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sábado, dezembro 31, 2011

2011 em cinco cenas


Não preciso nem de palavras, preciso? And the Oscar goes to 2011, seu lindo.

terça-feira, maio 18, 2010

Não é segredo pra ninguém

segunda-feira, setembro 14, 2009

Eu fico com a beleza da resposta das crianças

Matheus, 10 anos:

"Sua roupa é que é estranha ou você está um pouco gorda mesmo?"

Matheus, 10 anos, um pouco mais cedo:

"Por que você está passando esse negócio preto no olho?"

Eu: "Pra ficar bonita, oras"

"Mas então por que você não fica?"

JAMAIS terei filhos. Nunquinha. Basta eles começaram a falar pra eu me atirar no poço.

terça-feira, junho 23, 2009

Confort food


Sempre me agradou brincar de fazer comidinhas, mas rolava uma puta preguiça de aprender de fato. Preguiça e minha intolerância à críticas fizeram com que eu passasse 26 anos afastada do fogão. Quando eu casei, rolou um certo desespero na família, que achou que eu ia viver de cheetos. Mas o marido da vez cozinhava bem, não permitia que eu chegasse a mais de 3 metros da cozinha, todo mundo se acalmou e eu me fiz de morta. Depois eu separei e novo desespero da família, que mandou quilos de congelados e recomendações sobre como operar o microondas.

Enquanto tudo isso acontecia, eu fazia minhas experiências e vou te contar, era frustrante. Num dia o arroz saia sopa. No outro, pedra. No outro, com gosto de vômito. Queimei sopa Campbells, queimei miojo, queimei nuggets e botei fogo na cozinha duas vezes. Cada vez que alguém cuspia o que eu cozinhava, eu jurava que ia desistir. E eu acho que se minha mãe não tivesse morrido, eu teria mesmo desistido.

Mas né. Quando as pessoas perdem alguém de quem gostam muitíssimo, criam uns mecanismos bizarros para prolongar a permanência dos sentimentos e sentidos ou para tentar ignorar a ausência ou só para confortar o coração. E foi mais ou menos isso que aconteceu. Quando fomos separar as coisas depois do enterro, achamos uma tonelada de cadernos de receitas escritos por ela. Eu nem disse nada, todos acharam simplesmente óbvio que essa herança fosse minha.

Comecei a folhear por curiosidade, para abrandar saudades só. Um dia animei e fiz uma das receitas e a sensação foi ótima. Era como se fosse uma homenagem, uma forma de manter vivo o “legado”, de passar adiante o que ela havia construído. Era também o mais próximo de conexão com ela que eu poderia ter. E o melhor: a comida ficou bem boa – panquecas – e virou minha especialidade. Hoje, a minha é melhor do que a dela.

Mas a partir daí, comecei a tomar gosto pelas horas picando, moendo, amassando, medindo, temperando, mexendo. Acho incrivelmente terapêutico e fico num bom humor inacreditável quando invento algum prato. Poucas coisas me deixam mais feliz do que oferecer jantares bem gordos para dúzias de pessoas ou descobrir um livro realmente bom de receitas. E é uma das poucas – talvez a única – coisas em que eu me aprovo pra valer.

Apesar do início torto, valeu a pena ter insistido. Hoje ninguém mais cospe minhas comidinhas e eu sonho com o dia em que ganharei uma bolada na megasena e poderei dedicar todos os meus dias a cozinhar para os amigos enchendo a cara de vinho durante o processo. É um bom vislumbre de aposentadoria.


*Pra quem também gosta do tema comidinhas e está começando a se arriscar na área, recomendo o livro da Nigella, a gordinha bonita do programa de TV: Nigella Express. Dezenas de receitas ridículas de tão fáceis e muito, muito rápidas. Fiz um macarrão com queijo espetacular em 30 minutos ontem - o da foto lá de cima. E tem um capítulo inteirinho sobre confort food. Nham.

quarta-feira, março 25, 2009

Para a minha mãe

E lá se vão quatro anos. As coisas que você me deu estão ficando gastas, bolorentas, rasgando e perdendo a cor. Os vestidos de festa que você fez estão lá no cabide, mas mal cabem, porque eu engordei um monte. Seu perfume está guardado na minha gaveta, ainda cheio, mas eu não tenho coragem de abrir.E tem as cartas, bilhetes, fotos. Eu evito, porque tudo que eles trazem são um monte de lembranças. Lembrar é muito pouco quando se ama tanto.

E as vezes eu tenho medo de esquecer como era sua voz e o gosto do seu bife à milanesa, porque eu já não sei mais qual era sua cor favorita. Acho que era roxo. Era? Não sei qual a relevância de lembrar disso tudo, mas me recuso a não lembrar. Cada coisa que esqueço, é um pouco mais de você que deixo ir embora, e se mais de você for embora, eu acho que não paro de pé. Ainda não aprendi.

Porque tudo isso é placebo, mas foi só o que sobrou. Não dá mais pra te ligar desesperada e perguntar "o que é que eu faço agora????" e fazer exatamente o que você disser. Eu ainda pergunto, mas você nunca responde. Ia ser estranho mesmo se respondesse. Eu ia ter de ligar pra Zibia Gasparetto e tals. E eu até tento pensar no que você faria, mas você tinha de ser essa criatura tão imprevisível só pra deixar tudo muito mais difícil, né?

Nisso a gente errou feio, TÃO feio. Você me ensinou a falar, ler, ser honesta, educadinha e classuda, mas não me ensinou a viver sem você, nem por quatro anos, quatro minutos, quatro séculos, nada. Você tava lá, sempre, sabendo tudo de tudo. E a gente nunca cogitou a hipótese de que não ia ser pra sempre. E agora eu fico aqui, ainda, me largando pelos cantos, fungando e fazendo mimimis que ninguém mais aguenta ouvir.

Sim, eu sei que não adianta nada ficar fazendo mimimi sobre isso. Mas achei que você precisava saber dessas coisas, saber que eu estou me esforçando de verdade e todos os dias pra continuar sendo o que você esperava que eu fosse, mas que eu decidi não ser como você. Porque a falta que você faz é insuperável e imensa e eu não quero fazer essa falta para ninguém. Espero que considere o altruísmo da minha decisão antes de me chamar de covarde :-). E, ainda que eu te odeie por toda essa porra de saudade, eu te amo mais por ser capaz de provocar uma saudade desse tamanho. Sei que você - e mais ninguém - entende o que eu estou dizendo, porque consigo me lembrar da sua voz dizendo. Que alívio.

sábado, novembro 03, 2007

Pessoinha


Meu sobrinho tem nove anos e é a minha pessoa favorita. No mundo inteiro. Não porque ele é criança e engraçadinho ou porque ele tem cílios compridos e eu o acho a criança mais bonita que já existiu. Isso é tudo verdade, mas não é por isso que ele é minha pessoa favorita.

Quando ele ainda não sabia falar meu nome e dava passinhos vacilantes, ele ia até meu case e pegava o CD do The Specials. Sempre o do The Specials. E me pedia pra pôr pra tocar e ficava horas balançando a fralda. Hoje ele vem em casa, pega meu Ipod e ouve Libertines enquanto joga Playstation.

E um dia eu estava dando banho nele e deixei ele escorregar. Não aconteceu nada sério, mas ele bateu a cabeça e chorou e eu também chorei de susto e de culpa. Ele parou de chorar, me deu um beijinho e disse que não tinha machucado e que a culpa era do chão do banheiro, não minha. Ele é simpático, mas de pouca conversa. Demora a confiar nas pessoas e prefere ver DVDs sozinho, porque conversas paralelas o incomodam. Então, ele simplesmente senta do meu lado e segura minha mão e a gente assiste três desenhos seguidos sem falar muita coisa. E daí ele me liga sem motivo, só pra dizer que gosta muito, muito, muito de mim. E ele é esquisito e tem medo de zumbis. Mas é capaz de passar horas tirando fotos fazendo caretas e sendo bobo, sem nem me chamar de mongol.

Não existe a menor chance dele perder o posto de pessoa favorita. Ever.