 23 anos, que têm agora a oportunidade de almejar algo que não conseguiram fazer num passado mais distante.
Este crescimento decorre também da expansão dos Segundos Ciclos, vulgo Mestrados, que têm trazido á UA um público relativamente diferente, um pouco mais velho, que procura uma complementaridade profissional, uma especialização científica e um aprofundar dos seus conhecimentos, e também um público mais novo, que desenvolve resultados e conhecimentos obtidos na licenciatura.

No entanto, continua a transmitir-se uma imagem de que a Universidade dos Açores está em crise. É uma crise orçamental ou de carácter funcional?
O que faz passar a imagem de crise da Universidade são, curiosamente, problemas financeiros, como houve há 2, 3 anos atrás afectavam sobretudo a UA. Isto deve-se ao facto de esta Universidade ser a mais peculiar das Universidades portuguesas: É aquela que mais depende do carácter da sua geografia, que assume a sua insularidade, que está também ainda dividida por 3 pólos separados pelo mar, e esta orgânica universitária, que é a única que se coaduna com o carácter da nossa história e com o sentido da nossa geografia, acarreta sobre custos porque temos de duplicar, triplicar, recursos humanos e financeiros. Isso fez, com que, nos últimos anos, surgissem algumas dificuldades financeiras decorrentes da estagnação e abaixamento dos “plafonds”, anualmente, atribuídos pelo Ministério.
Mas curiosamente, os problemas financeiros, hoje em dia, no sistema do ensino superior, não são só apenas da UA, são desta, mas também de um outro grupo de Universidades, infelizmente, cada vez maior. E isso acontece porque, nos últimos 20/30 anos, verificou-se uma grande massificação no ensino superior público, que não se fez acompanhar do correspondente envelope financeiro que o movimento exigiria. E nestas circunstâncias, começamos a encontrar situações de sub-financiamento. Por outro lado, temos no nosso sistema de ensino, e também no sistema de ensino superior, o propósito de atingir os patamares de desenvolvimento da Europa mais evoluída, na qual agora estamos integrados. Mas curiosamente, em matéria de percentagem de investimento no ensino superior, estamos com percentagens inferiores às da generalidade dos Países da Comunidade Europeia. Isso também dificulta muito o nosso desejo de atingir os patamares que, efectivamente, pretendemos. A junção destes dados todos e, fundamentalmente, a política restritiva que agora poderá agravar-se pela crise que passamos, tem feito com que as Instituições de Ensino Superior tenham gasto os parcos saldos que tinham acumulado, e que estejam a viver agora, fundamentalmente, dos orçamentos de funcionamento, anualmente atribuídos pelo Ministério, que obviamente cria situações de grande precariedade.
Agora, gostaria apenas de rematar isto: problemas financeiros na UA, como houve no ano passado e se resolveram, como houveram há 2 e 3 anos e se resolveram, como haverão este ano e se hão-de também resolver, não significam portanto crise institucional, porque, e para regressar ao início, nunca a Instituição dispôs de tantos quadros qualificados e estudantes como hoje tem.

A “Batalha de Bolonha”

As alterações no ensino universitário decorrentes do “Tratado de Bolonha”, visaram exclusivamente facilitar o acesso ao ensino superior, ou aproximar as universidades às novas realidades do mundo laboral?
É um processo iniciado em 1999 que vai culminar no próximo ano de 2010 com a criação de um espaço europeu de ensino superior que visa uma uniformização de procedimentos desde as periferias insulares, até às maiores centralidades europeias. Bolonha, traduziu-se, na prática, no encurtamento dos planos de estudo ao nível das licenciaturas mas é fundamentalmente um processo que pretende colocar o estudante no centro do sistema do ensino superior. Pretende ultrapassar o ensino dito tradicional, mais magistral, por um outro ensino em que a ênfase seja dada na aprendizagem, um outro ensino que confira competências, que seja desenvolvido num contacto mais contínuo do estudante com a investigação, através de uma participação mais activa do mesmo no seu processo estudantil.
Bolonha, sob o ponto de vista técnico, é um processo encerrado na UA, pois todos os cursos estão adequados às normas impostas pelo Ministério. A “Batalha de Bolonha”, só a médio prazo se saberá se está ganha, como esperamos, ou se eventualmente estará perdida, como não queremos. Porquê? Porque Bolonha implica uma revolução pedagógica e uma alteração nas mentalidades dos docentes ao transmitirem os conteúdos e aí, os estudantes não estão em vantagem porque estão mecanizados na cópia de apontamentos. Bolonha, exige um ensino de maior proximidade, e como tal, mais investimento, mais recursos e poderemos não reunir todos os meios que permitam este ensino de proximidade. Mas este é um problema dos Açores e também um problema geral.

Universidade e Politécnico

No inicio do “Processo Bolonha”, chegou a recear-se que a tendência da UA era a de perder a sua essência universitária e transformar-se numa estrutura mais próxima do chamado ensino politécnico. Concorda com esta afirmação?
Não creio, embora nos Açores, pela pequena dimensão do Arquipélago, haja soluções que aqui se justificam e que externamente, nem sempre são implementadas. Estou a reportar-me, nomeadamente, à relação entre o universitário e o politécnico. Temos uma Universidade nos Açores onde as Escolas Superiores de Enfermagem, foram integradas na UA. Quer isso significar, que neste momento, a UA é uma Instituição que possui no seu seio ensino universitário e ensino de carácter politécnico. Inclusivamente, acho que deveríamos acrescer a nossa oferta ao nível do ensino politécnico, e foi por isso que o Senado Universitário, no ano de 2005, aprovou a constituição das Escolas Superiores de Tecnologia e Administração de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada para que, no domínio do Politécnico, pudéssemos ultrapassar a área da Saúde, que é coberta pelas Escolas de Enfermagem. Infelizmente, a proposta ainda não obteve a conveniente homologação Ministerial, mas creio que este é o caminho inevitável, porque numa Região tão pequena como os Açores, sobretudo a partir do momento em que o ensino politécnico é integrado na Universidade, não se justifica de todo que haja uma instituição universitária, e ao lado, uma Instituição Politécnica, que depois vão disputar o mesmo público, os mesmos recursos, agravando as suas dificuldades conjunturais. Entendo, sim, é que o Politécnico e o Universitário, embora sejam dois ensinos diferenciados, e devam continuar efectivamente a sê-lo, são dois ensinos que podem conviver perfeitamente sob o mesmo tecto, aproveitando até alguns recursos comuns, numa Região tão pequena como é a nossa.

Em termos científicos, o que é que a UA tem feito no sentido de formar gente que tenha lugar num mercado de trabalho, cada vez com menos oportunidades, mais competitivo e concorrencial?
Um curso Universitário tem que ser, antes de mais, um projecto de qualidade científica e pedagógica. Nós, na UA, temos pugnado para que os nossos cursos sejam, simultaneamente, soluções de qualidade e respostas a exigências comunitárias. Agora, também não podemos esquecer que a realidade do advento do séc.XXI é diferente da realidade de meados do séc.XX. Hoje. um curso não é, de forma alguma, uma solução de vida. Um estudante não pode, jamais, ir para uma Universidade, tirar qualquer curso, do primeiro ou segundo Ciclo, com o intuito de, depois, se acomodar a uma qualquer ocupação profissional para a vida toda.
Hoje, um curso universitário é, fundamentalmente, um instrumento de construção de uma carreira, e nessa construção, o próprio diplomado deve ter um papel fulcral. Isto não desvaloriza a importância da formação, que continua a ser necessária da mesma forma, pois cria condições para que os jovens melhor se defendam no futuro.
Já lá vai o tempo em que, em matéria de emprego, imperava a força da administração pública. Hoje, a dinamização económica e social é também motivada pelo maior ou menor dinamismo do sector privado.
Uma formação é útil à saída de uma Universidade mas, ao fim de alguns anos, esta desactualiza-se, exigindo uma especialização e um retorno à Universidade. Por isso, costumo dizer que o estudante de hoje vai ter que interiorizar a ideia que terá de ser, de certa forma, um estudante para sempre. Por isso, as Universidades têm que estar preparadas para receber estes alunos mais tarde, com outra idade, exigências, maturidade e a carecer de outra formação.
De um modo geral, estamos hoje como estávamos há 30 anos atrás: A formação universitária é fundamental para afirmação do indivíduo na sociedade. A diferença é que, hoje, deixou de haver uma acomodação profissional, passando a existir uma inquietação permanente. Essa realidade, acontece nos Açores e em todo o mundo.

Universidade Multipolar

A repartição tripartida do funcionamento da UA, foi a forma encontrada de dar dimensão regional à sua própria função formativa? Ou é uma questão meramente de interesse político?
Em matéria de organização, o lema da Universidade dos Açores, é: “A construção da Unidade no respeito pela Diversidade”, e só assim nos coadunamos com o carácter do nosso arquipélago.
A UA, tem a sua sede em Ponta Delgada, que é a sua reitoria, todavia, são os Pólos que asseguram a sua diversidade. É uma Universidade tripolar que melhor pode garantir um melhor desenvolvimento regional de equilíbrio. Porém, ao contrário do que se pensa, não gosto muito do termo tripolaridade. Eu sei que sou visto como o reitor da tripolaridade, tenho-me debatido para que os novos “campus” de Angra do Heroísmo e da Horta venham a atingir a excelência das instalações já verificadas em P.Delgada, mas eu gosto de encarar a UA como uma Universidade multipolar, ou seja, uma Universidade que tenha uma sede, que esteja dividida por outras ilhas, e que chegue cada vez a mais ilhas e outros lugares, sem a necessidade de construir novas infra-estruturas. Isso consegue-se através do apoio do poder local, que já temos tido, e da utilização das novas tecnologias que possibilitam, fazer experiências de sucesso ao nível do ensino à distância, que se justifica numa região tão descontinuada como a nossa.

Numa altura de grande contenção orçamental, a UA está a investir em novas instalações nas Ilha Terceira e no Faial. São investimentos de carácter estruturante e prioritário?
Costumo dizer que as instalações não são a essência das instituições e a prova está na própria UA que, com instalações mais precárias, conseguiu mesmo assim, ao longo de 3 décadas, a transfiguração para melhor, da face das ilhas.
Mas também reconheço que a disponibilização de instalações modernas, funcionais, propiciam e estimulam o trabalho colectivo, é um chamamento para o ingresso de mais estudantes e, por isso, estamos empenhados em dotar a UA com instalações condignas.
Quando assumi as funções de Reitor, a UA vivia numa situação de profunda desigualdade, ou seja, tinha e tem em P.Delgada um “campus” amplo, novo, capaz de suportar qualquer política de desenvolvimento. No entanto, tinha na Horta e em Angra do Heroísmo uma situação completamente inversa. Nestas circunstâncias, o nosso esforço foi no sentido de criar instalações para que em Angra e na Horta houvesse condições de dignidade para se conseguir manter as exigências de trabalho. Neste capítulo, a minha satisfação é grande. Inauguramos na Terceira, em finais de 2006, no novo campo do Pico da Urze o primeiro edifício chamado “Complexo Pedagógico”. Antes do Verão, inauguraremos um segundo edifício, de acção social e de apoio ao estudante e ao mesmo tempo, está a ser construído o maior edifício da Universidade na Terceira chamado “Interdepartamental”. Ainda em Angra, em pareceria com a Câmara, pensamos lançar este ano o processo de construção de um novo Pavilhão Gimnodesportivo e mais tarde, tentaremos também construir um novo Edifício para a Escola Superior de Enfermagem, agora integrada na Universidade dos Açores. Portanto, o novo “Campus” da ilha Terceira, é uma realidade.
Em relação ao Faial, passa-se algo de semelhante. Desde Março de 2007, está em processo de conversão a sede do departamento de Oceanografia e Pescas, o velho hospital de Walter de Bensaúde, uma obra que nós queremos inaugurar no princípio do próximo ano lectivo. Posto isso, a UA ficará com instalações suficientes para potenciar e solidificar o seu projecto de desenvolvimento.

Ainda faltam dois anos para terminar o seu mandato. Por imperativos legais, r não se pode recandidatar. Sei, que nos bastidores, se começam a sentir algumas movimentações. Qual a sua posição sobre esta matéria?
Sou reitor da Universidade dos Açores há 6 anos, o período de vida máximo de um reitor são 8 anos, estou já no meu segundo mandato e, portanto, não me posso recandidatar.
Como é sabido, as Universidades estão num processo de profunda alteração, com a implementação do denominado Novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Foram alterados e publicados novos estatutos, está em curso um processo de eleição de novos órgãos. Eu só tenho, nesta conjuntura, e porque já estou no meu segundo mandato, dois caminhos: Ou chego à conclusão que, neste momento, há uma alteração enorme de paradigma que me obriga a sair, e terei que sair para não mais voltar, ou então, de acordo com aquilo que a lei e os estatutos permitem, cumprirei o meu mandato até ao fim, na sequência da minha reeleição em 2007. Sobre as movimentações a que se refere, é natural que elas se comecem a sentir, mas como acabei de explicar, não terão da minha parte qualquer envolvimento.

Como gostaria de ser recordado como Reitor da Universidade dos Açores?
É uma pergunta de resposta difícil. Tenho-me esforçado para que a UA faça cada vez mais jus ao seu próprio nome, ou seja, uma Universidade para o Arquipélago todo e deste para os mundos envolventes. As Universidades têm a obrigação de universalizar o conhecimento, mesmo quando esse se reporta à mais pequena dimensão. O dotar a Terceira e o Faial de infra-estruturas capazes, foi um projecto que acalentei desde o início e é um projecto que estou já a antever concretizado. Mas a acção deste reitorado, não se cingiu a isso, mas, não estamos aqui a fazer um balanço da minha acção como reitor. Poderá este ser um tema, para uma segunda entrevista.
(in Correio dos Açores)

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quarta-feira, abril 22, 2009

II Forum Internacional de Pedagogia privilegia a investigação

Decorre hoje e amanhã em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, o II Forum Internacional de Pedagogia, uma iniciativa a pensar nos alunos e num nível adequado de investigação, perspectivado no processo de Bolonha.
Para dotar os alunos de ferramentas fundamentais sobre investigação científica universitária e comunicação, Félix Rodrigues, professsor do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, afirmou à Antena 1 que este segundo Encontro Internacional de Pedagogia surgiu, precisamente, a pensar nos alunos, ou seja, num espaço que vise a criação científica dos alunos, a um nível adequado à sua formação, exigindo-se e promovendo-se a auto-aprendizagem. Félix Rodrigues adiantou que o processo de Bolonha vem mudar a lógica de ensino. Este tipo de iniciativas ajudam a mudar mentalidades, porque as exigências do ensino universitário na actualidade são diferentes. O II Forum Internacional de Pedagogia conta com a participação de alunos e de docentes da Universidade dos Açores e de Academias do Continente português, Brasil e Espanha. Contou com cerca de duas centenas de alunos e serve para repensar o papel dos estudantes na construção do conhecimento científico.
(ouvir aqui)
(In Tânia Martins / Carlos Tavares -Antena 1)

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terça-feira, abril 21, 2009

A universidade em ruínas: os silêncios da JS

Berto Messias, Presidente da JS Açores, seguindo a velha máxima publicitária "a repetição funciona", resolveu publicar o mesmo artigo na edição de Sábado do Diário Insular e do Açoriano Oriental, sobre a asfixia financeira das nossas universidades. Algumas coisas surpreenderam-me no seu texto: 1) o reconhecimento explícito de que existe uma situação de asfixia financeira das universidades e o consequente reconhecimento implícito de que os Governos do PS nada fizeram para o resolver.2) Finalmente, depois de muitos, mesmo muitos, anos a negá-lo, a JS finalmente reconhece que as propinas não são usadas, como prometido, para aumentar a qualidade de ensino, mas sim para substituir o financiamento do Estado, conforme avisavam os estudantes quando António Guterres lhes impôs uma lei de propinas. Fico honestamente contente que a JS, ao mais alto nível reconheça finalmente estes dois factos e nem quero acreditar que Berto Messias esteja a ter uma posição meramente regional, julgando que a direcção nacional da JS não lê os dois principais diários açorianos... Para o autor o problema é "cultural" e advém do facto de se pagar muito dinheiro em salários na Universidade. Pois... Prefere não dizer que boa parte dos nossos melhores professores e investigadores prefere ir para Universidades estrangeiras, devido às misérias que ganham em Portugal. Escolhe silenciar que foi o PS, a par de PSD e CDS, que impuseram uma visão "comercial", de merceeiro, do financiamento do Ensino Superior, obrigando as Universidades a, desse lá por onde desse, arranjarem receitas próprias (propinas) e que agora é Mariano Gago que as quer obrigar a transformarem-se em fundações de direito privado, para que o Estado possa calmamente lavar daí as suas mãos... Do ponto de vista regional, deixo duas perguntas: não valeria a pena a Universidade dos Açores manter alguns cursos, mesmo que com poucos alunos, mesmo que pouco rentáveis financeiramente, como arquitectura, ou direito, de forma a impedir que centenas de jovens açorianos tivessem de "emigrar" para o continente, quantas vezes de vez? Não deveria o Estado (todos nós, portanto) a assumir os encargos com a Universidade, como factor decisivo para o futuro do país?


(in Política dura)

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terça-feira, abril 14, 2009

Crise provoca aumento de desistências no Superior

Dificuldades. É cada vez maior o número de estudantes do ensino superior que não conseguem pagar as propinas de 800 a 900 euros e que têm de recorrer a prestações, que podem ir até dez mensalidades. Mas o problema também se estende às universidades privadas
As universidades estão a registar um aumento das desistências de alunos, ao mesmo tempo que são cada vez mais os que falham o pagamento das propinas e pedem apoios extraordinários. A situação atravessa tanto o ensino superior público como o privado, em universidades ou politécnicos, garantem ao DN dirigentes e alunos.
No Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), por exemplo, os alunos que no último ano deixaram de se inscrever nos cursos, duplicaram face ao ano anterior. Segundo informações prestadas ao DN pelo departamento de acção social daquele instituto, a taxa de desistências ronda actualmente os 30 por cento. Há, no entanto, quem assegure que ali a percentagem de desistências é su- perior, da ordem dos 50 por cento. A esmagadora maioria dos alunos aponta factores de ordem económica quando questionados sobre as razões pelas quais abandonam os cursos.
Em causa estão valores de propinas da ordem dos 800 a 900 euros anuais, no ensino público. O presidente da Associação de Estudantes do ISEL, e simultaneamente da Associação Académica de Lisboa, confirma um "aumento do abandono precoce dos cursos". Mas para além do factor económico, Frederico Saraiva, indica também "problemas relacionados com a estrutura dos cursos, a inadequação dos apoios sociais e, ainda, a falta de adaptação dos professores ao Processo de Bolonha" (ver entrevista).
A tendência verifica-se também na Universidade do Algarve. " Nos últimos dois anos está a notar-se um crescimento do abandono dos alunos no 1.º ano", confirma ao DN o reitor daquela instituição, João Guerreiro, que não dispõe, no entanto, de números concretos. "Há casos em que os alunos pagam a primeira prestação, e depois desistem, pedindo mesmo a devolução das propinas, o que nós nem podemos fazer", explica o reitor.
Apesar de reconhecer o impacto do aperto financeiro nas famílias para aquela situação, João Guerreiro assinala ainda os episódios de mobilidade e transferências para outras instituições.
Na Universidade Lusíada - que conta com um universo de 10 mil alunos - o cenário é o de um agravamento do incumprimento no pagamento das propinas e um substancial crescimento dos pedidos de apoio.
Para tentar acomodar as crescentes dificuldades dos alunos em honrar os seus compromissos financeiros, as universidades estão a alargar o número das prestações, das três para as cinco, oito ou mesmo dez mensalidades, refere João Redondo, reitor da Lusíada e presidente da Associação Portuguesa do Ensino Superior (APESP).
"Estamos a sentir um ligeiro aumento no incumprimento", admite em declarações ao DN o reitor da Lusíada. O certo é que naquela instituição pediram apoio especial mais de 200 alunos este ano lectivo, que estão envolvidos em programas de acompanhamento, devido às dificuldades demonstradas em pagar as propinas. E, tal como faz questão de lembrar João Redondo, "estes 200 e tal alunos são adicionais aos que estão abrangidos pelo fundo de apoio social", que corresponderão a cerca de 1200 alunos, o equivalente a 12 por cento do total de alunos daquela instituição (ver caixa).
Experiência idêntica tem o Instituto Politécnico de Leiria: "Tem sido notado um incremento nos pedidos de apoio financeiro extraordinário", disse ao DN Luciano de Almeida. Num universo de cerca de 11 mil alunos, "há uns 150 alunos que não estavam abrangidos pela acção social escolar e que passaram a a ter necessidade de apoio extraordinário".
Aquele dirigente universitário - que é também o vice-presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos - defende que "é, em primeiro lugar, às instituições, que cabe tomar as medidas adequadas para permitir aos alunos frequentarem e terminarem os seus cursos". É nesse espírito que se enquadra o acompanhamento que o Politécnico de Leiria faz aos alunos, tentando identificar sempre que há uma alteração do perfil do aluno e discutir qual a melhor maneira de apoiar e resolver a situação, diz. Uma das medidas tomadas foi também passar as prestações de cinco para oito.
(In CARLA AGUIAR - DN Portugal)

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terça-feira, março 03, 2009

Condições e Provas de Ingresso ao Ensino Superior - 2009

No link que se segue podem ser consultadas as condições e provas de ingresso ao Ensino Superior Português para 2009.
Para aceder ao documento, clik aqui.

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quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Participação da Universidade dos Açores no Fórum Exponor

A Universidade dos Açores participa, pela 4ª vez, no Fórum Exponor que decorrerá na cidade do Porto, de 12 a 15 de Fevereiro.
A UAÇ participará no salão “Qualific@”, vocacionado para a divulgação da oferta educativa, formativa e de saídas profissionais, orientado para professores, alunos e encarregados de educação.
Segundo a organização do evento, “num só local reúnem-se os diversos interlocutores, aproximando, edição após edição, as entidades responsáveis pela educação, formação, emprego e o seu público-alvo. Preenchendo 14 mil metros de área expositiva, os 120 expositores inscritos aguardam cerca de 40 mil visitantes.
Constituindo-se como um espaço de informação e sensibilização, para os desafios e oportunidades que se colocam ao nível da educação e da formação, a Qualific@ cria a perfeita harmonia entre a oferta e a procura, recebendo quer o público em geral quer os diversos agentes de educação, de formação e empresariais.
O certame conta com o apoio e cooperação de diversas Instituições, que dão consistência ao projecto e introduzem mais valias não só no conteúdo da feira, mas também na sua dimensão e projecção.”
No stand da UA serão distribuídos desdobráveis, panfletos e outros materiais promocionais sobre a oferta educativa da instituição, que este ano contempla um novo curso preparatório em Fisioterapia, cujo registo já foi enviado ao MCTES para aprovação.
(In Azores Digital)

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Alunos globalmente satisfeitos com Universidade dos Açores

Inquérito independente revela que a maioria dos alunos atribui nota positiva à academia, aos cursos e ao quadro docente da Universidade dos Açores. No entanto, um terço admite que, se tivesse oportunidade mudava de instituição.

Os estudantes da Universidade dos Açores estão globalmente satisfeitos com o curso e com a instituição que frequentam, revela o inquérito à “Satisfação dos estudantes do Ensino Superior. O trabalho, realizado no ano lectivo 2006/2007 em diversas universidades públicas, privadas e politécnicos do país, envolveu 127 estudantes no caso da Região Autónoma dos Açores. Com base na análise dos resultados fica claro que a proximidade geográfica com relação à moradia é um factor de peso para a frequência da Universidade dos Açores tendo em conta outros factores tais como a disponibilidade dos cursos e o prestígio do quadro docente e da própria academia. De qualquer modo, é assente que a maioria não só está satisfeita com a escolha da universidade açoriana como até admite que se recandidataria, ao passo que um terço confessa que se tivesse oportunidade mudava de instituição.
Escolhas e expectativas
Relativamente a esse item, 29,3% dos inquiridos responderam que pretendem obter uma carreira aliciante enquanto 25,2% destacam a obtenção de um grau académico. O estudo revela também que 9,8% esperam obter um emprego com um bom salário e 8,9% gostam de estudar e aprender. A outro nível, 56% dos inquiridos no ano lectivo 2006/2007 escolheu a Universidade dos Açores por ser perto da residência enquanto 12% destacam que era a única instituição que tinha o curso que queriam ou a única onde conseguiram entrar ( 9,6%).
Grau de importância
Dos inquiridos, numa escala de 0 (nada importante) a 10 (muito importante), 6,8 atribui importância ao prestígio social do curso que frequenta, 7,3 à instituição, 8 à empregabilidade do curso e 8,7 ao próprio curso.Grau de satisfaçãoNesse âmbito, e para a escala de 0 (extremamente insatisfeito ) a 10 (extremamente satisfeito), note-se que 6,2 destacam o prestígio social do curso e 6,3 a respectiva empregabilidade. Já 6,4 referem a instituição e 7,1 o curso.Percepção sobre a UAcÀ pergunta “Se voltasse atrás, voltaria a candidatar-se à Universidade dos Açores?”, a maioria, 86,5% respondeu que sim. Já sobre se recomendaria a instituição de ensino superior açoriana a outras pessoas, 79,4% responderam afirmativamente. Dos inquiridos, 13,6% admitem que se tivessem oportunidade mudariam de curso ao passo que 27,8% admitiram que se tivessem oportunidade mudavam de instituição.
Financiamento da educação
A família permanece o garante da maioria dos estudantes (58,9%), sendo que 21,8% recorrem à bolsa de estudos e 16,1% ao auto-financiamento. Somente 1,6 % são obrigados a contrair um empréstimo bancário. Em geral, 66,1% dos inquiridos consideram que dispõem de apoio financeiro suficiente.O inquérito foi realizado pelo Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES) num projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que envolveu 15 universidades públicas de todo o território nacional, 9 politécnicos públicos, 6 institutos e 18 instituições de ensino privado.
Mulheres em maioria na Universidade dos Açores
No inquérito realizado no ano lectivo 2006/2007, observou-se que 65,6% dos estudantes pertenciam ao género feminino. A maior percentagem encontrava-se na faixa etária dos 21-25 anos, seguindo-se as faixas etárias dos até 20 anos e mais de 25 anos.Cerca de metade (44,9%) estava deslocada da sua residência habitual frequentando a maioria (80,7%) alojamentos de aluguer e apenas um quinto a residência de estudantes. O número de estudantes em programas de intercâmbio e dos PALOP´s não tinha expressão.
“Estou satisfeito com resultados do inquérito”
O reitor da Universidade dos Açores, Avelino Meneses, afirma estar “efectivamente satisfeito” com os resultados do inquérito realizado pelo Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior no ano lectivo de 2006/2007, uma “instituição independente e reputada”.Avelino Meneses releva o facto de cerca de 87% dos alunos admitir que voltaria a candidatar-se à academia açoriana. Outro aspecto que deixa o reitor de “consciência tranquila” respeita à avaliação que os estudantes fazem da qualidade do ensino: numa escala de 0 (nada importante) a 10 (muito importante), atribuíram uma cotação de 7,7. “O mesmo se passa com a avaliação das condições das salas de aula,recursos bibliotecários e informáticos, laboratórios, entre outros indicadores, ou seja, estão satisfeitos (alunos) e nós também”, afirma Avelino Meneses. O responsável máximo pela ensino superior nos Açores promete que a academia vai analisar “em profundidade toda a informação recolhida” com o objectivo de melhorar o seu desempenho.
(pedro nunes lagarto In Açoriano Oriental)

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Mulheres preenchem 2/3 das inscrições no Ensino Superior nos Açores

As mulheres representaram cerca de dois terços dos alunos inscritos no universitário nos Açores no ano lectivo 2007/2008, sendo que, no ano escolar anterior, a população feminina arrecadou 469 dos 624 diplomas conferidos pelo ensino superior na Região.Segundo o anuário estatístico do Instituto Nacional de Estatística (INE), estavam inscritos no ensino superior na Região, no último ano escolar, 3.320 alunos, dos quais 2.003 mulheres. O maior número de matrículas nesse ano teve as ciências empresariais como área de referência, seguida dos domínios da saúde e das ciências sociais e do comportamento. Os dados do INE indicam também que o ensino superior conferiu, no ano lectivo 2006/2007, nos Açores, 168 diplomas na área da saúde e 111 na das ciências empresariais. Na área da formação de professores e formadores e ciências da educação foram diplomados 109 estudantes e em ciências sociais e do comportamento outros 86.
(In Diário Insular)

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domingo, dezembro 21, 2008

Docentes trabalham de forma 100% electrónica

Aumento da produtividade e transparência são, diz José Azevedo, pró-reitor para a Ciência e Tecnologia da Universidade dos Açores, reflexos positivos do e-learning.
O projecto “Universidade Digital”, que contou com o apoio do Governo Regional em 2,4 milhões de euros, prevê a criação de estruturas de assistência técnica às ferramentas e tecnologias utilizadas (service desk). Como tal, a Universidade dos Açores está a proceder a uma modernização e reformulação de todos os processos administrativos através da implementação de um sistema de escritório electrónico. “Estamos a trabalhar em formato 100% electrónico”, diz José Azevedo, pró-reitor para a Ciência e Tecnologia da Universidade dos Açores. Um despacho do reitor, em 2007, indicava que toda a tramitação de documentos no interior da instituição académica passaria a ser por via electrónica, “algo que revolucionou todos os procedimentos”. Assim, todos os documentos que dão entrada na Universidade dos Açores são digitalizados e posteriormente arquivados. Para José Azevedo, a adopção deste sistema produz muitas vantagens. “Este sistema de documentação via electrónica traduz-se numa redução de custos e num gigantesco aumento de produtividade, pois os processos correm muito mais depressa”. A transparência é outra das grandes vantagens deste processo, pois assim que o documento dá entrada no sistema é possível acompanhar todo o processo. “O sistema permite que todos os funcionários e docentes tenham este acesso”. Adicionalmente, o sistema agora implementado vai facilitar a consulta do arquivo dos serviços de documentação, agilizar os processos de registo, tratamento e controlo dos pedidos dos alunos e aumentar as funcionalidades de pesquisa e consulta de dados. E constitui mais uma forma de combate à tripolaridade. “Há sempre necessidade de circular documentos entre os pólos e, na sua maioria, esta era feita via correio”. Inclusive, dentro do próprio pólo de Ponta Delgada a circulação de documentos era morosa. “Quando um departamento precisava de enviar algum documento à Reitoria para autorização, este processo levava cerca de três dias para um despacho agora feito em três minutos”. E a adaptação e aceitação dos funcionários não poderia ser melhor. “Temos um grande esforço de formação e as coisas estão a correr bem. Houve uma adesão entusiástica a este sistema, porque identificaram as vantagens”. Para facilitar a gestão financeira da Universidade dos Açores e a sua eficiência, foi adquirido, estando em fase de experimentação, o Primavera, “que vai permitir à universidade dar um grande passo em termos de contabilidade”. Este sistema de contabilidade analítica permite, para além de um maior e mais cuidado controlo das contas da instituição, uma melhor atribuição de verbas para os projectos. “É importante atribuir orçamentos a determinados projectos e funções da Universidade açoriana por facilitar o cálculo do valor que determinado projecto gastou e encontrar as respectivas facturas”.Para o pró-reitor para a Ciência e Tecnologia esta “é uma área em que estamos a evoluir. Prevê-se que dentro de um ano ou dois esteja implementado".
Tripolaridade poderá já não ser um problema

Aquando da apresentação do projecto “Universidade Digital”, João Luís Gaspar, ex-director regional da Ciência e Tecnologia, afirmou que "este é o tipo de investimento orientado para reformas estruturais profundas que a UAç necessita, dado que permite aos órgãos de gestão da instituição adoptar medidas concretas para rentabilizar recursos e reduzir despesas". De acordo com João Luís Gaspar, o projecto deverá servir para quebrar a barreira da tripolaridade que, na sua opinião, é frequentemente culpabilizada para justificar custos."Num mundo global, onde as tecnologias permitem vencer distâncias e o trabalho é realizado em rede com base em nós virtuais, a Universidade tem de mudar de paradigma e deixar de olhar para a tripolaridade como a razãodos seus insucessos", referiu.
(In BRUNO SARMENTO MELOcorreio@expressodasnove.pt Expresso das Nove)

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sábado, dezembro 20, 2008

Entrevista de Clélio Meneses ao Jornal o Diabo

O DIABO – Tem conhecimento do valor da dívida do Estado a Região Autónoma dos Açores? Qual é o montante que conhece?

CLÉLIO MENESES – Desde logo, a dívida relativa ao processo de convergência do tarifário eléctrico entre a Região e o continente que já perdura há alguns anos e que, neste momento, é de cerca de 35 milhões de euros sem que haja notícia do respectivo pagamento.Por outro lado, não pode deixar de se manifestar preocupante o ritmo excessivamente lento do processo de regularização do contencioso entre a Região e a República a propósito da lei de Finanças Regionais, contrariando compromissos anteriormente assumidos. No entanto, para além de questões quantitativas, constata-se que, apesar da cumplicidade partidária entre os Governos da República e da Região, muitas das questões que o Governo de Sócrates tern para tratar nos Açores continuam por resolver: é o mau tratamento dado a um dos pilares de desenvolvimento da Região, como é a Universidade dos Açores; é o modo como lidam com as questões ligadas à Base das Lajes, em especial, as matérias laborais; são os problemas relacionados com a segurança; é a «forçada» centralização de serviços do Estado; são as más condições com que laboram os canais de informação pública – RDP e RTP – na Região; ou ainda as baixas taxas de execução do PIDDAC nos Açores.
A dívida do Estado à Madeira ultrapassa os 140 milhões. Na sua opinião quais as razões para as dívidas não sejam pagas?

Só o devedor é que pode dizer porque não paga. Mas se, por um lado, parece evidente que o actual Governo socialista não vai ficar na História, propriamente, por ser de palavra, não pode deixar de se registar que se tal situação deriva de qualquer discriminação de carácter partidário assume um gravíssimo exemplo de violação da democracia, na medida em que põe em causa uma Região apenas porque a respectiva governação tem uma determinada origem política.
Sendo que o Governo de José Sócrates tem sido implacável no cumprimento da Lei das Finanças Regionais, acha que deveria dar o exemplo em vez de ser também ele (Estado) prevaricador?

Obviamente que a legitimidade para exigir deve ser da mesma dimensão do rigor no cumprimento das respectivas obrigações.Só podemos exigir, quando cumprimos. É assim nas mais variadas relações humanas, devendo sê-lo, naturalmente, nas relações entre instituições. No entanto, este Governo e alguns dos seus protagonistas têm manifestado uma especial apetência para fazer o contrário daquilo que mediaticamente apregoam e exigem dos portugueses.
Como avalia o comportamento do Estado em relação às dívidas que tem, não só para com os seus fornecedores como para com as autarquias e as Regiões Autónomas?

Com tal comportamento, para além de intervir negativamente na economia e constituir mais um factor perturbador na instabilidade que se vive no País, o Estado está a por, ainda mais, em causa a imagem que a vida pública já tem perante os cidadãos. Com esse comportamento, cada vez menos as pessoas acreditam nos políticos, e isto também afecta a própria democracia e as instituições, pois, desse modo, até a velha máxima de que «o Estado é uma pessoa de bem» ao não ser preservada pelo Estado acaba desconsiderada pelos cidadãos.
(In arKipélago)

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quinta-feira, novembro 20, 2008

Crise no ensino superior: "Autonomia e sustentabilidade das Universidades"

NOTA: O TEXTO REPRODUZIDO EM BAIXO É DA EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DOS SEUS AUTORES. O BLOGUE DO CAMPUS DE ANGRA DO HEROÍSMO APENAS PUBLICA INTEGRALMENTE UM TEXTO MUITO REFERIDO NA IMPRENSA, MAS CUJO CONTEÚDO AINDA NÃO É TOTALMENTE DO CONHECIMENTO PÚBLICO. A CARTA FOI ENVIADA INICIALMENTE PARA O CONSELHO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES PORTUGUESAS (CRUP), QUE O REENVIOU POSTERIORMENTE PARA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, CAVACO SILVA, E PARA O PRIMEIRO-MINISTRO, JOSÉ SÓCRATES.A autonomia universitária é, indubitavelmente, um factor nuclear ao próprio conceito de Universidade. As Universidades públicas, no decurso da década de 90, viram a sua autonomia consideravelmente reforçada, num quadro de responsabilização e de abertura aos legítimos anseios da sociedade, que vê no ensino superior um elemento fundamental de coesão social e de contributo para o desenvolvimento sócio económico das regiões e do País e de competitividade internacional. O exercício de uma autonomia efectiva, responsabilizante e inserida num quadro de confiança mútua com a sociedade assenta em dois pilares fundamentais – a avaliação, instrumento essencial de prestação de contas e de promoção da qualidade, e o financiamento, baseado em critérios objectivos e transparentes que permitam previsibilidade orçamental. No plano da avaliação, foram as próprias Universidades que tomaram a iniciativa, em 1993, de lançarem um sistema de avaliação que se pautava, então, entre os mais desenvolvidos da Europa. Contribuiu-se, por essa forma, para incentivar uma cultura de qualidade no interior das instituições, numa assunção do princípio de que a qualidade do ensino superior é uma responsabilidade, em primeiro lugar, das próprias instituições. O segundo pilar é o financiamento. O nível de financiamento dos estabelecimentos de ensino superior público nos últimos anos tem-se mantido sensivelmente constante em valores nominais, mas esta informação oculta uma realidade bem mais preocupante, consequência do aumento forçado da despesa por inclusão obrigatória do pagamento de uma contribuição de 11% para a Segurança Social. A solução agora encontrada contrasta com a que foi adoptada no passado para o pagamento do IRS pelos funcionários públicos, caso em que ao orçamento das instituições foi antecipadamente adicionada a verba necessária ao pagamento daquele imposto, o que neutralizou os seus efeitos negativos sobre a vida das instituições. Contrasta, igualmente, com a solução encontrada para as autarquias, que viram as suas dotações aumentadas para satisfazerem os encargos com a Segurança Social. Além disso, nos diversos casos em que as instituições têm entrado em rotura financeira, criou-se a prática da concessão de reforços orçamentais para assegurar o pagamento dos salários, enquanto outras instituições foram forçadas a utilizar os saldos resultantes da captação de receitas próprias para compensar o acréscimo da despesa. Gerou-se, desta forma, uma situação injusta e desincentivadora da boa gestão, com repercussões negativas e imediatas para a autonomia das instituições e a sua capacidade de planear e assumir estratégias de médio/longo prazo. Trata-se, igualmente, de uma situação insustentável a médio prazo, levando a que as instituições entrem sucessivamente em rotura financeira à medida que se esgotam os saldos. A este propósito, não deixa de ser curioso que o relatório da avaliação do sistema de ensino superior da República da Irlanda pela OCDE recomende que se exija às instituições que façam planos para gerar saldos e que sejam encorajadas a constituir reservas para pagamento de despesas futuras. Estamos, assim, perante uma situação preocupante em que o orçamento disponível foi fortemente reduzido por aumento da despesa obrigatória (segundo uma recente nota de imprensa do CRUP, as Universidades, “entre 2005 e 2008, viram as suas dotações para funcionamento diminuir, em percentagem do PIB, cerca de 16%”, valor este “quatro vezes superior ao esforço nacional concertado para redução do défice público no mesmo período”) e se abandonou a prática, estabelecida em 1993, de não penalizar a capacidade de as instituições criarem reservas, o que configura um longo retrocesso na dignificação da instituição universitária e no incentivo à boa gestão. Aliás, ainda no mesmo relatório da OCDE se pode ler que a boa gestão institucional pressupõe a constituição de saldos e a acumulação de reservas, permitindo a substituição de grandes equipamentos, o investimento em novas actividades e a compensação de flutuações nas receitas e no número de alunos, e conclui-se que a existência de reservas é fundamental em instituições que queiram competir num mercado académico global em que é crítica a capacidade de satisfazer necessidades inesperadas e aproveitar oportunidades. Por estas razões, os cidadãos signatários, que num passado não muito longínquo, no exercício das funções de Reitor, trabalharam afincadamente, em cooperação com vários Governos, para a consolidação e dignificação das Universidades Portuguesas e da sua autonomia, apelam a uma revisão da actual política de financiamento por forma a assegurar a autonomia e o funcionamento regular das instituições de ensino superior, que desempenham um papel essencial num País em que, apesar de todos os esforços feitos, continua a haver um grande défice de recursos humanos qualificados, imprescindíveis para o progresso económico e o bem estar.

SUBSCRITORES

Adriano Lopes Gomes Pimpão ex-Reitor da Universidade do Algarve e ex-Presidente do CRUP António Simões Lopes ex-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa Joaquim Renato Araújo ex-Reitor da Universidade de Aveiro e ex-Presidente do CRUP José Adriano Barata Moura ex-Reitor da Universidade de Lisboa José Ângelo Novais Barbosa ex-Reitor da Universidade do Porto José Lopes da Silva ex-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa Júlio Pedrosa de Jesus ex-Reitor da Universidade de Aveiro e ex-Presidente do CRUP Licínio Chainho Pereira ex-Reitor da Universidade do Minho Luís Fernando Gomes de Sousa Lobo ex-Reitor da Universidade Nova de Lisboa Manuel Ferreira Patrício ex-Reitor da Universidade de Évora Ruben Antunes Capela ex-Reitor da Universidade da Madeira Rui Nogueira Lobo de Alarcão e Silva ex-Reitor da Universidade de Coimbra Sérgio Machado dos Santos ex-Reitor da Universidade do Minho e ex-Presidente do CRUP Vasco Manuel Verdasco da Silva Garcia ex-Reitor da Universidade dos Açores Virgílio Meira Soares ex-Reitor da Universidade de Lisboa
(IN Jornal de Negócios, 18/11/08)

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