Mostrando postagens com marcador arnold schwarzenegger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arnold schwarzenegger. Mostrar todas as postagens

1.11.13

ESCAPE PLAN (2013)


Já estamos em novembro e analisando o panorama do cinema de ação em 2013, se por um lado não tivemos uma safra vasta de bons exemplares (o que já é habitual nos últimos anos), por outro tivemos a oportunidade de notar algumas peculiaridades: Arnold Schwarzenegger retornou como protagonista de seu próprio veículo de ação em THE LAST STAND, que marcou também uma ótima estreia do coreano Jee-Woon Kim em Hollywood; já Sylvester Stallone não apenas estrelou o melhor filme de ação do ano até o momento, BULLET IN THE HEAD, como também proporcionou o retorno de Walter Hill à cadeira de diretor depois de dez anos sem lançar nada para cinema. Por essas duas obras já teríamos motivos suficientes para comemorar. No entanto, não satisfeitos, Sly e Arnie ainda tiveram forças para se juntar e lançar ESCAPE PLAN, que já merece destaque só pela ideia de colocar lado a lado esses dois ícones do cinema de ação. O bom é que o filme vai além disso.


ESCAPE PLAN não é exatamente um retorno ao tipo de filme que transformou esses caras no que eles são. Mas me lembra uma época, em meados dos anos 90, em que eles já estavam consolidados como action heroes e realizavam umas coisas como O DEMOLIDOR e QUEIMA DE ARQUIVO, fitas menores em suas carreiras, mas divertidíssimas e muito superiores em relação à grande maioria do que é realizado hoje em termos de ação. Acho até que é neste período que esse crossover deveria ter acontecido... Mas, antes tarde do que nunca. Até porque ambos, apesar da idade avançada, ainda possuem fôlego e truculência suficiente para esmagar qualquer Vin Diesel, The Rock, ou seja lá quem for, vê-los caídos diante do seus olhos e ouvir o lamento de suas mulheres... Não é isso o melhor da vida?

Em ESCAPE PLAN, Stallone é praticamente um McGyver com músculos e precisa utilizar mais a inteligência do que a força bruta em sua profissão, que consiste em procurar brechas nas penitenciárias de segurança máxima. Como deve ser simpatizante do jornalismo gonzo, a maneira como realiza o trabalho é se infiltrando como prisioneiro, estudando o local, percebendo os pontos fracos e arranjando maneiras de escapulir. Depois de vários anos fazendo isso, escreve um livro sobre o assunto. Uma versão casca-grossa de Hunter S. Thompson.


O problema é quando o Sly decide encarar um novo desafio e acaba parando numa prisão construída a partir das informações, conceitos e ideias adquiridas por ele próprio, a partir do seu trabalho. Uma prisão aparentemente impossível de escapar. Para sua sorte, encontra no local o Schwarzenegger, vivendo o seu personagem mais legal desde TRUE LIES, e decidem unir força para traçar uma rota de fuga. Será que uma prisãozinha será suficiente para parar essa dupla? Quem já viu o filme sabe, quem não viu, vai precisar ver, porque eu não vou contar.

Só digo que Arnoldão rouba o filme em cada momento que aparece na tela, muito mais que um sidekick de luxo, compondo um personagem diferente de tudo que já fez. Com cabelos e cavanhaque grisalhos, não deixa de ser o brutamontes badass motherfucker de sempre, mas ao mesmo tempo intercala o tipo engraçadão com variáveis demonstrações de fragilidade diante de algumas situações. A cena em que finge um ataque de desespero para chamar a atenção dos guardas e reza em alemão na solitária já pode entrar na lista dos momentos antológicos da carreira do homem. Stallone também está ótimo, o problema é ter pego Schwarzenegger num dia inspirado e acabou tendo o brilho ofuscado.


O elenco se completa com algumas figuras interessantes: Vincent D'Onofrio, Sam Neil, Jim Caviezel e Vinnie Jones. Estes dois últimos os vilões da parada. 50 Cent não compromete com seu pequeno papel. E a surpresa é a interessante utilização de um personagem árabe, vivido por Faran Tahir, que, numa jogada de muito bom senso do roteiro, consegue quebrar alguns clichês.

O diretor sueco Mikael Hafstrom pode não ser um mestre do cinema de ação, mas parece plenamente consciente do tipo de filme que os fãs de Sly e Arnie estavam esperando. ESCAPE PLAN nem possui tantas sequências de ação assim, é mais focado no thriller com os elementos de filmes de prisão. E a presença dos dois atores em cena, contracenando, já é de encher os olhos, de absorver o espectador com uma incrível sensação de nostalgia. Há um profundo respeito do diretor pelos velhos e isso fica claro na maneira como os filma, como os enquadra, como trabalha a rivalidade dos dois em cena. Há até uma breve luta entre os dois que é praticamente um sonho realizado! Sly vs Arnoldão! Wow!


Quando a ação finalmente explode, a adrenalina toma conta. Não há nada mais, com perdão do meu francês, fodástico que Stallone e Schwarzenegger atirando, esmurrando e explodindo coisas de maneira frenética! Hafstrom nem é muito habilidoso na direção dessas sequências, mas pelo menos evita certos maneirismos do cinema de ação atual, como esconder a incompetência chacoalhando a câmera. Aqui podemos enxergar perfeitamente o que se passa e o sujeito ainda aproveita para homenagear Arnoldão com o momento mais badass de ESCAPE PLAN, quando o austríaco faz pose em câmera lenta e se prepara para cuspir fogo em diversos vilões com uma metralhadora estilo COMANDO PARA MATAR em punho! Para Stallone, o roteiro lhe reserva uma luta franca contra o Vinnie Jones, que é outro ponto alto do filme.


Obviamente, ESCAPE PLAN não é perfeito. Toda vez que o filme volta suas atenções aos personagens fora da prisão corta o ritmo envolvente da trama principal, do foco, que é Stallone e Arnie enjaulados. Mas isso só acontece momentaneamente e não prejudica a narrativa de maneira alguma. Na maior parte do tempo, o filme se assume como diversão pura e de qualidade para os admiradores do bom cinema de ação exagerado e aos fãs de ambos atores. Seria um erro esperar mais do que isso. Só lamento que tanto ESCAPE PLAN quanto LAST STAND e BULLET IN THE HEAD tenham fracassado nas bilheterias. Algo preocupante, porque estou gostando da ideia de ter esses velhotes em atividade no cenário atual. Quando os executivos dos estúdios perceberem que esses caras estão dando prejuizo, o que vai acontecer? E onde estão os fãs  que enchiam as salas de cinema há vinte anos atrás? Ou será que estou sendo muito pessimista?

Para finalizar, outros cinco encontros marcantes de autênticos ícones do cinema de ação em filmes que levam o termo truculência ao extremo realizados nos últimos trinta e poucos anos:

DEATH HUNT (81), de Peter R. Hunt: Lee Marvin e Charles Bronson pertencem a uma geração anterior à do Sly e Arnie, ambos já haviam feitos alguns filmes juntos e dispensam apresentações. É neste aqui que se dá o encontro mais dramático entre eles. Na trama, Marvin promove uma caçada humana pra cima do Bronson pelas terras geladas na fronteira do Canadá. O negócio é que nenhum dos dois é o vilão da história, e muito menos o bonzinho. Enquanto pensamos nesse dilema, a violência explode na tela.

TANGO & CASH (89), de Andrey Konchalovskiy: Rambo encontra Snake Plissken, num buddy movie de ação policial que poderia ser melhor, mas ainda assim possui ingredientes suficientes para os afccionados pelo gênero receberem uma bela dose de explosões, tiros e pancadaria. E ainda tem o Jack Palance como vilão e Robert Z'Dar, o queixo mais discreto do cinema, como desafeto de ambos numa prisão que Sly e Russel precisam fugir. Prisão? Fugir? Opa...

SOLDADO UNIVERSAL (92), de Roland Emmerich: No primeiro filme da saga dos unisoldiers, dois ícones colocados frente a frente como galos numa rinha. O músculos de Bruxelas, Jean-Claude Van Damme, encara o brutamontes sueco, Dolph Lundgren, num dos melhores filmes da carreira de ambos. Super produção na época, o destaque vai para o Dolph, que faz um dos personagens mais insanos que já encarnou: um sargento que pira, extermina todos os soldados do seu pelotão e faz um colar utilizando as orelhas dos defuntos. Verdadeiro artista artesanal...

MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS (93), de Mark L. Lester: Este aqui é simplesmente um dos filmes mais divertidos e brutais do gênero nos anos 90. Perdi a conta de quantas vezes assisti, só sei que é um dos grandes responsáveis por me fazer amar tanto o cinema de ação. Dolph Lundgren dessa vez une forças com o filho de Bruce Lee, Brandon, que consegue a proeza de roubar a cena do sueco com um personagem carismático e excelente na porrada. Uma pena que Lee morreu tão cedo. Teria lugar garantido hoje no hall da fama dos grandes ícones do cinema de ação. Este filme é prioridade para um futuro texto. Aliás, todos dessa lista são...

O DEMOLIDOR (93), de Marco Brambilla: Mais duas figuras nada amigáveis são colocadas em lados diferentes. E o confronto desses caras vai além do limite do espaço e tempo! Stallone é o policial mais casca grossa do mundo e faz de tudo para pegar Wesley Snipes, o terrorista mais perigoso do mundo. Até consegue, mas vários inocentes morrem no caminho. Ambos são presos e congelados. Trinta anos no futuro, Wesley Snipes toca o terror e só Stallone, o policial old school é capaz de pará-lo. Que comece o segundo round! Mas antes, Sly precisa aprender a usar as três conchas...

10.3.13

THE LAST STAND (2013)


A importância que uma figura como a de Arnold Schwarzenegger na minha formação cinéfila é algo indiscutível. Não consigo pensar a minha infância como admirador precoce de cinema de ação sem considerar COMANDO PARA MATAR, O EXTERMINADOR DO FUTURO, PREDADOR, O SOBREVIVENTE, INFERNO VERMELHO, TOTAL RECALL e tantos outros exemplares que me acompanharam desde muito cedo. E o que diferencia o Schwarza de outros action heroes do período é a maneira inteligente na qual administrou sua carreira, com poucas bolas foras (como JÚNIOR e BATMAN & ROBIN). Fruto de alguém que soube gerir sua imagem como ícone de uma geração, soube encontrar bons roteiros e, principalmente, escolheu trabalhar com os diretores certos (Milius, Hill, McTiernan, Cameron, Fleischer, Verhoeven). Quando finalmente sua carreira começou a desandar, com O SEXTO HOMEM e COLLATERAL DAMAGE, o sujeito virou governador da Califórnia e deixou a vida de ator de lado.

Mas agora chegamos a THE LAST STAND, seu mais novo trabalho. Estava ansioso por vários motivos. Um deles é por essa áurea que rodeia o filme por se tratar do retorno do Arnie como protagonista, encarnando a imagem de action heroe e blá, blá, blá, algo que eu não tinha certeza que voltaria a acontecer após o longo hiato na vida política. But Arnoldão is totally back!!! Com o mesmo nível truculência de sempre, o mesmo sotaque engraçado, sem o mesmo fôlego de antes... mas vamos respeitar, é um senhor de 66 anos de idade, oras. Sou da opinião de que o herói de ação é como um bom vinho tinto. Fica melhor com o avançar do tempo. No caso, fica mais badass. Lee Marvin, Charles Bronson, Clint Eastwood só melhoraram na medida em que seus cabelos ficaram grisalhos (no caso do bronson, o bigode). Portanto, Schwarzenegger tem a minha bênção para protagonizar quantos filmes de ação quiser por um bom tempo ainda.


Outra razão que aumentava ainda mais a minha ânsia era a escolha do diretor. Seguindo a tradição do austríaco de buscar trabalhar com nomes interessantes, calhou de ser um dos grandes do gênero na atualidade. O coreano Jee-Woon Kim é simplesmente responsável por um dos meus filmes de cabeceira da década passada, a obra prima A BITTERSWEET LIFE. Sem contar o ótimo THE GOOD, THE BAD AND THE WEIRD e o trágico I SAW THE DEVIL. Portanto, em termos de aspectos técnicos e direção, THE LAST STAND ficou em boas mãos.

Já o plot é o mais simples possível. Um bandido mexicano (Eduardo Noriega) aprisionado em território americano consegue escapar e parte rumo à fronteira em direção ao seu país. Para isso, tem que passar por uma pequena cidade que por um acaso possui um xerife, Ray Owens (Arnoldão), que é um baita casca-grossa e não vai deixar o sujeito passar sem vender caro a sua pele. Sim, parece enredo de western. Mas atualizando a coisa, ao invés de cavalos, o bandido utiliza um corvette modificado que voa como um jato pelas estradas. Em certo momento, ficamos sabendo que o sujeito, além de ser o rei do cartel mexicano das drogas, é um experiente piloto de corrida. E, para melhorar o nosso lado, o meliante ainda conta com um grupo de capangas que vai limpando as estradas dos bloqueios policiais.


O braço direito do bandido é vivido pelo grande Peter Stormare, com aquela cara de maluco que lhe é habitual. Ele fica responsável por tocar o terror na tal pequena cidade e construir uma ponte para que o seu chefe possa atravessar um desfiladeiro que separa as fronteiras. Outras figuras interessantes também marcam presença. Luis Guzmán, sempre carismático, faz o ajudante do xerife; Forest Whitaker é o agente federal que cuida do caso; E temos uma pontinha simpática do Harry Dean Stanton. Outros atores que eu não sou muito chegado conseguem ser bem aproveitados por aqui, como é o caso do brasileiro Rodrigo Santoro e o Johnny Knoxville. O imdb ainda aponta a presença do Sonny Landham, mas confesso que não o reconheci em lugar algum...


Mas vamos ao que interessa. Quando paramos para conferir algo do calibre de THE LAST STAND queremos saber de ação! E Jee-Woon Kim não se deixou intimidar em território americano (apesar de não saber falar inglês muito bem) e demonstra como conduzir um espetáculo de ação da maneira correta, sem tremeliques, com boa contagem de corpos e doses de violência. Um sujeito que entende muito da gramática da ação, do posicionamento das câmeras, enquadramentos, montagem. Não é o tipo de filme que possui ação a cada cinco minutos, mas quando acontece, é muito bem realizado. O tiroteio que se passa na rua principal da pequena cidade ao final, por exemplo, é épico, sensacional! Preparado e esperado com a mesma intensidade do climax de um MATAR OU MORRER, não me decepcionei nem um pouco quando chegou a hora do "pau comer"! É ação eletrizante da melhor qualidade. E como é bom ver o velho Arnie distribuindo pancadas e balas na cara de bandidos à sangue frio!



E logo após o tiroteio, a ação se prolonga numa inusitada perseguição de carros num milharal e culmina num duelo à base de porrada entre Schwarzenegger e Noriega em cima da tal ponte. Coisa linda, como nos velhos tempos... com a diferença que o bandido luta MMA, então o austríaco precisou se adaptar aos combates corporais modernos. Chega a ser engraçado. E na minha opinião, os realizadores acertaram em cheio em não levar o filme para um tom muito sério. THE LAST STAND é todo conduzido com a única intenção de divertir um público específico com algumas piadas, explosões, pancadaria, muito tiro e a presença do velho Arnie.


Havia a possibilidade de criar uma reflexão mais aprofundada sobre a idade do protagonista e os conflitos dramáticos que surgem a partir do tema, como em NA LINHA DE FOGO, com o Clint Eastwood, por exemplo. Mas até isso é explorado de maneira bastante leve e superficial, permitindo que Schwarza dê o seu show de truculência e carisma sem se preocupar muito com a densidade de seu personagem (e que graças a Deus não solta nenhum de seus clássicos bordões, mas tenta criar alguns novos, o que é bem mais interessante).

THE LAST STAND é realmente um filme muito simples, sem grandes pretensões, mas com excelentes doses de ação, reverencia o western e o cinema de ação dos anos 80,  e se destaca principalmente por levar um dos grandes diretores da atualidade para um debut americano (e tomara que ele consiga imprimir sua visão no cenário de ação por lá e não tenha o mesmo destino do John Woo). E, claro, promove um retorno de classe a um dos grandes ícones do cinema de ação da minha geração. Trata-se do melhor filme de ação de 2013 até o momento. Agora é aguardar o Stallone dirigido pelo Walter Hill...

4.9.12

OS MERCENÁRIOS 2 (The Expendables 2, 2012)


CUIDADO - TEXTO COM SPOILERS
Até mesmo aqueles que criticaram o primeiro filme tem-se rendido aos encantos de OS MERCENÁRIOS 2. São poucas as exceções. Mas não é para menos, este aqui é realmente superior e vai muito além do anterior em vários aspectos. É FILME DE AÇÃO com todas as letras maiúsculas, desses que trabalham um estilo narrativo com pouquíssimos momentos de alívio e o fiapo de enredo é todo subordinado à necessidade de ação. Não era isso que queriam no filme anterior? Pois então se preparem! Ignore a história simplória, o McGuffin boboca, o negócio é se deixar levar pelas figuras mal encaradas que protagonizam sequências cuja única pretensão é elevar a adrenalina do espectador num nível acima do normal. Vamos celebrar o festival de testosterona, o espetáculo pirotécnico, tiroteios dos mais variados calibres, perseguições, facadas, chutes, socos, uma motocicleta arremessada contra um helicóptero, tudo filmado da maneira mais brutal e old school possível!

Tudo em OS MERCENÁRIOS 2 é tão maravilhosamente besta, clichê e previsível, exatamente como nos filmes que assistíamos há 25 anos na Sessão da Tarde. É como se houvesse uma linha bem fina separando a intenção de ser apenas uma homenagem ou, de fato, ser um exemplar. Em outras palavras, OS MERCENÁRIOS 2 remete com precisão o cinema de ação exagerado dos anos oitenta, mas em certos momentos parece que estamos realmente diante de um autêntico filme da Cannon! Golan & Globus devem estar orgulhosos.


Mas vamos confessar uma coisa, todo mundo ficou preocupado quando anunciaram o Simon West no comando da bagaça. O mais legal é que já na ação inicial, que é de uma truculência subversiva, somos completamente tranquilizados sobre a possível inaptidão do sujeito. Não tenho nada do que reclamar da ação do primeiro filme, ao contrário de vário de vocês, mesmo com a shakycam e a edição picotada, mas como é bom poder vislumbrar uma ação clássica, fundamentada nos enquadramentos e elegantes movimentos de câmeras. Vai saber de onde West tirou inspiração para orquestrar tais cenas. OS MERCENÁRIOS 2 é, sem dúvida, o ápice de sua carreira e espero que nos próximos trabalhos (sem a “supervisão” do Stallone) consiga resultados semelhantes.

Deram uma boa caprichada também nas coreografias, montagem e direção das cenas de luta. Dessa vez os atores encenam a trocação de porrada e... voilà, enxergamos todos os seus movimentos. Uma ceninha rápida do Jet Li derrubando uns meliantes, que não dura nem 20 segundos, é melhor que todas as cenas de luta do primeiro filme. O aguardado combate entre Stallone e Van Damme mantém o nível, além de ser agressivo à beça, com os dois atores encenando de forma convincente, o belga desferindo seus icônicos chutes rodados na cara do Stallone, etc. A única reclamação que tenho a fazer é quanto à duração. Stallone havia dito que seria a luta do século, blá blá blá... E eu acreditei. Ninguém avisou a ele que uma luta desse porte deveria ser um pouco mais longa para ser épica? Nada que estrague a diversão, é um mano-a-mano ótimo, com muita carga dramática, além de ter um significado maior para os fãs do gênero, a oportunidade de assistir o Rocky trocando socos com o Grande Dragão Branco. No entanto, o confronto que realmente me fez remexer na poltrona, um dos grandes momentos de OS MERCENÁRIOS 2, foi a luta entre Jason Statham e Scott Adkins. Também é curta, mas faz todo sentido ser assim, acontece no calor da ação, é urgente, enquanto a do Stallone e Van Damme possui toda a vibe grandiosa de clímax final. Podia ter durado mais um pouco… Bah!


Até porque o Van Damme está excelente como o cara vil, terrorista, assassino frio, sem coração! É um ser desprezível... e pra melhorar, o nome do personagem é... Vilain. Não escondo a admiração pelos filmes do sujeito, mesmo assim fiquei bastante surpreso com a sua personificação vilanesca. Parece até habituado a esse tipo de papel, mas se não estou enganado, o único bandido que ele havia feito antes foi o clone malvado em REPLICANTE*. Além disso, seu personagem é uma autêntica abordagem clássica de filmes de ação oitentista, cujas habilidades como lutador são tão boas quanto a dos heróis, diferente do Eric Roberts no anterior, que dependia de seus capangas. O belga rouba o filme sempre que surge em cena, a sorte dos outros atores é que sua participação é bastante limitada. Já o britânico Scott Adkins, apesar de ainda não estar em evidência no cinema mainstream, é outro nome a se destacar, interpretando o braço direito sádico de Van Damme. Fiquei extremamente feliz de vê-lo na tela grande, distribuindo alguns tiros e chutes, tendo uma morte horrível, digna de CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. Tomara que consiga chamar a atenção de pessoas mais competentes do que os realizadores de EL GRINGO, último trabalho do sujeito que eu conferi e que é um total desperdício.


E o que dizer da pequena participação de Chuck Norris? Era um mistério o que eterno Braddock iria aprontar por aqui. Digamos que sua entrada triunfal, em câmera lenta, com o tema de Ennio Morricone em TRÊS HOMENS EM CONFLITO, seja uma bela homenagem a este sujeito que fez a alegria de toda uma geração de pré-adolescentes nos anos 80 e 90. Seu personagem é quase um ser sobrenatural e as tiradas sobre a áurea mitológica adquirida na era da internet é simplesmente genial. Aliás, acertaram em cheio no humor de OS MERCENÁRIOS 2. Se vocês acharam o primeiro filme engraçadinho o bastante, ainda não viram nada! É praticamente metalinguagem em forma de piadas auto-referenciais. Schwarzenegger e Bruce Willis, por exemplo, finalmente entram na ação, ótimo, mas ambos funcionam mais como alívio cômico, soltando frases clássicas que marcaram suas carreiras. Quem também arrisca o papel de comediante é o Dolph. Gunner é o meu mercenário favorito do filme anterior, o herói maluco psicopata que se transforma em bandido, depois morre - mas na verdade não morre - e ressurge no final arrependido, de volta ao time dos mocinhos. Não me lembro de nenhum momento especial do Gunner em termos de ação neste aqui, no entanto, não faltam situações engraçadíssimas com o sujeito, especialmente quando tocam no lado biográfico do próprio ator. Para quem não sabe, Dolph possui um QI altíssimo e as piadas que surgem a partir disso são hilárias. Continua sendo o meu favorito da série.


Sem se preocupar tanto com a direção, Stallone tem mais tempo para se dedicar a Barney Ross, seu personagem, o manda-chuva dos mercenários. Dentre todos os action heroes saídos da gloriosa década de 80, Sly talvez seja o único com formação dramática, que sabe realmente construir tipos de personagem e trabalhar suas transformações. Basta vê-lo em ROCKY, F.I.S.T., o primeiro RAMBO e vários outros, para notar como o sujeito é um puta ATOR e não apenas um ícone ligado à ação. Uma pena que poucos conseguem reconhecer isso. Gosto da cena do enterro, uma demonstração de como ser sentimental, sem ser piegas, e Sly ainda finaliza com a máxima bad-assTrack 'em, find 'em, kill 'em!" No resto do filme ele entra na onda junto com o elenco e se diverte. Está cada vez mais com a aparência cansada, mas não impede de fazer boas piadas sobre suas condições físicas ao mesmo tempo em que entra na ação como um garoto, correndo, pulando e aplicando murros violentos no Van Damme. E o Jason Statham recebe novamente um pouco mais de destaque, pois funciona como espécie de elo para a nova geração de admiradores do cinema de ação, embora seus filmes nem se comparem com os clássicos do gênero dos anos 80. Até que se sai bem quando lhe é requisitado pelas suas habilidades físicas. A cena na igreja, disfarçado de padre, é um primor! Sobre os demais atores, o roteiro pode não ser perfeito, mas uma das grandes virtudes de OS MERCENÁRIOS 2 é conseguir, na medida do possível, fazer uma boa divisão para que cada figura tenha o seu momento de brilho. Dessa forma, até os personagens que acabam não tendo tanto destaque, também tenham ocasiões dignas para ganhar a simpatia do público, como Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth, Nan Yu, Jet Li (que sai de cena com 10 minutos de filme).

Mas o que realmente faz de OS MERCENÁRIOS 2 um acontecimento tão extraordinário é que em momento algum tem medo de se assumir como uma homenagem anacrônica do cinema de ação casca grossa e exagerado dos anos oitenta, cujo objetivo é apenas entregar ao espectador sequências de ação da maneira mais eletrizante possível, reunindo os velhos heróis daquele período tão marcante! Missão cumprida. O que eu realmente gostaria de abordar neste primeiro momento é isso, por enquanto. Já estou com vontade de rever! Proponho discutirmos mais assuntos relacionados ao filme na caixa de comentários, afinal, é pra isso que eu exponho minha opinião por aqui, pô!

PS: Já fico no aguardo do terceiro filme da série, que poderia ter Steven Seagal como vilão e Danny Trejo como seu capanga. E penso também que poderiam dar uma atenção na equipe do Trench (Arnoldão), trazendo de volta os mesmos atores que faziam parte da equipe do filme PREDADOR. Carl Weathers, Bill Duke, Jesse Ventura, Shane Black, Sonny Landham… os que estiverem vivos, claro. Fica a dica, Stallone!

*Atualização importante: O Gélikom me lembrou na caixa de comentários que o Van Damme foi vilão em NO RETREAT, NO SURRENDER. Caramba! Isso que dá escrever durante a madrugada, com sono... já até postei sobre a série inteira aqui no blog e não consegui me lembrar deste detalhe. 

16.8.12

THE LAST STAND - Trailer


Agradecimentos ao leitor Cristiano Moura que compartilhou essa beleza de trailer na timeline do Dementia 13 no Facebook. Valeu!

16.7.11

COMANDO PARA MATAR (1985)

aka COMMANDO
diretor: Mark L. Lester
roteiro: Steven E. de Souza

Detesto escrever sobre meus filmes favoritos, porque sempre acho que não vou conseguir encontrar palavras que estejam à altura da obra. Mas hoje eu revi COMANDO PARA MATAR, um dos filmes mais essenciais do cinema de ação classudo oitentista e um dos meus prediletos do gênero, tenho certeza que palavras vão me faltar para elogiar este colosso cinematográfico, mas resolvi arriscar, até porque depois de tantos anos, continua sendo refêrencia quando se trata de cinema de ação truculento, além de ser um dos trabalhos mais sólidos e divertidos do Arnold Schwarzenegger.

Obviamente todo mundo conhece a trama, a história do coronel John Matrix (Arnoldão) e sua violenta jornada para resgatar sua filha das mãos de mercenário que querem chantageá-lo e etc… É tudo bem simples, na verdade. O filme utiliza o carisma de Schwarzenegger de maneira eficiente e não faz muitos rodeios para mostrar ao público do que o sujeito é capaz em várias cenas de ação, pancadarias, perseguições de carro, fugas espetaculares, ingredientes necessários para dar um espetáculo e resgatar a filha!

A expressão “exército de um homem só” nunca se encaixou tão bem num personagem como em John Matrix. O sujeito simplesmente derruba, sozinho, um possível ditador e seu exército inteiro, utilizando somente suas habilidades, um arsenal colado no corpo e muito sangue frio pra matar sem o mínimo remorso, diferente dos “heróis” comportados e politicamente corretos desta geração, os quais John Matrix comeria no café da manhã. Também conta muito com a sorte, já que não é todo mundo que passa correndo em frente de centenas de metralhadoras sem levar um tiro sequer ou levar em consideração que atacar o covil do inimigo explodindo e metralhando tudo não faria os bandidos matarem sua filha… Mas tudo faz parte do charme...

A direção é de Mark L. Lester, substituindo John McTiernan, que rejeitou o projeto, mas acabou dirigindo o Arnoldão em PREDADOR e O ÚLTIMO GRANDE HERÓI. E temos uma história curiosa aqui. O roteirista Steven E. de Souza escreveu uma continuação de COMMANDO PARA MATAR, revisado pelo Frank Darabont, e com o McTiernan já acertado para dirigir. O Schwarzenegger é que rejeitou o projeto desta vez. O roteiro é baseado num livro de Roderick Thorp sobre um prédio tomado por terroristas... bom, então não vamos reclamar que John Matrix não tenha retornado, celebremos a criação de John McClaine em DURO DE MATAR, pois foi o que o roteiro desta continuação acabou se transformando! Já o Lester teve uma fase extremamente talentosa em determinado período no cinema de ação, mas nunca teve reconhecimento por isso. E nem vai ter. COMANDO PARA MATAR possui um trabalho de direção seguro e cenas de ação belissimamente bem orquestradas à moda antiga, sem qualquer firula e cacoetes do cinema atual. E não poupa o espectador de violência e muito sangue on-screen, como toda a sequência final, com Arnoldão enfrentando o exército sozinho numa batalha de proporções épicas!

E o que é a atuação do Schwarzenegger?! Já ouvi muita reclamação de pessoas dizendo que é um sujeito sem talento e canastrão. Concordo em partes, mas o que não falta a ele é inteligência e carisma! Tendo protagonizado CONAN e O EXTERMINADOR DO FUTURO, é com COMANDO PARA MATAR que Arnoldão afirma seu lugar entre os grandes do cinema de ação! Os seus diálogos são resumidos ao essencial, soltando apenas o necessário e algumas tiradas de efeitos geniais que complementam ainda mais o grau de insanidade que temos aqui! E claro, o que acaba importando mesmo, no fim das contas, é a sua capacidade física e o desempenho nas cenas de ação, como um tanque de guerra imparável, realmente de encher os olhos dos aficcionados pelo gênero.

O filme possui também um elenco memorável. Rae Dawn Chong é a aeromoça que acaba se enroscando na situação de Matrix e serve um pouco de alívio cômico; Alyssa Milano, ainda bem novinha, fazendo a filha raptada; o ótimo Bill Duke, Dan Hedaya e David Patrick Kelly como vilões (este último com uma das mortes mais legais do filme), assim como Vernon Wells, que é uma espécie de "chefão final" e que Matrix deve enfrentar no mano a mano. Mas uma das coisas mais geniais do filme é que Wells também possui um sentimento estranho por Matrix, algo que não se percebe quando você tem 7 anos de idade. O cara é afetadíssimo e não tenho a menor dúvida de que seja homossexual. Nada contra, quero deixar bem claro, até acho que enriquece ainda mais a obra, mas tenho a absoluta certeza de que o sonho dele era, na verdade, “lutar” pelado com o protagonista… e o mais interessante é que Matrix sabe disso! “Você gostaria de enfiar essa faca em mim!”, diz o herói para convencer o seu oponente a baixar a arma. E funciona! E reparem as expressões de prazer e desejo sexual que o Wells faz nesta cena. Sei muito bem que “faca” ele estava pensando em enfiar no Schwarza. Engraçado que outro filme do mesmo Mark L. Lester possui a mesma conotação gay. E é outro belo exemplar de ação casca grossa! Estou falando de MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS. É preciso ser um tanto ingênuo pra não perceber que o personagem do Brandon Lee é apaixonado pelo Dolph Lundgren… Genial!

Foi muito bom rever esta obra prima depois de tanto tempo. Mas ao final, dá uma sensação um pouco melancólica… COMANDO PARA MATAR é uma espécie cinematográfica que já se encontra extinta. Simplesmente não se faz mais filmes desta forma nos nossos dias, é fato. Exemplares assim existiam aos montes na era dourada do gênero nos anos 70, 80 e um pouco dos 90. Para sentir esse cinema, hoje, é preciso retornar aos filmes de outras épocas, mas tudo bem! O mais bacana disso tudo é que realmente não faltam motivos para ver e rever este e outros clássicos do cinema de ação.

12.7.11

ARNOLDÃO confirmado em THE LAST STAND...

... que é o próximo filme de Ji-Woon Kim, fazendo sua estréia em solo americano!


Se isso não for suficiente para alegrar seu dia, leia mais aqui.

20.5.11

Arnold

Ia postar algo sobre o quanto os atuais problemas pessoais do Schwarzenegger tem interferido no seu retorno ao cinema, mas aí encontrei essa imagem e... bem, vamos ficar apenas com a imagem.

30.7.10

ANIVERSÁRIO DO ARNOLDÃO

Em homenagem a um dos maiores ícones do cinema da minha infância, hoje fazendo aniversário, vamos de um top 10 dos meus filmes favoritos protagonizados pelo grande Arnoldão, também conhecido como Arnold Schwarzenegger. Estou levando em consideração a qualidade dos filmes e não as atuações, porque este tipo de talento por parte do sujeito, por mais que eu goste dele, não daria pra formar nem um top 3... hehe

1. CONAN – O BÁRBARO (1982), de John Millius

2. O VINGADOR DO FUTURO (Total Recall, 1990), de Paul Verhoeven

3. O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 (Terminator 2, 1991), de James Cameron

4. COMANDO PARA MATAR (Commando, 1985), de Mark L. Lester

5. PREDADOR (1987), de John McTiernan

6. TRUE LIES (1995), de James Cameron

7. O EXTERMINADOR DO FUTURO (Terminator, 1984), de James Cameron

8. INFERNO VERMELHO (Red Heat, 1988), de Walter Hill

9. O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (Last Action Hero, 1993), de John McTiernan

10. O SOBREVIVENTE (The Running Man1987), de Paul Michael Glaser

O homem tem ou não tem uma lista de filmes de respeito?

17.12.09

O VINGADOR DO FUTURO contagem de corpos...

Vídeo bem bacana contendo TODAS as cenas de morte d'O VINGADOR DO FUTURO, obra prima de Paul Verhoeven. Incluiram até a morte dos peixinhos do vilão...

25.11.09

O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (Last Action Hero, 1993), de John McTiernan

Revi outro dia O ÚLTIMO GRANDE HERÓI, um dos filmes mais importantes da minha pré-adolescência, que me fez compreender, ainda muito cedo, sobre questões que envolvem a magia do cinema, sobre a linha tênue que separa a fantasia da realidade, sobre os heróis de ação que fizeram minha cabeça ainda muito jovem, como Stallone, Van Damme, Steven Seagal, e claro, Arnold Schwarzenegger! E o mais legal é que esta verdadeira aula não soa chata nem pretensiosa, mas diverte a valer com uma narrativa embalada à doses de ação, muito humor, trilha sonora esperta, referências cinematográficas, enfim, é sempre um prazer rever essa jóia dos anos 90.

Um dos motivos que me fez gostar tanto de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI foi a condução narrativa através do ponto de vista de um garoto, com seus 13/14 anos, movie geek, apaixonado pelo bom e velho cinema de ação da mesma forma que muitos de nós éramos na mesma época. Que garoto não gostaria de vivenciar a libertação dos reféns em DURO DE MATAR acompanhado de John McLane, ou ter ido a marte em uma aventura sensacional com Douglas Quaid em O VINGADOR DO FUTURO? É esse tipo de sensação que o filme proporciona (O EXTERMINADOR DO FUTURO II é um bom exemplo também, mas não o faz como análise, mas como elemento dramático).

Na trama, o garoto recebe um bilhete mágico que misteriosamente o transporta para dentro do filme de ação cujo personagem principal é o famoso Jack Slater (vivido pelo Arnie), um policial durão bem ao estilo STALLONE COBRA. E todo o conceito do filme é trabalhado com o garoto tentando convencer Slater que todo aquele universo é, na verdade, uma mentira, um filme, gerando situações antológicas, como a sequência da vídeo locadora, onde Stallone é o ator estampado numa peça promocional de O EXTERMINADOR DO FUTURO II. Uma das minhas cenas favoritas é como o garotinho imagina a adaptação de Hamlet, de Shakespeare, com o Schwarzenegger no papel título, soltado a célebre "ser ou não ser?" para, logo depois, sair atirando com armas de fogo e lançando granadas para vingar a morte de seu pai, o rei da Dinamarca... Hahaha!

Arnoldão, aliás, está ótimo com seu personagem, muito à vontade, a todo momento soltando frases de efeito, brincando com a essência e a mitologia do herói dos filmes de ação. O sujeito consegue imprimir de maneira exata aquilo que o filme propõe: ser uma brincadeira das mais inteligentes sobre o mundo do cinema. O garotinho também contribui com isso, e os vilões são um conjunto de todos os estereótipos desta espécie, aliás, O ÚLTIMO GRANDE HERÓI vai buscar alusões, elementos e fundamentos dos filmes do gênero para enriquecer o discurso, como os exageros intencionais em sequências de ação, personagens extremamente caricatos, e se alguém aí não entender a piada, fica difícil gostar (e se você não gosta de filmes de ação, então esqueça).

O elenco é um destaque a parte, em especial na galeria de vilões, os quais inclui Anthony Quinn, Charles Dance, Tom Noonam e F. Murray Abraham (“Ele matou Mozart!”). Ainda temos Art Carney e Ian McKellen encarnando a Morte que sai do filme O SÉTIMO SELO, de Ingmar Bergman, e começa a vagar pelas ruas de Los angeles. A direção de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI também é muito boa, ajuda muito ter um John McTiernan comandando a produção. Já havia dirigido Arnoldão em PREDADOR, revolucionou o gênero com DURO DE MATAR e é um mestre com muita consciência naquilo que faz.

O ÚLTIMO GRANDE HERÓI talvez seja até perspicaz em demasia para seu público alvo, embora um putinho de 13 anos consiga entender tranquilamente, ou pelo menos sentir a experiência divertidíssima que é, embora a crítica na época, ao que parece, não entendeu muito bem a piada (já li algumas críticas que são verdadeiras palhaçadas ignorantes). Dedico este post ao leitor "Demofilo Fidani", que já me pediu duas vezes para escrever sobre o filme.

5.11.09

JOGO BRUTO (Raw Deal, 1986), de John Irvin

Dos filmes do Arnold Schwarzenegger que sempre estiveram presentes, me acompanhando durante a pré-adolescência, o único que eu ainda não havia revisto era JOGO BRUTO, um filme considerado menor na carreira do Arnoldão, mas ainda muito bom como veículo de ação para o ator. E somente este ano fui rever esta pequena pérola dos anos 80, que foi realizada entre dois filmes que obtiveram um sucesso bem maior que este aqui, COMANDO PARA MATAR e PREDADOR.

O personagem de Arnoldão é apresentado de uma forma bizarra, mas muito criativa e bem agitada, numa perseguição em alta velocidade onde dirige um jipe atrás de um policial de motocicleta! Quantas vezes você já viu um protagonista sendo introduzido ao filme perseguindo um policial? Pois então, é uma coisa linda de se ver. Mas logo depois, tudo acaba sendo bem explicado. Arnoldo interpreta um xerife de uma pequena cidade e o tal policial é apenas um sujeito que se passa por oficial para subornar os cidadãos indefesos. Uma excelente maneira de começar um filme...

Aos poucos vamos conhecendo mais a fundo a história do personagem de Arnoldão, que se chama Mark Kaminsky. Os roteiristas do filme devem ter suado um bocado para construir um personagem tão complexo: Kaminsky é um ex-policial de Nova York que quase acabou expulso da corporação por certos atos que julgou ser ético de sua parte, mas seus superiores classificaram como acima da lei. Graças a um amigo, conseguiu esse trabalho de xerife nessa cidadezinha do interior que sua mulher odeia e passa o dia inteiro bebendo e resmungando. Pobre Arnold...

Enfim, esse mesmo amigo que o ajudou num momento difícil, agora volta a entrar em contato com Kaminsky para que lhe retribua o favor. O filho desse velho amigo, que também era policial, foi morto enquanto protegia uma testemunha de um processo judicial na qual prejudicaria uma organização mafiosa, então ele oferece ao personagem de Arnoldo uma chance de ter seu velho emprego na cidade grande de volta. Basta que ele se disfarce de bandido, se infiltre entre os mafiosos e descubra os responsáveis pela morte do filho do amigão. Claro que isso é mais uma missão de vingança do velho do que qualquer outra coisa, mas também é uma oportunidade para que o protagonista dê um novo rumo à sua vida.

Kamisnky aceita, claro, mas antes ajeita alguns pequenos detalhes: finge sua morte, pinta o cabelo e muda o penteado, cria uma nova identidade, etc, essas coisas todas que sempre vemos nos filmes. Adota o nome falso de Joseph P. Brenner e voilà, temos aí um infiltrado na máfia pra nenhum defensor de CONFLITOS INTERNOS botar defeito! E o sujeito vira um casca grossa, chama a atenção ao brigar no cassino da gangue rival, é contratado e logo passa a conquistar a confiança de seus chefes. Só pra ter uma noção de como o sujeito é graúdo, em uma cena um sujeito desconfiado lhe pergunta “Josheph P. Brenner... What’s the “P” stand for?” e eis a resposta: “Pussy”.

Er… é um diálogo realmente muito bem bolado!

Um dos roteiristas de JOGO BRUTO se chama Norman Wexler. É interessante conhecer um pouco sobre esses caras pra tentar entender o gênio que existe na cabeça deles. Wexler, por exemplo, foi considerado promissor entre os roteiristas americanos no inicio da década de 70. Em 1972 foi preso por ameaçar matar Richard Nixon (!!!) e em 1974 quase recebeu um Oscar pelo roteiro de SERPICO. Enfim, são curiosidades fúteis, mas ajudam a conhecer os responsáveis por um diálogo como aquele ali em cima.

O diretor John Irvin, hoje praticamente esquecido (e com razão, já que não faz nada muito interessante há um bom tempo) deu sua contribuição para o cinema de ação dos anos oitenta em filmes como DOGS OF WAR, com o Christopher Walken. Faz um bom trabalho por aqui também, sem dúvida, mas convenhamos, o grande destaque é o Arnoldão (outra grande figura que aparece em cena é o Robert Davi, como o mafioso desconfiado, sempre tentando atrapalhar o disfarce de Kaminsky).

O Arnoldo foi um sujeito que conseguiu fazer umas boas escolhas durante a carreira (tirando algumas comédias chatas dos anos 90 e alguns dos últimos filmes que fez) e um sujeito que tem no currículo CONAN – O BÁRBARO, os dois EXTERMINADORES, O VINGADOR DO FUTURO, COMANDO PARA MATAR, O SOBREVIVENTE e PREDADOR, merece mais respeito daqueles que dizem que ele é apenas uma montanha de músculo que não sabe atuar (ok, ele não sabe, mas pelo menos é um gênio na escolha de seus personagens). JOGO BRUTO também merece mais destaque. Não é tão consistente quanto seus outros filmes do mesmo período, mas a diversão é garantida.