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19.5.13

MARTIAL LAW (1990)


Então para acabar com a preocupação de todos, resolvi aproveitar um intervalo nesse domingo para escrever sobre qualquer tralha. Isso mesmo, tralha... Confesso que exagerei no último post. Esbravejei ódio sobre “filmes que de tão ruim chegam a ser bom”, e acabei percebendo que, na verdade, ainda amo esse tipo de coisa. Sim, criei outro blog para um determinado tipo de cinema, mas para esclarecer de uma vez, as coisas no Dementia 13 não vão mudar... talvez o template mude de novo... vamos ver...

Por isso, escolhi um dos piores filmes que vi nos últimos tempos (e não é do tipo que chega a ser bom). MARTIAL LAW é um filmeco de ação policial que mistura artes marciais e tem como protagonistas o sósia do Mickey Rourke, Chad McQueen (filho do grande Steve), e a musa da pancadaria, Cynthia Rothrock. E mais, David Carradine fazendo o grande vilão, um chefe do sindicato do crime que gosta de cair na porrada contra seus desafetos. McQueen e Rothrock são um casal de namorados e também policiais e estão na cola de Carradine. O problema é quando o irmão mais novo do herói começa trabalhar para o mafioso.

Mesmo com um plot básico e besta como esse em mãos, os realizadores tiveram a capacidade de fazer um filme tosco, sem foco, travado... Que desperdício! É tão ruim que nem encontrei imagens para ilustrar o post. então vai um trailer... dublado em alemão, que, acreditem, é melhor que o filme inteiro:



Mas ainda assim é muito bom poder ver o velho David Carradine como um típico vilão clássico dos filmes de ação dos anos 80 e 90. Não basta ter apenas o coração duro, cheio de maldade e chefiar uma rede de crimes, o sujeito ainda conhece técnicas proibidas de artes marciais, que matam com o poder das mãos. É o toque da morte! O personagem usa essas qualidades mortais em algumas ocasiões, no grandalhão Professor Toru Tanaka, por exemplo. MARTIAL LAW tem várias sequências de pancadaria e até são bem feitas. Mas parece que falta algo, falta um elemento de diversão, uma graça (não diria humor, mas realmente se leva muito à sério), uma trama mais bem definida, até uma perseguição de carro talvez contribuísse para o andamento...

MARTIAL LAW teve ainda duas continuações. E apesar desta primeira parte ser um tanto medíocre, algumas coisas são corrigidas nas sequências. Mas ainda assim, este filme me traz algumas reflexões... Por que há duas continuações dessa porcaria? Será que o público da época ao se deparar com esta obra prima clamou por outros filmes? Vai saber... mas é por isso que eu adoro os filmes B de ação dos anos 90. E se eu parar de escrever sobre esse tipo de coisa em língua portuguesa, quem é que vai escrever? É por isso que eu vou me manter firme e forte por aqui. Obrigado a todos que comentaram no último post, e também os que não comentaram, são vocês que fazem isso aqui acontecer.

28.2.13

AMERICAN NINJA V (1993)

Ufa! Finalmente chegamos ao quinto e último filme da série AMERICAN NINJA! Já não aguentava mais escrever sobre sujeitos de pijama levando cacetada. Até porque depois do segundo filme, o nível da franquia cai absurdamente, com exceção do quarto capítulo, que ainda possui alguma graça.

Mas vamos lá. AMERICAN NINJA V possui duas peculiaridades principais:

a) É o único filme da série que não possui qualquer ligação direta com os demais episódios;

b) É o pior filme da série.

A questão “a” implica que agora tenhamos um novo protagonista. Ou seja, um outro americano que, por um acaso, possui conhecimento de ninjitsu. Portanto, David Bradley não repete seu personagem, Sean Davidson, mas um tal de Joe Kastle que o filme não faz muita questão de explicar suas origens, sua personalidade, mas acaba não fazendo muita diferença, já que versatilidade não está no repertório do ator em questão. É o Bradley... Ele poderia fazer Hamlet ou o Conde Drácula que seu desempenho seria praticamente o mesmo.
David Bradley se esforçando para demonstrar uma expressão de regozijo.
A maneira como seu personagem entra na aventura, por exemplo, é simplesmente ridícula. Sabemos que Kastle mora num barco e treina karatê... e é só. Então, o Pat Morita, eterno Sr. Miyagi, que havia sido seu mestre ninja, lhe pede para cuidar de seu sobrinho durante um período de férias. Kastle também tem um encontro meio romântico marcado com uma garota que também possui um barco. Bem maior que o dele, aliás. Como os roteiristas deveriam estar passando por um periodo de bloqueio criativo, calhou da moça ser a filha de um cientista que precisa de uma motivação a mais para construir uma arma secreta para o vilão do filme. O sujeito não quer construir tal coisa, portanto, essa motivação acaba sendo o sequestro da sua filha. E, vejam só, que sorte, o sequestro acontece bem no meio do encontro com o protagonista!
Bradley e o moleque precisam agora resgatar a moça. Isso consiste em entrar escondido no avião que a moça está sendo levada - novamente para um país subdesenvolvido qualquer - lutar contra vários ninjas de roupa colorida, ensinar o moleque o caminho do ninjitsu, enfrentar o James Lew vestido de M. Bison e salvar o dia!
À primeira vista, pela descrição acima, AMERICAN NINJA V não parece corresponder tanto a questão "b", a de ser um exemplar tão ruim. Já comentei filmes que parecem bem piores, mas que acabam divertindo exatamente pelo grau de ruindade. O que acontece aqui é a presença do então ator mirim Lee Reyes, o tal garoto que o Bradley precisa ficar de olho, mas que acaba entrando na aventura. O moleque é um pé no saco! Não tem carisma, não tem química com o herói, não serve de alívio cômico, só prestou mesmo para me irritar profundamente.
E é o FILME INTEIRO o moleque enchendo a paciência. A gota d’água foi a sequência que Bradley decide interromper a missão de salvar a moça e o cientista, que poderiam morrer a qualquer momento, para ensinar o moleque a lutar. O pior é que logo na cena seguinte, o puto já está lutando como um verdadeiro mestre e enfrenta vários capangas ao mesmo tempo! Sinto muito, mas é ridículo até para os meus padrões. AMERICAN NINJA V não dá... Talvez daqui uns vinte anos eu dê outra oportunidade.

20.2.13

AMERICAN NINJA IV: THE ANNIHILATION (1990)

AMERICAN NINJA sem Michael Dudikoff é o mesmo que pizza sem Coca-Cola. Não dá jogo. Não teve David Bradley que o substituísse. Sendo assim, resolveram trazer o homem de volta para o quarto filme da série. Na verdade, parece que haviam algumas obrigações contratuais e Dudikoff não teve como escapar. Mas só a sua presença neste aqui já coloca AMERICAN NINJA IV muito acima do episódio anterior.

No entanto, se notarem o cartaz aí ao lado, vão perceber que aparecem juntos o Michael Dudikoff E o David Bradley. Já que, infelizmente, o Steve James dessa vez não estava disponível, mantiveram o Bradley no elenco.

Mas vamos à trama. Bradley começa AMERICAN NINJA IV como suposto protagonista. Do capítulo anterior pra cá, de alguma maneira, seu personagem, Sean Davidson, se tornou um agente do governo americano. É, então, enviado a mais um país subdesenvolvido qualquer para resgatar um grupo de soldados americanos que foi capturado por ninjas comandados por um sádico e ganancioso militar britânico que toca o terror no local. E para mostrar a incompetência do Bradley, não demora muito para ele ser capturado e colocado junto com os reféns que ele deveria resgatar...
É aí que o governo americano convoca alguém que sabe das coisas. Um herói de verdade. É aí que entra o bom e velho Joe Armstrong de Dudikoff. O sujeito chega no local, arrebenta com todos os ninjas que aparecem à sua frente, se junta a um bando de rebeldes vestidos de figurantes da série MAD MAX, invade a base de treinamento ninja, encara o mestre ninjitsu que nunca pode faltar, derruba o poderoso vilão, resgata todo mundo que o Bradley deveria resgatar, inclusive o Bradley, e caminha em direção ao por do sol. The End.
A direção de AMERICAN NINJA IV ficou sob a responsabilidade do mesmo indivíduo do filme anterior, Cedric Sundstorm. Pelo visto, ele aprendeu com seus erros. De uma forma geral, as sequências de ação até que não são ruins. Claro, elogio uma evolução do Sundstorm na direção mesmo tendo consciência de que falta muito feijão para o sujeito ser um Sam Firstemberg. No entanto, o filme possui algumas lutas bem encenadas, uma boa dose de tiros e explosões, alta contagem de corpos que vão dar conta de divertir o público certo.
Só para dar um exemplo, há uma cena em que um grupo de ninjas ataca Dudikoff. No meio da luta, dois ninjas seguram os braços do herói enquanto um terceiro lhe atira uma flecha. O protagonista simplesmente segura o objeto com os DENTES! E não é só isso! Com um movimento de cabeça, ainda com a flecha presa na arcada dentária, ele consegue “apunhalar” o pescoço de um dos ninjas! Expliquem-me, como não gostar de um filme que possui uma cena dessas?

Em comparação com os dois primeiros AMERICAN NINJA, este aqui ainda perde feio, mas, como podem notar, tem lá sua graça, especialmente depois que Dudikoff entra em cena. O quinto filme volta a ser do David Bradley. E volta a ser uma grande decepção também...

16.2.13

AMERICAN NINJA III: BLOOD HUNT (1989)


Já começamos mal neste aqui pela ausência do Sam Firstenberg na direção, que não era lá um John Woo, mas pelo menos comandou os dois filmes anteriores muito bem à sua maneira. E também sentimos falta do protagonista Joe Armstrong, encarnado pelo Michael Dudikoff, que resolveu dar um tempo para não ficar tão marcado pela série. Só que o sujeito se deu mal. Além de não conseguir deslanchar na carreira (a não ser em produções de baixo orçamento), dificilmente não terá seu nome associado à série AMERICAN NINJA.

Mas antes fossem apenas esses os principais problemas de AMERICAN NINJA III. O filme é decepcionante em vários sentidos possíveis.


De qualquer forma, cá estamos. Chegamos ao terceiro filme da saga dos ninjas americanos, dirigido agora por um tal de Cedric Sundstrom. Você leu direito, eu escrevi ninjas no plural. Porque o lugar de Joe é ocupado agora por Sean Davidson, vivido por David Bradley, que na infância viu seu pai ser assassinado e acabou sendo criado por um mestre ninjitsu e agora é o novo ninja americano. A história transcorre com ele já adulto, indo a uma ilha paradisíaca para disputar um torneio de artes marciais, sem saber que, na verdade, um magnata da indústria farmacêutica pretende encontrar o lutador mais forte para que possa carregar uma arma biológica em seu corpo.

Ah, um detalhe importante. O bandido comanda um exército de ninjas, é claro!

Sean mal faz sua primeira luta no torneio e já se torna alvo. Por algum motivo, o vilão ignora a presença de Curtis Jackson no local, obviamente muito mais forte. Sim! Ao menos Steve James marca presença por aqui. Além dele, temos um lutador americano todo amigão a quem Jackson se refere como Júnior e uma ninja japonesa que trabalha para o magnata, mas decide virar casaca e ajudar Bradley e sua turma.


A trama se desenvolve de maneira bem tola, como nos dois episódios anteriores. Mas por conta de alguns fatores, a coisa não corre muito bem. O diretor e o astro dos outros filmes realmente fazem falta, mas as cenas de luta também comprometem a diversão, são bem amadoras e sem graça, o filme não possui aquela energia das sequências de ação como em AMERICAN NINAJ I e II e não tem mais a química entre os personagens. A coisa pode ficar ainda pior quando se faz uma maratona com todos os filmes em sequência. Assistir a este terceiro logo após os dois clássicos que o precedem é pedir para se aborrecer.

Será que o pessoal da Cannon precisava mesmo de mais título AMERICAN NINJA? E por que colocar um sujeito que ninguém conhecia na época como protagonista numa série que, naquela altura, era famosa, fez bastante sucesso? David Bradley até realizou alguns filmes legais mais tarde, como HARD JUSTICE, mas nunca conseguiu substituir o Dudikoff...


Caramba! Faria mais sentido se pegassem apenas o personagem do Steve James e fizessem uma aventura só pra ele... mesmo que não tivesse mais um "ninja americano".

Enfim, AMERICAN NINJA III só não é a ovelha negra da série porque o quinto capitulo consegue ser muito pior. Aqui, pelo menos, temos Steve James badass distribuindo tiros e porrada em ninjas. O que já vale uma espiada para quem é fã do sujeito ou completista da série.

15.2.13

AMERICAN NINJA 2: THE CONFRONTATION (1987)


AMERICAN NINJA 2 foi reprisado um zilhão de vezes na Sessão da Tarde, no fim dos anos 80 e início dos 90, e devo ter conferido todas! Ok, exagero... Mas bastou colocar o filme na agulha ontem para rever e as suas cenas e imagens começaram a surgir na minha mente de maneira nostálgica, como se eu estivesse retornando a um lugar muito familiar...

A continuação de AMERICAN NINJA, realizado dois anos depois, reúne novamente o diretor Sam Firstenberg e o astro Michael Dudikoff, numa aventura mais simples, com mais ação e muito mais do melhor que já havia no filme anterior: STEVE JAMES! Dessa vez ele deixa de ser apenas um coadjuvante cool e badass e passa a ser um parceiro inseparável cool e badass, que divide a tela com o herói em quase todos os momentos. E quanto mais Steve James, melhor!


Na trama, Joe Armstrong (Dudikoff) e Curtis Jackson (James), em missão para o governo americano, são enviados a uma base da marinha numa ilha caribenha para tentar desvendar os misteriosos sequestros de fuzileiros navais norte americanos no local. Ninguém faz a menor ideia dos motivos e quem está por trás desses atos. Mas nós sabemos. São os Ninjas! 


Na verdade, o que temos aqui é um lance meio sci-fi. Trata-se da operação de um cientista maluco que pretende utilizar os soldados sequestrados como cobaias para fazer experiências de clonagem, criando uma nova raça de super ninjas! Porque o negócio é complicado... Se depender dos ninjas dessa franquia, como visto no filme anterior, os bandidos estão perdidos! Até o faxineiro do quartel consegue chutar a bunda desses ninjas de araque. E em AMERICAN NINJA 2, a coisa segue pelo mesmo caminho... acho que é por isso que estão tentando criar super ninjas. É, agora sabemos os motivos. Só me falta desvendar que "confrontation" é esse do título original... há uns 50 confrontos durante o filme, pô!

Enfim, assim que chegam à ilha, Joe e Jackson percebem como as coisas funcionam. Uma moleza! Os fuzileiros não querem chamar a atenção no local e usam roupas de surfistas para despistar. O próprio comandante da base, Wild Bill, dá o exemplo:


A primeira missão dos dois heróis, como forma de tentar descobrir os mistérios dos sequestros, é dar um mergulho numa praia paradisíaca. Ainda bem que de vez em quando o enredo nos lembra que estamos vendo um filme de ação. Portanto, não demora muito para que alguns ninjas entrem em cena para que Joe e Jackson lhes dêem uma bela surra.


E aos poucos os dois protagonistas vão fazendo descobertas, tendo ajuda das obviedades do roteiro. É possível que AMERICAN NINJA 2 seja ainda mais bobo que anterior, com uma trama básica, que é só um fiapo, mas compensada pela quantidade de sequências de luta. E em comparação com o primeiro filme, o nível das lutas é um pouco melhor. Especialmente as protagonizadas por Michael Dudikoff, que agora exibe uma movimentação mais convincente.

Já o seu desempenho dramático permanece o mesmo, com aquela expressividade que faria Steven Seagal sentir inveja. Como action heroe consegue passar segurança tranquilamente. Mas o grande destaque é Steve James. É ele quem fornece todo o carisma que falta a Dudikoff. O sujeito é engraçado, enegético e badass ao mesmo tempo. Algumas das melhores sequências do filme estão sob sua responsabilidade, seja para soltar uma frase de efeito ou quebrando braços de ninjas. Como disse no texto de AMERICAN NINJA, Steve James é o cara!


No entanto, os vilões de AMERICAN NINJA 2 não são tão marcantes quanto poderiam ser. Temos novamente outro mestre da arte ninjitsu, dessa vez interpretado por Mike Stone, que até consegue ser ameaçador, mas lhe falta alguma coisa. Talvez uns raios lasers da manga do seu uniforme ninja (apesar de apelar para uma escopeta na hora do desespero). E o cabeça da operação maléfica, conhecido como The Lion, está longe de ser um daqueles bandidos com personalidade que geralmente este tipo de filme possui.



Mas no fim das contas, esses e outros detalhes passam batido. AMERICAN NINJA 2 está tão empenhado em criar um espetáculo de pancadaria que acaba sacrificando alguns pontos que poderiam ser melhor explorados. Mas ao mesmo tempo, o resultado é um filme de ação movimentadíssimo do início ao fim, com destaque para o porradeiro na praia, as duas sequências de luta que acontecem num bar, e o gran finale, mais uma vez um exército ninja enfrentando um grupo de fuzileiros enfezados enquanto Dudikoff faz um duelo com o mestre ninja. Talvez não seja melhor, mas AMERICAN NINJA 2 consegue ser tão divertido quanto ao filme anterior. O mesmo já não se pode dizer do terceiro... Mas é assunto para um próximo post.


14.2.13

AMERICAN NINJA (1985)


Em uma época em que os adeptos da arte ninjitsu bombavam nas telas de cinema e vídeo locadoras, AMERICAN NINJA, produzido pela saudosa Cannon Group e dirigido por Sam Firstenberg, teve a proeza de ser um dos mais representativos exemplares realizados no ocidente. Pelo menos é a impressão que eu tenho. É um daqueles filmes que bate uma nostalgia boa dos velhos tempos, de quando éramos crianças, chegávamos em casa depois da aula e podíamos assistir a um filme de luta passando na TV. Como eu tenho pena da molecada de hoje...

Enfim, curiosamente, apesar do meu gosto por esse tipo de produção, nunca mais revi AMERICAN NINJA depois daquela época... Até ontem! Podemos dizer que ainda se trata de uma obra prima para o olhar ingênuo e infantil, mas vê-lo hoje é perceber como é muito mais bobo do que se espera e cheio de falhas. Mas por que estragar a diversão importando-se com esses detalhes? É exatamente o fator “tão ruim que chega a ser bom” que dá um charme interessante... O negócio é relaxar e deixar a coisa acontecer.


Vamos falar sobre Joe. Michael Dudikoff, hoje praticamente esquecido, interpreta Joe Armstrong, um sujeito aparentemente calmo, caladão e sereno, que gosta de ficar na sua, prestando serviços como bom soldado do exército americano numa ilha qualquer do pacífico. Ah, um detalhe importante sobre Joe: ele é um ninja. Não se sabe como nem porque adquiriu as habilidades ninjtsu, já que sofre de amnésia, mas quando surge necessidade, luta como um mestre ninja, sabe utilizar qualquer tipo de arma ninja, consegue espreitar como um ninja, segura com a mão flechas atiradas em sua direção, enfim, ele é um ninja. E é americano. O que faz dele o AMERICAN NINJA!


A trama é bastante simples. O alto escalão do exército se envolve com um traficante de armas, que por um acaso possui um campo de treinamento ninja no quintal, para praticarem vendas de mercadoria bélica do exército no mercado negro. A sorte é que Joe descobre tudo e começa a atrapalhar a vida dos bandidos de várias maneiras possíveis.

Joe conta com a ajuda de Jackson, interpretado pelo grande Steve James. A princípio, os dois não se dão muito bem e Jackson tenta lhe dar uma surra. Mas acaba facilmente derrotado e, como resultado, tornam-se grandes amigos. E Dudikoff vá me desculpar, mas Steve James é o cara! Sempre foi. Em todo filme que aparece rouba facilmente a atenção para si e aqui não é diferente. Sua morte prematura, aos 41 anos, foi uma das grandes perdas do cinema de ação classe B, no início dos anos 90, devido a um câncer no pâncreas.


Já o Dudikoff, apesar de não ser lá grande coisa como ator, até consegue demonstrar algum potencial como herói de ação. Os roteiristas ainda lhe fizeram o favor de lhe dar poucas falas, apenas o essencial, o que ajuda bastante. Mas é um sujeito que, aparentemente, administrou mal sua carreira e, ainda que sempre estivesse presente no cenário de ação menos abastado, deixa a impressão de que poderia ter ido mais longe. Um fato curioso é que a escolha inicial para viver o ninja americano do título era ninguém menos que Chuck Norris (e o diretor, Joseph Zito, a mesma dupla de INVASÃO USA). Esse tipo de peça publicitária chegou a veicular na época:


Outro destaque de AMERICAN NINJA é o nemesis de Joe, o mestre ninja que comanda o exército inimigo, encarnado por Tadashi Yamashita. O sujeito é tão mau que mata sem piedade até seus próprios aprendizes em um treinamento demonstrativo, só para provar seu grau de malvadeza insana. Imaginem o que não faz com seus inimigos. E o que é um filme de ação dos anos 80 sem um vilão corporativo, homem de negócios? Don Stewart ficou com a responsabilidade de interpretar Victor Ortega, o traficante de armas sem coração que sequestra até a filha do coronel para concluir seus negócios. Ainda no elenco temos John Fujioka, como o mestre de Joe, e a belezinha Judie Aronson, par romântico de Joe, que usa umas roupas para nos lembrar que estamos vendo um filme dos anos 80.



É preciso analisar com calma a questão da ação em AMERICAN NINJA. Sam Firstenberg não é nenhum Corey Yuen ou Chang Cheh, portanto, não esperem elaboradas sequências de luta ou que Dudikoff apresente complexos e acrobáticos movimentos de artes marciais. Alguns momentos de porrada são tão fajutos que os ninjas dão a impressão de que nunca deram um soco na vida! É fato que o próprio Dudikoff não sabia encenar um mísero chute com estilo antes de começarem as filmagens.

No entanto, se a ação não é de alta qualidade, também está longe de ser uma porcaria, e a quantidade de sequências de ação se encarrega do resto. Até porque Firstenberg sabe criar um espetáculo com todos os ingredientes necessários que o gênero permite. Há uma abundância de pancadarias, pelejas com armamento ninja, tiroteios, explosões, perseguições do tipo que o carro mal encosta numa árvore e já causa uma tremenda explosão, além de uma batalha de proporções épicas ao final, com o exército ninja e os capangas de Ortega enfrentando os soldados americanos.



O confronto final entre Dudikoff e Yamashita, ambos vestido com o pijama preto ninja, é sensacional. O vilão possui vários truques inacreditáveis escondidos na vestimenta, como um lança-chamas (!!!) e até um raio laser que dispara pra cima do herói. E a cena que Steve James entra na batalha disparando tiro para todos é totalmente badass!


Independente se você é criança ou adulto (contanto que seja um admirador de cinema de ação classe B), uma coisa é certa. Quando tu sentas para assistir a AMERICAN NINJA, noventa minutos de pura diversão são garantidos. Não espere nada mais além disso. Se você tiver seis anos então, vai querer sair por aí experimentando a arte ninjitsu com os amigos. Eu já estou um bocado velho pra isso, mas lembro perfeitamente que na época que assisti a esses filmes de ninja pela primeira vez, uma das minhas profissões dos sonhos era ser... ninja! Mas americano! Os japoneses, pelo visto, são bem mequetrefes!


29.11.12

THE PERFECT WEAPON (1991)


Numa época em que Van Damme e Steven Seagal estavam no auge do cinema de porrada em Hollywood, no início dos anos 90, não faltou candidatos tentando conseguir um pouco mais de espaço no gênero. Figuras do calibre de Jerry Trimble, Don “The Dragon” Wilson, Loren Avedon, Billy Blanks e muitos outros, nunca tiveram mais destaque e oportunidades de estrelar filmes classe A, apesar da quantidade de filmes que possuem e da febre que faziam nas locadoras.

Quem chegou bastante próximo disso foi Jeff Speakman, uma dessas apostas que, infelizmente, não deu muito certo. Sua grande chance foi com THE PERFECT WEAPON, produzido sob a batuta da grande Paramount, embora tenha a mesma cara dos B movies de luta que borbulhavam naquela altura. E se não conseguiu chegar no nível de um Van Damme, tenho a impressão de que os erros foram cometidos depois, porque THE PERFECT WEAPON é muito bom!


O início é meio estranho. O filme abre com Jeff sem camisa, na sala de sua casa, treinando movimentos de artes marciais ao som de “I got the power”… e é engraçado, porque o filme só tem 85 minutos, mas mesmo assim fizeram o favor de deixar a música rolar até o final! Argh! Depois ele entra no carro, pega a estrada e começa a pensar sobre o passado. E entram os flashbacks. Dessa maneira, ficamos sabendo que depois da morte de sua mãe, Jeff virou um garoto encrenqueiro. Seu pai, que era policial, decide mandá-lo para uma escola militar, mas um vizinho oriental convence-o de enviar Jeff a uma escola de artes marciais, onde aprende auto-disciplina. Neste momento, o filme retorna para o presente e mostra Jeff dando um sorrisinho… Mas os flashbacks ainda não acabaram.

No colégio, alguns bullies resolvem implicar com o irmão mais novo de Jeff, e este o defende à base de chutes na cara, chegando a enviar um dos estudantes para o hospital. Então, o pai decide expulsá-lo de vez de casa e o vizinho resolve cuidar do rapaz (e no presente, Jeff franze a testa ao relembrar destes momentos dramáticos). Enfim, eu já estou enrolando demais. A trama mesmo é o Jeff retornando para visitar seu velho mentor, que é interpretado pelo Mako, e acaba envolvido numa guerra entre as famílias mafiosas chinesas, resultando na morte do velho. Então Jeff, com a ajuda de seu irmão, que agora é policial, resolve ir atrás dos responsáveis e THE PERFECT WEAPON se transforma num filme de vingança.


A história é bem simples mesmo, mas extremamente funcional para um filme de pancadaria. E temos aqui algumas coisas bem interessantes. Começando pelo próprio ator principal. Este é o único filme do Speakman que eu vi (quero dizer, o sujeito fez uma ponta antes no LEÃO BRANCO, do Van Damme, mas me refiro como protagonista) então não acho que dá pra avaliar se o sujeito seria realmente capaz de aguentar o tranco de ser um action heroe no estilo Dolph, Van Damme, Seagal. Mas pelo menos aqui ele tem presença e, claro, luta pra cacete. O sujeito realmente convence de que suas habilidades lhe dão a alcunha de “arma perfeita”.

Outro destaque de THE PERFECT WEAPON é o elenco. Só gente boa! Mako, James Hong, Cary-Hiroyuki Tagawa, Clyde Kusatsu, Professor Toru Tanaka e, claro, Al Leong. Nenhum filme de ação dos anos noventa envolvendo orientais que se preze poderia deixar de fora o eterno capanga Al Leong. No entanto, quem já assistiu ao filme sabe que o grande ladrão de cenas por aqui é o personagem do Professor Toru Tanaka. É daqueles tipos de vilões imparáveis, difícil de morrer e que dá um puta trabalho para o herói… Só pela estrutura do sujeito dá pra ter uma noção da situação:


A direção é por conta de Mark DiSalle, que só realizou mais um único filme além deste aqui: KICKBOXER, com um certo baixinho belga que eu devo ter citado aí em cima. DiSalle trabalhou mais como produtor, sendo responsável pelo clássico O GRANDE DRAGÃO BRANCO. O sujeito manda bem nas sequências de ação por aqui, filmando com segurança e estilo old school, deixando os atores encenarem a pancadaria em planos abertos, sem muitos cortes. Ajuda bastante o fato de ter um Jeff Speakman demonstrando suas habilidades. Gosto especialmente de toda sequência final, quando Jeff, armado apenas com dois bastões de madeira, invade um local cheio de capangas, enfrenta todos eles e finaliza com mais uma trocação com o grandalhão Tanaka.

Ainda pretendo conferir mais filmes com o Speakman como protagonista (não são muitos), e talvez até descobra porque o sujeito não engrenou na carreira de ator. Mas tenho a impressão de que nenhum outro trabalho dele tenha o mesmo nível de THE PERFECT WEAPON.

7.11.12

SOLDADO UNIVERSAL 4: JUÍZO FINAL (Universal Soldier 4: Day of Reckoning, 2012)


O terceiro filme da série SOLDADO UNIVERSAL foi uma grata surpresa pela qualidade das sequências de ação, mesmo sendo uma produção sem grandes recursos. Só que este ano, fiquei tremendamente decepcionado com um trabalho do mesmo diretor, John Hyams e o seu DRAGON EYES, que até chegou a me deixar desconfiado da capacidade do cara para este aqui. Como se REGENERATION tivesse sido uma puta sorte. Muito bem, devidamente conferido, eu solto agora minhas impressões: O filme é do caralho e eu não sei o que esse John Hyams toma no café da manhã, mas deveria estar muito surtado quando inventou de fazer SOLDADO UNIVERSAL 4: DAY OF RECKONING.


Pra começar, o filme é deveras bizarro, totalmente maluco, e já deu pra notar que a estranheza narrativa de alguns momentos não vai agradar a todos. O trailer meio que anunciava isso. Mas eu embarquei fácil nessa viagem alucinante que o Hyams propõe, um mergulho surreal ao universo dos SOLDADOS UNIVERSAIS, que em determinados instantes parecem dirigidos pelo Gaspar Noé (de IRREVERSÍVEL), com visuais carregados, luzes piscando e a trilha eletrônica bombando. Só sei que fui presenteado com um baita filme de ação e pancadaria completamente surtado e violentíssimo, que o amigo Kurt cunhou perfeitamente como um autêntico “porrada arthouse”!


Não vou ficar descrevendo a trama. Digo apenas que o Scott Adkins é o protagonista dessa vez, mandando bem pra cacete. E já que estamos falando dos atores, Dolph Lundgren e Jean Claude Van Damme, os astros do filme original lá de 92, agora são coadjuvantes de luxo e suas pequenas participações contribuem muito para o espetáculo. Andrei Arlovski, o vilão do terceiro filme, também dá as caras. Há um tiroteio absurdamente subversivo num bordel no qual o Arlovski entra com uma escopeta distribuindo chumbo pra cima dos soldados zumbis. O troço é BRUTAL! Arlovski, na verdade, protagoniza com o Adkins as melhores sequências de ação de SOLDADO UNIVERSAL 4, como uma perseguição de carros frenética, melhor que 90% das cenas de car chase que eu vejo no cinema atual. E no quesito trocação, temos para todos os gostos: Arlovski vs Dolph; Arlovski vs Adkins; Adkins vs Dolph; Adkins vs Van Damme. Só faltou Van Damme vs Dolph, mas eles já tiveram a oportunidade de lutar no filme anterior.


As cenas de pancadaria são de encher os olhos, especialmente a que acontece na loja de artigos esportivos, entre Adkins e Arlovski, maravilhosamente bem encenada, com os movimentos e golpes que dão a impressão de que realmente esmurraram a cara um do outro durante as filmagens, mas com estilo cinematográfico. Ambos são extremamente talentosos nesse tipo de cena, mas o grande responsável pelo feito é Larnell Storvall, o coreógrafo de lutas do Isaac Florentine. Ele e John Hyams já haviam trabalhado juntos no citado DRAGON EYES, que até as cenas de luta são porcarias estragadas pela montagem “mudernosa”. Aqui a coisa é do jeito que deveria ser. Porradaria casca-grossa, sem frescura, old school, não fica nada a dever aos melhores filmes de luta realizados no oriente.

SOLDADO UNIVERSAL 4 é completamente destoante do resto da série, o que neste caso é algo interessante de se ver. No entanto, é bem provável que esse seja o motivo pelo qual muita gente venha detestando, esperando algo no mesmo estilo do terceiro, mais voltado para a ação. É compreensível. Não que este aqui não seja voltado para a ação, mas o faz de maneira insólita, experimental, estilizada, visualmente pictórica. A ação do clímax final é um exemplo perfeito disso, é como se Hyams tomasse consciência de que precisava fazer um filme de ação que fosse uma contribuição artística. Na minha opinião, conseguiu.

31.8.12

O REI DOS KICKBOXERS (The King of the Kickboxers, 1990)

O diretor de OS IRMÃOS KICKBOXERS, Lucas Lowe, se reuniu novamente com o ator Loren Avedon para realizar um dos clássicos mais sensacionais da era dos kickboxer movies. Mesmo que vários dos ingredientes já tivessem surgidos em outros exemplares anteriormente, toda a configuração do cenário narrativo e dos habituais elementos básicos do gênero fazem de O REI DOS KICKBOXERS o CIDADÃO KANE dos filmes de luta no cinema americano!

Não sei direito por onde começar, mas vamos à trama, que é sobre esse policial vivido pelo Avedon, sempre metido em problemas, do tipo que não age segundo as regras e aproveita para demonstrar suas habilidades em artes marciais pra cima da bandidagem. Por esses motivos, o chefe de polícia quer se ver livre do sujeito por uns tempos e decide enviá-lo numa missão na Tailândia, um caso estranho que envolve snuff movies, no qual lutadores americanos são convencidos a participar de filmes clandestinos, mas acabam realmente morrendo durante as filmagens. Especialmente quando enfrentam um certo lutador, ninguém menos que Billy Blanks!

O problema é que há dez anos Avedon já havia estado na Tailândia acompanhando seu irmão mais velho num torneiro de kickboxing. Logo após a luta em que sagrou-se campeão, o irmão acabou assassinado por Blanks. E agora nosso herói tem a chance de se vingar. Mas assim que retorna àquele país, descobre que ainda não está pronto para um confronto com o negrão e passa por um desses inusitados treinamentos, com um inusitado mestre, que só faz sentido mesmo num filme desse tipo.

Já deu pra notar que tem de tudo por aqui, não é? E tudo se encaixa de maneira incrível.

A cena do assassinato do irmão logo no início é extremamente brutal, com o Blanks desferindo violentos chutes até o sujeito perder a vida na base da porrada mesmo! Uma das melhores coisas do filme, obviamente, é Blanks como vilão. Não exagero quando digo que ele está no mesmo nível de um Tong Po ou Chong Li e é claro que isso é fundamental para o sucesso de O REI DOS KICKBOXERS. É o típico vilão que funciona por termos pleno desprezo na mesma medida em que demonstramos respeito por suas magníficas habilidades. E quando finalmente ocorre o confronto final entre Avedon e Blanks, num cenário exótico, fica difícil ter esperanças pelo nosso herói.

Além dessa dupla, Avedon e Blanks, temos uma pequena participação do Jerry Trimble, com direito à mullets, como traficante de drogas desmascarado pelo Avedon em sua demonstração de policial bad-ass, e que acaba numa sequência de luta alucinante. Aliás, todas as sequências de pancadaria conseguem manter o mesmo nível dos outros filmes da série NO RETREAT, NO SURRENDER, com coreografias elaboradas (do Corey Yuen, diretor dos dois primeiros filmes da série) e execução perfeita dos atores/lutadores. Apenas para ter uma noção, as filmagens do climax final demoraram duas semanas para serem finalizadas. Hoje, basta tremer a câmera, meter a tesoura na edição e pronto, já se dão por satisfeitos.

Como já havia dito em um dos textos anteriores, O REI DOS KICKBOXERS também faz parte da série NRNS. Em alguns países, foi lançado com o título KARATE TIGER 4, que é outra maneira pela qual a série é conhecida.

27.8.12

OS IRMÃOS KICKBOXERS, aka BLOOD BROTHERS (1990)


Também conhecido como NO RETREAT, NO SURRENDER 3 em alguns países. Não é tão espetacular quanto o segundo, mas é um veículo divertidíssimo que serve de vitrine para que Loren Avedon e Keith Vitali (os irmãos do título) demonstrem suas habilidades em artes marciais em sequências alucinantes de pancadaria! Até hoje me lembro quando eu era um moleque de oito ou nove anos pegando a fita da Top Tape na locadora com meu irmão mais novo. Passamos o fim de semana inteiro assistindo repetidas vezes este que foi o meu primeiro “kickboxer movie”.


Na trama, os dois personagens não vão muito com a cara do outro. Avedon é um professor de kickboxer que dirige um fusca, enquanto Vitali ganha a vida como policial respeitado, seguindo os passos de seu pai. Ambos lutam pra cacete! Para resumir o enredo, uma tragédia na família acontece (leia-se alguém é assassinado) e acaba sendo o motivo de reaproximação dos irmãos, que deixam as diferenças de lado e juntam forças para fazer exatamente aquilo que se espera neste tipo de filme, um espetáculo de chutes na cara.

Eu já havia elogiado o talento de Loren Avedon como lutador no último post, mas aqui ele se destaca também em alguns aspectos dramáticos. Não é que seja bom ator, suas limitações são óbvias. No entanto, contracenar com um sujeito como Vitali faz até o Murilo Benício parecer o Marlon Brando. Vitali manda bem nas cenas de porrada, mas não convence nem como entregador de pizza, imagine então fazendo um policial bad-ass lidando com situações pungentes. O humor involuntário é inevitável…

É claro que qualquer problema é compensado com a abundância de cenas de ação muito bem filmadas, o ritmo acelerado e mão firme do diretor Lucas Lowe, substituindo Corey Yuen, que esteve à frente dos dois primeiro filmes. Lowe não chega no mesmo nível de Yuen, cujo cartel é respeitadíssimo, cheio de obras primas do cinema de artes marciais, mas Lowe demonstra segurança no que faz. A sequência final, por exemplo, uma brutal pancadaria expressionista, me fez parar para pensar… por que o sujeito só possui apenas quatro filmes no currículo? Vai saber...

O vilão de OS IRMÃOS KICKBOXERS é o cão chupando manga! Interpratado por um sujeito chamado Rion Hunter, ficou sempre marcado na minha memória pela sua cabeleira branca e, claro, a tal luta final, na qual enfrenta os irmãos sozinho e dá trabalho à beça! A coreografia do confronto final é excelente, digna dos filmes de artes marciais orientais. Quem quiser conferir:



É ou não é uma beleza? OS IRMÃOS KICKBOXERS – e O REI DOS KICKBOXERS, que comentarei a seguir – são alguns bons exemplares que provam de maneira definitiva que os americanos também tinham competência para fazer cinema de artes marciais de alta qualidade. Pena que foram tão poucos desse nível.

24.8.12

NO RETREAT, NO SURRENDER 2 (1988)


Este aqui é uma lindeza de filme, mas prefiro o título original no qual fora produzido: RAGING THUNDER. Genérico, clichê e sem qualquer sentido! Mas quem se importa? Depois, no entanto, os produtores tiveram a "brilhante" ideia de encorporá-lo como um exemplar da série NO RETREAT, NO SURRENDER, que já comentei por aqui no blog, cuja principal importância para a história do cinema mundial foi ter apresentado ao mundo um certo ator belga que faria a alegria da moçada na década seguinte. Só que RAGING THUNDER, ao menos, torna a fita mais “independente”, já que não possui nada que faça ligação com o filme anterior. Em outras palavras, fiquem à vontade para assistir a este aqui sem se preocupar em conferir o primeiro. Não vai fazer diferença alguma.


Não sei a que fim levou Kurt McKinney (que trocou o cinema de luta por um casamento), o protagonista do primeiro NRNS, mas aqui é substituido pelo Loren Avedon, que interpreta um kickboxer americano (saudade dos tempos quando os heróis dos filmes de ação ainda possuiam a profissão “kickboxer” e isso quase bastava para desenvolver uma trama) que viaja até a Tailândia e se vê envolvido numa situação perigosa quando sua namoradinha à distância (para os mais novos, naquela época não havia internet e as pessoas se correspondiam através de um papel escrito à mão, chamado carta) é sequestrada por uns russos que, dentre várias atividades, traficar humanos parece ser uma das mais rentáveis. Avedon, então, une forças com a Cynthia Rothrock e um outro americano maluco e enfrenta um verdadeiro exército para salvar a vida da mocinha.

Saudade, também, do tempo em que o herói deveria apenas salvar a mocinha… É que 80% dos filmes de ação da atualidade é protagonizado por metrossexuais com conflitinhos psicológicos banais, cheio de complexidades e missões exacerbadas, mas não aguentariam 30 segundos com um Loren Avedon, Jeff Speakman ou Billy Blanks no mano a mano (o Liam Neeson não faz parte dos 80%, Kurt).

Depois do desabafo habitual, me lembrei que NRNS 2 também foi dirigido pelo Corey Yuen, então existe ao menos essa relação com o filme anterior, que apesar de ser legalzinho, este aqui o supera com folgas, é bem melhor em todos os sentidos. Yuen utilizou a mesma equipe do departamento de ação de BLONDE FURY, com a Rothrock, e que arrebenta nesse tipo de cena. O diretor desta vez foi às favas com aquela mensagenzinha de “acreditar em si mesmo e blá blá blá”  do filme anterior e substituiu com doses brutais de pancadaria e ação.

Loren Avedon nunca vai ganhar um Oscar pelo conjunto da obra, mas o sujeito é um lutador extremamente talentoso e não fica muito atrás dos especialistas no assunto lá do oriente. Da mesma forma Rothrock, que dispensa apresentação (aliás, eu sou o único que acha ela uma tetéia?). Mas para os apreciadores da moça, já aviso que se estão procurando performances interessantes dela por aqui, vão sair desapontados. Recomendo o já citado BLONDE FURY ou RIGHTING WRONGS (ambos do Yuen) para conferir do que a bichinha é capaz! O “chefão dos bandidos” da imagem aí de cima é o alemão fortão Matthias Hues, fazendo sua estréia no cinema, substituindo o papel que seria de Jean Claude Van Damme (que pulou fora para fazer O GRANDE DRAGÃO BRANCO). Responsabilidade! Mas a luta final entre ele e Avedon é épica! Um dos momentos dignos de antologia da era dos kickboxer movies!

Uma curiosidade é que Hues não era bem um especialista em lutas. Nunca havia feito cenas desse porte, contracenando com lutadores e encarando coreografias elaboradas. Era apenas um cara visualmente forte... Então, colocaram o sujeito para treinar intensivamente com o lendário ator e coreógrafo Hwang Jang Lee. Passado algumas semanas, chegou o momento de filmar a tal luta final e... bom, basta conferir no filme o belíssimo resultado.  

Pretendo continuar escrevendo nos próximos posts sobre as “continuações” de NO RETREAT NO SURRENDER. O terceiro filme da série chegou aqui no Brasil com o título de OS IRMÃOS KICKBOXERS, é um autêntico clássico do gênero e possui papel importante na minha formação cinéfila (foi o primeiro kickboxer movie que assisti na vida!). O quarto capítulo nunca recebeu o título NO RETREAT, NO SURRENDER, mas chegou a ser lançado em alguns países como KARATE TIGER 4 (mais uma maneira na qual a série NRNS foi veiculada). Estamos falando de THE KING OF THE KICKBOXERS. E como também possui o Loren Avedon, não dá para não considerar parte da franquia.