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sexta-feira, junho 14, 2013


Sim, sim, eu sei que faz séculos que não compareço e nem sei se voltarei a comparecer. Compareci hoje porque achei que hoje era um dia do qual eu vou querer me lembrar no futuro.

Acho que esta é a primeira vez nos meus 34 anos que vejo o brasileiro AGINDO, em vez de reclamar. Diretas Já eu não vi, ou não tinha idade para lembrar. Teve Collor antes, mas acredito que aquilo foi muito mais para ficar bonito na mídia. Collor teria saído de qualquer forma. Dessa vez, não. Dessa vez a gente nem sabe ainda onde tudo isso pode chegar. Dessa vez, não interessa para nenhum governante ter gente protestando na rua – ainda mais assim tão perto da Copa. Dessa vez, a Rota está na rua e a polícia – montada, inclusive - está arroxando pra valer. Parece que voltamos à 1964. Está de dar medo.
E o engraçado é que nunca me senti mais segura. Eu, que sempre tive medo até da minha sombra, que tenho medo de barata,  de assalto, de zumbi. Que ouço tiro em escapamento de moto. Mal consigo trabalhar. Quero ir pra rua, quero fazer parte disso. “Mas tem bombas, tem cavalaria”. Pois que venham. A gente tem direito de dizer “Chega”. Chega de sentir medo.

Um amigo querido que mora em outro país lamentou a violência que viu em vídeos, no país dele, com as pessoas dele. Disse estar triste e chocado. Estamos todos. Infelizmente mais tristes que chocados, conhecendo a polícia e o governo que temos. Mas tem uma outra coisa maior do que a tristeza e maior do que o medo, uma coisa que eu mesma não sentia há muitos anos: esperança. De que dá, sim, pra fazer alguma coisa. De que a gente não precisa se conformar com a barbárie, o desrespeito, a sacanagem toda.


Não acho que isso vai significar uma mudança imediata. Não acho nem que vão aceitar baixar os tais 20 centavos que começaram tudo. Mas acho que o povo acordou e não vai mais aceitar as coisas tão calado, nem conseguir olhar só pro seu umbigo, ou pro trânsito que atrapalha a ida pra casa. E só isso já é muita coisa. Só isso já é o começo de tudo.


segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Pelo direito de ser esquisitinha

Hoje fui almoçar com meu livro. Passei a manhã com cara de poucos amigos e desviando dos planos de almoço dos colegas, porque estava ansiosa para ficar a sós com as 784 páginas do dito cujo. Tocou a sirene da paulista anunciando a hora do bóia e eu continuei sentadinha em minha cadeira, esperando o frenesi dos esfomeados desocuparem os elevadores.

Quando sentei na minha mesinha perto da janela do Franz Café da Fnac e abri meu livro, quase chorei de felicidade. Tudo que eu queria era aquela uma hora e meia de entretenimento puro e compromisso exclusivo com a minha pessoa.

Voltei pra labuta muito mais serena. E daí as pessoas começaram a se penalizar por mim e perguntar por que eu não tinha ido encontrá-las ou pedido para elas me esperarem porque MEU DEUS DO CÉU, QUE CRIME É ESSE DE ALMOÇAR SÓ. Olhares de pena, comentários de reprovação.

Me senti o mais esquisito dos seres, e olha que eu nem comentei que na verdade eu QUERIA ficar só. Quando comentei no twitter que não queria me sentir esquisita por isso, me mandaram me mudar pra Islândia.

Talvez eu já tenha mesmo perdido o parâmetro. É realmente tão abominável assim preferir, às vezes, a companhia do meu escritor favorito à de outras pessoas? É mesmo fundamental que eu tenha sempre que confraternizar, falar, ouvir, sorrir, tirar comentários perspicazes da cartola? A única opção pra quem não está a fim de calor humano O TEMPO TODO é se mudar pra um país distante cheio de Bjorks e gelo?

Quanto mais eu penso nisso tudo, mais vontade me dá de ampliar minha biblioteca até o infinito. J.D. Sallinger, te entendo.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Minhas colegas de auditório

Faz muito, muito tempo mesmo que eu queria escrever esse post, mas sempre pensava no tanto de justificativas que eu poderia vir a ter que dar, nas possíveis aporrinhações que iria sofrer e sempre optava por evitar a fadiga. Daí que hoje eu tive um dia especialmente difícil, que confirmou todas as minhas terríveis teorias e me fez decidir pelo desabafo.

Eu detesto trabalhar com mulher. Pronto, falei. Detesto com cerebro, corpo, alma e vísceras. E antes de explicar por que eu já explico que sei que as excessões é que são a regra. Quem mais me ensinou nessa vidinha corporativa foi uma mulher, uma que é o oposto de tudo isso que vou dizer. Só que esse perfilzinho escroto das próximas linhas é uma minoria tão, tão, tão chata que me fez pegar esse nojinho generalista horroroso.

Como diria o poeta, já tive mulheres de todas as cores, mulheres vulgares e muitos dissabores. O que vi em algumas delas foram coisas que ajudam a perpetuar essa merda de mercado de trabalho que não dá cargo de confiança pra mulher, que dificulta o crescimento na carreira e que dá salários 20% menores pra quem tem periquitinha.

Mulheres que choram no meio de um esporro ou de um simples feedback do chefe; que acham que tudo que se diz é uma agressão direta à pessoa delas e não um comentário sobre o resultado do trabalho, que pode, sim, estar ruim; que usam a TPM como desculpa para fazer serviço porco ou tratar mal aos outros.

Há também as mulheres que não sabem cobrar o que precisa ser cobrado por medo de que as pessoas gostem menos delas, mulheres que não sabem falar com objetividade o que querem, preferem fazer fofoca com um terceiro do que falar diretamente com quem a incomoda, que são muito vaidosas para admitirem que não entenderam alguma coisa. E o pior de tudo: mulheres que esquecem da ética quando se sentem ameaçadas - e se sentem ameaçadas o tempo todo.

E quando isso acontece, a coisa fica muito feia. Vai desde simples comentários para diminuir as colegas ("Fiquei preocupada com vc, ficar calada daquele jeito em uma reunião tão importante, todo mundo percebeu e comentou. Ce tá bem, ameega?") até boicotar o trabalho dos outros ou inventar coisas que podem comprometer de verdade as pessoas. E essas não são coisas que eu acho que acontecem. São coisas que eu vi acontecerem, comigo ou com amigos, infelizmente sempre vindas de mulheres. Homens não são santos, longe disso, mas as coisas que eu acho mais desprezíveis, por azar ou por padrão, vieram delas.

E daí eu criei esse pavor, esse preconceito que me incomoda demais. Mas, ainda que de vez em quando uma praga dessas mostre as garras, o preconceito está se tornando cada vez mais bobo na minha cabeça. Porque quando coloco na balança, encontro muito mais meninas incríveis do que bruxas más. E aí meu coração serena e me dá ânimo pra vestir o terninho no dia seguinte e ir pra luta, de unhas pintadas e luvas de boxe.

Por isso, a todas vocês que passam muito longe desse nojinho todo, perdão.

quinta-feira, abril 08, 2010

Anos 90 feelings

É assim que os calégas de trabalho me vêem (odeio e ignoro a nova gramática, beijos):


Só não sei como é que um bando de meninos de 20 e poucos anos ainda se lembra da noiva do Dinho.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Rogerinho vai pra balada

Você sai de casa animado e perfumadíssimo e vai pra balada muito contente, sabendo que seu Avanço vai durar até o fim da noite! Logo que chega vc já pede logo três vozes de dodka pra comemorar, cujo gosto agora você vai aproveitar melhor, já que não tem mais aquela fumaça nojeeeeeeeenta no ar.

Terminado o segundo trago, tenta puxar a trança da mina ali na frente pra tascar-lhe um beijo não requisitado, mas sua mão escorrega no Kolene do cabelo dela. Você dá uns tapinhas no ombro do garçom pra tirar a meleca da mão, mas fica puto porque não conseguiu pegar a mina, então manda logo oito cervejas pro bucho pra esquecer. Daí vc fica feliz de novo e resolve ir dar umas bandas na pista e esbarra nuns quatro pelo caminho, mas o azar é deles, quem mandou ficar parado ali no meio? Pista de dança é pra circular. Chega na pista e sai causando, passando mão na bunda, puxando cabelo, beijando cangotes como se não houvesse amanhã. Você é o rei da noite no ar puríssimo da balada. O décimo oitavo cara em quem você esbarra não fica tão feliz quando você derruba cerveja na camisa dele e vai pra cima, e você vai pra cima e começa aquele auê. Os seguranças da casa vêm e te dão um pito. Quem eles pensam que são pra falar assim com o rei da noite, eles sabem com quem estão falando?

Você exige falar com o gerente, mas ele é um bunda, que diz que não vai poder fazer nada e que o senhor está claramente bêbado, deveria tomar uma água. Então você diz que se você bebe o problema é seu, você não tá mijando na cabeça de ninguém, tá? Não tá vomitando no pé de ninguém, tá? Eles deviam estar fiscalizando se não tem nenhum fumante escondido no canto jogando essa fumaça nociva e fatal nos outros inocentes, em vez de estar lá, aborrecendo um cidadão de bem, que foi claramente agredido por outro e que não fez nada, absolutamente nada. Os seguranças pedem que você se retire.

No caminho pra casa, você atropela um cachorro, opa, é a malvada fazendo efeito. Ainda bem que a lei do bafômetro não pegou, vc pensa bem feliz, enquanto desvia dos adolescentes que estão atravessando na faixa e acelera para furar o farol vermelho. Aquele trecho é cheio de assaltante, se bobear aqueles moleques estavam ali só esperando pra te roubar mesmo. Será que eu volto é passo por cima? Afinal, bandido bom é bandido morto! Mas foda-se né, você paga o salário da polícia embutido naquele monte de impostos... Se bem que você na verdade nunca pagou imposto nenhum, pensando bem, já que declara bem menos do que recebe. Tem que ser muito otário pra pagar esse tanto de imposto que cobram da gente, né não?

Chegando em casa você jura pra si mesmo que nunca mais vai naquela porcaria de bar, que desrespeito com o cliente, justo você que bate ponto lá toda semana. O ódio cresce mais e mais no seu coração e daí você se lembra que no mês passado você foi lá com aquela loira gostosa do RH que fumava feito uma chaminé mas tinha um belo rabão e que naquele dia você até filou uns 3 cigarros dela, porque todo mundo dá um traguinho quando bebe, né? O que não faz de você um fumante, fumante é um bicho nojento, um viciado sem força de vontade que nunca vai ser nada na vida. Mas não tem mal nenhum em dar umas tragadinha pra impressionar as minas. e a loira ficou super bem impressionada. Ela tirou um monte de fotos de vocês juntos pra botar no orkut. E então a idéia se forma lindamente. Aquele bar nunca mais vai se meter a besta com você, porque você é MUITO esperto. pega a foto de um mês atrás da loira dando uma bela baforada no Marlboro mentolado, escaneia a notinha fiscal e manda tudo pra patrulha anti-tabaco do governo do Estado, dando o nome do bar e a data de hoje. Você é MUITO esperto e vai dormir muito feliz, porque sabe que vive em um Estado livre de poluentes e que apoia e protege os cidadãos de bem como você. Se os fumantes quiserem se matar, que se matem sozinhos, né não? Inclusive a loira do RH, cujo rabão você já conferiu e, como figurinha repetida não completa álbum, não vai te fazer falta alguma.

*Escrevi revoltadinha com a lei, um dia antes dela entrar em vigor. Depois de ler os mais absurdos comentários num fórum da Folha Online, que me fizeram desejar que a tal onda gigante que vai acabar com a humanidade em 2012 seja mesmo uma realidade. Na verdade meu problema não é com a lei. Saí no final de semana e não foi tão ruim, acabei até socializando mais com outros excluídos e etc. Eu acho que ela até faria bastante sentido, não fossem os exageros e o estímulo à intolerância. Meu problema é um bando de bundas-moles idiotas ficarem me olhando com ar de superioridade só porque eu fumo e eles não.

quarta-feira, março 04, 2009

Inveja, grandes merdas

BBB está eletrizante, como vocês, pessoas antenadas, inteligentes e ocupadas como eu, devem estar acompanhando. Eu me emociono todos os dias, mas não estou pessoalmente envolvida com nenhum participante, não tenho um favorito. Até da Prianha ando meio de bode. Então, eu não adoro ninguém, mas eu odeio algumas pessoas. Odeio com todas as forças do meu coração. Flávio (grande decepção). Naná. Cadela do nariz de batata. Josi. Odeio.

E este é o grande serviço que o BBB presta a mim, pessoalmente. A possibilidade de canalizar meu ódio e meu desprezo a seus participantes e não a pessoas da vida real. Percebo que durante o programa todos os meus relacionamentos melhoram, porque eu fico ocupada demais com os relacionamentos DELES, para estragar os meus. Obrigada, Boninho. Obrigada, Bial. Obrigada, Brasil.

Essa semana, em particular, estou tensa com a briga entre a Fran e a cachorra do nariz de batata, cujo nome me recuso a pronunciar, porque eu vomito. Eu gosto da Fran. Ela é engraçada e boba e eu caguei se tudo aquilo que ela faz é real ou não. Porque me faz rir e é pra isso eu assisto aquilo lá, pra rir e pra chorar. Se eu quisesse vida real, lia o jornal. O que eu não faço, porque suja o dedo e é muito chato.

Mas enfim. Elas brigaram. E a cadela já havia brigado com minha outra queridinha, Milena. E a desculpa da cadela é sempre a mesma: todo mundo tem inveja dela. As demais loiras da casa assinam embaixo. Todo mundo tem inveja delas três. Mas eu nunca vi elas dizerem POR QUE as pessoas teriam inveja delas. Porque eu não vejo nada de invejável ali, absolutamente. Em nenhuma delas.

E é por isso que eu odeio esse argumento e as pessoas que usam esse argumento: "fulano me trata mal porque tem inveja de mim". "Eu sempre sofri muito na vida porque as pessoas tinham inveja de mim e me boicotavam". "Não fui promovido porque o chefe tinha inveja de mim". Inveja, pra mim, é conversa pra boi dormir.

TODAS as vezes que ouvi esse tipo de coisa foi de gente:
a) chata pra caralho
b) burra pra caralho
c) incompetente pra caralho
d) vazia pra caralho

E que não tinham amigos nem progrediam na vida por uma dessas razões. Só isso, mais nada. Nenhuma pessoa realmente legal se incomoda ou se sente alvo de inveja. Pelo menos, não nenhuma que eu conheça.

Por isso eu acho que essa coisa de inveja foi a desculpa mais conveniente que já inventaram para as pessoas continuarem sendo péssimas pessoas e botarem a culpa nos outros.

E por isso eu acho mesmo que a Fran devia quebrar a cara da cadela*. Fez a fama, deita na cama. Quero ver a cadela dizer que alguém tá com inveja da cara amassada dela.

* Mas só depois que ela ganhar o programa, senão é eliminada. Por enquanto, ela podia só jogar as roupas todas da outra na cândida e as maquiagens na piscina.

quarta-feira, abril 23, 2008

Tremores

Então agora o Brasil não é mais um país tropical, abençoado por yada-yada-yada já que nós temos terremotos. Pois eu acho chique. Coisa de primeiro mundo, sabe? Perunta se Equador tem terremoto. Haiti. Esses lugares todos aí. Não têm. Acho que o terremoto é um passo rumo à evolução.

Sobre o fato em si, eu não senti nada. Nadzinha, que nem o pintinho da piada. Só fiquei sabendo no dia seguinte, quando meus irmãos ligaram levemente em pânico, achando que Curitiba pudesse ter sido soterrada ou sei lá.

E eu bem que estava precisando de um chacoalhão. Nhé.

terça-feira, janeiro 22, 2008

ghfsfahgsf

Profundamente transtornada com o passamento de Heath Leadger. Porque eu via todos os filmes dele e gostava e porque ele era bonito e bom ator e ninguém mais é as duas coisas hoje em dia.

Mas na verdade fiquei mesmo passada com o jeito do passamento. Porque ele foi tipo comido pelos gatos. Teria sido, né, não fosse a faxineira. E tinha 28 anos. Muito triste a pessoa ser comida pelos gatos aos 28 anos. Tenho muito medo disso, todos os dias. E isso porque ele era rico e famoso e até já foi indicado ao Oscar. Se acontece uma coisa dessas comigo, os gatos comem até os ossinhos até alguém lembrar de procurar.

Medo, medo e medo.

terça-feira, novembro 06, 2007

BBB Corporativo

Acho que agora vai. Agora eu enriqueço mesmo. Finalmente tive uma idéia muito simples, mas genial, para vender para a Endemol. A idéia consiste em instalarem umas 30 câmeras aqui no flat/escritório onde a gente vive há quase 4 meses. Voilá: um Big Brother Corporativo prontinho pra ser exibido. Sem roteiro, sem manipulação, sem Boninho. Apenas as cicatrizes REAIS da vida REAL de quatro calégas obrigados a dividir um espaço pequeno e desconfortável e sujeitos às PEORES condições psicológicas.

Ia ser sucesso imediato, certeza. Porque tem tudo que o BBB tem de melhor (menos as bundas na piscina): barraco, choro, discussões enriquecedoras, piadas bestas, panelinhas, falsidade, muito, muito drama e conflitos psicológicos.

Cada vez que começasse uma reunião a audiência ia bombar, porque as reuniões equivaleriam às festas do BBB. Ou seja, sinônimo de quebra pau e baixaria. Em vez daquela decoração cafona das festas, muitos flip charts espalhados pela casa. Em vez de biquinis, terninhos. Porque esse é um programa família e não tem nada de pagar peitinho ou desfilar de sunga branca.

E tem provas também, como não teria? Quem conseguir cumprir as metas diárias, que podem ser simples como botar um post no blog do cliente ou completamente retardadas, como editar 33 textos em um único dia, ganha o direito à uma hora de TV. Quem conseguir fazer o cliente assinar o documento de validação, pode ir dormir antes das 3h da manhã ou até às 10h do dia seguinte sem ser olhado como leproso.

Entretanto, quem vai mal nas provas não sai impune, e aí está a mágica do programa. Não se portou bem na reunião? Três noites sem dormir! Não viu que o link daquele texto estava quebrado? Nada de banho hoje!Seus redatores não cumpriram o prazo? Jante uma bolacha estragada sem desgrudar os olhos do micro! O bacana é que em muito pouco tempo a sanidade vai toda embora e daí a galera começa a aprontar altas confusões, que vão fazer o público dar altas gargalhadas.

Pro pessoal do pay-per-view pode ser meio boring, admito, já que a gente passa looooooooooooooooooo-ooooooooooo-oooooongos períodos só olhando pro micro e digitando e suspirando. Mas esse tédio seria compensando de muitas outras formas. Afinal, nós não temos ofurô, mas temos um sofá-cama que faz pegadinha do malandro. Nós não temos gostosas de biquíni, mas temos cuecas com superpoderes.

E todo mundo aqui tem apelo junto ao público, modéstia à parte. Todo mundo chora litros, todo mundo diz frases de livro de auto-ajuda e todo mundo tem VÁRIAS histórias tristes pra contar. Os perfis-chavão estão prontinhos. Tem o malvadzinho, a boa-moça, a desbocada, o boa-praça, o psicopata. Basta escolher seu favorito e votar.

A única diferença é que o eliminado sairia "da casa" com um baita sorriso de alívio no rosto, feliz, feliz, pulando e gritando "Obrigado, Meu Deus". Já quem fica, se enfiaria embaixo da pia em posição fetal.

Sério, eu já ouço os milhões batendo na minha conta. E olha só Endemol: eu só quero 20% do lucro total do programa. Fica aí a dica, tá?

domingo, outubro 21, 2007

Fico besta

Ninguém jamais imaginaria que as coisas fossem chegar no ponto onde chegaram.

sábado, setembro 22, 2007

Guarda-roupa de firma

Outro dia a Isa fez um post muito legal sobre o casual friday, esse fenômeno do mundo corporativo. A verdade é que o mundo corporativo é um universo paralelo para nós, mortais que não sabem fazer contas nem se expressar em apresentações do power point. Eu já borboleteio por ele há algum tempo e ainda não me acostumei com tudo. O lance das roupas é só o topo do iceberg.
Porque eu jamais botei reparo nas pessoas de terno. Tem um episódio do Scrubs em que o JD fala que simplesmente não enxerga as mulheres de aliança. Daí ele grita pra todas elas tirarem a aliança e - plop - um milhão de mulheres aparece. É mais ou menos assim comigo e as pessoas de terno. Eu não as vejo. Porque eu sou preconceituosa e avalio as pessoas pela roupa. É vergonhoso, mas é fato, é o que eu faço. Pelo menos a primeira análise. Da roupa, eu calculo o que a pessoa ouve, assiste, lê, pensa. Erro vergonhosamente em 80% dos casos, mas é uma atividade divertida tirar conclusões precipitadas e pensar a respeito do gosto dos outros. E com as pessoas de terno isso não é possível. Porque o terno não diz nada, diz? É um uniforme, uma roupa completamente inadequada para o nosso clima, que só indica que essas pessoas trabalham em algum lugar coxinha.
Mas para fazer parte desse mundinho corporativo, lá fui eu me munir de terninhos. Embora as mulheres ainda possam ousar mais nesse terreno - dá pra escolher estampas, cortes, camisas, sapatos e acessórios que tenham mais a ver com a sua personalidade e não te deixem tão pasteurizada - eu também me sinto uniformizada e desprovida da minha identidade. Como eu tenho de andar de mochila, não dá nem pra bolar um visual mais abusado jogando a responsabilidade na bolsa. Isso me deixou tão deprimida que preguei um bottom de uma pinup pelada na mochila. O cliente me olhou estranho e eu fiz cara de nem te ligo.
Todo esse rodeio, na verdade, foi pra dizer o quão idiota é ficar avaliando as pessoas pela roupa que elas usam, seja porque são obrigadas ou porque gostam. Entre os meus pares engravatados, há fãs de Clash, leitores de Pedro Juan Gutierrez, admiradores de David Lynch, guitarristas, baixistas, DJs, fechadores de bar, mochileiros, paraquedistas, gourmets, piadistas... Enfim. Um monte de gente absurdamente legal e de bom gosto, seja de terno ou de roupa de missa. E apesar de ser bem legal ficar classificando as pessoas em caixinhas antes mesmo de conhecê-las, surpreender-me com o que a minha intolerância me impede de imaginar tem sido bem mais interessante.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Oráculos

Oráculos sempre tiveram uma importância grande na minha vida. Sempre que me acontece algo marcante, eu penso: bem que o Personare me avisou, eu que não entendi o recado. Eu acredito em horóscopo, tarô online e sorte do dia do Orkut. Recentemente, a Sabrina me lembrou que eu também acredito em Sapino, que era o oráculo mais popular da petizada da terceira série do Sesi 413 (e da maioria das escolas nos anos 80) e podia ser desvendado por qualquer um que soubesse o alfabeto. Eu acreditava com tanta força no Sapino que chorava toda vez que dava O, de ódio. Dessa vez deu N, de namoro. Faço figas.
Mas daí que eu tenho um Ipod, néam. E eu descobri que, além de ser uma bolha imediata de autismo, o Ipod também é um oráculo. Minha brincadeira preferida agora é dormir com ele do meu lado e colocá-lo no ouvido assim que o despertador toca, às 6h45 da manhã. Eu ligo no Shuffle, escuto o que toca e já sei como vai ser o resto do meu dia. Hoje tocou Long Legs, então eu já sabia que o dia ia ser luxo. Ontem, foi Fight Test e eu fiquei meio confusa com a mensagem, it's all a mistery etc. Mas no final tudo fez sentido. Já na segunda a música do dia foi Miss Misery e eu me abstenho de comentar a merda que foi. Desnecessário se faz. Teve um dia aí que tocou I wanna be sedated e eu nem saí da cama. Porque eu levo a maior fé noIpod. De verdade.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Autista

Planejei todo o final de semana bem bonitinho. Assistir a 4 filmes seguidos no cinema, para compensar a lacuna de meses, comprar roupas de frio e víveres para o meu lar inabitado e ainda encontrar miguxos no que restar do sábado.

Daí a TV à cabo voltou. E eu a abracei tanto, tanto e pedi que ela nunca mais me abandonasse. Porque ela é a única sem a qual eu realmente não sei viver. Vocês não tem noção do quanto a minha vida ficou chata nesses 24 dias. Tipos que eu não tinha assunto nenhum mesmo e contei os dias. Fui riscando no calendário e tudo.

E daí que a perspectiva de um final de semana absolutamente autista, tomando sorvete enroladinha nas cobertas e ficando com dor na vista de tanta televisão, está me provocando loucura. É quase indecente a minha felicidade. E eu vou ficar mais três meses sem ir ao cinema e sem ver o porco aranha e sem ter o que comer.

Isso me assusta um pouco, sabe? Eu achar a vida tão mais incrível quando estou sozinha com a minha televisão.

terça-feira, agosto 07, 2007

Maria del bairro style

No fim, acho que era tudo fome. Não preciso de lobotomia, preciso de uma feijoada completa.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Pizza e poderes

Nerds de verdade gastam bastante tempo pensando nos super poderes que gostariam de ter. Eu penso muito nisso, mais do que me orgulha contar. Teletransporte é meu favorito, mas já cogitei invisibilidade e metamorfose. Porém, de volta a vida de solteira, têm me ocorrido que alguns outros superpoderes também seriam muito bem-vindos. Tem um em que eu sempre penso e adoraria ter: o da transformação em pizza. Porque muitas vezes já quis transformar rapazes em pizzas de quatro queijos, sabe?

Está tudo muito bem, muito gostosinho, muito relaxado e daí o cidadão diz alguma merda. Ou fica querendo "definir a relação", ou tendo uma crise de pânico porque acha que você quer casar e ter oito filhos, ou tendo um chiliquinho porque você deixou claro que não quer nada além daquilo mesmo que acabou de acontecer. Tem sempre um porém pra encher o saco. Invariavelmente.

Se eu tivesse meu poderzinho, nesse momento ele viraria uma deliciosa e crocante pizza, eu mataria a fome e dormiria feliz e satisfeita, com a cama inteira só pra mim. No fim, estou começando a achar bem boa a idéia de ser a véia do gato. Porque só de pensar nisso me dá uma preguiça tããããão grande. Que Heroes, que nada, viu? O que salva é a pizza.

domingo, julho 29, 2007

Sorte do dia

Sorte de hoje:Você terá felicidade e harmonia na sua vida amorosa

Ah, o orkut, esse maroto.

segunda-feira, junho 11, 2007

Birits e buatchhh

Vou ligar pra Shonda Rhymes agora e agradecer por ter feito esse episódio que acabou de passar exclusivamente para a minha pessoa. Obrigada, Shonda. Vc realmente entende de mulheres, relacionamentos e amnésia alcoólica. Eu coração você.

Às vezes eu achoq ue deveria procurar um doutor para falar sobre o meu problema com a bebida. Just cheking, you know.

E eu não sou o tipo de pessoa que frequenta a boite, né? Até porque eu falo boite, e ninguém que fala assim consegue frequentá-la sem se sentir ridículo. Mas na véspera do feriado as pessoas bebem mais. E o bar favorito fecha e expulsa os bêbados sem dó. E eles nunca querem ir para casa porque consideram todo mundo pra caralho e a noite é uma criança e todos os caminhos levam ao Madame Satã.

Sinceramente eu não sei como eu fui parar lá. E não sei por que eu nunca tinha ido lá. Nunca vi tanto espartilho em toda minha vida. Nunca vi tanta banha orgulhosamente exposta em toda a minha vida. Nunca vi tanto homem de coleira em toda a minha vida. Não vejo a hora de voltar.

terça-feira, maio 29, 2007

Minha vida, a sitcom

Provavelmente não acontecem só comigo, essas coisas estranhas. Mas eu sou ególatra e creio que sim. Ou então, que comigo é mais estranho que com os outros. Nunca conheci ninguém, por exemplo, que tivesse atraído a atenção de um bombadinho fanho na fila do banheiro do bazinho da esquina, que insistia em me perguntar se eu conhecia o Paxá, mesmo eu repetindo "oi?", "oi?", "oi?" sem parar, já que eu só entendi "a-á?". E que tinha um amigo que foi dizer alô para a desconhecida na fila - no caso, eu - e lhe escapuliu o chiclete da boca. Ou que recebeu um correio elegante, ficou toda prosa e depois de três minutos o mensageiro veio avisar que o correio era para outra pessoa. Eu devia era escrever um livro de capa bem rosa e cintilante, com o título em letra cursiva, falando sobre as agruras da mulher moderna, transformá-lo em um best seller e ganhar um monte de dinheiro pra poder me dar ao luxo de nunca mais sair de casa. Para evitar a fadiga.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Oh, my

Djisus.
Tem tanto lugar bom por aqui para comer/passear/olhar/comprar, comprar, comprar. E esse povo só pensa em trabalho. Somebody help me.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Joguei foi merda

Tava lá esperandinho a minha vez de subir no busão lotadão, chega o velhinho:

"Qual que é esse aqui?"
"Esse é o 10"
"Passa na pastelaria?"

Bolinha-bolinha-bolinha

"Na pastelaria do japonês, moça"
Ah, claro, é tão obvio, duh.
"Qual é a rua da pastelaria?"
"A Lins, ué"
"Deve passar, porque ele desce ela todinha"
"Mas não é no Largo do Cambuci, é na Lins, heim"

Mas que catso Largo, quem falou em Largo, socorro. Respira.

"Sim. Todinha. Desce."
"Ah, que bom, e passa na pastelaria?"
"Passa numas três, uma delas deve ser a sua, né?"
"É. Olha, obrigado. Mas eu vou pegar o 31 mesmo."

Taqueospa.