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11.11.11

DUEL TO THE DEATH (1983)

Na história de DUEL TO THE DEATH existe uma tradição na qual a China e o Japão resolvem suas diferenças à base do duelo. O melhor espadachim da China encara o maior samurai do Japão num confronto mortal. Tudo começa com uns ninjas, obviamente japoneses, na calada da noite, invadindo uma escola chinesa de kung fu em busca de alguns pergaminhos, que eu não faço idéia do que sejam… mas já vale destacar aqui o magistral trabalho de câmera, montagem, atmosfera, coreografia de lutas, trilha sonora, tudo de uma grandesa cinematográfica notável.

O fato é que a partir daqui, cria-se mais um motivo para um novo duelo entre os dois países. De um lado Li Chi Wan (Damian Lau), conhecido como The Lord of the Sword; do outro, o samurai Kada Hashimoto (Norman Chu), que embarca numa jornada até a China para enfrentar seu oponente. O filme ainda apimenta a situação com uma conspiração política nos bastidores da luta, que consiste na tentativa do Japão em dominar a China, enviando um exército de ninjas pra lá. Mas basicamente, o roteiro é só isso.

O que você realmente precisa saber sobre DUEL TO THE DEATH é que se trata de um dos exemplares mais absurdamente malucos do cinema de artes marciais! A partir deste mote simples - não faço idéia do que tinha no café do diretor Ching Siu-Tung - o filme transmite uma liberdade criativa quase subversiva, qualquer viagem alucinógena que os caras tinham na concepção de algumas cenas, era transformada em imagens. E é isso que torna DUEL TO THE DEATH tão memorável, embora mesmo que não houvesse os exageros absurdos de encher os olhos, e tivesse apenas lutas realistas, o filme já teria qualidade suficiente para ser grande, pela direção competente e o belíssimo trabalho de coreografia nas sequências de ação!

No entanto, a trama até que não é tão fantasiosa como ZU, do Tsui Hark, por exemplo, mas o que não falta aqui são personagens fazendo coisas bizarras que desafiam todas as leis da física em cenas de lutas old school estonteantes! Todos os mitos que envolvem especialmente o universo das habilidades ninjas são maximizados à potência mais elevada por aqui. Eles voam, são extremamente sorrateiros, desaparecem e aparecem quando bem desejam, explodem seus corpos em ataques kamikases; há uma cena onde um ninja gigante se transforma em vários ninjas de tamanho normal; e num combate contra um monge, um dos ninjas tira a roupa e se revela uma mulher nua, fazendo com que o pobre celibatário feche os olhos e seja capturado.

As coisas não param por aí! Cabeça decepada falante, cenários inusitados, violência estilizada, efeitos especiais incríveis, DUEL TO THE DEATH mantém até o último minuto tanto um ritmo frenético de ação quanto idéias bizarras do subgênero wuxia. Por fim, o derradeiro e mortal duelo nas rochas é algo digno de qualquer antologia, não somente dos filmes de artes marciais, mas do próprio cinema.

7.6.10

Notas sobre filmes recentes

- TRUE LEGEND (Su Qi-Er, 2010), de Yuen Woo-Ping
O filme é uma mistura das mais surtadas que homenageia o cinema de artes marciais em todo seu esplendor, especialmente o wuxia, que contempla o lado fantástico do gênero. TRUE LEGEND mais parece uma brincadeira com os vários ingredientes que fizeram – e ainda fazem – a cabeça dos fãs. A narrativa lembra um video game, é porrada do começo ao fim, repleto de referências que vão desde DRUNKEN MASTER a FIVE DEADLY VENONS e muitos outros. Ah, vale lembrar que o diretor Woo-Ping é um dos grandes nomes do cinema de artes marciais de todos os tempos, tendo no curriculo vários clássicos do gênero. TRUE LEGEND marca seu retorno. Desde 1996 ele não dirigia nada para cinema. E continua um mestre em conduzir magníficas sequências de ação (a luta que se desdobra dentro de um fosso é sensacional). Nem os efeitos especiais de CGI exagerados e a abrupta mudança de foco do enredo conseguem atrapalhar a diversão.

- MOTHER (Madeo, 2009), de Bong Joon-Ho
Bong é desses diretores que é sempre bom ficar de olho (Será que vai mesmo pintar um HOSPEDEIRO 2?). Não sei porque demorei tanto, apesar dos elogios de vários amigos, mas finalmente conferi este seu filme mais recente, sobre uma mãe que faz de tudo para provar a inocência do filho retardado, acusado de assassinato. O filme possui alguns ecos que remetem a outro trabalho do diretor, o espetacular MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO. MOTHER segue a mesma linha só que desta vez é com essa senhora como protagonista, metendo o nariz em várias situações enquanto investiga o caso, o que não impede de haver momentos de tensão. A direção de Bong é de uma maestria impressionante, administrando sequências de suspense atmosférico com uma carga dramática pra lá de forte, e uma pitada do humor negro habitual em seus filmes. Mas o que mais me surpreende é a atuação devastadora da atriz Kim Lye-ja, que faz o papel da mãe. Ainda prefiro MEMÓRIAS, mas MOTHER não fica muito atrás.

- UM HOMEM SÉRIO (A Serious Man, 2009), de Ethan e Joel Coen
Outro que demorei bastante para assistir, mas só agora foi estrear aqui em Vitória. Tenho sempre boas espectativas com filmes dos irmãos Coen, por isso esperei para ver UM HOMEM SÉRIO no cinema. Dividiu muito as opiniões entre a crítica e os amigos blogueiros, mas valeu a pena a espera. Não chega nem perto de ser uma obra prima, mas é legal acompanhar o protagonista, um bunda mole judeu que vê sua vida afundar em desgraças sem tomar qualquer tipo de atitude racional. O produto final pode soar um tanto vago, uma obra cheia de pretensões que falha em alguns pontos, mas está muito longe de ser a chatice que muitos acharam. Existe um lado espiritual muito forte que me agrada e talvez faça mais sentido se levar isso em consideração. A bela fotografia, as boas atuações e a mão firme dos irmãos na condução também ajudaram bastante.