Resolvi mergulhar na carreira do Paul Schrader como diretor e devo fazer uns breves comentários por aqui. VIVENDO NA CORDA BAMBA marca a estréia do homem na direção. O enredo, entretanto, parte de uma idéia do irmão, o também roteirista Leonard Schrader (que foi passado pra trás diversas vezes pelo seu irmão), sobre um trio de operários de uma montadora de veículos com alguns problemas com o sindicato corrupto pelo qual fazem parte. Surge também a velha trama dos persongens fodidos, devendo uma grana que não possuem, vendo um assalto ao cofre do sindicato como uma boa alternativa para se livrar do peso na consciência (e das dívidas).
Mas VIVENDO NA CORDA BAMBA nunca descamba para o policial, o filme é um sóbrio drama político e realista que faz ótimo retrato do operário americano, visualmente associado ao estilo que Martin Scorsese vinha impondo dentro do cinema americano dos anos setenta no qual Paul Schrader seguia na cara dura até encontrar seu próprio caminho.
Não que isso fosse algum problema, pelo contrário, Paul demonstra segurança no tom imediato, ritmo e estética já neste primeiro trabalho. A relação com os atores, é outra história. São curiosas as situações de bastidores de VIVENDO NA CORDA BAMBA, principalmente no que concerne ao trio de atores principais. Richard Pryor, Harvey Keitel e Yaphet Kotto dão um show de interpretações em frente às câmeras, mas trocaram muitas ofensas por trás delas. Schrader não tinha o menor controle sobre eles neste sentido. O importante é que tudo funcionou muito bem na tela.
O roteiro, com vários diálogos interessantes, também contribui com grande força. Uma combinação de drama social com um humor realista fazem desta pequena obra um dos melhores "filmes de estréia" que eu vejo em muito tempo. Pena que a Universal lançou o filme de qualquer jeito e acabou não recebendo a devida atenção pelo público, apesar dos elogios da crítica.
Pelo visto, vou gostar de peregrinar pelo cinema desse sujeito.
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17.5.10
5.9.08
WISE GUYS (1986)
aka QUEM TUDO QUER, TUDO PODE
direção: Brian De Palma
roteiro: George Gallo, Norman Steinberg
Para quem está acostumado com os filmes de Brian De Palma, sempre carregados de tramas violentas, suspenses elaborados por uma câmera virtuosa, vai se surpreender com o diretor no comando desta comédia leve e divertida que aceitou fazer a convite do produtor Aaron Russo, após realizar DUBLÊ DE CORPO (84), embora o início de sua carreira seja composta de algumas comédias que satirizavam politicamente o modo de vida americano da época, como GREETINGS (68) e HI, MOM! (70), ambos estrelados por um jovem Robert de Niro antes de iniciar sua parceria com o diretor Martin Scorsese, ou seja, De Palma já havia provado antes o talento do ator.
Mas vamos ao WISE GUYS cuja história gira em torno de dois membros atrapalhados da máfia de New Jersey, interpretados por Danny De Vito e Joe Piscopo. O filme remete aos trabalhos do Scorsese mostrando a uma máfia de baixa categoria e sem o glamour de Tony Montana do filme SCARFACE (83) que De Palma havia dirigido alguns anos antes. Os dois sujeitos, na verdade, recebem sempre os trabalhos mais pífios e são ridicularizados pelos outros membros. Ao receberem a “grande missão” de apostarem num cavalo de corrida, acabam colocando o dinheiro em outro cavalo, achando que o favorito de seu chefe perderia, o que não acontece. Os dois são marcados como traidores, mas ao invés de matá-los subitamente, Tony Castelo (Dan Hedaya), o chefão da parada, coloca-os com a missão de matar um ao outro.
WISE GUYS é um ótimo exercício de direção para De Palma que, apesar de não realizar nenhuma acrobacia com sua câmera, deixa seus atores brilharem livremente no gênero que já estão à vontade. Danny De Vito surpreende com um dos papéis mais engraçados de sua carreira e Joe Piscopo demonstra toda sua expressividade cômica. O elenco ainda é formado com Frank Vincent, Harvey Keitel e Lou Albano (talvez o personagem mais divertido). O filme não foi muito bem de bilheteria nos Estados Unidos e acabou sendo esquecido automaticamente, infelizmente. Mas realmente não é tão perfeito quanto parece. Algumas situações do roteiro poderiam ser melhor exploradas e o final é um tanto forçado e preguiçoso.
No Brasil recebeu o título cretino de QUEM TUDO QUER, TUDO PERDE, o que contribuiu ainda mais para o esquecimento por aqui, fora o estúdio que resolveu meter o dedo no material final. Mas nada que estrague a diversão, principalmente nos dois primeiros atos, quando a história é conduzida de maneira simples com ótimos momentos como a cena em que De Vito recebe a ordem de ligar o carro de seu chefe ou o assassinato na igreja, praticamente uma mistura genial do pastelão com o rigor intrigante do suspense de De Palma.
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