aka COMMANDO
diretor: Mark L. Lester
roteiro: Steven E. de Souza
Detesto escrever sobre meus filmes favoritos, porque sempre acho que não vou conseguir encontrar palavras que estejam à altura da obra. Mas hoje eu revi COMANDO PARA MATAR, um dos filmes mais essenciais do cinema de ação classudo oitentista e um dos meus prediletos do gênero, tenho certeza que palavras vão me faltar para elogiar este colosso cinematográfico, mas resolvi arriscar, até porque depois de tantos anos, continua sendo refêrencia quando se trata de cinema de ação truculento, além de ser um dos trabalhos mais sólidos e divertidos do Arnold Schwarzenegger.
Obviamente todo mundo conhece a trama, a história do coronel John Matrix (Arnoldão) e sua violenta jornada para resgatar sua filha das mãos de mercenário que querem chantageá-lo e etc… É tudo bem simples, na verdade. O filme utiliza o carisma de Schwarzenegger de maneira eficiente e não faz muitos rodeios para mostrar ao público do que o sujeito é capaz em várias cenas de ação, pancadarias, perseguições de carro, fugas espetaculares, ingredientes necessários para dar um espetáculo e resgatar a filha!
A expressão “exército de um homem só” nunca se encaixou tão bem num personagem como em John Matrix. O sujeito simplesmente derruba, sozinho, um possível ditador e seu exército inteiro, utilizando somente suas habilidades, um arsenal colado no corpo e muito sangue frio pra matar sem o mínimo remorso, diferente dos “heróis” comportados e politicamente corretos desta geração, os quais John Matrix comeria no café da manhã. Também conta muito com a sorte, já que não é todo mundo que passa correndo em frente de centenas de metralhadoras sem levar um tiro sequer ou levar em consideração que atacar o covil do inimigo explodindo e metralhando tudo não faria os bandidos matarem sua filha… Mas tudo faz parte do charme...
A direção é de Mark L. Lester, substituindo John McTiernan, que rejeitou o projeto, mas acabou dirigindo o Arnoldão em PREDADOR e O ÚLTIMO GRANDE HERÓI. E temos uma história curiosa aqui. O roteirista Steven E. de Souza escreveu uma continuação de COMMANDO PARA MATAR, revisado pelo Frank Darabont, e com o McTiernan já acertado para dirigir. O Schwarzenegger é que rejeitou o projeto desta vez. O roteiro é baseado num livro de Roderick Thorp sobre um prédio tomado por terroristas... bom, então não vamos reclamar que John Matrix não tenha retornado, celebremos a criação de John McClaine em DURO DE MATAR, pois foi o que o roteiro desta continuação acabou se transformando! Já o Lester teve uma fase extremamente talentosa em determinado período no cinema de ação, mas nunca teve reconhecimento por isso. E nem vai ter. COMANDO PARA MATAR possui um trabalho de direção seguro e cenas de ação belissimamente bem orquestradas à moda antiga, sem qualquer firula e cacoetes do cinema atual. E não poupa o espectador de violência e muito sangue on-screen, como toda a sequência final, com Arnoldão enfrentando o exército sozinho numa batalha de proporções épicas!
E o que é a atuação do Schwarzenegger?! Já ouvi muita reclamação de pessoas dizendo que é um sujeito sem talento e canastrão. Concordo em partes, mas o que não falta a ele é inteligência e carisma! Tendo protagonizado CONAN e O EXTERMINADOR DO FUTURO, é com COMANDO PARA MATAR que Arnoldão afirma seu lugar entre os grandes do cinema de ação! Os seus diálogos são resumidos ao essencial, soltando apenas o necessário e algumas tiradas de efeitos geniais que complementam ainda mais o grau de insanidade que temos aqui! E claro, o que acaba importando mesmo, no fim das contas, é a sua capacidade física e o desempenho nas cenas de ação, como um tanque de guerra imparável, realmente de encher os olhos dos aficcionados pelo gênero.
O filme possui também um elenco memorável. Rae Dawn Chong é a aeromoça que acaba se enroscando na situação de Matrix e serve um pouco de alívio cômico; Alyssa Milano, ainda bem novinha, fazendo a filha raptada; o ótimo Bill Duke, Dan Hedaya e David Patrick Kelly como vilões (este último com uma das mortes mais legais do filme), assim como Vernon Wells, que é uma espécie de "chefão final" e que Matrix deve enfrentar no mano a mano. Mas uma das coisas mais geniais do filme é que Wells também possui um sentimento estranho por Matrix, algo que não se percebe quando você tem 7 anos de idade. O cara é afetadíssimo e não tenho a menor dúvida de que seja homossexual. Nada contra, quero deixar bem claro, até acho que enriquece ainda mais a obra, mas tenho a absoluta certeza de que o sonho dele era, na verdade, “lutar” pelado com o protagonista… e o mais interessante é que Matrix sabe disso! “Você gostaria de enfiar essa faca em mim!”, diz o herói para convencer o seu oponente a baixar a arma. E funciona! E reparem as expressões de prazer e desejo sexual que o Wells faz nesta cena. Sei muito bem que “faca” ele estava pensando em enfiar no Schwarza. Engraçado que outro filme do mesmo Mark L. Lester possui a mesma conotação gay. E é outro belo exemplar de ação casca grossa! Estou falando de MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS. É preciso ser um tanto ingênuo pra não perceber que o personagem do Brandon Lee é apaixonado pelo Dolph Lundgren… Genial!
Foi muito bom rever esta obra prima depois de tanto tempo. Mas ao final, dá uma sensação um pouco melancólica… COMANDO PARA MATAR é uma espécie cinematográfica que já se encontra extinta. Simplesmente não se faz mais filmes desta forma nos nossos dias, é fato. Exemplares assim existiam aos montes na era dourada do gênero nos anos 70, 80 e um pouco dos 90. Para sentir esse cinema, hoje, é preciso retornar aos filmes de outras épocas, mas tudo bem! O mais bacana disso tudo é que realmente não faltam motivos para ver e rever este e outros clássicos do cinema de ação.
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16.7.11
24.9.10
CHARLIE VALENTINE (2009), de Jesse V. Johnson
Não sendo dirigido por um desses sujeitos sem personalidade que tem assolado o cinema hollywoodiano atual, fica difícil para um fã de bons elencos resistir a um filme de gangster como CHARLIE VALENTINE, que conta com Raymond J. Barry, James Russo, Tom Berenger, Steven Bauer, Keith David, Dominiquie Vandenberg, Vernon Wells, Jerry Trimble e até Matthias Hues!!! Ainda que alguns deles façam apenas aparições do tipo “entra mudo e sai calado”, um enquadramento contendo várias dessas velhas figuras da velha guarda do cinema de ação já vale o filme inteiro.
E para nossa sorte, o diretor não é um desses pau-mandados qualquer. Trata-se do talentoso Jesse V. Johnson, que é simplesmente o responsável pelo melhor filme de 2010 lançado diretamente no mercado de vídeo até o momento: THE BUTCHER, com Eric Roberts. Jesse vem desenvolvendo uma espécie rara de cinema dentro do cerco independente americano, buscando sempre um processo de imersão no submundo do crime, protagonizado por gangsters maduros de meia idade.
J. Barry é o personagem-título, um mafioso sessentão que se mete numa enrascada dos diabos com um chefão do crime local, vivido por um assustador James Russo, após tentar um último golpe. Com o fiasco, seguido de tragédia, Charlie V. foge da cidade e busca refúgio no último lugar que ainda lhe resta: na casa do seu filho que há muito tempo não o vê. É aí que Charlie toma consciência de quão insignificante sua vida tem sido e tenta se reencontrar nessa jornada moral representada pela reaproximação com o filho. CHARLIE VALENTINE é mais um drama cerebral e emotivo, com alguns tiroteios, do que um filme de ação físico de fato - algo um tanto diferente daquilo visto em THE BUTCHER.
Mas quando precisa ser brutal, o filme não poupa o espectador de uma boa dose de violência, sangue e rombos causado por balas em tiroteios muito bem filmados à moda antiga. O público jovem deverá estranhar o ritmo dessas sequências, montadas de maneira cadenciada, feias, sem grandes movimentações de câmera, do jeito que deve ser. Na verdade, acho que o público jovem, de um modo geral, deveria manter uma certa distância de CHARLIE VALENTINE. As cenas de ação acabam servindo de bônus. A narrativa é tão bacana de acompanhar que mesmo se os tiroteios fossem cortados, o filme ainda funcionaria.
O que realmente seria um problema em CHARLIE VALENTINE era se o conjunto de atuações dos principais atores do elenco não funcionasse. Mas não vem ao caso. Raymond J. Barry está em estado de graça e carrega o filme tranquilamente. Faz pose de velho sábio, mas sabemos que se trata de um badass de primeira linha. Michael Weatherly, que vive o seu filho, também tem um desempenho sólido, James Russo rouba todas as cenas nas quais aparece e Steven Bauer é outro destaque. O restante do elenco, já citado, vale pelas aparições, deixando o filme com um charme a mais.
CHARLIE VALENTINE não está isento de problemas, possui algumas soluções mal resolvidos em determinados pontos, claramente causados pela falta de verba da produção, mas cumpre muito bem a sua proposta de ser um B movie sério de gangster e um belo estudo de personagem. Lembra aqueles filmes menores, mas mais ousados e simpáticos, feito nos anos 40 e 50, com o dinheiro que sobrava das produções classe A. Tomara que tenha lançamento por aqui.
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