segunda-feira, novembro 16, 2009

Investigador universitário diz que há louro tóxico à venda e sugere a certificação do produto

Há louro com elevado grau de toxicidade a ser comercializado nos Açores, alerta o botânico e investigador universitário, Eduardo Dias.Este louro, que resulta do cruzamento do louro endémico com o louro trazido pelos povoadores (designado popularmente por louro fino), e que possui a toxicidade do louro açoriano, é de difícil detecção para um olhar destreinado.“O louro híbrido pode ser muito semelhante ao louro fino [Laurus nobilis], aquele que deve ser usado na cozinha. O problema é que, ao resultar do cruzamento deste com o louro endémico [Laurus azórica], passa a possuir os elementos tóxicos que caracterizam o louro endémico açoriano. E é por causa disso que a sua ingestão, por via da sua utilização como condimento, não é aconselhável. Obviamente que é difícil dizer qual a gravidade da sua ingestão. Há quem fume toda a vida e não tenha complicações, como há quem fuma pouco e tem um cancro. Para prevenir, a opção deve ser não utilizar este louro”, sublinha o académico, em declarações, ontem, ao DI.“O problema é que este louro está a ser comercializado em locais de venda livre, como os mercados das cidades, sem qualquer controlo de qualidade. E um olhar destreinado pode enganar-se”, afirma.Eduardo Dias revelou ainda que “já foi encontrado louro híbrido ensacado (para ser comercializado) nos Açores que não é adequado para qualquer uso devido à sua elevada toxicidade, nomeadamente por provocar o cancro, em particular o do intestino”.De acordo com o investigador, o louro fino de cozinha tem apenas substâncias tóxicas no caule, o que leva cozinheiras, conhecedoras a usar apenas a folhas, enquanto o louro endémico é tóxico não só no caule mas também em toda a folha”.“Muitas pessoas vão ao mato buscar louro e ou conhecem o que estão a colher ou então, se não sabem, mais vale comprar de importação e ensacado com certificação”, aconselha Eduardo Dias.Como é difícil distinguir o louro fino do louro híbrido, o director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada da Universidade dos Açores defende que a sua comercialização seja certificada.“Os serviços de inspecção económica deviam exigir que o louro fosse primeiramente verificado quanto à sua qualidade e, depois, comercializado com uma certificação”, sublinhou.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

quinta-feira, novembro 12, 2009

COMERCIALIZADO SEM CONTROLE Louro híbrido tem elevado grau de toxicidade


Mais de noventa por cento do louro híbrido dos Açores, que tem elevado grau de toxicidade, está a ser comercializado sem controlo de qualidade, alertou ontem o botânico e investigador universitário, Eduardo Dias.
“O louro usado em gastronomia é maioritariamente híbrido em resultado do cruzamento do louro açoriano endémico (Laurus azórica), conhecido por louro bravo, e do louro trazido com o povoamento (Laurus nobilis) designado por louro fino ou de cozinha”, explicou o botânico.
Este louro, segundo o investigador, “possui mais toxicidade que o louro fino independentemente do grau de hibridação”.
Eduardo Dias alertou, em declarações à agência Lusa, para o facto de “estar a ser comercializado em locais de venda livre, como os mercados das cidades, sem qualquer controlo de qualidade”.
“Os serviços de inspecção económica deviam exigir que o louro fosse primeiramente verificado quanto à sua qualidade e, depois, comercializado com uma certificação”, sublinhou.
Defende a criação de mecanismos “para a sua fiscalização antes de ser posto à venda”.
Eduardo Dias revelou ainda que “já foi encontrado louro híbrido ensacado (para ser comercializado) nos Açores que não é adequado para qualquer uso devido à sua elevada toxicidade, nomeadamente por provocar o cancro, em particular o do intestino”.
Avança com a explicação de que “o louro açoriano é muito poderoso em termos medicinais e tóxicos”.
De acordo com o investigador, o louro fino de cozinha tem apenas substâncias tóxicas no caule, o que leva cozinheiras, conhecedoras a usar apenas a folhas, enquanto o louro endémico é tóxico não só no caule mas também em toda a folha”.
“Muitas pessoas vão ao mato buscar louro e ou conhecem o que estão a colher ou então, se não sabem, mais vale comprar de importação e ensacado com certificação”, aconselha Eduardo Dias.
Como exemplo refere que “quando se está a fazer uma espetada que leva louro, além do aroma também se come um digestivo, se for louro fino, caso contrário estão a engolir-se toxinas”, frisou o investigador.
É por esse facto que o louro endémico dos Açores não é usado na cozinha, dado que para além de possuir toxinas espalhadas por toda a folha, tem um aroma mais desagradável.
As pessoas mais antigas, acrescenta Eduardo Dias, “dizem - o que não está ainda cientificamente comprovado - que as folhas de louro que têm um caule de cor avermelhada não prestam” porque possuem “maior toxicidade”.
(in A União)

Etiquetas: , ,

segunda-feira, outubro 05, 2009

Ecologia das Turfeiras de Sphagnum dos Açores

Cândida Mendes* & Eduardo Dias - Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. GEVA
Sendo pouco menos do que desconhecidas para o Mundo, e mesmo dentro do nosso País, as turfeiras dos Açores são formações de uma elevada importância ecológica e ambiental, afectando significativamente os recursos hídricos das ilhas onde ocorrem.
Turfeiras são genericamente ecossistemas em que o nível da água se encontra à superfície ou perto desta e em que o encharcamento é suficientemente prolongado para promover processos típicos de solos mal drenados como o desenvolvimento de vegetação hidrófitica (adaptada a condições de encharcamento) e a promoção da formação de turfa, que é um tipo de substrato pedológico que se desenvolve em condições de encharcamento e anóxia (ausência de oxigénio).As turfeiras dos Açores são formações ainda bastante desconhecidas para o mundo e mesmo dentro do país, para onde a referência à existência destes ecossistemas, se restringe a pequenos mosaicos em áreas montanhosas de Portugal continental. O desenvolvimento de estudos e a sua publicação são factores primordiais para conhecer a riqueza biológica dos Açores, nomeadamente em termos de zonas húmidas e espécies associadas pelo que uma série de estudos de pormenor estão a decorrer sob a responsabilidade do GEVA, na Universidade dos Açores. De facto os Açores são uma área primordial no país, não só em termos de extensão de zonas húmidas mas também em diversidade tipológica e grau de conservação das mesmas. Pode-se mesmo dizer que as zonas altas da maioria das ilhas do arquipélago são ocupadas por vegetação húmida, predominantemente turfeiras (Foto 1), devido à entrada de grandes volumes de água (precipitação e intercepção dos nevoeiros) e à presença de plácico (Foto 2) (cujas características promovem a impermeabilização do substrato).

(In Naturlink)

Etiquetas: , , ,

domingo, setembro 27, 2009

Ecologia das Turfeiras de Sphagnum dos Açores

Sendo pouco menos do que desconhecidas para o Mundo, e mesmo dentro do nosso País, as turfeiras dos Açores são formações de uma elevada importância ecológica e ambiental, afectando significativamente os recursos hídricos das ilhas onde ocorrem.
Turfeiras são genericamente ecossistemas em que o nível da água se encontra à superfície ou perto desta e em que o encharcamento é suficientemente prolongado para promover processos típicos de solos mal drenados como o desenvolvimento de vegetação hidrófitica (adaptada a condições de encharcamento) e a promoção da formação de turfa, que é um tipo de substrato pedológico que se desenvolve em condições de encharcamento e anóxia (ausência de oxigénio).
As turfeiras dos Açores são formações ainda bastante desconhecidas para o mundo e mesmo dentro do país, para onde a referência à existência destes ecossistemas, se restringe a pequenos mosaicos em áreas montanhosas de Portugal continental. O desenvolvimento de estudos e a sua publicação são factores primordiais para conhecer a riqueza biológica dos Açores, nomeadamente em termos de zonas húmidas e espécies associadas pelo que uma série de estudos de pormenor estão a decorrer sob a responsabilidade do GEVA, na Universidade dos Açores. De facto os Açores são uma área primordial no país, não só em termos de extensão de zonas húmidas mas também em diversidade tipológica e grau de conservação das mesmas. Pode-se mesmo dizer que as zonas altas da maioria das ilhas do arquipélago são ocupadas por vegetação húmida, predominantemente turfeiras (Foto 1), devido à entrada de grandes volumes de água (precipitação e intercepção dos nevoeiros) e à presença de plácico (Foto 2) (cujas características promovem a impermeabilização do substrato).


Foto 1. Paisagem típica das zonas altas das ilhas dos Açores. No caso, uma turfeira de Sphagnum. Ilha Terceira. Base de dados fotográfico do GEVA.
Foto 2. Horizonte ferro-magnesiano plácico, promotor de impermeabilização dos solos e um dos grandes responsáveis pela grande extensão de zonas húmidas em altitude. Ilha Terceira. Base de dados fotográfico do GEVA.
As plantas típicas de zonas turfosas, tais como as espécies do género Sphagnum (Foto 3) tiveram a sua origem nas regiões Atlânticas do Norte da Europa, chegando aos Açores no período pós glaciações por intermédio de aves (epizoocoria).
Foto 3. Comunidade de Sphagnum, género de briófitos dominante nas turfeiras dos Açores. Ilha de S. Miguel. Base de dados fotográfico do GEVA.
De acordo com uma série de condições ambientais, tais como níveis de precipitação, topografia do terreno, grau de naturalidade, desenvolvem-se tipologias distintas de turfeiras. Este trabalho pretende caracterizar em termos de ecologia uma tipologia que são as turfeiras dominadas por Sphagnum, que ocorrem normalmente nas situações de bacias endorreicas (Foto 4).

Foto 4. Turfeira em vale endorreico. Uma das situações mais típicas onde se desenvolvem turfeiras de Sphagnum. Ilha Terceira. Base de dados fotográfico do GEVA.

Foto 5. Espécime do género Sphagnum (no caso S. cappilifolium). Base de dados fotográfico do GEVA.

Os briófitos mencionados são inconfundíveis, basta ter visto uma espécie ou examinado ao microscópio algum filídeo (tipo folha) para se poder dizer se é ou não um Sphagnum. Distingue-se dos outros musgos pelo agrupamento dos seus ramos em fascículos (Foto 5).



Uma compreensão básica da ecologia das plantas do género Sphagnum spp. será útil para compreender o funcionamento, bem como a dinâmica e ecologia de uma turfeira dominada por estes briófitos. Estas formações em termos ecológicos, caracterizam-se por reter grandes quantidades de águas sendo estas bastante ácidas e pobres em nutrientes disponíveis.

A grande capacidade de absorção e retenção de água (Foto 6) e a sua cedência gradual após grandes chuvadas é de grande importância para uma série de factores a nível da paisagem tais como na minimização da erosão e no controle dos caudais das ribeiras. Contribui também para a recarga dos aquíferos locais. Esta capacidade deve-se à estrutura morfológica dos Sphagnum que podem suportar até 20 vezes o seu peso seco em água. Em secção transversal, um corte duma folha de Sphagnum indica dois tipos de células (Foto 7), pequenas células clorofilinas (fotossintéticas, importantes para a fotossíntese e respiração) e células hialinas (largas e incolores) com poros nas paredes, através dos quais a água se move. Esta característica de absorção e retenção é importante para a planta e para o crescimento da turfeira uma vez que estes musgos não possuem raízes para absorver solutos do solo, ou tecidos condutores internos para o transporte de água (Daniels e Eddy, 1985). Esta capacidade de retenção de água, por parte do Sphagnum vivo que cresce na superfície da turfeira, acrescentando ao movimento da água por capilaridade dentro da turfa, assegura que a toalha de água seja mantida um pouco abaixo da superfície ou à superfície da turfeira durante todo a ano. As turfeiras constituem assim verdadeiros reservatórios de água (Foto 8), se tivermos em conta que os recursos em ilhas são bastante limitados a salvaguarda destas formações contribuem sobremaneira para a perpetuação dos recursos hídricos locais. Realça-se que em 7 das nove ilhas dos Açores as turfeiras são as formações predominantes nas zonas altas das ilhas. As excepções são as ilhas de Sta Maria e Graciosa, cujos níveis de precipitação e nevoeiros (altitude inferior às restantes) não propícia as condições ambientais base para a formação de grandes extensões de zonas húmidas.

Além da sua capacidade de absorver e reter água as turfeiras apresentam águas bastante ácidas. Na maioria dos ecossistemas, o pH encontra-se próximo da neutralidade, no entanto em zonas húmidas dominadas por estes briófitos, o pH do meio é bastante ácido, por vezes atinge valores abaixo dos 3. Estudos efectuados neste tipo de turfeiras nos Açores permitiram verificar que no Verão o pH médio para este tipo de turfeiras ronda os 3,5 e no Inverno os 5,5 no Verão (Mendes & Dias, 2002). Estas diferenças ocorrem porque a quantidade de água do meio altera a concentração de hidrogeniões e as próprias espécies dominantes em cada estação apresentam variadas capacidades de troca catiónica. Esta capacidade deve-se à troca de iões hidrogénio (H+) por outros iões tais como potássio, sódio, cálcio e magnésio (k+, Na+, Ca2+ e Mg2+ respectivamente) (McQueen, 1990). O Sphagnum é capaz de se desenvolver particularmente bem em situações ombrotróficas (águas provenientes da chuva e pobres em nutrientes) como resultado da sua relativamente alta capacidade de troca catiónica (Rieley e Page, 1990). Esta capacidade do Sphagnum para acidificar o meio tem uma série de vantagens, em primeiro lugar as plantas usam esta troca como meio de obter nutrientes para o seu crescimento, e que são em muito pequena quantidade no seu meio (McQueen, 1990). Em segundo lugar, criando um habitat ácido, o Sphagnum “cria” um ambiente ideal para si próprio onde a competição com outras plantas é muito pequena, pois a maioria das plantas vasculares não tolera níveis baixos de nutrientes ou ambientes ácidos e húmidos.
Esta acidificação do meio que aparentemente parece favorecer apenas o Sphagnum, presta, um serviço de extrema importância às populações das ilhas, as turfeiras transformam-se em verdadeiros filtros de purificação de água uma vez que a retenção, na sua estrutura, de iões (por troca por hidrogeniões) tem como efeito secundário a limpeza da água.
Esperamos que os aspectos aqui focados acerca das turfeiras de Sphagnum contribuam não só para o conhecimento da sua ecologia mas que sejam um abrir de uma porta para a compreensão da sua importância para que sejam cada vez mais os esforços de conservação.

(In Naturlink)

Etiquetas: , , , ,

quarta-feira, setembro 23, 2009

Natureza revelada


Da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são 13 os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. Não há terceirense que não conheça o Monte Brasil. Ponto de paragem obrigatória para quem visita a ilha, o espaço é procurado durante todo o ano pelos locais, quer para desfrute da vista sobre Angra do Heroísmo, quer pelo contacto com a natureza. Ainda assim, poucos são os que conhecem os fósseis do Monte Brasil. “Grandes orifícios, antes ocupados por troncos de árvores são bem visíveis nas cinzas vulcânicas das falésias do Fanal, em plena Angra do Heroísmo. Esses fósseis são relíquias do passado natural da Terceira, e um património que interessa preservar, porque conta a história de uma ilha em evolução, e porque neles é visível a violência deste ambiente, construído a partir do fundo do mar. Os fósseis do Monte Brasil são uma raridade a nível nacional mas também a nível internacional, não pela sua idade, mas pela juventude e génese”.Foi o Tenente-coronel José Agostinho, o primeiro a referir-se aos fósseis vulcânicos do Monte Brasil. Hoje, alguns fazem parte do espólio d’ “Os Montanheiros”. Esses fósseis têm particular importância por se referirem à flora de ilhas ainda não ocupadas por mamíferos. O estudo dos fósseis do Monte Brasil, anteriores à ocupação dos Açores pelos portugueses, permite perceber o real impacto do homem em ilhas virgens ou espaços ainda não intervencionados. Este é apenas um exemplo das riquezas naturais que Angra possui e que continuam desconhecidas para a maioria dos seus habitantes. Foi para captar a atenção de turistas e residentes para estes pormenores que escapam ao primeiro olhar que a Câmara Municipal de Angra lançou o CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Apresentado no passado dia 11, o CD reúne fotos, textos e vídeos sobre 13 aspectos do património natural do concelho, únicos ou muito raros. A par dos fósseis do Monte Brasil também o caracol da Fonte da Telha é realçado, uma espécie com 6 milímetros que é um endemismo da freguesia do Posto Santo. Outra espécie endémica em destaque é a aranha cavernícola do Algar do Carvão. Existente unicamente naquela zona, tem apenas 3 milímetros. As Furnas do Enxofre são uma raridade do ponto de vista biológico. É pela quantidade de plantas, briófitos, líquenes, algas e de alguma fauna adaptadas a condições específicas que se distingue a nível mundial. É também nas Furnas do Enxofre que encontramos a usnia krogiana, uma espécie de líquenes ou usneas, endémica dos Açores, rica em beleza natural e raridade.No Porto Judeu, a Gruta das Agulhas salienta-se pela sua importância biológica, dada a quantidade, variedade e qualidade de biofilmes decolónias de bactérias, que servem de investigação à Universidade dos Açores. Na mesma freguesia podemos encontrar os maiores ilhéus dos Açores. Os Ilhéus das Cabras apresentam uma fauna e flora marinha de interesse relevante não só para cientistas, mas também para mergulhadores recreativos e curiosos.Com uma grande quantidade de vegetação luxuriante, sobretudo endémica na Região, a Ribeira do Além é uma das ribeiras mais bonitas dos Açores. Situa-se na freguesia da Serreta. Mais acima, os Altares apresentam um cone vulcânico, de escórias soldadas, com características únicas no contexto da geodiversidade do planeta. O Pico Matias Simão assemelha-se apenas a formações vulcânicas existentes na Sicília, em Espanha e o arquipélago do Havai, no Oceano Pacífico. A serra de Santa Bárbara é um dos lugares com maior riqueza natural do país. A sua caldeira é o local com mais endemismos por unidade de terreno dos Açores e de Portugal. Na apresentação do CD multimédia, o professor catedrático António Firas Martins disse mesmo que se Darwin tivesse visitado a serra de Santa Bárbara, quando esteve na Terceira, não teria necessitado de ir às Galápagos para descobrir a teoria da evolução. É também na Serra de Santa Bárbara que se encontra a Lagoa Funda, uma das lagoas da ilha e dos Açores que não apresenta qualquer tipo de intervenção humana mantendo os seus habitats inalteráveis desde a formação das ilhas. O trevo de quatro folhas “marsilea azorica” é uma das plantas mais raras e ameaçadas do mundo. O feto endémico só existe no charco temporário da zona do Pico da Bagacina. Também o musgo “echinodium renauldii” é um dos mais raros da Europa. Fica na zona da Matéla, na freguesia da Terra Chã. O trabalho contou com a colaboração a título individual de vários professores da Universidade dos Açores. Francisco Cota Rodrigues, Eduardo Dias, Álamo Meneses, Félix Rodrigues, Maria de Lurdes Enes, Cecília Melo, João Pedro Barreiros, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Victor Hugo Forjaz e António Frias Martins deram testemunhos em vídeo sobre as diferentes espécies e locais salientados. A coordenação ficou a cargo de Félix Rodrigues, a nível de textos, e de Paulo Henrique Silva, que recolheu fotografias e vídeo. Rosalina Gabriel falou sobre o musgo neste trabalho. Para a professora da Universidade dos Açores, o trabalho serve para dar a conhecer o que existe de bonito no concelho. “Eu penso que qualquer pessoa que conhece as florestas naturais tem a certeza que elas seriam muito diferentes se não houvesse musgos. A biomassa que ali está é muito grande, eles estão em todo o lado, desde as rochas até aos troncos, até às folhinhas mais lá em cima, onde há menos quantidade de água. É importante que as pessoas comecem a olhar para eles. É bonito”, refere.Já Eduardo Dias, acredita que a divulgação destas espécies pode promover a sua protecção, mas pode também provocar o oposto. “É verdade que se não divulgarmos as pessoas não gostam, não apreciam e consequentemente não vão justificar a sua conservação, mas por outro lado o conhecimento leva a um maior interesse, que por vezes pode levar à destruição”, defende.Segundo o professor, os Açores começam já a dar os primeiros passos na conservação das espécies endémicas. “As medidas de conservação nos Açores são muito recentes e acho que ainda se está a fazer um percurso neste sentido. Estão a sair os parques de ilha e uma série de medidas de conservação básicas e estruturantes, que a Região não tinha. A gente tem de esperar que, de facto, este surto de interesse que a população e a comunidade estão a ter sobre a natureza dos Açores corresponda a uma devida proporção em termos da conservação, que no passado não era muito fundamentado, porque as pessoas desconheciam e não se interessavam e que agora começa a ser dramático, porque as duas coisas têm de andar a par e passo, divulgação/ promoção e conservação da natureza”, revela.

(in Diário Insular)

Etiquetas: , , , , , , , , ,

terça-feira, setembro 22, 2009

Valor científico dos Açores está provado


Os estudos da biodiversidade dos Açores têm vindo a provar que as ilhas são um laboratório natural para estudar a evolução das espécies e a dinâmica e a ecologia dos espaços insulares. Em entrevista ao DI, Paulo Borges, que lidera estudos sobre a biodiversidade açoriana na Universidade dos Açores, fala sobre o momento actual da Ciência nas ilhas.
A comunidade científica açoriana quer demonstrar que Charles Darwin estava errado quando disse que nada havia de interesse na biodiversidade açoriana.
Sem dúvida. Nas últimas décadas, os resultados da investigação nos Açores, nomeadamente na área da biodiversidade – quer no Departamento de Biologia em São Miguel, quer no Departamento de Oceanografia e Pescas, no Faial, quer no Departamento de Ciências Agrárias, particularmente com o Grupo de Estudo da Biodiversidade dos Açores, na Terceira -, demonstram que existe uma riqueza enorme de formas de vida únicas no arquipélago. E estas têm uma grande importância no funcionamento dos ecossistemas dos Açores, como, por exemplo, ficou demonstrado com a crise da água na ilha Terceira, onde se mostrou que as florestas naturais e toda a sua estrutura é essencial para haver água de qualidade para os angrenses. Portanto, na recta final do século XX, todos esses estudos vieram demonstrar a importância dos Açores no ‘hotspot’ da biodiversidade que inclui a Madeira e as Canárias e os Açores.
Na sua opinião, porque o pai da Teoria da Evolução das Espécies não se interessou pelos Açores, quando por aqui passou?
Ao visitar as ilhas, Darwin não encontrou animais de grande porte. Portanto, ao não encontrar aves endémicas nem o morcego endémico, por exemplo, e ao não encontrar mamíferos endémicos, o naturalista – que esteve muito pouco tempo na Terceira – acabou por decretar o desinteresse científico da ilha. Obviamente, naquela altura, Darwin não teve nem a capacidade nem o tempo necessários para investigar os insectos, os caracóis e outras espécies, como aconteceu na sua passagem pelas Galápagos ou no Havai.
Com essa declaração, Darwin afastou os cientistas do arquipélago?
No início, acho que sim. Porque, nessa época, existiram estudos fantásticos na Madeira e nas Canárias, sobretudo realizados por investigadores ingleses e nórdicos. E não assistimos a esses estudos nos Açores. Na Região, a comunidade científica debruça-se sobre a biodiversidade das ilhas já no século XX, nomeadamente através de expedições de universidades estrangeiras e, mais tarde, pela Universidade dos Açores. E é com a universidade açoriana que ocorre um ‘boom’ de estudos e conhecimentos sobre o arquipélago. Por exemplo, só em caracóis nos Açores, cerca de 70 por cento são endémicos. E esse conhecimento é recente. Em artrópodes, só em 1990, é que começou a descobrir as 20 espécies endémicas das grutas. Portanto, os Açores andaram afastados da atenção da comunidade científica. Não totalmente, mas os estudos cá realizados foram residuais.
Por que a comunidade internacional não quis estudar o arquipélago, que é hoje reconhecido como um laboratório natural situado no meio do Atlântico?
Por um lado, os Açores não estiveram no centro das rotas aéreas entre a Europa e a América. Muitos investigadores passavam por Santa Maria – resultando daí o notável trabalho de Alberto Teixeira Pombo, que conseguiu desenvolver contactos interesses com os cientistas que por ali passavam – mas eram visitas pontuais. A Madeira, pelo contrário, estava na rota do turismo inglês; e as Canárias na rota do turismo do Norte da Europa. Além disso, as duas regiões beneficiaram da publicidade que Darwin lhes fez. Daí serem alvo de vários estudos. No fundo, as rotas passavam-nos ao lado. Por outro lado, algumas das descobertas que se realizaram, implicaram meios tecnológicos avançados, que há altura não existiam. Veja-se os estudos feitos no fundo marinho ou na copa das árvores dos Açores. Ou seja, os Açores acabam por mostrar o seu valor científico após ter sido possível realizar vários investimentos que resultaram num acumular de tecnologia e conhecimentos sobre a biodiversidade local.
O trabalho dos cientistas açorianos tem tido eco nas comemorações mundiais em curso sobre Charles Darwin?
Sim. Vários investigadores da Universidade dos Açores têm participado em vários eventos internacionais dedicados a Darwin. Um dos nossos alunos vai estar em Minorca. Outros, em Março, estiveram em Leipzig, a apresentar estudos sobre os Açores. Tivemos outros investigadores no México. E, de 19 a 23 de Setembro, o professor Frias Martins reúne investigadores locais com investigadores internacionais para demonstrar o valor dos Açores como laboratório de investigação na área da Biologia.
Diz-me que o ‘boom’ da investigação científica açoriana ocorre com a Universidade dos Açores. Neste momento, qual o ponto de situação no estudo da biodiversidade açoriana?
Os Açores, neste momento, em muitas áreas, estão no mesmo patamar de muitas outras áreas do planeta, nomeadamente Canárias, Norte da Europa, Madeira, Galápagos, Havai. Ou seja, em termos de estrutura e de cientistas, já atingimos um nível qualitativo idêntico a esses locais. Por exemplo, se consultar muita literatura científica recente, encontrará muitos trabalhos que comparam os Açores a outros arquipélagos. E noutros aspectos estamos na vanguarda. Por exemplo, o Portal da Biodiversidade dos Açores é, neste momento, único nos arquipélagos semelhantes. Apesar do projecto, conceptualmente, ter sido criado e desenvolvido nas Canárias, nós passamos da simples colocação de dados para a comunidade científica para a divulgação ao grande público. O sítio, neste momento, tem mais de duas mil visitas diárias, tem recursos enormes e recebe visitas de cientistas, de escolas, de cidadãos interessados. Além de cooperar com várias instituições governativas. Portanto, atingimos com este projecto uma dimensão educativa, científica, popular e de apoio governamental ao nível de gestão do Ambiente.
Portanto, toda a exposição conseguida com esse projecto é da responsabilidade da Universidade dos Açores, muitas vezes tida como uma instituição de segunda linha…
A Universidade dos Açores é responsável pelos conteúdos e pela investigação que os originam. Mas, não nos podemos esquecer, que sem o apoio incondicional de várias entidades governativas, não era possível a concretização quer deste projecto quer dos estudos científicos que vão sendo desenvolvidos. Por isso só, a academia não tem capacidade para realizar investigação. Sem o esforço único – que não é comparável ao que acontece na Madeira ou nas Canárias – que as entidades governativas regionais têm desenvolvido, não tínhamos chegado a este patamar.
Que leitura faz desses apoios?
Entendo-os como parte de uma estratégia concertada de promoção turística dos Açores como zonas sustentáveis da natureza. Têm vindo a ser aprovados os parques de ilha, por exemplo, que mais não são do que formas de promover as ilhas como belezas naturais, como zonas ‘wilderness’, em oposição ao turismo madeirense que não comporta a vertente de natureza selvagem, digamos assim.
Qual o grau de conhecimento nos Açores da sua biodiversidade?
Depende dos grupos taxionómicos. Por exemplo, ao nível das plantas, sabemos quase 90 por cento; os artrópodes, saberemos 60 a 70 por cento…
Qual a área menos conhecida?
Os insectos. Onde existem vários grupos mal estudados. Embora nos últimos cinco anos já se tenha aumentado o conhecimento que publicamos em livro em 2005.
É possível que se venham a conhecer espécies novas no arquipélago?
Sim. Ainda recentemente foram publicados artigos revelando dez novas espécies de aranhas e oito novas espécies de escaravelhos. Ao nível das plantas e dos musgos, há sempre descobertas a acontecerem. Tudo isto deriva do facto de existir uma equipa em trabalho contínuo, em investigação permanente. E, ao mesmo tempo que se descobrem novas espécies, descobrem-se também os factores que as põem em risco.
Qual a principal ameaça à biodiversidade açoriana?
Pelo que conhecemos, o perigo maior resulta das espécies invasoras. Felizmente, o Governo Regional tem um projecto em curso de combate às espécies invasoras (incenso, conteira, hortênsia, etc.) em zonas críticas.
O homem é ou será um perigo para a biodiversidade açoriana? Numa Região que pretende explorar o turismo de natureza…
Acho que não. Aliás, felizmente, o clima dos Açores está a protegê-lo de um turismo de massas. Parece-me que, nesse aspecto, a ilha que possa correr mais riscos é São Miguel…
As restantes não podem vir a sofrer com uma intensificação turística?
Não me parece, porque não me parece viável que essa intensificação ocorra. O tipo de turista que visita os Açores, se for bem coordenado, não representará qualquer perigo para a biodiversidade do arquipélago. Por exemplo, nas Galápagos, que têm um turismo mais agressivo, as autoridades locais conseguem minimizar essas presenças.
Dos estudos que tem realizado, têm sido feitas descobertas que, de certa forma, ponham em causa algumas das ideias que se têm sobre os Açores? Dou-lhe o exemplo da declaração de Eduardo Dias, professor da academia açoriana, que revela que o arquipélago vive uma segunda Primavera no Outono…
Sim. Há vários exemplos. Relativamente a esse que me dá, comprovamos que, ao nível dos musgos, existem dois picos de crescimento: na Primavera e entre Setembro e Outubro, no Outono. Há como que duas zonas de alegria e dinâmica das florestas derivadas do nosso clima. A nível dos artrópodes, há espécies – caso das moscas – que, no Outono, se desenvolvem também. Nas térmitas, o período de enxameamento vai de Maio a Outubro. Portanto, muitos dos estudos provam que as nossas condições ecológicas permitem novidades, nomeadamente ao nível da fisiologia dos indivíduos. Além disso, o facto de os Açores serem um arquipélago com diferentes idades de surgimento, é-nos possível propor novas teorias sobre a evolução e a colonização dos organismos dos Açores. Ou seja, estas ilhas, pelas suas características, são muito interessantes para estudar Evolução, Ecologia, Conservação da Natureza, Dinâmica das Espécies Invasoras, etc.
A comunidade científica internacional tem demonstrado interesse nessas matérias?
Sim. Muito. Recentemente, tivemos quatro projectos da Fundação da Ciência e Tecnologia aprovados com questões ligadas à problemática das ilhas, nomeadamente ecológicas e evolutivas. E foram projectos considerados pelo painel de avaliadores internacionais de grande importância.
Que mais-valias se retiram desses estudos, nomeadamente para o cidadão comum?
Estamos aqui a falar de investigação pura, que tem impacto sobretudo no avanço da Ciência internacional. Para o cidadão comum pode não haver impacto directo. Mas a Região, num primeiro momento, pode beneficiar do interesse de mais cientistas estrangeiros, que ao virem para os Açores significam rendimento, nomeadamente ao nível do turismo científico. Recentemente, por exemplo, tivemos cá cinco alunos da Universidade de Oxford a fazerem investigação. O que demonstra que o meio científico internacional vê potencial nestas ilhas, quando poderia centrar atenção noutras zonas do globo.
Percebo das suas palavras que a Universidade dos Açores se encontra incluída nas redes científicas internacionais, granjeando aí sucesso. Contudo, dentro de portas, a academia continua a não ser vista como um pólo de excelência. Porquê?
Falta as gerações suficientes de estudantes açorianos que, ao estudarem aqui, percebam e reflictam para o exterior essa importância. Esta academia tem 30 anos. E a dimensão científica e de investigação da Universidade dos Açores tem menos de 20 anos. Ou seja, ainda não houve tempo suficiente para a universidade ganhar, digamos assim, estatuto internamente e garantir à Região um conjunto vasto de quadros.
Como é possível, em pouco mais de dez anos, o conhecimento gerado na Universidade dos Açores ter aumentado tanto?
Há dez anos atrás, o número de doutorados nesta universidade era diminuto. Eu e os meus colegas, entramos aqui na década de 80/90 e fomos tirar os nossos doutoramentos no estrangeiro, ligando-nos a equipas internacionais de vanguarda. E aí, começamos a colocar os Açores no mapa da comunidade científica. Depois, é o efeito da bola de neve. A capacidade científica que leva tempo a formar, no caso dos Açores, encontra-se no auge neste momento, porque esses doutorados estão na melhor fase da sua produção. Daí este crescimento.
A Universidade dos Açores, na sua opinião, tem condições para produzir fornadas de doutorados que mantenham este ritmo na investigação local?
Acho que sim. No meu grupo, temos cinco alunos de doutoramento. Outros grupos têm também alunos desse nível. E esses alunos vão trabalhar na Região ou fora dela, potenciando a nossa investigação. Reconheço que para a população em geral, estas coisas não são visíveis, até porque, se calhar, a economia açoriana é muito baseada na agro-pecuária e a investigação de ponta da Universidade dos Açores não é muito nessa área, mas sim nos fundos submarinos, na climatologia ou na biotecnologia, assim como na biodiversidade, vocacionada para o eco-turismo e o turismo científico. Ou seja, enquanto a população em geral luta nos sectores económicos tradicionais, a Universidade dos Açores trabalha a nível da investigação científica pura e dura, que terá impacto na Região em outras vertentes.
A produção científica da Universidade dos Açores poderá alavancar outro patamar económico regional, centrado, por exemplo, no conhecimento?
Acho que não será possível sustentar um sector com grande impacto, por exemplo, ao nível do PIB. Mas será possível potenciar um impacto indirecto, nomeadamente ao nível da visibilidade dos Açores no exterior, que poderá atrair investigadores e turistas científicos. Agora, tenho dúvidas que isso signifique um pilar económico como, por exemplo, a Agricultura.
Na sua opinião, qual é o próximo passo que a Universidade dos Açores deve dar em termos de investigação?
Acho que agora é altura de dar tempo para que a Universidade dos Açores possa alcançar um patamar idêntico ao de outras academias nacionais, europeias e internacionais. Parece-me que esse é o caminho. A não ser que se decida investir fortemente na criação de centros de excelência, capazes de atrair investigadores de renome…
Acha que os Açores têm condições para consolidar esses centros de excelência?
Por que não? Recentemente foi criado, no DOP, um centro de observação do mar, que é um espaço de excelência. É um exemplo de que houve um interesse político imediato e que resultou num investimento nesse sentido. Há outras áreas onde isso pode acontecer. Por exemplo, na Terceira, podemos conseguir um grupo de excelência ao nível mundial para o estudo da ecologia e biodiversidade das ilhas. Estamos a trabalhar nesse sentido. Se conseguirmos continuar a cativar os orçamentos necessários, poderemos alcançar esse objectivo dentro de alguns anos. No entanto, reconheço que a nossa área de actividade não terá impactos económicos como, por exemplo, o centro de observação e investigação do mar, criado no DOP.
Mas podem produzir conhecimento fundamental, por exemplo, para a gestão do território?
Claro. Temos vindo a produzir investigação que auxilia os decisores. Lideramos o combate às térmitas, orientamos um mestrado de Educação Ambiental e promovemos o Portal da Biodiversidade. Ou seja, participamos em projectos que, no fundo, contribuem para a Região em termos concretos. Penso, assim, que estamos no caminho certo para demonstrar que os Açores têm valor como laboratório natural, algo que Darwin não reconheceu.
Os açorianos estão despertos e sensíveis à biodiversidade que os rodeia?
Os mais novos, sim. Os mais velhos, ainda continuam agarrados a alguns mitos ou ideias antigas. Aliás, prova disso, é a Região continuar a ostentar como símbolo uma planta invasora, a hortênsia. Quando temos a azorina, uma planta lindíssima e que é endémica. Mas, aos poucos, os açorianos vão despertando para estas temáticas. E, nesse aspecto, as escolas têm vindo a desenvolver um excelente trabalho na divulgação e promoção da biodiversidade insular.
Em termos de investigação científica, daqui a uma década, em que patamar deve estar a Universidade dos Açores?
Gostaria que, daqui a dez anos, tivéssemos capacidade para, por exemplo, publicar artigos científicos em revistas de grande dimensão, caso da Nature ou da Science. Neste momento, publicamos em revistas que não têm a dimensão de exposição destas.
Por que ainda não chegaram a esse patamar?
Já enviamos trabalhos para essas revistas, mas eles não passaram nas comissões de análise. Publicar nessas revistas implica ter uma experiência e um conjunto de dados acumulados de muitos anos para se descobrir detalhes e pormenores científicos únicos e inovadores em determinadas áreas. A nossa investigação ainda não atingiu essa dimensão temporal.

(in Diário Insular)

Etiquetas: , , , , , ,

quinta-feira, agosto 06, 2009

Espécies endémicas em risco de extinção

Metade das plantas endémicas dos Açores correm risco de extinção. Trata-se de uma situação poderá ter implicações no ciclo da água de algumas ilhas.
Cerca de metade das 32 espécies endémicas dos Açores em risco de extinção podem desaparecer em pouco tempo se não forem tomadas medidas para as proteger. De acordo com estudos científicos, essa possibilidade de extinção é cada vez mais evidente devido a alterações verificadas nas áreas onde as espécies endémicas ainda existem. “Houve uma alteração profunda da ocupação do solo com o aumento progressivo das áreas de pastagem e com situação das águas superficiais das lagoas e ribeiras, que tem levado a uma quebra profunda da extensão dos habitats naturais”, refere o investigador da Universidade dos Açores, Eduardo Dias. Assegura que algumas das plantas endémicas que estão referenciadas como estando em perigo estão tecnicamente extintas porque apenas restam alguns exemplares. Entre as plantas que correm grande perigo de extinção estão a Marsilea azorica, Prunus azorica, Euphasia grandiflora e Ammi trifoliatum. Eduardo Dias manifesta a sua apreensão com o facto de não haver planos de recuperação das espécies em risco de extinção, uma vez que não existe nenhum impedimento técnico para que isso aconteça. “Existe capacidade para se criar planos para restaurar espécies que estão em alto risco de extinção”, afirma. Caso perca algumas das suas plantas endémicas, a Região fica a perder não só no que se refere à preservação da sua flora, como também nos recursos hídricos. De acordo com Eduardo Dias, “uma parte importante dessas espécies estão relacionadas com a manutenção dos aquíferos superficiais e da regularização da água. A sua extinção implica perca de capacidade de controlar o meio ambiente e obriga a investimentos avultados para podermos ter água”.
Medidas em curso
Por seu turno, o secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, garante que estão a ser tomadas medidas para proteger a flora endémica. Álamo Meneses reconhece que “é necessário fazer mais”, mas assegura que está a ser feito “um grande esforço” para repor a vegetação endémica em algumas ilhas. “Estamos a criar reservas naturais em todas as ilhas que envolvem acções que vão no sentido de proteger as espécies endémicas”, acrescentou.
(in Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

sábado, julho 18, 2009

Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer

Glória Monteiro e Eduardo Dias apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer".
Azorina vidalii, espécie alvo deste estudo, trata-se de um género monoespecífico da família Campanulaceae, considerada em perigo crítico pelos critérios da IUCN (2001), protegida pela Convenção de Berna (revisão de 2002) – Anexo I e pela da Directiva dos Habitats DL 49/2005 de 24 de Fevereiro – Anexo II sendo considerada espécie prioritária.
O objectivo geral deste estudo é contribuir para a integração da conservação desta espécie no desenvolvimento local, utilizando como instrumento o conhecimento das suas populações. Efectuou-se durante este estudo uma avaliação da distribuição, da ecologia e da biologia das populações existentes na ilha Terceira (de acordo com estudos do GEVA, existente em oito das nove ilhas).
Numa primeira fase foi efectuada uma análise da informação histórica existente acerca da distribuição desta espécie nas ilhas seguida de uma confirmação das mesmas efectuando uma caracterização das áreas onde foram confirmadas as populações nomeadamente em termos climáticos, localização de linhas de água e análises de solos.
Para os estudos demográficos e foram realizados mais de 70 círculos, com o objectivo de nestes assinalar dados relativos à a classe de idade, ao número dos espécimes situados a partir de uma fonte de dispersão, bem como analisar ameaças existentes.
Continuadamente procedeu-se ao estudo da biologia desta espécie assinalando aspectos relevantes na germinação das suas sementes. Os dados obtidos demonstram a existência de 3 grandes populações na ilha são nas Quatro Ribeiras, Porto Martins e Monte Brasil.
A maior das populações em termos de área é a referente ao Porto Martins. No que se refere à demografia, as populações do Monte Brasil são as que apresentam maiores números de plântulas, demonstrando que em termos potenciais é a população que mais pode crescer. Em termos de ameaças a esta espécie pode-se realçar a presença de espécies invasoras tais como o Carpobrotus edulis, a presença de lixos e a pressão urbana para construção de infra-estruturas e presença de zonas balneares.
Trata-se então de uma espécie rara com populações tendencialmente alteradas mas em relativo bom estado de conservação. A sua resiliência estará dependente da criação de um plano para a espécie em estudo, integrado nas POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) e no PDM (Plano Director Municipal) é, uma vez que grande parte das suas populações encontra-se fora de áreas protegidas e das áreas da Rede Natura 2000.
Duma forma geral os POOC tomam em consideração a protecção e integridade biofísica do espaço, com a valorização dos recursos existentes e a conservação dos valores ambientais e paisagísticos. Assim por norma deveria integrar propostas e medidas de conservação para esta a espécie endémica. A conservação desta espécie deve ser uma prioridade das políticas conservações regionais, já que esta constitui um género endémico da flora vascular dos Açores.

(In Cabo Verde - Redes de Desenvolvimento Regional)

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, julho 10, 2009

Câmara de Angra vai construir lagoa

A Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo aprovou, segunda-feira à noite, na freguesia dos Altares, uma proposta do executivo camarário para a construção de uma lagoa de retenção de água destinada ao consumo doméstico. O projecto da obra será adjudicado em breve e terá em conta a construção de um reservatório de água com capacidade para 200 mil metros cúbicos. A empreitada deverá ser concretizada no próximo ano com apoio do Governo Regional que vai celebrar um contrato ARAAL para esse efeito com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. A lagoa a construir perto da Furna da Água, no Cabrito, terá capacidade para armazenar um volume de água equivalente ao consumo doméstico do concelho de Angra do Heroísmo durante 15 dias. Por outro lado, a Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo aprovou, por unanimidade, uma proposta para a criação de uma lista de árvores que devem ser classificadas pela sua importância ambiental ou cultural. A proposta foi inicialmente apresentada pelo representante do CDS/PP, Professor Félix Rodrigues, mas a versão aprovada resultou de uma iniciativa conjunta de todos partidos representados na Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo. Félix Rodrigues disse ontem ao DI que a proposta tem como objectivo proteger as árvores com interesse como os dragoeiros e as araucárias de serem abatidas de forma indiscriminada. Segundo referiu, compete ao executivo municipal criar uma lista das árvores existentes no concelho que devem ser protegidas pela sua importância para a comunidade. “Existem exemplares de árvores centenárias e outras de grande interesse que neste momento não estão livres de serem abatidas como já aconteceu recentemente”, adiantou. Por seu turno, Eduardo Dias, docente da Universidade dos Açores, considera que “para além de ser importante definir quais as árvores a abater é necessário evitar que sejam plantadas espécies exóticas que estão proibidas por lei e que são uma ameaça para as espécies endémicas que existem na ilha”.
MÉRITO CULTURAL
Durante a sessão de segunda-feira da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo foi aprovada uma proposta para a atribuição da Medalha de Mérito Cultural a José Ribeiro Pinto (presidente da Associação AngraJazz e realizador do programa da RDP “Os Sabores do Jazz”) e Mérito Municipal, a Marcelo Bettencourt, engenheiro civil que esteve ligado ao departamento do Governo Regional que teve a seu cargo a reconstrução de Angra do Heroísmo após o sismo de 1980.

(in Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

sábado, junho 20, 2009

PRECONIZA ANDREIA CARDOSO - Património natural a explorar na Terceira

A presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo considerou ontem que "aumentar o tempo de permanência dos turistas no concelho e na ilha implica necessariamente explorar a vertente do património natural"
A afirmação foi feita por Andreia Cardoso no momento de apresentação da conferência sobre ecoturismo, a decorrer nos dias 18 e 19 de Junho e organizada por uma finalista da licenciatura em Guias da Natureza da Universidade dos Açores.
Andreia Cardoso salientou o interesse da autarquia em apoiar esta conferência uma vez que Angra do Heroísmo “é uma cidade muito conhecida pela sua componente histórica, mas não tanto pelo seu património natural”.
A autarca angrense salientou a importância do ecoturismo porque “ao promover o património natural, preserva-o e potencia-o enquanto produto turístico”.
A conferência sobre ecoturismo tem lugar no auditório da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo, constituindo o projecto final da licenciatura em Guias da Natureza da aluna Regina Cardoso.
Este curso da Universidade dos Açores tem por finalidade apresentar projectos de relação com a sociedade e com o desenvolvimento na área do Turismo.
Para o director do curso, Eduardo Dias, a conferência é “oportuna” porque surge num “momento de revisão das áreas protegidas dos Açores, de discussão do desenvolvimento sustentado e de franca expansão do turismo”.
Para o especialista da Universidade dos Açores, “ também é um momento oportuno para a cidade de Angra se envolver nesta discussão”.
Eduardo Dias destacou, a propósito, o apoio concedido pela Câmara de Angra na medida em que “permite uma estreita relação entre a Universidade e a sociedade”.
A temática do ecoturismo vai ser discutida em Angra do Heroísmo por diversos especialistas designadamente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, da Quercus e da Universidade dos Açores.
Vão ser também apresentados projectos de outros alunos da licenciatura de Guias da Natureza que estão directa ou indirectamente relacionados com o ecoturismo.

(In A União)

Etiquetas: , , , , ,

quinta-feira, junho 18, 2009

Licenciatura de Guias da Natureza ganha projecção fora dos Açores

A licenciatura de Guias da Natureza, do pólo de Angra do Heroísmo, da Universidade dos Açores, tem vindo a ganhar projecção fora do arquipélago açoriano. De acordo com o director do curso, Eduardo Dias, “no último ano temos registado um crescente interesse de alunos do continente e Madeira”, o que na opinião do professor, “é uma vantagem e ao mesmo tempo um problema”, já que “é um curso muito direccionado para os Açores”, por isso a licenciatura “pode vir a ser repensada, em termos programáticos”, de forma a proporcionar uma “formação mais ampla”. Eduardo Dias refere que “foi contactado por um politécnico do continente que sugeriu que o curso abrisse no mesmo”. Esta licenciatura existe há três anos, sendo os licenciados deste ano os primeiros. De acordo com o director este curso “tem uma vocação ampla” e “50 por cento da sua componente é prática e leccionada no exterior”. “Durante os três anos da licenciatura, os alunos têm contacto com as várias áreas, relacionadas com a natureza, já que temos parcerias com entidades privadas que proporcionam este contacto”, explica. Eduardo Dias sublinha que “cerca de metade dos nossos alunos já exerce uma actividade profissional”, tendo por isso “um leque de idades muito variado”.“Os alunos saem com conhecimento e respeito pelo meio natural, para actuarem nestas áreas”, conclui.
(in Diário Insular)

Etiquetas: ,

Projecto de ecoturismo lança debate em Angra

O debate sobre ecoturismo foi lançado e discutido ontem em Angra, no âmbito da apresentação de um projecto de final de curso. Regina Cardoso, finalista deste curso, do pólo de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, escolheu o tema por “este reunir as duas componentes mais importantes do curso: a natureza e o turismo”. De acordo com o director do curso, Eduardo Dias, “este projecto é o primeiro passo para que Angra se integre nesta discussão de extrema importância”.“A propósito, serão apresentados e discutidos outros projectos, que se relacionam directamente com o ecoturismo, desde segurança de trilhos a jardins, passando pela baleação e muitos outros”, refere Eduardo Dias. A presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, sublinhou que “mais do que uma colaboração institucional e financeira no projecto desta aluna”, a autarquia angrense “tentou ter um papel mais activo”.Andreia Cardoso falou ainda da importância “dos jovens ganharem uma diâmica, depois de terminarem a licenciatura, e promoverem iniciativas na sua terra”, o que, para a autarca, é “um bom começo para a promoção, num futuro, do seu próprio emprego”. O facto de “Angra ser muito conhecida pela seu património arquitectónico e histórico, mas não tanto pela componente natural”, implica a “necessidade de explorar outras vertentes”, através do ecoturismo, que considera ser “uma vertente muito importante do turismo”, de forma a “preservar e potenciar este património enquanto produto turístico”. A este respeito, o director do curso de Guias da Natureza explica que “a Terceira não é conhecida por ter zonas naturais, por não existirem estradas nessas mesmas zonas”, facto que, na opinião do mesmo, se deve “à história e ao processo de ocupação da ilha, que manteve o interior relativamente intacto”. “A ausência de estradas no interior da ilha motivou a existência de zonas intocáveis”, avança, acrescentando que “a Terceira tem um património natural gigantesco que, felizmente, a maioria não conhece, se não este se calhar já não existia”, conclui. Hoje, dia 18 e na sexta-feira, dia 19 de Junho, a Escola de Enfermagem de Angra do Heroísmo será palco da conferência sobre ecoturismo, que inclui intervenções de especialistas convidados e actividades como “Whale Watching” e Passeio de Jipe.
(in Diário Insular)

Etiquetas: , , , ,

terça-feira, junho 16, 2009

Conferência sobre ECOTURISMO


Dia I
- Moderador: Félix Rodrigues – Professor da Universidade dos Açores
10h30 Sessão de abertura: Professor Doutor Alfredo Borba – Pró-Reitor da Universidade dos Açores, Campus de Angra do Heroísmo
10h50 Comunicação do Professor Doutor Eduardo Dias
11h20 Comunicação de Mestre Maria João Burnay – Directora do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas – Zonas Húmidas do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade
11h50 Debate
Almoço (livre)
- Moderadora: Verónica Bettencourt – Delegada de Turismo da ilha Terceira
14h00 Comunicação de Gilberto Vieira: Director e Proprietário da Quinta do Martelo – «A experiência de um projecto – Turismo Rural, turismo da Natureza».
14h30 Debate
14h45 Comunicações dos Guias da Natureza:
- Rita Costa – «Segurança nos trilhos pedestres»
- Filipe Lourenço – «Da baleação ao Whale-watching na ilha Terceira»
15h30 Whale-Watching (Marina de Angra do Heroísmo) – Actividade sujeita a inscrição

Dia II
- Moderador: José Eduardo Toste – Director da Associação Regional de Turismo
10h00 Comunicação do Professor Eduardo Guimarães – Ecomuseu da Ilha de São Jorge – «O Ecoturismo e a valorização do património natural e cultural»
10h30 Professora Maria de Lurdes Cravo – Presidente da Assembleia Geral da Associação Quercus Direcção Nacional da Quercus – «Ecoturismo – a importância de manter uma paisagem humanizada».
11h00 Debate
Intervalo
11h35 Comunicações dos Guias da Natureza:
- Filomena Ferreira – «Observação de aves»
- Margarida Pires – «Os Jardins de Angra do Heroísmo»
- Ulisses Rosa – «Resíduos ilegais na ilha Terceira»
Encerramento
Almoço (livre)
14h30 Passeio de Jipe – Actividade sujeita a inscrição

Etiquetas: , , , ,

Importância Ecológica de Gaidropsarus guttatus (Collett, 1890) dos Açores com base no seu comportamento alimentar.

Realizaram-se, no dia 15 de Junho, pelas 15 horas, no Auditório do Complexo Pedagógico do Departamento de Ciências Agrárias, as provas de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, requeridas pela licenciada Madail Denise Ormonde Ávila. As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo doutor Eduardo Manuel Ferreira Dias, professor auxiliar da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Emanuel João Flores Gonçalves, professor associado do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, João Pedro da Silva Ramos Barreiros, professor auxiliar com agregação da Universidade dos Açores, e Rui Miguel Pires Bento da Silva Elias, professor auxiliar da Universidade dos Açores.
As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Importância Ecológica de Gaidropsarus guttatus (Collett, 1890) dos Açores com base no seu comportamento alimentar.

Etiquetas: , , , , ,

terça-feira, junho 09, 2009

Invasoras de elevado impacto nas formações naturais da ilha Terceira

Cândida Mendes & Eduardo Dias
Após a colonização das ilhas Açorianas pelo Homem, acerca de 550 anos atrás, deu-se início a um processo gradual de ocupação do território que teve como consequência uma alteração substancial da cobertura original, então dominada por florestas variadas e por zonas húmidas diversas. Assim, a área actual de ecossistemas nativos inalterados pelo homem nos Açores corresponde a uma fracção reduzida da área de cada ilha estando mesmo quase ausente na Graciosa e Corvo e muito fragmentados em várias outras das ilhas Açorianas.
Acompanhando a destruição do coberto original decorreu a introdução de uma grande quantidade de espécies com fins variados, desde culturas para a agricultura (as mais diversas hortícolas, frutícolas, forrageiras e mesmo sebes), para jardins e para fins comerciais diversos, madeiras, tinturaria etc. Algumas destas espécies introduzidas, após terem escapado dos locais onde foram introduzidas, tornaram-se pelo menos sub espontâneas (fixam-se naturalmente para além do seu local de introdução inicial formando populações que se mantêm a si próprias, sem a intervenção do Homem), em habitats naturais ou semi-naturais. Muitas delas propagaram-se de tal modo, em número e em área de extensão, que passaram a dominar algumas comunidades vegetais naturais, tornando-se uma ameaça, ou seja assumiram o carácter invasor substituindo, pelo menos parcialmente, as formações nativas. Ainda assim, é possível encontrar nas ilhas áreas relativamente extensas, dessas comunidades naturais únicas, relíquias daquelas que desde há muito desapareceram dos continentes de onde provieram, mas que nestas ilhas foram poupadas às glaciações. Razões biológicas, genéticas, éticas, estéticas e culturais cuja importância ultrapassa as fronteiras regionais, têm justificado a tomada de medidas diversas para o reconhecimento da sua importância e conservação, levantando a questão da necessidade de controlar a introdução de novas espécies e conter o avanço das já presentes.
A flora vascular da Terceira inclui, de acordo com Hansen & Sunding (1993), 1016 espécies. Embora uma parte considerável destas sejam exóticas, esta ilha apresenta ainda importantes áreas naturais onde as introduzidas praticamente não se fizeram sentir, como é o caso do interior da Serra de Santa Bárbara. A expansão das espécies exóticas avassalando e destruindo a flora nativa é sem dúvida um dos grandes problemas ambientais da actualidade mundial. No entanto, e embora seja uma linha de estudo explorada na região (lista de referência da flora Açoriana de Dias et al. 2006 pode ser consultada em http://www.angra.uac.pt/GEVA/WEBGEVA/Scheklistacores/ ScheklistAcoresstart.htm) existem para inúmeras espécies muitas dúvidas acerca da sua naturalidade. Ainda assim e independentemente das incertezas, é de consenso geral que de facto existem no Arquipélago áreas extensas completamente descaracterizadas por espécies introduzidas.
Assumindo assim incertezas mas assumindo também as inúmeras espécies reconhecidamente invasoras, segue-se uma breve descrição de algumas das mais problemáticas e causadoras de uma intensa descaracterização nas formações naturais desta ilha. Assinala-se que algumas destas invasoras são comuns a várias ilhas, eventualmente mais agressivas numa determinada ilha que noutra. Existem espécies que sendo extremamente graves estão confinadas a uma só ilha, como por exemplo a Clethra arborea que existe apenas na ilha de S. Miguel.
(In Quercus)

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, maio 21, 2009

Cyclic patch dynamics in a Macaronesian island forest

R. B. Elias, and E. Dias

We assess if the structural and floristic diversity of Juniperus-Ilex forests from Pico Island (Azores) corresponds to a mosaic of different phases of a forest cycle, by identifying the phases of that cycle and the dynamic relations between them. Eight 100 m2 plots were placed randomly in areas with structural and floristic differences but having in common the presence of live and/or dead individuals of the dominant tree species (Juniperus brevifolia). In each plot the number of seedlings, saplings, and adults as well as canopy height and width and maximum height of live Juniperus brevifolia and Ilex azorica adults were recorded. The floristic composition was determined in a 25 m2 plot, placed inside each 100 m2 plot. Juniperus-Ilex forests show a cyclic patch dynamic triggered by the senescence and death of same cohort individuals of J. brevifolia. In this forest cycle, five phases were identified, such as gap, building, mature, initial degenerative and final degenerative. The first two phases are dominated by J. brevifolia however in the degenerative phases I. azorica is the dominant tree species. The cycle may be divided into an upgrade series (comprising the first two phases) and a downgrade series (between the mature and final degenerative phases). In these forests there was no climax micro-succession detected since changes in the dominant tree species occur in the degenerative phases. This paper brings the first evidence for the existence of a forest cycle in Macaronesian forests.
(in Community Ecology)

Etiquetas: , , ,

quarta-feira, maio 20, 2009

The role of habitat features in a primary succession

RUI B. ELIAS & EDUARDO DIAS

In order to determine the role of habitat features in a primary succession on lava domes of Terceira Island (Azores) we addressed the following questions: (1) Is the rate of cover development related to environmental stress? (2) Do succession rates differ as a result of habitat differences?
One transect, intercepting several habitats types (rocky hummocks, hollows and pits, small and large fissures), was established from the slope to the summit ofa 247 yr old dome. Data on floristic composition, vegetation bioarea, structure, demography and soil nutrients were collected. Quantitative and qualitative similarities among habitats were also analyzed. Cover development and species accumulation are mainly dependent on habitat features. Habitat features play a critical role in determining the rate of succession by providing different environmental conditions that enable different rates of colonization and cover development. Since the slope’s surface is composed of hummocks, hollows and pits the low succession rates in these habitats are responsible for the lower rates of succession int his geomorphologic unit, whereas the presence of fissures in the dome’s summit accelerates its succession rate.

(in Arquipélago. Life and Marine Sciences)

Etiquetas: , , ,

sábado, março 14, 2009

OS PORTUGUESES AO ENCONTRO DA SUA HISTÓRIA

A viagem deste ano do ciclo Os Portugueses ao Encontro da sua História terá como destino o Golfo Pérsico e ocorrerá entre 31 de Agosto e 12 de Setembro. Pode já consultar aqui o resumo do programa provisório. Apesar de ainda não nos ser possível ter todas as informações necessárias para estimar o valor de custo definitivo, podemos desde já avançar que o preço final desta viagem rondará os 7.000€. As inscrições abrem no dia 1 de Abril e deverão ser processadas através do contacto com Helena Serra (21 346 67 22, 96 396 55 25 ou hserra@cnc.pt). A inscrição será considerada efectiva após o pagamento – até ao dia 23 de Abril - de uma primeira prestação fixa no valor de 2.000€ (representa aproximadamente 30% do valor que estimamos). Os acertos ao preço final da viagem far-se-ão nas outras 2 prestações previstas para 23 de Junho e 30 de Julho respectivamente.
Este programa provisório não inclui bebidas nas refeições, nem despesas pessoais. Uma ou duas refeições terão de ser pagas à parte.
31 de Agosto – Segunda-feira

Lisboa – Dubai (Emirados Árabes Unidos) Voo via Frankfurt (Lufthansa).
1 de Setembro – Terça-feira

Dubai (Emirados Árabes Unidos) – Musandam/Ormuz (Sultanato de Omã)

Autocarro até ao estreito de Ormuz (Cidade de Khasab). Visita ao Museu de Ras-Al-Khaimah, Forte Bukha e Forte Khasab.
2 de Setembro – Quarta-feira

Musandam (Ormuz)
Visitas em Ormuz - Vila Kanzar.
3 de Setembro – Quinta-feiraMusandam (Ormuz) - Mascate
Voo até Mascate. Visitas na cidade – museu e mercado (souks) e aos fortes Jalali e Mirani.
4 de Setembro – Sexta-feira Mascate – Nizwa – Mascate
Partida em autocarro na direcção de Nizwa e visita à maior cidade de deserto no sultanato de Omã.
5 de Setembro – Sábado Mascate – Sur ou Mutrah - Mascate
Visitas em autocarro em Sur ou Mutrah - Forte e souk.
6 de Setembro - Domingo Mascate – Bahrein
Voo para Bahrein. Visita ao forte do Bahrein.
7 de Setembro – Segunda-feira Bahrein – Petra (Jordânia)
Voo para Amã (cedo) com transfer directo em autocarro para Petra.
8 de Setembro – Terça-feiraPetra
Visita a Petra (dia inteiro).
9 de Setembro – Quarta-feira Petra – Cairo (Egipto)
Partida em autocarro com destino a Sharm El Sheik no Egipto (deserto Wadi Rum - Jordânia e rota do Mar Vermelho), de onde voaremos para o Cairo.
10 de Setembro – Quinta-feira Cairo
Museu do Cairo.
11 de Setembro – Sexta-feira Cairo
Pirâmides – Gize e Saqqara (pirâmide da Rainha Sesheshet recentemente descoberta).
12 de Setembro – Sábado Cairo - Lisboa
Voo Cairo – Lisboa, via Frankfurt (Lufthansa).
VIAGEM AÇORES 5 a 12 de Julho
Esta nova viagem aos Açores, agora às ilhas mais pequenas, será de novo acompanhada pela Prof. Maria Calado, Vice-presidente do Centro Nacional de Cultura e, após a excelente experiência em 2008, também pelo Prof. Eduardo Dias, Director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada da Universidade dos Açores.
Por não termos podido, até à data, obter a confirmação por parte da SATA e da Atlântico Line (barcos que fazem as ligações entre ilhas) dos seus horários para Julho, não podemos adiantar o preço final da viagem. Não é motivo suficiente para nos impedir de avançar com as inscrições e tomámos como ponto de partida o preço da nossa viagem de 2008: 1.900€ por pessoa em quarto duplo e 2.150€ por pessoa em quarto single.
Assim, poderá inscrever-se a partir de dia 1 de Abril, contactando Helena Serra (21 346 67 22, 96 396 55 25 ou hserra@cnc.pt). A inscrição será considerada efectiva após o pagamento – até ao dia 30 de Abril - de uma primeira prestação fixa no valor de 1.000 € (representa aproximadamente 50% do valor que estimamos). O acerto ao preço final da viagem far-se-á na outra prestação prevista para 22 de Junho.
Já percebi que o que as ilhas têm de mais belo e as completa é a ilha que têm em frente, Raul Brandão em As Ilhas desconhecidas
De 5 a 8 de Julho – Ilha das Flores e Corvo
Sedeados nas Flores onde visitaremos toda a ilha, incluindo o seu património construído, daremos belos passeios pé, como por exemplo na Fajâzinha, e também de barco para ter uma perspectiva das ilhas a partir do mar. Deslocar-nos-emos ao Corvo por 1 dia.
8 a 12 de Julho – Ilha de São Jorge e Graciosa
Fajãs, adegas, atafonas, eco-museu, Finisterra, Pico da Esperança e passeios a pé são algumas das palavras-chave das visitas a São Jorge e Graciosa. Mais uma vez iremos dar a volta às duas ilhas, com maior destaque para São Jorge, que por ser uma ilha maior requer mais tempo.
Está contemplada a possibilidade de viajar a partir do Porto, mas sujeita à disponibilidade de voos e horários compatíveis.

(In Centro Nacional de Cultura)

Etiquetas: , ,

domingo, fevereiro 08, 2009

Zonas húmidas distinguem os Açores

O director regional do Ambiente adiantou que é tempo dos planos existentes para a gestão das zonas húmidas serem concretizados. Os documentos que existem, de facto, garantem a protecção destas zonas? Existe um conjunto alargado de instrumentos de gestão de zonas húmidas, quer derivado a compromissos internacionais – Convenção de Ramsaar, Directiva Habitats, etc. – quer a nacionais e regionais, a que haverá que adicionar os Parques naturais de ilha, em implementação. Algumas zonas têm mesmo planos especiais e específicos, como grandes lagoas, ou o plano de gestão da Rede Natura, que tive a honra de coordenar. A implementação desses planos será, sem dúvida, um grande desafio e um enorme passo em frente para a Região, considerando os valores ambientais e os recursos naturais envolvidos. Se os documentos que existem são suficientes ou não, só a sua implementação o dirá. Como em muitas outras áreas, haverá conflitos a resolver, sobreposição de competências e sensibilidades a conquistar. Certamente que um trabalho de gestão adaptativa terá de ser feito, mas ficaremos muito melhor com a sua implementação e novos desafios irão aparecer durante a sua aplicação, no sentido de encontrar o equilíbrio entre os diferentes valores em jogo.
Para os Açores, o que significam as zonas húmidas que o arquipélago comporta?
Os Açores - como dava o mote na recente palestra que proferi nas comemorações do Dia Mundial das Zonas Húmidas, na Câmara da Praia - ficam entre o mar e as nuvens e são muito destes dois mundos de zonas húmidas (porque as zonas costeiras também são consideradas zonas húmidas). Por isso, grande parte dos ambientes são zonas húmidas, com as quais teremos de aprender a lidar e a cuidar. Grande parte dos nossos valores naturais e recursos vem delas e alguns dos cuidados e catástrofes também. Não é por acaso que a maioria dos ícones da paisagem dos Açores incluem estas zonas (lagoas, costas…), mas também alguns dos nossos problemas, como cheias e derrocadas.
E que valor económico e turístico têm, ou podem ter?
Bem, como dizia, grande parte dos nossos ícones turísticos vem de zonas húmidas – Lagoa das Sete Cidades, lagoas das Flores, Caldeirão do Corvo, etc. – e o nosso futuro de ecoturismo passa certamente por elas, desde o mergulho à observação de aves. A sua extensão, nas ilhas, é tão grande que se as excluirmos ficamos com quase nada. Elas envolvem-nos e sustentam-nos, tornam os Açores no que eles são de distintos. Quanto ao valor económico noutras áreas, as recentes discussões sobre o valor das turfeiras na regulação da água é bem exemplificativo. Mas podíamos juntar o controle da erosão, o suporte para a biodiversidade, etc.
Acha que a população açoriana está desperta, ou reconhece, a importância dessas zonas? Porquê?
Creio que existe um longo percurso para entendermos a natureza dos Açores, as suas particularidades e valores, para aprendermos a viver com ela num equilíbrio sustentado e percebermos que existem forças que modelam estas ilhas e geram recursos que nos são caros. Compreender o valor que tem para nós e ajustar os nossos padrões de vida e de desenvolvimento às condicionantes do meio são atitudes inteligentes e revelam identidade cultural.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , , ,

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Gestão Integrada da Água- O livro

São textos académicos, resultantes de experiências no terreno e análises sistémicas. Traduzidos para a prática, significam um contributo fundamental para a gestão de recursos que, disponíveis na ilha, continuam a não merecer a atenção devida., ou, pelo menos, a atenção total. Os recursos hídricos e as lamas urbanas (resultantes do processo nas estações de tratamento de resíduos instaladas na ilha) são dois elementos que merecem atenção num dos mais recentes livros da Principia, que reúne cinco teses de mestrado em gestão e conservação da natureza, três delas tendo como alvo o arquipélago, nomeadamente a Terceira (duas das teses têm como objecto de estudo a ilha).
O primeiro desses textos é da autoria de Maria Conceição Rodrigues, docente convidada no Departamento de ciências agrárias da universidade dos açores, localizado na ilha Terceira.
o seu objectivo foi a “aplicação de uma metodologia de suporte ao ordenamento do sítio de interesse comunitário da zona do complexo central da ilha Terceira”, no caso o maciço Pico Alto/Guilherme Moniz, actualmente na praça pública por causa do plano para a sustentabilidade dos recursos hídricos da ilha, apresentado a meados de Janeiro pelo secretário regional do ambiente, Álamo Meneses.
Outro dos textos com interesse particular para a ilha é o de Maria do Anjo Condesso Ekstrom, que procurou analisar a produção de lamas urbanas na Terceira, avançando com um “contributo para um modelo de valorização de lamas de depuração na ilha Terceira”.
Aqui, a investigadora adianta ser possível o uso das lamas resultantes do tratamento de resíduos urbanos, por exemplo, para a adubação das explorações agrícolas.
O livro – coordenado por Eduardo Dias, Leonor Cancela, Luís Fonseca, Pedro Beja e Tomaz Ponce Dentinho, docentes universitários – comporta ainda as teses de mestrado de Luísa Calado (“aplicação de um modelo de programação linear às lagoas dos Açores – avaliação do impacto da actividade agro-pecuária na qualidade da água e efeito no emprego”), Zita Benguela (“Análise dos sistemas de abastecimento de água de consumo na cidade do Huambo”) e de Paula Mendes (“Metodologia para a implementação de um sistema de indicadores de desempenho em serviços municipais de abastecimento de água – o caso de Loulé”).
Proteger a água
A tese de mestrado de Maria da Conceição Rodrigues, para lá do modelo de análise e gestão que propõe, reforça uma ideia recentemente afirmada: a monitorização e gestão do maciço central Pico Alto/Guilherme Moniz favorecem a recarga dos aquíferos da ilha associados a essa zona, que garante três quartos da água saída das nascentes que abastecem a Terceira. “Algumas das formações vegetais aqui existentes, nomeadamente as do tipo natural arborescente, ao controlarem a intercepção, a evapotranspiração e ao diminuírem a erosão, têm um papel importante na estruturação e estabilização das linhas de água. Também as formações vegetais do tipo turfeira, recobertas de Sphagnum que actua como uma esponja, são de primordial interesse para o controlo dos escoamentos superficiais e retenção de elevados volumes de água”, escreve a autora. Com uma área aproximada de 20 quilómetros quadrados, o maciço Pico Alto/Guilherme Moniz é responsável pelo abastecimento das mais importantes nascentes de água da ilha. Com ele, a autora consegue uma fórmula de garantir a justa compensação monetária aos proprietários dos terrenos localizados nesse maciço. o que, em boa verdade, poderá contribuir para o plano de aquisição de terras que o governo Regional pretende implementar naquela zona com vista à sua reserva para a retenção de água e consequente recarga dos aquíferos da ilha.
Recentemente, o secretário regional do ambiente anunciou que parte dos terrenos da caldeira Guilherme Moniz será reservada para o restauro de zonas de turfeiras (ali existentes há vários anos, mas destruídas por arroteias desenvolvidas para a criação de pastagens agrícolas), importantes para a recarga dos aquíferos da ilha.
“Do caso de estudo apresentado resulta a constatação de que a alteração do coberto vegetal actual, em benefício do avanço da pastagem, altera a quantidade de excedentes de água para a recarga aquífera insular”, conclui a autora.
A transformação dos terrenos actualmente usados para pastagem em zonas cobertas de vegetação e sem uso significaria um aumento de 30 por cento nos recursos hídricos da ilha, assume Maria da Conceição Rodrigues nesta tese.
Lamas viram adubo
Outro dos trabalhos incluído neste livro analisa a possibilidade das lamas resultantes do tratamento de resíduos urbanos serem utilizadas na adubação das explorações agrícolas da ilha.
“A ilha Terceira tem uma grande área disponível para aplicação de lamas, com uma estrutura fundiária favorável. Contudo existe fraco potencial de valorização, uma vez que são praticadas culturas de muito baixo rendimento. No entanto, dado o seu potencial como correctivo orgânico e dado o carácter acidificante dos solos, poderá existir interesse na valorização agrícola das lamas de depuração”, conclui Maria do Anjo Condesso Ekstrom, cuja tese de mestrado em gestão e conservação da natureza é incluída neste volume.
Em 2003, segundo a mesma fonte, foram depositados quase 546 mil quilos de lamas urbanas no aterro. Esse valor aumentou no ano seguinte para mais de um milhão de quilos e, em 2005, bateu novo recorde: um milhão de meio de quilos.
Segundo a autora, actualmente, a produção per capita de lamas de depuração na Terceira é de 0,09 toneladas por dia. Tendo por base esse valor, Maria Ekstrom assume que, em 2020, poderiam ser adubados 320 hectares de terreno (dois por cento da superfície agrícola útil) na Terceira. Tal implicaria o uso de seis toneladas do composto resultante do tratamento das lamas urbanas.
“Nos açores, a agricultura, pela sua dimensão, tem potencial para reciclar este tipo de resíduo, já optando hoje em dia pela reciclagem de estrumes e chorumes provenientes da actividade agro-pecuária, em determinadas unidades. No entanto, a transformação destes resíduos num produto seguro e competitivo no mercado é uma tarefa complexa, sendo necessário assegurar a multidisciplinaridade e a participação dos diversos agentes”, sublinha Maria do Anjo Condesso Ekstrom.
Mesmo assim, a investigadora reconhece que a concretização desta possibilidade é difícil, tendo em conta a realidade agrícola actual.
“O tipo de explorações agrícolas existentes e o respectivo grau de mecanização, o tipo de produção existente e respectivas sazonalidade, associada à restrição em determinadas culturas, a profundidade de injecção e o tipo de equipamento necessário para a sua aplicação poderão ser fortes condicionantes à utilização das lamas urbanas, até porque a maioria das instalações não tem a estrutura adequada nem número de trabalhadores suficientes. Para além destes condicionantes o facto de «outros fertilizantes» não serem sujeitos a restrição dificultará a procura por estes novos fertilizantes”, explica.
No entanto, comprovado cientificamente o potencial da reutilização deste material, abre-se uma nova possibilidade.

(In DI-Revista)

Etiquetas: , , , , , , , ,