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20.3.11

STONE COLD (1991)

Aparentemente, STONE COLD não passa de mais um desses filmes B de ação genéricos que surgiam aos montes nas prateleiras das locadoras no fim dos anos 80 e prosseguiram durante os 90, sem grandes pretensões, mas quase sempre com diversão garantida para uma tarde de domingo. O negócio é que além dessas pequenas “qualidades”, o filme reserva uma certa energia que geralmente não se espera neste tipo de produção.

A direção é de Craig R. Baxley, um sujeito com um talento acima da média e hoje se dedica apenas a filmes para TV e episódios de seriados. Começou a carreira como coordenador de dublês e dirigia episódios da série ESQUADRÃO CLASSE A antes de realizar filmes como ACTION JACKSON e DARK ANGEL. Mas acho que é a sua experiência com dublês que dá a STONE COLD uma forcinha inesperada que transforma o que poderia ser um simples filme de ação de baixo orçamento num exemplar memorável que já deveria ser reconhecido como clássico do gênero! Pelo menos eu o reconheço assim…hehe


Estamos falando de cenas de ação bem feitas, criativas, sem frescuras e com um excelente uso do trabalho de dublês… se um cara toma um tiro, ele vai voar e atravessar uma janela e cair do terceiro andar em cima de um carro! Só faltava também o carro explodir pra finalizar… mas o filme inteiro é recheado de pequenas sacadas na ação. Sequências inteiras que obrigavam os realizadores a pensar e elaborar algo que realmente fosse de encontro ao coração dos fãs hardcore do gênero. E vale lembrar aos jovens leitores que estamos no início dos anos 90 aqui, tudo era feito na marra, sem CGI artificial como é comum atualmente.

A trama é bem besta, o que faz o espectador dar atenção a outros elementos mais curiosos que são de grande importância dramática, como por exemplo o cabelo do protagonista. Não sou o Rubens Ewald Filho, mas é impossível não notar essa cabeleira ridícula de mullets!

Brian Bosworth vive o típico policial que os amantes dos filmes de ação casca grossa admiram. O indivíduo já começa o filme suspenso do trabalho por ter feito alguma besteira durante o serviço, então de cara, o espectador já toma algumas notas sobre o protagonista: um brutamontes de roupas excentricas e de cabelo engraçado que possui um lagarto gigante em casa como bichinho de estimação, trabalha na polícia, é durão com a bandidagem e age segundo suas próprias regras, do jeito que tem que ser!

Por causa do seu estilo motoqueiro, é escalado pelo FBI para uma missão secreta: infiltrar-se numa perigosa gangue de motoqueiros e desmascarar os misteriosos planos terroristas de seu líder, vivido pelo grande Lance Henriksen. Na gangue, ainda temos William Forsyth como braço direito do chefão.

Então, temos mais motivos para STONE COLD estar num lugar de destaque em uma relação de filmes de ação importantes feitos na década de 90: a prensença dessas figuras simpáticas desfilando pelo filme. Convenhamos que Bosworth é totalmente canastrão, mas se encaixa perfeitamente na proposta do filme, especialmente pelos detalhes que compõe o personagem. A cabeleira é que causa um estranhamento, mas o cara faz o habitual tira truculento daquele período que não faria feio diante de um Stallone Cobra. Agora, Bosworth não chega aos pés de um Forsyth! Aqui, ele interpreta outro vilão lunático e exagerado, da mesma forma como fez em OUT OF JUSTICE, o melhor filme de Steven Seagal. Sou fã do Forsyth!

Mas se para o sucesso de um bom exemplar de ação precisamos de um vilão marcante, que tal DOIS sádicos vilões marcando presença num mesmo filme? É sensacional ver Lance Henriksen interpretando esse tipo de papel. Claro que ao longo de sua carreira o sujeito fez dezenas de vilões, quase sempre repetindo o mesmo personagem, mudando uma coisa ou outra (mas sempre com uma eficiência impressionante), mas aqui é a oportunidade de vê-lo diversificando, até com um visual diferente, como o lider de uma gangue de motoqueiros, vestido a carater, cabeludão, etc…


O roteiro ainda apresenta diversas frases de efeito e, como já disse antes, cenas de ação extremamente bem executadas para o padrão orçamentário da produção. O final é um espetáculo e demonstra uma peculiaridade do diretor por veículos em locais fechados. Em ACTION JACKSON, o protagonista entra numa mansão dirigindo um carro, inclusive sobe as escadarias e tudo mais… aqui, a ação final se passa dentro de um tribunal, com os motoqueiros causando o terror pelos corredores e salas de audiências, tem tiro pra tudo quanté lado, motos voando pela janela e acertando um helicóptero (!!!), enfim, diversão pra toda família!

22.7.10

ACTION JACKSON (1988), de Craig R. Baxley

Esta semana tive o prazer de rever este CLÁSSICO do cinema de ação policial, truculento até o talo, realizado em pleno calor dos anos 80!!! E um filme que possui a palavra “action” no título tem mais que a obrigação de alegrar o coração dos pobres infelizes que curtem esse tipo de produção, como é o meu caso... e ACTION JACKSON está longe de decepcionar!

E pra quem aprecia frases badass de efeito então, será agraciado com um bônus. O roteirista Robert Reneau desenvolveu uma trama simples, que não possui nada que já não tenhamos visto antes, mas em compensação, estava inspiradíssimo quando criou situações recheadas de taglines de rachar o bico! Logo no início, por exemplo, dois policiais prendem um trombadinha e, enquanto o levam para delegacia, descrevem Jericho “Action” Jackson, o sujeito mais casca grossa da polícia de Detroit, para amedrontar o pobre rapaz:

- Hey man, what's gon' happen to me?
- Oh, nothing. Uh, wel-nothing much, uh... you might have to endure a little session with, uh, Action Jackson.
- Wh-who's Axon...?
- “Action”, “Action” Jackson.
- Yeah, some say he didn't even have a mother. That some researchers at NASA created him to be the first man to walk on the moon without a space suit.
- Others say his mother was molested by Bigfoot and, uh, Jackson is their mutant offspring.
- They bring in Jackson when they want to re-educate some young ne'er-do-well such as yourself, Albert.
- Yeah, I remember one kid got re-educated so bad, his testicles climbed back up into his belly. Wouldn't come out.
- They called it a medical miracle.
- Yeah. Another kid, handcuffed to a chair; gnawed his own hand off like a trapped skunk, or wolverine, or somethin'.

GENIAL!!! ACTION JACKSON bate recordes em frases como essas! Algumas são tão ridículas que chegam a desconcertar o espectador.

Mas quem é o tal "Action" Jackson? A honra de encarnar o protagonista foi concedida ao ator Carl Weathers, o Apollo de ROCKY. Em seus primeiros momentos, percebe-se que o sujeito tem um histórico tremendo como policial. Uma fama desgraçada de tira durão e que faz a bandidagem tremer nas calças. Ficamos sabendo logo de cara que Jackson foi rebaixado recentemente de Tenente à sargento. Por que? Porque ele cortou fora a mão de um pedófilo!!! E ainda deu a desculpa de que “o sujeito tinha outra mão de reserva”. Estamos diante da truculência em pessoa.

É como se ACTION JACKSON fosse continuação de um primeiro filme que não existe. O tal bandido que perdeu a mão, na verdade, nem aparece, mas seu pai, vivido por Craig T. Nelson, assume o posto de vilão da estória. E nós já sabemos subitamente que ele é o bandidão, pois ele possui ninguém menos que Al Leong como motorista de sua limosine.

A trama, como já disse, é a básica dos filmes de ação oitentista. “Action” Jackson suspeita que quem está eliminando os chefes dos sindicatos é o poderoso Nelson. Então começa a investigar, acaba se metendo onde não deve, envolve-se com a esposa do bandido, depois com sua amante, cai numa tramóia e vira suspeito de assassinato, precisa agora pegar o bandido e ainda por cima provar que não cometeu crime algum, etc, etc... uma coisa linda!

Mas o que conta mesmo são as situações criadas pelo roteiro. A primeira cena de ação que acontece pra valer envolvendo Jackson, creio eu que seja a primeira perseguição de carro em alta velocidade com o herói correndo a pé!!! Vejam bem, não é como OPERAÇÃO FRANÇA II, onde Gene Hackman corre atrás do vilão, bufando, persistindo e, por sorte, consegue atingir uma bala na testa de Fernando Rey que já estava se sentindo seguro dentro de um barco. Aqui, Jackson corre alguns quarteirões perseguindo um táxi, mas lado a lado com ele, em alta velocidade!!! E mais, ainda na mesma velocidade, ele consegue pegar impulso e pular no teto do veículo em movimento. Eu já virei fã!

Em uma cena mais adiante, após ser acorrentado e quase cremado vivo, Jackson consegue se libertar, troca tiro com os bandidos, mas antes de fazer um deles de churrasco, questiona: “Como prefere suas costelas?!?!” Sensacional! No climax do filme, numa festa na mansão do vilão, "Action" precisa agir logo para chegar no quarto de Nelson, onde ele pretende matar sua amante. O nosso herói não pensa duas vezes quando vê um dos carros fabricado pelas empresas de Nelson. O sujeito entra no carro, invade a casa (!), sobe as ESCADAS (!!), percorre o estreito corredor do segundo andar (!!!) e adentra o quarto de carro e tudo!!! Acho que nunca teremos na vida, outra cena como essa num filme.

Logo em seguida, Jackson parte no mano a mano com o vilão. E o páreo é duro! Mas tudo bem. Uma cena antes mostra que Nelson é praticante de artes marciais, e dos bons! Mas ninguém consegue é tirar os olhos do carro estacionado ao lado da cama...

Craig T. Nelson faz um ótimo vilão. Desprezível e arrogante e muito convincente. Todo o elenco é excelente, na verdade. Carl Weathers nasceu para o papel de "Action" Jackson! Ainda temos uma boa Sharon Stone; Robert Davi arrebentando em sua pequena participação; Bill Duke fazendo o chefe de polícia; e temos a cantora Vanity, belíssima e muito sexy, mas bem chata também. Ela contribui bastante soltando com demasiada frequência várias frases de efeitos escritos especialmente pra ela.

Ainda não falei de Craig R. Baxley, que fazia aqui sua estréia como diretor de cinema. Havia realizado apenas alguns episódios de ESQUADRÃO CLASSE A. Baxley era dublê, deve ter conhecido Weathers nos sets de PREDADOR, onde trabalhou. Mas parece que sua carreira atrás das câmeras não foi muito pra frente no cinema, embora tenha realizado STONE COLD, que em breve receberá alguns comentários por aqui. Desconheço sua carreira dirigindo séries, que é o que faz atualmente. Mas bem que ele podia estar fazendo mais uns filmes B de ação no estilo de ACTION JACKSON!