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26.6.11

VOU, VEJO e DISPARO (1968)

... aka I Tre che Scolvonsero il West
... aka Vado, Vedo e Sparo
... aka I Came, I Saw, I Shot

Li em algum lugar que VOU, VEJO E DISPARO fecharia uma espécie de trilogia de “caça ao tesouro” do Enzo G. Castellari, formada ainda por SETTE WINCHESTER PER UN MASSACRO e VOU, MATO E VOLTO. Tirando o fato de que não se trata bem de um tesouro escondido a ser caçado, e sim uma maleta cheia de dinheiro roubado, este aqui é dos mais divertidões do diretor, até porque assume seu tom de comédia sem qualquer receio.

Temos três personagens principais que disputam incessantemente a tal maleta e o filme desenvolve com bastante agilidade a partir disso uma típica “comédia de erros” que oferece situações hilárias. Alguns detalhes lembram o que a dupla Terence Hill e Bud Spencer faria um tempo depois.

Dos destaques de VOU, VEJO E DISPARO, o trio de protagonista merece boa atenção, cada um com suas peculiaridades, formado por Frank Wolff, que já havia trabalhado com o diretor em POCHI DOLLARI PER DJANGO e vive aqui um mestre do disfarce, Antonio Sabato é o ladrão afoito e mulherengo e o americano John Saxon, que se deu muito bem no cinema popular italiano, encarna um experiente jogador de cartas. Todos estão ótimos e bem à vontade em seus papéis. Difícil apontar um melhor...

Particularmente, prefiro o Castellari mais sério e trágico de JOHNNY HAMLET e KEOMA, mas é impossível não dar boas risadas descompromissadas com um Spaghetti Western tão ingenuo e honesto como este.

1.11.10

CANNIBAL APOCALYPSE (1980), de Antonio Margheriti,

Não era exatamente o filme que eu esperava para um domingão de Halloween, mas valeu muito a pena. CANNIBAL APOCALYPSE não deixa de ser terror, embora também seja uma bizarra combinação de gêneros, com um roteiro deliciosamente desconexo que começa na selva do Vietnã, passa pelo drama de veteranos com trauma de guerra, desemboca num horror canibal cujo desejo pela carne humana é transmitida por vírus, até virar um filme de ação policial! Mesmo sem pé nem cabeça, o filme aposta na sua originalidade. Só a idéia de haver um vírus que “transmite canibalismo” através de mordidas e arranhões dos infectados é suficiente pra tirar o filme do lugar comum. Mas não poderia faltar também uma boa dose de violência e todo o tipo de efeito gore criado pelo genial Giannetto De Rossi. Margheriti (que assina o filme como Anthony M. Dawson) não tem a virtuose de um Bava ou Argento, mas já transitou em todos os gêneros do cinema popular italiano e conduz com firmeza e bom senso rítmico para comportar toda essa confusão. O fato é que Margheriti não está nada preocupado com a lógica narrativa de seu filme, e é isso que dá a ele a liberdade em tornar cada situação um momento único.

1.3.10

LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO, aka The Girl Who Knew Too Much (1963), de Mario Bava

Mario Bava dirgiu tantos filmes sem receber o devido crédito como diretor que só mesmo tendo em mãos o livro do Tim Lucas pra ter certeza o que ele realmente realizou ou não (e eu não tenho), mas é provável que este aqui seja o primeiro filme contemporâneo do diretor. Bava foi um gênio de grande influência no cinema italiano e até então só havia recriado outras épocas em seus filmes, como o terror gótico LA MASCHERA DEL DEMONIO e o peplum ERCOLE AL CENTRO DELLA TERRA.

O roteiro escrito pelo próprio Bava e outras cinco pessoas (!) para LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO é bem simples, mas consegue segurar o espectador até o último minuto com um suspense de primeira qualidade. Conta a estória de Nora Davis (Letícia Román), uma jovem america que viaja à Roma e fica hospedada na casa de uma senhora doente. Em certa noite chuvosa, após ter sua bolsa furtada, Nora bate a cabeça no chão e ainda atordoada testemunha (ou não) o assassinato de uma mulher. Com a ajuda do Dr. Marcello (John Saxon), ela tenta investigar por conta própria o mistério, sem ter a certeza se tudo não passou de uma simples ilusão, o que é mais provável para todos ao redor.

Mesmo trabalhando com algo mais próximo da realidade, LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO carrega todas as características que marcaram o cinema de Bava. É um filme que apresenta, especialmente, grande poder visual. Emoldurado por um preto e branco expressionista e de atmosfera densa, o diretor abusa de grande inventividade nos movimentos de câmera, esbanja criatividade no uso da luz e cria vários elementos que serviram de matéria prima para a criação do famigerado subgênero conhecido como giallo. Algo que seria amadurecido no ano seguinte em seu SEI DONNE PER L'ASSASSINO.

A cena em que Nora testemunha o assassinato possui uma sutileza experimental muito interessante, com a câmera distorcida e ótima edição, mostrando o delírio visual da protagonista interpretada de forma bastante segura pela bela italiana Letícia Román. Outro destaque do elenco é o grande ator americano John Saxon, sujeito subestimado em seu país e que fez mais sucesso em território europeu.

O título original e em inglês faz referência ao clássico de Alfred Hitchcock, O HOMEM QUE SABIA DEMAIS. No Brasil ficou conhecido como OLHOS DIABÓLICOS.