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18.9.13

ENTREGA MORTAL (The Package, 2013)


Quando temos um filme de ação estrelado por Dolph Lundgren e Steve Austin não é preciso dizer mais nada para me convencer a assistir. Principalmente se o diretor for o britânico Jesse V. Johnson, um dos mais talentosos quando se trata do cinema de ação direct to video, ao lado de uns cabras da pesada como Isaac Florentine e John Hyams. Seria difícil, portanto, THE PACKAGE, que possui todos esses requisitos, dar errado, certo? Pois bem, o que temos aqui passa longe de ser um filme ruim, mas infelizmente não consegue atingir todo o potencial que se espera.

O roteiro de THE PACKAGE não é nenhum primor, nem pretende ganhar um Óscar, mas é efetivo naquilo que se propõe. Tommy Wick (Austin) trabalha como cobrador para uma agiota e de vez em quando precisa utilizar a força bruta para lidar com a clientela. Wick não vê a hora de largar esse tipo de serviço, mas todo seu trabalho serve para compensar uma divida que seu irmão (Lochlyn Munro) possui com o patrão. Uma missão diferente e derradeira lhe espera dessa vez. Seu chefe lhe pede para que leve um pacote a um mafioso de outra cidade conhecido como the German, ou "o Alemão", traduzindo para o nosso querido português, encarnado pelo Dolph Lundgren. O problema é que outras pessoas nada amigáveis (e armadas até os dentes) também querem o tal pacote.


Para quem acompanha os últimos trabalhos do diretor dublê Jesse V. Johnson, vai perceber pelo enredo que este tipo de filme não é o seu habitual. Tanto THE BUTCHER quanto CHARLIE VALENTINE são exemplares mais pessoais, sérios e intimistas, focados nos conflitos dos personagens, filmados com uma elegância à moda antiga. Já THE PACKAGE está mais para um genérico filmeco de ação que não passa de entretenimento descartável. Para nós, fãs desse tipo de material, a diversão é garantida, mas por ser dirigido por sujeito do calibre do Johnson, fica a sensação de que faltou a classe e expressividade que se imaginava... É óbvio que com uma trama dessas não dá pra exigir muito. Não é um projeto que o Johnson morreria de amores e com certeza só o fez para pegar o cheque e pagar as contas do mês. Agora, como já disse, é entretenimento dos bons para os ávidos fãs de um action movie bad ass de baixo orçamento e poucas pretensões.

Especialmente com a dupla de brutamontes que temos aqui. Steve Austin ganha mais destaque, é por ele que acompanhamos grande parte da narrativa. Austin vem construindo uma boa carreira como herói de ação, embora não seja lá um talento para a dramaticidade. O sujeito conquista é pelo carisma e pela presença em cenas mais movimentadas. Aqui não é diferente. No entanto, quando a história passa para o lado do Dolph, o filme cresce absurdamente. Ele é o cara e seu personagem, o Alemão, é tão destruidor que ficamos frustrados por tê-lo menos em cena que o Steve Austin. Não aproveitar tanto o Dolph e sua persona acaba sendo outro equivoco de THE PACKAGE...


Mas vamos falar das sequências de ação, para não parecer que eu estou detonando THE PACKAGE. Porque é neste departamento que o filme diz a que veio e reserva alguns dos seus melhores momentos, com boa dose de tiroteios e algumas sequências de luta interessantes. Nada de encher os olhos, mas funcionam bem para o que temos aqui. A cena em que Dolph detona uma gangue inteira com uma Tommy Gunn é um prato cheio para os fãs do ator. É preciso destacar também o confronto brutal entre Austin e Jerry Trimble, que tem um pequeno papel como capanga de luxo. E claro, há ainda o aguardado final Austin vs Dolph, depois de umas reviravoltas cretinas do roteiro que coloca um contra o outro. Esse embate poderia ser mais elaborado, mas aposto que o orçamento estava apertando e tiveram que correr com as filmagens... O resultado dá pro gasto, mas mais uma vez fica a pontinha de desapontamento.

O roteiro foi escrito por Derek Kolstad, que concebeu também ONE IN THE CHAMBER, de William Kaufman, veículo de ação do Cuba Gooding Jr e que também possui o bom e velho Dolph marcando presença. Preciso comentar sobre este em algum momento, mas adianto que sofre do mesmo mal de THE PACKAGE. Dolph aparece bem menos em cena e mesmo assim está lá em cima, num patamar que Gooding Jr. não consegue atingir. A diferença é que em THE PACKAGE o personagem de Steve Austin também é casca grossa, algo que o Gooding Jr não consegue ser, embora eu goste do trabalho dele em outras produções do gênero. Ambos, no fim das contas, acabam sendo sólidos filmes de ação direct to video, mas este aqui é bem melhor. Foi lançado no Brasil com o título ENTREGA MORTAL.

Steve Austin e Jerry Trimble após as filmagens de porradaria...

4.3.12

FORÇA TÁTICA, aka Tactical Force (2011)

Então, aproveitando o último post, vamos falar sobre FORÇA TÁTICA, mais um trabalho do brutamontes  “Stone Cold” Steve Austin lançado no ano passado no mercado de DVD’s e que aproveita para juntar forças com outro ator de peso, Michael Jai White, formando uma dupla da pesada, como diria o narrador da Sessão da Tarde. Infelizmente, o resultado é decepcionante…

Austin é o lider de um esquadrão da SWAT formado por mais três integrantes, entre eles o grandalhão Jai White. A equipe é realmente excelente, resolve qualquer situação difícil seja ela qual for, o problema é que os membros seguem a filosofia do policial linha dura Marion Cobretti, mais conhecido como Cobra, vivido por Sly Stallone em STALLONE: COBRA. Então o negócio aqui é invadir o local, meter balas nos meliantes sem piedade e torcer para que os reféns não se machuquem no processo… mas não se animem muito com isso, porque a forma como tudo é encenado beira o constrangedor.

A solução que o chefe da polícia encontra para o grupo se adequar é ainda mais ridícula! Os quatro membros são enviado a um galpão abandonado para realizar treinamento tático… sim, isso mesmo, os problemas de ética policial do grupo serão contornados com tiro ao alvo, não estou brincando! Bom, calhou de precisamente no mesmo galpão, dois grupos criminosos estarem por lá fazendo negócios, armados até os dentes, enquanto os nossos pobres heróis apenas possuem balas de festim para o treinamento.


Entre os pontos positivos de FORÇA TÁTICA, eu destacaria essa premissa básica, que apesar de boboca, promete muita ação. Fora isso, o resto é um lixo total. A direção de Adamo P. Cultraro (quem?) é péssima, a edição é afrescalhada, a ação em grande quantidade fica apenas na promessa e quando acontece, não é das melhores, o roteiro inventa situações desnecessárias que prejudicam o ritmo, transformam os personagens em burros irritantes que fazem piadinhas fora de hora, sem contar que o filme pouco aproveita do talento de Jai White, que geralmente consegue dar uma melhorada nas produções que encara com suas boas performances em sequências de pancadaria, mas não é o caso aqui… Será que vale a pena falar do Austin? Acho que não…

Tanta estupidez e equívocos reunidos num único filme não conseguem me satisfazer, nem mesmo sendo um exemplar de ação de baixo orçamento direct to video no qual eu embarco de antemão sem expectativa alguma. Até os filmes do Steven Seagal do início da década passada conseguem melhores resultados. Mas, se os afccionados pelo gênero quiserem arriscar com FORÇA TÁTICA, fiquem à vontade.

3.3.12

RECOIL (2011)

Steve Austin vem construindo uma carreira interessante como ator de ação direct to video, especialmente por escolher trabalhar com algumas figurinhas típicas do gênero que só fazem aumentar o interesse pelo seus filmes. Após chutar a bunda de Stallone em OS MERCENÁRIOS, Austin voltou a trabalhar com Gary Daniels no bom HUNT TO KILL e dividiu a tela com Michael Jay White no fraquíssimo FORÇA TÁTICA (que eu ainda preciso comentar por aqui). Ainda para este ano de 2012, o sujeito está preparando MAXIMUM CONVICTION, com Steven Seagal, e THE PACKAGE, com o Dolph.

Enquanto aguardamos essas pérolas, vamos ficar com algumas impressões que tive de RECOIL, exemplar que segue a mesma idéia dos trabalhos do Austin listados acima, de contracenar com outro nome de peso. Dirigido por um tal de Terry Miles, “Stone Cold” Steve Austin encara ninguém menos que Danny Trejo por aqui! Portanto, tirem as crianças da sala, pois o “pau vai comer”! (No bom sentido, é claro).

A premissa e o personagem central lembram um pouco FASTER, com o The Rock, apesar das várias diferenças, uma delas é que RECOIL é mil vezes melhor. Austin interpreta Ryan Varrett, um sujeito misterioso que aparece em busca de vingança em uma pequena cidade dominada por uma gangue de motoqueiros traficantes liderada por Drayke (Trejo).

Varrett arruma uma confusão danada no local, mas o que importa mesmo é que toda a história é desenvolvida para criar o confronto entre Austin e Trejo. É tudo que o espectador quer ver e, para a nossa alegria, o filme não decepciona. A pancadaria entre os dois é encenada sem coreografias bonitinhas, com uma certa crueza, mas bem ao estilo old school, com muito soco na cara e o som de abacate esmagado a cada murro! Não poderia deixar de ser o ponto mais alto do filme!


Steve Austin, mais uma vez, demonstra carisma, porque se depender do talento para interpretar, passaria fome. O mais próximo que chegou de uma atuação foi em DAMAGE, cujo personagem exigia algo mais profundo e o ator conseguiu se expressar de alguma maneira. Por aqui, faz um tipo caladão, tenta aproveitar a presença em cena, caminha em direção à câmera em slow motion enquanto um caminhão explode atrás sem piscar… aos poucos vai se consolidadando como homem de ação do mercado direct to video.

Do outro lado, temos um Danny Trejo inspirado, fazendo valer cada momento dessa sua nova fase pós MACHETE. Em meio a um bando de vilões genéricos em RECOIL, Trejo se sobressai, não apenas por ser o lider da gangue, mas por realmente construir um personagem interessante, um vilão divertido, assustador e expressivo. E com quase 70 anos impressiona o físico do sujeito, realizando várias cenas de pancadaria para demonstrar o quanto é mau, trocando porradas com Austin de igual para igual… Para os fãs de Trejo, RECOIL será um deleite.

No entanto, tenho a impressão de que o resultado final poderia ser um pouco melhor. É habitual que esses exemplares direct to video tenham uma parcela de problemas e não estou esperando um novo DRIVE, não crio expectativas com este tipo de produção, apesar da dupla casca grossa que temos disponível aqui. Mas há uma certa pretensão desnecessária, o filme tenta ser algo fora do padrão na maneira como trabalha a história, os personagens, o ritmo bem mais lento… O esforço é louvável, mas o passo foi maior que perna e nesse sentido ficou a desejar. O fato é que por mais que tente, RECOIL fica na média da seara dos bons filmes de ação direct to video, ou seja, vale uma conferida obrigatória aos apreciadores do gênero.

6.5.11

HUNT TO KILL (2010)

Eu tenho gostado do trabalho do Steve Austin em seus pequenos veículos de ação, embora só tenha visto até agora DAMAGE e este HUNT TO KILL. Obviamente não vamos compará-lo a um Marlon Brando no quesito talento dramático, mas o sujeito tem carisma quando faz um específico tipo de personagem, além de mandar bem em cenas de ação e pancadaria. Em DAMAGE, onde tentam construir uma figura mais complexa para o Austin, até que se saiu bem e o filme é um pretensioso (no bom sentido) estudo de persoangem em meio à violencia das lutas clandestinas. Já em HUNT TO KILL, o negócio é mesmo a ação e às favas com o roteiro!

Austin é um policial e experiente caçador, que vive nas florestas de Montana, perto da fronteira com o Canadá e entra numa enrascada quando precisa servir de guia dentro da mata para um grupo de assaltantes de banco que persegue um traidor. A gangue tem a filha de Austin como refém, e por isso o sujeito age com cautela e segue as ordens do grupo… mas como todo bom filme de ação bem clichezão, uma hora o cara vai ter de usar toda a sua habilidade em sobrevivência na floresta para exterminar cada um dos meliantes e salvar sua filha.

Gil Bellows interpreta um exagerado lider da gangue, que tem como um dos membros Gary Daniels, numa atuação discreta e supostamente mal aproveitada. Mas o fato é que Daniels marcou presença em HUNT TO KILL como um favor a pedido de Steve Austin, já que os dois se tornaram grandes amigos após contracenarem em OS MERCENÁRIOS. Apesar disso, a sequência na qual Austin e Daniels entram em combate físico contou com a coreografia deste último. É o grande momento do filme e que faz valer ao menos uma conferida!

O final também merece destaque. Aparentemente, tirando Gary Daniels, nenhum dos outros bandidos são grandes ameaças a Steve Austin, que quando finalmente entra em ação, acaba com cada um facilmente. Mas para a nossa surpresa, o vilão de Bellows consegue dar um trabalho imenso ao herói, transformando o gran finale num espetáculo de ação casca grossa que remete aos filmes dos anos oitenta, cheio de exageros, truculência e sem qualquer frescura!

O elenco conta também com a participação de Eric Roberts, numa ponta de respeito logo no início do filme.

HUNT TO KILL nunca vai ser uma obra prima do gênero, o roteiro é fraquíssimo e reaproveita toscamente a idéia de RISCO TOTAL, com o Stallone, e daqui algum tempinho já vai ser esquecido (exceto para os fãs de ação direct to video), mas é um bom trabalho do diretor Keoni Waxman (que fez alguns dos últimos filmes do Steven Seagal), tem um elenco interessante, bons efeitos especiais e uso da locação… pode ser visto sem muito compromisso que é diversão certeira!

24.10.10

DAMAGE (2009), de Jeff King

B movie de porrada feito diretamente para o mercado de vídeo que me surpreendeu bastante. O diretor é Jeff King, que realizou DRIVEN TO KILL, um dos bons trabalhos de Steven Seagal em 2009, mesmo ano deste aqui. O filme é bem mais que um veículo de ação estrelado pelo truculento Steve Austin, que foi recentemente visto trocando sopapos com Sylvester Stallone em OS MERCENÁRIOS, é um belo estudo de personagem dentro de um gênero rejeitado. A trama, basicamente, é muito parecida com outro filmaço direct to vídeo que eu vi este ano, BLOOD AND BONE, com o excelente Michael J. White.

John Brickner (Austin) sai da prisão e entra no circuito de lutas clandestinas. Até aí, tudo bem. A diferença é a motivação e alguns detalhes na construção da trama e dos personagens. Pela arte promocional do filme dá pra perceber que a coisa aqui é diferenciada, não se vê ninguém fazendo pose de luta, suado e sem camisa, com aquelas cores quentes ou azuladas que esses filmes geralmente possuem. Apenas Austin refletindo sobre as pancadas que vai desferir sobre seus oponentes (depois sairam uns posters mais tradicionais)...

Brickner tenta levar uma vida normal em liberdade, mas os problemas começam a surgir quando a esposa do sujeito que ele matou antes de parar na cadeia lhe informa que precisa de uma grana preta para pagar o caríssimo transplante de coração da sua filha de oito anos e ele é quem vai arranjar. Encontra então no submundo das brigas uma forma de ganhar dinheiro e “fazer a coisa certa”.



O filme traça um retrato mais humano daquilo que estamos acostumados a ver neste tipo de filme, ainda que o protagonista não passe de um brutamontes e que o roteiro não se preocupe em mencionar detalhes do passado do personagem, onde ele aprendeu a lutar ou quem era o cara que ele matou, como a coisa aconteceu, não temos nada de background. A trama tem apenas a intenção de mostrar um cara fodido tentando se redimir de um passado que ele próprio procura ignorar.

As cenas de luta em DAMAGE são boas. O espectador enxerga o que se passa na tela, a câmera não treme e a edição é tranquila, mas nada muito excitante como no já citado BLOOD AND BONE ou nos filmes do Isaac Florentine, que este ano lançou UNDISPUTED III, outro filmaço do gênero lançado diretamente em DVD. Tem algumas sacadas legais, como o dente de um oponente que fica cravado na mão de Brickner, após um murro na boca muito bem dado. As lutas dão pro gasto, o negócio é que o foco é outro, apesar de superficialmente ser um genérico filme de luta. Os personagens e a trama são tão interessantes que eu não conseguia desgrudar os olhos da tela.



Eu ainda prefiro BLOOD AND BONE, mais visceral e divertido, um dos meus filmes prediletos de porrada em 2010, mas DAMAGE conseguiu me surpreender de uma maneira muito agradável. Steve Austin tem carisma, apesar da cara de malvado, e contribui bastante para este sólido filme de porrada. Austin pode seguir por este caminho, talvez da próxima vez até encontre um coreógrafo de lutas mais talentoso, que saiba explorar o seu tamanho, o tipo de luta que pratica, com certeza teremos mais um grande ator para os fanáticos por filmes B de ação acompanharem.

14.8.10

OS MERCENÁRIOS (The Expendables, 2010), de Sylvester Stallone

OS MERCENÁRIOS não é simplesmente um filme de ação. Representa muito mais que isso para uma geração que cresceu assistindo aos exemplares do gênero nos anos 80, os bons e velhos anos 80, como os RAMBO’s, COMANDO PARA MATAR, INVASÃO USA, DURO DE MATAR, e milhares de outros títulos onde reinava o exagero, a violência e a truculência de personagens valentões e politicamente incorretos, que matavam e torturavam sem piedade, sem se importar com a quantidade de inimigos que enfrentavam. E ainda por cima, fazendo pose pra câmera... afinal, eles eram os “good guys” que nunca seriam alvejados e suas balas não iriam acabar.

Essa mesma geração acompanhou de perto o que o gênero se tornou com o passar do tempo. O cinema de ação feito hoje para a moçada é vergonhoso, feito por gente sem o mínimo de talento e bom senso em comparação com os diretores de saco roxo de 25 anos atrás. Ainda há um grupo remanescente que de vez em quando apresenta algumas pérolas, quase sempre no cenário independente, lançados diretamente em DVD, como Isaac Florentine, John Hyams e Jesse V. Johnson.


Até ontem, meu filme de ação preferido de 2010, era o pequeno THE BUTCHER, do citado Johnson, um excelente exemplar feito à moda antiga estrelado pelo Eric Roberts. Disse até ontem porque após o monumental OS MERCENÁRIOS fica difícil a disputa pelo posto de primeiro lugar. O filme de Stallone come a concorrência no café da manhã com rosquinhas e leite! Fazendo um papel de porta voz em nome dos fãs do cinema de ação da minha geração, não tenho medo de arriscar ao dizer que OS MERCENÁRIOS é um acontecimento histórico, um retorno ao coração dos anos oitenta, ao exagero frenético e explosivo da mais pura ação, onde a trama não importa, as atuações muito menos, apenas o efeito catártico sobre o espectador obtido através do espetáculo visual e sonoro é o que realmente conta. E é o que temos de sobra por aqui.


Além, é claro, da reunião “aldrichiana” do elenco formado por alguns personagens ícones do cinema de ação e que serviu de isca para a campanha promocional do filme. Alguns atores nem chegam a ter tanto status, mas estão tão bem inseridos nesse universo, que a impressão é a de que sempre estiveram lá, participando daquele período mágico. E apesar de toda brutalidade, a contagem de corpos e violência exacerbada, é preciso muita sensibilidade para realizar um filme como este. Stallone não é nenhum ignorante e sabe muito bem o que o cinema de ação mainstream tem se tornado ao longo do tempo. Em RAMBO 4, por exemplo, ele já tinha jogado na tela: “FILME DE AÇÃO É ISSO AQUI, CA@#$LHO!!!”. A segunda aula de cinema é agora, com OS MERCENÁRIOS.


Não se trata de um filme perfeito. Estou prevendo muita gente apontando o dedo em alguns problemas, alguns excessos... normal. Mas quem entrar no cinema disposto a ver muita, mas muita explosão, tiros e alta contagem de corpos, vai ser muito bem recompensado. Eu me senti como se tivesse doze anos. Foi uma experiência única. Nunca vi tanta pirotecnia numa sala de cinema em toda minha vida!


E Stallone provavelmente se estabelece agora como o grande nome do cinema de ação americano da atualidade. Mais por manter o espírito do gênero da maneira que deve ser: anacrônico, sem firulas e bem exagerado. É até curiosa as sequências de ação, pois são filmadas e montadas como uma máquina de costura, com excesso de planos e cortes acelerados, da maneira que nós acostumamos a criticar, mas o espectador consegue perfeitamente ver o que se passa na tela. Domínio total da gramática da ação do velho Stallone mesmo chacoalhando a câmera. A única cena que esse tipo de recurso estético deveria ter sido modificado para uma montagem menos acelerada e enquadramentos mais clássicos é na luta do Jet Li contra o Dolph. O resultado não favorece o oriental, que poderia ter suas habilidades e a beleza dos seus movimentos melhor aproveitadas.

A trama básica que já estamos carecas de saber permanece com poucas surpresas. Grupo de mercenários contratado para derrubar um ditador num país sul americano. Até na premissa Stallone foi buscar lá atrás, em filmes como CÃES DE GUERRA e MCBAIN. A história pode até ser bem simples, mas é com as situações cheia de testosterona e os personagens carismáticos que OS MERCENÁRIOS realmente ganha um corpo.


Não vou falar de cada ator, mas todos eles mereceriam um parágrafo só pra eles. Todos têm a sua peculiaridade muito bem trabalhada, ainda que de forma sutil. TODOS estão muito bem, com a impressão de que se divertiram muito fazendo esse filme. Isso fica claro na encenação, nos diálogos, alguns parecem improvisados, mesmo que a atuação de alguns não seja grande coisa, mas cumpriram muito bem seus papéis.

Meus destaques ficam por conta de 1) Mickey Rourke. Há uma cena belíssima onde ele relembra os velhos tempos com as lágrimas nos olhos que me deixou arrepiado. Dessas cenas que tornam um filme desses em algo muito maior do que aparentemente deveria ser. 2) Eric Roberts como vilão está sensacional. Bem caricato e eficiente. Como é bom vê-lo na tela grande tão a vontade. 3) Outro que me surpreendeu foi o velho Dolph!!! Quase todos os atores que se envolvem na ação tiveram o trabalho de interpretar a eles mesmos ou as representações que os transformaram em ícones. Dolph não. Foi um dos únicos que precisou encarnar um personagem bem diferente do que faz, na pele de um abobalhado alucinado, louco, psicopata! É meu personagem favorito.



E há ainda o encontro dos ícones máximos! Não vou entrar em detalhes para não estragar o prazer de quem ainda não viu, mas Stallone, Bruce Willis e Arnoldão juntos é antológico! Um dos melhores momentos do filme.

JET LI x DOLPH LUNDGREN

Como já disse, um detalhe que eu encrenquei foram as lutas do Jet Li filmadas de maneiras picotadas. Não sei, mas acho que Stallone busca realismo com esse tipo de edição. Mas cada personagem é apresentado com uma habilidade especial e várias delas com o pé no exagero. Stallone rápido no gatilho com um revólver à moda antiga, Stathan é hábil com facas e por aí vai. Não custava nada o Jet Li demonstrar suas habilidades da maneira correta de se filmar kung fu. Enfim, acho que o grande e esperado duelo entre ele e o Dolph ficou um pouco prejudicado por conta disso, mas ainda assim achei bacana e muito bem contextualizado.

SYLVESTER STALLONE x STEVE AUSTIN

Essa aqui foi melhor. No calor da ação final, Stallone atraca com Austin num quebra pau pra lá de truculento num túnel. Aí sim, quando dois brutamontes trocam murros, o resultado na tela é bem melhor da forma que ficou. E Stallone dando golpes de MMA é sensacional! Aliás, toda a sequência que acontece dentro dos túneis nos subterrâneos da mansão do ditador é de deixar qualquer fã do gênero com um sorriso de orelha a orelha durante muito tempo. Gary Daniels levando uma surra de Jet Li e Stathan é uma coisa linda e Terry Crews destruido com sua metralhadora é a cena mais "puta que pariu" do filme.


GISELE ITIÉ

Delícia!


OS MERCENÁRIOS se confirma como o filme de ação absurdo, violento e oitentista que eu esperava ansiosamente. E Stallone é dos poucos diretores americanos que devolve o prazer por este gênero que eu tanto aprecio. Seu trabalho aqui é bem mais que uma homenagem aos bons tempos do gênero. É quase um autêntico exemplar daquele período, mas calhou de aparecer na hora errada, só que deveria servir de paradigma para todo e qualquer cidadão que resolvesse se aventurar com o cinema de ação na atualidade.